Sobre estas questões de Filosofia do UEL 2026
Esta página reúne 7 questões de Filosofia do UEL 2026 (prova oficial), com classificação pedagógica e alinhamento à BNCC quando aplicável. Abaixo você encontra 6 questões-amostra com a análise pedagógica completa (gabarito comentado, ficha pedagógica e resolução passo a passo) — uma prévia do que o GeraProva monta automaticamente para a prova inteira.
O que estas questões cobram: ideia de progresso histórico; crise da razão e do indivíduo; teoria do conhecimento em Hume; teoria política de Rousseau, luxo, ciências e artes.
Objetivos pedagógicos principais: avaliacao · diagnostico.
0F · 5M · 2D
Distribuição (amostra)
🧠 Habilidades cognitivas (Bloom): Analisar, Aplicar, Compreender
🎯 Tipos de raciocínio exigidos: Crítico, Dedutivo
Como usar: professores podem aplicar estas questões do UEL 2026 diretamente em simulados e avaliações, ou gerar uma prova personalizada com o GeraProva misturando anos, matérias e dificuldade. Alunos podem usar para treino de vestibular, praticando antes de ver o gabarito comentado.
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Questão 1 UEL 2026BNCC EM13CHS102Difícil🧠 Analisar⏱ medio
Na obra Dialética do esclarecimento, publicada em 1944, Theodor Adorno e Max Horkheimer analisaram as promessas da razão moderna à luz das guerras, do autoritarismo e do extermínio em massa ocorridos na primeira metade do século XX. Para os autores, o esclarecimento pretendia libertar os seres humanos do medo e da submissão ao mito. Entretanto, quando a razão passa a ser orientada principalmente pelo controle técnico da natureza e pela eficiência dos meios, ela pode deixar de promover autonomia e ser utilizada para organizar formas modernas de dominação. Assim, o desenvolvimento científico e técnico não garante, por si só, a emancipação humana nem permite concluir que a história siga necessariamente uma trajetória de progresso.
Com base no texto e na análise de Adorno e Horkheimer sobre a razão moderna, assinale a alternativa que interpreta corretamente a crítica dos autores à ideia de progresso.
- A) Adorno e Horkheimer questionam a ideia de progresso porque o desenvolvimento da razão instrumental, embora amplie o controle técnico da realidade, pode também servir à dominação e não assegura a emancipação humana.
- B) Adorno e Horkheimer consideram que as guerras e o autoritarismo comprovam a interrupção temporária do progresso, cuja continuidade histórica permanece assegurada pelo avanço da razão.
- C) Adorno e Horkheimer afirmam que a emancipação depende apenas da substituição do mito pela técnica, pois toda forma de controle racional amplia necessariamente a liberdade dos indivíduos.
- D) Adorno e Horkheimer rejeitam a razão moderna porque o conhecimento científico e técnico pertence exclusivamente ao campo do mito e não produz formas de controle sobre a natureza.
- E) Adorno e Horkheimer defendem a ideia de progresso porque o desenvolvimento da ciência e da técnica conduz necessariamente à autonomia humana e elimina formas modernas de dominação.
📖 Análise pedagógica e resolução comentada
🎯 Conceito central
ideia de progresso histórico
💡 Dica de resolução
Analise a evolução histórica da ideia de progresso conforme o texto.
✅ Resposta correta: A
Para Adorno e Horkheimer, a razão moderna pode reduzir-se à racionalidade instrumental, voltada à eficiência, ao cálculo e ao controle. Por isso, ciência e técnica não conduzem automaticamente à liberdade: também podem ser mobilizadas por estruturas de dominação. A crítica não rejeita todo conhecimento, mas contesta a identificação entre avanço técnico e progresso humano necessário.
Por que as outras alternativas estão erradas:
❌ B) O distrator preserva uma concepção linear da história, enquanto o texto afirma que não é possível concluir que o desenvolvimento histórico siga necessariamente uma trajetória progressiva.
❌ C) O distrator reduz a emancipação à substituição do mito pela técnica e ignora que o controle racional, quando orientado pela eficiência, também pode produzir dominação.
