Atividades sobre Estratégias de leitura Apreciação e réplica com gabarito — 6º ano, 7º ano (EF67LP28)
Quando recebo a EF67LP28 no planejamento, minha primeira reação é lembrar da quantidade de textos e gêneros que ela reúne. Parece uma habilidade enorme — e é mesmo. Mas, na prática, eu não preciso trabalhar tudo de uma vez nem transformar cada leitura em uma ficha interminável. O ponto é criar situações em que a turma leia com propósito, reconheça o gênero e consiga dizer o que pensou sobre ele.
No 6º e no 7º ano, eu vejo que muitos alunos já leem histórias, tirinhas, mangás, letras, poemas e vídeos no cotidiano. O desafio da aula é ajudá-los a sair do “gostei” ou “não entendi” e explicar por quê. Assim, a leitura vira uma escolha consciente de estratégias: procurar uma informação, acompanhar o enredo, perceber uma crítica, comparar opiniões ou avaliar como o texto foi construído.
O que a habilidade EF67LP28 pede, de verdade?
A EF67LP28 pede que o estudante leia obras literárias e outros textos de modo cada vez mais autônomo, escolhendo uma estratégia adequada para cada objetivo de leitura e considerando o gênero e o suporte em que o texto circula. Em sala, isso significa não tratar conto, mito, crônica, HQ, cordel, mangá, poema visual e vídeo-poema como se todos exigissem a mesma abordagem. O aluno precisa identificar pistas do texto, compreender informações explícitas e implícitas, perceber a organização narrativa ou poética, reconhecer a finalidade de um gênero e sustentar uma apreciação: explicar preferências, concordar ou discordar de uma avaliação e comparar pontos de vista. Não basta perguntar se ele “entendeu”; uma boa proposta mostra para que ele lê e convida a justificar a resposta com elementos do próprio texto. A habilidade também abre espaço para ampliar repertórios, especialmente com lendas brasileiras, indígenas e africanas, sem reduzir essas narrativas a mera curiosidade cultural.
Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes –, romances infantojuvenis, contos populares, contos de terror, lendas brasileiras, indígenas e africanas, narrativas de aventuras, narrativas de enigma, mitos, crônicas, autobiografias, histórias em quadrinhos, mangás, poemas de forma livre e fixa (como sonetos e cordéis), vídeo-poemas, poemas visuais, dentre outros, expressando avaliação sobre o texto lido e estabelecendo preferências por gêneros, temas, autores.
Em outras palavras, eu trabalho leitura com intenção: ora para descobrir como uma narrativa constrói seu efeito, ora para compreender a função de um mito, ora para analisar uma resenha ou defender uma preferência de leitura. Para consultar o detalhamento e todo o acervo, vale acessar a consulta completa do código EF67LP28.
Como trabalhar EF67LP28 em sala?
- Monte uma estação de gêneros. Separe textos curtos: uma fábula, uma tirinha, um trecho de cordel, uma crônica, uma lenda e uma página de HQ. Em grupos, os alunos registram qual é o gênero, quais pistas ajudaram nessa identificação e que estratégia usaram para compreender o texto.
- Use a pergunta “para que estou lendo?”. Antes da leitura, proponho objetivos diferentes: localizar uma informação, descobrir o conflito, identificar a mensagem, observar a linguagem ou avaliar uma opinião. Depois, a turma compara como o objetivo mudou sua atenção durante a leitura.
- Faça um mural de apreciações justificadas. Cada estudante escolhe uma obra ou texto lido e completa: “Eu recomendo/não recomendo porque...” A regra é citar pelo menos um elemento concreto: enredo, personagem, linguagem, humor, ilustração, ritmo ou tema. É uma forma simples de praticar apreciação e réplica.
- Compare duas leituras do mesmo texto. Leve comentários fictícios ou reais, adaptados para a turma, sobre um conto ou romance. Peça que identifiquem concordâncias, divergências e evidências usadas por cada leitor. Essa atividade ajuda muito a superar a ideia de que opinião é algo que não precisa de justificativa.
