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Atividades sobre Efeitos de sentido com gabarito — 8º ano, 9º ano (EF89LP05)

Atividades sobre Efeitos de sentido com gabarito — 8º ano, 9º ano (EF89LP05)

Quando recebo a EF89LP05 no planejamento, sei que não basta pedir aos alunos que decorem a diferença entre discurso direto e indireto. O desafio real é fazer a turma perceber que a escolha de reproduzir, resumir ou transformar uma fala muda o jeito como lemos um texto. Isso aparece em notícias, conversas de WhatsApp, narrativas, reportagens e até nos textos que eles mesmos escrevem.

Para 8º e 9º ano, eu costumo partir de situações bem concretas: “O que muda quando eu coloco a fala entre aspas?”; “O narrador concorda com o que está sendo dito?”; “Essa frase foi repetida ou reinterpretada?”. Abaixo, reuni caminhos de aula e questões que ajudam a transformar o código em aprendizagem observável.

O que a habilidade EF89LP05 pede, de verdade?

Na prática, a EF89LP05 pede que o estudante vá além de reconhecer nomes gramaticais. Ele precisa analisar o efeito produzido quando um autor traz a voz de outra pessoa para seu texto. Se há citação, é importante notar a aparência de fidelidade e a força dada à fala original; se há paráfrase, o aluno deve perceber que alguém reorganizou uma ideia e pode ter destacado um aspecto dela. No discurso direto, a voz da personagem parece mais presente, com marcas como travessão, dois-pontos e aspas. No indireto, o narrador filtra essa voz, ajustando pronomes, tempos verbais e palavras. Já o indireto livre mistura a voz do narrador e a da personagem, criando proximidade e, às vezes, ambiguidade. Portanto, não é uma habilidade de “trocar frases” apenas: é de explicar como essas escolhas interferem no sentido, no foco e na posição de quem narra.

“Analisar o efeito de sentido produzido pelo uso, em textos, de recurso a formas de apropriação textual (paráfrases, citações, discurso direto, indireto ou indireto livre).”

Esta é uma habilidade de Língua Portuguesa, no objeto de conhecimento Efeitos de sentido, prevista para o 8º e o 9º ano. Para consultar o detalhamento e o acervo, vale abrir a consulta completa do código EF89LP05.

Como trabalhar EF89LP05 em sala?

  1. Transformação com comparação. Escrevo uma fala curta no quadro, como “Estou cansado”, e peço versões em discurso direto e indireto. Depois, a pergunta central não é só “qual está certa?”, mas “em qual delas ouvimos mais a personagem? Por quê?”.
  2. Notícia em camadas. Levo uma notícia curta com uma citação entre aspas. A turma circula a fala citada e reescreve o trecho em paráfrase. Em seguida, discutimos o que se perde, o que se mantém e que tom a notícia ganha em cada versão.
  3. Diálogo da escola. Em duplas, os alunos criam três falas sobre uma situação cotidiana: entrega de trabalho, atraso, conflito no recreio ou organização de um evento. Depois, um colega transforma o diálogo em relato indireto, observando pronomes e tempos verbais.
  4. Caça às vozes no texto. Com um conto ou crônica do livro didático, peço que marquem com cores diferentes a voz do narrador e a voz das personagens. Quando houver aproximação entre as duas, debatemos a possibilidade de discurso indireto livre.
  5. Bilhete de revisão. Ao final, cada estudante escreve: “Uma marca do discurso direto é...”; “Ao passar para o indireto, preciso revisar...”; “O efeito de usar uma citação pode ser...”. É rápido e me mostra onde retomar.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF89LP05 precisa apresentar um texto ou uma transformação de fala e exigir que o aluno observe marcas linguísticas e sentido. Posso cobrar identificação de travessão, aspas, verbo de elocução, pronome e tempo verbal, mas não paro aí: incluo uma pergunta sobre o efeito de aproximar a fala da personagem, resumir uma declaração ou atribuir maior autoridade a uma voz citada.

Um erro comum é avaliar apenas a nomenclatura: “isso é direto ou indireto?”. Outro é montar alternativas que dependem de regra isolada, sem contexto. Também vale evitar tratar toda mudança como mecânica. Em uma reescrita, o estudante precisa verificar quem fala, para quem fala, quando a fala foi dita e como os referentes mudam. Para variar avaliações e gerar versões sem repetir a mesma prova, uso o gerador de provas do GeraProva; o acervo reúne 67 questões alinhadas a este código.

Questões prontas de EF89LP05 (com gabarito comentado)

1. Analise a seguinte frase: “Maria disse que não viria.” Identifique a estrutura dela.

  • ❌ A) É uma pergunta. Não é uma pergunta, pois a frase faz uma declaração.
  • ❌ B) É uma afirmação em discurso direto. Está em discurso indireto, sem reprodução literal da fala.
  • ✅ C) É uma declaração em discurso indireto. A fala é relatada sem aspas, introduzida por “que”.
  • ❌ D) É uma frase exclamativa. A frase não expressa exclamação.
  • ❌ E) É uma narração. Não se trata de narração de acontecimentos, mas de uma declaração que relata uma fala.

