GeraProva GeraProva Provas com IA para professores do Brasil
Pesquisa

Formação de estudantes do ensino médio em outros países: apoio e prática também formam

Estudos recentes em diferentes países investigam formações que vão além do conteúdo: atenção plena, apoio entre pares, autonomia e atividades práticas. Veja o que relatam e como adaptar essas ideias à realidade brasileira.

Formação de estudantes do ensino médio em outros países: apoio e prática também formam

Estudos recentes realizados em diferentes países mostram que a formação de estudantes do ensino médio pode envolver, além de conhecimentos acadêmicos, práticas de atenção plena, apoio entre pares, autonomia, desenvolvimento de carreira e atividades especializadas. Os resultados variam conforme a intervenção e o contexto. Para professores brasileiros, essas pesquisas oferecem ideias para reflexão e aplicação cuidadosa, não modelos prontos para copiar.

Formar estudantes do ensino médio não é apenas prepará-los para provas: é também criar oportunidades para praticar, decidir, cuidar de si e apoiar outras pessoas. Pesquisas recentes realizadas em diferentes países mostram essa formação acontecendo em contextos tão variados quanto atenção plena, orientação de carreira, esporte e programas entre pares.

Esses estudos não apresentam um modelo único para copiar. Em conjunto, ajudam a ampliar o olhar do professor: atividades e relações escolares podem fazer parte da formação, mas precisam considerar objetivos claros, condições de participação e a realidade de cada turma. A pergunta útil não é “qual programa estrangeiro devemos importar?”, e sim “que princípio faz sentido aqui e como podemos experimentá-lo com cuidado?”.

O que é formação de estudantes do ensino médio em países estrangeiros e por que importa para o professor?

Formação, neste contexto, é o conjunto de experiências organizadas para desenvolver conhecimentos, habilidades, atitudes e formas de participação dos adolescentes, dentro ou fora das aulas regulares. Nos estudos reunidos, ela aparece em programas de atenção plena, apoio entre colegas, competências espirituais, atividades esportivas, preparação profissional e aprendizagem alternativa.

Na rotina escolar, isso pode significar aprender um conteúdo e também praticar como lidar com uma tarefa difícil, receber devolutivas, colaborar ou relacionar escolhas presentes a possibilidades futuras. “Países estrangeiros” não designa uma abordagem uniforme: os estudos foram realizados em contextos específicos, como Indonésia, China, Japão, França, Turquia e Afeganistão. Há diferenças importantes entre sistemas, oportunidades e condições de acesso.

Para o professor brasileiro, o valor está em observar o desenho das experiências. O que os estudantes fazem? Que apoio recebem? Como a atividade se conecta ao objetivo? Quem consegue participar? Essas perguntas permitem aprender com pesquisas de outros lugares sem tratar seus programas ou regras como se fossem automaticamente adequados ao Brasil.

O que a pesquisa recente mostra

As pesquisas indicam que a formação de adolescentes pode envolver dimensões acadêmicas, emocionais, sociais, profissionais e físicas. Os resultados variam conforme a proposta e o contexto: alguns estudos relatam mudanças em medidas específicas, enquanto outros descrevem práticas, associações ou barreiras. Agrupar os achados por ideia ajuda a distinguir o que é evidência relatada e o que pode virar uma hipótese de trabalho na escola.

Atenção e bem-estar: propostas promissoras, com resultados diferentes

Dois estudos investigaram intervenções voltadas à atenção e ao bem-estar, mas usaram programas e contextos distintos. Na pesquisa sobre o Finding Focus, adolescentes participaram de uma intervenção digital de 22 dias, avaliada antes e depois. Os autores observaram diminuições autorrelatadas de depressão e ansiedade e aumentos autorrelatados de satisfação com a vida, afetos positivos, gestão do estresse e resiliência (Richelle, 2024). O estudo é apresentado como prova de conceito e também examina desafios comuns de intervenções escolares e prioridades para pesquisas futuras.

