Validade e medição do desenvolvimento individual: um bom resultado não conta a história toda
Estudos recentes mostram que medir habilidades e desenvolvimento exige mais do que aplicar um teste: é preciso verificar se a ferramenta mede o que promete e para quem funciona. Veja como levar esse cuidado à avaliação escolar.
Uma medida pode ser consistente e ainda assim não contar toda a história do desenvolvimento de um aluno.
Estudos recentes sobre criatividade, pensamento, bem-estar e competências socioemocionais mostram que avaliar uma capacidade individual envolve duas perguntas diferentes: a ferramenta produz resultados estáveis? E esses resultados representam mesmo aquilo que se pretende observar? Para o professor, essa distinção importa porque uma nota, um questionário ou uma atividade isolada pode orientar decisões, mas não deve ser confundida com a pessoa inteira nem com todo o seu percurso.
O que é validade e medição do desenvolvimento individual e por que importa para o professor?
Medir o desenvolvimento individual é reunir evidências sobre capacidades, conhecimentos, atitudes ou condições de aprendizagem de cada estudante. Validade é o grau em que as evidências e interpretações de uma medida sustentam a conclusão que queremos tirar. Em linguagem de sala de aula: se uma atividade pretende observar pensamento original, precisamos perguntar se as tarefas realmente captam originalidade — e não apenas rapidez, domínio da escrita ou familiaridade com o formato.
Confiabilidade, por sua vez, trata da consistência dos resultados. Uma avaliação confiável tende a produzir resultados coerentes, mas isso não garante, sozinho, que ela esteja medindo o construto certo. Os estudos reunidos aqui analisam instrumentos para diferentes finalidades: criatividade, pensamento sistêmico, pensamento computacional, bem-estar, competências socioemocionais e autoeficácia docente. Não existe uma única medida que sirva para todas essas perguntas.
Na rotina escolar, esse tema aparece quando comparamos respostas ao longo do tempo, identificamos necessidades, planejamos intervenções ou comunicamos progresso às famílias. A pergunta prática não é apenas “qual foi o resultado?”, mas “que conclusão esse resultado permite, para este estudante, neste contexto e com esta tarefa?”. Essa cautela não desvaloriza a avaliação. Ao contrário, ajuda a usar seus dados sem atribuir a um instrumento mais alcance do que ele tem.
O que a pesquisa recente mostra
Os estudos não oferecem uma receita única. Em conjunto, investigam como construir medidas, testar se seus itens formam dimensões coerentes e verificar se os resultados se relacionam com outras evidências. Alguns apresentam resultados psicométricos promissores; outros delimitam um instrumento ou um grupo específico. Três ideias ajudam a organizar o que relatam.
Uma medida precisa combinar tarefas adequadas e evidências de validade
A criatividade é difícil de avaliar porque as respostas abertas podem ser trabalhosas de corrigir e sujeitas a imprecisão. A pesquisa sobre a MOTES desenvolveu uma medida computadorizada para estudantes do ensino fundamental, composta por três atividades semelhantes a jogos: usos, exemplos e frases. Cada atividade tem oito itens. A correção automatizada, baseada em técnicas de modelagem de linguagem, apresentou alta concordância com avaliações humanas independentes no nível das respostas. As análises também apoiaram uma estrutura de três fatores subordinados a um fator geral de originalidade; as pontuações tiveram correlações positivas moderadas com indicadores externos de desempenho criativo e com desempenho acadêmico (Acar, 2024).
Esse caso ilustra por que a validade não é uma etiqueta genérica. Os pesquisadores examinaram diferentes evidências: concordância entre correção automatizada e humana, estrutura interna e relação com indicadores externos. Para o professor, a lição não é que qualquer ferramenta digital mede criatividade, mas que a interpretação ganha sustentação quando diferentes verificações apontam na mesma direção.
Uma lógica semelhante aparece em medidas de pensamento. Na Tailândia, pesquisadores desenvolveram um teste de múltipla escolha para estudantes dos anos finais do ensino fundamental e estabeleceram critérios normativos para interpretar os escores. O estudo relata evidências de validade de conteúdo e de construto, dificuldade adequada dos itens, discriminação aceitável e alta consistência interna (Upapong, 2025). Já o CTAES, aplicado a estudantes do 3º ao 5º ano, foi investigado como medida de pensamento computacional. Os resultados preliminares indicaram que o instrumento aparenta medir principalmente uma dimensão e que estudantes com menor proficiência tiveram menor probabilidade de acertar os itens; as evidências iniciais sugeriram ausência de viés por gênero ou origem étnico-racial, embora os autores indiquem espaço para aprimoramento (Shen, 2025).
