Atividades de Escravidão, servidão e trabalho livre no mundo antigo para o 6º ano com gabarito
Reúna atividades de História para comparar escravidão, servidão e trabalho livre no mundo antigo com turmas do 6º ano. Confira oito questões com gabarito comentado e sugestões para trabalhar a habilidade EF06HI17.
Quando trabalho esse assunto com o 6º ano, procuro ajudar a turma a olhar além da tarefa realizada. Pessoas que plantavam, transportavam cargas ou produziam objetos podiam viver condições muito diferentes: algumas eram tratadas como propriedade, outras estavam vinculadas à terra e outras negociavam o próprio trabalho. Essa comparação dá sentido ao estudo das relações sociais no mundo antigo.
Na prática, textos com personagens e situações concretas permitem discutir essas diferenças sem reduzir tudo a “trabalho obrigatório”. Nas atividades abaixo, os estudantes precisam observar pagamento, possibilidade de sair, vínculo com a terra e controle sobre a própria vida. Esses indícios orientam a classificação e ajudam a explicar por que escravidão, servidão e trabalho livre não são termos intercambiáveis.
O que o aluno de 6º ano precisa saber sobre Escravidão, servidão e trabalho livre no mundo antigo
Para comparar essas formas de trabalho, o aluno precisa identificar as condições descritas em cada situação, e não apenas a tarefa executada. No mundo antigo, a pessoa escravizada podia ser tratada como propriedade, ser transferida ou vendida, não receber pagamento e ter pouca ou nenhuma autonomia sobre suas atividades e deslocamentos. A servidão, por sua vez, envolvia dependência e obrigações ligadas à terra: a família podia entregar parte da produção ou cumprir dias de trabalho para um senhor e não ter liberdade para deixar o lote. Isso não significa que o servo fosse apresentado como um bem negociável da mesma maneira que a pessoa escravizada. Já o trabalhador livre podia negociar a remuneração ou as condições do serviço e, conforme os exemplos, procurar outro contratante. Comparar direitos, deveres, pagamento, mobilidade e controle pessoal ajuda a distinguir as relações e a compreender que pessoas realizando tarefas semelhantes podiam ocupar posições sociais e jurídicas diferentes.
O que ele precisa saber antes
As questões pressupõem que os alunos reconheçam diferenças entre grupos sociais e compreendam que o trabalho se relacionava com hierarquias e condições jurídicas. Também é útil retomar formas de trabalho na Antiguidade, a ideia de servidão por dívida e as distinções entre servidão, escravidão e trabalho livre. Nos exemplos, aparecem sociedades da Mesopotâmia, cidades gregas e contextos do Mediterrâneo antigo; o foco está em interpretar as situações apresentadas, não em decorar nomes de personagens.
Antes da atividade, vale conferir se a turma sabe localizar no texto informações diretas: quem pode vender ou transferir uma pessoa, quem precisa permanecer ligado à terra e quem combina pagamento ou pode procurar outro contratante. Esse exercício de leitura prepara os estudantes para justificar a classificação com evidências, em vez de escolher uma resposta apenas por associação de palavras.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente apontado nas questões é confundir o servo, que trabalha vinculado à terra e cumpre obrigações, com a pessoa escravizada, submetida a trabalho forçado, sem pagamento e sem autonomia pessoal. A confusão pode ocorrer porque ambos os grupos aparecem em situações de dependência e sem liberdade plena. Para distingui-los, é preciso notar o tipo de vínculo: na servidão, a dependência aparece associada ao lote, à produção e às obrigações com o senhor; na escravidão, a pessoa pode ser tratada como propriedade e transferida.
O distrator mais provável na questão sobre Maru, por exemplo, é a alternativa que classifica Asalu, capturado e vendido, como caso de servidão. O texto, porém, diferencia a dívida que obriga Maru a trabalhar até quitá-la da captura e venda de Asalu. Em outras questões, as alternativas erradas generalizam: entregar parte da colheita não torna automaticamente alguém escravizado, e realizar uma tarefa difícil não basta para classificar uma relação de trabalho. Recomendo pedir que os alunos apontem a frase que sustenta cada resposta e comparem liberdade de saída, pagamento e possibilidade de negociação.
