Mulheres afro-americanas na gestão escolar: liderar em meio a barreiras estruturais
Estudos recentes mostram como mulheres negras em cargos de liderança escolar enfrentam barreiras e constroem respostas com apoio da comunidade, reflexão crítica e práticas inclusivas. Veja o que essas pesquisas podem inspirar no cotidiano escolar brasileiro.
A presença de mulheres afro-americanas na gestão escolar importa porque decisões sobre crise, currículo e comunidade também são moldadas por quem ocupa posições de liderança. Este texto responde a três perguntas: que barreiras as pesquisas identificam, que estratégias de liderança e apoio aparecem nos estudos e como professores brasileiros podem transformar esses achados em práticas cotidianas sem importar conclusões de outros países como se fossem regras locais?
Os estudos reunidos oferecem olhares diferentes: alguns tratam diretamente de diretoras negras ou mulheres negras em cargos de liderança; outros ajudam a compreender tensões de gênero, cuidado, identidade e voz que atravessam a gestão educacional. O conjunto não descreve uma experiência única. Ajuda, antes, a observar como estruturas, relações profissionais e escolhas pedagógicas se combinam — e a pensar no que cabe à escola, à rede e ao professor.
O que significa mulheres afro-americanas na gestão escolar e por que importa para o professor?
O tema se refere à participação e às experiências de mulheres negras em posições que influenciam a vida escolar: direção, gestão de tecnologia, liderança pedagógica e outras funções de decisão. Nos estudos dos Estados Unidos, a expressão “mulheres negras” diz respeito ao contexto racial daquele país; não equivale automaticamente às categorias e histórias raciais brasileiras. O ponto comum é investigar como raça e gênero podem influenciar a entrada, a permanência, o reconhecimento e as condições de atuação dessas líderes.
Para quem ensina, gestão não é algo distante da sala de aula. A liderança pode influenciar como a escola responde a uma crise, acolhe famílias, escolhe prioridades pedagógicas, organiza oportunidades de aprendizagem e reconhece a diversidade da comunidade. A obra de Soles apresenta a liderança diversa como relevante para políticas, currículos e culturas escolares e argumenta que vozes historicamente sub-representadas precisam ser ouvidas (Brooke Soles, 2025). Isso não significa que toda líder negra adotará as mesmas práticas, nem que a presença individual resolva desigualdades institucionais.
O assunto também aparece em decisões pequenas, mas recorrentes: quem é ouvido numa reunião, quais experiências entram nos materiais, como se interpreta uma situação de conflito e quem recebe crédito por uma iniciativa. Para o professor, estudar liderança significa perceber que o clima de aprendizagem é construído por relações e escolhas em vários níveis da escola, não apenas pelo trabalho de uma pessoa isolada.
O que a pesquisa recente mostra sobre mulheres negras na liderança escolar?
Os estudos mais diretamente relacionados ao tema destacam duas frentes: a atuação de diretoras negras diante de crises e as experiências de mulheres negras que lideram tecnologia na educação básica. Outros trabalhos ajudam a interpretar barreiras e apoios mais amplos, como estereótipos de gênero, tensões do cuidado e espaços de reflexão coletiva. A seguir, os resultados são agrupados por ideia, e não tratados como se viessem de uma única realidade.
Diretoras negras articulam reflexão, inclusão e comunidade em situações de crise
Thompson e colegas investigaram como nove diretoras negras mobilizaram a liderança escolar culturalmente responsiva ao responder a crises. O resumo cita desafios como pandemias, violência em escolas, traumas ligados a eventos climáticos e migrações em massa, situações que podem exigir respostas para apoiar estudantes e famílias. O estudo qualitativo identificou três domínios usados principalmente pelas participantes: reflexão crítica, promoção de um ambiente inclusivo e engajamento comunitário (Thompson, 2023).
Segundo os autores, essas práticas foram mobilizadas para conduzir a crise e ampliar oportunidades de equidade e inclusão, mesmo diante de oposição da rede de ensino. O resumo também relata evidências de liderança pedagógica independentemente do tipo de crise. A pesquisa, portanto, aproxima gestão e ensino: responder a uma emergência não significa suspender a atenção ao que estudantes aprendem e a quem consegue participar.
Esse achado não deve ser convertido em receita para toda escola. O estudo examinou as experiências de um grupo específico de diretoras, e as condições de cada crise variam. Ainda assim, ele oferece perguntas úteis para equipes escolares: a resposta considera diferenças entre estudantes? Há canais de escuta das famílias? A reflexão sobre práticas e decisões continua durante a emergência? O apoio institucional acompanha a responsabilidade colocada sobre a direção?