❌ D) O distrator atribui aos autores uma rejeição integral da ciência e da técnica. O texto afirma, ao contrário, que esses recursos ampliam o controle da realidade, mas podem ser usados para a dominação.
❌ E) O distrator inverte a crítica apresentada no texto e transforma o progresso técnico em garantia necessária de emancipação, conclusão explicitamente negada pela fonte.
📚 Reveja antes de resolver
Estude a concepção de progresso no Renascimento e Iluminismo.
📋 Ficha pedagógica
Objetivo: avaliacao
Raciocínio: Crítico
Taxonomia Bloom: Analisar
Dificuldade: Difícil
Tempo estimado: medio
Nível de leitura: medio
Estilo do enunciado: interpretativa
Contexto de aplicação: historico
Papel na prova: progressao
Peso pedagógico: medio
Poder de discriminação: medio
Autonomia do enunciado: completo
Cobertura da habilidade: unica
Indicações: Simulado · Diagnóstico · Interdisciplinar
Questão 2 UEL 2026BNCC EM13CHS102Difícil🧠 Analisar⏱ medio
Em Eclipse da razão, Max Horkheimer analisa os efeitos da racionalidade instrumental sobre a vida moderna: a razão, antes entendida como capacidade de orientar autonomamente o indivíduo, passa a ser subordinada a mecanismos sociais, econômicos e técnicos. Nesse contexto, afirma: “A crise da razão se manifesta na crise do indivíduo, por meio da qual se desenvolveu. A ilusão acalentada pela filosofia tradicional sobre o indivíduo e sobre a razão — a ilusão da sua eternidade — está se dissipando. O indivíduo outrora concebia a razão como um instrumento do eu, exclusivamente. Hoje, ele experimenta o reverso dessa autoedificação.” (HORKHEIMER, M. Eclipse da razão. São Paulo: Centauro, 2000, p. 131.) Um exemplo contemporâneo desse processo ocorre quando uma mesma pessoa apresenta identidades distintas em redes sociais, no trabalho e em grupos de convivência, sem conseguir integrar plenamente essas experiências em uma compreensão coerente de si.
Com base no texto e na análise de Horkheimer sobre a crise da razão e do indivíduo na contemporaneidade, qual interpretação explica adequadamente o exemplo apresentado?
- A) A crise do indivíduo implica sua fragmentação: embora ainda construa representações de si, ele já não consegue reuni-las em uma imagem integral e autônoma de sua própria identidade.
- B) A crise da razão fortalece a autonomia individual, pois amplia o acesso a informações e permite que cada pessoa escolha livremente sua identidade e seus modos de vida.
- C) O desenvolvimento das ciências humanas eliminou a ideia universal de ser humano e retirou da razão qualquer possibilidade de fundamentar conhecimentos válidos sobre o indivíduo.
- D) O indivíduo permanece unitário e apreende plenamente a si mesmo e ao mundo, faltando-lhe apenas meios adequados para comunicar esse conhecimento aos demais.
- E) A crise do indivíduo resulta de sua incapacidade de reconhecer que constitui uma particularidade ordenada, inserida em uma totalidade igualmente ordenada do universo.
📖 Análise pedagógica e resolução comentada
🎯 Conceito central
crise da razão e do indivíduo
💡 Dica de resolução
Analise o texto e a imagem para compreender a crítica à razão e ao indivíduo.
✅ Resposta correta: A
Para Horkheimer, a crise da razão atinge também o indivíduo que se formou sob a expectativa de ser autônomo e racionalmente integrado. Quando a razão é subordinada a mecanismos sociais e técnicos, o sujeito passa a experimentar sua identidade de modo fragmentado, sem dominar plenamente as forças que participam de sua formação. O exemplo das diferentes identidades sociais ilustra essa perda de unidade e autonomia.
Por que as outras alternativas estão erradas:
❌ B) O distrator confunde a multiplicação contemporânea de escolhas e informações com autonomia efetiva, ignorando a subordinação do indivíduo aos mecanismos sociais e técnicos.
❌ C) O distrator transforma a crítica de Horkheimer à razão instrumental em uma rejeição absoluta da razão e das ciências humanas, conclusão que não aparece no texto.
❌ D) O distrator afirma justamente a preservação da unidade e do autoconhecimento pleno, contrariando a crise do indivíduo descrita no texto.
