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Atitudes de professores de educação física: entre inclusão e avaliação

Pesquisas recentes mostram como atitudes docentes influenciam inclusão, participação e avaliação na Educação Física. Veja o que os estudos revelam e como transformar esses achados em escolhas práticas para suas aulas.

Atitudes de professores de educação física: entre inclusão e avaliação

Na Educação Física, a atitude do professor também se revela em quem consegue participar, em como o desempenho é interpretado e em quais aprendizagens recebem atenção. As pesquisas recentes mostram que essas escolhas não são apenas detalhes do estilo pessoal: elas atravessam inclusão, avaliação e a experiência dos estudantes.

Isso importa porque uma mesma atividade pode abrir espaço para diferentes formas de participação ou reforçar expectativas estreitas sobre habilidade, gênero e sucesso. Os estudos reunidos aqui investigam contextos diversos — da avaliação na Suécia à inclusão na Alemanha e às práticas pós-pandemia na Austrália — e ajudam a observar decisões concretas sem presumir que uma resposta encontrada em outro país se aplique automaticamente às escolas brasileiras.

O que são atitudes de professores de Educação Física em relação ao ensino e por que importam?

Atitudes docentes são as disposições, expectativas e crenças que influenciam como o professor organiza a aula, interpreta as respostas dos estudantes e decide o que merece ser ensinado ou avaliado. Na rotina escolar, aparecem em escolhas observáveis: quem recebe incentivo, que adaptações são consideradas, como se definem competência e participação, e se os estudantes podem contribuir para as decisões.

Não se trata de reduzir uma prática complexa a uma opinião individual. Os estudos abordam também as condições de trabalho, as políticas de avaliação, a formação e os efeitos de mudanças sociais. Uma atitude pode ser favorável à inclusão, por exemplo, mas a aula ainda exigir planejamento e recursos; do mesmo modo, uma regra de avaliação bem-intencionada não garante por si só que todos os conhecimentos sejam reconhecidos.

Para o professor, observar essas escolhas é uma forma de revisar a própria prática sem transformar a reflexão em julgamento pessoal. A pergunta útil não é apenas “tenho uma atitude positiva?”, mas “que oportunidades minhas decisões criam, para quem e com quais consequências?”.

O que a pesquisa recente mostra sobre atitudes docentes na Educação Física?

Os estudos recentes não apresentam uma única definição ou medida de atitude. Em conjunto, investigam como crenças e práticas aparecem em situações de inclusão, avaliação, participação dos estudantes, gênero, ensino digital e organização do brincar. Algumas pesquisas analisam entrevistas e experiências docentes; outras sintetizam estudos quantitativos ou testam uma ferramenta de avaliação.

Inclusão depende de crenças, competências e escolhas cotidianas

Uma revisão sistemática com metanálise investigou a associação entre a Declaração de Salamanca e as atitudes de professores em relação à inclusão de estudantes com deficiência e necessidades educacionais especiais nas aulas regulares de Educação Física. Foram recuperados 2.120 registros, dos quais 16 artigos com instrumentos validados entraram na metanálise. As médias de atitudes nos estudos publicados depois da Declaração foram mais positivas do que as médias dos estudos anteriores. O resultado é uma comparação entre estudos publicados antes e depois, não uma demonstração de que uma política, isoladamente, causou a mudança (Tarantino, 2025).

Um estudo qualitativo com 17 professores alemães de Educação Física, atuantes nos anos iniciais e finais do ensino fundamental e no ensino médio, examinou desafios relacionados à inclusão. A análise identificou cinco áreas que apontam para necessidades de formação continuada: planejamento das aulas, foco de atenção do professor, ambição docente, concepção de desempenho e atitudes. A contribuição prática desse resultado é ampliar o olhar: incluir não é somente adaptar um exercício, mas também examinar o que se considera desempenho e para onde se dirige a atenção durante a aula (Leineweber, 2025).