Como trabalhar em sala
- Monte uma tabela comparativa no quadro. Use três colunas — escravidão, servidão e trabalho livre — e linhas para pagamento, vínculo com a terra, possibilidade de sair e controle sobre o trabalho. A turma preenche a tabela com informações retiradas dos enunciados.
- Faça leitura com marcação de pistas. Peça aos alunos que sublinhem expressões como “podia ser vendido”, “não podia deixar a terra” e “combinava o preço”. Depois, cada dupla explica como uma pista altera a classificação.
- Compare situações sem confundir tarefa e condição. Se duas pessoas trabalham na agricultura, por exemplo, isso não significa que tenham a mesma condição. Oriente a turma a observar direitos e obrigações descritos, não apenas a ocupação.
- Organize uma correção dialogada. Em vez de anunciar somente a letra correta, convide os estudantes a explicar por que um distrator parece possível e qual informação do texto o contradiz. Isso torna visível o raciocínio usado na escolha.
- Finalize com uma justificativa curta. Após resolver, cada aluno escreve uma frase comparando duas formas de trabalho e cita uma evidência do enunciado. É uma forma simples de verificar compreensão e preparar uma retomada específica.
Questões prontas de Escravidão, servidão e trabalho livre no mundo antigo para o 6º ano (com gabarito comentado)
As questões a seguir trabalham comparação e interpretação de situações históricas, em alinhamento com a habilidade questões da habilidade EF06HI17. Na correção, incentive a turma a relacionar cada alternativa às pistas do texto.
1. Na antiga planície da Mesopotâmia, um escriba registrou as atividades de três grupos de trabalhadores. Qual característica distingue o trabalhador escravizado dos servos e dos trabalhadores livres?
O texto informa que os escravizados eram capturados ou comprados, não recebiam pagamento e precisavam de autorização para se casar. Os servos trabalhavam vinculados à terra; os trabalhadores livres negociavam o preço e podiam migrar.
- ❌ A) Posse de família e herança do status de trabalhador. A transmissão da condição aos filhos aparece como característica dos servos no texto, não como o traço que distingue os escravizados.
- ❌ B) Registro das atividades feito por um escriba da propriedade. O escriba registra as atividades, mas isso não informa a condição de trabalho de cada grupo.
- ❌ C) Serviço vinculado à terra sem salário, mas com proteção do senhor. Essa descrição corresponde aos servos.
- ✅ D) Trabalho forçado sem pagamento e sem autonomia pessoal. Os escravizados não recebiam pagamento e dependiam da autorização do senhor para se casar; os livres negociavam e podiam migrar.
- ❌ E) Prestação de serviços remunerados com liberdade de migração. Essas características são atribuídas aos trabalhadores livres.
Gabarito comentado: D. A comparação entre pagamento, autonomia e vínculo com a terra permite separar as três condições.
2. Em antigas cidades da Mesopotâmia, Maru foi obrigado a trabalhar nas plantações de um credor até quitar uma dívida; Asalu foi capturado e vendido como escravo; Ninni prestava serviços no templo e podia negociar livremente. Qual situação exemplifica servidão?
- ✅ A) Maru trabalhando nas plantações do comerciante para pagar dívida. O trabalho obrigatório está condicionado à quitação da dívida e caracteriza servidão por dívida no exemplo.
- ❌ B) Asalu recebendo pagamento pelo trabalho após ser capturado. O texto afirma que Asalu não recebeu pagamento; ele foi vendido como escravo.
- ❌ C) Ninni recebendo pagamento por serviços prestados no templo. Ninni podia negociar seu trabalho, portanto o exemplo se aproxima do trabalho livre remunerado.
- ❌ D) Asalu sendo vendido como escravo em disputa territorial. Captura e venda indicam escravidão, não servidão por dívida.
