Atividades de Figuras de linguagem para o 9º ano com gabarito
Reuni atividades de figuras de linguagem para o 9º ano com gabarito comentado. As questões trabalham metáfora, aliteração, ironia e interpretação de sentidos no contexto.
Quando trabalho figuras de linguagem com o 9º ano, procuro sair da lista de definições e levar a turma a observar o que uma expressão faz no texto. Uma metáfora não é apenas um nome para decorar: é uma maneira de aproximar ideias e produzir sentido. A ironia também depende do contexto, e a aliteração pede atenção aos sons, não só às letras. Em sala, percebo que exemplos curtos ajudam a abrir a conversa, mas a justificativa é o que mostra se a leitura foi realmente compreendida.
Por isso, organizei atividades que permitem revisar esses conceitos e conversar sobre o raciocínio usado em cada alternativa. As questões incluem exemplos literários e cotidianos, além de itens de interpretação de sentidos e decodificação. Esse conjunto dá oportunidade de identificar conhecimentos, retomar pontos que causaram dúvida e ajustar a explicação antes de avançar.
O que o aluno de 9º ano precisa saber sobre Figuras de linguagem
No 9º ano, o aluno precisa reconhecer que as figuras de linguagem são recursos que produzem sentidos e efeitos, e que sua identificação depende da leitura do enunciado e do contexto. Na metáfora, uma ideia é apresentada por meio de outra, sem que seja necessário um termo comparativo explícito: em “A vida é um barco à deriva”, a imagem sugere falta de direção ou de controle. Já a comparação explícita costuma trazer marcas como “como” ou “tal qual”, embora o mais importante seja perceber a relação de sentido. Na aliteração, o efeito se constrói pela repetição de sons consonantais, como o /p/ em “pipa pulou”. Na ironia, o contexto pode mostrar que a intenção contrasta com o sentido literal, como dizer “Que ótimo, perdi o ônibus” diante de um contratempo. Também é importante justificar a resposta com evidências do trecho, em vez de escolher um rótulo apenas por reconhecimento.
O que ele precisa saber antes
Para aproveitar estas atividades, convém verificar alguns conhecimentos que servem de apoio. A compreensão de leitura e a capacidade de inferir sentidos ajudam o estudante a perceber informações implícitas, como o pressuposto acionado pela expressão “até os leitores mais resistentes”. A distinção entre sentido literal e figurado é essencial para interpretar metáforas e ironias sem tomar todas as palavras ao pé da letra. Também é útil retomar comparação e simbolismo, figuras de linguagem básicas e reconhecimento de sons consonantais, especialmente para diferenciar aliteração de repetição de letras ou de vogais.
O conjunto inclui ainda uma questão sobre a decodificação de uma palavra inventada. Para ela, os conhecimentos prévios são a relação entre grafemas e fonemas e a análise morfológica de radicais e afixos. Esse item não pede a identificação de uma figura de linguagem: pode ser usado como atividade complementar de reflexão sobre os procedimentos de leitura e sobre a formação de palavras. Assim, consigo explicitar aos alunos que nem toda questão de interpretação do conjunto avalia exatamente o mesmo conceito.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente nas questões de metáfora é confundi-la com a comparação explícita. Diante de “A vida é um barco à deriva”, o aluno pode marcar símile porque percebe que há uma aproximação entre duas ideias. A pista é observar como essa relação foi construída: não há “como” nem outra marca comparativa, e a vida é apresentada diretamente como um barco à deriva. A resposta fica mais consistente quando o estudante também explica o efeito sugerido pela imagem.
Outro ponto de atenção é confundir aliteração com repetição de palavras, letras ou sons vocálicos. Na questão de “pipa pulou no”, a resposta depende de notar que “pipa” e “pulou” começam com o mesmo som consonantal /p/. Marcar “a pipa azul”, por exemplo, pode indicar que o estudante percebeu uma repetição visual, mas não verificou o som inicial de consoante pedido. Vale pedir que leia os trechos em voz alta e destaque os sons, sem transformar a atividade em uma simples caça à letra.