Os dois estudos ajudam a separar apoio declarado e condições concretas de ensino. A síntese quantitativa indica uma diferença nas médias de atitudes entre períodos históricos; as entrevistas alemãs identificam desafios profissionais que precisam ser trabalhados. Não autorizam concluir que todos os professores pensam da mesma maneira, nem apontam uma receita universal. Sugerem, porém, que formação e reflexão sobre expectativas podem fazer parte de uma agenda de inclusão.

Avaliar exige decidir o que conta como aprendizagem

Na Suécia, pesquisadores entrevistaram 22 professores de Educação Física de diferentes escolas de ensino secundário e secundário superior sobre a interpretação de diretrizes reformuladas de avaliação holística. O currículo anterior conduzia muitos docentes a uma avaliação atomística; as novas diretrizes pediam uma visão do conjunto. Os professores entrevistados avaliaram positivamente a política porque ela permitia ponderar diferentes fatores e relacionar a avaliação à vida dos estudantes fora das aulas (Bjö, 2026).

O estudo também registra uma tensão importante. A avaliação holística pode ampliar a autonomia docente e favorecer notas ajustadas às condições dos estudantes e a conhecimentos considerados significativos para a vida. Ao mesmo tempo, pode reduzir a transparência e criar o risco de marginalizar certas áreas do conhecimento. Portanto, “olhar o quadro geral” não elimina a necessidade de explicar critérios: quanto maior a margem de julgamento profissional, mais importante é tornar compreensível o que está sendo considerado.

Uma pesquisa na Noruega observou aulas e entrevistou professores de Educação Física do ensino secundário para investigar como estruturavam o brincar. Os docentes valorizavam o brincar, mas tinham dificuldade para incorporar a avaliação a propostas baseadas nele e para se desvincular da estrutura esportiva. O estudo põe em evidência um desafio pedagógico: reconhecer aprendizagens em atividades que não se organizam apenas como esporte formal requer pensar com cuidado a relação entre proposta, regras e avaliação (Saether, 2025).

Já no Reino Unido, nove professores do ensino fundamental testaram semanalmente, durante seis semanas, a ferramenta digital S2M para avaliar habilidades motoras fundamentais. A aceitação e a demanda foram altas; os participantes conseguiram implementar a ferramenta sem assistência, disseram que continuariam usando-a e consideraram que poderia aprimorar o ensino. O estudo avaliou viabilidade, não comprovou que a ferramenta melhora resultados de aprendizagem. Ainda assim, oferece um exemplo de recurso que professores consideraram utilizável para apoiar avaliação para a aprendizagem (Rossum, 2025).

Voz estudantil e significado podem transformar a pedagogia

Em uma comunidade de aprendizagem profissional com dez integrantes, nove professores dos anos iniciais implementaram estratégias para valorizar a voz dos estudantes durante seis meses. A pesquisa reuniu experiências de professores e crianças e apresentou um roteiro: começar aos poucos, começar com inteligência e não parar. Os professores valorizaram os resultados para as crianças e relataram mudanças em suas abordagens de ensino, sustentando o compromisso com essas pedagogias (Dé, 2025).

O resultado não sugere que toda decisão deva ser transferida aos estudantes. Aponta para uma aprendizagem docente gradual: testar estratégias, refletir sobre o que acontece e mantê-las como parte da prática cotidiana. Dar voz pode significar criar oportunidades adequadas para que as crianças expressem preferências ou avaliem uma proposta, enquanto o professor continua responsável por objetivos, segurança e organização.

Um autoestudo acompanhou um professor-pesquisador em um contexto alternativo de ensino médio ao longo de vinte aulas de 75 minutos distribuídas por 15 semanas. Os temas identificados incluíram promover a diversão, navegar interações sociais, cocriar e reconsiderar desafios, acompanhar avanços em competência motora e buscar relevância pessoal na atividade física. O estudo relata que práticas democráticas e reflexivas ajudaram o professor a considerar e aplicar com mais frequência características de uma Educação Física significativa (Howley, 2025).

