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Provas no computador: pontuações se aproximam, mas o formato ainda pesa

Pesquisas recentes indicam que provas digitais e em papel podem gerar resultados próximos, mas o formato, a interface e a posição dos itens também podem influenciar o desempenho. Veja o que isso significa para suas avaliações.

Provas no computador: pontuações se aproximam, mas o formato ainda pesa

A substituição acelerada de provas em papel por versões aplicadas por computador, impulsionada durante a pandemia, deixou uma pergunta prática na rotina escolar: uma resposta certa continua medindo a mesma coisa quando o estudante precisa clicar, tocar ou navegar por uma interface? Pesquisas recentes sugerem que, em algumas avaliações, as pontuações ficam muito próximas; em outras, a disposição dos itens, a interface e até a posição de um bloco podem pesar.

Para o professor, isso não é uma discussão abstrata sobre tecnologia. É uma questão de interpretação: se uma turma vai fazer uma avaliação digital, vale entender se a ferramenta está apenas mudando o suporte ou se também altera o caminho para responder. Os estudos reunidos aqui mostram que não existe uma resposta única para todas as provas. O formato pode ter efeito pequeno em uma avaliação e relevante em outra.

O que é avaliação assistida por computador e por que importa para o professor?

Avaliação assistida por computador é uma prova ou tarefa avaliativa realizada em um dispositivo, em vez de ser respondida exclusivamente em papel. Na prática escolar, pode envolver selecionar alternativas, digitar uma resposta, tocar em elementos, percorrer itens ou resolver uma tarefa em uma interface digital. O ponto central é que o computador pode mudar mais do que o suporte: também pode mudar a apresentação, a navegação e a quantidade de estímulos visíveis ao mesmo tempo.

Isso importa porque o resultado de uma avaliação costuma ser usado para tomar decisões: identificar o que precisa ser retomado, comparar desempenhos ou acompanhar uma aprendizagem. Se o modo de aplicação afeta a facilidade com que o estudante acessa a tarefa, a pontuação pode refletir tanto o conhecimento avaliado quanto as exigências daquele formato. A pesquisa recente não indica que isso aconteça sempre, nem que toda prova digital seja menos justa. Indica que é preciso olhar para a avaliação concreta.

Uma prova digital pode reproduzir quase literalmente uma versão impressa, mas também pode apresentar itens em sequência, alterar o número de questões visíveis, permitir navegação diferente ou incluir tarefas interativas. Por isso, “prova no computador” não descreve um único formato. Para o professor, a pergunta útil é mais específica: o que mudou para o estudante entre uma versão e outra, e essa mudança interfere na habilidade que a prova pretende observar?

O que a pesquisa recente mostra sobre provas digitais e em papel?

Em algumas avaliações, as pontuações e as previsões ficam próximas

Uma comparação do teste sul-africano National Benchmark de Letramento Quantitativo analisou resultados de versões em papel e por computador. O estudo examinou medidas de frequência, tendência central, dispersão e posição, além de testar se as medianas dos grupos diferiam. O teste da mediana indicou que os grupos que fizeram as duas modalidades provinham de uma população com a mesma mediana (Prince, 2025). Esse resultado aponta para proximidade em uma medida importante, mas não transforma qualquer prova digital em equivalente automático da versão impressa.

Em avaliações estaduais da educação básica em Massachusetts, a pesquisa encontrou efeitos muito pequenos do modo de aplicação em uma transição mais recente para provas on-line. Os autores também compararam a capacidade dos resultados em papel e on-line de prever resultados em provas futuras e notas. Em geral, encontraram diferenças mínimas na previsão dos resultados futuros e observaram que as duas modalidades eram igualmente preditivas da média de notas futura (Backes, 2024).

Esses achados ajudam a evitar uma conclusão precipitada: não é correto presumir que uma prova digital sempre reduz ou aumenta as notas. Mas a pesquisa de Massachusetts também traz uma advertência importante: a penalidade associada ao formato on-line pode variar substancialmente conforme a prova. Os autores recomendam extremo cuidado ao aplicar versões diferentes a grupos diferentes de estudantes. Se parte da turma responde no computador e parte no papel, uma diferença de pontuação pode não ser interpretada com segurança como diferença de conhecimento.

