Atividade de matemática para autista: 1º ao 3º ano
Duas folhas de atividades de matemática para alunos autistas do 1º ao 3º ano, com instruções diretas, progressão de dificuldade, sugestões de adaptação e gabarito completo.
Estas atividades de matemática atendem alunos autistas do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental e podem ser ajustadas ao que cada estudante já sabe. As duas folhas trabalham contagem, comparação, adição, subtração e sequências, em cerca de 25 a 40 minutos. As instruções são curtas e o professor pode oferecer objetos para manipular antes do registro.
Como preparar a atividade para o aluno?
O diagnóstico não determina sozinho o conteúdo, o ritmo ou o modo de participação de um aluno. Antes de imprimir, observe o que ele já realiza com autonomia e consulte os registros pedagógicos e a equipe que acompanha a escolarização, quando houver. As folhas abaixo apresentam uma progressão possível, não uma expectativa fixa para todos os estudantes dessa faixa.
- Organize o espaço: deixe visíveis apenas os materiais necessários para a tarefa atual. Se isso ajudar o aluno, use uma mesa com poucos estímulos visuais.
- Antecipe a sequência: diga ou mostre: “Primeiro, faremos a folha 1; depois, a folha 2; por fim, conferiremos”. Um cartão ou lista simples pode representar essas etapas.
- Leia uma instrução por vez: aguarde a resposta antes de repetir ou acrescentar explicações. Evite transformar uma orientação curta em várias perguntas simultâneas.
- Permita diferentes formas de responder: o aluno pode apontar, falar, mover peças ou escrever, conforme o objetivo e suas possibilidades. Se a habilidade avaliada for o registro numérico, combine o apoio sem substituir a resposta que se quer observar.
- Ofereça pausa e escolha: se necessário, divida a proposta em blocos menores e combine quando retomar. Não é preciso concluir as duas folhas de uma só vez.
Separe lápis e, se forem úteis, 20 tampinhas, cubos ou fichas. O material concreto deve ajudar a representar quantidades, não virar uma etapa obrigatória para quem já resolve mentalmente. Para reduzir cópia, o professor pode ler os itens e o aluno registrar apenas as respostas.
Folha 1 — Contar, comparar e completar
Orientação para o aluno: “Faça um item de cada vez. Conte, compare ou complete. Você pode usar tampinhas para ajudar.” Para os itens 1 a 3, desenhe pequenos círculos no papel se não houver peças disponíveis. O adulto pode ler os enunciados sem explicar a resposta.
- Conte: ● ● ● ●. Quantas figuras há?
- Conte: ● ● ● ● ● ● ●. Quantas figuras há?
- Há 9 tampinhas. Separe 5. Quantas ficam sem separar?
- Complete a sequência: 2, 3, 4, __, __.
- Complete a sequência: 10, 9, 8, __, __.
- Qual grupo tem mais: 6 fichas ou 8 fichas?
- Escreva o sinal >, < ou =: 5 __ 7.
- Calcule: 3 + 2 = __.
- Calcule: 6 + 4 = __.
- Calcule: 9 − 3 = __.
Adaptação durante a folha: nos itens de contagem, cubra os demais itens com uma tira de papel e mostre apenas o que está sendo feito. Se a quantidade de desenhos dificultar a leitura visual, apresente as figuras com espaço entre elas ou troque-as por peças reais. Não altere a quantidade que o aluno precisa contar.
Folha 2 — Resolver e descobrir padrões
Orientação para o aluno: “Leia ou escute cada situação. Você pode desenhar ou usar peças. Depois, escreva, fale ou aponte a resposta.” Nos problemas, as peças podem representar os objetos citados. Se a leitura for uma barreira, leia o enunciado exatamente como está escrito.
- Calcule: 8 + 5 = __.
- Calcule: 14 − 6 = __.
- Complete de 2 em 2: 2, 4, 6, __, __.
- Complete de 5 em 5: 5, 10, 15, __, __.
- Qual número é menor: 17 ou 12?
- Escreva o sinal >, < ou =: 13 __ 13.
- Uma caixa tem 7 lápis. A professora coloca mais 4. Quantos lápis há agora?
- Rafa tinha 12 figurinhas e deu 5 a um colega. Com quantas ficou?
- Há 3 pratos com 2 biscoitos em cada prato. Quantos biscoitos há ao todo?
- Complete o padrão: círculo, quadrado, círculo, quadrado, __, __.