- ❌ E) Maru trabalhando nas plantações por escolha própria. O enunciado diz que ele foi obrigado a trabalhar para quitar a dívida.
Gabarito comentado: A. A obrigação de Maru decorre da dívida; não se deve confundi-la com a captura e venda de Asalu nem com o serviço negociado por Ninni.
3. Três documentos descrevem Bel-ili, transferido como bem entre proprietários; uma família que cultiva terra, entrega parte da colheita e não pode sair sem autorização; e uma tecelã que combina pagamento e pode aceitar encomendas de outros compradores. Qual legenda classifica as situações nessa ordem?
- ❌ A) Trabalho livre, escravidão e servidão. Inverte os critérios: a tecelã negocia o pagamento e pode atender outros compradores, enquanto Bel-ili é transferido como bem.
- ❌ B) Servidão, escravidão e trabalho livre. Bel-ili aparece como bem transferido, o que indica escravidão; a família, por sua vez, está vinculada à terra.
- ❌ C) Trabalho livre, servidão e escravidão. Desconsidera a condição de propriedade de Bel-ili e a autonomia da tecelã.
- ✅ D) Escravidão, servidão e trabalho livre. Bel-ili é tratado como bem; a família tem vínculo e obrigações com a terra; a tecelã negocia e pode buscar clientes.
- ❌ E) Escravidão, trabalho livre e servidão. A família não trabalha livremente: não pode deixar a terra sem autorização e deve obrigações.
Gabarito comentado: D. O texto oferece pistas diferentes para cada pessoa: transferência como bem, dependência do lote e negociação de serviços.
4. Aulo recebia por dias de colheita e podia buscar outro contratante; Brica foi capturada e podia ser trocada por uma carroça; Cássio cultivava um lote, entregava parte da produção e sua família só podia sair com autorização. Como se diferencia a condição de Cássio?
- ❌ A) Trabalho livre, pois entregar produção resulta sempre de acordo temporário. A alternativa generaliza a entrega de produção e ignora a permanência obrigatória da família.
- ❌ B) Trabalho livre, pois cultivar um lote garantia a escolha de permanecer ou sair. Cássio não podia deixar a terra por decisão própria.
- ❌ C) Escravidão, pois entregar produção o transformava em bem do proprietário. A entrega de parte da produção não equivale à posse da pessoa; a possibilidade de troca como bem aparece no caso de Brica.
- ❌ D) Escravidão, pois a obrigação do filho equivale à venda de uma pessoa. O texto indica vínculo familiar à terra, não venda da família como propriedade.
- ✅ E) Servidão, pois sua família dependia da terra e não podia deixá-la livremente. A restrição de saída e a obrigação de permanecer no lote caracterizam servidão no exemplo.
Gabarito comentado: E. Aulo pode negociar outro serviço, Brica é tratada como bem e Cássio está ligado à terra por obrigações.
5. Três registros descrevem um prisioneiro de guerra transferido como bem, uma família que entrega parte da colheita e não pode sair da propriedade sem autorização e um marinheiro que combina pagamento e decide se aceita outro acordo. Qual classificação é adequada?
- ❌ A) Prisioneiro servil, família livre e marinheiro escravizado. A venda caracteriza escravidão; a família depende da terra; o marinheiro pode escolher novos acordos.
- ❌ B) Prisioneiro servil, família escravizada e marinheiro livre. A família tem obrigações ligadas à terra, mas não é apresentada como propriedade vendável.
- ✅ C) Prisioneiro escravizado, família servil e marinheiro em trabalho livre. O prisioneiro é tratado como bem, a família está vinculada à terra e o marinheiro pode contratar e encerrar o acordo.
- ❌ D) Prisioneiro livre, família escravizada e marinheiro servil. O prisioneiro não controla sua condição e o marinheiro não está preso a uma terra ou senhor permanente.
- ❌ E) Prisioneiro escravizado, família livre e marinheiro servil. A família não pode sair sem autorização, enquanto o marinheiro negocia o próprio acordo.