O mesmo trabalho aparece no ERIC também como uma submissão de pesquisa, com resumo que descreve a transição e as análises de validade preditiva. Ele relata que efeitos de modo muito pequenos podem estar ligados a uma etapa adicional de pareamento por características observáveis no processo de equalização, e reforça a cautela ao combinar modalidades (Backes, 2024). Como as duas entradas descrevem o mesmo título e os mesmos autores, este artigo as trata como um único conjunto de achados, sem contar a repetição como confirmação independente.

O desenho da tarefa pode alterar o desempenho, mesmo dentro de uma prova digital

Uma pesquisa com estudantes do segundo ano do ensino fundamental examinou uma tarefa computadorizada de leitura de palavras sem sentido apresentada em cinco formatos. As variações incluíam disposição em linhas ou colunas e diferenças no número de estímulos mostrados de cada vez. As comparações encontraram diferenças estatisticamente significativas entre formatos tanto na precisão quanto na taxa de resposta. A taxa de resposta pareceu mais influenciada pelo formato do que a precisão, e o número de estímulos apresentados simultaneamente teve efeito significativo no desempenho (Kern, 2026).

Esse estudo chama atenção para uma distinção importante: uma tarefa pode parecer medir leitura, mas a forma de organizar os estímulos também pode influenciar o resultado. Se a disposição visual ou a quantidade de itens na tela altera o ritmo de resposta, a pontuação de velocidade pode ser particularmente sensível. Os autores investigaram uma tarefa específica; não é possível presumir que o mesmo tamanho de efeito ocorra em qualquer disciplina ou em toda plataforma.

Em matemática do 8º ano no eTIMSS 2019, foram estudados efeitos da posição dos blocos de itens e do formato das questões em seis países: Chile, Catar, Malásia, República da Coreia, Taipé Chinês e Singapura. A probabilidade de resposta correta diminuiu conforme o bloco avançava, em países classificados no resumo como de baixo e de alto desempenho; o efeito foi mais pronunciado nos primeiros. Também houve um efeito negativo associado ao formato: questões de múltipla escolha pareceram mais fáceis do que itens de resposta construída (Gübes, 2025).

Os resultados não autorizam atribuir toda queda em itens posteriores ao cansaço, nem toda diferença entre múltipla escolha e resposta construída a uma causa única. O que mostram é que posição e formato se relacionaram à facilidade dos itens naquela avaliação internacional. Para quem monta uma prova, isso reforça o valor de observar se os itens estão organizados de maneira equilibrada e se comparar respostas de formatos distintos faz sentido.

A interface de toque pode mudar os padrões de resposta

Em duas escolas públicas japonesas, estudantes do 6º ano realizaram testes de reconhecimento fonema-grafema em papel e em interface de toque. Na maioria dos itens, a taxa de acerto na interface de toque ficou abaixo da observada no papel. Ao mesmo tempo, houve uma relação consistente entre o conhecimento medido em papel e uma interação digital bem-sucedida. Os autores apontam potencial para avaliações por toque e sugerem incorporar mais tarefas digitais para ampliar a adaptação dos alunos (Liang, 2024).

Esse resultado não significa que a tela de toque seja inadequada para avaliar alfabetização. Mostra que, naquele estudo, os padrões de desempenho diferiram entre os formatos e que a familiaridade ou interação com a tarefa digital também merece consideração. Uma criança pode reconhecer a relação entre som e grafia, mas ainda precisar se adaptar à maneira de selecionar uma resposta na interface. O professor deve separar, quando possível, o objetivo pedagógico da exigência operacional criada pela ferramenta.

