Atividades extracurriculares no ensino médio: mais participação melhora a frequência, mas nem sempre as notas
Pesquisas recentes associam atividades extracurriculares a ganhos em frequência e, em alguns contextos, no desempenho acadêmico. Mas ampliar a participação ou dedicar mais horas não garante notas melhores.
Participar de atividades extracurriculares pode estar ligado a melhor frequência escolar, mas mais atividades ou mais horas não significam automaticamente notas mais altas. Essa diferença aparece com clareza em pesquisas recentes sobre estudantes do ensino médio.
Para quem trabalha na escola, a consequência é importante: não basta perguntar se o aluno participa de esporte, arte, debate ou voluntariado. Também é preciso observar que tipo de atividade está disponível, quem consegue participar, como ela se encaixa na rotina e que resultados a escola pretende acompanhar. As pesquisas apontam associações positivas em alguns contextos, mas não sustentam uma regra única para todos os estudantes.
O que são atividades extracurriculares e por que importam para o professor?
Atividades extracurriculares são experiências organizadas que acontecem além das aulas regulares, como esportes, artes, debate, voluntariado, grêmio e outras iniciativas. Na rotina escolar, podem ocorrer depois do horário de aula ou em outros espaços ligados à escola e à comunidade. Elas importam porque envolvem tempo, participação, relações sociais e oportunidades de desenvolver interesses e competências — dimensões que podem se relacionar com frequência, notas e trajetória escolar.
O termo, porém, reúne experiências diferentes. Um treino esportivo não é igual a um grupo de teatro; um debate estruturado não tem a mesma dinâmica de uma ação voluntária. Também varia a intensidade da participação: um estudante pode frequentar uma atividade ocasionalmente, enquanto outro assume responsabilidades ou participa por um período mais longo. Por isso, tratar todas as atividades como uma coisa só pode esconder diferenças relevantes.
Para o professor, o tema aparece quando um aluno falta porque participa de uma atividade, quando demonstra interesse por um projeto ou quando a escola decide como distribuir vagas, horários e recursos. A pergunta útil não é apenas “atividade extracurricular ajuda?”, mas “qual atividade, para quais estudantes, em quais condições e com que efeitos observáveis?”.
O que a pesquisa recente mostra sobre atividades extracurriculares?
Os estudos analisados investigam relações entre atividades extracurriculares, desempenho, frequência e outros resultados educacionais. Em conjunto, sugerem que a participação pode caminhar junto com alguns indicadores positivos, mas os achados dependem do tipo de atividade, do grupo estudado e da medida usada. Os resultados não autorizam prometer melhora de notas para todo estudante ou escola.
Participação, frequência e notas não caminham sempre juntas
Um estudo com estudantes do ensino médio no Chile examinou a participação por tipo e amplitude, relacionando-a a notas em provas de linguagem e matemática e à frequência escolar. Os autores relatam associação entre participação extracurricular e ganhos na frequência, além de associação positiva significativa com notas de linguagem. Para matemática, a associação positiva foi menos consistente (Sandoval, 2026).
O tipo de atividade também fez diferença nesse estudo: participantes de artes apresentaram ganhos maiores em linguagem e frequência do que participantes de esportes. Já uma participação mais ampla, em mais atividades, esteve associada a melhor frequência, mas não influenciou as notas nas provas. Isso ajuda a separar dois resultados que às vezes são tratados como se fossem um só: estar mais presente na escola e obter notas mais altas.
Uma pesquisa com estudantes asiático-americanos do ensino médio nos Estados Unidos encontrou média geral de notas mais alta entre os que participavam de atividades físicas depois das aulas, incluindo esportes. Ao mesmo tempo, o número de horas dedicado a atividades extracurriculares não teve impacto significativo na média. O estudo também identificou relações entre desempenho, nível socioeconômico e gênero, o que recomenda cautela ao atribuir a diferença apenas à atividade (Zeng, 2023).
Esses dois estudos não dizem exatamente a mesma coisa: um identifica associações que variam por área e tipo de atividade; o outro destaca a participação em atividade física, mas não encontra efeito significativo para o total de horas. A leitura prática é evitar transformar “participar mais” em uma promessa simples de aumento das notas.
