Atividades sobre Impasses Ético-Políticos Contemporâneos com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CHS504)
Quando recebo a EM13CHS504 no planejamento, sei que não basta listar conceitos como totalitarismo, alienação ou modernidade líquida no quadro. O desafio é transformar uma habilidade ampla em uma aula que faça sentido para a turma e, depois, em uma avaliação que realmente revele como os estudantes pensam.
Na prática, eu parto de situações que eles reconhecem: uma informação viral sem fonte, a pressão por produtividade, discursos de ódio nas redes, o trabalho precarizado ou a dificuldade de sustentar uma mobilização coletiva. A partir daí, os autores deixam de ser nomes distantes e viram lentes para interpretar conflitos do presente.
O que a habilidade EM13CHS504 pede, de verdade?
A EM13CHS504 pede que o estudante vá além de definir conceitos ou repetir a opinião mais imediata sobre um problema social. Ele precisa analisar transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas; identificar os conflitos éticos e políticos que elas produzem; avaliar consequências para valores, atitudes, grupos e sociedades; e sustentar uma posição com argumentos. Em sala, isso significa discutir, por exemplo, como plataformas digitais podem ampliar participação e também desinformação, como novas formas de trabalho afetam dignidade e pertencimento, ou como discursos que desumanizam grupos ameaçam a vida democrática. Não é uma habilidade de resposta pronta: ela exige relação entre conceito, contexto e efeito social. Eu espero que a turma reconheça tensões, compare perspectivas e perceba que tecnologia, política e valores não são dimensões separadas. Esse trabalho cabe especialmente em Filosofia, Geografia e História e dialoga muito bem com questões de Ensino Médio e vestibulares.
“Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.”
Na consulta completa do código EM13CHS504, há questões para aprofundar esse recorte em diferentes níveis de dificuldade.
Como trabalhar EM13CHS504 em sala?
- Mapa de dilemas do cotidiano: eu levo manchetes impressas ou projetadas sobre IA, vigilância digital, trabalho por aplicativo, discursos de ódio e crises ambientais. Em grupos, os alunos respondem: qual transformação está em jogo, quem é afetado, qual conflito ético-político aparece e quais valores entram em disputa?
- Leitura com autores em estações: separo pequenos excertos ou resumos de Arendt, Bauman, Byung-Chul Han e Marx. Cada grupo identifica uma ideia central e relaciona-a a uma situação contemporânea. No fim, a turma constrói um painel coletivo de conceitos e exemplos.
- Júri ou conselho escolar simulado: proponho uma situação concreta, como o uso de reconhecimento facial na escola ou a proibição de celulares. Há grupos favoráveis, contrários e uma comissão que registra argumentos, evidências e impactos sobre direitos. O foco não é “vencer”, mas qualificar a argumentação.
- Checagem de uma postagem: apresento uma postagem fictícia com acusação sem provas contra um grupo social. A turma analisa linguagem, fonte, circulação, possíveis efeitos e medidas de responsabilidade. É uma porta de entrada potente para propaganda, medo e pluralidade.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EM13CHS504 apresenta uma situação, um texto ou um problema e pede ao estudante que conecte uma ideia das Ciências Humanas a seus efeitos éticos e políticos. Não basta perguntar “o que é alienação?” ou “quem escreveu tal conceito?”. A questão precisa cobrar leitura de contexto, relação de causa e consequência, análise de argumentos ou avaliação de impactos.
Um erro comum é transformar a avaliação em teste de memorização de autores. Outro é usar temas sensíveis sem fornecer contexto suficiente, deixando a resposta depender apenas da opinião pessoal. Eu também evito alternativas absolutas, como “sempre” e “nunca”, quando elas não ajudam a avaliar o raciocínio. Em produções abertas, uso critérios claros: compreensão do conceito, uso de evidências, reconhecimento de diferentes consequências e coerência da proposta apresentada.
Questões prontas de EM13CHS504 (com gabarito comentado)
1. Em uma análise sobre o totalitarismo, Hannah Arendt destaca que esses regimes procuram mobilizar massas por meio de propaganda, fabricar imagens de inimigos e enfraquecer os vínculos entre os indivíduos. Em uma sociedade contemporânea, mensagens digitais que repetem acusações sem provas e apresentam determinados grupos como ameaças podem alcançar milhões de pessoas rapidamente. Nesse caso, a tecnologia não cria sozinha o totalitarismo, mas amplia a circulação de conteúdos e pode intensificar mecanismos já utilizados por movimentos totalitários.
Com base no texto, como o uso da tecnologia pode favorecer práticas totalitárias identificadas por Hannah Arendt?
- ❌ A) Garantindo a neutralidade política das mensagens divulgadas em massa. A tecnologia não é neutra no uso descrito: pode intensificar propaganda e mobilização pelo medo.
- ❌ B) Ampliando o debate público que protege a pluralidade de opiniões. O texto trata de acusações repetidas e fabricação de inimigos, não de circulação democrática de ideias.
