Função executiva e estresse no fundamental II: como se relacionam com o comportamento
Um estudo com alunos do fundamental II encontrou diferenças nas funções executivas entre estudantes com transtornos emocionais e comportamentais ou em risco e seus colegas. Estresse percebido e regulação do estresse também se associaram a comportamentos internalizantes e externalizantes.
No fundamental II, funções executivas — como controlar impulsos e organizar respostas —, estresse percebido e capacidade de lidar com situações estressantes podem se relacionar com o comportamento dos estudantes. Um estudo com 118 alunos encontrou diferenças nas funções executivas entre jovens com transtornos emocionais e comportamentais, ou em risco, e colegas sem comportamentos significativos. Estresse e regulação também se associaram a comportamentos internalizantes e externalizantes.
Entre 118 estudantes do ensino fundamental II de um distrito escolar predominantemente hispano-latino dos Estados Unidos, o estresse percebido e as habilidades para regulá-lo se associaram, de forma singular, a comportamentos internalizantes e externalizantes (Cumming, 2025). O mesmo estudo identificou diferenças nas funções executivas entre alunos com transtornos emocionais e comportamentais, ou em risco, e colegas sem comportamentos significativos.
Esse resultado ajuda a olhar para situações comuns da escola com mais contexto: dificuldade para esperar a vez, reações intensas a uma provocação, problemas para começar uma tarefa ou para reorganizar-se depois de uma frustração. Não significa que todo comportamento difícil seja causado pelo estresse, nem que uma observação em sala permita diagnosticar um estudante. Mostra, porém, que vale considerar em conjunto as exigências de autocontrole, o que o aluno percebe como estressante e as condições em que precisa aprender.
O que é função executiva e estresse em alunos do fundamental II e por que importa para o professor
Funções executivas são capacidades cognitivas relacionadas a organizar e conduzir ações diante de uma tarefa ou situação. Na escola, o professor pode percebê-las quando o estudante precisa manter a atenção, conter uma resposta imediata, planejar etapas, acompanhar instruções ou ajustar uma estratégia. O estudo de Cumming investigou funções executivas junto com estresse percebido, regulação do estresse e comportamentos; não examinou cada situação cotidiana da sala de aula isoladamente.
Estresse percebido diz respeito à avaliação que a própria pessoa faz de situações como exigentes ou estressantes. No estudo de Cumming, exemplos mencionados incluem experiências relacionadas aos colegas e à escola. Regulação do estresse, por sua vez, é a capacidade de lidar com situações estressantes. Essas dimensões não são sinônimas: perceber pressão, conseguir lidar com ela e mobilizar habilidades executivas são aspectos relacionados, mas distintos.
No fundamental II, uma mesma aula pode pedir que o estudante acompanhe instruções, administre materiais, lide com interações sociais e persista diante de uma tarefa difícil. Para o professor, essa perspectiva é útil porque convida a distinguir o que está acontecendo de uma explicação apressada sobre a intenção do aluno. Uma resposta impulsiva, por exemplo, pode ser observada e acolhida sem concluir que o estudante “não se importa” ou que a causa já está identificada.
Também importa separar observação pedagógica de avaliação clínica. Os estudos aqui reunidos não autorizam diagnosticar transtornos, trauma ou dificuldades executivas a partir de um episódio. Seu valor está em ampliar perguntas: que demandas a atividade impõe? O comportamento aparece em determinados contextos? O aluno tem apoio para planejar e retomar a tarefa? Essa curiosidade cuidadosa pode orientar ajustes de ensino e, quando necessário, conversas com a equipe escolar e a família.
O que a pesquisa recente mostra
Os estudos disponíveis não testam todos a mesma coisa: alguns relacionam estresse e comportamento; outros examinam sofrimento emocional, provocação entre pares ou intervenções de organização e escrita. Em conjunto, oferecem pistas sobre como o contexto emocional e as demandas de autorregulação podem se relacionar com a participação escolar, mas não constituem uma receita única para todos os estudantes.
Estresse percebido, regulação e comportamento aparecem ligados
O estudo mais diretamente relacionado ao tema analisou 118 estudantes do fundamental II de um distrito escolar predominantemente hispano-latino no sudeste dos Estados Unidos. Os participantes incluíam estudantes com transtornos emocionais e comportamentais (TEC), estudantes em risco para esses transtornos e colegas sem comportamentos significativos. Os autores identificaram diferenças de grupo nas funções executivas e relataram que estresse percebido e habilidades de regulação do estresse se associaram de forma singular a comportamentos internalizantes e externalizantes (Cumming, 2025).
