Atividades sobre mídia com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13LP36)
Atividades com gabarito para trabalhar análise crítica do jornalismo digital, interesses comerciais, Web 2.0 e checagem de fatos. Veja questões alinhadas à habilidade EM13LP36 para Ensino Médio e vestibulares.
Quando recebo a EM13LP36 no planejamento, sei que não basta pedir aos alunos que leiam uma notícia e encontrem informações explícitas. Na prática, preciso ajudá-los a perceber quem ganha com cada clique, por que certas pautas aparecem o tempo todo no feed e o que pode se perder quando a velocidade vence a apuração.
É uma habilidade muito próxima da rotina deles: manchetes personalizadas, vídeos curtos, comentários, trends, compartilhamentos e notícias que chegam antes mesmo de serem checadas. Abaixo, organizo caminhos possíveis para transformar esse código em conversa, atividade e avaliação.
O que a habilidade EM13LP36 pede, de verdade?
A EM13LP36 pede que o estudante leia o jornalismo com uma pergunta a mais: além de “o que esta notícia informa?”, ele deve perguntar “quais interesses estão em jogo aqui?”. Isso envolve analisar como audiência, publicidade, métricas de engajamento, algoritmos e participação do público interferem na seleção e na circulação das notícias. Também envolve compreender que a Web 2.0 não só abriu espaço para comentários, compartilhamentos e conteúdos enviados por usuários: ela alterou rotinas de pauta, formatos e velocidades de publicação. Na sala, eu traduzo essa habilidade como a capacidade de reconhecer que informação pode ser um bem público, mas também circula como mercadoria; por isso, checar fontes, comparar versões e desconfiar de conteúdos muito apelativos são atitudes essenciais. Não se trata de demonizar a tecnologia ou o jornalismo, e sim de formar leitores que entendam seus mecanismos, limites e responsabilidades.
“Analisar os interesses que movem o campo jornalístico, os impactos das novas tecnologias digitais de informação e comunicação e da Web 2.0 no campo e as condições que fazem da informação uma mercadoria e da checagem de informação uma prática (e um serviço) essencial, adotando atitude analítica e crítica diante dos textos jornalísticos.”
Como trabalhar EM13LP36 em sala?
- Raio-X de uma capa de portal: projeto uma página inicial de portal ou levo recortes impressos. A turma observa títulos, anúncios, posição das matérias e temas repetidos. Pergunto: qual conteúdo está mais visível? Que indícios mostram busca por cliques? O que parece ter interesse público, mas recebeu pouco destaque?
- Comparação de manchetes: seleciono duas ou três manchetes sobre o mesmo fato, de veículos distintos. Os alunos identificam escolhas de vocabulário, imagem, fonte e enfoque. Depois, discutimos quais efeitos essas escolhas podem produzir no leitor.
- Simulação de redação: em grupos, os estudantes recebem pautas fictícias e dados de audiência. Um grupo assume a editoria preocupada com interesse público; outro, a gestão comercial; outro, a equipe de checagem. O debate costuma revelar bem os conflitos do campo jornalístico.
- Oficina de checagem sem ferramenta cara: proponho uma postagem viral e peço que a turma registre o caminho de verificação: autoria, data, fonte original, comparação com veículos confiáveis e busca por evidências. O foco é explicar o processo, não apenas chegar ao veredito.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EM13LP36 precisa apresentar uma situação jornalística concreta e exigir que o aluno relacione pistas do texto a interesses, tecnologias digitais, participação do público ou checagem. Não basta cobrar definição de algoritmo, fake news ou Web 2.0 isoladamente. O estudante deve interpretar consequências: por que uma plataforma destaca determinado conteúdo, como métricas influenciam pautas ou qual é o risco de publicar antes de confirmar uma informação.
Um erro comum é transformar a avaliação em sermão contra redes sociais, com alternativas obviamente “boas” ou “ruins”. Outro é confundir presença de tecnologia com análise crítica: usar celular ou publicar online não garante compreensão da habilidade. Eu também evito itens que tratem todo veículo como puramente comercial; a proposta é analisar tensões entre interesse público, audiência, sustentabilidade financeira e credibilidade.