Algumas atividades específicas podem se relacionar com aprendizagens acadêmicas
O debate de políticas públicas em escolas de Boston oferece um exemplo de atividade extracurricular com foco explícito em argumentação, pensamento crítico e análise. O estudo encontrou impacto positivo nas notas de Língua Inglesa, com ganhos concentrados mais em subhabilidades analíticas do que em memorização. Os autores não encontraram prejuízos em matemática, frequência ou registros disciplinares e relatam evidências de efeitos positivos na conclusão do ensino médio e na matrícula pós-secundária (Schueler, 2025).
O resultado merece atenção também porque os impactos foram maiores entre estudantes que tinham desempenho prévio mais baixo ao ingressar no debate. Ainda assim, não significa que qualquer clube de debate terá o mesmo efeito: a pesquisa estudou uma atividade específica, em escolas públicas de Boston que atendem grande concentração de estudantes economicamente vulneráveis e negros. A experiência é informativa, mas não deve ser generalizada sem considerar diferenças de contexto.
Em um estudo longitudinal com estudantes do ensino médio, atividades organizadas cívicas — como trabalho voluntário e grêmio — e atividades não cívicas predisseram, de forma independente, aumentos na média das notas ao longo do ano letivo. A relação se manteve após o controle de covariáveis descritas pelos autores, incluindo características dos estudantes, nível socioeconômico, autoestima, relação com os pais e motivação escolar (Philippe, 2023).
Esse achado amplia o debate para além de esporte e artes. Mas “predizer aumentos” não significa que o estudo prove que a atividade, isoladamente, causou a melhora. O ponto útil para a escola é que a participação cívica também merece ser considerada quando se pensa em experiências organizadas e trajetória acadêmica.
As atividades fazem parte de uma rede de fatores, não de uma solução isolada
Um estudo com estudantes do 5º ao 12º ano examinou conjuntamente competências socioemocionais, atividades extracurriculares, aprendizagem autorregulada, motivação, emoções, habilidades cognitivas, desempenho e satisfação com a vida. As atividades extracurriculares apareceram associadas positivamente às competências socioemocionais e às habilidades cognitivas. No modelo analisado, as competências socioemocionais também se relacionaram indiretamente ao desempenho por meio da aprendizagem autorregulada e da motivação (Feraco, 2023).
Como a amostra inclui estudantes de várias etapas, esse estudo não é exclusivamente sobre ensino médio. Ele ajuda a pensar o tema de forma integrada, mas não permite afirmar que a atividade extracurricular, sozinha, elevou as notas. Em vez disso, mostra que as experiências dos estudantes se relacionam com outros componentes da vida escolar e do aprendizado.
Há também resultados ligados à trajetória após a educação básica. Em pesquisa sobre estudantes com deficiência e conclusão do ensino superior, participação em atividades extracurriculares foi um dos fatores que previram significativamente a conclusão, junto a autodefesa, participação em trabalho-estudo ou emprego remunerado e priorização de habilidades profissionais como objetivo de transição (Achola, 2025). O foco é o ensino pós-secundário, não a nota no ensino médio; portanto, é uma evidência sobre continuidade e conclusão, não uma resposta direta sobre desempenho escolar imediato.
Participar depende de acesso, condições e equilíbrio com outras necessidades
Uma pesquisa sobre engajamento de estudantes identificados simultaneamente como público da educação especial e estudantes de inglês nos Estados Unidos encontrou, nos dados nacionais, envolvimento um tanto limitado em atividades extracurriculares e frequência irregular. Nas entrevistas com 26 estudantes de um distrito do nordeste dos Estados Unidos, porém, as percepções sobre o próprio engajamento foram positivas. Os autores apontam a necessidade de examinar variações dentro do grupo e ampliar parcerias entre escola e comunidade (Trainor, 2023).
A diferença entre indicadores e percepções é instrutiva: uma medida externa de participação não conta necessariamente toda a experiência do estudante. Para a escola, isso reforça a importância de perguntar aos próprios alunos o que facilita ou dificulta seu envolvimento, em vez de interpretar baixa participação como falta de interesse.
