Intervenções com famílias no ensino fundamental: leitura e comportamento juntos
Estudos recentes apontam caminhos diferentes para aproximar família e escola: intervenções de leitura que articulam comportamento, escuta da motivação infantil e apoio a vínculos. Veja o que os achados permitem aplicar — e o que ainda não respondem.
Uma intervenção de leitura com participação da família melhorou substancialmente a compreensão de textos narrativos; já outro estudo sugere que a motivação de crianças bilíngues pode depender de autonomia e de vínculos com família, colegas e professores. À primeira vista, um resultado fala de desempenho e o outro de condições para participar — como se bastasse escolher entre ensinar melhor ou cuidar da relação.
Os estudos não se contradizem exatamente: investigam perguntas diferentes, com grupos e propostas distintos. Neste texto, vamos separar o que cada pesquisa encontrou, o que apenas investigou e como transformar esses sinais em decisões possíveis para a sala de aula, sem supor que uma intervenção estrangeira se transfira automaticamente para qualquer escola brasileira.
O que são intervenções com famílias para apoiar alunos do ensino fundamental e por que importam para o professor?
Intervenções com famílias são propostas organizadas para que responsáveis e escola apoiem, de maneira coordenada, a aprendizagem ou o desenvolvimento do estudante. Na rotina, isso pode envolver leitura compartilhada, orientações para apoiar o engajamento em uma tarefa ou comunicação sobre necessidades de aprendizagem. Não significa transferir para a família a responsabilidade de ensinar, nem pressupor que todos tenham o mesmo tempo, recursos ou familiaridade com as práticas escolares.
A distinção é importante porque “envolvimento familiar” pode significar muitas coisas. No estudo de Roberts, por exemplo, a família participa de uma intervenção estruturada de leitura compartilhada, com apoios para engajamento e comportamento. Já Bailey e colegas investigaram efeitos de longo prazo de uma intervenção preventiva que, entre seus componentes, buscava fortalecer vínculos com família e escola. São desenhos e perguntas diferentes: um acompanha uma prática de leitura; o outro examina possíveis efeitos que atravessam gerações.
Para o professor, o assunto aparece em decisões concretas: como explicar uma estratégia de leitura para que possa ser usada em casa; como ouvir o que a criança considera motivador; como combinar apoio escolar e familiar sem transformar a parceria em cobrança. Também aparece quando uma dificuldade acadêmica vem acompanhada de desafios de comportamento ou de participação. Os estudos sugerem que olhar para essas dimensões em conjunto pode ser útil, mas não autorizam presumir que todas as famílias respondem da mesma forma.
O que a pesquisa recente mostra sobre família e apoio pedagógico?
Leitura e comportamento podem ser apoiados na mesma intervenção
Roberts e colegas desenvolveram e testaram o Family-RISE com famílias norte-americanas de crianças do 1º e do 2º ano que apresentavam dificuldades de leitura e de comportamento. A proposta foi construída com contribuições de pais, especialistas em leitura e especialistas em comportamento. Ela combina práticas para ampliar o conhecimento sobre textos narrativos com apoios comportamentais, para favorecer o engajamento e reduzir comportamentos disruptivos durante a leitura compartilhada de histórias.
O estudo avaliou a compreensão de textos narrativos por meio de um delineamento de linha de base múltipla. Os autores relatam uma relação funcional entre a intervenção e a compreensão, com melhora substancial nessa habilidade. Também descrevem resultados favoráveis em medidas de não sobreposição entre pares, Tau-U e diferença média padronizada. As famílias consideraram a proposta utilizável, viável de implementar e socialmente válida (Roberts, 2025).
O achado é relevante porque o programa não trata leitura e comportamento como duas questões necessariamente separadas: os apoios comportamentais fazem parte de uma proposta para sustentar a participação na leitura. Isso não prova que qualquer roteiro de leitura em casa terá o mesmo resultado, nem que a intervenção seja adequada a todo estudante. O que a pesquisa sustenta é mais específico: nessa intervenção piloto, a combinação foi promissora para crianças com dificuldades concomitantes nessas áreas.
