Atividades sobre Conversação espontânea com gabarito — 6º ano, 7º ano (EF67LP23)
Quando recebo a EF67LP23 no planejamento, sei que não basta escrever “roda de conversa” e esperar que a habilidade aconteça sozinha. Na prática, sempre há quem fale por cima do colega, quem queira responder tudo e quem tenha boas ideias, mas não encontre espaço para entrar na conversa.
Também preciso transformar essa habilidade em proposta observável e avaliável: como perceber se a turma respeita os turnos de fala e se faz perguntas que realmente combinam com o assunto e com o momento? Neste post, compartilho caminhos simples para o 6º e o 7º ano, além de seis questões prontas com gabarito comentado.
O que a habilidade EF67LP23 pede, de verdade?
A EF67LP23 pede que eu ensine a turma a participar de conversas, discussões, aulas e seminários de modo responsável: ouvir antes de responder, esperar ou negociar o próprio momento de fala, não interromper por impulso e considerar o que o outro acabou de dizer. Além disso, os estudantes precisam aprender a formular perguntas claras, relacionadas ao tema e feitas na hora certa. Não é uma habilidade de “ficar em silêncio”, nem de falar bonito; é uma aprendizagem de convivência e de linguagem. Na sala, isso aparece quando o aluno não muda de assunto sem motivo, pergunta para entender uma ideia, pede esclarecimento depois de uma apresentação e deixa os colegas concluírem o raciocínio. Eu trabalho essa habilidade explicitamente, porque muitos conflitos em debates não vêm da falta de opinião, mas da dificuldade de escutar, organizar a entrada na fala e construir perguntas que façam a conversa avançar.
“Respeitar os turnos de fala, na participação em conversações e em discussões ou atividades coletivas, na sala de aula e na escola e formular perguntas coerentes e adequadas em momentos oportunos em situações de aulas, apresentação oral, seminário etc.”
O objeto de conhecimento é a conversação espontânea, dentro de Língua Portuguesa, para 6º e 7º ano. Vale lembrar: espontânea não significa sem mediação. Eu posso — e devo — criar combinados, modelos de pergunta e critérios claros para que a participação seja mais justa.
Para consultar a descrição e o acervo completo, acesse a consulta completa do código EF67LP23.
Como trabalhar EF67LP23 em sala?
1. Construo combinados de conversa com a turma. Antes de um debate, pergunto: “O que ajuda alguém a conseguir falar?” e “O que atrapalha?”. Registramos combinados como levantar a mão, não completar a frase do colega, discordar da ideia sem atacar a pessoa e retomar o tema. Depois da atividade, revisamos quais combinados funcionaram.
2. Faço uma roda com objeto da fala. Pode ser uma caneta, um apagador ou um cartão. Só fala quem está com o objeto; quem quiser participar sinaliza. É uma estratégia simples para tornar visível o turno de fala, especialmente com turmas agitadas. Aos poucos, retiro o objeto, mas mantenho a observação do grupo.
3. Transformo curiosidades em perguntas adequadas. Após uma leitura, vídeo ou exposição curta, cada estudante escreve uma pergunta sobre o tema. Em duplas, eles analisam: a pergunta é clara? Já foi respondida? Ajuda a entender melhor? É respeitosa? Podemos comparar “Você pesquisou muito?” com “Por que você escolheu esse tema?” para perceber objetivos diferentes.
4. Organizo minisseminários com plateia ativa. Um grupo apresenta por três minutos e a plateia tem a tarefa de elaborar uma pergunta relacionada ao conteúdo. Eu peço que ninguém pergunte durante a fala do apresentador, salvo quando houver abertura. Assim, praticamos o momento oportuno de perguntar.
5. Uso papéis rotativos na discussão. Em grupos, um estudante controla o tempo, outro observa os turnos, outro registra perguntas e outro sintetiza ideias. Na aula seguinte, os papéis mudam. Isso evita que a responsabilidade pela qualidade da conversa fique só comigo.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF67LP23 precisa apresentar uma situação concreta de interação e pedir que o estudante reconheça ou escolha uma atitude adequada. Ela pode cobrar o respeito ao turno de fala, a inclusão de colegas, a relação entre pergunta e tema, a intenção da pergunta ou o momento de fazê-la. As questões objetivas ajudam a verificar a compreensão, mas eu também observo a prática em rodas, debates e apresentações.
Costumo usar uma lista curta de critérios: espera a vez de falar; escuta e responde ao que foi dito; formula pergunta relacionada ao assunto; escolhe um momento apropriado; contribui sem monopolizar a conversa. Não avalio quem fala mais alto ou mais vezes. Avalio a qualidade da participação e as condições que cada estudante teve para participar.
Um erro comum é transformar a habilidade em regra moral vaga, como “seja educado”. Outro é considerar qualquer frase interrogativa uma boa pergunta. “Que horas termina a aula?” tem formato de pergunta, mas não contribui para um debate sobre celulares, por exemplo. Também evito avaliar apenas os alunos mais expansivos: quem escuta atentamente, aguarda o momento e faz uma pergunta pertinente demonstra aprendizagem importante.