Formatos mais variados pedem atenção aos dados de processo

Com a ampliação de avaliações mais flexíveis, os dados de processo podem ajudar a compreender como o estudante chegou a uma resposta. Uma proposta metodológica analisou registros de ações em testes informatizados para identificar padrões de realização e explicar diferenças entre grupos. O procedimento foi validado por simulações e aplicado a uma avaliação de matemática do NAEP, examinando diferenças entre estudantes com deficiência de aprendizagem e pares com desenvolvimento típico (Kwon, 2025). O resumo apresenta uma abordagem de análise, não uma recomendação para que professores interpretem registros individuais sem apoio técnico.

Outro estudo revisitou a detecção de engajamento em uma avaliação de matemática do NAEP de 2019 para estudantes do 8º e do 12º anos. O contexto diferia de formatos tradicionais usados em pesquisas anteriores: variavam o número e o formato dos itens e a navegação. Os pesquisadores avaliaram 25 versões de um método de limiar normativo e encontraram uma variação mais apropriada para aquele caso de uso, após analisar a adequação do método ao contexto (Lehman, 2024). A mensagem é que indicadores de engajamento não devem ser transportados automaticamente de uma prova para outra.

O NAEP também publicou perguntas frequentes sobre modernizações destinadas a oferecer experiências de avaliação mais flexíveis e autênticas. O documento descreve inovações atuais e futuras de uma avaliação nacional dos Estados Unidos, mas o resumo não detalha resultados comparativos de desempenho (National Assessment of Educational Progress, 2025). Ele ajuda a situar a mudança de cenário: avaliações digitais podem ampliar as possibilidades de apresentação e interação, mas cada inovação precisa ser analisada em relação ao que pretende medir.

Quais estudos foram comparados?

A tabela reúne os estudos citados e resume o foco de cada um, sem tratar contextos diferentes como se fossem diretamente equivalentes. Os achados dependem das tarefas, das populações e das avaliações investigadas.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Prince, 2025Comparação entre versões em papel e computador de um teste de letramento quantitativo.O teste da mediana indicou medianas iguais entre os grupos das duas modalidades.África do Sul; National Benchmark de Letramento Quantitativo.
Backes, 2024Efeitos de modo e validade preditiva de avaliações em papel e on-line.Efeitos muito pequenos na transição mais recente; resultados das duas modalidades igualmente preditivos da média futura; cautela ao misturar modos.Massachusetts, Estados Unidos; educação básica, avaliações estaduais.
Kern, 2026Disposição e quantidade de estímulos em tarefa computadorizada de leitura.Diferenças entre formatos em precisão e taxa de resposta; resposta pareceu mais sensível ao formato.53 estudantes do 2º ano; tarefa de leitura de palavras sem sentido.
Gübes, 2025Posição dos blocos e formato dos itens de matemática no eTIMSS.A chance de acerto diminuiu em blocos posteriores; múltipla escolha pareceu mais fácil que resposta construída.Matemática do 8º ano; Chile, Catar, Malásia, República da Coreia, Taipé Chinês e Singapura.
Liang, 2024Reconhecimento fonema-grafema em papel e interface de toque.Na maioria dos itens, houve menos acertos na interface de toque; o desempenho em papel se relacionou à interação digital bem-sucedida.Estudantes do 6º ano de duas escolas públicas japonesas.
Kwon, 2025Análise de registros de ações para estudar diferenças de desempenho.Propõe e valida por simulações um procedimento aplicado a diferenças em avaliação de matemática do NAEP.NAEP, Estados Unidos; estudantes com deficiência de aprendizagem e pares com desenvolvimento típico.
Lehman, 2024Adequação de métodos de detecção de engajamento em contexto digital variado.Uma análise de 25 variações identificou a mais apropriada para o caso investigado.Matemática do NAEP de 2019; 8º e 12º anos, Estados Unidos.
National Assessment of Educational Progress, 2025Modernizações e experiências de avaliação atuais e futuras do NAEP.Apresenta informações sobre inovações para avaliações mais flexíveis e autênticas.NAEP, avaliação nacional dos Estados Unidos.

O que os estudos têm em comum e onde divergem?