Os itens 7 e 8 apresentam situações de adição e subtração; os itens 9 e 10 ampliam a proposta com grupos iguais e repetição de formas. No item 9, o aluno pode contar dois biscoitos por prato ou somar 2 + 2 + 2. Se multiplicação ainda não foi trabalhada, o objetivo é perceber os grupos e encontrar o total, sem exigir o sinal de multiplicação.
Gabarito completo e como retomar os erros
Respostas da folha 1
- 4.
- 7.
- 4 tampinhas.
- 5, 6.
- 7, 6.
- O grupo com 8 fichas.
- 5 < 7.
- 5.
- 10.
- 6.
Respostas da folha 2
- 13.
- 8.
- 8, 10.
- 20, 25.
- 12.
- 13 = 13.
- 11 lápis.
- 7 figurinhas.
- 6 biscoitos.
- Círculo, quadrado.
Se a contagem terminar em um número diferente da quantidade de objetos: observe se o aluno apontou cada figura uma única vez, se pulou alguma ou se contou uma peça mais de uma vez. Retome com três ou quatro objetos espaçados e convide-o a mover cada peça para uma área de “já contei”. Depois, volte a quantidades maiores. Não conclua, a partir de um erro isolado, que ele desconhece os números.
Se trocar a ordem da sequência: use uma linha numérica ou cartões com os números em ordem. Para sequências crescentes, mova um objeto a cada avanço; para as decrescentes, retire um objeto a cada passo. Se a tarefa for difícil, comece com três termos e peça que complete só o próximo.
Se escolher o sinal de comparação ao contrário: represente as duas quantidades com peças e pergunte qual grupo tem mais. Deixe o sinal para depois da comparação concreta. Apresente um par por vez, pois a direção do símbolo pode confundir mesmo quando a comparação oral está correta.
Se errar uma adição ou subtração: confira se entendeu a ação do enunciado. Para “coloca mais”, acrescente peças; para “deu”, retire. Peça que conte o conjunto final, sem apressar o cálculo mental. Se acerta com objetos, mas não sem eles, essa diferença indica que o recurso ainda está apoiando a resolução; planeje a retirada gradual, sem exigir que seja abandonado de imediato.
Se não concluir ou deixar itens em branco: verifique se o aluno compreendeu a instrução, se o tamanho da folha ou o número de itens pesou e se precisa de pausa. Apresente uma parte por vez e aceite uma forma de resposta compatível com o objetivo. Registre o que conseguiu fazer com apoio e o que fez sozinho para escolher a próxima proposta.
Como ajustar o nível sem mudar o objetivo?
Para tornar a tarefa mais acessível, reduza a quantidade de itens apresentados ao mesmo tempo, aumente o espaçamento, leia os enunciados e permita material manipulável. Preserve a habilidade que deseja observar: se o objetivo é comparar números, por exemplo, não mostre antecipadamente qual é o maior. Caso o aluno use comunicação alternativa, combine com a equipe a forma de disponibilizar as opções de resposta.
Para avançar, retire parte dos apoios quando o estudante demonstrar que já não precisa deles, aumente gradualmente as quantidades ou peça que explique como chegou ao resultado por fala, desenho ou organização das peças. Não é necessário aumentar várias dificuldades de uma vez: mudar números, formato e tipo de enunciado juntos torna mais difícil identificar o que o aluno já domina.
Ao final, anote quais itens foram resolvidos com autonomia, quais precisaram de apoio e que tipo de apoio funcionou. Essa informação ajuda a selecionar a próxima atividade e a conversar com os profissionais que acompanham a escolarização. Use o material como proposta pedagógica ajustável, não como teste diagnóstico.
Perguntas frequentes
Estas folhas servem para qualquer aluno autista do 1º ao 3º ano?
Não necessariamente. Elas foram pensadas para os anos iniciais, mas o nível adequado depende do que cada aluno já aprendeu e de como acessa a tarefa. Se a contagem até 10 ainda estiver em construção, trabalhe primeiro alguns itens da folha 1; se as operações forem fáceis, use a folha 2 e amplie as quantidades com cuidado.
Preciso imprimir as atividades?
Não. Você pode copiar os itens para o caderno, apresentar um por vez em cartões ou ler em voz alta e permitir respostas com peças e apontamento. Mantenha os números e a pergunta claros para que a mudança de formato não altere o conteúdo matemático.
O que fazer se o aluno não quiser usar tampinhas ou lápis?
Não imponha um material específico. Pergunte ou observe qual forma de resposta é acessível: contar objetos maiores, apontar, falar, desenhar ou registrar no papel. Se a recusa vier acompanhada de dificuldade ou desconforto, interrompa e ajuste a apresentação; converse com a equipe escolar para planejar apoios coerentes com as necessidades daquele aluno.
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