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Práticas restaurativas na escola: fidelidade e adaptação precisam andar juntas

Estudos recentes apontam que implementar práticas restaurativas exige formação, acompanhamento e participação da equipe. Veja o que avaliar, como interpretar resultados e o que considerar ao adaptar essas práticas à realidade da escola brasileira.

Práticas restaurativas na escola: fidelidade e adaptação precisam andar juntas

Avaliar práticas restaurativas importa porque uma iniciativa bem-intencionada pode ser aplicada de formas muito diferentes entre turmas e escolas, e essa diferença muda o que conseguimos concluir sobre seus efeitos. Este texto responde a três perguntas práticas: o que vale a pena acompanhar durante a implementação, como distinguir fidelidade de adaptação e que resultados os estudos recentes permitem esperar?

A pesquisa disponível não oferece uma receita única nem autoriza prometer que qualquer programa reduzirá conflitos ou afastamentos. Ela ajuda, porém, a organizar uma avaliação mais cuidadosa: olhar para as condições de implementação, para a experiência de quem participa e para resultados que façam sentido no contexto da escola. Para o professor, isso significa sair da pergunta “funcionou ou não?” e investigar também como a prática chegou à rotina.

O que é avaliação e implementação de práticas restaurativas em programas escolares e por que importa para o professor

Avaliar e implementar práticas restaurativas é planejar como elas serão incorporadas à vida escolar, acompanhar se estão sendo aplicadas e verificar que mudanças aparecem — sem reduzir o processo a contar conflitos ou afastamentos. Na rotina, isso pode envolver a forma como adultos respondem a um dano, como os estudantes são convidados a reconstruir relações e como a escola organiza formação e apoio para que a prática não dependa de uma pessoa só.

Práticas restaurativas podem incluir maneiras relacionais de responder a comportamentos inadequados e ações voltadas a desenvolver relações e participação. O estudo realizado em escolas públicas de Saint Paul avaliou um modelo de práticas restaurativas para toda a escola, com esse tipo de objetivo (Beckman, 2024). Já um estudo de caso sobre justiça restaurativa em cinco escolas de ensino fundamental II examinou como passar da teoria à prática e destacou a importância da equipe gestora, de equipes de implementação e de formação continuada (Abdou, 2023).

Para o professor, essa distinção é importante porque uma prática não se resume a uma conversa ou atividade isolada. Ela depende de condições organizacionais: tempo, apoio, clareza sobre o que se pretende fazer e continuidade. A avaliação ajuda a perceber se a escola está criando essas condições, se os adultos estão usando a proposta de modo compreensível e se os resultados observados justificam manter, ajustar ou aprofundar a iniciativa.

O que a pesquisa recente mostra

Os estudos recentes apontam uma mensagem central: para avaliar programas escolares, não basta observar resultados finais; é preciso entender como a implementação aconteceu. As pesquisas mais diretamente relacionadas às práticas restaurativas abordam a execução em toda a escola, a organização do trabalho e a necessidade de equilibrar fidelidade à proposta com respostas ao contexto.

Uma política para toda a escola precisa de estrutura e continuidade

Em Saint Paul, Minnesota, pesquisadores avaliaram a implementação de práticas restaurativas em toda a escola ao longo de um período de três anos. O modelo pretendia apoiar relações equitativas, engajamento na aprendizagem e respostas relacionais a comportamentos inadequados. A avaliação acompanhou três coortes em sete escolas: quatro de ensino fundamental anos iniciais, duas de anos finais e uma de ensino médio. O estudo combinou análises de impacto com uma avaliação da fidelidade da implementação (Beckman, 2024).

Um dos resultados foi a redução da diferença nas taxas de afastamento escolar entre estudantes negros e negros multirraciais e estudantes brancos nas escolas de tratamento, em comparação com as escolas de comparação. O estudo relata uma redução média adicional de 0,021 afastamentos por estudante nessa diferença, com resultado estatisticamente significativo. Em outras análises, porém, não foram encontradas evidências estatísticas de diferenças entre os grupos de escolas. A avaliação também não encontrou sustentação estatística para melhorias gerais na frequência e na disciplina individual dos estudantes.