O ponto em comum é que o formato não deve ser tratado como um detalhe invisível. Mesmo quando as pontuações gerais se aproximam, a interface, a organização visual, o tipo de item ou a posição dos blocos podem afetar aspectos do desempenho. Os estudos de Prince e Backes oferecem resultados de comparabilidade favoráveis em contextos específicos; Kern, Gübes e Liang mostram diferenças associadas a elementos concretos de apresentação e resposta.

A divergência não é necessariamente uma contradição. Os estudos não aplicaram a mesma prova às mesmas pessoas, nem mediram uma única habilidade. Comparar uma avaliação estadual em larga escala com uma tarefa de leitura de palavras ou um teste de reconhecimento fonema-grafema exige cuidado. Um efeito pequeno na pontuação global pode coexistir com diferenças localizadas em itens, tempo de resposta ou subgrupos.

Também muda o que cada pesquisa considera resultado. Algumas comparam pontuações ou medianas; outras observam facilidade de itens, taxa de resposta, previsão de notas ou padrões de interação. Por isso, “as versões são comparáveis?” pode ter respostas diferentes conforme o objetivo: comparar médias, interpretar uma resposta individual, prever uma nota futura ou medir fluência.

O que ainda não está resolvido é como esses achados se transferem para avaliações rotineiras em escolas brasileiras, com dispositivos, plataformas e níveis de familiaridade variados. Os resumos não oferecem uma regra universal para converter uma nota digital em nota de papel, nem um padrão único de interface que elimine diferenças. Essa lacuna pede decisões locais cuidadosas, não a rejeição automática da tecnologia.

Como aplicar essas evidências na sala de aula?

Os estudos não prescrevem um roteiro para cada professor. As ideias abaixo são aplicações possíveis dos achados, não resultados testados diretamente pelas pesquisas citadas. O objetivo é reduzir surpresas de formato e interpretar a avaliação com mais critério.

1. Faça um teste curto da interface antes de avaliar conteúdo

Uma forma de usar essa evidência em sala é oferecer uma atividade breve, de baixo risco, para que os estudantes experimentem selecionar, avançar e registrar respostas. Imagine uma turma de 7º ano que fará uma avaliação digital de matemática: antes da prova, o professor pode propor dois itens simples apenas para verificar se todos entendem como responder. Assim, dificuldades de navegação ficam mais visíveis antes de uma nota depender delas. Essa sugestão se inspira nos estudos sobre toque e interação, mas não foi avaliada como intervenção pelos resumos.

2. Mantenha o formato alinhado ao objetivo que quer medir

Uma aplicação possível é escolher a forma de resposta de acordo com a aprendizagem em foco. Se a intenção é avaliar se o estudante explica um raciocínio, uma questão de resposta construída pode revelar algo diferente de uma alternativa de múltipla escolha. Imagine uma avaliação de ciências em que o professor pede uma justificativa: se a plataforma permite apenas clicar em alternativas, a prova pode não capturar a explicação planejada. O estudo do eTIMSS mostra que formatos de item podem apresentar níveis diferentes de facilidade; não prova qual formato é melhor para toda situação.

3. Evite comparar notas de modalidades diferentes sem contexto

Como aplicação prática, registre se a avaliação foi em papel ou em dispositivo e evite interpretar uma mudança de nota como mudança de aprendizagem sem considerar essa diferença. Imagine que um estudante faça a primeira avaliação impressa e a seguinte em uma interface de toque. O professor pode comparar também quais tipos de item foram usados e como o estudante lidou com a tarefa. Backes e colegas encontraram efeitos muito pequenos em uma transição específica, mas alertaram que a penalidade on-line pode variar conforme a prova. Isso recomenda prudência, não uma correção automática das notas.

4. Observe se a quantidade de itens visíveis é adequada

Uma forma de aplicar o achado de Kern é revisar a apresentação de tarefas que exigem rapidez ou leitura de muitos estímulos. Imagine uma atividade de leitura em que a tela apresenta muitas palavras ao mesmo tempo: o professor pode experimentar uma disposição mais limpa e verificar se a organização atende ao objetivo da tarefa. Não se trata de reduzir a dificuldade do conteúdo, mas de evitar que uma característica visual incidental domine o desempenho. O estudo investigou formatos específicos; a escolha final deve ser observada na própria turma.