Escutar a criança ajuda a entender o que sustenta a motivação
Erickson e colegas investigaram como crianças bilíngues iniciantes percebiam uma intervenção suplementar de leitura realizada na escola, fora da sala regular e exclusivamente em inglês. O estudo de caso qualitativo focalizou duas crianças da educação infantil e uma do 1º ano. As percepções foram recolhidas em entrevistas participativas e comparadas com avaliações adultas do engajamento comportamental das crianças na intervenção.
As três crianças falaram tanto de benefícios quanto de custos da participação e também fizeram recomendações para melhorar o programa. A autonomia dentro da intervenção foi motivadora para todas. Além disso, a possibilidade de manter vínculos valorizados com amigos, família e professores pareceu influenciar a motivação. Os autores propõem que o planejamento considere teorias sobre motivação e o retorno dado pelas próprias crianças sobre o programa (Erickson, 2025).
Esse estudo não avalia uma intervenção familiar de leitura compartilhada, e é importante não apresentá-lo como se o fizesse. Sua contribuição para o tema é mostrar que uma intervenção escolar pode ser percebida pela criança também em relação aos vínculos que preserva ou afeta. Para o professor, isso abre uma pergunta prática: a forma de oferecer o apoio ajuda a criança a participar sem que ela sinta que precisa abrir mão de relações importantes?
Vínculos familiares aparecem também no desenvolvimento socioemocional
Em uma escola regular de ensino fundamental na Austrália, Wintermantel e colegas exploraram as percepções de estudantes do 5º ano sobre uma intervenção de aprendizagem socioemocional assistida por cão de terapia, com duração de 12 semanas. Oitenta e cinco estudantes responderam a perguntas abertas e cinco participaram de entrevistas de acompanhamento. A análise identificou temas ligados ao empoderamento pela aprendizagem emocional, às relações positivas com colegas e familiares e ao crescimento pessoal.
Entre os componentes descritos estavam vivenciar, compreender, regular e expressar emoções; a comunicação apareceu como parte das relações positivas. Os autores relatam que os componentes socioemocionais e a integração do cão de terapia parecem ter contribuído para um impacto percebido como positivo no bem-estar geral das crianças (Wintermantel, 2025).
O estudo não testa uma intervenção familiar nem permite atribuir o resultado especificamente à participação dos responsáveis. Ainda assim, é útil para pensar o lugar dos vínculos: os estudantes mencionaram relações com familiares dentro das percepções sobre a experiência. Para a escola, isso sugere que apoiar o desenvolvimento socioemocional pode envolver prestar atenção à comunicação e às relações da criança, e não apenas ensinar nomes de emoções de modo isolado.
Uma intervenção preventiva pode ter efeitos que chegam à geração seguinte
Bailey e colegas examinaram efeitos intergeracionais da Raising Healthy Children (RHC), intervenção preventiva realizada em escolas públicas de Seattle, nos Estados Unidos, entre 1980 e 1986, do 1º ao 6º ano. A proposta buscava fortalecer vínculos com família e escola para promover sucesso escolar e prevenir uso de substâncias e envolvimento em comportamentos ilegais. Havia quatro grupos: intervenção completa, intervenção tardia, apenas formação de pais e controle.
O estudo acompanhou participantes ao longo do tempo e analisou filhos jovens adultos de participantes do ensaio original. Na comparação global das medidas, os filhos de pais que haviam recebido a intervenção completa relataram melhor funcionamento geral do que os filhos de pais do grupo de controle. Nas análises de resultados individuais, relataram melhor funcionamento financeiro. Os autores apontam potencial de benefícios de longo prazo que alcançam a geração seguinte (Bailey, 2023).
