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Telessaúde e videoconferência: acesso maior, mas implementação ainda desafia as escolas

Estudos recentes apontam usos promissores da telessaúde para saúde mental, fala, leitura e escrita no contexto escolar. Mas acesso, formação, tempo e condições de implementação continuam no centro da discussão.

Telessaúde e videoconferência: acesso maior, mas implementação ainda desafia as escolas

A pandemia acelerou a passagem de atendimentos e apoios escolares para formatos on-line: estudos recentes descrevem serviços de saúde mental, terapias e intervenções educacionais realizados por telessaúde, muitas vezes com videoconferência. Para o professor, essa mudança não é apenas uma questão de tecnologia: ela pode aparecer na rotina quando um estudante recebe atendimento remoto, quando a escola articula apoio especializado ou quando a equipe precisa combinar aprendizagem e cuidado.

As pesquisas trazem resultados promissores, mas não uma resposta única para todas as situações. Há estudos que relatam avanços específicos e outros que mostram obstáculos concretos, como falta de formação, limitações de tempo e desafios tecnológicos. Entender essa combinação ajuda a conversar com a equipe escolar sem tratar o atendimento remoto como solução automática nem como substituto universal do presencial.

O que é telessaúde e por que importa para o professor?

Telessaúde é a prestação de serviços relacionados à saúde usando tecnologias de comunicação, como videoconferência. No ambiente escolar, pode incluir psicoterapia, consulta psiquiátrica, orientação a cuidadores, apoio ligado à fala e à audição ou serviços relacionados a outras necessidades dos estudantes. Para o professor, o tema importa porque esses atendimentos podem se articular à vida escolar, embora não transformem o docente em profissional de saúde.

Uma revisão de escopo encontrou serviços escolares por telessaúde voltados a estudantes com diferentes condições de saúde e deficiências. Eles incluíam avaliação, intervenção e consultoria, e eram prestados principalmente por videoconferência; entre os profissionais mais frequentes estavam fonoaudiólogos e psicólogos (Knobl, 2026). Outra revisão identificou serviços de saúde mental oferecidos a crianças e adolescentes no ambiente escolar, incluindo psicoterapia, consulta psiquiátrica, manejo de medicamentos, estabilização em situações de crise e orientação a cuidadores (Sowa, 2024).

Na prática, o professor pode ser parte do contexto em que o cuidado acontece: ajuda a organizar horários, observa aspectos da participação escolar e dialoga com a equipe responsável, conforme os procedimentos da própria escola. Isso não significa que deva avaliar clinicamente o estudante, conduzir terapia ou compartilhar informações sensíveis sem autorização e orientação institucional. A distinção entre apoio pedagógico e atendimento de saúde é essencial para preservar responsabilidades e privacidade.

O que a pesquisa recente mostra sobre telessaúde?

O atendimento remoto pode ampliar possibilidades, mas a evidência varia

A revisão de escopo sobre saúde mental escolar reuniu 18 estudos com serviços de telessaúde para crianças de 5 a 18 anos. Todos descreviam psicoterapia ou manejo de medicamentos realizados por psicólogos e/ou psiquiatras. Oito estudos apresentavam resultados qualitativos ou quantitativos, mas apenas quatro avaliavam eficácia clínica. Os autores concluem que a telessaúde escolar é viável, eficaz e aceitável para oferecer atendimento em saúde mental, ao mesmo tempo que destacam a quantidade limitada de evidências disponíveis (Sowa, 2024).

Uma revisão mais ampla examinou serviços relacionados à saúde prestados por telessaúde no contexto escolar, da educação infantil ao ensino médio. Foram incluídos 70 artigos; a maioria era empírica, e os Estados Unidos respondiam pela maior parcela dos estudos. Os serviços apareciam em diferentes condições e deficiências e eram usados, entre outros motivos, para enfrentar escassez de profissionais, atender comunidades rurais e responder às restrições da COVID-19. Os autores destacam que a variedade de estudantes e a concentração geográfica da literatura deixam em aberto em quais situações a telessaúde deve ser implementada (Knobl, 2026).