❌ E) O distrator recupera a imagem metafísica do microcosmo inserido no macrocosmo, ausente da análise crítica de Horkheimer sobre a racionalidade moderna.
📚 Reveja antes de resolver
Estude a crítica da filosofia tradicional sobre a razão e o indivíduo segundo Horkheimer.
📋 Ficha pedagógica
Objetivo: avaliacao
Raciocínio: Crítico
Taxonomia Bloom: Analisar
Dificuldade: Difícil
Tempo estimado: medio
Nível de leitura: alto
Estilo do enunciado: interpretativa
Contexto de aplicação: cientifico
Papel na prova: progressao
Peso pedagógico: medio
Poder de discriminação: medio
Autonomia do enunciado: depende_imagem
Cobertura da habilidade: unica
Indicações: Simulado · Diagnóstico · Interdisciplinar
Questão 3 UEL 2026BNCC EM13CHS102Média🧠 Aplicar⏱ medio
David Hume distingue impressões e ideias. As impressões são percepções mais vivas e intensas, como sensações e paixões; as ideias são percepções menos vívidas, geralmente recordadas ou imaginadas. Segundo o filósofo, as ideias simples correspondem a impressões simples anteriores. Entretanto, ao combinar, ampliar ou diminuir ideias já existentes, a imaginação pode formar ideias complexas. Hume também sustenta que a relação de causa e efeito não é conhecida por uma conexão necessária percebida diretamente, mas inferida pelo hábito de observar acontecimentos regularmente associados.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a teoria do conhecimento de David Hume, considere as afirmativas a seguir.
I. As impressões distinguem-se das ideias por serem, em geral, mais vivas e intensas, enquanto as ideias são percepções menos vívidas.
II. As ideias simples têm origem em impressões simples correspondentes, o que expressa o princípio empirista de que a experiência é a fonte do conteúdo mental.
III. A razão, independentemente de qualquer experiência sensível, pode produzir por si mesma o conteúdo das ideias simples.
IV. A crença em relações causais necessárias resulta do hábito formado pela observação de acontecimentos regularmente associados, e não da percepção direta de uma conexão necessária.
Assinale a alternativa correta.
- A) Somente as afirmativas II e IV são corretas.
- B) Somente as afirmativas I e III são corretas.
- C) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
- D) Somente as afirmativas I e II são corretas.
- E) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
📖 Análise pedagógica e resolução comentada
🎯 Conceito central
teoria do conhecimento em Hume
💡 Dica de resolução
Analise a relação entre ideias e impressões segundo Hume.
✅ Resposta correta: C
As afirmativas I, II e IV correspondem à teoria empirista de Hume. As impressões são percepções mais intensas que as ideias; as ideias simples derivam de impressões simples; e a causalidade não é percebida como conexão necessária, sendo inferida pelo hábito após a repetição de determinadas associações. A afirmativa III é incorreta porque nega a origem empírica das ideias simples.
Por que as outras alternativas estão erradas:
❌ A) Este distrator rejeita a afirmativa I, embora ela expresse a distinção central de Hume entre impressões mais vivas e ideias menos intensas. As afirmativas II e IV, isoladamente, estão corretas, mas não esgotam o conjunto correto.
❌ B) Este distrator aceita a afirmativa III, que é incompatível com o empirismo de Hume, e rejeita indevidamente a afirmativa II. Para Hume, a razão não cria sozinha o conteúdo das ideias simples, e estas derivam de impressões correspondentes.
❌ D) Este distrator desconsidera a afirmativa IV. Em Hume, a ideia de causalidade não decorre da percepção racional de uma conexão necessária, mas do hábito formado pela repetição de acontecimentos associados.
❌ E) Este distrator combina as afirmativas I e IV, que são corretas, com a afirmativa III, que é falsa, e exclui a afirmativa II, que é fundamental para o empirismo humeano. A razão não produz independentemente o conteúdo das ideias simples.
📚 Reveja antes de resolver
Estude a distinção entre impressões e ideias em Hume.
