A armadilha (fragmento) 01 Meu nome é Mort. Ed Mort. Sou detetive particular. Pelo menos isso é 02 o que está…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar formas não institucionalizadas de participação social, sobretudo as vinculadas a manifestações artísticas, produções culturais, intervenções urbanas e formas de expressão típica das culturas juvenis que pretendam expor uma problemática ou promover uma reflexão/ação, posicionando-se em relação a essas produções e manifestações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
A armadilha (fragmento) 01 Meu nome é Mort. Ed Mort. Sou detetive particular. Pelo menos isso é 02 o que está escrito numa plaqueta na minha porta. Estava sem trabalho 03 há meses. Meu último caso tinha sido um flagrante de adultério. 04 Fotografias e tudo. Quando não me pagaram, vendi as fotografias. 05 Eu sou assim. Duro. Em todos os sentidos. O aluguel da minha 06 sala — o apelido que eu dou para este cubículo que ocupo, entre 07 uma escola de cabeleireiros e uma pastelaria em alguma galeria de 08 Copacabana — estava atrasado. Meu 38 estava empenhado. Minha 09 gata me deixara por um delegado. A sala estava cheia de baratas. 10 E o pior é que elas se reuniam num canto para rir de mim. Mort. Ed 11 Mort. Está na plaqueta. Luis Fernando Veríssimo Para Massaud Moisés: I. Na rotina da vida diária, o riso desponta sempre que algo de inesperado ocorre, quebrando as nossas expectativas consagradas. II. A sátira, entendida como a utilização deliberada e reformante do ridículo, visa precipuamente ao Castigat ridendo mores (Corrige os costumes pelo riso). III. O riso deflagra em razão da incongruência ou da ruptura, ainda que breve, das regras estabelecidas pelo uso. Há coerência entre os fragmentos literários selecionados e as considerações de Massaud Moisés indicadas: (Mackenzie 2017)
- A) nas afirmações I e II.
- B) nas afirmações I e III.
- C) nas afirmações II e III.
- D) em todas as afirmações.
- E) em nenhuma das afirmações.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- No fragmento de Veríssimo, o humor nasce do contraste entre a figura do detetive durão e sua situação miserável: sem trabalho, sem dinheiro, com a arma empenhada, abandonado pela gata e ridicularizado por baratas que riem dele. Passo 2: Essa quebra de expectativa corresponde à afirmação I, pois o riso desponta do inesperado que rompe o que esperamos. Passo 3: A incongruência entre o papel heroico do detetive e sua realidade patética, com as baratas rindo dele, corresponde à afirmação III, que trata do riso como ruptura das regras e expectativas estabelecidas. Passo 4: A afirmação II trata da sátira que corrige os costumes pelo riso. O texto parodia o estereótipo do detetive particular durão, figura consagrada do romance policial, e ridiculariza essa imagem. Essa paródia é uma forma de sátira a um modelo literário e social, por isso II também é coerente com o fragmento. Passo 5: Como I, II e III são coerentes com o texto, a alternativa correta é a D, em todas as afirmações. Passo 6: Por que as outras estão erradas: A exclui a afirmação III, que se aplica claramente à incongruência da cena; B exclui a II, ignorando a paródia do estereótipo do detetive; C exclui a I, ignorando a quebra de expectativa presente no texto; E nega qualquer coerência, o que não se sustenta diante da incongruência e da paródia. Dúvida: a afirmação II é a mais discutível, pois o texto não tem intenção explícita de corrigir costumes; a leitura como paródia do estereótipo do detetive sustenta a coerência, e por isso o gabarito D é defensável.
💡 Dica: Analise a relação entre o texto e as afirmações para verificar coerência.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a afirmação III não se aplica ao texto, por achar que a incongruência se limita a quebra de expectativas e não envolve regras ou o uso estabelecido. Não percebe que a cena inverte o papel social do detetive.
O aluno confunde humor com sátira e considera que o fragmento é apenas uma narrativa divertida, sem intenção de corrigir costumes ou ridicularizar um modelo. Não reconhece a paródia do estereótipo do detetive durão.
O aluno pensa que a afirmação I, sobre o riso do cotidiano, não se aplica a uma obra literária, tratando o riso ficcional como algo separado da vida real. Não relaciona o inesperado da cena com a quebra de expectativas descrita.
CORRETA. Todas as afirmações (I, II e III) são coerentes com o fragmento, pois o texto apresenta elementos de humor inesperado, sátira e incongruência, alinhando-se às ideias de Massaud Moisés.
O aluno supõe que um texto ficcional não pode ser comparado às considerações teóricas sobre o riso e a sátira, por achar que teoria e literatura não dialogam. Deixa de identificar as relações concretas entre a cena e os conceitos.
Raio-X da questão
riso, incongruência, sátira
diagnostico
interpretação de texto literário · conceito de sátira
estude o conceito de sátira e mecanismos do riso na literatura
Confundir o conceito de sátira com humor simples ou não identificar a relação entre texto e teoria do riso.
pensamento_critico
literario
🔎 Resolver outra questão
Cole o enunciado e veja a resolução passo a passo, a alternativa correta e por que as outras estão erradas.
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