Na ironia, o distrator mais plausível pode parecer uma afirmação positiva coerente com os fatos. O estudante precisa confrontar as palavras com a situação: perder o ônibus é um problema, então “Que ótimo” não expressa satisfação literal. O mesmo cuidado vale para o pressuposto de “Até os leitores mais resistentes se envolveram”: a frase sugere que existia um grupo resistente, mas não informa que todos já tinham lido o romance, nem diz algo sobre vendas ou sobre o autor. Na questão de decodificação, a tentação é adivinhar “safranício” pela sonoridade. O procedimento mais seguro é relacionar grafemas e fonemas e examinar a estrutura morfológica, sem inventar um significado que o contexto não oferece.
Como trabalhar em sala
- Comece por exemplos curtos e peça justificativas. Apresente versos como “A vida é um sonho” e “O amor é um mistério”. Antes de revelar o nome da figura, peça que os alunos expliquem que relação entre ideias percebem. Depois, retome a definição de metáfora e compare as respostas. Assim, a nomenclatura vem ligada ao sentido, e não isolada do texto.
- Faça uma leitura sonora coletiva. Use “pipa pulou no” para ouvir a repetição de /p/. Os estudantes podem marcar no quadro as palavras que compartilham o som inicial e comparar com trechos que apenas repetem vogais ou palavras. Não é necessário material especial: leitura em voz alta e anotação já ajudam a tornar o critério audível.
- Compare frase e situação para discutir ironia. Leia o exemplo de quem perdeu o ônibus e pergunte o que ocorreu e o que a expressão “Que ótimo” costuma comunicar. A turma pode explicar por que, naquele contexto, a intenção é diferente do sentido literal. Outros exemplos cotidianos podem ser discutidos desde que a situação deixe clara a oposição entre fala e acontecimento.
- Peça que os alunos eliminem alternativas com evidências. Em vez de apenas marcar uma letra, cada estudante pode registrar uma pista do enunciado e explicar por que um distrator não se sustenta. Essa prática torna visível a diferença entre reconhecer uma palavra familiar e construir uma interpretação apoiada no texto.
- Separe os objetivos de aprendizagem na correção. As questões deste conjunto não tratam todas do mesmo conteúdo: há metáfora, aliteração e ironia, mas também pressuposto linguístico e decodificação de palavra inventada. Identifique com a turma o que cada item está avaliando. Essa organização evita que a revisão de figuras de linguagem se confunda com outros procedimentos de leitura.
Questões prontas de Figuras de linguagem para o 9º ano (com gabarito comentado)
As questões abaixo podem ser aplicadas como revisão, atividade diagnóstica ou parte de uma avaliação. Oriente os alunos a ler o enunciado com atenção e a justificar a escolha. As alternativas incorretas vêm acompanhadas de uma explicação para facilitar a correção e a retomada dos conceitos.
1. Leia a palavra inventada “safranício” inserida em um artigo técnico. Para decodificá-la corretamente, que procedimento o leitor deve aplicar?
- ❌ A) Tentativa de adivinhar a palavra pela sonoridade. Adivinhar sem aplicar regras pode levar a pronúncias incorretas. O som é uma pista, mas não deve ser o único procedimento.
- ❌ B) Focar apenas em palavras com o mesmo radical. Comparar palavras pode ser útil quando há uma relação identificável, mas, isoladamente, não resolve a leitura de uma palavra inventada.
- ✅ C) Decodificação fonológica sistemática aliada à análise morfológica de radicais e afixos. A relação entre grafemas e fonemas ajuda a chegar à pronúncia; a análise das partes permite examinar a estrutura e levantar hipóteses de sentido sem simplesmente adivinhar.
- ❌ D) Decodificar usando uma referência pictórica do termo. Uma imagem não fornece, por si só, regras para pronunciar a palavra inventada.
- ❌ E) Reconhecimento global ao primeiro olhar. Como a palavra foi inventada, não há motivo para esperar reconhecimento imediato; é preciso recorrer a procedimentos de leitura.
