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Frequência escolar no ensino médio: vínculo e transporte também pesam

Estudos recentes relacionam a presença a fatores que vão além da decisão individual do estudante: vínculo com a escola, atividades, comunicação com responsáveis e complexidade do trajeto. Veja o que pode ser adaptado à realidade brasileira.

Frequência escolar no ensino médio: vínculo e transporte também pesam

Por que um aluno do ensino médio falta justamente nos dias em que a turma mais precisa de continuidade? A resposta curta: nem toda ausência depende apenas da vontade do estudante. Pesquisas recentes apontam fatores escolares, familiares e de deslocamento que ajudam a entender a presença.

Isso não significa que exista uma fórmula única para acabar com as faltas. Significa que o professor pode observar padrões, conversar sem julgamento e articular respostas com a escola, em vez de tratar cada ausência como um episódio isolado.

O que é frequência escolar e presença diária de alunos do ensino médio e por que importa para o professor?

Frequência escolar é a presença do estudante nas aulas ao longo do tempo; presença diária é o registro de comparecimento em cada dia letivo. Na rotina, o professor percebe essa diferença quando acompanha faltas pontuais, ausências que se repetem em certos dias e períodos mais longos sem participação. A frequência importa porque a aprendizagem se constrói com continuidade e porque a presença também pode sinalizar como o estudante está conseguindo se conectar à escola.

Os estudos reunidos aqui tratam a frequência de maneiras distintas: como número de faltas, taxa de absenteísmo, presença associada a atividades extracurriculares ou como um dos resultados relacionados a mudanças na escola e no trajeto. Um deles aborda o absenteísmo crônico, sem que isso autorize aplicar automaticamente uma definição brasileira específica. Para o trabalho docente, o ponto prático é observar a trajetória, não apenas reagir ao registro de um dia.

Uma falta isolada pode ter muitas explicações. Uma sequência de faltas, especialmente quando coincide com dificuldade de transporte, baixo vínculo ou problemas de comunicação, merece uma conversa e uma resposta coordenada. O registro de presença é um sinal para investigar com cuidado, não um diagnóstico sobre caráter, interesse ou situação familiar.

O que a pesquisa recente mostra sobre frequência no ensino médio?

Os estudos apontam que a presença pode se relacionar com decisões e condições em diferentes níveis: comunicação entre escola e responsáveis, organização do transporte, clima escolar, participação em atividades e desenho das oportunidades de aprendizagem. As pesquisas foram realizadas em outros países e têm métodos diferentes; por isso, seus resultados ajudam a formular perguntas para a realidade brasileira, mas não devem ser tratados como garantias locais.

Comunicação com responsáveis pode ajudar, mas alcançar as famílias é parte do desafio

Em quatro redes públicas da região metropolitana de Atlanta, nos Estados Unidos, Musaddiq e colegas testaram mensagens mensais personalizadas enviadas por plataformas que as escolas já utilizavam. As mensagens informavam quantas faltas o estudante acumulava e comparavam esse número ao de colegas. Para a maioria das famílias, o contato ocorreu por e-mail, não por mensagem de texto (Musaddiq, 2024).

As estimativas por intenção de tratar indicaram redução de quatro décimos a dois terços de um dia de falta até o fim do ano letivo, equivalente a 2% a 3%, e redução de 2% a 6% na probabilidade de absenteísmo crônico. Entre as famílias que efetivamente receberam as mensagens, as reduções estimadas foram de dois terços a quase um dia de falta, ou 3% a 4%, e de 4% a 7% na probabilidade de absenteísmo crônico. O resumo também destaca uma dificuldade importante: foi mais difícil contatar justamente os responsáveis por estudantes que mais precisavam melhorar a frequência. (Musaddiq, 2024)

O achado não é que uma mensagem resolva as causas das faltas. Ele sugere que informar de maneira regular pode contribuir, enquanto revela que comunicação enviada não é o mesmo que comunicação recebida. Para a escola brasileira, isso torna relevante verificar se o canal utilizado é acessível à família e se há formas alternativas de contato.