5. Revise a ordem e o equilíbrio dos blocos

Como sugestão de aplicação, confira se a posição de um conjunto de itens pode favorecer ou prejudicar sua interpretação. Uma prova com blocos sucessivos de matemática, por exemplo, pode alternar demandas ou distribuir os conteúdos de modo planejado, em vez de concentrar os itens mais exigentes no fim por conveniência. O estudo do eTIMSS encontrou queda na probabilidade de acerto conforme os blocos avançavam naquele contexto. Isso não demonstra que toda turma perderá desempenho pelo cansaço; é um motivo para observar ordem, extensão e interpretação dos resultados.

6. Diferencie dificuldade de conteúdo de dificuldade operacional

Uma aplicação útil é perguntar ao estudante, depois de uma tarefa digital, se houve dificuldade para compreender o conteúdo ou para usar a interface. Imagine que uma criança erre uma questão de associação entre som e grafia: uma conversa breve pode ajudar a identificar se ela não reconheceu a relação ou se teve dificuldade para tocar na opção correta. O estudo japonês encontrou resultados inferiores na interface de toque em muitos itens, junto de relação entre conhecimento em papel e interação digital. A conversa não substitui evidência, mas pode orientar a próxima atividade.

7. Trate dados de tempo e navegação como pistas, não como diagnóstico

Uma forma de usar essa ideia é observar registros de processo apenas como informação complementar. Se um estudante demora ou revisita uma questão, isso pode merecer uma pergunta pedagógica, mas não basta, por si só, para concluir desinteresse ou desconhecimento. As pesquisas de Kwon e Lehman estudam métodos especializados para analisar registros e engajamento em avaliações de larga escala. Para uma escola, a aplicação prudente é não transformar um indicador isolado de tempo ou navegação em rótulo sobre o aluno.

O que muda quando levamos esses estudos para o Brasil?

Os estudos citados foram realizados em contextos de outros países, incluindo Estados Unidos, África do Sul, Japão e participantes do eTIMSS. Eles ajudam a formular perguntas para a escola brasileira, mas não descrevem diretamente o que acontece em cada rede, município ou turma daqui. Recursos disponíveis, familiaridade com dispositivos, condições de acesso e características da plataforma podem variar. Por isso, não é seguro transportar uma conclusão específica como se fosse uma regra nacional.

O estudo de Massachusetts, por exemplo, trata de avaliações estaduais da educação básica nos Estados Unidos. O resultado de efeitos pequenos em uma transição particular é relevante para pensar comparabilidade, mas não garante o mesmo para uma prova local no Brasil. Da mesma maneira, os achados do Japão sobre interface de toque em reconhecimento fonema-grafema não autorizam prever o desempenho de estudantes brasileiros em outras tarefas ou línguas.

Para uma escola brasileira, uma adaptação sensata é verificar as condições reais de aplicação antes de tomar decisões de alto impacto: testar o acesso à plataforma, explicar como registrar respostas, conferir se o dispositivo permite visualizar a tarefa como planejado e considerar se o formato corresponde ao objetivo. Se houver comparação entre avaliações, convém anotar as mudanças de modalidade e de apresentação. São cuidados de aplicação sugeridos a partir da pesquisa, não exigências oficiais descritas por esses estudos.

Também é importante não transformar a discussão em uma disputa entre papel e tecnologia. As pesquisas mostram tanto casos de proximidade quanto situações em que o formato se relacionou ao desempenho. A decisão pedagógica pode considerar o propósito da atividade, a condição de acesso e a possibilidade de preparar os estudantes para a interface. Em certos momentos, o papel pode ser mais adequado; em outros, a interação digital pode fazer parte da tarefa que se quer observar.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes registrados no ERIC, não na leitura integral de cada publicação. Os resumos permitem identificar objetivos, contextos e resultados principais, mas não dão acesso a todos os detalhes necessários para avaliar cada decisão metodológica. Também reúnem estudos com tarefas, etapas escolares, populações e medidas diferentes, que não devem ser tratados como uma única experiência comparável.