O tempo também tem limites. Em uma comunidade semirrural da Geórgia, grupos focais com estudantes, pais e profissionais identificaram que atividades acadêmicas e não acadêmicas competiam com as necessidades de sono; o uso de tecnologia à noite também influenciava negativamente os hábitos de sono. Os participantes relacionaram sono inadequado a prejuízos no desempenho acadêmico e na saúde emocional (Perez Zarate, 2023). O estudo não mede o efeito de uma atividade extracurricular específica sobre as notas, mas alerta que a agenda do estudante não é ilimitada.
Por fim, um estudo sobre escolas secundárias dos Estados Unidos investigou como características escolares se relacionavam com participação e cargos de liderança em dez áreas extracurriculares. O resumo descreve o objetivo e informa que os autores oferecem recomendações para níveis equitativos de participação, mas não detalha quais fatores tiveram quais resultados. Assim, a contribuição que podemos afirmar é a própria atenção às condições escolares e à distribuição de oportunidades, não um resultado específico sobre uma característica isolada (Lingo, 2025).
Como os estudos se comparam?
Os estudos diferem na pergunta, na população e no resultado observado. A tabela resume o que cada pesquisa citada permite afirmar sem misturar notas, frequência, engajamento e trajetória pós-secundária.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Sandoval (2026) | Tipo e amplitude de participação, notas e frequência | Associação com frequência e linguagem; relação menos consistente com matemática. Mais amplitude se associou à frequência, não às notas. | Chile; ensino médio. |
| Schueler (2025) | Debate de políticas públicas e resultados escolares | Impacto positivo em Língua Inglesa; ganhos sobretudo analíticos; sem prejuízo identificado em matemática, frequência ou disciplina; evidências positivas em conclusão e matrícula pós-secundária. | Escolas públicas de Boston; anos finais do fundamental e ensino médio. |
| Lingo (2025) | Características escolares, participação e liderança extracurricular | Investiga como características da escola moldam participação e liderança; o resumo não detalha resultados específicos. | Estados Unidos; décimo segundo ano e dez áreas de atividades. |
| Achola (2025) | Antecedentes da conclusão do ensino superior por estudantes com deficiência | Participação extracurricular foi um dos fatores que previram conclusão, junto a outros fatores. | Ensino pós-secundário; estudantes com deficiência. |
| Zeng (2023) | Atividade física, fatores associados e média geral de notas | Atividade física após as aulas associou-se a média mais alta; número de horas extracurriculares não teve impacto significativo na média. | Estados Unidos; 956 estudantes asiático-americanos do ensino médio. |
| Trainor (2023) | Engajamento escolar de estudantes que recebem educação especial e apoio a estudantes de inglês | Dados nacionais indicaram engajamento extracurricular limitado; entrevistas trouxeram percepções positivas dos estudantes. | Estados Unidos; estudantes do ensino médio, incluindo 26 entrevistados de um distrito do nordeste. |
| Perez Zarate (2023) | Fatores que influenciam o sono de estudantes | Atividades acadêmicas e não acadêmicas competiam com o sono; tecnologia noturna também influenciava hábitos. | Comunidade semirrural da Geórgia; grupos focais em 2019. |
| Feraco (2023) | Modelo integrado de competências, atividades e resultados | Atividades associadas positivamente a competências socioemocionais e habilidades cognitivas. | 603 estudantes do 5º ao 12º ano; país não informado no resumo. |
| Philippe (2023) | Atividades cívicas e não cívicas e média escolar ao longo do ano | Ambos os tipos predisseram aumentos independentes na média, após controles descritos. | 1.035 estudantes de escolas de ensino médio; país não informado no resumo. |
Quais pontos em comum e divergências aparecem?
O ponto comum mais sólido é que as atividades extracurriculares não devem ser vistas apenas como um intervalo entre aulas. Em diferentes pesquisas, elas aparecem relacionadas à frequência, a notas em determinadas áreas, a competências, ao engajamento ou a etapas posteriores da educação. Mas cada estudo observa um resultado diferente, e essa distinção impede somar todos os achados como se fossem provas de uma mesma melhora geral.