Vínculo e segurança aparecem junto ao clima escolar

Com dados de estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio da Geórgia, nos Estados Unidos, Graham e colegas analisaram como percepções agregadas sobre o clima escolar se relacionavam com o absenteísmo. As percepções dos estudantes prediziam significativamente as taxas de ausência no nível da escola. Vínculo e segurança foram os elementos do clima mais relacionados ao absenteísmo. (Graham, 2026)

Os autores relatam que a associação entre a piora das percepções sobre o clima e o absenteísmo era mais forte do que a associação entre a melhora dessas percepções e o absenteísmo. Também observaram que a relação era mais acentuada entre estudantes negros e brancos. Isso chama atenção para a possibilidade de que experiências escolares não sejam iguais para todos, embora o resumo não permita transformar essa observação em uma explicação causal sobre cada ausência. (Graham, 2026)

Esse resultado conversa com um estudo sobre clima escolar e uso de substâncias entre estudantes de ensino fundamental II e médio. Ünlü e colegas identificaram faltar às aulas entre os indicadores compartilhados que ajudavam a distinguir estudantes que relataram uso recente de álcool ou cannabis dos que não relataram. O estudo investiga associações e classificação estatística; não demonstra que faltar cause uso de substâncias, nem que o uso explique cada falta. (Ünlü, 2026)

O caminho até a escola pode importar mais do que a duração total do trajeto

Em Baltimore, nos Estados Unidos, Burdick-Will e Stein aproveitaram uma grande reformulação do transporte público para estudar resultados de estudantes do ensino médio. O tempo total estimado de viagem não previu os resultados analisados. Já estudantes cujo trajeto exigia trocar de ônibus tinham maior probabilidade de mudar de escola e de faltar às aulas. (Burdick-Will, 2026)

A distinção é relevante: dois trajetos com duração parecida podem exigir níveis diferentes de organização. Os autores sugerem que distritos priorizem rotas diretas sempre que possível. Essa recomendação se refere ao sistema de transporte estudado nos Estados Unidos; no Brasil, a organização do transporte e as responsabilidades variam entre redes e territórios. Ainda assim, o estudo convida a perguntar se baldeações, conexões difíceis ou mudanças de horário se associam a ausências recorrentes.

Atividades e oportunidades escolares podem se relacionar com a presença

No Chile, Sandoval e colegas examinaram a relação entre atividades extracurriculares, frequência e resultados em provas de linguagem e matemática no ensino médio. A participação em atividades esteve associada a ganhos na frequência e a associação com notas foi positiva em linguagem; em matemática, foi positiva, mas menos consistente. Participantes de artes apresentaram maiores ganhos em frequência e linguagem do que participantes de esportes. (Sandoval, 2026)

O estudo também encontrou que maior amplitude de participação se associava a melhor frequência, mas não influenciava as notas nas provas. Como se trata de associações, não se deve concluir que oferecer qualquer atividade produzirá automaticamente mais presença. O resultado pode ajudar a escola a investigar se espaços de participação significativos caminham junto com maior conexão dos estudantes com a rotina escolar.

Outra pesquisa norte-americana examinou a Iniciativa de Álgebra I, que colocou estudantes do nono ano com desempenho anterior em matemática abaixo do nível da série em turmas de Álgebra I com formação docente, em vez de encaminhá-los a uma turma de pré-álgebra. A iniciativa aumentou a frequência e a permanência no distrito, além do desempenho em matemática no 11º ano, sem reduzir o desempenho dos colegas. Os autores destacam expectativas mais altas combinadas a apoio docente alinhado como um modelo promissor. (Dee, 2026)

Em Connecticut, também nos Estados Unidos, Brunner e colegas estudaram escolas técnicas autônomas de ensino médio. Para estudantes do sexo masculino, frequentar essas escolas esteve associado a taxas de frequência e notas em testes mais altas, além de outros resultados. O estudo não encontrou efeitos nos resultados das estudantes do sexo feminino. O resumo não apresenta uma recomendação específica para professores sobre faltas, mas reforça que a frequência pode aparecer junto a diferentes experiências escolares e resultados. (Brunner, 2023)

Uma intervenção com tutores melhorou outros resultados, mas não a frequência

Em um experimento com 422 estudantes do nono ano que cursavam Álgebra 1, nos Estados Unidos, Bleiberg e colegas compararam meninas designadas a tutoras ou tutores de matemática. As meninas que tiveram tutoras relataram maior interesse em STEM e foram mais propensas a passar na disciplina com conceito C- ou superior. O estudo não encontrou impacto na frequência. (Bleiberg, 2026)

Esse resultado é útil justamente porque evita atribuir à frequência qualquer melhora acadêmica ou de engajamento. Uma intervenção pode influenciar interesse e aprovação sem alterar a presença. Portanto, é importante acompanhar cada resultado separadamente: comparecimento, participação, aprendizagem e vínculo não são medidas intercambiáveis.