Essa diferença entre uma conclusão geral favorável e a necessidade de definir melhor onde o formato funciona melhor é importante. “A telessaúde pode ser viável” não equivale a “qualquer atendimento pode ser feito remotamente, para qualquer estudante, em qualquer condição”. O tipo de serviço, as necessidades do estudante, a disponibilidade de profissionais e a estrutura local fazem parte da decisão. Os resumos sustentam uma leitura de potencial, não uma regra única.

Resultados específicos em saúde mental adolescente

Um ensaio escolar comparou, por telessaúde, um programa de prevenção da depressão baseado em psicoterapia interpessoal e treinamento de habilidades para adolescentes com os serviços habituais. Participaram 242 adolescentes com escores elevados de sintomas depressivos na triagem. Os participantes relataram redução de sintomas de depressão e de prejuízo nas duas condições. O grupo do programa remoto apresentou redução maior nos sintomas de ansiedade; entre adolescentes sem diagnóstico de depressão no início, também foram maiores as melhoras em sintomas de depressão e ansiedade em comparação com os serviços habituais. Os dados de frequência e satisfação apontaram viabilidade e aceitabilidade do programa (Young, 2025).

Esse resultado não deve ser resumido como se o programa tivesse sido superior em todas as medidas e para todos os participantes. O diagnóstico inicial modificou os resultados: adolescentes com diagnóstico de depressão no início, que estavam nos serviços habituais, apresentaram melhora maior no prejuízo do que os participantes do programa. Para a escola, a mensagem útil é que intervenções remotas podem produzir resultados promissores em determinados grupos, mas a adequação depende também do perfil e da necessidade de cada adolescente.

Outro estudo analisou o uso de serviços de saúde mental por telessaúde entre estudantes dos anos finais do ensino médio nos Estados Unidos que disseram ter aumentado o consumo de álcool e/ou drogas durante a pandemia. Na amostra estudada, 15,3% buscaram esses serviços. Problemas de saúde mental mais graves, como tentativas de suicídio, estavam mais associados à busca por atendimento do que fatores familiares, escolares ou comunitários. A relação entre proximidade com pessoas na escola e busca de ajuda também variou conforme o gênero (Kim, 2024). O estudo não diz que a escola, sozinha, causa ou resolve essa procura: indica que vínculos escolares podem ser relevantes de maneiras diferentes.

Intervenções por videoconferência em necessidades específicas

Na Índia, profissionais de saúde do setor público foram consultados sobre a possibilidade de usar teleprática para identificar e apoiar crianças com transtornos auditivos e de fala e linguagem. Eles consideraram inadequados os serviços disponíveis e insuficiente o número de profissionais qualificados; também relataram distribuição irregular de equipamentos e profissionais entre unidades distritais. Embora se sentissem à vontade com a tecnologia e dispostos a explorar o atendimento remoto, identificaram necessidade de formação (Jesudass, 2024). O estudo investigou percepções e prontidão, portanto não é uma avaliação de resultados clínicos de uma intervenção.

Um estudo com estudantes com transtorno do espectro autista examinou o ensino de fatos científicos por telessaúde, usando dica simultânea e aprendizagem por observação. Os resultados indicaram aquisição dos fatos científicos e das habilidades de aprendizagem por observação, manutenção ao longo do tempo e generalização para diferentes pessoas (Kiyak, 2023). Trata-se de uma investigação educacional específica realizada durante o contexto de interrupção da escolarização na pandemia, não de evidência de que toda atividade de ensino ou todo serviço de saúde produza os mesmos efeitos por videoconferência.

Na amostra neerlandesa de um estudo sobre tratamento da dislexia, 254 crianças que receberam tratamento presencial habitual foram comparadas a 162 que receberam tratamento on-line. O grupo on-line participou de um número ligeiramente menor de sessões; após o controle do número de sessões, apresentou progresso semelhante em leitura e ortografia. Os autores relatam que o tratamento da leitura pode ser oferecido on-line com sucesso nesse contexto (Verwimp, 2024). Esse resultado é útil, mas não permite concluir que todos os programas de apoio à leitura ou todas as modalidades remotas sejam equivalentes.