Esse resultado amplia o horizonte, mas não deve virar uma promessa de que uma ação escolar atual produzirá os mesmos efeitos décadas depois. A intervenção foi realizada em outro período e contexto, e a pesquisa examinou descendentes jovens adultos, não apenas resultados imediatos em sala. O valor para a discussão presente está em considerar que fortalecer relações entre família e escola pode ser uma dimensão de intervenções preventivas, embora os resultados específicos dependam do programa e do contexto estudados.
Considerar riscos e pontos fortes evita olhar só para a dificuldade
Capawana estudou uma intervenção otimizada de apoio a estudantes em áreas urbanas predominantemente marcadas pela pobreza. Participaram 5.573 estudantes do jardim de infância ao 5º ano, identificados pela equipe de apoio como estando acima do peso após um processo holístico e colaborativo de avaliação. O estudo comparou esses estudantes com pares não identificados como acima do peso e examinou características demográficas, acadêmicas, socioemocionais e comportamentais, familiares e de saúde.
Os resultados apontaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em características, pontos fortes e riscos identificados, desempenho acadêmico e desenvolvimento integral relacionado à escola. O estudo também encontrou efeitos moderadores de pontos fortes e riscos psicossociais e familiares específicos. Os autores ressaltam abordagens de avaliação e intervenção que considerem tanto forças quanto riscos, além da identificação inicial dos estudantes, sobretudo em contextos de baixa renda e acesso insuficiente a serviços (Capawana, 2024).
Esse trabalho não é um ensaio de intervenção de leitura com famílias, e seu foco inclui saúde e peso. Ele entra nesta conversa como alerta sobre a maneira de avaliar necessidades: fatores familiares podem fazer parte de um quadro mais amplo, junto a recursos e riscos acadêmicos, socioemocionais e de saúde. Para o professor, a aplicação prudente não é rotular a família, mas evitar que uma única dificuldade defina o estudante ou determine, sozinha, o apoio oferecido.
Quais estudos aparecem lado a lado nesta pesquisa?
A tabela resume as perguntas e os resultados descritos nos cinco estudos citados. As diferenças de contexto, idade e método ajudam a entender por que os achados não podem ser tratados como se fossem uma única intervenção replicada.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Roberts, 2025 | Family-RISE, intervenção familiar para leitura narrativa e comportamento. | Melhora substancial na compreensão narrativa; famílias avaliaram a proposta como utilizável, viável e socialmente válida. | Famílias norte-americanas; 1º e 2º ano; estudo piloto. |
| Erickson, 2025 | Percepções e motivação de crianças bilíngues iniciantes em intervenção de leitura em inglês. | Autonomia foi motivadora; vínculos com amigos, família e professores também pareceram influenciar a motivação. | Localização não informada no resumo; duas crianças da educação infantil e uma do 1º ano. |
| Wintermantel, 2025 | Percepções infantis sobre intervenção socioemocional assistida por cão de terapia. | Temas de aprendizagem emocional, relações positivas e crescimento pessoal; impacto percebido positivo no bem-estar. | Austrália; escola regular; 5º ano; intervenção de 12 semanas. |
| Bailey, 2023 | Efeitos intergeracionais de intervenção preventiva que fortalecia vínculos com família e escola. | Filhos jovens adultos do grupo de intervenção completa relataram melhor funcionamento geral e financeiro que os do controle. | Intervenção em escolas públicas de Seattle, EUA, entre 1980 e 1986; análise posterior de filhos jovens adultos. |
| Capawana, 2024 | Diferenças de fatores de risco e proteção em estudantes identificados como acima do peso. | Diferenças entre grupos e moderação por fatores psicossociais e familiares; destaca avaliação que considere forças e riscos. | Áreas urbanas predominantemente marcadas pela pobreza; jardim de infância ao 5º ano. |
O que os estudos têm em comum e onde divergem?