Ficam em aberto perguntas importantes para a prática: como os resultados mudam em diferentes plataformas e dispositivos? Quais estudantes são mais afetados por uma interface específica? Uma diferença observada em uma tarefa de leitura se repete em avaliações de outras áreas? E quais ajustes de apresentação reduzem barreiras sem alterar o que a prova pretende medir? Os resumos disponíveis não respondem de forma geral a essas questões.

Vale consultar o estudo completo quando a escola for tomar uma decisão de maior impacto, como adotar uma modalidade para avaliações importantes, comparar resultados entre anos ou justificar mudanças de instrumento. A leitura integral também faz sentido para quem precisa conhecer como os grupos foram comparados, quais medidas foram usadas e quais limites os próprios autores apontam. Para uma atividade cotidiana, os resumos já ajudam a fazer perguntas melhores, desde que seus achados não sejam ampliados para além do contexto investigado.

Como o GeraProva ajuda com avaliações digitais?

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Perguntas frequentes sobre provas no computador

Provas no computador e provas em papel medem a mesma coisa?

Depende da avaliação. Em um teste sul-africano de letramento quantitativo, a comparação indicou medianas iguais entre os grupos que fizeram as versões em papel e computador (Prince, 2025). Em avaliações estaduais de Massachusetts, os efeitos de modo foram muito pequenos na transição mais recente, e os resultados das duas modalidades previram de forma semelhante a média futura (Backes, 2024). Já outros estudos encontraram diferenças ligadas à disposição dos estímulos, ao tipo de item ou à interface. Portanto, não há uma resposta universal: é preciso considerar a prova específica e o que se pretende medir.

Uma prova digital tende a baixar a nota dos estudantes?

Os estudos não sustentam essa conclusão para todas as provas. Em Massachusetts, foram encontrados efeitos muito pequenos em uma transição recente. Em uma tarefa japonesa de reconhecimento fonema-grafema, porém, a interface de toque teve taxas de acerto inferiores às do papel na maioria dos itens (Liang, 2024). São contextos e tarefas diferentes. A pesquisa indica que a penalidade associada ao formato pode variar conforme a prova. Para o professor, o mais prudente é verificar como a turma responde à interface e evitar atribuir automaticamente uma diferença de nota a menor aprendizagem.

O tipo de questão pode influenciar o resultado de uma prova?

Sim, ao menos nos estudos analisados, o formato do item esteve relacionado à facilidade observada. Na avaliação de matemática do eTIMSS, itens de múltipla escolha pareceram mais fáceis do que itens de resposta construída em todos os países considerados (Gübes, 2025). Isso não significa que um formato seja sempre superior ou que a diferença seja igual em toda prova. A escolha precisa acompanhar o objetivo: uma alternativa pode verificar reconhecimento, enquanto uma resposta construída pode permitir observar a elaboração do estudante. Ao comparar resultados, vale considerar que os tipos de resposta não exigem exatamente a mesma ação.

Por que a posição das questões na prova merece atenção?

Em matemática do eTIMSS 2019, a probabilidade de resposta correta diminuiu conforme os blocos de itens avançavam, em países de baixo e de alto desempenho; o efeito foi mais pronunciado nos países classificados como de baixo desempenho (Gübes, 2025). Esse resultado não demonstra que a causa seja necessariamente cansaço, nem que toda prova tenha o mesmo padrão. Ele mostra que a posição dos blocos esteve associada à facilidade dos itens naquele contexto. Na prática, o professor pode revisar a ordem e observar se a organização da prova influencia a interpretação do desempenho.

Devo usar dados de tempo e navegação para avaliar o engajamento?