Esses trabalhos aproximam participação e intenção pedagógica. A voz dos estudantes não aparece como enfeite da aula, mas como algo que os professores aprendem a incorporar. E promover significado, conforme o autoestudo, envolve prestar atenção a dimensões diferentes da experiência, não apenas à execução motora. São estudos contextualizados, mas oferecem perguntas úteis para qualquer docente: os desafios fazem sentido para a turma? Há espaço para rever a proposta? As interações favorecem a participação?

Estereótipos e mudanças de contexto também moldam atitudes

Um estudo de caso qualitativo com 16 professores de escolas públicas e privadas de ensino médio identificou expressões de gênero nas percepções e práticas docentes. Muitos participantes reproduziam estereótipos na comunicação, na orientação esportiva e nas definições de atletas bem-sucedidos. As estudantes eram descritas por metáforas como “gentil, delicada e frágil”, enquanto os estudantes eram associados a “fortes, competitivos e resistentes”. Alguns professores classificavam modalidades como mais adequadas a um gênero: voleibol e tênis para meninas, futebol e luta livre para meninos. Também houve participantes com abordagens igualitárias e alto nível de conscientização (Sivri, 2025).

Esse resultado mostra como expectativas podem aparecer em comentários e escolhas aparentemente comuns, sem que o professor declare intenção de excluir. O estudo ocorreu em um contexto específico e não permite afirmar que os mesmos padrões estejam presentes em todas as escolas brasileiras. Mas convida a revisar convites, elogios, agrupamentos e descrições de competência: a participação está sendo orientada por interesse e aprendizagem ou por suposições sobre gênero?

Dois estudos abordaram as consequências da pandemia para a Educação Física. Uma pesquisa com 607 respostas a questionário e entrevistas de acompanhamento com 20 professores investigou o ensino um ano após o início da COVID-19. Os professores se avaliaram como menos eficazes à medida que a pandemia avançava, embora relatassem ensinar de acordo com os padrões, com diferenças significativas entre níveis de ensino. Os autores destacam a importância de formação inicial e continuada em integração tecnológica, habilidades pedagógicas tradicionais e estratégias de avaliação para o ensino on-line (Centeio, 2026).

Em um estado australiano, entrevistas com 14 professores especialistas de diferentes etapas examinaram a influência contínua da COVID-19 nas práticas. Persistiam questões sobre diferenças no engajamento dos estudantes e ambientes domésticos. Os participantes também percebiam consequências não intencionais da migração forçada para o ensino on-line em planejamento, recursos on-line, avaliação e bem-estar (Cruickshank, 2025). Os estudos não dizem que a Educação Física deve se tornar digital; mostram que mudanças de contexto repercutem na confiança docente, no acesso à participação e nas decisões de ensino.

Como os estudos sobre atitudes docentes se comparam?

Os estudos abaixo diferem em método e contexto, mas todos ajudam a localizar atitudes em decisões concretas de ensino. A tabela resume o que cada pesquisa investigou e relata, sem tratar os achados internacionais como regras para o Brasil.