Gabarito comentado: C. Compare os direitos e deveres descritos para cada pessoa, em vez de se basear apenas na atividade que exerce.
6. Em relatos sobre cidades gregas antigas, um camponês espartano não pode deixar a terra e entrega parte da produção; uma jovem capturada em Atenas pode ser vendida; e um oleiro combina preço e pode procurar outro comprador. Como se classificam as situações I, II e III?
- ❌ A) I = servidão; II = trabalho livre; III = escravidão. A alternativa inverte II e III: na situação II não há escolha, enquanto na III há negociação.
- ❌ B) I = trabalho livre; II = escravidão; III = servidão. A situação I não permite sair nem decidir para quem produzir, portanto não é trabalho livre; a III descreve autonomia.
- ❌ C) I = escravidão; II = trabalho livre; III = servidão. A jovem foi capturada e pode ser vendida; o oleiro combina preço e pode procurar compradores.
- ❌ D) I = escravidão; II = servidão; III = trabalho livre. Confunde os dois primeiros casos: I mostra dependência da terra, enquanto II envolve captura e possibilidade de venda.
- ✅ E) I = servidão; II = escravidão; III = trabalho livre. O camponês está ligado à terra; a jovem é vendável; o oleiro negocia e escolhe.
Gabarito comentado: E. A sequência se apoia no vínculo com a terra, na possibilidade de venda e na negociação do trabalho.
7. Em três histórias, um homem vendido após uma guerra não recebe pagamento; um camponês depende de um lote, entrega parte da colheita e deve dias de trabalho; um carregador combina o valor do serviço e procura outro contratante. Qual relação representa a servidão?
- ❌ A) Aprender um ofício na casa de um mestre e receber apenas moradia e comida. Aprendizado e dependência de formação não são, por si, o vínculo com a terra e as obrigações descritos na servidão.
- ✅ B) Viver em lote do senhor, entregar parte da produção e cumprir dias de trabalho. A dependência do lote e as obrigações ao senhor caracterizam servidão no exemplo.
- ❌ C) Trabalhar em obra pública por convocação da cidade, por tempo determinado. A convocação temporária não estabelece o vínculo com senhor e lote apresentado no texto.
- ❌ D) Ser vendido, não receber pagamento e não poder abandonar o dono. Venda e posse indicam escravidão, não servidão.
- ❌ E) Negociar o valor do serviço, receber por dia e trocar de contratante. A possibilidade de negociar e mudar de contratante indica trabalho livre.
Gabarito comentado: B. O ponto decisivo é a dependência ligada ao lote, com entrega de produção e prestação de serviços.
8. Um homem capturado em guerra pode ser comprado ou vendido; uma família camponesa entrega parte da colheita e não pode sair da propriedade sem autorização; uma artesã negocia preços e pode trocar de cidade. Qual é a sequência correta?
- ✅ A) Primeiro: escravidão; segundo: servidão; terceiro: trabalho livre. Compra e venda de pessoa, dependência ligada à terra e negociação com mobilidade são as pistas de cada caso.
- ❌ B) Primeiro: escravidão; segundo: trabalho livre; terceiro: servidão. A família não tem liberdade de saída; a artesã, por outro lado, negocia e pode mudar de cidade.
- ❌ C) Primeiro: servidão; segundo: trabalho livre; terceiro: escravidão. O primeiro relato envolve compra e venda, enquanto o terceiro apresenta autonomia e negociação.
- ❌ D) Primeiro: trabalho livre; segundo: servidão; terceiro: escravidão. A captura e a possibilidade de venda no primeiro relato contradizem a ideia de trabalho livre.
- ❌ E) Primeiro: servidão; segundo: escravidão; terceiro: trabalho livre. Confunde as duas primeiras situações: no primeiro há venda da pessoa; no segundo, dependência ligada à terra.
Gabarito comentado: A. A classificação acompanha os indícios expressos em cada relato, sem tratar todas as formas de dependência como iguais.
Próximos passos
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