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EF35LP23: o que a habilidade pede + questões prontas

EF35LP23: o que a habilidade pede + questões prontas

Quando eu recebo o código EF35LP23 no planejamento, a primeira sensação é bem realista: preciso pegar uma frase da BNCC e transformar isso em aula que funcione com turma de 3º, 4º ou 5º ano. E a gente sabe que não adianta só levar um poema para ler. O desafio é fazer os alunos perceberem como o texto versificado soa, se organiza e produz sentido.

Na prática, essa habilidade pede escuta, leitura em voz alta, comparação e conversa sobre linguagem. Ela está em Língua Portuguesa, no objeto de conhecimento Apreciação estética/Estilo, e vale para 3º ano, 4º ano e 5º ano. Eu costumo olhar para ela pensando assim: como ajudo a turma a notar rimas, aliterações, versos, estrofes e refrões sem transformar poesia numa caça seca por nomes técnicos?

O que a habilidade EF35LP23 pede, de verdade — traduza o texto oficial pra linguagem de professor

Apreciar poemas e outros textos versificados, observando rimas, aliterações e diferentes modos de divisão dos versos, estrofes e refrões e seu efeito de sentido.

Traduzindo para a linguagem de sala de aula: a BNCC não está pedindo apenas que o aluno identifique uma rima aqui e outra ali. Ela quer que a criança aprecie o texto poético. Isso significa ouvir, ler, perceber sonoridades, notar repetições, brincar com o ritmo e entender que a forma do texto ajuda a construir o sentido.

Então, em EF35LP23, eu trabalho pelo menos cinco focos: rimas, aliterações (repetição de sons consonantais), divisão em versos, organização em estrofes e presença de refrões. O mais importante é ligar isso ao efeito de sentido. Por exemplo: a rima pode dar musicalidade; a repetição pode reforçar uma ideia; o refrão pode marcar memória e participação; versos curtos podem acelerar a leitura; versos mais longos podem criar outro ritmo.

Em resumo, não basta a criança dizer “tem rima”. Ela precisa perceber como essa escolha faz o texto soar e significar. É isso que separa uma atividade superficial de uma aula realmente alinhada à habilidade.

Como trabalhar EF35LP23 em sala — 3 a 5 ideias práticas e realistas

1) Leitura em voz alta com escuta guiada. Eu levo um poema curto, um cordel, uma parlenda ou uma canção impressa no quadro ou em folha simples. Primeiro leio inteiro, sem interromper. Depois releio pedindo: “Onde o texto parece cantar?”, “Que palavras combinam no som?”, “O que se repete?”. Isso já abre caminho para rima, refrão e ritmo sem começar pela definição.

2) Caça às rimas e aos sons repetidos. Em duplas, os alunos circulam palavras que rimam e destacam sons que aparecem várias vezes. Para aliteração, eu gosto de exemplos simples, como versos com repetição de sons de S, P ou M. Não precisa material caro: quadro, caderno e lápis já resolvem. O importante é ouvir o texto junto com a turma, porque aliteração faz mais sentido no som do que só no olho.

3) Montagem e remontagem de estrofes. Eu separo um poema em tiras de papel com versos embaralhados. A turma tenta reorganizar, pensando no ritmo, na lógica e nas repetições. Essa atividade ajuda muito a perceber divisão de versos, formação de estrofes e refrão. Além disso, os alunos entendem que a quebra de linha não é enfeite: ela interfere na leitura.

4) Cordel, cantiga e refrão coletivo. Como a habilidade fala em textos versificados, eu não fico preso só ao poema do livro didático. Cordel, cantiga popular e quadrinhas funcionam muito bem. Quando há refrão, eu combino uma leitura coral: eu leio as estrofes e a turma entra no refrão. Isso torna visível o efeito de repetição e participação.

5) Comparar dois textos curtos. Uma estratégia ótima é colocar lado a lado dois textos: um com rimas bem marcadas e outro com menor musicalidade; um com refrão e outro sem; um com versos curtos e outro com versos longos. A pergunta não é só “qual tem rima?”, mas “qual parece mais cantado?”, “qual gruda mais na memória?”, “por quê?”. Aí a habilidade aparece de forma viva.

Como AVALIAR essa habilidade — o que uma boa questão desse código precisa cobrar; erros comuns de avaliação

Na hora de avaliar EF35LP23, eu tento fugir de dois extremos: a atividade solta demais, que não deixa claro o que o aluno sabe, e a atividade técnica demais, que vira prova de nomenclatura. Uma boa questão desse código precisa colocar o estudante diante de um texto versificado e pedir que ele observe recursos sonoros e de organização para construir sentido.

Questões desse código podem cobrar, por exemplo: identificar esquema de rima; perceber repetição sonora; reconhecer refrão; notar como versos e estrofes organizam o texto; comparar efeitos de textos com estruturas diferentes. O ideal é que a pergunta esteja ancorada no texto, e não apenas em definição decorada.