O acompanhamento da implementação ajuda a interpretar esse quadro. As escolas atenderam coletivamente aos critérios de dois componentes centrais de formação no primeiro ano, a um de quatro componentes de formação e implementação no segundo ano e a três de quatro no terceiro. Os autores consideram que o nível mais alto de fidelidade no terceiro ano oferece evidência preliminar de um nível mínimo de adesão que poderia começar a impactar resultados escolares, como a redução de disparidades nos afastamentos. Eles também destacam que pesquisas adicionais são necessárias para saber se maior fidelidade ou mais tempo de implementação poderiam produzir impactos maiores (Beckman, 2024).

Isso não equivale a dizer que a escola deve copiar um modelo norte-americano. O estudo mostra, em seu contexto, por que vale a pena acompanhar tanto os resultados quanto as condições de implementação: sem saber o que foi realmente colocado em prática, fica difícil interpretar um resultado nulo ou positivo.

Mapear o programa ajuda a descobrir onde a prática se perde

Um estudo de caso examinou a implementação de justiça restaurativa em toda a escola em cinco unidades de ensino fundamental II. Pesquisadores e especialistas externos conduziram uma avaliação colaborativa com Pesquisa-Ação Participativa e um Modelo Lógico de Resultados. Em termos simples, esse tipo de mapeamento organiza recursos, atividades, produtos e resultados esperados, para que a equipe consiga discutir se cada etapa está conectada à seguinte (Abdou, 2023).

Entre as aprendizagens relatadas estão a importância da adesão da equipe gestora, de equipes de implementação focadas e de sistemas robustos de formação continuada de professores. O estudo também identificou lacunas na prática e no monitoramento dos resultados. Essa contribuição é especialmente útil para escolas que têm ações dispersas: antes de perguntar se o programa produziu uma mudança, a equipe pode precisar esclarecer quais ações fazem parte dele, quem responde por elas e que sinais indicam que foram realizadas.

Os desafios descritos ajudam a evitar dependências frágeis. Rotatividade de lideranças, dependência excessiva de especialistas individuais em justiça restaurativa e desequilíbrio de atividades entre níveis de intervenção foram apontados como obstáculos. Em uma escola, por exemplo, uma prática pode ser conhecida por um pequeno grupo e desaparecer quando alguém muda de função. O estudo não apresenta uma fórmula universal para resolver isso, mas evidencia a relevância de distribuir responsabilidades e manter estruturas de formação e acompanhamento (Abdou, 2023).

Fidelidade não precisa significar aplicação rígida

Um estudo qualitativo sobre o programa Passport Skills for Life, de aprendizagem social e emocional, não avaliou um programa de práticas restaurativas. Ainda assim, ele oferece uma comparação pertinente sobre implementação de intervenções escolares: em cinco escolas primárias regulares de Greater Manchester e áreas próximas, na Inglaterra, professores relataram alta fidelidade à proposta e, ao mesmo tempo, fizeram adaptações. Crianças, docentes e lideranças foram ouvidos por entrevistas e grupos focais em um estudo longitudinal de caso (Demkowicz, 2026).

Os participantes consideraram valiosos o formato de histórias em quadrinhos, as oportunidades de reflexão emocional e o conteúdo sensível do programa. A implementação também foi moldada pelo contexto escolar e por uma diferenciação limitada para crianças com necessidades educacionais especiais e deficiência. As perspectivas gerais dos grupos foram alinhadas, embora houvesse divergências dentro de cada grupo. A conclusão destaca a necessidade de propostas inclusivas, sensíveis ao contexto e acompanhadas por orientação e apoio, de modo a preservar a fidelidade sem comprometer acessibilidade, impacto ou flexibilidade (Demkowicz, 2026).

A aplicação ao tema restaurativo deve ser feita com cuidado: são programas diferentes. O ponto que pode ser aproveitado é uma pergunta de avaliação, não uma equivalência de resultados. A equipe pode registrar o que manteve da proposta, o que adaptou e por quê, além de verificar se a adaptação tornou a participação mais acessível ou se retirou um componente importante.

Formação e apoio sustentam mudanças iniciais

Uma revisão de 26 estudos sobre suportes universais de Nível 1 em escolas da educação infantil ao ensino médio reuniu intervenções como práticas restaurativas, ensino culturalmente responsivo e outros apoios culturalmente afirmativos. A maioria dos estudos ocorreu em escolas urbanas de anos iniciais do ensino fundamental nos Estados Unidos. As oportunidades de formação incluíam desenvolvimento profissional, acompanhamento ou consultoria (Fallon, 2026).