Izumi e colegas avaliaram uma turma piloto de habilidades baseada em terapia comportamental dialética em uma escola de ensino médio do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Os estudantes aumentaram o uso de habilidades baseadas na DBT, reduziram estratégias disfuncionais de enfrentamento e ampliaram habilidades socioemocionais gerais. As correlações entre frequência na intervenção e mudanças nessas habilidades não foram significativas. É um estudo sobre uma intervenção específica, não uma demonstração de que ela altere a frequência escolar diária. (Izumi, 2026)

Os estudos lado a lado

A comparação mostra por que é importante separar resultados diretamente ligados à frequência de resultados próximos, como notas, permanência ou participação em uma intervenção. As pesquisas abaixo investigam perguntas diferentes e usam contextos diversos; a tabela resume apenas o que consta nos respectivos resumos.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Musaddiq, 2024Mensagens mensais a responsáveis sobre faltas.Reduções estimadas nas faltas e no absenteísmo crônico; contato mais difícil com famílias de estudantes que mais precisavam melhorar.Quatro redes públicas da região metropolitana de Atlanta, Estados Unidos.
Graham, 2026Relação entre percepções de clima escolar e absenteísmo.Clima prediz taxas de absenteísmo no nível da escola; vínculo e segurança são os elementos mais relacionados.Geórgia, Estados Unidos; anos finais do fundamental e ensino médio.
Ünlü, 2026Indicadores de clima e fatores associados ao uso de álcool e cannabis.Faltar às aulas está entre indicadores compartilhados na classificação dos dois usos.111 escolas dos Estados Unidos; fundamental II e ensino médio.
Burdick-Will, 2026Complexidade do trajeto e resultados acadêmicos.Tempo total de viagem não previu resultados; baldeações se associaram a mais faltas e mudanças de escola.Baltimore, Estados Unidos; estudantes do ensino médio em 2016–17 e 2017–18.
Sandoval, 2026Atividades extracurriculares, frequência e desempenho.Participação e maior amplitude associadas a melhor frequência; artes se associaram a maiores ganhos que esportes em frequência e linguagem.Chile; estudantes do ensino médio.
Dee, 2026Reforma de acesso à Álgebra I com apoio docente.Aumentou frequência e permanência no distrito e desempenho em matemática no 11º ano.Estados Unidos; nono ano e acompanhamento até o 11º.
Brunner, 2023Frequência a escolas técnicas autônomas.Para estudantes do sexo masculino, relata frequência e notas em testes mais altas; não encontrou efeitos nos resultados das estudantes.Connecticut, Estados Unidos; ensino médio técnico.
Bleiberg, 2026Correspondência de gênero entre tutores e meninas em matemática.Encontrou efeitos em interesse e aprovação, mas não na frequência.Estados Unidos; 422 estudantes do nono ano em Álgebra 1.
Izumi, 2026Intervenção piloto de habilidades DBT e resultados socioemocionais.Houve mudanças em habilidades; as correlações com frequência na intervenção não foram significativas.Uma escola de ensino médio do Meio-Oeste dos Estados Unidos; 39 estudantes.

Pontos em comum e divergências entre os estudos

Um ponto em comum é que a frequência aparece conectada a condições mais amplas do que a decisão individual de comparecer. Comunicação, clima escolar, transporte, atividades e desenho das oportunidades de aprendizagem são dimensões investigadas. Mas os estudos não provam que todas tenham o mesmo peso, nem que atuem da mesma forma em cada escola.

Também há uma diferença importante entre associação e efeito de uma intervenção. O estudo de mensagens e a reforma de Álgebra I relatam resultados de intervenções; os estudos de clima e atividades analisam relações entre variáveis. No caso do transporte, uma grande mudança de rotas permitiu comparar grupos em circunstâncias específicas. Os resultados não podem ser colocados na mesma categoria sem considerar como foram obtidos.

As divergências ajudam a evitar soluções simplistas. A tutoria com correspondência de gênero influenciou interesse e aprovação, mas não a frequência. Na intervenção de habilidades socioemocionais, as relações entre presença na intervenção e mudanças nas habilidades não foram significativas. Ou seja, uma ação pode ser valiosa por motivos diferentes de reduzir faltas.