Os dois estudos não avaliam a mesma habilidade nem o mesmo contexto. Ainda assim, mostram que examinar itens, estrutura e funcionamento diferencial pode ajudar a entender o que um escore representa. Um resultado de instrumento feito para outra faixa etária ou finalidade não deve ser transferido automaticamente para a turma.
Habilidades complexas pedem dimensões claras e interpretação cuidadosa
Uma habilidade ampla raramente cabe em uma única pergunta. Na China, um estudo elaborou e validou uma escala de competência para aprendizagem digital de estudantes de escolas secundárias de educação profissional. A análise de 872 respostas sustentou um modelo de cinco fatores: processamento cognitivo e leitura, uso de tecnologias, habilidades de pensamento, gestão das atividades e gestão da vontade. Os autores sugerem considerar essas dimensões junto às experiências de aprendizagem dos estudantes na escola e em outros contextos (Tan, 2024).
Para o bem-estar socioemocional de crianças de 6 a 12 anos, uma pesquisa realizada em colaboração com escolas e organizações comunitárias de uma região socioeconomicamente desfavorecida de Brisbane, na Austrália, desenvolveu primeiro o jogo “Clowning Around” e depois o aplicativo “Rumble’s Quest”. A segunda avaliação corroborou a estrutura anterior e ampliou o modelo para cinco fatores: vínculo com a escola, bem-estar social, bem-estar emocional, apoio familiar e conformidade comportamental. Os autores relatam evidências de validade convergente e concorrente e apresentam a medida como uma ferramenta prática para planejamento, avaliação de serviços e monitoramento de tendências de bem-estar infantil (Freiberg, 2024).
Outra avaliação socioemocional, o SELweb MS, foi desenvolvida para estudantes do ensino fundamental II. Seus itens foram elaborados iterativamente com contribuição de jovens e especialistas para cinco competências. Em três estudos com mais de 3.600 estudantes, os escores apresentaram consistência interna de moderada a forte e estabilidade temporal em seis meses. A estrutura de cinco fatores recebeu apoio, assim como a validade convergente; a evidência de validade discriminante foi mista. O desempenho também se associou positivamente a habilidades sociais avaliadas por professores e ao engajamento acadêmico, e negativamente a problemas de comportamento (McKown, 2025).
Esses trabalhos mostram uma tensão importante: dividir um construto em dimensões torna a avaliação mais informativa, mas também exige cuidado para não transformar cada dimensão em rótulo fixo. Um resultado sobre vínculo escolar ou autogestão descreve evidências obtidas em uma medida e em determinadas condições; não define sozinho o estudante nem explica as causas de um resultado.
Também é possível medir percepções e autoeficácia, não apenas desempenho discente
Nem toda medida educacional avalia diretamente o que um aluno consegue fazer. Em Hong Kong, uma escala para investigar necessidades de apoio percebidas por professores em turmas inclusivas apresentou dois fatores: apoio para estratégias de ensino inclusivas e apoio por orientação especializada. Os professores participantes relataram apoio insuficiente. Experiência com estudantes com deficiência, confiança, formação, gênero e tipo de escola foram preditores significativos das necessidades percebidas (Chow, 2024). O resultado trata das percepções de docentes naquele contexto, não de uma medida do desenvolvimento de estudantes.
Há também instrumentos voltados à autoeficácia docente. Um estudo desenvolveu uma escala de 36 itens e quatro variáveis para avaliar a confiança de professores em utilizar gamificação; os autores concluíram que ela é válida e confiável para esse propósito (Örgüt, 2024). Outro examinou um questionário de autoeficácia de professores em formação inicial para integrar ciência da computação, encontrando apoio à validade do instrumento por meio de análise fatorial confirmatória (Bredder, 2026).
Já uma escala para letramento digital de professores de inglês da educação básica em contextos com ChatGPT foi validada com 288 professores chineses, em formação inicial e em exercício. O instrumento tem 19 itens e quatro dimensões, e os autores o apresentam como específico ao domínio e ao contexto de ensino de inglês assistido por ChatGPT (Luo, 2025). A especificidade é central: uma escala feita para um grupo e uma prática não deve ser tratada como medida universal de competência digital docente.
