Violência e psiquiatria O tipo de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que utilizam…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características socioeconômicas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à poluição sistêmica e o consumo responsável.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Violência e psiquiatria O tipo de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que utilizam martelos para golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muito do que se supõe façam os doentes mentais. Se se quer falar de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se proclama em tão alta voz que raramente é ouvida, é a sutil, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos “sadios”, contra os rotulados de “loucos”. Na medida em que a psiquiatria representa os interesses ou pretensos interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a violência em psiquiatria é sobretudo a violência da psiquiatria. Quem são porém as pessoas sadias? Como se definem a si próprias? As definições de saúde mental propostas pelos especialistas ou estabelecem a necessidade do conformismo a um conjunto de normas sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão convenientemente gerais – como, por exemplo, “a capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer sentido. Fica-se com a lamentável reflexão de que os sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam admitidos na enfermaria de observação psiquiátrica. Ou seja, eles se definem pela ausência de certa experiência. Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com gás dezenas de milhares de doentes mentais, assim como dezenas de milhares de outros tiveram seus cérebros mutilados ou danificados por sucessivas séries de choques elétricos: suas personalidades foram deformadas, de modo sistemático, pela institucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão concretos emergir na base de uma ausência, de uma negatividade – a compulsiva não loucura dos sadios? De fato, toda a área de definição de sanidade mental e loucura é tão confusa, e os que se arriscam dentro dela são tão aterrorizados pela ideia do que possam encontrar, não só nos “outros” como também em si mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia ao projeto. David Cooper dirige uma crítica à psiquiatria quando esta define saúde como ausência de doença e, desse modo, acaba por não definir adequadamente a própria doença mental. Essa forma de definição incorre em um sofisma conhecido como: (UERJ 2019)
- A) círculo vicioso
- B) falsa autoridade
- C) argumento contra a pessoa
- D) confusão entre causa e efeito
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique o núcleo da crítica. Segundo o texto, a psiquiatria define saúde mental como ausência de doença, e a doença mental, por sua vez, não é definida adequadamente. Ou seja, uma noção depende da outra.
- Analise a estrutura do raciocínio. Para saber o que é saúde, recorre-se à ausência de doença; para saber o que é doença, precisaríamos já ter a noção de saúde. Cada conceito é explicado pelo outro, sem que haja um ponto de partida independente.
- Reconheça o sofisma. Quando a premissa depende da conclusão (ou um conceito é definido por outro que, por sua vez, pressupõe o primeiro), temos o círculo vicioso, também chamado de petição de princípio. Por isso a alternativa A é a correta.
- Verifique as demais alternativas. Falsa autoridade consiste em apelar para a opinião de um suposto especialista que não tem competência no assunto, o que não ocorre no texto. Argumento contra a pessoa ataca quem defende uma tese em vez de discutir a tese, e Cooper critica ideias da psiquiatria, não pessoas. Confusão entre causa e efeito ocorre quando se atribui a um fenômeno uma origem que ele não tem, o que não é o problema apontado, pois a falha está na definição circular dos termos.
💡 Dica: Identifique o tipo de falácia presente na definição da saúde mental.
Alternativa por alternativa
CORRETA. A definição de saúde mental como ausência de doença e vice-versa configura um círculo vicioso, pois o conceito é definido por meio de si mesmo, sem uma base externa clara.
O aluno acha que, por Cooper criticar os especialistas em psiquiatria, a falha estaria em basear a definição na opinião de autoridades do campo.
Por que engana: Confundir o argumento circular com outras falácias ou não reconhecer a repetição na definição.
O aluno interpreta a crítica de Cooper como um ataque pessoal aos psiquiatras, quando o texto critica as definições e as práticas, não as pessoas que as formulam.
O aluno entende que a definição de saúde como ausência de doença inverte a relação de causa e efeito entre saúde e doença, e por isso associa o erro a essa confusão.
Raio-X da questão
falácia lógica em definição
diagnostico
falácias lógicas básicas · conceito de saúde mental
estude falácias lógicas e definições circulares
Confundir o argumento circular com outras falácias ou não reconhecer a repetição na definição.
cidadania_etica
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