Mulheres negras na liderança de tecnologia enfrentam barreiras e mobilizam comunidade
Troutman e colegas estudaram as experiências de oito mulheres negras que atuam como líderes de tecnologia em redes públicas de educação básica nos Estados Unidos. O resumo situa a pesquisa no período em que a pandemia de COVID-19 intensificou a demanda por liderança tecnológica e registra que, apesar da adoção rápida de ferramentas digitais para o ensino remoto, esses cargos continuaram ocupados de forma desproporcional por homens brancos. As mulheres negras permaneciam sub-representadas tanto na prática quanto no discurso acadêmico (Troutman, 2026).
Os resultados apontam que as participantes enfrentavam preconceitos em tempo real, encontravam força na comunidade e lideravam com intencionalidade em espaços desafiadores ou excludentes. Os autores relacionam essas experiências a barreiras estruturais de racismo, sexismo e classismo. Em vez de apresentar a persistência individual como solução suficiente, o estudo destaca a necessidade de dar visibilidade às experiências vividas e às estratégias cotidianas de resistência dessas líderes.
Para a escola, tecnologia não é apenas escolher uma ferramenta ou resolver um problema de acesso. Há também decisões sobre quem define prioridades, quem é considerado especialista e como se reconhece o trabalho de quem sustenta mudanças. O estudo não autoriza afirmar que todas as redes ou todos os países reproduzem exatamente o mesmo padrão. Ele mostra, no contexto norte-americano investigado, que ampliar a presença de ferramentas digitais não elimina por si só desigualdades na distribuição dos cargos de liderança.
Estereótipos podem produzir expectativas contraditórias sobre mulheres líderes
Um estudo qualitativo realizado em uma escola secundária rural de KwaZulu-Natal, na África do Sul, examinou como sete professores percebiam uma líder mulher. Os resultados descrevem concepções atravessadas por estereótipos sociais e pelas crenças e valores dos liderados. A mesma diretora era retratada de modo contraditório: ora associada a um estilo maternal, ora a uma “Dama de Ferro” (Malik, 2026).
A pesquisa não é sobre mulheres afro-americanas e não deve ser apresentada como se descrevesse a experiência racial dos Estados Unidos ou do Brasil. Sua contribuição para esta conversa é mais delimitada: mostra como avaliações da liderança feminina podem oscilar entre expectativas aparentemente incompatíveis. A questão para a equipe escolar é observar se comportamentos semelhantes são interpretados de maneira diferente conforme quem os manifesta — por exemplo, se firmeza é lida como competência numa pessoa e como rigidez em outra.
O estudo australiano sobre mulheres em posições de liderança intermediária em duas escolas secundárias públicas de Victoria apresenta outra tensão: o cuidado pode preparar mulheres para liderar e, ao mesmo tempo, criar barreiras ao avanço profissional. Os autores identificaram paradoxos institucionais, temporais, relacionais e profissionais; também relatam que disposições para cuidar podem ser valorizadas e desvalorizadas, enquanto respostas de cuidado geram demandas éticas conflitantes (Cotter, 2026). O contexto é australiano e não permite concluir que a organização das escolas brasileiras seja igual.
Escuta e espaços coletivos ajudam a não reduzir identidade a categorias rígidas
Odell propõe o Guia de Escuta como alternativa a formas de analisar entrevistas que encaixam relatos em categorias predefinidas ou binárias. O método busca prestar atenção a contradições, complexidades e múltiplas vozes, incluindo a maneira como gênero, raça e sexualidade se relacionam em cada pessoa conforme o contexto e a cultura. O estudo trata de metodologia e de vozes às margens da liderança educacional, não de um levantamento específico de diretoras afro-americanas (Odell, 2023).
Já Pierce e Morris examinaram dois estudos de pesquisa-ação participativa em distritos e escolas de educação básica dos Estados Unidos. Em contextos racializados e socioculturais distintos, os terceiros espaços favoreceram três possibilidades: criar ambientes seguros para aprendizagem e conexão, refletir sobre identidade sociocultural e sociopolítica e praticar concepções de liderança voltadas para o futuro. Os autores apontam essa modalidade como uma possibilidade promissora de desenvolvimento profissional para mulheres líderes e, possivelmente, outros grupos marginalizados (Pierce, 2026).