Questões prontas de EF67LP23 (com gabarito comentado)
1. Qual a importância de fazer perguntas ao final de uma apresentação oral?
- ❌ A) É desnecessário. Perguntas são cruciais para o engajamento.
- ✅ B) Ajuda a esclarecer dúvidas. Esclarecer dúvidas é fundamental para a compreensão.
- ❌ C) Deixa o público confuso. Perguntas bem formuladas ajudam na clareza.
- ❌ D) Diminui a interação. Fazer perguntas aumenta a interação.
- ❌ E) Distrai o público. Perguntas mantêm o público atento e envolvido.
2. Durante uma apresentação oral, Ana falou sobre a importância da reciclagem. Ela mostrou exemplos de materiais recicláveis e contou que pesquisou o tema por duas semanas. Ao final, os colegas puderam fazer perguntas.
Qual pergunta pede a Ana que justifique a escolha do tema da apresentação?
- ❌ A) Quanto tempo você estudou para apresentar? Essa pergunta busca uma informação sobre o tempo de preparação, não uma justificativa para a escolha do assunto.
- ❌ B) Você não acha essa ideia impossível? Essa pergunta expressa dúvida ou julgamento sobre a ideia, em vez de pedir uma explicação sobre a escolha do tema.
- ❌ C) Você pode repetir o exemplo principal? Ela solicita a repetição de uma informação, mas não pergunta por que Ana escolheu o tema.
- ✅ D) Por que você escolheu falar sobre reciclagem? A pergunta pede o motivo da escolha do tema e é adequada ao momento da apresentação.
- ❌ E) Qual é sua opinião sobre esse problema? Ela pede uma opinião, mas não questiona o motivo de Ana ter escolhido reciclagem.
3. Durante uma discussão em grupo, alguns estudantes falam bastante, enquanto outros quase não conseguem dar sua opinião. O professor quer organizar a conversa para que todos tenham espaço de participação.
Qual atitude ajuda a garantir que todos participem da discussão em grupo?
- ❌ A) Deixar somente os voluntários apresentarem suas opiniões. Isso pode excluir estudantes que precisam ser convidados a falar.
- ❌ B) Ouvir primeiro os participantes que pensam como você. A atitude privilegia opiniões semelhantes e não garante espaço para ideias diferentes.
- ✅ C) Convidar cada participante a falar e ouvir suas opiniões. Assim, todos têm oportunidade de se expressar e ser considerados.
- ❌ D) Falar mais alto para controlar a conversa do grupo. Falar mais alto pode impedir a troca de opiniões.
- ❌ E) Escolher apenas os participantes mais tímidos para falar. Considerar apenas um grupo não garante a participação de todos.
4. Em uma discussão em grupo sobre o uso de celulares na escola, os estudantes devem fazer perguntas relacionadas ao tema e que ajudem a conhecer as opiniões dos colegas.
Identifique a alternativa que apresenta uma pergunta adequada para essa discussão em grupo.
- ❌ A) Você pode fechar a janela, por favor? É um pedido de ação, não uma pergunta sobre o tema.
- ❌ B) Que horas começa a próxima aula? A pergunta trata de horário e não se relaciona ao uso de celulares.
- ❌ C) Quem senta ao seu lado na sala? A informação não contribui para a discussão proposta.
- ❌ D) Você trouxe seu celular para a escola? Trata de uma situação pessoal, mas não solicita opinião sobre o tema.
- ✅ E) Qual é sua opinião sobre o uso de celulares na escola? Está diretamente relacionada ao tema e convida o colega a se posicionar.
5. Em uma conversa, como você deve respeitar o turno de fala?
- ❌ A) Falar o máximo possível sem parar. Isso desrespeita o turno de fala.
- ✅ B) Escutar atentamente e esperar sua vez. Essa atitude respeita o turno de fala.
- ❌ C) Interromper quando achar necessário. Interrupções são desrespeitosas.
- ❌ D) Falar somente sobre si mesmo. Isso não contribui para a conversa.
- ❌ E) Falar em voz alta para ser ouvido. Isso pode ser agressivo e desrespeitoso.
6. Qual é a importância de formular perguntas em uma discussão em sala de aula?
- ❌ A) Elas não têm importância. Essa afirmação é incorreta.
- ✅ B) Elas ajudam a esclarecer dúvidas. Essas perguntas promovem a compreensão.
- ❌ C) Elas tornam a conversa chata. Não é verdade: perguntas enriquecem a discussão.
- ❌ D) Elas devem ser evitadas. Essa postura limita o aprendizado.
- ❌ E) Elas são sempre desnecessárias. Isso não é correto em um ambiente de aprendizagem.
Próximos passos
Eu começaria com uma roda curta, escolheria um dos critérios para observar e aplicaria duas ou três questões como retomada. Depois, dá para ampliar o trabalho com as 48 questões alinhadas a esta habilidade no acervo. Se quiser ganhar tempo no planejamento, experimente o gerador de provas do GeraProva e organize uma avaliação adequada à sua turma.
As questões são um ponto de partida: adapte os exemplos ao contexto dos seus estudantes, observe a participação real e, quando quiser montar atividades com mais rapidez, faça seu cadastro grátis no GeraProva.