Questões prontas de EM13LP36 (com gabarito comentado)
1. Uma pesquisa realizada com cinco portais jornalísticos brasileiros identificou o uso frequente de enquetes, comentários ao vivo e conteúdos produzidos pelos usuários. Segundo os dados, esses recursos prolongam o tempo de navegação e aumentam os compartilhamentos. As matérias com maior número de interações recebem prioridade nos algoritmos dos portais, o que amplia sua visibilidade e atrai anunciantes. Parcerias com influenciadores e a adaptação de conteúdos para dispositivos móveis também fazem parte dessas estratégias digitais. Com base no texto, qual interesse principal explica a adoção de recursos digitais interativos pelos veículos jornalísticos?
- ❌ A) Priorizar matérias com maior número de interações. Isso é um mecanismo de seleção, não a finalidade econômica central.
- ❌ B) Ampliar o alcance por meio de influenciadores. É uma ação específica, não o interesse que reúne todas as estratégias.
- ❌ C) Prolongar o tempo de navegação dos usuários. É consequência operacional do engajamento.
- ❌ D) Adaptar conteúdos para dispositivos móveis. É adequação de formato, não objetivo principal.
- ✅ E) Maximizar a receita publicitária por meio do engajamento digital. Mais interação, visibilidade e tempo de navegação atraem anunciantes.
2. Mensagens de leitores geram conteúdos em uma redação virtual que combina colaboração pública e curadoria profissional. Usuários enviam relatos, fotos e vídeos pelo aplicativo do portal JornalDigital. Editores selecionam, editam e publicam as contribuições em tempo real, facilitando a cobertura de eventos locais. A receita do veículo provém, principalmente, de anúncios direcionados ao perfil dos visitantes. Em redes sociais, as reportagens geradas pela comunidade alcançam até 500 000 compartilhamentos semanais. Analise o texto-base e identifique a alternativa que aponta corretamente o interesse econômico ou social movido pela iniciativa jornalística descrita.
- ❌ A) Prioridade ao sigilo e proteção total da privacidade dos leitores. O texto não aborda privacidade.
- ✅ B) Busca de audiência online para potencializar receita de anúncios direcionados. A colaboração amplia alcance e favorece a monetização anunciada.
- ❌ C) Promoção exclusiva de interesse público sem finalidade comercial. Há receita proveniente de anúncios.
- ❌ D) Incentivo à produção literária amadora sem metas de engajamento. O foco é cobertura jornalística e compartilhamento.
- ❌ E) Fortalecimento de controle governamental sobre notícias. Não há vínculo com autoridades no texto.
3. Como você recebe as notícias sobre acontecimentos locais e globais? Em plataformas de Web 2.0, usuários compartilham links, comentam em tempo real e criam narrativas paralelas às publicações oficiais. Redações de diversos veículos passaram a acompanhar hashtags, mensagens e comentários para definir pautas que garantam maior engajamento e cliques. Além disso, jornalistas monitoram métricas de compartilhamento e curtida para ajustar o foco das reportagens, privilegiando temas que recebem mais interação online. Esse movimento reflete uma mudança nos interesses jornalísticos, em que a dinâmica colaborativa e a coleta de dados digitais influenciam a seleção dos assuntos a serem abordados. Analise o texto e identifique qual aspecto ilustra o impacto das novas tecnologias digitais na definição da agenda jornalística?
- ❌ A) Redução de debates por moderação automatizada. O tema não é a escolha de pautas.
- ❌ B) Publicação simultânea no impresso e online sem mudança de enfoque. Não considera métricas ou interações.
- ✅ C) Monitoramento de hashtags populares para orientar pautas jornalísticas. Essa prática usa dados da Web 2.0 para definir assuntos.
- ❌ D) Priorização baseada exclusivamente na audiência de rádio. Trata de mídia tradicional.