Um estudo de caso nos Estados Unidos acompanhou uma aluna do primeiro ano que participou de 18 atendimentos síncronos por telessaúde de um programa de escrita manual, ao longo de seis semanas. Houve ganhos em legibilidade e velocidade da escrita manual, mas os resultados de ortografia foram inconclusivos. A participante relatou satisfação, a assiduidade foi alta e foram necessárias poucas adaptações; por outro lado, a frequência dos atendimentos foi descrita como desgastante pela aluna e pela família (Bray, 2025). Como se trata de um estudo de caso, seu resultado preliminar pede cuidado antes de generalizar para outras crianças.

Implementação: tecnologia não basta

Uma pesquisa com 163 orientadores educacionais certificados e licenciados nos Estados Unidos e em seus territórios investigou como a pandemia alterou seus papéis. Os participantes relataram aumento de serviços de orientação direta oferecidos on-line, incluindo atendimentos individuais e em grupo, planejamento acadêmico e resposta a crises. Também relataram falta de confiança e formação para orientar virtualmente, sobrecarga para defender a oferta desses serviços e questões éticas associadas à prática on-line (Behl, 2024). O estudo destaca que uma mudança de formato altera a rotina profissional e exige atenção a preparo e condições de trabalho.

Em entrevistas com adolescentes, orientadores e gestores escolares e distritais de escolas envolvidas em um ensaio maior, um programa remoto de prevenção à depressão foi considerado em geral útil e relevante. As barreiras relatadas incluíram tempo e recursos escolares limitados, problemas tecnológicos e a percepção de alguns orientadores de que o programa era mais estruturado do que sua prática habitual (Davis, 2026). Assim, a aceitação de uma proposta não elimina os desafios de incorporá-la à agenda e ao funcionamento da escola.

Quais estudos foram comparados?

A tabela resume o foco e os resultados relatados nos resumos. Os contextos nacionais só são indicados quando aparecem na descrição do estudo; os demais não devem ser presumidos.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Young, 2025Programa escolar remoto de prevenção à depressão versus serviços habituais.Reduções em sintomas depressivos e prejuízo nas duas condições; resultados favoráveis ao programa em ansiedade e em alguns grupos.Adolescentes; contexto nacional não informado no resumo.
Kim, 2024Fatores associados à procura por saúde mental remota entre adolescentes com aumento do uso de substâncias.15,3% buscaram atendimento; saúde mental mais grave esteve mais associada à procura. Relação com proximidade escolar variou por gênero.Estados Unidos; estudantes do 9º ao 12º ano; dados de 2021.
Jesudass, 2024Percepções de profissionais sobre teleprática para dificuldades auditivas, de fala e linguagem na infância.Serviços e recursos considerados insuficientes e irregulares; profissionais dispostos, mas com necessidade de formação.Setor público no sul da Índia.
Verwimp, 2024Tratamento on-line da dislexia comparado ao presencial.Progresso semelhante em leitura e ortografia após controle do número de sessões; menos sessões no grupo on-line.Crianças neerlandesas.
Behl, 2024Experiência de orientadores educacionais durante a transição para serviços virtuais.Aumento de serviços on-line, acompanhado de relatos de falta de formação, confiança, sobrecarga e questões éticas.163 orientadores dos Estados Unidos e territórios.
Sowa, 2024Revisão de telessaúde em saúde mental no ambiente escolar.18 estudos; conclui viabilidade, eficácia e aceitabilidade, mas aponta evidências limitadas.Estudos com crianças e adolescentes de 5 a 18 anos; locais variados.
Kiyak, 2023Ensino de fatos científicos a estudantes com TEA por telessaúde.Aquisição, manutenção e generalização das habilidades avaliadas.Estudantes dos anos finais do ensino fundamental; país não informado no resumo.
Knobl, 2026Revisão de telessaúde em serviços relacionados à saúde no contexto escolar.70 artigos; videoconferência frequente; uso ligado, entre outros motivos, à escassez de profissionais e às comunidades rurais.Educação infantil ao ensino médio; maioria dos artigos dos Estados Unidos.
Davis, 2026Implementação de programa escolar remoto de prevenção à depressão.Programa considerado útil; barreiras incluíram tempo, recursos, tecnologia e diferenças em relação à prática habitual.Adolescentes e profissionais de escolas participantes de um ensaio maior.
Bray, 2025Estudo de caso de programa remoto de escrita manual e ortografia.Ganhos em legibilidade e velocidade; ortografia inconclusiva; satisfação e frequência altas, com relato de desgaste.Aluna do primeiro ano; contexto nacional não informado no resumo.