Esses dados podem oferecer pistas, mas não devem ser tratados isoladamente como prova de engajamento ou desinteresse. Estudos de larga escala investigam como registros de ações podem ajudar a compreender padrões de resolução e diferenças entre grupos (Kwon, 2025), e como métodos de detecção precisam ser ajustados a contextos digitais variados (Lehman, 2024). Isso não equivale a uma recomendação para classificar estudantes por tempo de resposta. Em sala, uma demora pode ter várias explicações. Se o dado chamar atenção, ele pode orientar uma conversa ou observação adicional, não um diagnóstico automático.

Como preparar os estudantes para uma avaliação digital?

Uma aplicação possível é oferecer antes uma atividade curta para familiarização com a interface, sem nota, e verificar se todos entendem como selecionar e registrar respostas. Os estudos reunidos não testam esse procedimento como uma intervenção escolar geral, mas apontam que a interação e o formato podem se relacionar ao desempenho. Também é útil conferir se o dispositivo apresenta os estímulos como planejado e se o modo de resposta corresponde ao objetivo da avaliação. A preparação não elimina necessariamente diferenças entre papel e tela; ajuda a tornar mais visível se parte da dificuldade está no conteúdo ou no uso da ferramenta.

Referências

  1. Backes, B.; Cowan, J. (2024). As provas on-line e em papel são comparáveis? Evidências de avaliações estaduais do ensino fundamental e médio (Are Online and Paper Tests Comparable? Evidence from Statewide K-12 Tests). Applied Measurement in Education. link
  2. Gübes, N. Ö. (2025). Efeitos da posição do bloco de itens e do formato dos itens no e-TIMSS entre países de baixo e de alto desempenho (Item Block Position and Format Effects in e-TIMSS among the Low- and High-Achieving Countries). International Journal of Assessment Tools in Education. link
  3. Kern, A. M.; Hosp, M. K.; Hosp, J.; Marcotte, A. M.; Rodgers, D. B. (2026). Os efeitos do formato dos estímulos em uma tarefa de decodificação realizada no computador (The Effects of Stimuli Format on a Computer-Based Decoding Task). Practical Assessment, Research & Evaluation. link
  4. Kwon, S.; Zhang, S. (2025). Explicando as diferenças de desempenho com dados de processo da resolução de problemas por meio de análise de mediação em classes latentes (Explaining Performance Gaps with Problem-Solving Process Data via Latent Class Mediation Analysis). Grantee Submission. link
  5. Lehman, B.; Sparks, J. R.; Steinberg, J. (2024). Detecção do engajamento durante a realização de testes em contextos de avaliação em transformação. Relatório de pesquisa. ETS RR-24-09 (Detecting Test-Taking Engagement in Changing Test Contexts. Research Report. ETS RR-24-09). ETS Research Report Series. link
  6. Liang, L.; Oga-Baldwin, W. L. Q.; Nakao, K.; Fryer, L. K.; Shum, A. (2024). Transição do Papel para a Interface de Toque: Teste de Reconhecimento Fonema-Grafema e Gamificação em Salas de Aula do Ensino Fundamental I (Transitioning from Paper to Touch Interface: Phoneme-Grapheme Recognition Testing and Gamification in Primary School Classrooms). Technology in Language Teaching & Learning. link
  7. National Assessment of Educational Progress. (2025). Teste de Campo do NAEP 2025: Perguntas Frequentes sobre as Modernizações do NAEP (NAEP 2025 Field Test: FAQs about NAEP Modernizations). National Assessment of Educational Progress. link
  8. Prince, R. N. (2025). Comparação das pontuações nos testes de Letramento Quantitativo do National Benchmark em papel e em suas versões correspondentes aplicadas por computador (Comparing National Benchmark Quantitative Literacy Paper-Based Tests Scores with Its Computer-Based Counterparts). Numeracy. link

Na próxima avaliação, observe não apenas o que seus estudantes respondem, mas também como o formato os convida a responder. Se este tema conversa com um desafio da sua escola, vale compartilhar o artigo com a equipe e planejar juntos uma aplicação mais clara e justa.

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