📋 Ficha pedagógica
Objetivo: diagnostico
Raciocínio: Dedutivo
Taxonomia Bloom: Aplicar
Dificuldade: Média
Tempo estimado: medio
Nível de leitura: alto
Estilo do enunciado: interpretativa
Contexto de aplicação: cientifico
Papel na prova: progressao
Peso pedagógico: medio
Poder de discriminação: medio
Autonomia do enunciado: depende_texto
Cobertura da habilidade: unica
Indicações: Simulado · Diagnóstico
Questão 4 UEL 2026BNCC EM13CHS504Média🧠 Analisar⏱ medio
No século XVIII, a chamada “Querela do luxo” opôs pensadores que viam o consumo refinado como sinal de progresso àqueles que o consideravam causa de corrupção social. Rousseau escreveu: “A vaidade e a ociosidade, que engendram nossas ciências, também engendram o luxo. [...] Eis como o luxo, a dissolução e a escravidão foram [...] o castigo dos esforços orgulhosos que fizemos para sair da ignorância feliz na qual nos colocara a sabedoria eterna. [...] Minha opinião é que absolutamente não se precisa dele. Para além da necessidade física, tudo é fonte de mal.” (ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre as ciências e as artes. Trad. Lourdes Santos Machado. São Paulo: Abril Cultural, 1983, p. 341, 395 e 410.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a antropologia e a teoria política de Rousseau, assinale a alternativa que interpreta corretamente a crítica do filósofo às ciências, às artes e ao luxo.
- A) A presença da vaidade e da ociosidade demonstra que os desejos artificiais são características naturais e inevitáveis, de modo que a desigualdade produzida pelo luxo não pode ser transformada.
- B) A crítica de Rousseau às ciências, às artes e ao luxo decorre da oposição entre necessidades naturais e desejos socialmente produzidos, que alimentam a vaidade, a dependência e a corrupção das relações humanas.
- C) A valorização da ignorância originária leva Rousseau a defender governos autoritários, nos quais a obediência ao soberano deve substituir a participação e o julgamento dos cidadãos.
- D) A defesa do luxo como expressão de refinamento confirma, para Rousseau, que o avanço das artes e das ciências aperfeiçoa naturalmente os costumes e fortalece a igualdade entre os indivíduos.
- E) A crítica de Rousseau às ciências e às artes significa rejeitar qualquer forma de conhecimento, pois a ignorância completa seria a única condição compatível com a liberdade humana.
📖 Análise pedagógica e resolução comentada
🎯 Conceito central
teoria política de Rousseau, luxo, ciências e artes
💡 Dica de resolução
Analise o texto e relacione com as ideias de Rousseau sobre luxo e progresso.
✅ Resposta correta: B
Rousseau distingue as necessidades físicas, simples e naturais, dos desejos artificiais ampliados pela vida social. Para ele, o desenvolvimento das ciências, das artes e do luxo pode estimular a vaidade e a busca por reconhecimento, produzindo dependência, desigualdade e corrupção moral. A crítica não significa rejeitar todo conhecimento, nem defender a submissão política, mas denunciar efeitos sociais e morais de certos modos de progresso.
Por que as outras alternativas estão erradas:
❌ A) Rousseau diferencia a natureza humana das necessidades e desejos construídos socialmente. Por isso, a desigualdade e a corrupção associadas ao luxo são problemas históricos e sociais, não consequências naturais e imutáveis.
❌ C) A referência à ignorância feliz integra a crítica de Rousseau à corrupção produzida pelo progresso social, mas não fundamenta uma defesa de governos autoritários nem da supressão da participação política.
❌ D) Essa interpretação inverte a posição apresentada no texto. Rousseau associa o luxo à vaidade, à ociosidade, à dissolução e à escravidão, e não ao aperfeiçoamento espontâneo dos costumes ou à igualdade.
❌ E) O autor critica os efeitos sociais e morais associados ao desenvolvimento das ciências e das artes, mas não sustenta que todo conhecimento deva ser eliminado nem que a ignorância completa seja a única forma de liberdade.
📚 Reveja antes de resolver
Revisar as ideias de Rousseau sobre a crítica ao luxo e sua relação com as ciências e artes.