O que há em comum e o que ainda diverge?

Em conjunto, os estudos sugerem que a videoconferência pode levar determinados serviços a estudantes que, de outra forma, enfrentariam barreiras de acesso. As revisões descrevem usos variados, e intervenções específicas relatam resultados favoráveis em alguns desfechos. A possibilidade de conectar estudantes, famílias, escolas e profissionais aparece, portanto, como uma contribuição real do formato, especialmente quando a distância ou a falta de profissionais está entre os problemas considerados.

Mas “acesso” não é sinônimo de atendimento adequado. A pesquisa com profissionais na Índia encontrou disposição para experimentar a teleprática junto à necessidade de formação e à distribuição irregular de recursos. Os orientadores nos Estados Unidos relataram aumento de serviços on-line, mas também falta de confiança, sobrecarga e dilemas éticos. E as entrevistas sobre implementação identificaram restrições de tempo, recursos e tecnologia mesmo quando o programa era visto como útil (Jesudass, 2024; Behl, 2024; Davis, 2026).

Os resultados também diferem pelo que foi medido e pelo desenho de cada pesquisa. Um ensaio comparou um programa de saúde mental com serviços habituais; um estudo de caso acompanhou uma aluna; outro comparou tratamento de dislexia on-line e presencial; as revisões mapearam conjuntos de estudos. Não é adequado colocar esses resultados como se medissem a mesma coisa. Permanecem perguntas sobre quais estudantes se beneficiam mais, quais serviços exigem presença, que adaptações são necessárias e como avaliar resultados em contextos diferentes.

Como o professor pode considerar isso na rotina escolar?

Os estudos não estabelecem um protocolo pedagógico universal para professores. As sugestões abaixo são aplicações possíveis das questões levantadas pelas pesquisas, para serem adaptadas às regras e aos profissionais responsáveis em cada escola.

1. Diferencie observação pedagógica de avaliação clínica

Como aplicação, o professor pode registrar observações objetivas sobre participação, frequência ou realização das atividades e compartilhá-las pelos canais institucionais adequados. Imagine que uma estudante passe a faltar a determinadas tarefas: uma descrição do que ocorre em aula pode ajudar a equipe a conversar, mas não deve virar diagnóstico de depressão, dislexia ou outra condição. Os estudos tratam de serviços prestados por profissionais de saúde ou de intervenções delimitadas, não de transferir sua responsabilidade clínica para o docente.

2. Combine a logística com antecedência

Como aplicação, se um atendimento remoto ocorrer dentro da escola, a equipe pode combinar horário, espaço reservado, responsável pelo acompanhamento e procedimento para imprevistos. Imagine um estudante que participa de uma sessão por videoconferência durante o turno: prever como ele retorna à atividade e quem cuida da organização evita que o professor tenha de resolver tudo no momento. Essa proposta responde a barreiras de tempo e recursos identificadas na implementação de programas escolares remotos (Davis, 2026).

3. Pergunte que apoio e formação a equipe precisa

Como aplicação, uma conversa de planejamento pode levantar dúvidas sobre uso da tecnologia, privacidade, participação do estudante e limites de atuação de cada profissional. Não é razoável supor que a familiaridade com chamadas de vídeo seja suficiente para conduzir um atendimento especializado. Profissionais consultados sobre teleprática declararam disposição para explorar o formato, mas também necessidade de formação; orientadores relataram falta de confiança e preparo (Jesudass, 2024; Behl, 2024).

4. Trate o vínculo escolar como uma pista, não como diagnóstico

Como aplicação, imagine que um adolescente esteja mais afastado dos colegas. O professor pode observar mudanças e seguir o fluxo da escola para comunicar preocupações, sem presumir o que elas significam. O estudo sobre adolescentes que aumentaram o uso de substâncias encontrou associações entre fatores de saúde mental, proximidade escolar e busca de atendimento, com diferenças por gênero (Kim, 2024). Isso sustenta atenção ao contexto e escuta cuidadosa, não conclusões sobre um aluno a partir de um único comportamento.