EstudoO que investigouO que relataContexto
(Bjö, 2026)Interpretação de diretrizes de avaliação holística.Professores valorizam a visão do conjunto e a autonomia; há risco de menor transparência e marginalização de áreas.Suécia; ensino secundário e secundário superior; 22 professores.
(Centeio, 2026)Ensino de Educação Física um ano após o início da pandemia.Autoavaliação de eficácia caiu; autores destacam formação tecnológica, pedagógica e em avaliação.Contexto da pandemia; questionário com 607 professores e entrevistas com 20.
(Howley, 2025)Evolução de uma pedagogia de Educação Física significativa.Temas incluem diversão, interação social, desafios cocriados, competência motora e relevância pessoal.Contexto alternativo de ensino médio; autoestudo de um professor-pesquisador.
(Dé, 2025)Aprendizagem docente para incorporar a voz dos estudantes.Roteiro: começar aos poucos, começar com inteligência e não parar; professores relataram mudanças nas abordagens.Anos iniciais; comunidade de aprendizagem profissional; nove professores em seis meses.
(Leineweber, 2025)Desafios de inclusão e necessidades de formação continuada.Identifica planejamento, foco de atenção, ambição docente, concepção de desempenho e atitudes.Alemanha; anos iniciais e finais do fundamental e ensino médio; 17 entrevistas.
(Rossum, 2025)Viabilidade de ferramenta digital para avaliar habilidades motoras fundamentais.Alta aceitação e demanda; professores conseguiram implementá-la e disseram que continuariam a usar.Reino Unido; ensino fundamental; nove professores, seis semanas.
(Tarantino, 2025)Associação entre a Declaração de Salamanca e atitudes sobre inclusão.Médias de atitudes foram mais positivas nos estudos posteriores à Declaração.Revisão sistemática e metanálise; 16 artigos incluídos.
(Sivri, 2025)Percepções de gênero e atitudes em aulas de Educação Física.Muitos participantes reproduziam estereótipos; alguns demonstravam abordagens igualitárias.Ensino médio; escolas públicas e privadas; 16 professores.
(Cruickshank, 2025)Influência contínua da COVID-19 nas práticas docentes.Persistiam diferenças de engajamento e ambiente doméstico; mudanças repercutiram em planejamento, recursos, avaliação e bem-estar.Austrália; 14 professores especialistas de diferentes etapas.
(Saether, 2025)Como professores estruturam o brincar no ensino.Valorizam o brincar, mas encontram dificuldade para integrar avaliação e se afastar da estrutura esportiva.Noruega; ensino secundário; observações e entrevistas.

O que os estudos têm em comum e onde divergem?

Em conjunto, os estudos sugerem que atitudes se expressam em decisões pedagógicas, e não apenas em declarações gerais. O que o professor reconhece como desempenho afeta a avaliação; suas expectativas podem moldar convites e orientações; e sua disposição para escutar estudantes pode mudar a organização das atividades. A formação aparece como tema relevante tanto na inclusão quanto no ensino digital.

Há também uma tensão entre autonomia e clareza. Na avaliação holística sueca, os professores valorizaram poder ponderar diferentes fatores, mas os autores alertam para risco de menor transparência. No estudo norueguês sobre brincar, a dificuldade é conectar propostas lúdicas com avaliação e resultados de aprendizagem. São problemas relacionados, mas não idênticos: um trata da interpretação ampla de diretrizes e o outro da avaliação de atividades baseadas no brincar.

Os métodos e os alcances diferem. Uma metanálise compara médias em estudos anteriores e posteriores a uma declaração internacional; entrevistas e estudos de caso aprofundam experiências de grupos específicos; um teste de viabilidade examina a utilização de uma ferramenta. Não é possível colocá-los como se respondessem à mesma pergunta. Tampouco está resolvido quais estratégias de formação produzem mudanças duradouras em diferentes realidades escolares, ou como avaliar inclusão, participação e aprendizagem sem reduzir a Educação Física a um único indicador.

O que posso fazer na aula de Educação Física a partir dessas pesquisas?

Os estudos oferecem questões para orientar a reflexão, não um pacote de procedimentos testado em todas as escolas. As ideias a seguir são aplicações sugeridas: adapte-as à idade, às condições da turma e aos objetivos de aprendizagem.

1. Torne os critérios de avaliação compreensíveis

Aplicação sugerida: antes de uma sequência de atividades, explique quais aspectos serão considerados e como o estudante poderá perceber seu progresso. Imagine uma turma de 8º ano praticando diferentes formas de deslocamento: além de observar execução, você pode explicitar critérios relacionados ao uso de estratégias ou à participação, se forem pertinentes aos objetivos da sequência. O estudo sueco alerta que uma visão holística amplia a autonomia, mas pode reduzir transparência. Por isso, registre os critérios em linguagem acessível e retome-os durante a aprendizagem. Isso não significa adotar o modelo sueco, e sim responder a uma questão que a pesquisa torna visível: como equilibrar julgamento profissional e clareza para a turma?