Uma pesquisa preliminar com sete estudantes voluntários do 11º ano examinou seis sessões de atenção plena baseadas na neurociência, realizadas após as aulas ao longo de quatro semanas. Os resultados apontaram diferenças significativas na subescala de não julgamento da escala de atenção plena e na subescala de emoções positivas. Não foi encontrada diferença significativa nas medidas de estresse e ansiedade. Nas entrevistas, estudantes relataram que passaram a identificar emoções e administrar o estresse de maneira eficaz (Özeke-Kocabas, 2023).

Os resultados não são idênticos, e essa diferença importa. Um estudo encontrou mudanças em várias medidas autorrelatadas; o outro encontrou mudanças em dimensões específicas, sem diferença significativa em estresse e ansiedade. Para o professor, a leitura equilibrada é que propostas de atenção podem ser exploradas como parte de uma experiência educativa, mas não devem ser apresentadas como tratamento de saúde mental nem como garantia de um efeito igual para todos.

Relações, autonomia e apoio entre estudantes

Na Indonésia, pesquisadores desenvolveram uma formação em competências espirituais e avaliaram inteligência emocional e bem-estar geral antes e depois. Participaram 40 estudantes do ensino médio de Makassar, recrutados em escolas públicas e privadas. O estudo constatou diferenças significativas nas duas medidas e descreveu evidências preliminares de possíveis efeitos da formação (Razak, 2024). Como se trata de uma proposta ligada à espiritualidade, sua aplicação depende de sensibilidade cultural, respeito às crenças e atenção ao caráter público e plural da escola brasileira.

Em uma escola técnica japonesa predominantemente masculina, um programa de apoio entre pares foi acompanhado ao longo de mais de seis anos. O estudo relata influências positivas sobre estudantes que atuaram como apoiadores, em medidas de relações interpessoais, autoestima e saúde geral. Também encontrou melhora em algumas medidas entre participantes com pontuações inicialmente baixas; entre os de pontuação alta, duas medidas apresentaram pouca melhora (Kondo, 2023). Isso chama atenção para a possibilidade de que uma mesma proposta seja vivida de formas diferentes pelos estudantes.

Na China, uma pesquisa com 1.452 estudantes do 10º ano de uma escola de orientação acadêmica e uma profissionalizante examinou relações entre pais e professores, apoio à autonomia e desenvolvimento de carreira. As relações entre pais e professores predisseram o desenvolvimento de carreira diretamente e indiretamente por meio do apoio dos pais à autonomia. Não foram encontradas diferenças nos resultados do modelo entre os dois tipos de escola (Xu, 2023). O achado destaca a relevância de relações entre adultos e do espaço dado à autonomia, sem provar que uma intervenção específica causará o mesmo resultado em qualquer escola.

Prática, feedback e desenho das atividades

Uma avaliação do programa de formação associado à competição de minicarros autônomos OpenZeka, na Turquia, identificou benefícios relatados pelos participantes, incluindo conhecimentos básicos para operar veículos autônomos e apoio ao desenvolvimento profissional. Ao mesmo tempo, apontou dificuldade elevada, intensidade, período curto de formação e ambiente superlotado como limitações (Kurt, 2025). O estudo oferece uma tensão útil: uma experiência desafiadora pode oferecer aprendizagem relevante, mas sua organização pode dificultar a participação e o aproveitamento.

Uma pesquisa qualitativa sobre treinamento de velocidade com atletas de karatê do ensino médio investigou práticas e respostas ao treinamento. Os treinos eram realizados de forma regular e programada, mas o modelo utilizado foi descrito como antigo, pouco ajustado às necessidades dos atletas e monótono, levando ao tédio (Santos, 2023). O resumo não apresenta uma comparação de métodos ou um teste de um novo modelo; portanto, o achado principal é a descrição de uma necessidade de renovação e adequação, não a comprovação de uma técnica superior.

Durante o confinamento da pandemia, um estudo francês examinou o acompanhamento pedagógico remoto de atividades físicas. A atividade física diminuiu significativamente, mas o acompanhamento contribuiu para limitar o abandono da prática. Experiências positivas estiveram associadas a apoio familiar e vídeos, variedade, solicitação de atividades, feedback e treinamento personalizado (Derigny, 2023). Os autores consideram os resultados promissores para práticas híbridas, mas indicam que são necessárias mais pesquisas para verificar esses princípios.

