Pesquisas com professores da educação infantil e da rede pública: apoio, tempo e bem-estar em foco
Pesquisas recentes investigam bem-estar, apoio, tempo de trabalho e práticas docentes na pré-escola e na rede pública. Veja o que elas permitem concluir — e o que ainda precisa ser observado no Brasil.
Pesquisas recentes com professores da educação infantil e da rede pública colocam em pauta questões que atravessam a rotina escolar: bem-estar, apoio recebido, uso do tempo e condições para ensinar. Para quem está diante de uma turma, esses temas não são abstratos: influenciam como o trabalho é organizado e como as necessidades das crianças são percebidas.
O que essas pesquisas perguntaram aos professores? Que resultados elas relatam sobre apoio, esgotamento e práticas de trabalho? E até onde esses achados ajudam a pensar a realidade das escolas brasileiras? A seguir, organizamos os estudos por temas e separamos os resultados relatados das sugestões de aplicação para a sala de aula.
O que são pesquisas de opinião com professores da educação infantil e da rede pública e por que importam?
Pesquisas de opinião com professores são levantamentos que reúnem respostas de docentes sobre suas condições de trabalho, práticas, percepções ou experiências. Na rotina escolar, assuntos como materiais didáticos, formação, apoio da gestão, bem-estar e organização do tempo podem aparecer em questionários ou entrevistas. Os estudos reunidos aqui incluem levantamentos quantitativos, pesquisas qualitativas e análises longitudinais; portanto, não são todos o mesmo tipo de consulta.
O tema importa porque a experiência docente oferece informações sobre aspectos do trabalho que não se resumem ao planejamento de uma aula: o suporte disponível, a relação com a gestão, as exigências do cotidiano e a maneira como políticas e mudanças organizacionais são vividas. Uma pesquisa pode descrever respostas de um grupo, investigar relações entre fatores ou explorar como os participantes interpretam uma experiência. Esses objetivos são diferentes, e a leitura dos resultados precisa respeitar essa diferença.
Também é importante não confundir “pesquisa com professores” com uma resposta automática sobre todos os docentes. Os estudos desta seleção foram realizados em contextos específicos, sobretudo nos Estados Unidos, mas também na China e em Gana. Eles ajudam a formular perguntas relevantes para escolas brasileiras; não representam, por si sós, uma pesquisa nacional com professores do Brasil.
O que a pesquisa recente mostra sobre professores da educação infantil e da rede pública?
Os estudos recentes abordam temas diversos, mas alguns eixos se destacam: como pesquisas organizam informações sobre a pré-escola pública; como bem-estar, apoio e esgotamento são investigados; e como tempo, liderança e participação infantil aparecem na experiência de educadores. Os resultados variam conforme o método e o contexto, então vale observar o que cada grupo efetivamente permite afirmar.
Pesquisas com professores podem mapear condições e práticas sem oferecer uma única resposta geral
Três relatórios da RAND descrevem a construção e a aplicação de pesquisas com professores da pré-escola pública dos Estados Unidos. Um deles apresenta o recrutamento de docentes para um painel de pesquisa e discute amostra, métodos de recrutamento, resultados do recrutamento e ponderação das pesquisas. O painel da RAND, chamado Painel Americano de Professores, reunia aproximadamente 27 mil professores de escolas públicas dos Estados Unidos antes de passar a incluir docentes da pré-escola (Grant, 2025).
Outros dois relatórios tratam de levantamentos realizados em 2024. O relatório referente à primavera apresenta documentação técnica, informações sobre a amostra e os instrumentos, e é acompanhado por tabelas com perguntas e resultados. O relatório referente ao outono descreve assuntos investigados: tipo de programa, materiais didáticos usados, tempo dedicado a cada material, tipos de instrução, percepções sobre os materiais, avaliações, formação profissional e características das salas e dos professores (Grant, 2025).
Esses relatórios mostram a amplitude do que um levantamento pode organizar: não apenas se determinado material é usado, mas também quanto tempo recebe e que tipos de instrução são associados a ele. O propósito declarado do relatório de outono é subsidiar políticas e práticas relacionadas à educação pré-escolar. Ainda assim, a existência de um questionário sobre um tema não equivale a uma conclusão sobre qual prática funciona melhor. Para chegar a essa conclusão, seria preciso conhecer os resultados específicos e o desenho de cada análise.