As divergências são concretas. No Chile, a associação com matemática foi menos consistente do que com linguagem, e a amplitude de participação se associou à frequência, não às notas (Sandoval, 2026). Entre estudantes asiático-americanos, participar de atividade física depois das aulas se relacionou com média mais alta, enquanto o total de horas não apresentou impacto significativo (Zeng, 2023). Já o debate em Boston teve resultados acadêmicos específicos em Língua Inglesa (Schueler, 2025).
Também variam os desenhos e as populações. Há estudos sobre grupos específicos, como estudantes asiático-americanos, estudantes com deficiência ou alunos que recebem simultaneamente serviços de educação especial e apoio a estudantes de inglês. Outros analisam estudantes de etapas diferentes ou resultados de longo prazo. Portanto, uma associação observada em um grupo não deve virar expectativa uniforme para toda a escola.
O que permanece em aberto é como as características de cada atividade, a qualidade da participação, o acesso e as condições da escola se combinam. Os resumos também não permitem comparar diretamente a força de todos os resultados. Para a tomada de decisão, vale separar hipótese promissora de conclusão já sustentada para uma realidade local.
Como aplicar essas evidências na sala de aula e na escola?
Uma forma prudente de usar a pesquisa é transformar seus achados em perguntas e pequenos procedimentos de acompanhamento, sem apresentar as sugestões abaixo como resultados comprovados pelos estudos. As pesquisas não prescrevem um programa único para escolas brasileiras; as ideias seguintes são aplicações possíveis para o cotidiano escolar.
1. Acompanhe frequência e notas como indicadores separados
Aplicação sugerida: ao avaliar um projeto extracurricular, registre presença nas aulas e resultados acadêmicos em campos distintos. Imagine uma turma em que estudantes de um clube de teatro passam a faltar menos, mas as notas permanecem semelhantes. Isso ainda pode ser um sinal relevante de vínculo com a escola, sem ser descrito como melhora acadêmica automática. Essa separação dialoga com o estudo chileno, que encontrou associações diferentes para frequência e notas (Sandoval, 2026).
2. Observe o tipo de atividade, não apenas a quantidade
Aplicação sugerida: em vez de contar somente quantos clubes existem ou quantas horas cada estudante participa, identifique o que cada atividade oferece e quais resultados a escola espera observar. Por exemplo, um grupo de artes pode propor atividades de linguagem e expressão, enquanto uma equipe esportiva pode perseguir outros objetivos. Isso não prevê o resultado de cada estudante, mas ajuda a formular perguntas mais precisas, considerando que os estudos encontraram diferenças entre tipos de atividade (Sandoval, 2026; Zeng, 2023).
3. Inclua atividades cívicas nas oportunidades oferecidas
Aplicação sugerida: uma escola pode mapear oportunidades como grêmio, voluntariado ou projetos de participação comunitária, além de esporte e artes. Imagine que alguns estudantes não se identificam com equipes esportivas, mas gostariam de organizar uma ação coletiva. Criar espaço para essa modalidade amplia as formas de participação. A pesquisa de Philippe (2023) encontrou associação preditiva entre atividades cívicas e aumentos na média, mas não permite prometer que qualquer projeto local produzirá o mesmo resultado.
4. Pergunte aos estudantes o que facilita ou impede a participação
Aplicação sugerida: faça uma consulta simples sobre horários, transporte, acolhimento e interesses, sem presumir que quem não participa é desinteressado. Imagine estudantes que gostam de uma atividade, mas não conseguem permanecer depois da aula. Conversar com eles pode revelar barreiras que um registro de presença não mostra. A diferença entre dados nacionais e percepções de estudantes observada por Trainor (2023) sustenta a utilidade de ouvir a experiência dos próprios alunos, sem transformar a consulta em diagnóstico definitivo.