Aprender quando a participação formal é bloqueada

No Afeganistão, uma pesquisa descritiva investigou alternativas educacionais para estudantes do sexo feminino privadas da educação formal. Entre 94 participantes, a maioria participava de pelo menos um programa alternativo; os exemplos incluíam escolas religiosas, cursos de corte e costura, cursos de inglês e alguns programas gratuitos on-line. O estudo relata que a participação ajudava a manter contato com outras estudantes, reduzir a solidão e melhorar o bem-estar geral, mas também aponta obstáculos financeiros e restrições impostas às oportunidades disponíveis (Sarwari, 2024).

Esse caso não é um modelo pedagógico que possa ser simplesmente transportado para uma escola brasileira: trata de privação de acesso e de condições políticas específicas. Ele lembra, porém, que formação não depende apenas da qualidade de uma atividade. A possibilidade real de comparecer, ter recursos, manter vínculos e continuar aprendendo também determina quem se beneficia.

Os estudos lado a lado

A tabela resume os estudos citados, distinguindo o que cada pesquisa investigou do que o resumo relata. Os contextos abaixo são importantes: os resultados não devem ser lidos como se viessem de uma única escola ou de um sistema educacional comum.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Kurt (2025)Programa de formação ligado à competição de minicarros autônomos OpenZeka.Benefícios formativos e limitações de dificuldade, intensidade, duração e lotação.Turquia; competição de veículos autônomos.
Richelle (2024)Intervenção digital Finding Focus para treinar atenção.Mudanças pré e pós em indicadores autorrelatados de bem-estar.Adolescentes; intervenção de 22 dias.
Razak (2024)Formação em competências espirituais e medidas de inteligência emocional e bem-estar.Diferenças significativas antes e depois da formação.Makassar, Indonésia; ensino médio; 40 estudantes.
Sarwari (2024)Alternativas educacionais para estudantes do sexo feminino sem acesso à educação formal.Participação em programas, benefícios relatados e barreiras de acesso.Afeganistão; 94 participantes de diferentes etapas.
Özeke-Kocabas (2023)Treinamento de atenção plena baseado na neurociência.Mudanças em não julgamento e emoções positivas, mas não em estresse e ansiedade.Sete estudantes voluntários do 11º ano; quatro semanas.
Xu (2023)Relações entre pais e professores, autonomia e desenvolvimento de carreira.Associações diretas e indiretas; sem diferença entre tipos de escola no modelo.Pequim, China; 1.452 estudantes do 10º ano.
Santos (2023)Treinamento de velocidade de atletas de karatê do ensino médio.Treino regular, mas descrito como pouco ajustado e monótono.Atletas de 15 a 17 anos e treinadores.
Kondo (2023)Programa de apoio entre pares acompanhado ao longo do tempo.Influências positivas relatadas, com diferenças conforme pontuações iniciais.Escola técnica japonesa predominantemente masculina.
Derigny (2023)Acompanhamento remoto de atividade física no confinamento.Atividade física diminuiu; o acompanhamento ajudou a limitar o abandono.França; 644 estudantes no levantamento.

Pontos em comum e divergências entre os estudos

Os estudos convergem em uma ideia: formação não é somente exposição a conteúdo. O desenho da atividade, as relações de apoio, as oportunidades de praticar e as condições para participar aparecem ligados à experiência dos adolescentes. Isso não quer dizer que todas as pesquisas tenham medido a mesma coisa. Algumas avaliaram mudanças antes e depois; outras examinaram associações, descreveram experiências ou analisaram um programa específico.

Também há diferenças nos resultados. O estudo de atenção digital relata mudanças em vários indicadores autorrelatados, enquanto o estudo de atenção plena encontrou mudanças significativas em medidas específicas e nenhuma diferença significativa em estresse e ansiedade. No apoio entre pares, os resultados variaram conforme os níveis iniciais em algumas medidas. Esses contrastes impedem uma conclusão simplista de que qualquer formação socioemocional produz os mesmos benefícios.