📋 Ficha pedagógica
Objetivo: avaliacao
Raciocínio: Crítico
Taxonomia Bloom: Analisar
Dificuldade: Média
Tempo estimado: medio
Nível de leitura: medio
Estilo do enunciado: situacional
Contexto de aplicação: historico
Papel na prova: progressao
Peso pedagógico: medio
Poder de discriminação: medio
Autonomia do enunciado: depende_texto
Cobertura da habilidade: dupla
Indicações: Simulado · Diagnóstico
Questão 5 UEL 2026BNCC EM13CHS501Média🧠 Analisar⏱ medio
Em uma atividade escolar, os estudantes analisaram a seguinte formulação de Immanuel Kant: “Dever é a necessidade de uma ação por respeito à lei. [...] Procede sempre de maneira que eu possa querer também que a minha máxima se torne uma lei universal”. Em seguida, discutiram o caso de uma pessoa que pensa em fazer uma promessa falsa para obter uma vantagem imediata, perguntando se a regra de sua ação poderia ser adotada por todos sem contradição.
Com base no texto e na situação apresentada, qual princípio explica o critério kantiano para avaliar moralmente essa ação?
- A) A ação é moral quando a máxima que a orienta expressa os sentimentos espontâneos de benevolência da pessoa.
- B) A ação é moral quando a máxima que a orienta pode ser querida como lei universal, independentemente das consequências.
- C) A ação é moral quando a máxima que a orienta preserva os costumes aceitos pela comunidade em que a pessoa vive.
- D) A ação é moral quando a máxima que a orienta obedece às regras estabelecidas pela autoridade política vigente.
- E) A ação é moral quando a máxima que a orienta produz as melhores consequências para o maior número de pessoas.
📖 Análise pedagógica e resolução comentada
🎯 Conceito central
imperativo categórico, dever moral
💡 Dica de resolução
Analise o conceito de dever segundo Kant e sua universalização.
✅ Resposta correta: B
Para Kant, o valor moral de uma ação depende de sua máxima, isto é, do princípio que orienta a vontade. Uma ação é moral quando a pessoa pode querer racionalmente que essa máxima se torne uma lei válida para todos. O dever não se fundamenta nas consequências, nos interesses pessoais ou nas regras impostas externamente.
Por que as outras alternativas estão erradas:
❌ A) Kant distingue agir por dever de agir conforme inclinações ou sentimentos. Mesmo sentimentos positivos não constituem, por si mesmos, o fundamento racional da obrigação moral.
❌ C) Costumes sociais podem variar entre comunidades e não fornecem, sozinhos, um critério universal de moralidade. Para Kant, a validade moral exige uma justificativa racional universalizável.
❌ D) A moral kantiana não depende da obediência a uma autoridade política externa. A lei moral é reconhecida racionalmente pelo sujeito, que participa de sua determinação como ser autônomo.
❌ E) O critério apresentado corresponde ao consequencialismo, especialmente ao utilitarismo, que avalia a ação por seus resultados. Para Kant, uma ação não se torna moral apenas porque produz consequências favoráveis.
📚 Reveja antes de resolver
Revisar o conceito de dever e a formulação do imperativo categórico em Kant.
📋 Ficha pedagógica
Objetivo: diagnostico
Raciocínio: Crítico
Taxonomia Bloom: Analisar
Dificuldade: Média
Tempo estimado: medio
Nível de leitura: medio
Estilo do enunciado: interpretativa
Contexto de aplicação: abstrato
Papel na prova: progressao
Peso pedagógico: medio
Poder de discriminação: medio
Autonomia do enunciado: depende_texto
Cobertura da habilidade: unica
Indicações: Simulado · Diagnóstico
Questão 6 UEL 2026BNCC EM13CHS102Média🧠 Compreender⏱ medio
No episódio da Odisseia em que Ulisses encontra as Sereias, o herói ordena aos remadores que tapem os ouvidos com cera e pede que o amarrem ao mastro, para poder escutar o canto sem abandonar a rota. Na interpretação de Adorno e Horkheimer, essa estratégia revela uma organização social em que Ulisses, representante do poder, pode ter acesso à experiência estética, enquanto os trabalhadores permanecem protegidos do canto e continuam remando. Maurice Blanchot, por sua vez, observa que Ulisses parece vencer as Sereias por meio de uma técnica que lhe permite experimentar sua força sem se expor inteiramente às consequências do encontro. Essas interpretações relacionam o episódio aos conceitos de esclarecimento, razão instrumental e dominação da natureza.