- Explore narrativas de tradição oral com respeito ao contexto. Ao trabalhar mitos e lendas indígenas, africanas e brasileiras, proponho investigar o que a narrativa explica e quais visões de mundo apresenta. Evito tratá-la como “história estranha”: o foco está em compreender sua função cultural e seus sentidos.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF67LP28 precisa partir de um texto ou situação de leitura e cobrar uma operação clara: reconhecer o gênero, compreender a função de uma narrativa, analisar a estrutura, comparar avaliações ou justificar uma preferência. Em vez de perguntar apenas “qual é o tema?”, eu procuro pedir que o aluno use pistas: a presença de uma moral na fábula, a sequência de ações no conto, a explicação de origem em um mito ou os argumentos presentes em uma crítica.
Um erro comum é cobrar memorização de rótulos literários sem oferecer trecho, contexto ou evidência. Outro é apresentar alternativas muito vagas, em que mais de uma parece possível. Também não confundo apreciação com resposta livre sem critério: o estudante pode ter preferências diferentes, mas precisa argumentar. Para montar uma avaliação equilibrada, alterno questões de compreensão, análise e avaliação, com textos curtos e gêneros variados. No gerador de provas do GeraProva, há 61 questões alinhadas a essa habilidade, o que facilita selecionar itens para o nível da minha turma.
Questões prontas de EF67LP28 (com gabarito comentado)
1. Leia a frase: “A leitura é fundamental para o aprendizado”. Qual a função da leitura aqui?
- ❌ A) Entreter o leitor — Não é a função mencionada.
- ❌ B) Desenvolver habilidades sociais — Não é a função indicada na frase.
- ✅ C) Facilitar o aprendizado — A frase afirma que a leitura é fundamental para aprender.
- ❌ D) Aumentar a curiosidade — Não é a função central apresentada.
- ❌ E) Estimular a escrita — Não é o foco mencionado.
Gabarito comentado: a pista decisiva é a palavra “aprendizado”. O aluno deve identificar a função da leitura explicitamente indicada, sem acrescentar benefícios que podem ser verdadeiros em outros contextos.
2. Os mitos são narrativas que podem apresentar deuses, heróis e forças da natureza. Em muitas culturas, eles procuram explicar como o mundo e os seres humanos surgiram. Por isso, sua função principal não é apenas divertir, ensinar regras ou contar aventuras. De acordo com o texto, qual é a principal função dos mitos apresentada na situação?
- ❌ A) Apresentar deuses, heróis e forças da natureza. — Esses são elementos possíveis dos mitos, não sua função principal.
- ✅ B) Explicar como o mundo e os seres humanos surgiram. — O texto afirma diretamente essa finalidade.
- ❌ C) Divertir as pessoas com histórias de aventuras. — A alternativa troca a função principal por uma possibilidade não destacada.
- ❌ D) Contar histórias sobre aventuras de heróis. — Confunde o conteúdo possível do mito com seu objetivo.
- ❌ E) Ensinar regras de comportamento às pessoas. — Confunde uma possível mensagem com a função apresentada.
Gabarito comentado: aqui vale ensinar a turma a separar “quem aparece na narrativa” de “para que essa narrativa existe”.
3. Leia as críticas sobre o mesmo romance: Júlia: “A história é envolvente, mas a linguagem usada pelo autor é simples demais.” Marcos: “A linguagem é criativa e bem escolhida, embora o enredo seja previsível.” O que distingue principalmente as opiniões de Júlia e Marcos sobre o romance?
- ❌ A) Uma apresenta a história; a outra, os personagens. — As duas expressam avaliações sobre o romance.
- ❌ B) Uma comenta o começo; a outra, o final. — Não há referência a partes específicas da obra.
- ❌ C) Uma foi publicada antes; a outra, depois. — O texto não informa datas de publicação.
