Atividades sobre Contextos e práticas com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69AR01)
Quando recebo a EF69AR01 no planejamento, eu sei que não basta separar imagens bonitas para projetar na sala. O desafio é transformar um código longo da BNCC em uma experiência em que a turma observe, compare, pergunte, estranhe e consiga sustentar o que percebeu. Entre o tempo curto da aula, a internet que nem sempre funciona e os repertórios muito diferentes dos estudantes, isso pede escolhas simples e intencionais.
Eu costumo partir de obras que coloquem culturas, épocas, materiais e modos de participação em diálogo. Assim, a aula de Arte não vira uma lista de nomes para decorar. Ela vira espaço para ampliar o olhar e entender que uma colagem, uma pintura religiosa, uma instalação ou uma obra cinética podem dizer muito sobre quem as fez, em que contexto foram criadas e como nós nos relacionamos com elas.
O que a habilidade EF69AR01 pede, de verdade?
Na prática, a EF69AR01 pede que eu ajude os estudantes do 6º ao 9º ano a olhar para artes visuais com curiosidade e argumento. Eles precisam pesquisar artistas brasileiros e estrangeiros, observar obras tradicionais e contemporâneas, comparar matrizes estéticas e culturais e perceber relações entre contexto, materiais, temas, técnicas e participação do público. Não é necessário transformar a turma em especialista em História da Arte, mas é importante sair do “gostei” ou “não gostei” sem explicação. Espero que o estudante consiga dizer o que vê, levantar hipóteses sobre os sentidos da obra, reconhecer diferenças e semelhanças entre produções e respeitar perspectivas diversas. Também quero que construa repertório imagético: quanto mais imagens, artistas e culturas conhece, mais elementos tem para criar, interpretar e conversar sobre Arte. A habilidade reúne pesquisa, apreciação e análise, sempre conectadas à ampliação do imaginário e à capacidade de simbolizar.
“Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais e cultivar a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético.”
Ela pertence à unidade temática Artes visuais e ao objeto de conhecimento Contextos e práticas. Para consultar o texto e o banco de itens relacionados, vale acessar a consulta completa do código EF69AR01.
Como trabalhar EF69AR01 em sala?
1. Faça uma leitura comparativa de imagens
Eu levo duas ou três obras impressas ou projetadas, de épocas e contextos diferentes, e proponho perguntas concretas: quais materiais aparecem? Há figuras reconhecíveis ou formas abstratas? Quem poderia ser o público? A obra pede distância, contemplação ou participação? Um quadro simples com “o que observo”, “o que imagino” e “que evidência encontro” organiza bem a conversa.
2. Monte um museu de papel na própria sala
Com reproduções impressas em folha comum, grupos montam pequenas curadorias: uma seleção sobre retratos, religiosidade, natureza, movimento ou colagem. Cada grupo escreve legendas curtas com artista, época, país ou contexto, materiais e um motivo para a escolha. Depois, a turma circula como visitante e deixa perguntas em post-its. Não exige material caro e dá sentido à pesquisa.
3. Compare técnicas a partir de recortes
Depois de observar colagens de artistas como Romare Bearden e produções brasileiras contemporâneas, proponho uma criação com revistas, embalagens, papelão e papéis coloridos. O foco não é copiar a obra estudada, mas experimentar seleção, recorte, sobreposição e composição. No final, cada estudante explica uma decisão visual e relaciona sua produção ao que observou nas referências.
4. Transforme a escola em campo de observação
Uma caminhada pelo pátio, pelos murais, pela fachada ou por uma praça próxima rende perguntas sobre imagens no cotidiano: quais símbolos aparecem? Quem os produziu? Que público alcançam? Há referências culturais locais? Fotografar, desenhar ou anotar já basta. Depois, conecto essa observação a obras de artistas estudados, sem tratar Arte como algo distante da vida dos alunos.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF69AR01 precisa colocar o estudante diante de informações visuais ou textuais que permitam observar e comparar. Ela pode cobrar a identificação de um elemento comum, a análise de materiais e procedimentos, a relação entre contexto e significado ou a interpretação de formas de participação do público. O enunciado deve oferecer pistas suficientes: em Arte, não faz sentido avaliar adivinhação nem depender de uma imagem que ficou ilegível na fotocópia.
Eu evito perguntas que tratam uma opinião como resposta única, que premiam apenas a memorização de datas ou que apresentam uma cultura como “exótica” e isolada. Também tomo cuidado para não reduzir arte contemporânea a “qualquer coisa” ou arte tradicional a algo parado no passado. Na correção, considero se o estudante mobiliza evidências: apontar que duas obras usam papel recortado, por exemplo, é diferente de apenas dizer que elas “parecem iguais”. No acervo, há 755 questões alinhadas a esse código, úteis para variar dificuldade e montar instrumentos mais consistentes no gerador de provas do GeraProva.
Questões prontas de EF69AR01 (com gabarito comentado)
1. Na aula, a turma viu duas obras religiosas contemporâneas. Uma usava tecido e imagens; a outra usava metal e formas abstratas. Nas duas, o público podia tocar e participar.
Qual elemento aparece nas duas obras?
- ❌ A) Uso de tecido — O tecido era usado somente na primeira obra. A segunda usava metal.
- ✅ B) Interação do público — As duas obras permitiam que o público tocasse e participasse. Por isso, a interação do público era comum às duas.