5. Planeje a carga extracurricular junto com a rotina de descanso
Aplicação sugerida: quando a escola organiza atividades, considere se a soma de tarefas, deslocamentos e compromissos deixa espaço para o sono. Por exemplo, antes de acrescentar encontros noturnos, uma equipe pode conversar com estudantes e famílias sobre a rotina semanal. O estudo realizado na Geórgia identificou competição entre atividades acadêmicas e não acadêmicas e necessidades de sono, além de influência do uso noturno de tecnologia (Perez Zarate, 2023). Isso é um alerta para planejar, não uma fórmula de horários.
6. Crie formas variadas de participação e liderança
Aplicação sugerida: ofereça tarefas diferentes dentro de um mesmo projeto, como organização, pesquisa, comunicação oral ou apoio entre colegas. Imagine um clube em que nem todos querem ocupar uma função pública, mas várias pessoas podem contribuir de outros modos. Essa proposta pode ajudar a escola a refletir sobre acesso e distribuição de oportunidades, questão investigada por Lingo (2025). O resumo não permite indicar qual formato garante participação equitativa; cabe observar quem entra, quem permanece e quem assume responsabilidades.
7. Faça avaliações de projeto com perguntas pequenas e regulares
Aplicação sugerida: ao final de cada período, compare objetivos previamente definidos com indicadores simples: frequência, continuidade, participação percebida e resultados que façam sentido para a atividade. Imagine uma oficina de debate que acompanha a presença e propõe tarefas de argumentação, sem atribuir toda mudança de nota ao clube. A pesquisa de Boston mostra que uma atividade estruturada pode se relacionar a resultados específicos em Língua Inglesa (Schueler, 2025); uma avaliação local ajuda a escola a saber se sua proposta está chegando aos estudantes.
O que muda quando levamos esses estudos para o Brasil?
Os estudos têm contextos diversos: Chile, Estados Unidos e, em alguns resumos, país não informado. A pesquisa chilena é particularmente próxima do tema por analisar estudantes do ensino médio e relacionar tipos de atividade a frequência e provas. Ainda assim, ela não representa automaticamente escolas brasileiras: organização escolar, oferta de atividades, horários, recursos e condições de participação podem ser diferentes.
Os resultados de Boston sobre debate são específicos a escolas públicas daquele contexto, e o estudo de Zeng se concentra em estudantes asiático-americanos nos Estados Unidos. As pesquisas sobre engajamento e sono também vêm de contextos norte-americanos. Não se deve transferir políticas, categorias administrativas ou conclusões de um grupo para estudantes brasileiros sem verificar as diferenças relevantes.
Na prática brasileira, a adaptação pode começar por perguntas locais: quais atividades existem de fato? Quem consegue chegar e permanecer? Há custos, deslocamentos ou responsabilidades fora da escola que afetam a participação? Como estudantes com diferentes necessidades percebem as oportunidades? Essas perguntas são propostas de aplicação, não resultados dos estudos fornecidos. Elas ajudam a evitar que uma oferta formal seja confundida com acesso real.
Também vale ter cuidado com a desigualdade de oportunidades. A pesquisa de Lingo (2025) examina como características escolares se relacionam com participação e liderança nos Estados Unidos, sem apresentar no resumo resultados específicos por característica. Ainda assim, o tema de distribuição equitativa é relevante como questão a investigar localmente. Uma escola brasileira pode acompanhar inscrições, permanência e acesso a funções de liderança para verificar se as oportunidades estão alcançando públicos diversos.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes indexados no ERIC, não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem apresentar perguntas de pesquisa, populações e resultados relatados, mas não detalhar todos os métodos, instrumentos, análises, limitações ou condições de implementação. Por isso, as conclusões foram mantidas no alcance descrito em cada resumo.
Há perguntas em aberto: quanto os resultados dependem da qualidade e da duração das atividades? Como se distribuem as oportunidades entre estudantes de uma mesma escola? Que fatores explicam a relação entre participação e notas? Em que condições uma associação representa influência da atividade e em que condições estudantes que já tinham certos recursos ou interesses tendem a participar? Os resumos disponíveis não permitem responder a tudo isso de forma comparável.