Para professores brasileiros, o ponto útil é metodológico: pesquisas docentes podem tornar visíveis dimensões diferentes de uma mesma rotina. Perguntar apenas se um recurso está disponível não responde, por exemplo, quanto é utilizado ou como entra na instrução. Isso é uma possibilidade de investigação, não um resultado sobre as escolas do Brasil.
Bem-estar e permanência aparecem ligados a condições de trabalho e apoio
Um relatório sobre a Pesquisa Americana com Professores de 2023 trata do bem-estar, da disponibilidade de apoio à saúde mental e ao bem-estar, e da intenção de docentes de deixar seus empregos. O estudo situa o tema num contexto de preocupação com saúde mental durante a pandemia de COVID-19 e relata que, em 2021 e 2022, professores tinham duas vezes mais probabilidade do que a população geral de adultos trabalhadores de relatar estresse frequente relacionado ao trabalho e dificuldade para lidar com esse estresse. Os resultados do relatório de 2023 são descritos como descritivos e voltados a informar dirigentes e formuladores de políticas nos Estados Unidos (Doan, 2023).
Um estudo específico sobre professores da pré-escola pública dos Estados Unidos investigou bem-estar, remuneração e condições de trabalho, com respostas coletadas em março e abril de 2024. Os autores compararam as respostas desses docentes com as de professores de K-12, professores dos anos iniciais do ensino fundamental e adultos trabalhadores com características semelhantes. Também analisaram grupos de professores da pré-escola segundo aspectos como jornada parcial ou integral, educação especial ou geral e tipo de unidade escolar (Steiner, 2025).
O resumo desse estudo descreve as comparações realizadas, mas não apresenta os resultados específicos de cada comparação. Por isso, é correto dizer que a pesquisa investigou diferenças entre grupos, mas não afirmar, com base nas informações disponíveis, que um grupo tinha maior remuneração, bem-estar ou intenção de sair. Essa distinção é importante: conhecer a pergunta da pesquisa não é o mesmo que conhecer a resposta.
Em outro contexto, uma pesquisa longitudinal com professores chineses da educação infantil examinou interações entre componentes do esgotamento profissional e fatores pessoais e organizacionais, usando dados coletados em cinco momentos. Os autores identificaram a exaustão emocional como sintoma central do esgotamento. Relataram também padrões diferentes entre escolas públicas e privadas: nas redes temporais analisadas, a influência de saída da exaustão emocional foi negativa nas escolas públicas e positiva nas privadas. Nas escolas privadas, surgiu ainda uma correlação positiva entre exaustão emocional e apoio organizacional percebido (He, 2026).
Esse resultado chama atenção justamente por não permitir uma leitura simplista de “mais apoio sempre se relaciona da mesma forma com menos exaustão”. O estudo destaca que o contexto organizacional molda as relações observadas. Como se trata de professores chineses e de uma análise longitudinal específica, não se deve transportar diretamente os padrões para escolas brasileiras sem investigação local.
Apoio da gestão pode ser investigado como algo com dimensões distintas
Uma pesquisa com professores de educação especial e do ensino regular de um estado do sudeste dos Estados Unidos desenvolveu e avaliou preliminarmente uma escala de apoio administrativo. O instrumento considera quatro domínios teóricos — apoio emocional, avaliativo, instrumental e informacional — e foi respondido por 1.101 professores. Os resultados indicaram que um modelo de dois fatores correlacionados, chamados Valor e Logística, era a solução mais adequada; as médias latentes desses fatores foram semelhantes entre os dois grupos docentes (Watson, 2026).
O estudo apresenta a escala DASI, composta por 26 itens, como uma medida válida e confiável para quantificar o apoio recebido e apoiar mudanças voltadas a um ambiente escolar acolhedor, à satisfação profissional e à redução da evasão docente. Para o leitor, a contribuição não é uma receita pronta de gestão: é a ideia de que “apoio” pode envolver experiências diferentes, algumas ligadas ao valor reconhecido ao professor e outras à logística do trabalho. O instrumento foi estudado naquele contexto, não validado automaticamente para escolas brasileiras.
A pesquisa com professores mentores de Nevada, nos Estados Unidos, investigou diferenças entre mentores e não mentores em características, práticas instrucionais e liderança docente, além de perguntar quanto os mentores se sentiam preparados para suas funções formais. Os dados indicaram que mentores tinham maior probabilidade de se identificar como brancos e mulheres, de possuir escolarização mais elevada, de usar estratégias de ensino engajadoras com maior frequência e de relatar mais comportamentos de liderança docente (Pritchard, 2026).