5. Considere que atividades remotas podem exigir adaptações

Como aplicação, se um profissional propuser uma atividade ligada a uma intervenção remota, o professor pode combinar quais materiais ou ajustes são necessários, sem substituir o plano do especialista. O estudo sobre ensino de fatos científicos a estudantes com TEA relatou aquisição e generalização das habilidades trabalhadas por telessaúde (Kiyak, 2023), enquanto o estudo sobre escrita manual encontrou ganhos em alguns resultados e resultados inconclusivos em ortografia (Bray, 2025). A diferença reforça a importância de alinhar expectativas ao objetivo específico.

6. Proteja o espaço e as informações do estudante

Como aplicação, a escola pode definir um local reservado e orientar quem pode acompanhar ou receber informações sobre o atendimento, seguindo seus protocolos. Uma chamada de vídeo feita em área movimentada pode dificultar a privacidade e a concentração. Os orientadores participantes da pesquisa de Behl relataram questões éticas relacionadas à orientação virtual (Behl, 2024); os resumos não detalham um protocolo único, então a escola deve recorrer às regras e orientações profissionais aplicáveis ao seu contexto.

7. Observe também o custo de tempo para a família e para a escola

Como aplicação, no planejamento de um atendimento remoto, vale conversar sobre frequência, duração, deslocamento e impacto na rotina, sem presumir que “on-line” significa esforço menor. No estudo de caso sobre escrita manual, os atendimentos foram considerados desgastantes pela participante e pela família apesar da satisfação e da alta assiduidade (Bray, 2025). Esse exemplo não define a experiência de todos, mas lembra que a viabilidade inclui a rotina de quem participa, não apenas a conexão funcionar.

O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?

Os estudos citados vêm de contextos diferentes, e a maior parte dos dados nacionais explicitamente identificados nos resumos é dos Estados Unidos. Há ainda uma pesquisa qualitativa no sul da Índia e um estudo com crianças neerlandesas. Portanto, os resultados não descrevem diretamente as redes escolares brasileiras, nem estabelecem como serviços de saúde devem ser organizados no Brasil.

O que pode ser aproveitado é a lista de perguntas para planejamento: há profissionais disponíveis? Existe conexão e equipamento no local de atendimento? Quem prepara o espaço? A equipe recebeu formação? Como se organiza o tempo escolar? Como a família participa? O levantamento sobre serviços escolares relaciona o uso da telessaúde à escassez de profissionais e ao atendimento de comunidades rurais, mas os próprios autores pedem pesquisas adicionais para definir em que situações o recurso deve ser implementado (Knobl, 2026). No Brasil, essas perguntas precisam ser respondidas considerando a realidade de cada rede, território e serviço.

Também é importante não importar automaticamente arranjos descritos em outros países. O estudo de prevenção à depressão examinou serviços habituais em comparação com um programa específico, e as pesquisas com orientadores tratam de profissionais e estruturas dos Estados Unidos. A pesquisa indiana descreve condições do setor público de uma região daquele país. Esses dados ajudam a identificar desafios possíveis, mas não são orientação normativa brasileira. Para decisões concretas, a escola deve seguir suas políticas, os encaminhamentos disponíveis e a atuação dos profissionais habilitados.

Para o professor, a adaptação mais segura é manter o foco no que cabe à escola: comunicação responsável, organização da rotina, observação pedagógica e diálogo com a equipe. Uma videoconferência pode aproximar um estudante de um serviço; não resolve, por si só, falta de equipamentos, necessidade de formação, privacidade ou continuidade do atendimento. O acesso precisa ser planejado junto com as condições para que o serviço seja adequado.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes registrados no ERIC, e não na leitura integral dos artigos. Por isso, apresenta os objetivos e resultados relatados nos resumos sem tentar reconstruir detalhes metodológicos que não estão descritos ali. Os estudos também têm desenhos e perguntas diferentes: revisões de escopo, entrevistas, comparações de intervenções e estudos de caso não oferecem o mesmo tipo de evidência.