Também é importante não tratar resultados de frequência, notas, habilidades, sono, conclusão do ensino superior e matrícula pós-secundária como medidas equivalentes. Cada estudo acompanha um aspecto próprio. Para decidir investimentos, replicar um programa ou sustentar uma política escolar, faz sentido ler os estudos completos, verificar as populações e os métodos e, quando possível, reunir dados da própria comunidade escolar.
Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?
O GeraProva pode apoiar o professor na elaboração de provas e atividades para acompanhar aprendizagens relacionadas a projetos, sem substituir a observação da participação, da frequência ou das condições de acesso. Você pode conhecer o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis para explorar a plataforma.
Perguntas frequentes sobre atividades extracurriculares e desempenho
Atividades extracurriculares melhoram as notas de todos os estudantes?
Não é possível afirmar isso. Os estudos relatam associações positivas em alguns contextos, mas os resultados variam conforme atividade, população e medida. No Chile, a associação foi significativa para linguagem e menos consistente para matemática; maior amplitude de participação se relacionou à frequência, mas não às notas. Em outro estudo, estudantes que participavam de atividade física depois das aulas tiveram média mais alta, mas o número de horas extracurriculares não teve impacto significativo na média. Portanto, participação não é garantia de melhora individual.
Participar de mais atividades é melhor do que se dedicar a uma só?
Os estudos fornecidos não sustentam uma regra geral de que mais atividades sejam sempre melhores. No estudo chileno, maior amplitude de participação esteve associada a melhor frequência escolar, mas não influenciou as notas em provas. No estudo com estudantes asiático-americanos, o número de horas extracurriculares não teve impacto significativo na média geral de notas. Isso sugere que a escola deve distinguir quantidade, tipo e experiência de participação, sem pressupor que aumentar o número de compromissos produza automaticamente resultados acadêmicos mais altos.
Esporte ou artes: qual atividade se relaciona mais com o desempenho?
Não há uma vencedora universal nos estudos apresentados. Na pesquisa chilena, participantes de artes tiveram ganhos maiores em linguagem e frequência do que participantes de esportes. Já o estudo com estudantes asiático-americanos encontrou média mais alta entre participantes de atividades físicas após as aulas, incluindo esportes. São contextos e análises diferentes, portanto não permitem uma comparação direta entre modalidades. Uma escola pode oferecer opções variadas e observar quais resultados aparecem em sua realidade, sem atribuir a uma atividade um efeito garantido.
As atividades extracurriculares podem ajudar na frequência escolar?
Há evidência de associação positiva em alguns dos estudos. A pesquisa chilena encontrou ganhos na frequência associados à participação extracurricular, e a amplitude de participação também esteve associada a melhor frequência. O estudo não autoriza concluir que toda atividade fará todos os estudantes comparecerem mais. A frequência pode ser acompanhada como um indicador próprio, separado das notas. Para aplicação na escola, é útil verificar quem participa, se consegue manter a participação e como os próprios estudantes descrevem a relação entre a atividade e seu vínculo com a rotina escolar.
Atividades extracurriculares podem prejudicar o sono ou sobrecarregar os alunos?
Um estudo em uma comunidade semirrural da Geórgia identificou que atividades acadêmicas e não acadêmicas competiam com as necessidades de sono. Também apontou influência negativa do uso de tecnologia à noite e relacionou sono inadequado a prejuízos no desempenho acadêmico e na saúde emocional. Isso não prova que cada atividade extracurricular prejudica o sono, mas mostra que o tempo disponível é limitado e que as demandas precisam ser consideradas em conjunto. Ao organizar horários, a escola pode ouvir estudantes e famílias e observar possíveis conflitos na rotina.
Como avaliar se uma atividade está funcionando na minha escola?
Uma forma de começar é definir o objetivo antes de acompanhar resultados. Se a proposta busca ampliar o vínculo escolar, observe frequência e continuidade; se envolve argumentação, planeje tarefas que permitam observar essa aprendizagem. Esses são procedimentos sugeridos para aplicação, não uma recomendação específica testada por todos os estudos. A pesquisa sobre debate em Boston encontrou resultados em Língua Inglesa para uma atividade estruturada, enquanto outras pesquisas analisaram frequência ou média escolar. Separar os indicadores ajuda a evitar atribuir a um projeto mudanças que podem ter outras explicações.