2. Revise o que você chama de desempenho

Aplicação sugerida: ao planejar uma atividade, liste as formas de aprendizagem que podem aparecer além de vencer ou executar mais rápido. Em uma brincadeira de equipe, por exemplo, você pode observar como os participantes testam estratégias, ajustam regras e colaboram, conforme o objetivo proposto. A pesquisa alemã identificou a concepção de desempenho entre os pontos que indicam necessidade de formação para inclusão. Não conclua que uma única lista de critérios resolverá o problema. Use a revisão como oportunidade para perguntar se os critérios permitem reconhecer diferentes maneiras de aprender e se algum estudante fica invisível quando só se observa um tipo de resultado.

3. Comece a incorporar a voz dos estudantes em pequenas escolhas

Aplicação sugerida: convide a turma a comparar duas variações de uma atividade e a explicar qual delas favorece a participação, ou reserve alguns minutos para que sugiram uma regra que torne o jogo mais acessível. Imagine uma turma dos anos iniciais em que as crianças escolhem entre duas formas de organizar uma brincadeira. A pesquisa com professores dos anos iniciais recomenda começar aos poucos, começar com inteligência e continuar. Isso aponta para uma implementação progressiva, não para uma consulta ocasional sem retorno. Depois de ouvir a turma, conte o que foi possível adotar e por quê; essa devolutiva ajuda a tornar a participação concreta.

4. Procure sinais de estereótipos na linguagem e nas oportunidades

Aplicação sugerida: observe se seus elogios e convites se distribuem de forma equilibrada ou se certas modalidades são apresentadas como naturalmente adequadas a um grupo. Por exemplo, em uma turma de 1º ano do ensino médio, confira se todos recebem oportunidade de experimentar futebol, voleibol e outras práticas, sem pressupor preferências por gênero. O estudo com professores do ensino médio encontrou estereótipos em metáforas, comunicação e orientação esportiva, embora também tenha identificado abordagens igualitárias. A aplicação não é presumir que sua escola reproduz os mesmos padrões: é observar a própria prática com curiosidade e rever decisões quando as evidências da turma apontarem nessa direção.

5. Planeje adaptações como parte da aula, não como improviso tardio

Aplicação sugerida: ao preparar uma proposta, antecipe mais de uma possibilidade de participação e verifique se regras, materiais ou espaço podem ser ajustados sem separar desnecessariamente um estudante do grupo. Imagine uma estação de arremessos em que as distâncias possam variar conforme o desafio de aprendizagem. A pesquisa alemã liga inclusão a planejamento, foco de atenção, ambição docente, concepção de desempenho e atitudes. Ela não prescreve uma adaptação específica; ajuda a ampliar as perguntas de planejamento. Considere também a resposta dos estudantes durante a aula e esteja preparado para rever a proposta. Se o tema exigir decisões especializadas, procure apoio e formação adequados.

6. Conecte brincadeira e avaliação sem transformar todo jogo em teste

Aplicação sugerida: ao propor uma brincadeira, decida antes que aprendizagem pretende observar e qual evidência cabe recolher sem interromper continuamente a atividade. Em uma dinâmica de cooperação, por exemplo, você pode observar como a turma negocia regras e resolve situações, se isso estiver ligado ao propósito da aula. O estudo norueguês mostra que professores valorizam o brincar, mas encontram dificuldade em integrar avaliação e em se afastar da estrutura esportiva. Uma aplicação cuidadosa pode manter espaço para exploração e, ao mesmo tempo, permitir que o professor acompanhe a aprendizagem. Evite tratar a observação como prova de que todos aprenderam igualmente; use-a para decidir o próximo passo pedagógico.

7. Use ferramentas digitais por sua utilidade, não pelo apelo da novidade

Aplicação sugerida: antes de adotar um recurso de avaliação, verifique se ele cabe no tempo, nos equipamentos e na organização disponíveis, e se a informação produzida ajuda a decidir o que ensinar depois. A ferramenta S2M foi considerada viável pelos nove professores do estudo britânico, que conseguiram implementá-la sem assistência e disseram que pretendiam continuar. Isso é um achado sobre aquela ferramenta e aquele teste, não uma recomendação para digitalizar qualquer avaliação. Se sua escola não dispõe de tecnologia ou se o recurso não responde a uma pergunta pedagógica relevante, uma observação simples e bem planejada pode ser mais adequada.