Gabarito comentado: C. O item trabalha decodificação e análise morfológica, não a identificação direta de uma figura de linguagem. Pode servir como extensão para discutir como o leitor combina pistas gráficas, sonoras e estruturais.
2. Leia a frase: “Até os leitores mais resistentes se envolveram com o romance.” Um pressuposto presente nessa frase é o de que
- ❌ A) todos os leitores já haviam lido o romance antes. A frase não informa que os leitores já conheciam ou tinham lido a obra.
- ✅ B) havia leitores resistentes ao romance ou à leitura dele. O uso de “até” apresenta como digno de destaque o envolvimento desse grupo e pressupõe sua existência.
- ❌ C) o romance foi escrito especificamente para convencer críticos. Não há indicação sobre a intenção de quem escreveu a obra.
- ❌ D) apenas leitores especializados entenderam a obra. A frase diz que leitores resistentes se envolveram; não exclui outros leitores.
- ❌ E) o romance fracassou comercialmente antes de ser reconhecido. Não há informação sobre vendas ou reconhecimento comercial.
Gabarito comentado: B. A pista está na palavra “até”. O leitor deve inferir a informação pressuposta sem acrescentar detalhes sobre o público, a autoria ou a trajetória comercial do romance.
3. Leia o trecho: “O gato viu a pipa azul. A pipa pulou no chão. O menino guardou a pipa.” Qual trecho repete o mesmo som de consoante no começo das palavras?
- ❌ A) O gato viu. As palavras não começam com o mesmo som consonantal; escolher o início do texto não responde ao critério.
- ❌ B) a pipa azul. A repetição da palavra “a” ou a presença da letra “a” não forma a aliteração pedida. É necessário observar sons consonantais iniciais.
- ❌ C) pulou no chão. As palavras começam com sons diferentes. A presença de “pulou” sozinha não basta.
- ❌ D) menino guardou a. O trecho não repete o mesmo som consonantal no início das palavras.
- ✅ E) pipa pulou no. “Pipa” e “pulou” começam com o som /p/. Essa repetição de som consonantal caracteriza aliteração.
Gabarito comentado: E. A questão pede atenção aos sons, não apenas às letras escritas. Ler em voz alta pode ajudar a perceber a repetição que produz o efeito sonoro.
4. Leia o trecho de um poema: “A vida é um sonho, e os sonhos, sonhos são”. Identifique a figura de linguagem predominante.
- ✅ A) Metáfora. O verso associa vida e sonho de maneira simbólica, sem afirmar que a vida seja literalmente um sonho. A aproximação de sentidos caracteriza a metáfora.
- ❌ B) Antítese. O trecho não organiza ideias opostas como vida e morte ou alegria e tristeza; apresenta uma associação entre vida e sonho.
- ❌ C) Aliteração. A resposta não se apoia na repetição de sons consonantais como efeito principal.
- ❌ D) Personificação. Não há atribuição de uma ação ou característica humana a um ser não humano.
- ❌ E) Hipérbole. O trecho não se estrutura como exagero intencional; o efeito central vem da associação simbólica.
Gabarito comentado: A. **A associação entre vida e sonho deve ser lida em sentido figurado. Na correção, vale pedir que os alunos expliquem o que essa imagem pode sugerir, sem tratar a frase como uma afirmação literal.**
5. No verso “A vida é um barco à deriva”, identifique a figura de linguagem e explique seu efeito.
- ✅ A) Metáfora. A vida é apresentada como um barco sem direção. A imagem pode sugerir falta de controle ou de rumo, sem que a comparação seja marcada por “como”.
- ❌ B) Símile. O verso aproxima duas ideias, mas não usa uma marca explícita de comparação. A associação direta é característica da metáfora.
- ❌ C) Personificação. Não se atribui ao barco ou à vida uma ação ou qualidade humana.
- ❌ D) Hipérbole. O efeito não depende de um exagero; a imagem funciona como associação simbólica.
- ❌ E) Ironia. Não há evidência de que a intenção seja dizer o oposto do sentido literal.