2. Leia a frase: “Maria disse que ia ao mercado.” Identifique a forma correta dessa frase no discurso direto.

  • ❌ A) Maria disse: “Ela ia ao mercado.” Mantém a terceira pessoa, em vez de reproduzir a fala de Maria em primeira pessoa.
  • ❌ B) Maria disse: “Nós vamos ao mercado.” O pronome “nós” inclui outras pessoas que não aparecem na frase original.
  • ❌ C) Maria disse: “Eu fui ao mercado.” “Fui” altera o tempo e indica ação já concluída.
  • ❌ D) Maria disse: “que ia ao mercado.” A alternativa mantém a estrutura do indireto; a fala direta deve ser independente.
  • ✅ E) Maria disse: “Eu vou ao mercado.” A fala aparece como Maria poderia dizê-la, com “eu”, dois-pontos e aspas.

3. Ontem, antes de sairmos para o passeio que aconteceria hoje, Ana me perguntou: “Você vem comigo?” Transforme a fala de Ana em discurso indireto, mantendo o sentido temporal e substituindo “você” por “eu”.

  • ✅ A) Ana me perguntou se eu iria com ela. A pergunta passa a ser relatada no passado; “você” vira “eu” e “comigo” vira “com ela”.
  • ❌ B) Ana me perguntou se eu iria com ele. “Ele” muda o referente, que deveria continuar sendo Ana.
  • ❌ C) Ana me perguntou que eu iria com ela. Em pergunta indireta de resposta sim ou não, o conectivo adequado é “se”.
  • ❌ D) Ana me perguntou se eu vou com ela. “Vou” não ajusta o tempo verbal ao contexto passado.
  • ❌ E) Ana me perguntou se eu iria comigo. O referente correto é Ana; por isso, deve ser “com ela”.

4. Ao chegar à escola, Lia encontrou Pedro. — Você trouxe o trabalho? — perguntou ela. — Sim, está na minha mochila — respondeu Pedro. No trecho, qual é a função do travessão que aparece antes de cada fala?

  • ❌ A) Expressar a emoção sentida pelo personagem. O travessão não revela emoção por si só.
  • ❌ B) Indicar uma ação realizada pelo narrador. As ações aparecem em “perguntou” e “respondeu”, não no travessão.
  • ✅ C) Indicar o início da fala direta do personagem. O travessão marca o começo de cada fala reproduzida no diálogo.
  • ❌ D) Separar duas partes diferentes do cenário. Ele não organiza a descrição do espaço.
  • ❌ E) Mostrar uma mudança no tempo da narrativa. O travessão não sinaliza passagem de tempo.

5. Qual a alternativa que apresenta a transformação correta de discurso indireto para direto?

  • ✅ A) Ele disse: “Eu estou cansado.” A fala é apresentada diretamente, com pronome adequado e pontuação de diálogo.
  • ❌ B) Ele disse que estava cansado. Esta construção permanece em discurso indireto.
  • ❌ C) Ele disse: “Ele está cansado.” A fala direta deveria usar “eu”, e não “ele”.
  • ❌ D) Ele afirmava que estava cansado. Além de manter o indireto, altera inadequadamente o tempo verbal.
  • ❌ E) Ele disse que é cansado. A construção não faz a transformação adequada e traz mudança verbal inadequada.

6. Transforme: “Ela respondeu: ‘Estou bem’” para discurso indireto.

  • ❌ A) Ela respondeu que está bem. O tempo verbal não foi ajustado para o relato no passado.
  • ❌ B) Ela disse que estava bem. O verbo de elocução foi mudado: “respondeu” deveria ser preservado.
  • ✅ C) Ela respondeu que estava bem. A frase relata a fala, ajustando “estou” para “estava”.
  • ❌ D) Ela: “Estou bem”. Esta é uma forma de discurso direto e ainda elimina o verbo de elocução.
  • ❌ E) Ela respondeu: “Estou bem”. A fala continua reproduzida diretamente.

Próximos passos

Eu começaria por uma questão diagnóstica, escolheria um texto curto da turma e retomaria os pontos que mais aparecerem como dificuldade. Depois, dá para montar uma avaliação completa com questões no mesmo foco ou criar novas versões pelo sistema. Se você ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis e experimente organizar sua próxima prova com mais agilidade.

As questões comentadas são um ponto de partida para o seu planejamento: adapte exemplos, textos e intervenções ao perfil da sua turma. O importante é fazer o aluno enxergar que mudar a forma de trazer uma voz para o texto também muda seus efeitos de sentido.

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