Outra diferença está no que cada trabalho permite afirmar. A associação entre relação de pais e professores e desenvolvimento de carreira não equivale a provar causalidade. Uma pesquisa qualitativa sobre karatê pode revelar monotonia percebida, mas não comprova qual modelo de treino seria melhor. E uma avaliação de programa em uma competição específica não estabelece uma receita para todas as atividades tecnológicas. Permanecem em aberto questões sobre duração dos efeitos, replicação em outros grupos e condições necessárias para que uma proposta funcione em cada contexto.

O que isso significa para a sala de aula?

Os achados podem inspirar decisões pequenas e observáveis, desde que o professor as trate como aplicações possíveis, não como resultados garantidos pelas pesquisas. A proposta é testar, escutar os estudantes e rever o desenho da atividade a partir do que acontece na turma.

1. Planeje a formação além do conteúdo

Como aplicação, ao preparar uma sequência de ciências, o professor pode definir junto ao objetivo conceitual uma prática de colaboração ou de revisão do próprio processo. Imagine grupos que precisam construir uma explicação e, ao final, identificar como dividiram tarefas e que tipo de ajuda foi útil. Isso não reproduz os programas dos estudos; traduz a ideia de que a experiência de aprender também envolve participação e apoio.

2. Ofereça desafios graduais e condições para aprender

Como aplicação, uma atividade de robótica ou projeto pode começar com uma tarefa acessível e avançar para problemas mais complexos, com tempo para testar e receber orientação. Imagine uma turma que monta um mecanismo simples antes de tentar automatizá-lo. A pesquisa sobre a competição turca encontrou benefícios e também dificuldade elevada, intensidade, pouco tempo e lotação. Isso inspira o professor a observar se a ambição da tarefa está acompanhada de tempo e suporte suficientes.

3. Torne o feedback específico e utilizável

Como aplicação, numa tarefa de educação física ou produção de áudio, o professor pode oferecer devolutiva sobre um aspecto que o estudante consiga experimentar na próxima tentativa. Em vez de apenas “melhore”, pode apontar uma ação concreta e convidar o aluno a escolher uma meta. A pesquisa francesa associa experiências positivas de atividade remota, entre outros aspectos, à oferta de feedback e ao treinamento personalizado; não estabelece que uma fórmula única sirva a todas as disciplinas.

4. Varie as formas de participação

Como aplicação, numa unidade sobre saúde, estudantes podem escolher entre demonstrar uma atividade, criar uma explicação oral ou registrar uma sequência de movimentos, conforme os recursos e objetivos disponíveis. A variedade pode ajudar a evitar que a formação se torne monótona, mas precisa continuar ligada ao que se pretende aprender. O estudo sobre karatê descreveu treinos regulares que eram percebidos como antigos e entediantes; a sugestão de variar é uma possibilidade pedagógica, não um resultado testado por essa pesquisa.

5. Crie apoio entre colegas com limites claros

Como aplicação, duplas podem revisar uma tarefa usando perguntas combinadas: “o que já está claro?” e “qual é o próximo passo?”. O professor continua responsável por ensinar e acompanhar; o colega não vira terapeuta, fiscal ou substituto do adulto. O estudo japonês investigou um programa formal de apoio entre pares e encontrou influências positivas em medidas entre estudantes apoiadores. Uma atividade breve de revisão em dupla não equivale ao programa estudado, mas pode abrir espaço seguro para colaboração.

6. Convide os estudantes a escolher caminhos

Como aplicação, numa atividade de orientação de projetos, a turma pode escolher entre temas ou formatos, enquanto o professor mantém critérios de aprendizagem comuns. Imagine estudantes comparando opções de pesquisa e justificando qual percurso se ajusta melhor aos seus interesses. A pesquisa chinesa relacionou apoio à autonomia oferecido pelos pais com o desenvolvimento de carreira, dentro de uma análise das relações entre família e professores. A proposta em sala é uma forma de valorizar escolhas, não uma reprodução do estudo.