Em conjunto, os estudos lembram que o apoio ao aluno não se resume a transmitir conteúdo. O engajamento, os vínculos, a motivação e as condições familiares aparecem como dimensões relevantes em pesquisas com perguntas diferentes. Roberts mostra uma proposta que articula leitura e apoios comportamentais; Erickson evidencia que autonomia e relações valorizadas entram na percepção infantil sobre uma intervenção; Capawana destaca a leitura conjunta de fatores de proteção e risco.
Há diferenças importantes. Roberts avaliou uma intervenção familiar de leitura e relatou resultado acadêmico específico. Erickson ouviu um grupo muito pequeno de crianças bilíngues em uma intervenção escolar, sem testar uma prática familiar. Wintermantel investigou percepções sobre aprendizagem socioemocional, não desempenho de leitura. Bailey examinou possíveis efeitos de longo prazo em uma geração seguinte. Capawana comparou grupos em um contexto de apoio à saúde e não isolou o efeito de uma intervenção familiar sobre aprendizagem.
Também não há uma conclusão única sobre qual formato de parceria funciona melhor, para quem e em que condições. Os resumos não permitem comparar diretamente magnitudes entre estudos, nem afirmar que os resultados se repetiriam em qualquer escola brasileira. Permanecem perguntas sobre como adequar a comunicação às diferentes famílias, quais componentes são essenciais em cada intervenção e como acompanhar aprendizagem sem reduzir o sucesso a um único indicador. A leitura mais útil, portanto, combina atenção aos resultados com respeito às diferenças entre as pesquisas.
Como levar essas ideias para a sala de aula?
Os exemplos abaixo são sugestões de aplicação inspiradas nos temas dos estudos, não resultados testados por eles na realidade brasileira. O objetivo é transformar os achados em perguntas e rotinas possíveis, mantendo espaço para conhecer cada estudante e cada família.
1. Combine uma meta de leitura pequena e observável
Uma forma de usar a ideia de leitura compartilhada é escolher, com a família, uma meta simples ligada ao texto, em vez de enviar uma orientação extensa. Imagine uma turma de 2º ano em que alguns estudantes precisam compreender melhor uma narrativa: o professor pode propor que, durante a leitura de uma história, a criança reconte o que aconteceu primeiro e depois. Essa é uma sugestão de aplicação, não uma atividade cuja eficácia tenha sido testada pelos estudos no Brasil. O ponto é tornar clara a intenção pedagógica e facilitar que a família participe sem precisar substituir o professor.
2. Planeje apoios para a participação, não apenas para a resposta certa
Roberts e colegas integraram apoios comportamentais à leitura. Como aplicação, antes de uma leitura compartilhada, o professor pode pensar no que ajuda determinado aluno a permanecer envolvido: uma pausa breve, uma pergunta de cada vez ou a possibilidade de escolher entre dois livros. Imagine uma criança que se frustra quando a conversa sobre a história se prolonga; uma sequência curta pode tornar a tarefa mais acessível. A escolha precisa considerar o estudante, sem interpretar todo movimento ou distração como falta de interesse ou como problema familiar.
3. Pergunte à criança o que a ajuda a participar
Erickson e colegas encontraram autonomia motivadora para as crianças ouvidas e destacaram a importância de vínculos valorizados. Como sugestão de aplicação, um professor pode perguntar ao aluno qual parte de uma atividade prefere começar ou qual formato de apoio lhe parece mais confortável. Imagine uma criança bilíngue que recebe apoio de leitura fora da turma: vale conversar sobre como ela percebe essa rotina e se sente falta de algum vínculo durante esse horário. A conversa não substitui avaliação pedagógica; ela acrescenta a perspectiva do estudante ao planejamento.
4. Trate a família como parceira, sem transformar a parceria em cobrança
O Family-RISE foi considerado viável e utilizável pelas famílias que participaram, mas isso não significa que toda proposta seja igualmente viável para qualquer responsável. Uma aplicação possível é oferecer orientações curtas, acolher dúvidas e perguntar quais horários ou formatos de comunicação são mais acessíveis. Imagine uma família que não consegue manter uma rotina diária de leitura: em vez de concluir que não valoriza a aprendizagem, o professor pode negociar uma alternativa realista. Essa adaptação é uma recomendação prática, não um resultado diretamente avaliado nos estudos citados.