Esses trabalhos não dizem que uma conversa isolada transforma uma instituição. Sugerem, porém, que a qualidade da escuta e os espaços de reflexão importam. Para a escola, isso significa evitar que uma pessoa seja tratada como representante de todas as mulheres negras e criar condições para que relatos possam ser ouvidos sem serem imediatamente reduzidos a uma classificação simples.
Quais estudos aparecem lado a lado?
A tabela resume o foco e o contexto dos estudos citados. Quando o resumo não especifica país ou etapa, isso é indicado sem completar a informação por suposição. As pesquisas têm objetivos diferentes; a comparação serve para localizar convergências, não para transformar contextos nacionais distintos em uma única realidade.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto informado |
|---|---|---|---|
| Brooke Soles, 2025 | Liderança diversa da educação básica ao ensino superior. | Apresenta a relevância de vozes diversas para políticas, currículos e culturas escolares. | Vários níveis educacionais; país não informado no resumo. |
| Odell, 2023 | Um método de escuta para narrativas de lideranças educacionais. | Propõe ouvir complexidades e múltiplas vozes sem categorias rígidas. | Liderança educacional; país e etapa não informados. |
| Thompson, 2023 | Práticas de nove diretoras negras ao responder a crises. | Relata reflexão crítica, ambiente inclusivo, engajamento comunitário e liderança pedagógica. | Direção escolar; país não informado no resumo. |
| Troutman, 2026 | Experiências de oito mulheres negras líderes em tecnologia. | Relata preconceitos, força na comunidade e liderança intencional em espaços excludentes. | Redes públicas de educação básica dos Estados Unidos. |
| Malik, 2026 | Percepções de sete professores sobre uma líder mulher. | Encontra construções contraditórias, entre estilo maternal e “Dama de Ferro”. | Uma escola secundária rural de KwaZulu-Natal, África do Sul. |
| Cotter, 2026 | Paradoxos do cuidado na trajetória de mulheres líderes. | Identifica tensões institucionais, temporais, relacionais e profissionais. | Duas escolas secundárias públicas de Victoria, Austrália; liderança intermediária. |
| Pierce, 2026 | Terceiros espaços em dois estudos de pesquisa-ação participativa. | Relata apoio à conexão, reflexão identitária e prática de concepções futuras de liderança. | Distritos e escolas de educação básica dos Estados Unidos. |
O que os estudos têm em comum e onde divergem?
Em conjunto, as pesquisas indicam que liderança não acontece fora das relações e das estruturas. Os estudos de Thompson e Troutman mostram práticas e experiências associadas a mulheres negras em posições de liderança; Malik e Cotter ajudam a observar como expectativas de gênero e cuidado podem criar avaliações e exigências contraditórias. Odell e Pierce, por sua vez, destacam escuta e espaços de reflexão como formas de tornar experiências complexas mais audíveis.
Há diferenças importantes. Thompson trata de diretoras negras diante de crises; Troutman foca mulheres negras que lideram tecnologia; Malik acompanha as percepções de professores sobre uma líder mulher na África do Sul; Cotter investiga mulheres em posições intermediárias na Austrália. Pierce aborda desenvolvimento profissional em contextos norte-americanos, e Odell discute um método de pesquisa. Não são estudos intercambiáveis, nem todos pesquisam especificamente mulheres afro-americanas.
Também ficam perguntas em aberto: como essas dinâmicas variam entre redes e etapas de ensino? Que apoios institucionais favorecem a permanência e a progressão profissional? Como práticas de reflexão e escuta se sustentam ao longo do tempo? Os resumos apresentados não permitem responder a essas questões de modo geral. O que permitem é reconhecer que barreiras estruturais, expectativas sociais e condições de apoio precisam ser consideradas juntas.
O que isso significa para a sala de aula?
Os estudos não testaram as atividades abaixo como intervenções de sala de aula. São aplicações possíveis para professores que queiram levar as ideias de escuta, inclusão, análise de narrativas e reflexão institucional ao cotidiano. Cada proposta precisa ser adaptada à idade dos estudantes, ao currículo e à realidade da comunidade escolar.
1. Observe quem participa e quem fica fora das decisões da turma
Como aplicação, numa turma hipotética de 7º ano, depois de um trabalho em grupo, o professor pode pedir que os estudantes descrevam como as tarefas foram distribuídas e quem teve oportunidade de apresentar ideias. A intenção não é presumir que todo grupo reproduz preconceito, mas tornar visíveis padrões de participação. A proposta se aproxima da atenção à inclusão e à reflexão crítica relatada por Thompson, sem apresentar esse exercício como resultado testado pelas pesquisadoras e pesquisadores.