Esses resultados descrevem diferenças entre grupos; não demonstram que a mentoria, por si só, causou essas características ou práticas. Para uma escola, a pergunta prática pode ser como preparar mentores e garantir que a função seja reconhecida e apoiada. Essa é uma aplicação possível, e não uma recomendação testada diretamente pelo estudo.
Tempo de aprendizagem e participação das crianças dependem de como a rotina é vivida
Uma pesquisa qualitativa com 22 professores de pré-escola dos Estados Unidos explorou como docentes vivenciaram reformas destinadas a ampliar o tempo escolar: passar de meio período para período integral ou de quatro para cinco dias por semana. Nas entrevistas, os autores identificaram temas relacionados à perda do eu profissional e do eu autêntico dos professores e à desorganização e dilatação do “tempo para aprender”. O estudo relata que os docentes “brincavam” com o tempo, contestando restrições das políticas, mas também pagavam um preço em saúde mental diante das expectativas de eficácia e eficiência (Sherfinski, 2026).
O trabalho não afirma que ampliar a jornada tenha sempre o mesmo efeito em qualquer escola. Ele examina as experiências de um grupo de professores diante de reformas específicas nos Estados Unidos. Para quem organiza uma rotina de educação infantil, a questão útil é observar se a ampliação do tempo vem acompanhada de condições para cuidar da qualidade das experiências, em vez de simplesmente acrescentar tarefas ou acelerar atividades. Essa leitura é uma reflexão de aplicação, não uma conclusão universal do estudo.
Em Gana, uma pesquisa quantitativa transversal comparou práticas de educadores de pré-escolas públicas e privadas sobre direitos de participação infantil, com questionários respondidos por 172 educadores, metade deles de escolas públicas. O estudo observou pontuações mais altas para criação de espaços de participação e promoção da voz das crianças, e mais baixas para audiência e influência. Não encontrou diferenças significativas entre escolas públicas e privadas (Eyison, 2026).
O resultado sugere uma diferença entre abrir espaço para a criança se expressar e assegurar que sua opinião seja ouvida e tenha influência nas decisões. Essa conclusão se refere ao sistema ganês estudado. Para professores brasileiros, ela pode servir como pergunta de reflexão: a criança apenas fala, ou também percebe que sua contribuição foi considerada? A adaptação precisa levar em conta as práticas e condições de cada escola.
O que os estudos têm em comum e onde diferem?
Em conjunto, os estudos mostram que a experiência docente é observada por ângulos distintos: levantamentos descrevem práticas e condições; pesquisas sobre bem-estar investigam estresse e apoio; entrevistas exploram a vivência do tempo; e estudos de instrumentos procuram medir dimensões do suporte. A semelhança está no interesse por aspectos concretos da vida profissional, não em uma conclusão única que sirva a todas as escolas.
Há também uma diferença importante entre descrever e explicar. O relatório de 2023 sobre bem-estar apresenta resultados descritivos; a pesquisa de Nevada compara mentores e não mentores; o estudo chinês analisa relações longitudinais; e o trabalho sobre tempo escolar usa entrevistas qualitativas. Cada abordagem responde a perguntas diferentes. Uma diferença observada entre grupos, por exemplo, não prova automaticamente que uma característica causou outra.
Os contextos também divergem. Há estudos sobre pré-escolas públicas dos Estados Unidos, professores chineses de educação infantil, docentes de Nevada, educadores ganeses e professores de educação especial e ensino regular em um estado do sudeste norte-americano. Mesmo quando dois trabalhos abordam “apoio” ou “tempo”, eles não investigam necessariamente a mesma população nem usam o mesmo método.
Uma questão ainda em aberto é como essas relações aparecem nas escolas brasileiras, considerando organização local, condições de trabalho e diversidade de redes. Outra é como transformar percepções docentes em mudanças institucionais que possam ser acompanhadas ao longo do tempo. Os resumos permitem identificar essas perguntas, mas não oferecem uma comparação direta entre os países ou um retrato nacional do Brasil.
Como aplicar essas ideias na sala de aula e na escola?
Os estudos não testaram as sugestões abaixo como intervenções em escolas brasileiras. São aplicações possíveis para organizar reflexão e planejamento, inspiradas nos temas investigados; cada equipe deve adaptá-las à sua realidade.