Os estudos lado a lado
A tabela resume o foco e o contexto descritos nos resumos. Quando o resumo não informa país ou etapa, a tabela não atribui esses dados.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Acar, 2024 | MOTES, medida de pensamento original | Concordância com correção humana, estrutura de fatores e confiabilidade; correlações positivas moderadas com criatividade e desempenho acadêmico | Ensino fundamental; país não informado no resumo |
| Chow, 2024 | Escala de necessidades de apoio docente na inclusão | Dois fatores; professores relataram apoio insuficiente; fatores associados às necessidades percebidas | Hong Kong; professores em exercício |
| Freiberg, 2024 | Medida digital de bem-estar socioemocional | Estrutura de cinco fatores e evidências de validade convergente e concorrente | Brisbane, Austrália; crianças de 6 a 12 anos |
| Tan, 2024 | Escala de competência para aprendizagem digital | Modelo de cinco fatores estabelecido | China; estudantes de escolas secundárias de educação profissional |
| Bredder, 2026 | Questionário de autoeficácia para integrar ciência da computação | Análise fatorial confirmatória apoiou a validade do instrumento | Professores em formação inicial; país não informado |
| Luo, 2025 | Escala de letramento digital com ChatGPT | Escala confiável de 19 itens e quatro dimensões | China; professores de inglês da educação básica |
| Upapong, 2025 | Avaliação de pensamento sistêmico | Evidências de validade, consistência interna e critérios normativos | Tailândia; anos finais do ensino fundamental |
| McKown, 2025 | SELweb MS, avaliação socioemocional | Consistência, estabilidade em seis meses e suporte à estrutura de cinco fatores; validade discriminante mista | Ensino fundamental II; país não informado |
| Shen, 2025 | CTAES, avaliação de pensamento computacional | Evidências preliminares de unidimensionalidade e ausência de viés por gênero ou origem étnico-racial | Estudantes do 3º ao 5º ano; país não informado |
| Örgüt, 2024 | Escala de autoeficácia docente para gamificação | Instrumento de 36 itens e quatro variáveis considerado válido e confiável | Educação infantil, fundamental e médio; escolas vinculadas ao Ministério da Educação Nacional |
Pontos em comum e divergências entre os estudos
O ponto comum é que os autores não tratam a construção de uma medida como simples escolha de perguntas. Os estudos testam, em combinações diferentes, a estrutura dos instrumentos, a consistência dos resultados, a relação com outras medidas ou o funcionamento dos itens. Isso reforça uma ideia útil para a escola: antes de interpretar uma pontuação, é preciso saber qual habilidade foi definida e que evidências sustentam aquela interpretação.
As diferenças também importam. Alguns trabalhos investigam desempenho de estudantes em tarefas, como pensamento sistêmico e originalidade; outros avaliam competências autorrelatadas ou percebidas, como necessidades de apoio e autoeficácia docente. Há instrumentos digitais, questionários e testes de múltipla escolha. O que serve para observar uma dimensão não substitui automaticamente outro tipo de evidência.
Os resultados não têm todos o mesmo alcance. O CTAES apresenta evidências preliminares e oportunidades de aprimoramento. No SELweb MS, o suporte à validade discriminante foi misto. A escala de apoio docente de Hong Kong identifica percepções e preditores, mas não testa diretamente o desenvolvimento de estudantes. Portanto, permanece em aberto como instrumentos construídos em populações e contextos específicos se comportam em outras línguas, currículos, idades e condições de aplicação.
O que isso significa para a sala de aula?
Os estudos não prescrevem uma rotina didática única. As ideias abaixo são aplicações possíveis dos princípios de medição discutidos, não resultados testados pelos pesquisadores.
1. Comece definindo o que você quer observar
Uma forma de aplicar esse cuidado é escrever, antes de elaborar uma atividade, qual capacidade pretende observar e quais evidências seriam compatíveis com ela. Imagine uma turma que vai resolver um desafio aberto: se o objetivo é observar originalidade, o professor pode separar esse aspecto de critérios como organização da resposta ou correção ortográfica. Assim, a interpretação não mistura capacidades diferentes como se fossem uma só.
2. Use mais de uma evidência para decisões importantes
Uma aplicação possível é combinar uma tarefa, observações em aula e uma conversa breve antes de concluir que houve avanço ou dificuldade. Imagine um estudante que participa pouco em uma atividade oral, mas apresenta boas ideias em uma produção individual. As duas evidências podem revelar aspectos distintos do desempenho. Isso não significa somar tudo em uma nota única, mas evitar que uma ocasião isolada seja tratada como retrato completo.