- ❌ C) Formas abstratas — As formas abstratas apareciam somente na segunda obra. A primeira usava imagens.
- ❌ D) Uso de metal — O metal era usado somente na segunda obra. A primeira usava tecido.
- ❌ E) Uso de imagens — Apenas a primeira obra usava imagens. Esse elemento não aparecia nas duas obras.
2. Analise a obra “A Última Ceia” de Leonardo da Vinci e identifique seu simbolismo religioso.
- ❌ A) Representa a amizade entre os apóstolos — Embora retrate os apóstolos, o foco é na figura de Jesus.
- ✅ B) Simboliza a traição de Judas — Judas é destacado na obra, representando a traição.
- ❌ C) É uma representação da ressurreição — O foco é na última refeição, não na ressurreição.
- ❌ D) Retrata a vida cotidiana dos apóstolos — A obra é mais sobre o momento da refeição.
- ❌ E) Foca na simplicidade da refeição — A obra é ricamente detalhada, não simples.
3. Selecione a afirmação que melhor descreve a importância da crítica construtiva nas artes.
- ❌ A) Impedir a expressão pessoal — Crítica não deve cercear a expressão.
- ❌ B) Promover a competição entre artistas — O foco é na colaboração, não na competição.
- ✅ C) Enriquecer a visão sobre a obra — Crítica construtiva amplia a compreensão da arte.
- ❌ D) Desencorajar a experimentação — A crítica deve incentivar a experimentação.
- ❌ E) Criar padrões rígidos de qualidade — A arte é subjetiva e não deve ter padrões fixos.
4. Na aula, Ana viu duas colagens. Uma era de Romare Bearden, com fotos e pedaços de papel recortados; a outra era de uma artista brasileira de hoje, com tinta, barro, linhas e pedaços de papel recortados.
O que os dois artistas fizeram?
- ❌ A) Usaram só tinta. — A tinta aparece na obra da artista brasileira, mas não é o único material dela nem aparece na descrição da obra de Bearden.
- ❌ B) Usaram só barro. — O barro aparece na obra da artista brasileira, mas os dois artistas também usam outros materiais. Bearden não é descrito como usuário de barro.
- ❌ C) Usaram só linhas. — As linhas aparecem na obra da artista brasileira, mas não são o material comum às duas colagens. A descrição de Bearden fala em papel e fotos.
- ✅ D) Colaram pedaços de papel. — As duas obras têm pedaços de papel recortados e colados. Essa é a ação comum nas duas colagens.
- ❌ E) Usaram só fotos. — Esse é um erro de leitura: a obra de Bearden tem fotos, mas também tem pedaços de papel. A outra obra não é descrita como feita só com fotos.
5. A escultura Caminhando, de José Resende, pode ser explorada pelo público, que anda ao seu redor.
O que mostra que essa obra é contemporânea?
- ❌ A) A obra usa só tinta e papel. — Esse distrator representa o erro de associar a arte contemporânea apenas a materiais escolares.
- ❌ B) A obra mostra uma pessoa inteira. — Esse distrator representa o erro de confundir a presença do público com a representação de uma figura humana.
- ❌ C) A obra copia uma paisagem real. — Esse distrator representa o erro de pensar que a obra precisa imitar algo da natureza.
- ✅ D) O público participa da obra. — A obra permite que as pessoas andem ao seu redor e participem da experiência. Essa participação é uma característica comum da arte contemporânea.
- ❌ E) A obra segue um modelo antigo. — Esse distrator representa o erro de pensar que a principal característica da obra é seguir um padrão do passado.
6. Abraham Palatnik foi um artista brasileiro ligado à arte cinética. Na obra Aparelho cinecromático, luzes e formas coloridas se movimentam dentro de uma estrutura, criando mudanças visuais para quem observa.
Analise como o movimento aparece na obra Aparelho cinecromático e escolha a alternativa correta.
- ❌ A) O movimento serve apenas para representar uma história. — Esse distrator confunde o uso do movimento na obra com uma narrativa. O texto-base destaca mudanças visuais de luzes e formas, sem indicar que elas contam uma história.
- ❌ B) O movimento é criado somente por pinceladas rápidas. — Esse distrator associa a obra a uma pintura feita com pinceladas, mas o texto-base informa que o movimento ocorre por meio de luzes, formas e mecanismos internos.
- ❌ C) O movimento não existe, pois a obra mostra formas paradas. — Esse distrator ignora a informação de que as formas e as luzes se movimentam dentro da estrutura da obra.
- ✅ D) O movimento surge da luz e das formas que mudam por mecanismos internos. — A obra utiliza mecanismos internos para movimentar luzes e formas coloridas. Por isso, o movimento é percebido visualmente e não depende de uma pessoa dançando diante da obra.
- ❌ E) O movimento aparece porque pessoas dançam diante da obra. — Esse distrator confunde o movimento visual produzido pela própria obra com uma apresentação de dança realizada diante dela.
Próximos passos
Escolha uma das propostas para a próxima aula, registre as evidências de aprendizagem da turma e adapte as questões ao repertório que vocês construíram. Se quiser ganhar tempo no planejamento, faça seu cadastro grátis e use o banco de questões para criar, revisar e personalizar avaliações de Arte.
As questões são um ponto de partida: eu sempre ajustaria linguagem, imagens e mediações à minha turma. No GeraProva, você pode montar sua prova com mais agilidade sem abrir mão do seu olhar pedagógico.