8. Reflita sobre a participação em diferentes condições

Aplicação sugerida: observe quem participa, em quais partes da aula e sob quais condições. Imagine uma sequência híbrida ou uma situação de ausência prolongada: os estudantes podem ter acesso desigual a espaços e recursos para realizar atividades em casa. Os estudos sobre a pandemia relatam desafios persistentes de engajamento e ambiente doméstico, além de consequências para planejamento, avaliação e bem-estar. Não transfira automaticamente soluções daquele período para aulas presenciais; use os achados como alerta para não interpretar toda baixa participação como falta de interesse. Pergunte que barreiras de contexto podem estar envolvidas e quais alternativas a escola consegue oferecer.

O que muda quando aplico esses achados à realidade brasileira?

Os estudos vêm de países e contextos diferentes: Suécia, Noruega, Reino Unido, Alemanha, Austrália e experiências ligadas ao ensino durante a pandemia. As regras curriculares, as condições de trabalho, a formação e os recursos não são iguais aos das escolas brasileiras. Por isso, os resultados devem servir como referência para formular perguntas e não como prova de que uma política ou ferramenta terá o mesmo efeito aqui.

Também variam as etapas de ensino e os participantes. Há pesquisas com professores dos anos iniciais, do ensino fundamental, do ensino médio e do secundário em outros sistemas escolares; há ainda um autoestudo de um professor e uma metanálise de estudos publicados em períodos distintos. Ao adaptar as ideias, considere a idade da turma, o espaço disponível, o tamanho dos grupos, os materiais e as possibilidades de formação oferecidas pela escola e pela rede.

O debate sobre inclusão e gênero é relevante para qualquer contexto em que estudantes participem das aulas, mas as evidências específicas apresentadas não descrevem diretamente as escolas do Brasil. Uma aplicação prudente é observar padrões locais: quem tem oportunidades de experimentar, que formas de desempenho são valorizadas e como os critérios são comunicados. Da mesma forma, a ferramenta digital testada no Reino Unido não deve ser tratada como solução pronta para redes brasileiras; seu estudo aponta viabilidade naquele grupo, não adequação universal.

Em suma, o contexto brasileiro pede interpretação, não cópia. Use os estudos para organizar conversas de equipe, revisar instrumentos de avaliação e identificar perguntas de formação. Quando uma decisão depender de política local ou de necessidades específicas de estudantes, consulte as orientações e os profissionais pertinentes no próprio contexto escolar.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, não na leitura integral de todos os trabalhos. Os resumos permitem apresentar objetivos, características gerais dos métodos e resultados relatados, mas nem sempre descrevem todos os procedimentos, instrumentos, detalhes de análise ou limitações dos próprios estudos. Por isso, as conclusões foram mantidas no alcance informado em cada resumo.

As pesquisas também diferem em perguntas e métodos: há entrevistas, observações, autoestudo, avaliação de viabilidade e revisão sistemática com metanálise. Vários resultados vêm de grupos e contextos específicos, e não devem ser generalizados automaticamente para todos os professores ou escolas. A associação entre períodos antes e depois da Declaração de Salamanca, por exemplo, não equivale a atribuir causalidade a uma política isolada; a aceitação de uma ferramenta tampouco comprova impacto em aprendizagem.

Ficam em aberto questões importantes: quais práticas de formação continuada ajudam diferentes professores a rever concepções de desempenho? Como manter avaliação transparente sem reduzir a aprendizagem a poucos indicadores? Que estratégias para valorizar a voz estudantil funcionam em turmas com realidades diversas? Para responder a perguntas desse tipo, planejar uma intervenção ou tomar decisões de política escolar, faz sentido consultar os estudos completos e, quando possível, pesquisas realizadas no contexto brasileiro.

Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?