1. Faça um inventário simples dos materiais e do uso que recebem
Aplicação: a pesquisa de outono nos Estados Unidos investigou materiais, tempo de uso, tipos de instrução e percepções. Uma equipe brasileira pode usar essa lógica como pergunta de planejamento, sem copiar o instrumento: quais materiais temos, em que momentos entram na rotina e para que atividades são utilizados? Por exemplo, uma turma de pré-escola pode registrar durante uma semana se blocos, materiais de desenho e jogos aparecem em propostas livres, em atividades orientadas ou em ambos. O objetivo seria enxergar a rotina, não ranquear professores.
2. Separe a conversa sobre bem-estar de uma avaliação individual
Aplicação: os levantamentos americanos investigaram bem-estar e condições de trabalho. Em uma reunião pedagógica, a equipe pode discutir fatores de rotina que pesam ou ajudam, como previsibilidade de horários e disponibilidade de apoio, sem transformar respostas em julgamento pessoal. Imagine que professores apontem dificuldade para reservar tempo de planejamento: a escola pode registrar o tema e discutir alternativas organizacionais. Essa conversa é uma proposta de uso, não um resultado comprovado pelos estudos citados.
3. Pergunte que tipo de apoio está faltando
Aplicação: a escala estudada por Watson separa dimensões de apoio e encontrou uma estrutura com Valor e Logística. Uma equipe pode adaptar a ideia em perguntas abertas: o professor precisa de escuta, retorno sobre o trabalho, recursos práticos ou informação clara? Por exemplo, diante de uma mudança de rotina, pode haver boa disposição da gestão, mas falta de orientação operacional. Nomear a necessidade ajuda a conversa a ser mais específica, sem presumir que a escala americana se aplique diretamente ao contexto brasileiro.
4. Observe quem está sendo preparado para apoiar colegas
Aplicação: o estudo de Nevada investigou mentores, suas práticas e a preparação para a função. Uma escola pode mapear quais responsabilidades um professor mentor assume e que orientação recebe. Imagine uma docente experiente que acolhe colegas novos, mas não teve tempo reservado para isso: a equipe pode discutir se a função está clara e se há condições para exercê-la. Isso não significa que todo mentor terá as características descritas no estudo, nem que a mentoria seja automaticamente eficaz.
5. Reavalie a rotina quando o tempo escolar aumenta
Aplicação: as entrevistas com professores de pré-escola dos Estados Unidos mostram que mudanças na duração da jornada foram vividas também como mudanças de tempo e identidade profissional. Se uma escola reorganiza horários, pode acompanhar como os períodos de atividade, descanso, transição e planejamento se distribuem. Em uma situação hipotética, ampliar o turno sem rever as transições pode deixar a rotina mais apertada. A sugestão é olhar para a qualidade do dia inteiro, não apenas para a quantidade de horas.
6. Diferencie escuta de influência nas decisões das crianças
Aplicação: o estudo de Gana separou espaço, voz, audiência e influência. Uma turma pode ter momentos para as crianças expressarem preferências, mas a equipe pode perguntar se alguém as escuta e se alguma decisão muda como resultado. Imagine que as crianças escolham entre duas brincadeiras e depois vejam a escolha refletida na organização do espaço. Esse exemplo é uma proposta de aplicação. Os resultados ganeses não provam que uma prática específica seja adequada a toda turma brasileira.
O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?
O principal cuidado é não tratar resultados de outros países como retrato das redes brasileiras. A maioria dos relatórios sobre pré-escola pública e bem-estar desta seleção trata dos Estados Unidos; o estudo longitudinal sobre esgotamento foi feito com professores chineses; a análise de participação infantil ocorreu em Gana. Há ainda um levantamento com professores de Nevada e uma pesquisa de apoio administrativo realizada em um estado do sudeste dos Estados Unidos.
Isso não torna os estudos inúteis para nós. Eles ajudam a formular questões que podem ser investigadas localmente: que materiais entram na rotina? Como docentes percebem o apoio da gestão? O que muda quando a jornada escolar se altera? As crianças conseguem não apenas falar, mas ser ouvidas? A resposta brasileira depende de evidências produzidas em escolas brasileiras e da atenção às condições específicas de cada rede.