Os resultados relatados foram, em sua maioria, positivos para professores — por exemplo, aumento da autoeficácia e melhora na implementação — e para jovens, como maior engajamento acadêmico. Ao mesmo tempo, os autores ressaltam a necessidade de formação e suporte contínuos para sustentar as mudanças iniciais. Como a revisão reúne diferentes intervenções, não se deve interpretar todos os resultados como efeitos exclusivos de práticas restaurativas. Sua contribuição para a avaliação é reforçar que treinamento pontual pode não bastar e que o acompanhamento merece ser planejado junto com a implementação (Fallon, 2026).

Em conjunto, esses estudos sugerem que os indicadores de resultado precisam ser acompanhados por sinais de processo. A equipe pode perguntar se houve formação, se as atividades previstas ocorreram, quem participou, que adaptações foram feitas e se a prática continuou depois do período inicial. Essa combinação não garante impacto, mas melhora a qualidade das decisões sobre o programa.

Os estudos lado a lado

Os estudos abaixo contribuem de maneiras diferentes: dois investigam diretamente justiça ou práticas restaurativas, enquanto outros ajudam a pensar implementação, adaptação e formação em programas escolares próximos. A tabela explicita essa diferença para não atribuir a uma pesquisa conclusões que ela não examinou.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Beckman, 2024Implementação de práticas restaurativas em toda a escola e seus resultados ambientais e estudantis.Redução da diferença nos afastamentos entre estudantes negros/negros multirraciais e brancos; sem evidência estatística de diferenças em outras análises. A fidelidade variou ao longo dos três anos.Escolas públicas de Saint Paul, Minnesota, Estados Unidos; anos iniciais, anos finais e ensino médio.
Abdou, 2023Processo de implementação de justiça restaurativa em toda a escola e avaliação colaborativa do programa.Destaca adesão da gestão, equipes focadas, formação continuada e mapeamento; identifica rotatividade de lideranças, dependência de especialistas e desequilíbrio de atividades como desafios.Cinco escolas de ensino fundamental II; país não especificado no resumo.
Demkowicz, 2026Experiências de crianças e profissionais com a implementação de um currículo universal de aprendizagem social e emocional.Professores relataram alta fidelidade e também adaptações; destaca contexto, inclusão e apoio para equilibrar fidelidade e flexibilidade.Escolas primárias em Greater Manchester e áreas próximas, Inglaterra.
Fallon, 2026Revisão de estudos sobre formação de educadores para implementar intervenções universais, entre elas práticas restaurativas.Relata, em sua maioria, resultados positivos para professores e jovens e aponta a necessidade de suporte contínuo.Revisão de 26 estudos em escolas PK–12; maioria em escolas urbanas de anos iniciais nos Estados Unidos.

Pontos em comum e divergências entre os estudos

Os estudos convergem na importância de olhar para a implementação como parte da avaliação. A pesquisa de Saint Paul acompanhou a fidelidade ao longo de três anos; o estudo de caso sobre justiça restaurativa chama atenção para formação, equipe e gestão; e as pesquisas sobre programas escolares relacionados reforçam o papel do contexto e do suporte contínuo. Em conjunto, indicam que avaliar somente um resultado final deixa sem resposta uma questão essencial: que programa, na prática, foi oferecido aos estudantes?

Há também uma tensão produtiva entre consistência e adaptação. Se cada turma transforma a iniciativa a ponto de ela deixar de ter elementos comuns, comparar resultados fica difícil. Mas uma aplicação rígida pode não responder às necessidades e condições de participação de todos os estudantes. O estudo do Passport trata diretamente dessa tensão em um currículo de aprendizagem social e emocional, não em práticas restaurativas; por isso, ele ajuda a formular perguntas sobre inclusão e adaptação, mas não prova como uma adaptação específica afetaria um programa restaurativo (Demkowicz, 2026).

Os resultados também não são uniformes. Em Saint Paul, houve uma redução de disparidade nos afastamentos em uma análise, mas outras comparações não tiveram sustentação estatística. Já a revisão sobre apoios universais relata resultados majoritariamente positivos para professores e jovens, reunindo intervenções diversas. Isso não é uma contradição direta: as pesquisas têm objetos, métodos e indicadores distintos. O que permanece em aberto é que nível e duração de implementação são necessários, quais componentes são indispensáveis e como avaliar benefícios sem deixar de observar diferenças entre grupos.

O que isso significa para a sala de aula

Para o professor, a principal consequência é tratar a prática restaurativa como um processo observável e compartilhado, não como uma solução automática para qualquer conflito. As sugestões a seguir são aplicações possíveis para a rotina escolar; não são resultados testados pelos estudos citados.