Referências
- Sandoval, Alexandra; Muschkin, Clara G.; Arrau-Garcia, Matias (2026). Participação em Atividades Extracurriculares e Desempenho Acadêmico no Ensino Médio: A Amplitude e o Tipo de Atividade Importam? (Participation in Extracurricular Activities and High School Academic Performance: Does Breadth and Type of Activity Matter?). International Journal of Research in Education and Science. Link.
- Schueler, Beth E.; Larned, Katherine E. (2025). O debate de políticas públicas interescolar promove o pensamento crítico e o ingresso no ensino superior: evidências das escolas públicas de Boston (Interscholastic Policy Debate Promotes Critical Thinking and College-Going: Evidence from Boston Public Schools). Educational Evaluation and Policy Analysis. Link.
- Lingo, Mitchell D.; An, Brian P. (2025). Competição em Nível Escolar por Recursos de Atividades Extracurriculares em Escolas Secundárias dos Estados Unidos (School-Level Competition for US High School Extracurricular Resources). Research Papers in Education. Link.
- Achola, Edwin O.; Ingram, James (2025). Concluir a faculdade: antecedentes do sucesso no ensino superior para estudantes com deficiência (Completing College: Antecedents of Success in Post-Secondary Education for Students with Disabilities). Journal of the American Academy of Special Education Professionals. Link.
- Zeng, Howard Z.; Weston, Raymond Eric; Archimandritis, Jason (2023). Influência da atividade física, do nível socioeconômico, da segurança percebida e de fatores demográficos na média geral de notas de estudantes asiático-americanos: relatório do Estudo Longitudinal Nacional do Ensino Médio (Influence of Physical Activity, SES, Perceived Safety, and Demographic Factors on the GPA of Asian American Students: Report of the National High School Longitudinal Study). International Journal of Research in Education and Science. Link.
- Trainor, Audrey; Newman, Lynn; Romano, Lindsay (2023). Contextualizando o engajamento escolar durante a transição de estudantes que recebem serviços de educação especial e de apoio a estudantes de inglês (Contextualizing School Engagement during Transition for Students Receiving Special Education and English Learner Services). Journal of Special Education. Link.
- Perez Zarate, Raul; Colman, Olivia; Blake, Sarah C.; Watson, Autumn; Lee, Yi-Ting H.; Grooms, Kya; Quader, Zerleen S.; Welsh, Jean A.; Gazmararian, Julie A. (2023). Fatores que influenciam os hábitos de sono de estudantes do ensino médio: resultados de uma comunidade semirrural da Geórgia (Factors That Influence Sleep Behaviors of High School Students: Findings from a Semi-Rural Community in Georgia). Journal of School Health. Link.
- Feraco, Tommaso; Resnati, Dario; Fregonese, Davide; Spoto, Andrea; Meneghetti, Chiara (2023). Um modelo integrado do desempenho acadêmico e da satisfação com a vida de estudantes da educação básica: articulando competências socioemocionais, atividades extracurriculares, aprendizagem autorregulada, motivação e emoções (An Integrated Model of School Students' Academic Achievement and Life Satisfaction. Linking Soft Skills, Extracurricular Activities, Self-Regulated Learning, Motivation, and Emotions). European Journal of Psychology of Education. Link.
- Philippe, Frederick L.; Gingras, Marie-Pier; Ghassemi-Bakhtiari, Nessa; Poulin, François; Robitaille, Jean; Denault, Anne-Sophie; Dandeneau, Stéphane; Geoffroy, Marie-Claude (2023). Atividades cívicas e não cívicas organizadas como preditoras do rendimento acadêmico de estudantes do ensino médio (Organized Civic and Non-Civic Activities as Predictors of Academic GPA in High School Students). Applied Developmental Science. Link.
Que atividade extracurricular faria sentido ampliar ou conhecer melhor na sua escola? Comece pela conversa com os estudantes e observe, com calma, o que muda na participação e na aprendizagem.
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