2. Faça uma revisão crítica de materiais e narrativas
Como aplicação, uma turma pode comparar personagens e perspectivas em textos escolhidos pelo professor, perguntando quais vozes aparecem, quais ficam de fora e se uma personagem é reduzida a uma única característica. O estudo de Robillard e colegas sobre livros de ficção histórica voltados aos anos finais do ensino fundamental nos Estados Unidos recomenda analisar se os textos vão além de simplesmente incluir uma protagonista negra e se valorizam múltiplas identidades e letramentos (Robillard, 2026). Esse achado diz respeito à seleção de textos, não à gestão escolar; pode, ainda assim, abrir uma conversa pedagógica pertinente.
3. Escute relatos sem encaixá-los depressa em rótulos
Como aplicação, diante de um conflito hipotético entre colegas, o professor pode ouvir separadamente o que cada estudante entendeu, sem decidir de antemão que existe uma única explicação. A ideia dialoga com a proposta de Odell de prestar atenção a contradições e múltiplas vozes. Na prática, isso não exige que o professor adote um método de pesquisa. É um lembrete para não transformar uma fala isolada numa definição permanente sobre a identidade ou o comportamento de alguém.
4. Trate cuidado e responsabilidade como parte do trabalho coletivo
Como aplicação, a equipe pode rever quem costuma assumir tarefas de acolhimento, mediação e comunicação com famílias, e se esse trabalho recebe tempo e reconhecimento. Em uma situação hipotética, uma professora que sempre organiza o apoio aos estudantes não deveria ser considerada automaticamente disponível para acumular mais funções. Cotter e colegas identificaram tensões em torno do cuidado em trajetórias de liderança de mulheres; a proposta aqui é usar essa lente para conversar sobre divisão de responsabilidades, não presumir que os resultados australianos se repetem em cada escola brasileira.
5. Abra espaço para estudantes e famílias contribuírem com respostas a problemas
Como aplicação, se a turma enfrenta uma dificuldade que afeta sua rotina, o professor pode reunir sugestões dos estudantes e, quando apropriado, ouvir as famílias antes de definir uma resposta. A pesquisa de Thompson destaca o engajamento comunitário entre os domínios mobilizados por diretoras negras em crises. Essa aproximação não substitui a responsabilidade da gestão nem garante consenso; pode ajudar a equipe a identificar necessidades que passariam despercebidas se a decisão fosse tomada sem escuta.
6. Apresente a liderança como trabalho de muitas pessoas
Como aplicação, ao estudar como a escola responde a um desafio, os estudantes podem identificar diferentes contribuições: quem organiza, quem comunica, quem ensina, quem cuida da segurança e quem acompanha a aprendizagem. Essa leitura ajuda a não tratar a liderança como atributo natural de uma única pessoa. A obra de Soles relaciona diversidade na liderança às políticas, aos currículos e às culturas escolares; o professor pode usar essa ideia para conversar sobre colaboração e responsabilidade compartilhada.
7. Reflita sobre critérios de competência e firmeza
Como aplicação, em uma reunião pedagógica, docentes podem discutir situações hipotéticas em que duas pessoas tomam a mesma decisão firme e recebem avaliações diferentes. A pergunta não é acusar alguém sem evidência, mas examinar se os critérios são coerentes. O estudo sul-africano de Malik relata percepções contraditórias sobre uma diretora, entre o estereótipo maternal e a “Dama de Ferro”. A conversa deve reconhecer o contexto específico daquela pesquisa e evitar atribuir suas conclusões a todas as mulheres líderes.
O que muda quando levamos essas pesquisas para o contexto brasileiro?
O cuidado principal é não tratar “afro-americana” e “negra brasileira” como termos intercambiáveis em qualquer análise. O estudo de Troutman é explicitamente situado em redes públicas de educação básica dos Estados Unidos; os contextos históricos, as categorias raciais e a organização das redes não são automaticamente iguais aos brasileiros. Thompson estuda diretoras negras, mas o resumo fornecido não identifica o país. Malik investiga uma escola rural na África do Sul, e Cotter, escolas secundárias públicas australianas. Esses resultados devem ser lidos dentro dos cenários informados.