1. Combine o propósito antes de escolher o indicador

Uma forma de aplicar os achados é começar por uma pergunta clara: a escola quer fortalecer relações, melhorar a participação, responder de modo relacional a comportamentos inadequados ou acompanhar afastamentos? Imagine uma equipe que registra apenas o número de ocorrências, embora o objetivo declarado seja melhorar a qualidade das conversas após conflitos. Nesse caso, o indicador não representa sozinho o propósito. Definir o que a iniciativa pretende mudar ajuda a escolher sinais coerentes e evita interpretar qualquer variação como sucesso ou fracasso.

2. Registre o que foi realizado, não só o que estava planejado

Como aplicação, a equipe pode manter um registro simples das atividades previstas e realizadas, das pessoas envolvidas e das mudanças feitas no caminho. Pense em uma turma de 7º ano em que estava planejada uma conversa de reparação, mas ela foi substituída por uma intervenção breve porque os estudantes não estavam prontos para participar. Anotar a decisão permite discutir depois se a adaptação foi apropriada, se deve virar uma opção prevista ou se a equipe precisa de mais apoio. O objetivo não é vigiar o professor, e sim tornar o processo compreensível.

3. Distribua responsabilidades para a prática não depender de uma pessoa

Uma aplicação possível, em linha com os desafios identificados por Abdou, é definir quem coordena, quem oferece apoio e como novos profissionais serão incluídos. Imagine que apenas uma orientadora conduz todas as conversas restaurativas: uma mudança de função pode interromper o trabalho. A equipe pode planejar momentos de troca entre profissionais e construir uma rotina de formação e acompanhamento. Isso não exige que todos façam tudo da mesma maneira, mas reduz a dependência de conhecimento concentrado em uma única pessoa (Abdou, 2023).

4. Acompanhe participação e acesso

Como sugestão de aplicação, pergunte quem consegue participar das práticas e que barreiras podem estar presentes. Imagine uma atividade de reflexão verbal em que alguns estudantes têm dificuldade de se expressar diante do grupo. A equipe pode considerar formas alternativas de participação, sem presumir que a mesma adaptação servirá a todos. Essa preocupação conversa com a recomendação de propostas inclusivas e responsivas ao contexto observada na pesquisa sobre o Passport, embora esse estudo não investigue práticas restaurativas (Demkowicz, 2026).

5. Use mais de um tipo de evidência

Uma aplicação é combinar registros da escola com a escuta de estudantes e profissionais. Por exemplo, uma turma pode não apresentar mudança evidente nos registros disciplinares, mas estudantes podem relatar que sabem a quem recorrer depois de um desentendimento. Esse relato não substitui um indicador de resultado, assim como o indicador não explica por si só a experiência dos envolvidos. O estudo qualitativo do Passport reuniu percepções de crianças, professores e lideranças; isso inspira uma avaliação que considera perspectivas distintas, sem afirmar que a mesma abordagem produzirá os mesmos achados em outro programa (Demkowicz, 2026).

6. Planeje a formação como parte da implementação

Como aplicação, a escola pode prever formação inicial e momentos de acompanhamento, em vez de tratar a capacitação como evento encerrado. Imagine que, após uma formação, docentes enfrentem situações para as quais não se sentem preparados. Uma reunião curta de análise de situações hipotéticas pode ajudar a alinhar critérios e identificar dúvidas, desde que respeite as orientações locais. A revisão sobre intervenções universais relata a relevância de formação e suporte contínuos para sustentar mudanças iniciais, mas não determina um formato único de acompanhamento (Fallon, 2026).

7. Observe resultados por grupo, sem transformar números em rótulos

Uma aplicação possível é examinar se as consequências disciplinares parecem distribuídas de modo desigual entre grupos de estudantes, preservando a confidencialidade e interpretando os dados com cautela. O achado de Saint Paul sobre a redução de uma disparidade nos afastamentos mostra por que a equidade pode ser uma pergunta de avaliação importante. Para uma escola brasileira, os grupos e categorias precisam fazer sentido localmente e ser tratados com responsabilidade; não se deve importar automaticamente as categorias ou conclusões do estudo norte-americano (Beckman, 2024).