3. Observe dimensões sem transformar resultados em rótulos
Se uma habilidade tem dimensões diferentes, como sugerem as escalas de aprendizagem digital e bem-estar, uma forma de usar essa ideia é registrar o que cada evidência permite dizer. Imagine que um aluno planeja bem uma tarefa digital, mas precisa de apoio para manter o foco. Em vez de classificá-lo simplesmente como “bom” ou “fraco” em tecnologia, o professor pode descrever as duas observações e planejar uma oportunidade de prática específica.
4. Confira se a tarefa é acessível aos estudantes
Uma aplicação prática é verificar se a linguagem, o formato e os recursos necessários não criam obstáculos alheios à habilidade avaliada. Imagine uma atividade sobre pensamento computacional que depende de instruções extensas de leitura: o resultado pode refletir leitura, compreensão da tarefa ou pensamento computacional. O professor pode revisar instruções e oferecer condições de acesso adequadas, deixando claro o que está sendo observado e o que não está.
5. Compare o estudante consigo mesmo com prudência
Uma maneira de aplicar a ideia de monitoramento é comparar produções feitas em condições semelhantes, em vez de atribuir significado excessivo a diferenças pequenas entre tarefas muito diferentes. Imagine duas produções criativas realizadas em semanas distintas: se a segunda tarefa tem regras e apoio diferentes, a diferença de resultado não permite concluir automaticamente que a capacidade mudou. Descrever as condições e guardar exemplos concretos ajuda a interpretar o percurso.
6. Use instrumentos externos como apoio, não como substituto do julgamento pedagógico
Uma escala validada para uma faixa etária ou contexto pode oferecer uma estrutura útil, mas não se torna automaticamente adequada a toda turma. Como aplicação, antes de usar um instrumento pronto, o professor pode verificar para quem foi desenvolvido, que competência mede e em que condições foi testado. Imagine uma escala de bem-estar feita para crianças de 6 a 12 anos: ela não deve ser aplicada a adolescentes como se sua adequação estivesse garantida.
7. Explique o sentido dos resultados a estudantes e famílias
Uma forma de levar esses cuidados à comunicação é apresentar a evidência observada, o limite da conclusão e o próximo passo. Imagine uma devolutiva que diz: “Nesta tarefa, você identificou relações entre as partes do problema; vamos praticar como explicar essas relações”. Essa formulação descreve uma produção e uma ação possível, em vez de fixar uma identidade. O resultado da avaliação pode abrir uma conversa sobre aprendizagem, não encerrá-la.
O que muda no contexto brasileiro?
Os estudos vêm de contextos variados: há pesquisas explicitamente situadas em Hong Kong, Austrália, China e Tailândia, além de estudos cujos resumos não informam país. Isso significa que escalas, instrumentos e resultados não podem ser transpostos diretamente para escolas brasileiras sem considerar língua, etapa, experiências escolares, recursos disponíveis e propósito da avaliação.
Uma medida desenvolvida para estudantes de escolas profissionais chinesas, por exemplo, responde a uma questão delimitada naquele contexto. Uma escala para professores de inglês chineses que usam ChatGPT foi concebida com itens próprios a essa área e prática. E a avaliação de pensamento sistêmico da Tailândia foi desenvolvida para estudantes dos anos finais do ensino fundamental daquele contexto. Esses trabalhos podem inspirar perguntas e dimensões a considerar, mas não comprovam que os mesmos instrumentos tenham validade para estudantes brasileiros.
Na prática, uma adaptação exigiria mais do que traduzir perguntas. Seria necessário verificar se os itens fazem sentido para os estudantes, se as tarefas correspondem ao que se pretende medir e se os resultados apoiam interpretações adequadas. Essa é uma sugestão de aplicação baseada no tema geral dos estudos, não uma recomendação específica testada por eles. Para decisões escolares relevantes, vale buscar instrumentos validados para a população e finalidade pretendidas, além de combinar seus resultados com o conhecimento pedagógico local.
Também é importante considerar as condições concretas de aplicação. Um instrumento digital pressupõe acesso e familiaridade com o formato; uma atividade aberta pode exigir tempo de correção; um questionário de autorrelato depende de como o estudante compreende os itens. A escola brasileira não é homogênea, e as condições de uma rede ou turma podem diferir das amostras descritas. Portanto, a pergunta “funciona?” precisa ser acompanhada de “funciona para quem, em que contexto e para qual decisão?”.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de dez estudos recentes, não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem apresentar objetivos e resultados principais, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar procedimentos, instrumentos, condições de aplicação ou limites específicos de cada pesquisa.