O GeraProva pode apoiar a preparação de avaliações e atividades relacionadas aos objetivos trabalhados em Educação Física, ajudando o professor a criar perguntas e materiais para acompanhar a aprendizagem. A ferramenta não substitui a observação das práticas, o julgamento pedagógico nem a adaptação a cada turma; pode ser um apoio para organizar parte do trabalho. Conheça o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre atitudes de professores de Educação Física

O que significa ter uma atitude inclusiva na Educação Física?

Uma atitude inclusiva envolve expectativas e decisões que favorecem a participação de estudantes com diferentes condições e necessidades. A pesquisa alemã identificou planejamento, foco de atenção, ambição docente, concepção de desempenho e atitudes como pontos ligados a desafios de inclusão e à necessidade de formação continuada (Leineweber, 2025). Isso mostra que inclusão não se resume a modificar um exercício no momento: também convida o professor a examinar o que observa, como define sucesso e como organiza a aula. O estudo não oferece uma fórmula única, mas ajuda a ampliar os aspectos que merecem reflexão.

As atitudes dos professores em relação à inclusão melhoraram?

Uma revisão sistemática com metanálise encontrou médias de atitudes mais positivas nos estudos publicados após a Declaração de Salamanca do que nos estudos publicados antes dela (Tarantino, 2025). Essa comparação não prova que a Declaração, por si só, causou a diferença, nem significa que todos os docentes tenham atitudes positivas. O estudo analisou uma associação entre períodos de publicação e médias de atitudes em pesquisas incluídas. Para a prática, o resultado indica uma tendência observada na literatura analisada, enquanto os desafios de formação e de implementação permanecem relevantes.

Como posso dar voz aos estudantes sem perder a organização da aula?

Uma possibilidade é começar com escolhas pequenas, ligadas à atividade e à aprendizagem: pedir que os estudantes comparem duas variações de uma tarefa ou sugiram uma regra para ampliar a participação. Um estudo com professores dos anos iniciais apresentou um roteiro baseado em começar aos poucos, começar com inteligência e não parar (Dé, 2025). Isso não significa transferir aos alunos toda a responsabilidade por planejar a aula. O professor continua definindo propósitos e limites, mas pode criar momentos para ouvir a turma e explicar como as contribuições foram consideradas.

Uma avaliação holística é sempre melhor do que avaliar habilidades separadas?

Os estudos não autorizam uma resposta universal. Professores suecos avaliaram positivamente diretrizes de avaliação holística porque podiam ponderar diferentes fatores e relacionar aprendizagens à vida dos estudantes. Porém, os autores também apontaram riscos de menor transparência e de marginalização de algumas áreas do conhecimento (Bjö, 2026). A escolha precisa considerar os objetivos e os critérios que orientam a avaliação. Uma abordagem ampla pode ajudar a reconhecer dimensões variadas, mas deve ser comunicada com clareza para que estudantes entendam o que está sendo observado e por quê.

O brincar pode ser avaliado nas aulas de Educação Física?

O estudo norueguês investigou como professores estruturavam o brincar e relata que, embora o valorizassem, tinham dificuldade para incorporar avaliação às propostas baseadas nele e para se afastar da estrutura esportiva (Saether, 2025). Isso não significa que brincar e avaliar sejam incompatíveis. Como aplicação sugerida, o professor pode definir previamente qual aprendizagem quer observar e reunir evidências sem interromper a atividade a todo momento. O resumo não fornece uma técnica única para isso. O ponto é pensar a relação entre proposta, regras e aprendizagem, sem transformar toda brincadeira em competição formal.

O que os estudos sobre a pandemia ensinam para as aulas atuais?

As pesquisas relatam que o ensino on-line trouxe desafios para professores de Educação Física e que algumas consequências continuaram a influenciar práticas. Um estudo encontrou queda na autoavaliação de eficácia ao longo da pandemia e destacou formação em tecnologia, pedagogia e avaliação (Centeio, 2026). Entrevistas na Austrália apontaram questões de engajamento e condições domésticas, além de repercussões em planejamento, recursos, avaliação e bem-estar (Cruickshank, 2025). Esses achados não recomendam manter o ensino remoto; ajudam a lembrar que contexto e acesso influenciam a participação e precisam ser considerados.

