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Atividades sobre Matrizes estéticas e culturais com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69AR33)

Atividades sobre Matrizes estéticas e culturais com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69AR33)

Quando recebo a EF69AR33 no planejamento, sei que não basta separar imagens de artistas famosos e pedir uma descrição. O desafio é transformar um código da BNCC em uma aula em que os estudantes percebam que a arte tem história, relações de poder, disputas de reconhecimento e vínculos com a vida social.

Também preciso pensar na avaliação: como propor uma questão que vá além de decorar nomes de obras? Nesta habilidade, eu quero que a turma compare contextos, questione classificações e entenda por que tantas produções indígenas, populares, afro-brasileiras e artesanais ficaram por tanto tempo fora das narrativas mais valorizadas da arte.

O que a habilidade EF69AR33 pede, de verdade?

A EF69AR33 pede que eu ajude os alunos do 6º ao 9º ano a olhar para obras, objetos, imagens e práticas artísticas perguntando quem os produziu, em que momento, para qual público e em quais relações sociais e políticas. Na prática, a turma deve compreender que não existe uma única história da arte, centrada somente na Europa, e que palavras como “arte”, “artesanato”, “folclore” e “design” não são neutras: elas podem valorizar, limitar ou até apagar saberes. Eu não preciso transformar a aula em uma palestra universitária; posso partir de imagens conhecidas, festas locais, objetos da comunidade, grafites, cerâmicas, roupas, obras indígenas e afro-brasileiras. O essencial é levar os estudantes a comparar produções, identificar contextos e problematizar por que algumas criações aparecem em museus e livros, enquanto outras são tratadas como menores ou apenas decorativas.

“Analisar aspectos históricos, sociais e políticos da produção artística, problematizando as narrativas eurocêntricas e as diversas categorizações da arte (arte, artesanato, folclore, design etc.).”

Essa habilidade pertence à unidade temática Artes integradas, no objeto de conhecimento Matrizes estéticas e culturais. Para consultar o texto, o recorte curricular e mais itens alinhados, eu uso a consulta completa do código EF69AR33.

Como trabalhar EF69AR33 em sala?

  1. Comparação de imagens com perguntas-guia. Eu seleciono duas ou três imagens acessíveis: uma obra de Tarsila do Amaral, uma de Candido Portinari e uma produção visual da cultura local. Em duplas, os alunos respondem: o que vejo? Que pessoas ou grupos aparecem? Que contexto social pode estar presente? O que muda quando comparo as obras?
  2. Mapa das classificações. Levo imagens de uma cerâmica indígena, um cartaz, uma peça de renda, uma pintura acadêmica, um brinquedo popular e um grafite. A turma tenta classificá-las. Depois, eu problematizo: por que chamamos uma de arte e outra de artesanato? Quem criou essas categorias? Uma produção deixa de ser artística porque é útil, coletiva ou vendida em feira?
  3. Investigação do território. Sem gastar nada, proponho que os estudantes registrem, por desenho ou fotografia autorizada, manifestações visuais do entorno: fachadas, letreiros, bordados, esculturas, murais, festas e objetos feitos por artesãos. Na aula seguinte, analisamos as matrizes culturais presentes e os contextos dessas produções.
  4. Legenda crítica de museu. Depois de observar uma obra, cada grupo escreve uma legenda curta que inclua autoria, período, contexto histórico-social e uma pergunta crítica. Por exemplo: “Que vozes ficaram de fora dessa narrativa?” É uma atividade simples e muito útil para preparar a argumentação.
  5. Roda de conversa sobre visibilidade. Eu apresento a ideia de narrativa eurocêntrica com uma pergunta concreta: quais artistas aparecem mais nos livros e nas paredes da escola? Em seguida, a turma pesquisa ou compartilha referências indígenas, afro-brasileiras, populares e locais que merecem entrar nesse repertório.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF69AR33 precisa exigir leitura de contexto, comparação ou problematização de categorias. Ela pode trazer uma imagem, uma descrição de obra, um pequeno texto ou uma situação de curadoria. O aluno deve mobilizar evidências para relacionar produção artística e questões históricas, sociais ou políticas; não basta reconhecer o nome de um artista.

Eu evito questões que tratam arte indígena, popular ou artesanal como curiosidade isolada, ou que apresentam a arte europeia como padrão universal. Outro erro comum é perguntar apenas data, estilo e biografia sem pedir interpretação. Também tomo cuidado com enunciados vagos: se quero avaliar análise, ofereço elementos suficientes para o estudante comparar, justificar e identificar relações de poder ou de contexto.

Questões prontas de EF69AR33 (com gabarito comentado)

1. Compare a obra de Tarsila do Amaral com a de Portinari em relação ao contexto social.

  • ❌ A) Tarsila aborda a natureza enquanto Portinari o cotidiano. Ambos abordam aspectos sociais, mas de formas diferentes.
  • ✅ B) Portinari é mais voltado para a crítica social. Suas obras refletem questões sociais e políticas mais diretamente.
  • ❌ C) Tarsila não tem influência social em suas obras. Ela também aborda a identidade e a cultura brasileira.
  • ❌ D) Ambos são contemporâneos e têm o mesmo estilo. Tarsila é modernista e Portinari é mais realista.
  • ❌ E) A obra de Tarsila é apenas sobre a paisagem. Ela também reflete questões sociais e culturais.