- ❌ E) Manutenção de comitê editorial fechado. Contraria a dinâmica colaborativa apresentada.
4. Pesquisadores de comunicação observam que, nos últimos cinco anos, grandes portais jornalísticos integraram sistemas de engajamento online: adotaram métricas de visualizações, incentivaram comentários em redes sociais e criaram canais para que leitores submetam fotos, vídeos e relatos em tempo real. Em contraste, veículos impressos tradicionais mantêm comitês editoriais rígidos, nos quais jornalistas decidem pautas sem interação direta com o público. Essa transformação reflete novas demandas de audiência e interesses comerciais, marcando o impacto das tecnologias digitais e da Web 2.0 sobre a produção de notícias. Analise o texto-base e identifique a prática que exemplifica a lógica participativa da Web 2.0 na definição de pautas jornalísticas.
- ✅ A) Convite de leitores para enviar fotos e relatos em tempo real. Há participação ativa do público na produção jornalística.
- ❌ B) Análise de curtidas sem envio de conteúdo. Mede engajamento, mas não constitui produção colaborativa.
- ❌ C) Envio de boletins impressos aos assinantes. É distribuição tradicional, sem interação digital.
- ❌ D) Implementação de paywall. É estratégia de monetização, não participação.
- ❌ E) Seleção por comitê sem consulta pública. Representa o modelo não colaborativo.
5. Por que plataformas de notícias adaptam manchetes conforme o histórico de cliques dos leitores? Nas últimas semanas, um portal nacional alterou seu layout para destacar conteúdos que geram mais compartilhamentos em redes sociais. Segundo seu relatório interno, matérias sobre entretenimento e celebridades passaram a ocupar 70% da capa, enquanto reportagens investigativas ficaram em seções menos acessíveis. Além disso, a plataforma passou a exibir anúncios personalizados baseados no perfil de navegação. Especialistas apontam que essas mudanças visam maximizar o tempo de permanência e a receita publicitária, em detrimento do aprofundamento de temas de interesse público. Analise o texto-base e identifique qual interesse predomina na produção jornalística descrita?
- ❌ A) Interesse político para influenciar eleitorado. Não há motivação política indicada.
- ❌ B) Interesse cultural de promoção do patrimônio histórico. Não é o foco do texto.
- ❌ C) Interesse público no aprofundamento social. Esse aprofundamento foi relegado.
- ✅ D) Interesse comercial focado em aumentar receita publicitária. Cliques, permanência e anúncios personalizados sustentam essa resposta.
- ❌ E) Interesse tecnológico em testar ferramentas. A tecnologia é meio, não finalidade.
6. No blog Voz das Ruas, o autor descreve a experiência de cobrir manifestações por meio de publicações ao vivo em redes sociais. “Enquanto o tradutor de campo envia imagens em tempo real, clico em verificar fontes oficiais e cruzar depoimentos”, confessa. Dados ilustrativos apontam que, em apenas um evento, o post publicado antes da validação foi compartilhado 2.000 vezes, enquanto a versão checada alcançou 350 compartilhamentos. O texto revela que o alcance imediato atrai mais cliques e opiniões no feed dos usuários, mas questiona o risco de disseminar informações imprecisas antes da checagem. Analise o texto-base e identifique qual interesse predominante, relacionado às novas tecnologias digitais, move a prática jornalística descrita?
- ❌ A) Reforçar credibilidade por fontes tradicionais. Isso não explica o impulso pela publicação imediata.
- ❌ B) Aumentar alcance explorando algoritmos de recomendação. O texto enfatiza rapidez e verificação, não algoritmos.
- ❌ C) Ampliar engajamento por comentários interativos. Não contempla o conflito central entre velocidade e precisão.
- ✅ D) Priorizar o fluxo imediato de informações em detrimento da checagem. O maior compartilhamento antes da validação evidencia esse dilema.
- ❌ E) Monetizar por anúncios nativos. Não há menção a monetização.
Próximos passos para a aula
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