O resumo não apresenta uma direção causal: não permite concluir que o estresse provocou os comportamentos, nem que dificuldades executivas os produziram. A leitura prudente é que essas dimensões estavam relacionadas no grupo estudado. A pesquisa também chama atenção para a escassez de estudos com estudantes do fundamental II com TEC ou em risco, especialmente os provenientes de grupos raciais e étnicos sub-representados. Isso torna relevante investigar o tema sem transformar uma associação observada em explicação universal.
Outro estudo, com 97 estudantes italianos que acompanhavam aulas on-line durante a pandemia, comparou alunos com dificuldades específicas de aprendizagem a colegas sem diagnóstico. Os estudantes com dificuldades apresentaram funções executivas menos desenvolvidas, maior sofrimento emocional, níveis mais baixos de motivação identificada e intrínseca e níveis mais altos de motivação introjetada (Alesi, 2024). O trabalho investigou relações entre funcionamento executivo, sofrimento emocional e motivação acadêmica, mas o resumo não afirma que o estresse tenha causado as diferenças.
Esse contexto é específico: aulas on-line durante a pandemia, na Itália, e uma comparação entre grupos definidos por dificuldades específicas de aprendizagem. Portanto, o resultado não deve ser tratado como descrição de todo aluno do fundamental II em aulas presenciais. Ainda assim, ajuda a lembrar que desempenho, emoção e motivação podem aparecer juntos na experiência escolar e que dificuldades na tarefa não devem ser interpretadas apenas como falta de esforço.
Provocações e experiências de estresse podem se relacionar com as respostas entre pares
Um estudo longitudinal com jovens de 12 a 14 anos em centros urbanos dos Estados Unidos investigou estresse pós-traumático, interpretação de provocações e respostas a situações hipotéticas entre colegas. Níveis mais elevados de estresse pós-traumático associaram-se a escolhas mais frequentes de agressão física e verbal, revide e mediação por professores, e a escolhas menos frequentes de ignorar a situação. Também se associaram a maior percepção de intenção hostil por trás da provocação (Ruchkin, 2026).
Os autores relataram diferenças nas respostas por sexo: meninos escolheram mais frequentemente agressão física e revide; meninas relataram mais agressão verbal e negociação. Além disso, meninos com níveis mais elevados de estresse pós-traumático tiveram mais dificuldade em escolher ignorar a provocação percebida. A intenção hostil percebida mediou total ou parcialmente várias associações entre estresse pós-traumático e respostas à provocação, incluindo agressão, desejo de revide e menor disposição para negociar.
O estudo foi realizado nos Estados Unidos e utilizou autorrelatos e cenários hipotéticos, com respostas sobre o estresse no primeiro ano e sobre provocações no segundo. Isso não permite prever como um aluno brasileiro específico reagirá a um conflito. A contribuição para a escola é mais delimitada: a interpretação que o adolescente faz da intenção do colega pode ser uma dimensão importante a considerar, sem ignorar o impacto do comportamento observado nem presumir que todo conflito tenha a mesma origem.
Organização e ensino explícito oferecem caminhos de apoio, com limites
Em um estudo de caso único, pesquisadores avaliaram uma intervenção adaptada de treinamento em habilidades organizacionais para dois estudantes do fundamental II com TEC em contextos de educação especial. A intervenção, ajustada com contribuições de professores, buscou melhorar o gerenciamento de materiais. A análise indicou melhora nessa habilidade, e os participantes relataram alta aceitabilidade (Franklin-Gillette, 2026).
O achado é promissor, mas tem escopo específico: dois estudantes e uma habilidade de organização. O próprio resumo situa o estudo em uma área com evidências limitadas sobre a generalização de intervenções organizacionais para estudantes com TEC. Assim, não se deve concluir que a mesma intervenção produzirá o mesmo efeito para qualquer turma ou que resolverá dificuldades de estresse e comportamento. Ela sugere que apoios organizacionais podem merecer avaliação e adaptação no contexto de educação especial.