Ficam em aberto questões importantes: quais condições tornam a telessaúde mais adequada do que o atendimento presencial? Como variam os resultados entre estudantes e territórios? Que recursos, formação e cuidados de privacidade são necessários em cada serviço? E quanto os resultados persistem depois do período avaliado? Para decidir sobre um programa, protocolo ou atendimento específico, faz sentido consultar o estudo completo e as orientações profissionais e institucionais pertinentes. Essa leitura mais aprofundada é especialmente importante antes de transformar um resultado promissor em uma recomendação geral.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

A telessaúde não substitui o trabalho de avaliar a aprendizagem, mas pode ser um tema para atividades de leitura, debate e análise crítica sobre acesso, tecnologia e cuidado. Se você quiser criar questões ou provas a partir desse assunto e ajustá-las à sua turma, pode experimentar o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis. A ferramenta apoia a preparação de materiais; a escolha do conteúdo e a revisão pedagógica continuam com o professor.

Perguntas frequentes sobre telessaúde e escola

Telessaúde e videoconferência são a mesma coisa?

Não exatamente. A videoconferência é uma modalidade de comunicação que pode ser usada para prestar serviços por telessaúde. As pesquisas analisadas descrevem serviços como psicoterapia, consultas psiquiátricas, apoio ligado à fala e à audição e outras intervenções no contexto escolar. A revisão de serviços relacionados à saúde identificou a videoconferência como forma frequente de atendimento (Knobl, 2026). Mas telessaúde não se resume ao aplicativo ou à chamada: envolve o serviço prestado por profissionais, sua finalidade e as condições para atender o estudante.

Os estudos provam que atendimento remoto funciona para todos os estudantes?

Não. Os resultados são promissores em intervenções e grupos específicos, mas não justificam uma conclusão universal. Um estudo sobre tratamento on-line da dislexia relatou progresso semelhante ao presencial após controle do número de sessões, enquanto um estudo de caso sobre escrita manual encontrou ganhos em legibilidade e velocidade, mas resultados inconclusivos em ortografia (Verwimp, 2024; Bray, 2025). A revisão de saúde mental escolar também aponta evidência limitada, apesar de concluir que os serviços podem ser viáveis, eficazes e aceitáveis (Sowa, 2024).

O professor deve conduzir ou avaliar um atendimento por telessaúde?

Os estudos apresentados não recomendam que o professor conduza atendimento clínico ou faça diagnóstico. As intervenções descritas envolvem profissionais de saúde, como psicólogos, psiquiatras e outros prestadores. O papel do docente pode ser colaborar com a organização escolar, observar aspectos pedagógicos e seguir os canais de comunicação definidos pela instituição. Como aplicação, diante de uma preocupação, é mais adequado relatar o que foi observado e acionar a equipe responsável do que atribuir uma condição ao estudante.

Quais são os principais obstáculos para oferecer serviços remotos na escola?

Os resumos apontam desafios de tecnologia, tempo, recursos e formação. Profissionais do setor público consultados na Índia relataram distribuição irregular de equipamentos e necessidade de capacitação para teleprática (Jesudass, 2024). Orientadores educacionais nos Estados Unidos mencionaram falta de confiança e formação, sobrecarga e questões éticas (Behl, 2024). Em entrevistas sobre um programa de saúde mental, participantes apontaram tempo e recursos limitados, problemas tecnológicos e diferenças entre o programa estruturado e a prática habitual (Davis, 2026).

A telessaúde pode ajudar estudantes que vivem longe de especialistas?

Ela pode ser uma forma de enfrentar barreiras de acesso, mas o benefício depende das condições locais. Uma revisão de 70 artigos encontrou uso de telessaúde escolar, entre outros motivos, para enfrentar a escassez de profissionais e atender comunidades rurais (Knobl, 2026). Isso não garante que todo estudante distante terá atendimento adequado: é preciso considerar conexão, equipamentos, disponibilidade de profissionais, formação e organização do serviço. A revisão também recomenda mais pesquisas para esclarecer em quais situações específicas a telessaúde deve ser usada.

O que um professor pode fazer sem ultrapassar seu papel?

