Por que um mesmo armazém pode contar duas histórias diferentes? Ao restaurar um antigo armazém em uma cidade…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar fatos e situações representativas das alterações ocorridas entre o período mercantilista e o advento do capitalismo.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que um mesmo armazém pode contar duas histórias diferentes? Ao restaurar um antigo armazém em uma cidade portuária, a equipe encontrou dois conjuntos de papéis. No primeiro, de meados do século XVIII, o comerciante só podia vender açúcar para um comprador autorizado, precisava de licença da Coroa, pagava taxas na saída do porto e era proibido de negociar com navios de outras bandeiras. No segundo, já no fim do século XIX, aparecem recibos de um banco local, contratos de trabalhadores “por salário mensal”, apólices de seguro para a carga e um anúncio convidando pessoas da cidade a comprar “ações” de uma empresa de transporte. Os dois conjuntos citam o mesmo produto e o mesmo porto, mas as regras do negócio e as relações de trabalho não são as mesmas. Com base no texto, identifique o título mais adequado para um painel do armazém que sintetize a transformação econômica descrita.
- A) Destaca a passagem do comércio controlado pela Coroa para negócios com crédito, seguros e investimento privado.
- B) Destaca a passagem da produção voltada ao mercado para o retorno do escambo e das trocas diretas no porto.
- C) Destaca a passagem da liberdade comercial para o fortalecimento de monopólios e da exclusividade de compra e venda.
- D) Destaca a passagem do trabalho assalariado para o trabalho obrigatório por licença real como forma de pagamento de taxas.
- E) Destaca a passagem do comércio colonial para a industrialização baseada apenas na substituição do navio a vela pelo vapor.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique as duas épocas descritas. No primeiro conjunto de papéis (meados do século XVIII) o comércio de açúcar é controlado pela Coroa: há comprador autorizado, licença real, taxas no porto e proibição de negociar com navios de outras bandeiras. No segundo conjunto (fim do século XIX) aparecem bancos, contratos de trabalho assalariado, apólices de seguro e venda de ações ao público. Passo 2: Compare o que muda. O texto mostra a passagem de um comércio regulado e restrito pelo Estado para um negócio sustentado por crédito, seguros e investimento privado, com participação de particulares. Passo 3: Verifique a alternativa A. Ela resume exatamente essa transformação: do comércio controlado pela Coroa para negócios com crédito, seguros e investimento privado. Ela é a melhor síntese do texto, por isso é a resposta correta, coincidindo com o gabarito oficial. Passo 4: Por que as outras estão erradas. B: o texto não fala em escambo nem em retorno a trocas diretas; ao contrário, a segunda época tem banco e moeda. C: inverte o sentido da mudança, pois no século XVIII já havia monopólio e exclusividade de compra, e o século XIX apresenta mais negócios privados e abertos a investidores. D: também inverte a história, já que o trabalho obrigatório e a licença real pertencem ao primeiro conjunto, enquanto o salário mensal aparece no segundo. E: o texto não menciona substituição do navio a vela pelo vapor nem industrialização, e a palavra apenas restringe demais a transformação, que envolve crédito, seguros, trabalho assalariado e investimento, e não apenas tecnologia de navegação.
💡 Dica: Analise as diferenças históricas e econômicas entre os dois períodos apresentados.
Alternativa por alternativa
Relaciona monopólio e taxas (antes) a bancos, ações e trabalho assalariado (depois), marcas do avanço do capitalismo.
O aluno pode ter achado que a passagem da produção para o mercado envolve uma volta a formas primitivas de troca, sem perceber que o texto mostra bancos e moeda no século XIX.
O aluno pode ter invertido a direção da mudança, achando que a liberdade comercial do século XIX deu lugar a monopólios, quando o texto mostra justamente o monopólio e a exclusividade no século XVIII.
O aluno pode ter atribuído ao século XIX o trabalho obrigatório e ao século XVIII o salário, trocando as características dos dois conjuntos de papéis.
O aluno pode ter associado a transformação apenas à modernização dos navios, ignorando que o texto cita crédito, seguros, contratos assalariados e investimento privado, e que a palavra apenas torna a alternativa restritiva demais.
Raio-X da questão
transformação econômica histórica
diagnostico
história econômica básica · contexto histórico do Brasil
Estude as mudanças econômicas e sociais entre os séculos XVIII e XIX.
Confundir os períodos históricos e suas características econômicas distintas.
pensamento_critico
historico
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