Já um ensaio controlado randomizado examinou o modelo de ensino SRSD em pequenos grupos com estudantes do sexto ano em risco de dificuldades de escrita. Os alunos receberam 24 sessões de 30 minutos ao longo de 12 semanas, enquanto o grupo de controle realizou atividades de escrita por tempo semelhante sem instrução explícita. O grupo SRSD apresentou mudança diferencial em medidas de desenvolvimento de temas e organização do texto e no número de partes da redação. As funções executivas foram um possível moderador significativo, mas esse resultado não se manteve após a correção estatística. Não foram observados efeitos residuais seis meses depois (Hooper, 2026).
O estudo de Hooper não avaliou uma intervenção de redução do estresse. Sua relevância aqui é mostrar que a relação entre funções executivas e aprendizagem pode ser examinada dentro de uma prática de ensino concreta, e que o efeito observado não deve ser ampliado além do que foi medido. O resultado também reforça a importância de olhar para duração e acompanhamento: os ganhos relatados durante o período de intervenção não permaneceram como efeito residual seis meses depois.
Os estudos lado a lado
A tabela resume o que cada estudo citado investigou e relatou. Os contextos variam bastante: há pesquisa com estudantes dos Estados Unidos, da Itália e estudos cujo resumo não identifica o país. Por isso, os achados devem ser lidos dentro de seus grupos e condições, não como uma classificação geral de alunos do fundamental II.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Cumming (2025) | Funções executivas, estresse percebido, regulação do estresse e comportamentos. | Diferenças de grupo em funções executivas; estresse percebido e regulação associados a comportamentos internalizantes e externalizantes. | 118 estudantes do fundamental II em distrito predominantemente hispano-latino do sudeste dos Estados Unidos. |
| Alesi (2024) | Funções executivas, sofrimento emocional e motivação em estudantes com dificuldades específicas de aprendizagem e colegas sem diagnóstico. | O grupo com dificuldades apresentou funções executivas menos desenvolvidas, mais sofrimento emocional e diferenças nos tipos de motivação. | 97 estudantes italianos em aulas on-line durante a pandemia; idade média em torno de 11 anos. |
| Ruchkin (2026) | Estresse pós-traumático, intenção hostil percebida e respostas a provocações entre pares. | Níveis mais elevados de estresse pós-traumático associaram-se a respostas mais agressivas e maior intenção hostil percebida; houve diferenças relatadas por sexo. | Jovens de 12 a 14 anos de centros urbanos dos Estados Unidos; cenários hipotéticos e acompanhamento longitudinal. |
| Franklin-Gillette (2026) | Treinamento organizacional adaptado para estudantes com TEC. | Melhora no gerenciamento de materiais para os dois participantes; alta aceitabilidade relatada. | Dois estudantes do fundamental II em contextos de educação especial; país não informado no resumo. |
| Hooper (2026) | Ensino SRSD para alunos do sexto ano em risco de dificuldades de escrita e possíveis moderadores, incluindo funções executivas. | Resultados favoráveis em medidas de escrita; funções executivas foram possível moderador, sem se manter após correção; sem efeito residual aos seis meses. | Ensaio randomizado com 243 alunos do sexto ano; país não informado no resumo. |
Pontos em comum e divergências entre os estudos
Um ponto em comum é que os trabalhos tratam o comportamento e a aprendizagem em relação a mais de uma dimensão. Cumming articula funções executivas, estresse percebido, regulação e comportamento; Alesi considera funcionamento executivo, sofrimento emocional e motivação; Ruchkin examina estresse pós-traumático junto com interpretação e respostas a provocações. A leitura conjunta não prova uma cadeia causal comum, mas mostra que explicar a experiência escolar por uma única variável seria simplificador.
Há também diferenças importantes no que cada pesquisa permite afirmar. Cumming encontrou associações entre estresse e comportamentos em estudantes do fundamental II; Ruchkin encontrou associações longitudinais entre estresse pós-traumático e respostas a cenários de provocação; Alesi comparou grupos em uma situação de ensino on-line durante a pandemia. São perguntas, medidas e contextos diferentes. Não é adequado fundir seus resultados como se todos medissem “estresse escolar” da mesma forma.
Os estudos de intervenção acrescentam outra camada. O treinamento organizacional mostrou melhora em dois casos, enquanto o ensaio SRSD relatou resultados em medidas de escrita durante a intervenção, mas não efeitos residuais após seis meses. Isso não é uma divergência direta, pois as intervenções, participantes e resultados avaliados diferem. O que permanece em aberto é como diferentes apoios funcionam para perfis distintos, quanto tempo seus efeitos duram e como estresse percebido e regulação podem ser incorporados a intervenções pedagógicas sem confundir apoio escolar com tratamento clínico.