Gabarito comentado: A. Além de nomear a figura, o estudante deve interpretar o efeito. “À deriva” contribui para a ideia de uma vida sem direção definida, e não para uma leitura literal de barco.
6. Qual é a principal figura de linguagem utilizada no verso “O amor é um mistério”? Identifique e justifique sua resposta.
- ✅ A) Metáfora. O amor é associado a um mistério de forma direta, criando uma comparação implícita e uma imagem simbólica.
- ❌ B) Metonímia. A frase não substitui um termo por outro com o qual mantenha uma relação de contiguidade.
- ❌ C) Símile. A aproximação não está marcada por “como” ou outra expressão comparativa; o verso apresenta uma metáfora.
- ❌ D) Ironia. Não há contexto que indique uma intenção contrária ao sentido literal das palavras.
- ❌ E) Personificação. Não se atribuem características humanas a um ser não humano; trata-se de uma associação entre ideias.
Gabarito comentado: A. A justificativa pode apontar que o verso não define o amor literalmente, mas o aproxima de algo difícil de compreender. Essa interpretação evidencia o funcionamento metafórico.
7. Identifique a figura de linguagem utilizada no verso “A vida é um sonho”.
- ✅ A) Metáfora. A vida é associada a um sonho sem o uso de um termo comparativo explícito, formando uma imagem simbólica.
- ❌ B) Símile. A comparação explícita normalmente apresenta uma marca como “como”; não é o caso do verso.
- ❌ C) Aliteração. O efeito principal não é a repetição de sons consonantais.
- ❌ D) Hipérbole. O verso não se caracteriza por um exagero intencional.
- ❌ E) Personificação. Não há atribuição de sentimentos ou ações humanas a um objeto ou ser não humano.
Gabarito comentado: A. A questão consolida o reconhecimento da metáfora em um enunciado breve. Para aprofundar, peça que a turma explique que sentidos a imagem de “sonho” pode sugerir no trecho.
8. Em uma atividade sobre os efeitos do contexto na construção de sentidos, quatro comentários correspondem ao que ocorreu. Em uma situação, porém, o estudante perdeu o ônibus e precisará esperar o próximo. Qual comentário emprega ironia para expressar uma ideia diferente daquela indicada literalmente pelas palavras?
- ❌ A) Que ótimo, a biblioteca abriu mais cedo! A avaliação positiva corresponde ao fato narrado; não há contraste entre a frase e a situação.
- ❌ B) Que bom, o ônibus chegou no horário! O comentário expressa uma avaliação coerente com o acontecimento descrito.
- ❌ C) Que bom, a chuva refrescou a cidade! A frase apresenta uma consequência positiva sem que o contexto fornecido indique sentido contrário.
- ✅ D) Que ótimo, perdi o ônibus novamente! A perda do ônibus causa um problema, mas o comentário chama a situação de “ótima”. O contraste entre a expressão positiva e o acontecimento indica insatisfação e caracteriza ironia.
- ❌ E) Que beleza, a fila avançou três lugares! O comentário demonstra satisfação diante de um avanço real da fila; o sentido literal combina com a situação.
Gabarito comentado: D. A ironia não está na expressão isolada: é a situação de perder o ônibus que muda a interpretação de “Que ótimo”. É importante considerar o contexto para não confundir ironia com elogio literal.
Fechamento: transformar a correção em retomada
Depois da atividade, eu reservaria alguns minutos para pedir que os alunos expliquem as respostas com uma pista do texto. Essa etapa mostra se a turma reconhece metáfora, aliteração e ironia e se consegue distinguir esses recursos de outros procedimentos de interpretação. Para ampliar a prática, consulte também as questões da habilidade EF89LP37. Você pode montar uma avaliação com os itens adequados à sua turma usando o gerador de provas do GeraProva e, se ainda não tem acesso, fazer o cadastro grátis.
Use as questões como ponto de partida e adapte a aplicação ao que sua turma precisa revisar. O gabarito comentado ajuda na correção, mas a conversa sobre as pistas do texto é sua aliada para consolidar a aprendizagem.
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