Também é preciso distinguir instrumentos e políticas. A escala DASI foi desenvolvida e avaliada em um contexto norte-americano; os relatórios da RAND foram elaborados para subsidiar políticas e práticas nos Estados Unidos; e as reformas de ampliação de jornada discutidas por Sherfinski e Woodrum ocorreram nesse contexto. Não há base, nos resumos, para recomendar a adoção direta de uma medida, programa ou política no Brasil.
Uma forma prudente de aproveitar a pesquisa é usar seus temas como roteiro de escuta local, não como diagnóstico pronto. A escola pode conversar com professores sobre apoio, tempo, materiais e bem-estar, registrando respostas com cuidado e evitando generalizações. Para orientar mudanças de maior alcance, seria necessário considerar estudos completos e evidências brasileiras, além de acompanhar os efeitos das decisões no cotidiano.
Quais são os limites desta leitura?
Esta síntese se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na fonte, e não na leitura integral de cada publicação. Por isso, apresenta os objetivos, os métodos e os resultados que os resumos descrevem, mas não reconstrói detalhes que não aparecem neles. No caso dos relatórios de 2024 sobre professores da pré-escola, por exemplo, os resumos informam os temas investigados e a existência de tabelas de resultados, mas não trazem as conclusões específicas de cada comparação.
Também não é uma revisão sistemática de toda a pesquisa sobre professores, educação infantil ou rede pública. Os dez estudos abrangem países, populações e métodos diferentes; alguns tratam diretamente de pré-escola, enquanto outros abordam professores da rede pública em sentido mais amplo. Os achados não devem ser lidos como representativos de todos os docentes, nem como prova de causalidade quando o resumo não indica isso.
Faria sentido consultar os estudos completos para conhecer detalhes de amostragem, instrumentos, análises, limitações e resultados por grupo; compreender como uma escala foi construída; ou avaliar se determinado achado pode orientar uma decisão de gestão. Para uma aplicação brasileira, também seria importante buscar evidências produzidas no país e verificar se conceitos e instrumentos fazem sentido no contexto local.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
As pesquisas desta seleção não avaliam plataformas de geração de provas, mas seus temas lembram que atividades e avaliações precisam fazer sentido para o contexto da turma e para os objetivos de ensino. Se você quer preparar uma avaliação ou atividade com apoio de IA, pode conhecer o gerador de provas do GeraProva e fazer seu cadastro grátis. A ferramenta pode ajudar na elaboração; a revisão pedagógica e a adaptação às necessidades dos alunos continuam nas mãos do professor.
Perguntas frequentes sobre pesquisas com professores
Essas pesquisas representam a opinião de todos os professores?
Não. Cada estudo tem população, local e método próprios. Alguns levantamentos foram realizados com professores da pré-escola pública dos Estados Unidos; outros investigaram docentes de Nevada, professores chineses de educação infantil ou educadores de Gana. A pesquisa sobre mentores, por exemplo, convidou professores da rede pública de um estado americano. Os resultados ajudam a entender os grupos estudados, mas não devem ser apresentados como opinião de todos os professores, muito menos como retrato direto dos docentes brasileiros.
O que os estudos dizem sobre o bem-estar docente?
O relatório da Pesquisa sobre a Situação dos Professores Americanos de 2023 apresenta resultados descritivos sobre bem-estar, acesso a apoio de saúde mental e intenção de deixar o emprego. Ele também contextualiza o tema com dados anteriores: em 2021 e 2022, professores tinham duas vezes mais probabilidade que adultos trabalhadores em geral de relatar estresse frequente relacionado ao trabalho e dificuldade para lidar com ele. Um estudo com professores chineses de educação infantil identificou a exaustão emocional como sintoma central do esgotamento.
Os estudos provam que apoio da gestão reduz a evasão docente?
Não é possível afirmar isso como resultado direto de todos os estudos apresentados. A pesquisa sobre a escala DASI parte de evidências anteriores que relacionam apoio administrativo à satisfação no trabalho e à evasão, e desenvolve uma medida para quantificar apoio. O resumo relata a estrutura de dois fatores da escala e resultados semelhantes entre professores de educação especial e do ensino regular. Isso não equivale a demonstrar que uma intervenção específica de gestão reduziu a evasão em qualquer escola.
O que significa ouvir a voz das crianças na educação infantil?