- ❌ C) Substituindo a propaganda política por informações verificadas e imparciais. O cenário mostra justamente acusações sem provas em rápida circulação.
- ❌ D) Impedindo a formação de massas ao multiplicar fontes de informação. Múltiplas fontes não impedem mobilização por uma narrativa de ameaça.
- ✅ E) Ampliando a propaganda que desumaniza adversários e mobiliza as massas pelo medo. As tecnologias podem ampliar alcance e velocidade da propaganda totalitária, sem serem sua causa isolada.
2. Para Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é marcada por relações sociais, vínculos e instituições menos duradouros. Nesse contexto, projetos coletivos de longo prazo encontram dificuldades, enquanto responsabilidades antes compartilhadas tendem a ser transferidas para os indivíduos. No campo político, essa transformação pode reduzir a capacidade de organizações e instituições de mobilizar pessoas e sustentar decisões comuns.
Com base no texto, qual consequência política caracteriza mais diretamente a passagem para uma sociedade líquida descrita por Bauman?
- ❌ A) Unificação dos projetos políticos em torno de objetivos comuns. O texto aponta dificuldade de manter projetos coletivos duradouros.
- ❌ B) Ampliação automática da participação nas decisões coletivas. Vínculos frágeis e individualização não garantem mais participação.
- ✅ C) Enfraquecimento das instituições e da ação coletiva. A instabilidade dos vínculos dificulta sustentar decisões e projetos comuns.
- ❌ D) Estabilização das instituições e da ação coletiva. A alternativa inverte o sentido da modernidade líquida.
- ❌ E) Concentração duradoura do poder nas instituições políticas. O texto destaca menor capacidade institucional de mobilização.
3. O sociólogo Byung-Chul Han fala sobre a sociedade do cansaço. Qual é uma das consequências desse cansaço nas relações sociais?
- ❌ A) Aumento da solidariedade. O cansaço tende a reduzir solidariedade e empatia.
- ❌ B) Maior participação política. Ele pode levar à apatia política.
- ❌ C) Melhora no diálogo intercultural. O esgotamento dificulta diálogos consistentes.
- ✅ D) Relações mais superficiais. O cansaço é associado à superficialidade das interações.
- ❌ E) Resgate de valores éticos. Esses valores podem ser negligenciados nesse contexto.
4. Em que aspectos a tecnologia afeta as decisões políticas em sociedades líquidas, segundo Bauman?
- ❌ A) Diminui a participação cidadã. Ela pode ampliar participação, ainda que de forma volátil.
- ❌ B) Estabiliza as decisões políticas. A liquidez torna as decisões mais instáveis.
- ✅ C) Facilita a mobilização social e política. A tecnologia amplia possibilidades de engajamento e mobilização.
- ❌ D) Isola os cidadãos das informações. Ela conecta cidadãos e amplia acesso a informações.
- ❌ E) Promove a uniformização das decisões. As decisões tendem a ser mais fluidas e diversificadas.
5. De acordo com Hannah Arendt, a banalidade do mal se refere à normalização de ações éticas incorretas. Qual é a implicação desse conceito na análise de regimes totalitários?
- ❌ A) A normalização de ações erradas não tem impacto nas sociedades. Isso ignora a crítica de Arendt à passividade moral.
- ✅ B) Pessoas comuns podem agir de maneira monstruosa sem reflexão. A alternativa expressa o núcleo da banalidade do mal.
- ❌ C) A ética sempre prevalece em regimes totalitários. A ideia contradiz o conceito.
- ❌ D) Totalitarismo é sempre reconhecido e combatido. Arendt mostra sua infiltração na normalidade.
- ❌ E) A banalidade do mal é um conceito irrelevante para o totalitarismo. Ela é central para compreender suas dinâmicas.
6. Quais são os impactos da alienação dos trabalhadores na sociedade contemporânea segundo Marx?
- ❌ A) Aumenta a satisfação no trabalho. A alienação tende a gerar insatisfação.
- ❌ B) Contribui para a estabilidade social. Ela pode produzir revoltas e descontentamento.
- ❌ C) Promove a solidariedade entre os trabalhadores. Pode afastar indivíduos de suas comunidades.
- ❌ D) Impede a luta por direitos. Também pode motivar busca por mudança.
- ✅ E) Leva à desumanização e descontentamento. Para Marx, a alienação reduz a conexão humana com o trabalho.
Próximos passos para a sua turma
Eu começaria escolhendo um dilema próximo da realidade da escola e aplicaria uma questão diagnóstica antes da discussão. Depois, vale alternar debate, análise de fonte e questão objetiva comentada. Para ganhar tempo no planejamento, você pode usar o gerador de provas do GeraProva, que reúne 2132 questões alinhadas a esta habilidade e ajuda a montar avaliações com intencionalidade.
Use estas questões como ponto de partida, adapte vocabulário e exemplos à sua turma e acompanhe o raciocínio por trás das respostas. Se quiser organizar sua próxima avaliação, faça seu cadastro grátis no GeraProva.