Ficam em aberto perguntas importantes: como esses instrumentos se comportam quando adaptados para o português brasileiro? Que usos são adequados para decisões individuais, e quais servem melhor para pesquisas ou monitoramento de grupos? Como interpretar diferenças entre aplicações sem confundir mudança real com diferenças de tarefa ou contexto? E até que ponto os resultados se mantêm em populações diferentes das descritas?
Faria sentido consultar o estudo completo quando a escola ou a rede considerar adotar uma escala, quando uma decisão depender de um escore ou quando for necessário avaliar a qualidade da adaptação de um instrumento. Também é importante buscar informações completas sobre autorização de uso, aplicação e interpretação. Os resultados resumidos aqui ajudam a orientar perguntas; não substituem essa verificação.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
O GeraProva pode ajudar o professor a criar provas e atividades alinhadas ao que deseja observar, mas a ferramenta não substitui a validação de uma medida nem transforma uma atividade em diagnóstico. Uma aplicação cuidadosa começa por definir o objetivo, elaborar tarefas coerentes com ele e interpretar as respostas junto de outras evidências de aprendizagem. Conheça o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis para preparar avaliações com apoio de IA.
Perguntas frequentes sobre validade e medição do desenvolvimento individual
Qual é a diferença entre validade e confiabilidade?
Confiabilidade diz respeito à consistência de uma medida: os resultados apresentam estabilidade ou coerência? Validade diz respeito a se as evidências sustentam a interpretação pretendida: a tarefa mede aquilo que se afirma que mede? Os estudos mostram que pesquisadores podem examinar essas propriedades de diferentes maneiras, como estrutura dos fatores, consistência interna, estabilidade temporal e relação com outras medidas. Uma avaliação pode ser consistente sem representar adequadamente a habilidade de interesse. Por isso, ao usar um resultado, é importante conhecer tanto a consistência da ferramenta quanto o propósito e o contexto para os quais ela foi investigada.
Uma prova de sala de aula mede o desenvolvimento individual?
Uma prova fornece evidências sobre o desempenho em determinadas tarefas e condições. Ela pode contribuir para acompanhar a aprendizagem, mas um resultado isolado não descreve todo o desenvolvimento de um estudante. Os estudos examinados tratam de instrumentos construídos para finalidades específicas e utilizam diferentes tipos de evidência para apoiar suas interpretações. Como aplicação em sala, o professor pode combinar respostas de provas com produções, observações e outras tarefas relacionadas ao objetivo. Isso ajuda a perceber o que o aluno consegue fazer em situações distintas, sem transformar uma nota pontual em definição geral de sua capacidade.
Como saber se uma escala ou avaliação é adequada para minha turma?
Uma primeira verificação é identificar para quem o instrumento foi desenvolvido, qual habilidade pretende medir e que evidências de validade e confiabilidade foram relatadas. Os estudos apresentados trabalham com grupos e contextos delimitados: crianças de certas idades, estudantes de etapas específicas ou professores de áreas determinadas. Isso não garante adequação automática a outra população ou língua. Como sugestão de aplicação, o professor pode investigar se os itens são compreensíveis e se as tarefas correspondem ao objetivo pedagógico, e buscar evidências de validação pertinentes antes de usar resultados para decisões importantes.
Uma pontuação baixa prova que o estudante não desenvolveu determinada habilidade?
Não necessariamente. A pontuação informa como o estudante respondeu a uma medida específica, mas sua interpretação depende do conteúdo dos itens, das condições de aplicação e das evidências que sustentam o uso do instrumento. O CTAES, por exemplo, apresentou resultados preliminares e oportunidades de aprimoramento; outros estudos avaliam dimensões particulares de habilidades complexas. Uma resposta baixa pode indicar uma dificuldade naquela tarefa ou dimensão, sem explicar sozinha sua causa. Uma aplicação prudente é buscar outras evidências e planejar uma oportunidade de aprendizagem, em vez de converter o escore em rótulo permanente.
Posso usar no Brasil uma escala desenvolvida em outro país?
Os estudos de Hong Kong, Austrália, China e Tailândia podem ajudar a compreender como instrumentos são construídos e avaliados, mas seus resultados não comprovam validade para estudantes ou professores brasileiros. Traduzir itens não basta para garantir que a medida funcione da mesma forma em outro contexto. A adequação depende da população, da língua, da finalidade e das condições de aplicação. Como aplicação, antes de adotar uma escala estrangeira, é importante buscar informações sobre adaptação e validação para o uso pretendido. Se essa evidência não estiver disponível, trate o instrumento com cautela e não baseie decisões importantes apenas em seus escores.