- ✅ D) Uma avalia o enredo; a outra, a linguagem. — Júlia valoriza o enredo e critica a linguagem; Marcos faz o movimento inverso.
- ❌ E) Uma elogia o livro; a outra, o autor. — Nenhuma crítica avalia diretamente o autor.
Gabarito comentado: é uma questão importante para mostrar que leitores podem observar os mesmos aspectos de uma obra e chegar a avaliações diferentes.
4. Em uma narrativa indígena, os seres e os elementos da natureza surgem depois de acontecimentos realizados por personagens ancestrais. Histórias como essa são transmitidas entre as gerações e ajudam a compreender o mundo. Qual é a principal função desse tipo de mito?
- ❌ A) Relatar aventuras vividas por personagens reais. — Personagens míticos não são apresentados como pessoas reais.
- ❌ B) Registrar acontecimentos históricos de uma comunidade. — O texto não trata de um registro comprovado de fatos.
- ✅ C) Explicar a origem do mundo e dos seres. — A narrativa explica o surgimento da realidade segundo a visão de um povo.
- ❌ D) Descrever costumes praticados atualmente por uma comunidade. — O foco é a origem dos seres e da natureza.
- ❌ E) Divertir os ouvintes com situações engraçadas. — A função destacada é compreender o mundo, não apenas entreter.
Gabarito comentado: a questão permite discutir mito como narrativa significativa para um grupo, evitando confundi-lo com notícia ou documento histórico.
5. No conto “O Mínimo que Você Pode Fazer”, um personagem presencia uma situação que exige sua ajuda. Primeiro, ele observa o problema e hesita; depois, decide agir. Ao final, sua atitude reforça a mensagem de que pequenas ações podem fazer diferença. Como a estrutura do conto contribui para a compreensão da mensagem?
- ❌ A) A estrutura dialogada revela a mudança por meio de muitas falas. — O texto não menciona diálogos.
- ✅ B) A estrutura linear organiza os fatos e mostra a mudança do personagem. — A sequência observar, hesitar e agir permite acompanhar a transformação.
- ❌ C) A estrutura invertida mistura os fatos e esconde a mudança do personagem. — Os acontecimentos aparecem em ordem sequencial.
- ❌ D) A estrutura repetitiva destaca várias vezes a mesma atitude do personagem. — Há etapas diferentes, e não repetição.
- ❌ E) A estrutura interrompida deixa a decisão do personagem sem conclusão. — A decisão e sua consequência são apresentadas.
Gabarito comentado: eu gosto de usar esse tipo de item para mostrar que a forma de organizar os acontecimentos também produz sentido.
6. Um corvo encontrou um pedaço de queijo e pousou em uma árvore. Uma raposa elogiou sua voz para fazê-lo cantar. Quando o corvo abriu o bico, o queijo caiu, e a raposa o pegou. Moral: cuidado com elogios interesseiros. Qual é o gênero textual desse trecho?
- ❌ A) Notícia — O trecho não relata um fato real com informações jornalísticas.
- ❌ B) Poema — Não está organizado em versos nem apresenta características desse gênero.
- ❌ C) Carta — Não há destinatário, saudação ou despedida.
- ❌ D) Receita — A sequência de ações não ensina a preparar algo.
- ✅ E) Fábula — Há animais com atitudes humanas e uma moral, isto é, um ensinamento.
Gabarito comentado: a moral explícita é uma pista forte, mas convém pedir que os alunos observem também a personificação dos animais.
Próximos passos
Para avançar, eu escolheria um gênero por semana e manteria uma rotina curta de leitura, conversa e registro de apreciação. Depois, dá para criar uma prova combinando identificação de gênero, compreensão e análise de opiniões. Se você ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis e experimente montar uma avaliação alinhada à turma.
As questões ajudam a diagnosticar caminhos de aprendizagem, mas não substituem a mediação docente: eu sempre leio os resultados junto com as produções e conversas da turma. Use o GeraProva como apoio para ganhar tempo e manter a intencionalidade pedagógica.