Ficam em aberto perguntas que os resumos não resolvem: quais motivos predominam em cada escola brasileira? Que combinações de apoio funcionam melhor para grupos diferentes? Como distinguir uma falta ligada a barreiras de transporte de uma ligada a insegurança, desengajamento ou outras situações? A resposta exige escuta local e dados contextualizados, não a transposição automática de um resultado estrangeiro.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não oferecem um protocolo brasileiro pronto para o professor. As ideias abaixo são aplicações possíveis, inspiradas nas perguntas e nos achados das pesquisas; devem ser adaptadas às regras, aos recursos e aos fluxos de cada escola.

1. Observe padrões antes de concluir o motivo

Como aplicação, acompanhe quando as faltas se repetem: determinados dias, horários ou períodos avaliativos podem oferecer pistas para uma conversa, sem provar a causa. Imagine um estudante que falta sempre no primeiro dia da semana. Em vez de registrar imediatamente que ele não se importa, o professor pode perguntar de maneira reservada se há algo dificultando a chegada ou a participação. O objetivo é abrir espaço para entender, não interrogar nem expor o aluno diante da turma.

2. Use a comunicação para informar e convidar ao diálogo

Como aplicação, uma mensagem à família pode informar faltas observadas, perguntar se o canal é adequado e oferecer uma forma de conversar. O estudo de Musaddiq sugere que mensagens podem contribuir, mas mostra também a dificuldade de alcançar responsáveis de estudantes com maior necessidade de apoio. Imagine que a escola envia um aviso por e-mail sem resposta: isso não confirma que a família leu. A equipe pode verificar contatos alternativos previstos em seus procedimentos, sem transformar a comunicação em ameaça.

3. Trate vínculo e segurança como parte da conversa sobre presença

Como aplicação, pergunte ao estudante se ele se sente acolhido e seguro nos espaços escolares, encaminhando preocupações pelos canais da escola. O estudo de Graham relaciona vínculo e segurança ao absenteísmo no contexto analisado, mas não autoriza supor o que sente um aluno específico. Imagine uma estudante que comparece cada vez menos após um conflito com colegas. Uma conversa protegida e a articulação com a equipe podem ser mais adequadas do que repreendê-la por faltar.

4. Verifique se o trajeto cria obstáculos

Como aplicação, quando as faltas ou atrasos se repetem, pergunte se há mudanças de rota, baldeações ou dificuldades para chegar, e leve padrões observados à gestão. O estudo de Baltimore encontrou relação entre baldeações e faltas, mas isso não significa que o professor possa alterar o transporte. Imagine um aluno cujo ônibus de conexão mudou de horário: registrar o padrão e encaminhar a informação à equipe pode ajudar a escola a avaliar o caso e conversar com os responsáveis apropriados.

5. Investigue se atividades escolares favorecem conexão

Como aplicação, escute quais atividades os estudantes consideram significativas e observe quem tem acesso a elas. O estudo chileno encontrou associação entre participação extracurricular e frequência, não uma garantia de que qualquer atividade reduza ausências. Imagine uma escola que oferece artes e esportes, mas percebe que alguns estudantes não conseguem participar por horário ou responsabilidades fora da escola. A pergunta prática é se as oportunidades estão acessíveis e se os próprios alunos ajudam a orientar sua oferta.

6. Combine expectativa alta com apoio real

Como aplicação, não reduza automaticamente o desafio acadêmico de quem apresenta dificuldades; planeje apoios para que o estudante possa participar da aprendizagem. A iniciativa de Álgebra I estudada por Dee combinou acesso à disciplina com formação docente e relatou aumento de frequência e permanência. Isso não comprova que repetir a intervenção em qualquer contexto terá o mesmo efeito. Imagine uma turma em que estudantes acumulam faltas após não acompanhar uma unidade: retomadas, orientações claras e apoio alinhado podem ser uma resposta pedagógica a testar.

7. Acompanhe presença, aprendizagem e participação separadamente

Como aplicação, registre cada dimensão com cuidado: comparecer não é o mesmo que estar engajado, e uma nota não explica sozinha a frequência. O estudo de Bleiberg não encontrou impacto na frequência embora tenha relatado diferenças em interesse e aprovação. Imagine que uma estratégia melhora a participação em matemática, mas não muda as ausências. A escola pode reconhecer o avanço sem anunciar que resolveu o absenteísmo e continuar investigando outras barreiras.