7. Avalie também a experiência, não só o produto

Como aplicação, após um projeto, uma pergunta rápida de saída pode investigar o que ajudou, o que dificultou e que apoio faltou. Isso permite perceber monotonia, excesso de dificuldade ou barreiras de participação antes de repetir a atividade. Os estudos examinados usaram diferentes formas de avaliação, de questionários a entrevistas e observações. Uma coleta simples na turma não terá o mesmo rigor de uma pesquisa, mas pode oferecer informação prática para ajustar o planejamento.

O que muda no contexto brasileiro?

No Brasil, a primeira adaptação é não importar programas, regras ou conclusões como se o cenário fosse igual. Os estudos refletem situações bem específicas: uma competição tecnológica turca, escolas em Makassar, relações escolares em Pequim, uma escola técnica japonesa, o confinamento na França e a restrição de acesso à educação para meninas no Afeganistão. As condições de infraestrutura, organização escolar, acesso digital e relações com as famílias podem ser diferentes de uma rede para outra e até entre escolas próximas.

Também é necessário considerar a diversidade das turmas. Uma atividade digital, por exemplo, depende de acesso a dispositivos e conexão; não deve pressupor que todos os estudantes possam realizá-la em casa. O estudo francês sobre atividade física ocorreu durante o confinamento, de modo que seus achados sobre acompanhamento remoto não descrevem automaticamente a rotina presencial atual. A formação espiritual estudada na Indonésia exige atenção especial ao pluralismo religioso brasileiro: qualquer abordagem escolar precisa evitar impor crenças ou privilegiar estudantes por sua fé.

Os resultados sobre carreira e autonomia podem provocar conversas com famílias e estudantes, mas não autorizam concluir que um único arranjo familiar ou tipo de escola seja melhor. Da mesma forma, um programa de apoio entre pares requer supervisão adulta, regras de confidencialidade compatíveis com a proteção dos estudantes e encaminhamento adequado diante de situações que ultrapassem o papel de colegas. Essas são precauções de aplicação no contexto brasileiro, não resultados específicos dos estudos.

Uma adaptação responsável começa pequena: escolher um objetivo, verificar recursos e acessibilidade, explicar o propósito aos estudantes, acompanhar como a proposta é recebida e revisar. Se a escola quiser avaliar efeitos de forma mais sistemática, vale planejar previamente o que será observado e buscar apoio pedagógico e ético apropriado. A pesquisa estrangeira funciona como repertório para formular boas perguntas, não como atalho para dispensar conhecimento sobre a própria comunidade escolar.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes indexados no ERIC, e não na leitura integral dos trabalhos. Por isso, apresenta os objetivos e resultados tal como descritos nesses resumos, sem acrescentar detalhes de procedimentos que não estão disponíveis nessa fonte. Os estudos também diferem entre si em país, participantes, duração, instrumentos e tipo de pesquisa; não é apropriado comparar seus resultados como se fossem um único experimento.

Ficam em aberto perguntas importantes: as mudanças relatadas se mantêm com o tempo? Os resultados se repetem em outras escolas e grupos? Que componentes das formações são mais relevantes? Como adaptar propostas a turmas com recursos e necessidades diferentes? Para responder a essas questões, faria sentido ler os estudos completos, especialmente antes de adotar um programa, avaliar sua eficácia ou usá-lo para orientar decisões institucionais. No caso de temas de saúde mental, também é importante não confundir atividades educativas com atendimento especializado.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Uma atividade de avaliação pode ajudar a verificar o que a turma compreendeu sobre apoio, autonomia, formação e leitura crítica de pesquisas. Você pode preparar questões de interpretação, comparação entre estudos ou reflexão sobre uma situação hipotética com o gerador de provas do GeraProva. Para conhecer a plataforma e começar, acesse o cadastro grátis; revise as questões geradas para adequá-las ao conteúdo trabalhado e à sua turma.