Isso não torna as pesquisas inúteis para professores brasileiros. Elas oferecem perguntas de análise: quem tem acesso a cargos de decisão? Como são distribuídas as responsabilidades de cuidado? Quem é reconhecido como especialista? As respostas da escola a uma crise incluem a comunidade e mantêm atenção à aprendizagem? São perguntas que podem orientar observação e conversa local, mas não constituem conclusões comprovadas sobre o Brasil.
Na adaptação, vale começar pelo contexto concreto da própria escola: suas regras, sua comunidade, as funções exercidas por cada profissional e os canais de participação já existentes. Uma iniciativa de escuta pode ser útil se tiver propósito claro, proteção à dignidade dos participantes e possibilidade real de influenciar decisões. Não basta convidar alguém a falar se a instituição não considera o que ouviu. Do mesmo modo, ampliar a presença de mulheres negras em espaços de liderança não deve depender apenas de esforço individual; os estudos apontam para barreiras estruturais e para a importância de apoio e visibilidade.
As propostas de sala de aula deste texto são sugestões de aplicação, não recomendações oficiais para escolas brasileiras nem resultados experimentais dos estudos. Se a equipe pretende mudar práticas de seleção, promoção, formação ou gestão de crise, precisa consultar as normas e os dados pertinentes à sua rede e ao seu território. A pesquisa internacional pode ampliar o repertório de perguntas, mas a decisão responsável exige conhecimento local.
Quais são os limites desta leitura?
Esta síntese se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados na base ERIC, e não na leitura integral dos trabalhos. Os resumos oferecem os temas, os contextos e os resultados principais, mas não permitem avaliar em profundidade todos os detalhes de desenho, análise, limites e recomendações de cada pesquisa. Por isso, as afirmações deste texto ficam restritas ao que os resumos informam; quando um país ou uma etapa não aparece, não foi presumido.
Os estudos também têm focos diferentes e incluem amostras e contextos específicos, como nove diretoras negras, oito líderes de tecnologia, uma escola sul-africana e duas escolas australianas. Eles não representam todas as mulheres negras, todas as escolas ou todos os sistemas educacionais. Para responder perguntas sobre políticas brasileiras, frequência de barreiras, comparação entre redes ou impacto de uma intervenção, seria necessário consultar pesquisas diretamente relacionadas ao Brasil e ler os estudos completos, especialmente seus métodos e discussões.
Faz sentido buscar os textos integrais quando a escola pretende usar uma conclusão para tomar uma decisão institucional, formar gestores, desenhar uma pesquisa local ou comparar práticas entre países. Também vale consultar o trabalho completo para entender com maior precisão como foram selecionadas as participantes, como os dados foram interpretados e quais condições os autores apontam para aplicar suas recomendações.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
O GeraProva pode ajudar a transformar uma conversa sobre liderança, inclusão e escuta em perguntas de compreensão, atividades de análise de textos ou questões para uma avaliação formativa, sempre com revisão do professor e adaptação à turma. A plataforma não substitui a leitura crítica dos estudos nem decide quais materiais são adequados à comunidade escolar. Você pode conhecer o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre mulheres negras na gestão escolar
O que as pesquisas dizem sobre diretoras negras em situações de crise?
O estudo de Thompson e colegas investigou nove diretoras negras e identificou o uso de reflexão crítica, promoção de ambientes inclusivos e engajamento comunitário na resposta a crises. Os autores também encontraram evidências de liderança pedagógica independentemente da crise enfrentada. O resumo relata que essas práticas foram usadas para conduzir situações difíceis e ampliar oportunidades de equidade e inclusão, inclusive diante de oposição da rede. É um estudo qualitativo específico; seus resultados não devem ser tratados como descrição de todas as diretoras negras ou de todas as redes.
Quais barreiras foram relatadas por mulheres negras que lideram tecnologia?
Em pesquisa com oito mulheres negras líderes de tecnologia em redes públicas de educação básica dos Estados Unidos, Troutman e colegas relatam sub-representação em cargos que continuavam ocupados desproporcionalmente por homens brancos. As participantes enfrentavam preconceitos em tempo real e trabalhavam em espaços desafiadores ou excludentes. O estudo também destaca força encontrada na comunidade, liderança intencional e estratégias cotidianas de resistência. Esses resultados ajudam a discutir como tecnologia e representação se cruzam, mas descrevem o contexto norte-americano investigado e não demonstram que o mesmo padrão se repita em todas as redes brasileiras.
O cuidado pode ser uma barreira para mulheres que querem liderar?