O que muda no contexto brasileiro

Os resultados mais diretamente ligados a práticas restaurativas vêm de escolas públicas de Saint Paul, Minnesota, nos Estados Unidos. O estudo de caso de justiça restaurativa descreve cinco escolas de ensino fundamental II, mas o resumo não especifica o país. Já as pesquisas sobre aprendizagem social e emocional e sobre apoios universais foram realizadas ou revisaram evidências principalmente em contextos dos Estados Unidos e da Inglaterra. Portanto, seus programas, estruturas escolares e condições de implementação não devem ser tratados como equivalentes à realidade brasileira.

O achado de Saint Paul sobre disparidades nos afastamentos é relevante como pergunta, não como previsão. Uma escola brasileira pode investigar se medidas disciplinares são distribuídas de forma desigual, mas precisará definir quais registros existem, como as categorias são construídas e quem terá acesso aos dados. Também precisará considerar regras, organização e recursos locais. O estudo não estabelece que o mesmo modelo produzirá o mesmo resultado aqui.

Para adaptar com responsabilidade, uma equipe brasileira pode começar pela prática já existente: como a escola escuta os envolvidos, como responde ao dano e como acompanha a retomada das relações? Em seguida, pode mapear o que é comum entre turmas e o que precisa de flexibilidade. Essa é uma sugestão de aplicação inspirada na atenção dos estudos à implementação, não uma recomendação testada especificamente em escolas brasileiras. O cuidado é evitar tanto a cópia literal de um programa estrangeiro quanto uma adaptação tão ampla que a equipe já não saiba o que está avaliando.

Também é importante não atribuir às práticas restaurativas resultados que os estudos não examinaram. Uma redução de afastamentos em determinada comparação não prova, por si só, melhora em todos os aspectos da convivência, do desempenho ou do bem-estar. Para sustentar decisões locais, a escola precisa combinar uma descrição clara do que implementou com indicadores adequados e escuta de quem participa.

Limites desta leitura

Esta síntese se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados como fonte, não na leitura integral dos artigos e relatórios. Os resumos permitem identificar objetivos, métodos gerais e achados relatados, mas não oferecem todos os detalhes necessários para julgar instrumentos, definições, análises, limitações metodológicas ou condições específicas de cada escola.

Ficam em aberto perguntas importantes: quais componentes das práticas restaurativas são essenciais; que intensidade e duração de formação ajudam a sustentar a implementação; quais adaptações preservam o propósito da prática; e que resultados aparecem em escolas brasileiras com contextos diferentes? Também seria necessário examinar com cuidado como cada estudo definiu fidelidade, afastamento, disciplina e participação antes de comparar resultados entre lugares.

Faz sentido ler o estudo completo quando a escola for decidir adotar um programa específico, escolher indicadores, comparar um modelo com as condições locais ou apresentar resultados a uma comunidade escolar. Nesse momento, vale consultar especialmente os procedimentos de avaliação, as definições dos indicadores e as limitações discutidas pelos autores. Para uma conversa inicial entre professores, os resumos ajudam a formular perguntas; não substituem a análise completa necessária para decisões de implementação.

Como o GeraProva ajuda com este assunto

O GeraProva pode ajudar a criar provas e atividades para acompanhar aprendizagens relacionadas a uma sequência de trabalho, mas uma prova não mede sozinha a qualidade das relações, a fidelidade de um programa restaurativo ou a experiência dos estudantes. Use avaliações de aprendizagem junto com registros de implementação e escuta da comunidade escolar, conforme os objetivos definidos pela equipe. Conheça o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre práticas restaurativas na escola

Como saber se práticas restaurativas estão funcionando na escola?

Comece definindo o que a escola espera mudar e acompanhe tanto os resultados quanto a implementação. O estudo de Saint Paul encontrou redução de uma disparidade nos afastamentos entre estudantes negros e brancos em uma análise, mas não encontrou evidência estatística de diferenças em outras análises nem sustentação para melhorias gerais em frequência e disciplina individual. Por isso, um único indicador não responde a tudo. Como aplicação, combine medidas coerentes com o objetivo da escola, registros do que foi realizado e a experiência de estudantes e profissionais.

Fidelidade ao programa significa não poder fazer adaptações?

Não necessariamente. Em um estudo sobre um currículo universal de aprendizagem social e emocional na Inglaterra, professores relataram alta fidelidade e também fizeram adaptações; os autores destacaram a importância de propostas inclusivas e responsivas ao contexto. Esse estudo não avaliou práticas restaurativas, então não prova quais adaptações funcionam nesse campo. Ele ajuda a formular uma pergunta útil: o que precisa permanecer para manter o propósito da prática e o que pode mudar para ampliar a participação? Registrar alterações e discuti-las em equipe torna essa decisão mais clara.