Com base no texto e nos conceitos filosóficos nele mobilizados, analise as afirmativas a seguir. I. O controle dos efeitos do canto das Sereias exemplifica o uso da razão instrumental para dominar uma força considerada ameaçadora. II. A astúcia de Ulisses expressa uma estratégia de autoconservação, na qual ele se submete a restrições para preservar a própria vida e alcançar seu objetivo. III. O episódio comprova que mito e racionalidade constituem esferas originalmente separadas e sem qualquer relação entre si. IV. A divisão entre o prazer de ouvir o canto e a obrigação de trabalhar evidencia uma forma de organização social associada à dominação e à desigualdade. Assinale a alternativa correta.
- A) Somente as afirmativas I, III e IV são corretas.
- B) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
- C) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
- D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
📖 Análise pedagógica e resolução comentada
🎯 Conceito central
esclarecimento, razão instrumental, mito, filosofia
💡 Dica de resolução
Analise as interpretações filosóficas sobre o mito de Ulisses e as Sereias e relacione com os conceitos de razão instrumental e esclarecimento.
✅ Resposta correta: C
A afirmativa I é correta porque Ulisses utiliza dispositivos e regras para controlar uma força que não enfrenta diretamente, caracterizando uma relação instrumental com a natureza. A afirmativa II é correta porque sua astúcia consiste em limitar deliberadamente sua ação e seu desejo para conservar a vida e alcançar a meta. A afirmativa III é incorreta: na interpretação de Adorno e Horkheimer, mito e esclarecimento não são esferas simplesmente separadas; o esclarecimento conserva aspectos do mito, enquanto o mito já contém formas de racionalização e poder. A afirmativa IV é correta porque o episódio apresenta uma divisão entre o dirigente, que pode ouvir o canto, e os trabalhadores, que permanecem submetidos à tarefa de remar, evidenciando dominação social.
Por que as outras alternativas estão erradas:
❌ A) Este distrator identifica corretamente a razão instrumental e a desigualdade social, mas considera verdadeira a afirmativa III e rejeita a II. O erro está em interpretar a astúcia apenas como manipulação externa, sem reconhecê-la como estratégia de autoconservação mediante a contenção do próprio desejo.
❌ B) Este distrator reconhece a astúcia e a divisão social, mas rejeita a afirmativa I, embora o uso de cera, cordas e regras para controlar o canto seja precisamente um exemplo de ação instrumental sobre uma força natural ou mítica. Também mantém o erro de considerar correta a afirmativa III.
❌ D) Este distrator considera correta a afirmativa III, confundindo a crítica da relação entre mito e esclarecimento com a ideia de que ambos são esferas originariamente separadas. Também deixa de reconhecer a dimensão social da divisão entre Ulisses e os remadores, apresentada na afirmativa IV.
❌ E) Este distrator reconhece a técnica de controle e a desigualdade social, mas rejeita a afirmativa II. O erro consiste em desconsiderar que a astúcia de Ulisses envolve autolimitação e preservação da vida, e não apenas domínio técnico da situação.
📚 Reveja antes de resolver
Revisar os conceitos de razão instrumental, esclarecimento e a crítica da modernidade em Adorno e Horkheimer.
📋 Ficha pedagógica
Objetivo: avaliacao
Raciocínio: Dedutivo
Taxonomia Bloom: Compreender
Dificuldade: Média
Tempo estimado: medio
Nível de leitura: alto
Estilo do enunciado: interpretativa
Contexto de aplicação: abstrato
Papel na prova: progressao
Peso pedagógico: medio
Poder de discriminação: medio
Autonomia do enunciado: depende_texto
Cobertura da habilidade: multipla
Indicações: Simulado · Diagnóstico
Habilidades BNCC trabalhadas nesta página
As questões desta página desenvolvem as seguintes habilidades da Base Nacional Comum Curricular:
EM13CHS102Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
EM13CHS202Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.
EM13CHS501Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
EM13CHS504Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações culturais, sociais, históricas, científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas.
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