Como eu resolveria: antes de comparar, observo como cada artista se relaciona com problemas e identidades de seu tempo. A crítica social aparece de modo mais direto em Portinari.

2. Na aula, Lia viu “Coração do Brasil”, de Vik Muniz, e “Bandeira do Brasil”, de Beatriz Milhazes. As duas obras usam imagens do Brasil e mostram ideias ligadas à vida das pessoas.

Compare as duas obras. O que elas mostram?

  • ❌ A) Só cores e formas. A alternativa ignora o tema brasileiro e a relação das obras com a vida das pessoas.
  • ✅ B) Brasil e vida das pessoas. As duas obras apresentam imagens e ideias ligadas ao Brasil e às pessoas que vivem nele, relacionando arte e vida social.
  • ❌ C) Só animais e plantas. A opção troca o tema indicado no texto por elementos da natureza.
  • ❌ D) Vida de outro país. O texto cita explicitamente o Brasil.
  • ❌ E) Só festas da escola. A alternativa limita a vida das pessoas a uma situação que não aparece no enunciado.

Como eu resolveria: comparo os temas apresentados, sem reduzir as obras somente aos elementos visuais.

3. Identifique a influência do contexto histórico na obra “Operários” de Tarsila do Amaral.

  • ❌ A) Retrata a paz social do Brasil. A obra reflete tensões sociais e de classe.
  • ❌ B) Representa a vida rural. O foco está na vida urbana e industrial.
  • ✅ C) Critica a industrialização. A obra mostra a exploração do trabalhador.
  • ❌ D) Exalta a aristocracia. Esse não é o foco da obra.
  • ❌ E) Apresenta uma visão idealizada do trabalho. A pintura retrata a dura realidade do operário.

Como eu resolveria: observo os trabalhadores e relaciono a imagem ao processo de industrialização e às desigualdades sociais.

4. Analise a obra de Tarsila do Amaral e como seu contexto social influenciou sua criação em grupo.

  • ❌ A) Não teve influência do contexto social. O contexto é fundamental para entender sua obra.
  • ✅ B) Refletiu as questões sociais da época. Tarsila retratou realidades sociais de seu tempo.
  • ❌ C) Focou apenas em temas individuais. A artista abordou temas coletivos e sociais.
  • ❌ D) Ignorou a arte popular. A arte popular é uma base em suas obras.
  • ❌ E) Foi uma artista isolada e sem conexões. Tarsila estava inserida em um movimento artístico coletivo.

Como eu resolveria: considero a artista dentro de seu tempo, de seus diálogos culturais e de seu grupo, e não como alguém desconectada da sociedade.

5. Analise a influência da arte indígena nas obras contemporâneas de arte religiosa no Brasil.

  • ❌ A) Ela não influencia em nada. A influência é evidente em várias obras.
  • ✅ B) Inspira a criação de novos símbolos. Símbolos indígenas são integrados às obras religiosas.
  • ❌ C) Só influencia na música. A influência ocorre em várias áreas, não somente na música.
  • ❌ D) Desencoraja a produção religiosa. A arte indígena enriquece a produção artística.
  • ❌ E) É uma arte esquecida. A arte indígena é valorizada e reconhecida.

Como eu resolveria: procuro identificar diálogos e recriações de símbolos, evitando a falsa ideia de que as matrizes indígenas pertencem apenas ao passado.

6. Na França, pessoas lutaram nas ruas por mais liberdade. Delacroix pintou essa luta em sua obra.

O que inspirou a pintura de Delacroix?

  • ❌ A) Uma viagem no campo. A alternativa troca o contexto de revolta na cidade por outra situação.
  • ❌ B) Uma brincadeira infantil. Pessoas em luta não representam crianças brincando.
  • ❌ C) Uma festa alegre. A cena de luta não é uma comemoração.
  • ❌ D) Um dia tranquilo. A opção ignora o conflito histórico apresentado.
  • ✅ E) A luta por liberdade. A pintura mostra a luta do povo francês por liberdade durante uma revolta, que inspirou Delacroix.

Como eu resolveria: localizo no enunciado a relação entre acontecimento histórico e produção artística: a luta por liberdade é a fonte de inspiração da obra.

Próximos passos para o planejamento

Eu começaria escolhendo uma comparação de imagens e uma pergunta que desloque o olhar da turma: “quem decide o que é arte?”. Depois, posso combinar debate, produção de legenda crítica e uma questão como as deste post. Para ganhar tempo na montagem da atividade ou da avaliação, vale explorar o gerador de provas do GeraProva, que reúne 129 questões alinhadas a esta habilidade. Se ainda não uso a plataforma, posso fazer meu cadastro grátis.

Estas questões são um ponto de partida: eu sempre ajusto linguagem, repertório visual e nível de apoio à minha turma. O importante é criar espaço para que os estudantes leiam a arte com curiosidade, contexto e pensamento crítico.

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