5. Observe pontos fortes junto com necessidades de apoio
Capawana destaca a utilidade de considerar fatores de proteção e de risco, em vez de olhar apenas para dificuldades. Como aplicação, ao planejar apoio para um estudante, o professor pode registrar o que já o ajuda a aprender, além dos obstáculos observados. Imagine uma criança que enfrenta dificuldade em tarefas escritas, mas participa com segurança quando pode explicar oralmente: essa informação pode orientar a forma de iniciar uma atividade. O exemplo não corresponde a um caso real nem a um resultado do estudo; ilustra uma maneira mais abrangente de pensar a avaliação pedagógica.
6. Inclua relações e comunicação nas conversas sobre aprendizagem socioemocional
As crianças no estudo australiano mencionaram aprendizagem emocional e relações positivas, incluindo comunicação. Uma forma de aplicar esse tema é conversar com a turma sobre como pedir ajuda, expressar uma emoção ou reparar um desentendimento, sem supor que a pesquisa tenha testado cada prática isoladamente. Imagine uma turma após um trabalho em grupo em que surgiram conflitos: o professor pode abrir espaço para que os alunos descrevam o que sentiram e o que ajudaria numa próxima colaboração. Se fizer sentido, a escola também pode compartilhar com as famílias os objetivos gerais do trabalho socioemocional.
7. Registre o que mudou e reveja a estratégia com a família
Uma intervenção precisa ser acompanhada para que escola e família saibam se a proposta está ajudando. Como sugestão de aplicação, o professor pode observar uma habilidade definida, como a capacidade de recontar uma narrativa, e combinar um momento de revisão com responsáveis. Imagine um estudante que começou a participar mais, mas ainda precisa de apoio para compreender a sequência dos acontecimentos: essa informação permite ajustar a meta sem desconsiderar o progresso. O acompanhamento sugerido aqui não é um protocolo dos estudos; é uma forma prática de evitar que a intervenção continue por inércia.
O que muda ao adaptar esses achados ao contexto brasileiro?
Os estudos citados foram realizados em contextos distintos: Estados Unidos, Austrália e, no caso de Erickson, um contexto que o resumo não identifica. A intervenção de Roberts envolveu famílias norte-americanas; a de Wintermantel ocorreu em uma escola australiana; a RHC foi conduzida em escolas públicas de Seattle décadas atrás. Esses cenários não descrevem automaticamente as condições de uma escola brasileira, nem autorizam importar programas ou procedimentos sem adaptação.
Na prática, a escola precisa considerar as formas de organização familiar, as línguas usadas em casa, os canais de comunicação disponíveis e o tempo que responsáveis podem dedicar. A pesquisa de Erickson é particularmente útil como lembrete de que a criança pode perceber custos e benefícios de uma intervenção, inclusive em relação aos vínculos que valoriza. Em uma escola brasileira, ouvir o estudante e a família pode ajudar a identificar se um apoio proposto é compreensível e viável, mas essa é uma adaptação que cada equipe precisa avaliar localmente.
Também convém evitar que “envolvimento da família” vire sinônimo de presença física em reuniões ou de disponibilidade para atividades longas em casa. O resumo do Family-RISE relata que famílias participantes consideraram a intervenção viável, mas não oferece base para afirmar que qualquer formato de leitura compartilhada terá a mesma viabilidade em outros contextos. Uma aplicação cuidadosa começa por explicar o objetivo, oferecer alternativas de participação e manter a responsabilidade pedagógica da escola.