Perguntas frequentes sobre formação de estudantes do ensino médio

O que significa formação de estudantes além do conteúdo escolar?

Significa oferecer experiências em que os adolescentes possam aprender conhecimentos e também praticar habilidades e formas de participação. Nos estudos reunidos, isso aparece em atenção plena, apoio entre pares, autonomia, atividades esportivas e preparação ligada a tecnologias. Não há uma definição única testada por todos os trabalhos. Para o professor, pode ser útil pensar em como uma atividade ensina o conteúdo e, ao mesmo tempo, permite colaborar, receber feedback ou tomar decisões. A aplicação deve estar relacionada aos objetivos da turma, sem prometer resultados que os estudos não demonstraram.

As pesquisas mostram que atenção plena reduz ansiedade em adolescentes?

Os resultados apresentados são diferentes e não sustentam uma resposta universal. O estudo digital Finding Focus relatou diminuições autorreferidas de ansiedade e depressão entre as avaliações pré e pós-intervenção. Já o estudo preliminar com sete estudantes do 11º ano não encontrou diferença significativa nos escores de estresse e ansiedade, embora tenha encontrado mudanças em não julgamento e emoções positivas. Portanto, os trabalhos indicam que vale investigar propostas de atenção, mas não provam que qualquer atividade de atenção plena reduza ansiedade em qualquer turma. Atividades escolares também não substituem apoio profissional quando necessário.

Como o apoio entre pares pode ser trabalhado na escola?

Uma aplicação possível é organizar tarefas estruturadas de colaboração, como revisão em dupla com perguntas claras e supervisão do professor. O estudo japonês analisou um programa de apoio entre pares ao longo de mais de seis anos e relatou influências positivas sobre estudantes que atuavam como apoiadores, além de resultados diferentes conforme as pontuações iniciais. Uma atividade breve em sala não equivale ao programa pesquisado. É importante definir limites: colegas podem apoiar a aprendizagem e a convivência, mas não devem assumir funções de profissionais ou lidar sozinhos com situações de risco.

O que os estudos dizem sobre autonomia e escolha profissional?

O estudo realizado em Pequim examinou 1.452 estudantes do 10º ano e encontrou associação entre as relações de pais e professores e o desenvolvimento de carreira, direta e indiretamente por meio do apoio dos pais à autonomia. O modelo não apresentou diferenças entre estudantes de escola de orientação acadêmica e profissionalizante. Isso não significa que uma atividade específica de escolha profissional tenha sido testada, nem que a associação prove causa e efeito. Como aplicação, professores podem criar oportunidades para estudantes explicarem interesses e escolhas, mantendo orientação e critérios de aprendizagem claros.

É adequado aplicar no Brasil um programa estudado em outro país?

Não de forma automática. Os programas foram investigados em contextos distintos, com regras, recursos, participantes e objetivos próprios. Uma formação espiritual na Indonésia, uma competição tecnológica na Turquia ou um acompanhamento remoto durante o confinamento na França não devem ser tratados como modelos universais. O professor pode identificar o princípio que desperta interesse — como feedback, autonomia ou variedade — e avaliar se ele faz sentido para sua comunidade. Antes de adotar um programa completo, convém examinar o estudo integral, os requisitos de participação, a acessibilidade e a adequação cultural e ética.

Como avaliar se uma atividade formativa está funcionando na minha turma?

Comece definindo o que a atividade pretende desenvolver e observe indicadores coerentes com esse objetivo: qualidade de uma produção, participação, uso de feedback ou percepção dos estudantes sobre dificuldades. Uma conversa de saída ou uma autoavaliação pode ajudar a decidir o que ajustar, embora não seja equivalente às avaliações de pesquisa. Os estudos usaram métodos e medidas diferentes; por isso, não oferecem uma métrica única para qualquer aula. Se a escola pretende afirmar que um programa produz efeitos, será necessário um planejamento mais sistemático e, conforme o tema, orientação ética e profissional adequada.