Que indicadores um professor pode acompanhar?

Os indicadores dependem do objetivo estabelecido pela escola. A pesquisa de Saint Paul acompanhou afastamentos e encaminhamentos disciplinares à direção, além de frequência e disciplina em análises individuais. O estudo de caso sobre justiça restaurativa também identificou lacunas no monitoramento dos resultados, mas não oferece um conjunto universal de medidas. Como aplicação, a equipe pode selecionar poucos sinais observáveis e pertinentes, como a realização das atividades planejadas ou registros disciplinares relevantes, e complementá-los com escuta de participantes. Evite interpretar qualquer indicador isoladamente ou como prova automática de causalidade.

Uma formação pontual é suficiente para implementar práticas restaurativas?

Os estudos considerados não estabelecem uma duração universal de formação para práticas restaurativas. Ainda assim, o estudo de caso em cinco escolas destacou sistemas robustos de formação continuada, e uma revisão de intervenções universais — entre elas práticas restaurativas — apontou a necessidade de formação e suporte contínuos para sustentar mudanças iniciais. Uma aplicação possível é prever oportunidades de acompanhamento depois da formação inicial, com espaço para dúvidas e alinhamento entre profissionais. A escola deve escolher o formato conforme seus recursos e necessidades, sem apresentar uma rotina específica como resultado comprovado pelos estudos.

Os resultados encontrados nos Estados Unidos podem ser esperados no Brasil?

Não de forma automática. O estudo de impacto sobre práticas restaurativas ocorreu em escolas públicas de Saint Paul, Minnesota, e os demais estudos também envolvem contextos diferentes do brasileiro ou não especificam o país no resumo. A redução de uma disparidade nos afastamentos é um resultado daquele contexto e daquela análise, não uma previsão para qualquer escola. No Brasil, é preciso definir indicadores locais, considerar as condições de implementação e verificar se a prática adotada corresponde ao modelo avaliado. Os estudos podem ajudar a construir perguntas de avaliação, mas não substituem evidências da própria escola.

Como evitar que o programa dependa de uma única pessoa?

O estudo de caso sobre justiça restaurativa identificou a dependência excessiva de especialistas individuais como um desafio, além da rotatividade de lideranças. Uma aplicação possível é distribuir responsabilidades, formar uma equipe de implementação e criar momentos regulares de troca entre profissionais. Também ajuda registrar quais atividades fazem parte da proposta e como novos integrantes podem conhecer o trabalho. Essas medidas são coerentes com os desafios relatados, mas o resumo não permite afirmar que uma organização específica eliminará o problema. A equipe pode acompanhar se a prática continua quando há mudanças de função ou de liderança.

Referências

  1. Beckman, K. et al. (2024). Impactos das Práticas Restaurativas em Toda a Escola sobre Indicadores Ambientais e de Estudantes nas Escolas Públicas de Saint Paul (Impacts of Whole School Restorative Practices on Environmental and Student Outcomes in Saint Paul Public Schools). Grantee Submission. Link.
  2. Abdou, A. S. et al. (2023). Escolas Restaurativas: Um Estudo de Caso de Consultoria para a Passagem da Teoria à Prática (Restorative Schools: A Consultation Case Study for Moving from Theory to Practice). Journal of Educational and Psychological Consultation. Link.
  3. Demkowicz, O. et al. (2026). Percepções e experiências de crianças e profissionais da escola sobre currículos universais de aprendizagem social e emocional em contexto: um relato de estudo de caso qualitativo registrado que examina o “Passport Skills for Life” (Child and School Staff Perceptions and Experiences of Universal Social and Emotional Learning Curricula in Context: A Qualitative Case Study Registered Report Examining 'Passport Skills for Life'). British Journal of Educational Psychology. Link.
  4. Fallon, L. M. et al. (2026). Promovendo Suportes de Nível 1 Centrados na Equidade em um Framework de MTSS (Promoting Equity-Centred Tier 1 Supports in an MTSS Framework). Exceptional Children. Link.

Se a sua escola está pensando em fortalecer práticas restaurativas, comece por uma conversa sobre o que já acontece e o que vale a pena acompanhar. Uma avaliação clara pode ajudar a equipe a aprender junto, ajustar o caminho e tomar decisões mais cuidadosas.

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