Por fim, os estudos não estabelecem uma receita única para o fundamental brasileiro. As idades, os objetivos, os métodos e as intervenções variam. A contribuição mais segura é usar os achados como lentes: observar como leitura e comportamento se relacionam, ouvir a motivação da criança, considerar vínculos e reconhecer fatores de proteção e risco. Para adotar um programa específico, é necessário verificar sua adequação à realidade local e consultar informações mais completas sobre sua implementação.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados pelo ERIC, e não na leitura integral dos artigos. Por isso, apresenta os objetivos e resultados tal como aparecem nesses resumos, sem reconstruir detalhes metodológicos que eles não fornecem. Os trabalhos também diferem entre si: incluem estudo piloto, pesquisa qualitativa, comparação de grupos e análise de efeitos intergeracionais. Não são uma avaliação uniforme de uma mesma intervenção familiar.
Ficam em aberto questões importantes para a decisão escolar: como os programas foram adaptados a diferentes famílias, quais recursos exigiram, que resultados apareceram em períodos mais longos e quais estudantes se beneficiaram mais. Para o Family-RISE, por exemplo, o resumo descreve resultados promissores de um estudo piloto, mas não basta para concluir que o programa seja eficaz em todas as escolas. Para a RHC, os resultados intergeracionais não dizem que uma iniciativa atual produzirá os mesmos efeitos em outro contexto.
Faria sentido ler os estudos completos quando a escola estiver considerando implementar uma intervenção específica, quando precisar conhecer os procedimentos de aplicação ou quando quiser avaliar com rigor os limites e as medidas de resultado. Também vale consultar o texto integral antes de comparar programas ou usar os resultados para orientar decisões institucionais. Os resumos são um ponto de partida para compreender tendências, não substituem a análise detalhada necessária para uma adoção responsável.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
Uma parceria com famílias pode apoiar a aprendizagem, mas o professor também precisa acompanhar o que os alunos compreenderam em sala. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a criar avaliações e atividades com IA para organizar essa verificação; a ferramenta não substitui a conversa com estudantes e responsáveis nem garante, por si só, uma intervenção adequada. Se quiser conhecer a plataforma, você pode fazer o cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre intervenções com famílias
Uma intervenção com participação da família melhora a leitura?
Um estudo piloto de Roberts e colegas encontrou melhora substancial na compreensão de textos narrativos após o Family-RISE, intervenção com famílias de crianças do 1º e do 2º ano com dificuldades de leitura e comportamento. As famílias avaliaram a proposta como utilizável e viável. Esse achado é promissor, mas se refere à intervenção estudada e não prova que qualquer atividade de leitura em casa produza o mesmo resultado. Para aplicar uma proposta, a escola deve explicar seu objetivo e considerar se ela é viável para aquela família e aquele estudante.
Como envolver a família sem responsabilizá-la pela aprendizagem?
Os estudos não oferecem uma fórmula universal, mas ajudam a pensar em uma parceria com orientações claras e metas possíveis. No Family-RISE, a família apoiava a leitura compartilhada dentro de uma intervenção estruturada, com práticas de leitura e apoios ao engajamento. Como aplicação, o professor pode propor uma atividade breve, explicar o que observar e abrir espaço para a família dizer o que consegue realizar. A responsabilidade pelo ensino continua sendo da escola; a participação familiar é uma possibilidade de apoio, não um teste de dedicação ou condição para o aluno aprender.
O que fazer quando a criança não demonstra motivação para uma intervenção?
Erickson e colegas ouviram três crianças bilíngues iniciantes em uma intervenção de leitura exclusivamente em inglês. Todas mencionaram benefícios e custos da participação, e a autonomia foi motivadora para elas. O estudo também sugere que vínculos com amigos, família e professores influenciam a motivação. Uma aplicação possível é conversar com a criança sobre o que facilita ou dificulta sua participação e oferecer escolhas compatíveis com o objetivo pedagógico. Como a pesquisa é qualitativa e focalizada em poucas crianças, ela não determina uma estratégia única para todos os alunos.
Os estudos mostram que a família influencia o comportamento escolar?