Referências

  1. Kurt, Neslihan (2025). Análise do programa de formação da competição de minicarros autônomos OpenZeka (Analysis of the Openzeka Mini Autonomous Car Race Training Program). Journal of Education and Learning. Link.
  2. Richelle, Justine; Dow, Bailey R.; Pasch, Alexander M.; Schooler, Jonathan W.; Mrazek, Michael D.; Mrazek, Alissa J. (2024). Treinamento da atenção digital: melhorando a saúde mental e o bem-estar de adolescentes (Digital Attention Training: Improving the Mental Health and Well-Being of Adolescent Youth). Grantee Submission. Link.
  3. Razak, Ahmad; Wirawan, Hillman; Alwi, M. Ahkam; Lukman; Jalal, Novita Maulidya (2024). Desenvolvimento de uma formação em competências espirituais para estudantes do ensino médio na Indonésia (The Development of Spiritual Competence Training for High School Students in Indonesia). Cogent Education. Link.
  4. Sarwari, Abdul Qahar; Adnan, Hamedi Mohd (2024). Atividades e programas educacionais alternativos para estudantes do sexo feminino impedidas de frequentar a educação formal no Afeganistão (Alternative Educational Activities and Programs for Female Students Banned from Formal Education in Afghanistan). Issues in Educational Research. Link.
  5. Özeke-Kocabas, Ezgi; Koyuncu, Bengisu (2023). Efeitos do treinamento em atenção plena baseado na neurociência sobre adolescentes (The Effects of Neuroscience-Based Mindfulness Training on Adolescents). International Journal of Education and Literacy Studies. Link.
  6. Xu, Rui; Deng, Linyuan; Fang, Xiaoyi; Jia, Jichao; Tong, Wei; Zhou, Hanfang; Guo, Ying; Zhou, Hui (2023). Associação entre a relação entre pais e professores, o apoio à autonomia e o desenvolvimento de carreira de estudantes do ensino médio em diferentes tipos de escola (Association among Parent-Teacher Relationship, Autonomy Support, and Career Development of High School Students across School Types). Journal of Career Development. Link.
  7. Santos, Maria Herlinda Dos; Yusmawati; Samsudin; Santos, Hezron Alhim Dos; Awaluddin, M. (2023). A capacidade de velocidade de atletas do ensino médio no apoio ao desempenho nas artes marciais do karatê (The Speed Skill of High School Athletes in Supporting Achievement in Karate Martial Arts). International Society for Technology, Education, and Science. Link.
  8. Kondo, Mitsuyo; Kato, Hideo (2023). Um estudo longitudinal sobre o impacto do programa de apoio entre pares em uma escola de ensino médio técnico japonesa predominantemente masculina, ao longo de seis anos de implementação (A Longitudinal Study of the Impact of the Peer Support Programme on a Japanese Male-Dominated High School through 6 Years Practices). European Journal of Psychology and Educational Research. Link.
  9. Derigny, Thibaut; Schnitzler, Christophe; Vors, Olivier; Huchez, Aurore; Gerard, Tanguy; Mallet, Séverine; Gandrieau, Joseph; Potdevin, François (2023). “O professor poderia me corrigir sem estar presente”: adaptando abordagens da educação a distância para promover a atividade física durante o confinamento (“The Teacher Could Correct Me without Being There”: Adapting Distance Education Approaches to Promote Physical Activity during Lockdown). European Physical Education Review. Link.

Escolha uma ideia que converse com sua turma, experimente em pequena escala e observe o que os estudantes mostram e dizem. Boa aula!

Encontrou um erro neste conteúdo? Veja nossa política editorial e avise a gente.

Monte uma prova com questões como estas

O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.

Criar minha prova

Artigos relacionados

0 comentários

Nome
E-mail (não é publicado)
Comentário
Questões resolvidas Resolução passo a passo, gabarito e o erro de cada alternativa315.546 questões
Ver todas as questões →
Ocorreu um erro inesperado. Recarregar X

Rejoining the server...

Rejoin failed... trying again in seconds.

Failed to rejoin.
Please retry or reload the page.

The session has been paused by the server.

Failed to resume the session.
Please retry or reload the page.