No estudo realizado em Gana, a participação infantil foi analisada por quatro elementos: espaço, voz, audiência e influência. Os educadores relataram pontuações mais altas em criação de espaços de participação e promoção da voz, e mais baixas em audiência e influência. Em termos de reflexão para a prática, a distinção ajuda a perguntar se a criança tem oportunidade de se expressar e se sua opinião é escutada e considerada. O estudo não descreve escolas brasileiras nem determina uma única forma de participação adequada a todas as turmas.
O que a pesquisa sobre tempo escolar encontrou?
Uma pesquisa qualitativa entrevistou 22 professores de pré-escola dos Estados Unidos sobre reformas que ampliavam a jornada, de meio período para período integral ou de quatro para cinco dias por semana. Os autores identificaram temas ligados à perda do eu profissional e do eu autêntico, além de mudanças na vivência do “tempo para aprender”. O estudo relata que professores contestavam restrições temporais, mas também enfrentavam custos para a saúde mental diante das expectativas de eficácia e eficiência. O achado diz respeito às experiências investigadas, não a toda ampliação de jornada.
Como posso usar esses achados sem copiar políticas de outros países?
Use os estudos para formular perguntas, não para importar automaticamente programas ou instrumentos. Uma escola brasileira pode conversar sobre apoio, materiais, tempo de planejamento, rotina e participação infantil, sempre considerando suas condições e ouvindo os profissionais envolvidos. Os relatórios americanos, a pesquisa chinesa e o estudo ganês pertencem a contextos diferentes. Para adotar uma medida formal ou orientar uma política, vale consultar o estudo completo, buscar evidências brasileiras e verificar se a proposta é adequada à rede e à comunidade escolar.
Referências
- Grant, D. et al. (2025). Pesquisa com professores da pré-escola de escolas públicas americanas: documentação técnica e resultados da pesquisa do outono de 2024 (American Public School Pre-K Teacher Survey: Fall 2024 Technical Documentation and Survey Results). RAND Corporation. Link.
- Grant, D. et al. (2025). Pesquisa com professores da pré-escola pública dos Estados Unidos: documentação técnica e resultados da pesquisa — primavera de 2024 (American Public School Pre-K Teacher Survey: Spring 2024 Technical Documentation and Survey Results). RAND Corporation. Link.
- Grant, D. et al. (2025). Criação de um painel de pesquisa representativo nacionalmente de professores da pré-escola da rede pública (Creating a Nationally Representative Survey Panel of Public School Pre-K Teachers). RAND Corporation. Link.
- Doan, S. et al. (2023). Bem-estar docente e intenções de deixar a profissão: constatações da Pesquisa sobre a Situação dos Professores Americanos de 2023 (Teacher Well-Being and Intentions to Leave: Finding from the 2023 State of the American Teacher Survey). RAND Corporation. Link.
- Steiner, E. D. et al. (2025). Bem-estar, remuneração e intenção de deixar a profissão entre professores da pré-escola em 2024: resultados da Pesquisa Americana com Professores da Pré-escola (Pre-K Teacher Well-Being, Pay, and Intentions to Leave in 2024: Findings from the American Pre-K Teacher Survey). RAND Corporation. Link.
- He, Y. et al. (2026). Uma abordagem de redes em painel para o esgotamento profissional de professores da educação infantil: a perspectiva do modelo de Demandas e Recursos do Trabalho (A Panel Network Approach to Preschool Teachers' Burnout: The Job Demands-Resources Model Perspective). European Journal of Education. Link.
- Watson, J. H. et al. (2026). Desenvolvimento e validação preliminar de uma medida de apoio administrativo com base no referencial teórico de House (Development and Preliminary Validation of Administrative Support Using House's Theoretical Framework). Journal of Education Human Resources. Link.
- Pritchard, A. et al. (2026). Liderança docente e mentoria de professores: compreendendo a preparação dos mentores e suas práticas educativas (Teacher Leadership and Teacher Mentoring: Understanding the Preparedness of Mentors and Their Educational Practices). International Journal of Mentoring and Coaching in Education. Link.
- Sherfinski, M. et al. (2026). Quando o tempo de sala de aula dos professores da pré-escola pública fica para trás (When Public Preschool Teachers' Classroom Time Is Left Behind). Contemporary Issues in Early Childhood. Link.
- Eyison, Y. G. et al. (2026). Direitos de participação das crianças: análise comparativa das práticas de implementação em pré-escolas públicas e privadas em Gana (Children's Participation Rights: Comparative Analysis of Implementation Practices in Public and Private Preschools in Ghana). International Journal of Child Care and Education Policy. Link.
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