Como aplicação, o professor pode ajudar a escola a organizar a rotina de um atendimento, observar efeitos na participação escolar e conversar com a equipe responsável pelos canais institucionais. Pode também ajudar a preservar um espaço reservado, conforme as regras da escola. Não precisa interpretar clinicamente o comportamento nem conduzir a intervenção. Os estudos mostram que a relação com a escola pode ser relevante para a busca de ajuda entre adolescentes, mas não transformam o professor em responsável pelo atendimento de saúde (Kim, 2024).

Referências

  1. Young (2025). Prevenção da depressão por telessaúde: resultados de curto prazo de um ensaio controlado randomizado realizado em escolas (Telehealth-Delivered Depression Prevention: Short-Term Outcomes from a School-Based Randomized Controlled Trial). Grantee Submission. https://eric.ed.gov/?id=ED659951
  2. Kim (2024). Fatores ecológicos associados à utilização de serviços de saúde mental por telessaúde entre adolescentes com aumento do uso de substâncias durante a pandemia de COVID-19: efeito moderador do gênero (Ecological Factors of Telemental Healthcare Utilization among Adolescents with Increased Substance Use during the COVID-19 Pandemic: The Moderating Effect of Gender). Child & Youth Care Forum. https://eric.ed.gov/?id=EJ1408074
  3. Jesudass (2024). Necessidades e prontidão para usar a teleprática na identificação e reabilitação de crianças com transtornos auditivos e de fala e linguagem: percepções de profissionais de saúde do setor público no sul da Índia (Needs and Readiness to Use Tele-Practice for Identification and Rehabilitation of Children with Hearing and Speech-Language Disorders: Perceptions of Public Sector Care Providers in South India). Early Child Development and Care. https://eric.ed.gov/?id=EJ1412133
  4. Verwimp (2024). A geração da COVID-19: o tratamento on-line da dislexia é tão eficaz quanto o tratamento presencial em uma amostra neerlandesa (The COVID Generation: Online Dyslexia Treatment Equally Effective as Face-to-Face Treatment in a Dutch Sample). Annals of Dyslexia. https://eric.ed.gov/?id=EJ1430925
  5. Behl (2024). Aprendendo com a pandemia: a experiência de orientadores educacionais durante a pandemia nos Estados Unidos (Learning from the Pandemic: School Counsellor Experience during the Pandemic in the United States). Journal of Psychologists and Counsellors in Schools. https://eric.ed.gov/?id=EJ1441250
  6. Sowa (2024). Saúde mental por telessaúde nas escolas: uma revisão de escopo da literatura (School-Based Tele-Behavioral Health: A Scoping Review of the Literature). Journal of School Health. https://eric.ed.gov/?id=EJ1424226
  7. Kiyak (2023). Ensino de fatos científicos a estudantes com transtorno do espectro autista por meio de telessaúde (Teaching Science Facts to Students with Autism Spectrum Disorders via Telehealth). Journal of Behavioral Education. https://eric.ed.gov/?id=EJ1391992
  8. Knobl (2026). Uma revisão de escopo da telessaúde nos serviços de saúde prestados no contexto escolar: características do uso da telessaúde (A Scoping Review of Telehealth in School-Based Related Health Services: Characteristics of Telehealth Use). Review of Education. https://eric.ed.gov/?id=EJ1503951
  9. Davis (2026). Determinantes de implementação e resultados de um programa de prevenção à depressão ofertado por telessaúde (Implementation Determinants and Outcomes of a Telehealth-Delivered Depression Prevention Program). Grantee Submission. https://eric.ed.gov/?id=ED680701
  10. Bray (2025). Handwriting Without Tears® por meio de atendimento via telessaúde: estudo de caso sobre viabilidade e eficácia nos resultados de escrita manual e ortografia (Handwriting Without Tears® via Telehealth Delivery: A Case Study of Feasibility and Effectiveness for Handwriting and Spelling Outcomes). Journal of Occupational Therapy, Schools & Early Intervention. https://eric.ed.gov/?id=EJ1509073

Se esse tema aparece na sua escola, vale conversar com a equipe sobre o que é possível, necessário e seguro no contexto de vocês. A tecnologia pode aproximar serviços; o cuidado continua sendo uma construção coletiva.

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