O que isso significa para a sala de aula
Os estudos não testaram as sugestões abaixo como um pacote de práticas para escolas brasileiras. Elas são aplicações pedagógicas possíveis, inspiradas nas dimensões investigadas, e devem ser ajustadas ao grupo e às orientações da escola. A ideia é observar demandas e oferecer estrutura, não diagnosticar alunos ou atribuir automaticamente o comportamento ao estresse.
1. Descrever a situação antes de rotular o estudante
Uma forma de aplicar essa leitura é registrar o que aconteceu antes, durante e depois de uma dificuldade. Imagine uma turma de 7º ano em que um aluno interrompe o trabalho em grupo após uma brincadeira de um colega. Em vez de concluir de imediato que ele é agressivo ou desinteressado, o professor pode descrever a fala, a reação e o contexto, conversar com os envolvidos e observar se o padrão se repete. Essa observação não determina uma causa, mas torna a resposta pedagógica mais informada.
2. Tornar as etapas de uma tarefa visíveis na fala
Como aplicação, o professor pode apresentar uma tarefa longa em etapas curtas, explicando o que fazer primeiro e o que vem depois. Em uma atividade de produção de texto, por exemplo, pode separar planejamento, escrita e revisão, com uma breve conferência entre etapas. O estudo de Hooper investigou instrução explícita para escrita em pequenos grupos, mas não testou exatamente essa rotina de sala. A proposta é uma adaptação de prática, não um resultado atribuído ao estudo.
3. Ensinar procedimentos de organização de modo concreto
Uma aplicação possível é combinar um lugar definido para os materiais, uma rotina de preparação e uma checagem simples ao final da aula. Imagine um estudante que frequentemente não encontra o material necessário: em vez de tratar isso apenas como falta de responsabilidade, o professor pode ensinar e praticar a sequência de organização. Franklin-Gillette e colaboradores observaram melhora no gerenciamento de materiais em dois estudantes com TEC após uma intervenção adaptada, mas não avaliaram essa rotina específica para uma turma inteira.
4. Planejar respostas para conflitos sem presumir intenções
Em uma discussão entre colegas, uma forma de aplicação é separar o comportamento observável da intenção atribuída. O professor pode pedir que cada estudante descreva o que viu e ouviu, e então apoiar uma alternativa segura para seguir em frente. Ruchkin e colaboradores encontraram relação entre estresse pós-traumático, percepção de intenção hostil e escolhas de resposta em cenários hipotéticos. Isso não significa que o professor deva relativizar agressões: significa que, além de interromper o dano, pode ser útil compreender como os envolvidos interpretaram a situação.
5. Oferecer maneiras discretas de pedir apoio
Como sugestão de aplicação, a turma pode combinar formas de sinalizar que alguém precisa de ajuda ou de uma pausa breve, sem exposição diante dos colegas. Por exemplo, um estudante poderia conversar com o professor antes de retomar uma tarefa após um conflito. Cumming investigou estresse percebido e regulação do estresse associados a comportamentos, mas não avaliou um protocolo de pausa. Por isso, a estratégia deve ser entendida como possibilidade pedagógica, construída de acordo com as regras de convivência e a realidade da escola.
6. Conferir se a instrução foi compreendida antes de concluir que falta motivação
Uma forma de aplicar os resultados é pedir ao estudante que explique qual é o primeiro passo, oferecer um exemplo inicial ou verificar se a instrução está clara. Imagine uma atividade nova em que parte da turma não começa; uma checagem coletiva pode revelar que a barreira está na compreensão da tarefa, e não necessariamente na disposição para realizá-la. Alesi encontrou diferenças de motivação e sofrimento emocional entre grupos específicos de estudantes italianos em aulas on-line. Isso não autoriza generalizar essas diferenças a qualquer aluno, mas sugere cautela ao interpretar engajamento.