Referências dos estudos citados

As referências abaixo correspondem aos estudos mencionados no texto. Os títulos em português são apresentados com os títulos originais entre parênteses.

  1. Tolgfors, B.; Caldeborg, A.; Jansson, K.; Mustell, J.; Sjödin, K.; Barker, D. (2026). Avaliação holística na Educação Física escolar: “enxergar o quadro geral com nosso olhar treinado” (Holistic Assessment in School Physical Education: 'Seeing the Whole Picture with Our Trained Eye'). European Physical Education Review. link.
  2. Centeio, E. E.; Mercier, K.; Barcelona, J.; Erwin, H.; Marttinen, R.; Foley, J.; Garn, A. (2026). Indo além da pandemia: lições aprendidas na Educação Física e como avançar (Moving beyond the Pandemic: Lessons Learned in Physical Education and How to Move Forward). Journal of Teaching in Physical Education. link.
  3. Howley, D.; Dyson, B.; Baek, S. (2025). Tudo isso para melhor: explorando os esforços em evolução de um professor-pesquisador para promover uma Educação Física significativa (All the Better for It: Exploring One Teacher-Researcher's Evolving Efforts to Promote Meaningful Physical Education). European Physical Education Review. link.
  4. Ní Chrónín, D.; Parker, M.; Coulter, M.; Sweeney, T. (2025). Professores aprendendo a incorporar a voz dos estudantes na Educação Física nos anos iniciais: Preparar, apontar, já! (Teachers Learning to Use Student Voice in Primary Physical Education -- Ready, Steady, Go!). European Physical Education Review. link.
  5. Leineweber, H. (2025). O que os professores sempre quiseram dizer sobre a Educação Física inclusiva, mas tinham medo de falar em voz alta... A análise microlinguística como caminho para o cerne das entrevistas (What Teachers Always Wanted to Say about Inclusive Physical Education but Were Afraid to Speak out Loud...Microlinguistic Analysis as a Path to the Core of Interviews). Journal of Teaching in Physical Education. link.
  6. van Rossum, T.; Foweather, L.; Hayes, S.; Morley, D. (2025). Comece a se movimentar: avaliando a viabilidade de uma ferramenta digital de avaliação das habilidades motoras fundamentais conduzida por professores (Start to Move: Measuring the Feasibility of a Teacher-Led Digital Fundamental Movement Skills Assessment Tool). Journal of Teaching in Physical Education. link.
  7. Tarantino, G.; Makopoulou, K.; Neville, R. D. (2025). Atitudes de professores em relação à inclusão na Educação Física: revisão sistemática e metanálise de estudos realizados antes e depois da Declaração de Salamanca (Teachers' Attitudes towards Inclusion in Physical Education: Systematic Review and Meta-Analysis of Studies Conducted before and after the Salamanca Statement). International Journal of Inclusive Education. link.
  8. Sivri, A.; Tepeköylü-Öztürk, Ö. (2025). As expressões de gênero na Educação Física: percepções de professores e representações metafóricas (The Reflections of Gender in Physical Education: Insights from Teachers and Metaphorical Representations). Journal of Education and Learning. link.
  9. Cruickshank, V.; Mainsbridge, C.; Williams, J.; Dunning, M.; Richards, K. A. (2025). Olhando para frente e para trás: a influência contínua da COVID-19 nas práticas dos professores de Educação Física (Looking Forwards and Backwards: The Continuing Influence of COVID-19 on the Practices of Physical Education Teachers). European Physical Education Review. link.
  10. Saether, S.; Borgen, J. S.; Leirhaug, P. E. (2025). Estruturando o brincar na Educação Física (Structuring Play in Physical Education). Sport, Education and Society. link.

Se algum desses achados fez você olhar de outro jeito para uma escolha da sua aula, experimente começar por uma pequena revisão e observe o que muda para a turma.

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