O estudo de Cotter e colegas, realizado em duas escolas secundárias públicas de Victoria, na Austrália, conclui que a ética do cuidado pode preparar mulheres para a liderança e, ao mesmo tempo, criar barreiras ao avanço profissional. Os autores descrevem paradoxos institucionais, temporais, relacionais e profissionais, além de situações em que o cuidado é valorizado e desvalorizado. Para professores, isso sugere uma pergunta prática sobre como tarefas de acolhimento e apoio são distribuídas e reconhecidas. Não é uma conclusão específica sobre mulheres afro-americanas nem uma descrição automática das escolas brasileiras.
Por que a escuta é importante para compreender experiências de liderança?
Odell apresenta um método que busca ouvir narrativas sem reduzi-las a categorias binárias ou predefinidas. A proposta considera que uma pessoa pode falar a partir de diferentes dimensões de sua identidade conforme o contexto e que relatos podem conter contradições e múltiplas vozes. Para uma equipe escolar, a ideia pode inspirar conversas que não convertam uma fala individual em rótulo permanente. O estudo discute método e liderança educacional em sentido amplo; não é uma pesquisa de resultados sobre diretoras afro-americanas nem valida uma atividade específica de sala de aula.
Os estudos mostram que ter mais mulheres negras na liderança resolve desigualdades?
Não. Os resumos não afirmam que a presença de mulheres negras, por si só, elimine desigualdades. Eles apontam a importância de vozes diversas e registram barreiras estruturais, preconceitos, tensões e necessidades de apoio. Thompson relata práticas inclusivas e engajamento comunitário entre diretoras negras diante de crises; Troutman destaca sub-representação e resistência em cargos de tecnologia nos Estados Unidos. Esses achados apoiam a conversa sobre representação e condições de trabalho, mas não justificam transferir toda a responsabilidade por mudanças a líderes individuais.
Como um professor pode usar essas pesquisas sem generalizar?
Uma possibilidade é tratar os estudos como fonte de perguntas, não como receita: quem participa das decisões, como se distribui o trabalho de cuidado, que vozes entram nos materiais e como a escola escuta estudantes e famílias? Também é importante nomear o contexto de cada pesquisa. Os estudos citados incluem Estados Unidos, África do Sul e Austrália, além de resumos que não informam o país. Atividades de análise de textos ou reflexão sobre participação são sugestões de aplicação. Para decisões de política ou gestão no Brasil, a equipe precisa considerar as normas e a realidade da própria rede.
Referências
- Brooke Soles (2025). Perspectivas diversas de liderança na educação: da educação básica ao ensino superior (Diverse Leadership Perspectives in Education: From K-12 to Higher Education). IGI Global. Link.
- Odell (2023). A escuta como resistência metodológica: ouvindo vozes às margens da liderança educacional (Listening as Methodological Resistance: Hearing Voices at the Margins of Educational Leadership). Journal of School Leadership. Link.
- Thompson (2023). Diretoras negras e expressões de liderança escolar culturalmente responsiva durante crises: um estudo exploratório (Black Women Principals and Expressions of Culturally Responsive School Leadership during Crisis: An Exploratory Study). Journal of Urban Learning, Teaching, and Research. Link.
- Robillard (2026). Combatendo a Violência Curricular: Seleção de Textos de Ficção Histórica sob a Ótica do Referencial dos Letramentos de Meninas Negras (Combatting Curriculum Violence: Historical Fiction Text Selection through the Lens of the Black Girls' Literacies Framework). Reading Teacher. Link.
- Troutman (2026). Poder e persistência: mulheres negras líderes em tecnologia navegando raça, gênero e espaço na educação básica (Power and Persistence: Black Women Technology Leaders Navigating Race, Gender, and Space in P-12 Education). Urban Review: Issues and Ideas in Public Education. Link.
- Malik (2026). Contradições e complexidades das construções de uma líder mulher centradas nos liderados em uma escola sul-africana (Contradictions and Complexities of Follower-Centric Constructions of a Woman Leader in a South African School). Issues in Educational Research. Link.
- Cotter (2026). O paradoxo do cuidado: como a ética do cuidado cria dilemas de liderança para mulheres nas escolas (The Care Paradox: How Ethics of Care Creates Leadership Dilemmas for Women in Schools). Journal of Educational Administration and History. Link.
- Pierce (2026). Amplificando as vozes das mulheres na liderança educacional: uma abordagem do terceiro espaço (Amplifying Women's Voices in Educational Leadership: A Third Space Approach). Journal of Educational Administration. Link.
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