Erros comuns de avaliação que eu vejo bastante:

  • cobrar só conceito isolado, sem texto-base;
  • confundir apreciação estética com análise gramatical;
  • pedir nomenclatura difícil sem trabalho prévio em sala;
  • usar poemas longos demais para a faixa etária;
  • desconsiderar oralidade e leitura em voz alta, que são centrais para perceber sonoridade.

Se eu quiser uma avaliação mais completa, combino item objetivo com observação em aula: leitura oral, participação na identificação de refrões, justificativa sobre efeito de uma repetição. Isso dá um retrato mais fiel da aprendizagem.

Questões prontas de EF35LP23 (com gabarito comentado)

Se você quiser ampliar o repertório, vale abrir a consulta completa do código EF35LP23. Hoje, o acervo do GeraProva já tem 69 questões alinhadas a essa habilidade. E, para montar atividade, lista ou prova em menos tempo, eu costumo recorrer a o gerador de provas do GeraProva. Se ainda não usa a plataforma, dá para fazer seu cadastro grátis.

Questão 1 — Analise o fragmento e identifique qual padrão de rima é empregado no cordel apresentado.

Por que a literatura popular nordestina encanta tanto? Em uma celebração de cordel e repentes, poetas reúnem-se em feira cultural para recitar versos ao som de viola. Observe este fragmento de cordel:

Meu canto ecoa no valeiro (A)
Embala histórias sob o céu inteiro (A)
Faço versos vibrar em sintonia (B)
Celebrando o sertão com maestria (B)

  • A) Rima cruzada, em que o primeiro verso rima com o terceiro e o segundo com o quarto. Por que está errada: rima cruzada seria ABAB, mas aqui os versos 1 e 2 rimam entre si e os versos 3 e 4 também.
  • B) Rima emparelhada, em que cada terceto possui três versos rimando entre si. Por que está errada: a explicação descreve outra estrutura; o fragmento tem quatro versos organizados em pares, não tercetos AAA.
  • C) Rima pareada, pois os dois primeiros versos rimam entre si e os dois seguintes rimam entre si. Comentário: essa é a correta porque o esquema é AABB, com pares de versos consecutivos rimando.
  • D) Rima interpolada, quando o primeiro verso rima com o quarto e o segundo com o terceiro. Por que está errada: rima interpolada é ABBA, e não é o caso do fragmento.
  • E) Rima toante, que ocorre pelo som semelhante final mas não exato. Por que está errada: as rimas são exatas em “valeiro”/“inteiro” e “sintonia”/“maestria”.

Como eu usaria em sala: antes da marcação da resposta, eu pediria que a turma lesse os finais dos versos em voz alta. Isso ajuda muito os alunos a perceberem o padrão sonoro antes de nomeá-lo.

Questão 2 — Analise o texto-base e identifique o esquema de rima predominante nas quadras do cordel.

Num sereno entardecer, o violeiro improvisa um repente:
As cordas ressoam na praça embaladas pelo vento,
Surge verso que ecoa alto e retorna ao mesmo repente,
E toda roda, encantada, repete o mesmo vento.
Cada estrofe segue o compasso da voz prendida ao repente,
Palavras dançam leves e circulam com o vento,
Revelando rima que se firma sempre no mesmo repente,
Guiando o ouvido do povo arrebatado pelo vento.

  • A) Esquema de rima emparelhado (AABB). Por que está errada: no emparelhado, 1 rima com 2 e 3 com 4. Aqui o padrão se alterna.
  • B) Esquema de rima interrompido (ABCB). Por que está errada: nesse caso, apenas 2 e 4 rimariam, mas o texto mostra uma regularidade maior.
  • C) Esquema de rima encadeado (ABBA). Por que está errada: no encadeado, 1 rima com 4 e 2 com 3, o que não corresponde ao texto.
  • D) Esquema de rima irregular (ABCD). Por que está errada: não é irregular, porque há um padrão claro entre os versos.
  • E) Esquema de rima alternado (ABAB). Comentário: a resposta correta é essa, porque os versos com “vento” rimam entre si e os com “repente” também, formando alternância.

Como eu usaria em sala: essa é uma boa questão para treinar leitura atenta de rimas finais. Depois da correção, eu gosto de perguntar: “Que efeito o padrão alternado cria na escuta?”. Assim, a turma sai da identificação e entra na apreciação estética.

Próximos passos para planejar EF35LP23 sem complicação

Se eu tivesse que resumir, diria assim: EF35LP23 fica muito mais simples quando a gente leva poesia para a sala como experiência de leitura e escuta, e não só como conteúdo para rotular. Com textos curtos, leitura em voz alta, comparação de efeitos e questões bem construídas, dá para trabalhar a habilidade com profundidade e leveza.

Meu conselho prático é começar com um texto versificado breve, planejar uma atividade de observação dos sons e fechar com uma questão objetiva ou uma pequena produção oral. E, se quiser ganhar tempo no planejamento, aproveite a consulta completa do código EF35LP23 e filtre materiais já alinhados.

Este conteúdo foi feito para apoiar seu planejamento, não para engessar sua aula. Adapte os exemplos ao repertório da sua turma e, se quiser acelerar a montagem das próximas avaliações, experimente o GeraProva com seu cadastro grátis.

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