Os trabalhos não permitem uma conclusão geral sobre a influência familiar em todo comportamento escolar. Roberts e colegas testaram uma intervenção que combinava apoio à leitura compartilhada e estratégias comportamentais para crianças com dificuldades nas duas áreas. Capawana, por sua vez, identificou fatores familiares entre vários domínios de risco e proteção considerados no estudo. São pesquisas distintas, com objetivos diferentes. Uma leitura prudente é que o contexto familiar pode ser relevante para compreender necessidades e apoios, mas não se deve atribuir automaticamente à família a causa de uma dificuldade observada na escola.
Os resultados de outros países podem ser usados em escolas brasileiras?
Podem ajudar a formular perguntas e possibilidades, mas não devem ser tratados como garantias de resultado no Brasil. O Family-RISE foi testado com famílias norte-americanas; a intervenção socioemocional assistida por cão ocorreu na Austrália; e a Raising Healthy Children foi conduzida em escolas públicas de Seattle entre 1980 e 1986. Condições de implementação, recursos e relações entre escola e família podem variar. Antes de adotar um programa, a equipe precisa conhecer melhor sua proposta, avaliar se cabe no contexto local e ouvir estudantes e responsáveis.
Como saber se o apoio oferecido está ajudando o aluno?
Os estudos citados usaram formas diferentes de avaliação, conforme suas perguntas: Roberts examinou compreensão de textos narrativos; Erickson reuniu percepções infantis e avaliações adultas de engajamento; Wintermantel analisou percepções sobre uma intervenção socioemocional. Como aplicação, a escola pode definir previamente qual mudança deseja observar, acompanhar essa habilidade e conversar com o estudante e a família sobre a experiência. Isso não reproduz os métodos dos estudos, mas ajuda a tornar a decisão pedagógica mais clara. Se o resultado não aparecer, a equipe pode rever a estratégia em vez de presumir desinteresse.
Referências
- Roberts, Garrett J.; Capin, Philip; Handy, Anna; Coté, Brooke; Jimenez, Zaira (2025). Uma intervenção com base na família para estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental com dificuldades de leitura e de comportamento: um estudo piloto (A Family-Based Intervention for Early Elementary Students with Reading and Behavioral Difficulties: A Pilot Study). Journal of Learning Disabilities. Link.
- Erickson, Joy D.; Davison, Kelsey E.; Markmann, Sarah (2025). Rumo a intervenções de leitura mais favorecedoras da motivação: aprendendo com as percepções de crianças bilíngues iniciantes sobre programas exclusivamente em inglês (Toward More Motivationally-Supportive Reading Interventions: Learning from Young DLLs' Perceptions of English-Only Programmes). Journal of Early Childhood Literacy. Link.
- Wintermantel, Lena; Grove, Christine; Laletas, Stella (2025). Percepções de crianças sobre uma intervenção de aprendizagem socioemocional assistida por cão de terapia: resultados de questionários e entrevistas (Children's Perceptions of a Therapy Dog-Assisted Social and Emotional Learning Intervention: Survey and Interview Findings). Journal of Research in Childhood Education. Link.
- Bailey, Jennifer A.; Pandika, Danielle; Le, Vi T.; Epstein, Marina; Steeger, Christine M.; Hawkins, J. David (2023). Testando os efeitos intergeracionais da intervenção Raising Healthy Children sobre os filhos jovens adultos dos participantes da intervenção (Testing Cross-Generational Effects of the Raising Healthy Children Intervention on Young Adult Offspring of Intervention Participants). Prevention Science. Link.
- Capawana, Michael R. (2024). Fatores multidimensionais de risco e resiliência em jovens urbanos com peso não saudável (Multidimensional Risk and Resilience Factors in Urban Youth with Unhealthy Weight). Journal of Applied School Psychology. Link.
Se algum desses caminhos conversa com um desafio da sua turma, escolha uma pergunta para levar à equipe e às famílias — às vezes, uma parceria começa por uma conversa simples e bem explicada.
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