7. Acompanhar se um apoio continua funcionando
Uma prática possível é observar, ao longo do tempo, se um ajuste de organização, instrução ou acompanhamento está ajudando o aluno a participar. O estudo de Hooper não encontrou efeitos residuais seis meses após a instrução, enquanto o estudo organizacional acompanhou apenas dois participantes e habilidades específicas. Esses resultados não determinam um calendário de acompanhamento para a escola, mas justificam não presumir que uma melhora inicial se manterá sozinha. O professor pode registrar observações e conversar com a equipe sobre a continuidade do suporte.
O que muda no contexto brasileiro
Os estudos mais diretamente relacionados foram realizados em contextos distintos dos brasileiros: Cumming trabalhou com estudantes de um distrito predominantemente hispano-latino no sudeste dos Estados Unidos; Alesi estudou estudantes italianos em aulas on-line durante a pandemia; Ruchkin acompanhou jovens de centros urbanos dos Estados Unidos. As composições das amostras, as formas de organização escolar e as experiências dos estudantes não podem ser presumidas iguais às de uma escola brasileira.
Na prática, a transferência deve ser feita com cuidado. O que o resumo de uma pesquisa permite aproveitar são perguntas e relações investigadas, não uma previsão automática de resultado local. Professores podem observar como instruções, conflitos, carga de tarefas e oportunidades de apoio aparecem em sua turma, mas não devem importar categorias ou intervenções como se tivessem sido validadas para qualquer rede ou realidade brasileira. Mesmo entre escolas do Brasil, condições e recursos variam.
Os estudos também não oferecem uma medida para o professor identificar estresse ou função executiva por conta própria. Uma adaptação responsável é usar as ideias para planejar apoios pedagógicos acessíveis, escutar o estudante e buscar a equipe escolar quando houver preocupação persistente. Se uma situação envolver sofrimento intenso ou risco, a escola deve seguir seus protocolos e articular os apoios adequados, sem transformar uma associação de pesquisa em diagnóstico.
Limites desta leitura
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na fonte de pesquisa, não na leitura integral dos artigos. Por isso, as sínteses se limitam às perguntas, resultados e contextos descritos nesses resumos. Em especial, os estudos diferem em amostras, métodos e medidas: há associações, comparações entre grupos, cenários hipotéticos e intervenções com poucos participantes ou com grupos específicos.
Ficam em aberto perguntas importantes para a prática: como estresse percebido e regulação se relacionam ao longo do tempo em diferentes escolas brasileiras; quais apoios funcionam para perfis diversos; e por quanto tempo os efeitos de intervenções pedagógicas se mantêm. Para decidir implementar um programa, escolher instrumentos de avaliação ou compreender métodos e limites estatísticos, faz sentido consultar o estudo completo e, quando possível, outras pesquisas sobre a mesma intervenção e população.
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Perguntas frequentes sobre função executiva e estresse no fundamental II
O estresse causa dificuldades de função executiva nos alunos?
Os estudos reunidos aqui não permitem afirmar que o estresse causa dificuldades de função executiva. Cumming encontrou diferenças de grupo nas funções executivas e associações entre estresse percebido, regulação do estresse e comportamentos em estudantes do fundamental II. Alesi encontrou funções executivas menos desenvolvidas e mais sofrimento emocional entre estudantes italianos com dificuldades específicas de aprendizagem em aulas on-line. Esses resultados mostram relações em grupos e contextos determinados, não uma causa comprovada nem uma regra para cada aluno.
Como diferenciar uma dificuldade de autocontrole de falta de interesse?
Os estudos não oferecem um teste simples para fazer essa distinção em sala. Alesi investigou conjuntamente funcionamento executivo, sofrimento emocional e motivação, e encontrou diferenças entre grupos específicos de estudantes. Isso recomenda cautela diante de interpretações rápidas, mas não permite concluir que toda falta de participação decorra de dificuldade executiva ou sofrimento emocional. Como aplicação pedagógica, vale verificar se a instrução está clara, observar em que situações a dificuldade aparece e conversar com o estudante antes de definir uma explicação.
O que fazer quando há conflitos e provocações entre colegas?
Uma resposta escolar precisa primeiro interromper qualquer comportamento que coloque alguém em risco e seguir as regras de convivência da escola. O estudo de Ruchkin encontrou associações entre estresse pós-traumático, maior percepção de intenção hostil e respostas escolhidas diante de cenários hipotéticos de provocação. Como aplicação, depois de cuidar da segurança, o professor pode ouvir separadamente os envolvidos, distinguir ação observada de intenção atribuída e apoiar formas de negociação quando forem adequadas. O estudo não valida um protocolo específico de mediação escolar.