O que fazer quando diferentes evidências parecem discordar?
Uma divergência entre prova, observação e produção não significa necessariamente que uma delas esteja errada. Cada fonte pode revelar aspectos distintos e pode depender de condições diferentes. Uma tarefa escrita, por exemplo, não informa exatamente o mesmo que uma atividade oral ou uma colaboração em grupo. Os estudos mostram que medidas podem ter várias dimensões e que a evidência de validade pode ser mais forte para algumas interpretações do que para outras. Como sugestão, registre o que cada evidência mostra, confira se as tarefas tinham objetivos comparáveis e use a diferença como ponto de investigação pedagógica, não como motivo para escolher automaticamente um resultado e descartar os demais.
Referências
As referências abaixo correspondem aos estudos citados no texto.
- Acar, Selcuk; Dumas, Denis; Organisciak, Peter; Berthiaume, Kelly. (2024). Mensuração do Pensamento Original no Ensino Fundamental: Desenvolvimento e Validação de uma Abordagem Psicométrica Computacional (Measuring Original Thinking in Elementary School: Development and Validation of a Computational Psychometric Approach). Journal of Educational Psychology. Link.
- Chow, Wing Sze Emily; Sharma, Umesh. (2024). Os professores em exercício recebem apoio em Hong Kong? Necessidades de apoio percebidas pelos professores na implementação da educação inclusiva (Are In-Service Teachers Supported in Hong Kong? Teachers' Perceived Support Needs in the Implementation of Inclusive Education). International Journal of Inclusive Education. Link.
- Freiberg, Kate; Homel, Ross; Branch, Sara; Allen, Jacqueline; McGee, Tara Renae; Vasco, Daniela; Haskard, Kathy. (2024). O desenvolvimento e as propriedades psicométricas de uma medida digital escalável do bem-estar social e emocional na infância intermediária (The Development and Psychometric Properties of a Scalable Digital Measure of Social and Emotional Wellbeing for Middle Childhood). Applied Developmental Science. Link.
- Tan, Xijin; Lin, Xiaoxi; Zhuang, Rongxia. (2024). Desenvolvimento e validação de uma escala de competência para a aprendizagem digital de estudantes de escolas secundárias de educação profissional (Development and Validation of a Secondary Vocational School Students' Digital Learning Competence Scale). Smart Learning Environments. Link.
- Bredder, Eric; Lilly, Sarah; Chiu, Jennifer L. (2026). Desenvolvimento e análise da autoeficácia de professores em formação inicial para integrar a ciência da computação: instrumento de pesquisa com análise fatorial confirmatória (Development and Analysis of Pre-Service Teachers' Self-Efficacy in Integrating Computer Science Survey Instrument Using Confirmatory Factor Analysis). ACM Transactions on Computing Education. Link.
- Luo, Shuqiong; Zou, Di. (2025). Letramento digital de professores de inglês da educação básica (K-12) baseado no ChatGPT: desenvolvimento e validação de escala (K-12 English Teachers' ChatGPT-Based Digital Literacy: Scale Development and Validation). European Journal of Education. Link.
- Upapong, Thayaamol; Poonputta, Apantee. (2025). Desenvolvimento de uma avaliação de habilidades de pensamento sistêmico para estudantes dos anos finais do ensino fundamental na Tailândia (Developing a Systems Thinking Skills Assessment for Upper Primary Students in Thailand). Educational Process: International Journal. Link.
- McKown, Clark; Russo-Ponsaran, Nicole; Wronski, Matthew; Karls, Ashley. (2025). Propriedades psicométricas de uma avaliação de competências socioemocionais para estudantes do ensino fundamental II (Psychometric Properties of a Social and Emotional Competence Assessment for Middle School Students). Grantee Submission. Link.
- Shen, Lijun; Mirakhur, Zitsi; LaCour, Sarah. (2025). Investigação das características psicométricas de um instrumento de avaliação do pensamento computacional desenvolvido localmente para estudantes do ensino fundamental (Investigating the Psychometric Features of a Locally Designed Computational Thinking Assessment for Elementary Students). Computer Science Education. Link.
- Örgüt, Mustafa; Korkmaz, Özgen; Kukul, Volkan; Ugur Erdogmus, Feray. (2024). Autoeficácia de professores em relação à gamificação: estudo de desenvolvimento de escala (Teachers' Self-Efficacy towards Gamification: A Scale Development Study). International Journal of Technology in Education. Link.
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