As funções executivas podem influenciar a aprendizagem de escrita?
O ensaio de Hooper investigou funções executivas como possível moderador dos resultados de uma intervenção SRSD para alunos do sexto ano em risco de dificuldades de escrita. O resumo relata resultados favoráveis em medidas de escrita durante a intervenção e indica que as funções executivas foram um possível moderador significativo, mas essa moderação não se manteve após a correção estatística. Não foram observados efeitos residuais seis meses depois. Portanto, há uma pista de relação, mas não uma conclusão de que as funções executivas determinem o desempenho de escrita de cada estudante.
Uma intervenção de organização serve para qualquer estudante?
Não é possível concluir isso a partir do estudo disponível. Franklin-Gillette e colaboradores avaliaram uma intervenção adaptada de gerenciamento de materiais com dois estudantes do fundamental II com transtornos emocionais e comportamentais, em contextos de educação especial. O estudo de caso único indicou melhora e alta aceitabilidade, mas não permite generalizar o efeito para todos os alunos, para outras habilidades organizacionais ou para qualquer escola. Como aplicação, professores podem ensinar rotinas de organização e acompanhar se ajudam, ajustando o apoio às necessidades observadas.
Essas pesquisas podem ser aplicadas diretamente às escolas brasileiras?
Os resultados podem informar perguntas e possibilidades, mas não devem ser transferidos automaticamente. Os estudos citados foram realizados em contextos dos Estados Unidos e da Itália, e outros resumos não identificam o país. Além disso, as amostras e os métodos variam: um estudo usou aulas on-line durante a pandemia, outro analisou dois participantes e outro trabalhou com cenários hipotéticos. No Brasil, é mais prudente adaptar sugestões à realidade da turma e da rede, sem usar esses resultados para diagnosticar estudantes ou prometer efeitos.
Referências
- Cumming, M. M., Qiu, Y., Oblath, R., Frazier, S. L., Criado, C., Theodore, S., & Placido, G. (2025). Estresse Percebido, Função Executiva e Regulação do Estresse: Implicações para o Bem-Estar Emocional e Comportamental de Estudantes do Ensino Fundamental II (Perceived Stress, Executive Function, and Stress Regulation: Implications for Middle Schoolers' Emotional and Behavioral Well-Being). Remedial and Special Education. Link.
- Alesi, M., Giordano, G., Ingoglia, S., & Inguglia, C. (2024). A associação entre funções executivas, motivação acadêmica, ansiedade e depressão: uma comparação entre estudantes com dificuldades específicas de aprendizagem e colegas sem diagnóstico (The Association among Executive Functions, Academic Motivation, Anxiety and Depression: A Comparison between Students with Specific Learning Disabilities and Undiagnosed Peers). European Journal of Special Needs Education. Link.
- Ruchkin, V., Stickley, A., Schwab-Stone, M., & Isaksson, J. (2026). Estresse Pós-Traumático, Intenção Hostil Percebida e Reações à Provocação de Pares: Um Estudo Longitudinal com Jovens de Centros Urbanos dos Estados Unidos (Posttraumatic Stress, Perceived Hostile Intention and Reactions to Peer Provocation: A Longitudinal Study in US Inner-City Youth). JCPP Advances. Link.
- Franklin-Gillette, S., DuPaul, G. J., Fogt, J., Nissley-Tsiopinis, J., & Kern, L. (2026). Eficácia do Treinamento em Habilidades Organizacionais para Estudantes com Transtornos Emocionais e Comportamentais (Efficacy of Organizational Skills Training for Students with Emotional and Behavioral Disorders). Psychology in the Schools. Link.
- Hooper, S. R., Costa, L.-J., & Fernandez, E. P. (2026). Um ensaio controlado randomizado do modelo de ensino Desenvolvimento de Estratégias de Autorregulação (SRSD) dentro da estrutura de Resposta à Intervenção em Níveis (Tier 2) para alunos do ensino fundamental II em risco de dificuldades de escrita (A Randomized Controlled Trial of the Self-Regulated Strategy Development (SRSD) Instructional Model Using Tier 2 Response-to-Intervention Framework for Middle School Students At-Risk for Writing Difficulties). Grantee Submission; publicação antecipada em Scientific Studies of Reading. Link.
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