O que muda no contexto brasileiro?

Os estudos aqui analisados foram realizados nos Estados Unidos e no Chile. Eles não descrevem automaticamente a realidade das redes brasileiras, cuja organização escolar, transporte, comunicação com famílias e oferta de atividades pode variar entre municípios, estados e escolas. O resultado de uma rede de Atlanta ou de Baltimore não deve ser tratado como regra para uma escola brasileira.

O que pode ser aproveitado são perguntas de investigação. A escola consegue contatar responsáveis pelos canais que eles de fato acessam? As faltas se concentram em momentos ou trajetos específicos? Os estudantes se sentem vinculados e seguros? As atividades oferecidas são acessíveis? Essas perguntas ajudam a transformar um dado de frequência em conversa sobre condições, sem presumir que o mesmo fator explique todos os casos.

Também é importante considerar os limites de atuação de cada profissional. O professor pode observar, acolher e encaminhar; decisões sobre transporte, busca ativa, proteção e apoio especializado dependem dos fluxos da rede e da equipe responsável. A adaptação responsável não é copiar programas estrangeiros, mas usar a evidência para formular hipóteses locais e verificar se a resposta faz sentido para os estudantes da própria escola.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na fonte indicada, e não na leitura integral dos artigos. Por isso, apresenta os objetivos e resultados tal como aparecem nesses resumos, sem acrescentar detalhes de método, instrumentos ou análises que não foram fornecidos.

As pesquisas diferem em país, etapa escolar, população e desenho. Algumas descrevem associações; outras avaliam intervenções ou mudanças em políticas e sistemas. Nem todo estudo investigou a frequência diária como resultado principal. Em particular, os trabalhos sobre tutoria e habilidades socioemocionais ajudam a distinguir resultados, mas não sustentam uma recomendação de que essas ações reduzam faltas.

Para decidir uma política escolar, interpretar efeitos para um grupo específico ou reproduzir uma intervenção, faria sentido consultar os estudos completos. Isso permitiria examinar como os pesquisadores definiram frequência e absenteísmo, quais grupos participaram, como as análises foram conduzidas e quais limites os autores discutem. Também seria necessário confrontar essas informações com dados e normas locais.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

O GeraProva pode ajudar o professor a preparar provas e atividades para acompanhar a aprendizagem, inclusive quando a turma teve interrupções de presença e precisa retomar conteúdos. A avaliação não substitui a conversa sobre as causas das faltas, mas pode apoiar o planejamento de revisões e a identificação do que precisa ser retomado. Conheça o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre frequência escolar no ensino médio

Uma mensagem aos responsáveis pode reduzir as faltas?

Um estudo realizado em quatro redes públicas da região metropolitana de Atlanta testou mensagens mensais personalizadas sobre o número de faltas e a comparação com colegas. As estimativas apontaram reduções nas faltas e na probabilidade de absenteísmo crônico, embora tenha sido mais difícil alcançar as famílias de estudantes que mais precisavam melhorar a frequência. Isso não garante o mesmo resultado em uma escola brasileira. Como aplicação, a escola pode verificar se a família recebeu a informação e oferecer um canal de diálogo, em vez de presumir que o envio equivale à leitura. (Musaddiq, 2024)

O clima escolar tem relação com o absenteísmo?

Em dados da Geórgia, nos Estados Unidos, as percepções dos estudantes sobre o clima escolar prediziam significativamente taxas de absenteísmo no nível da escola. Vínculo e segurança foram os elementos mais relacionados. Esse resultado aponta uma dimensão que a escola pode investigar, mas não prova o motivo de uma falta individual nem estabelece que mudar uma percepção específica reduzirá automaticamente as ausências. Uma aplicação prudente é conversar com estudantes sobre pertencimento e segurança e encaminhar situações pelos procedimentos da escola. O contexto brasileiro precisa ser analisado com seus próprios dados. (Graham, 2026)

O transporte pode explicar faltas mesmo quando o trajeto não é longo?

O estudo de Baltimore não encontrou que o tempo total de viagem previsse os resultados analisados. Já estudantes cujo trajeto exigia baldeação de ônibus tinham maior probabilidade de faltar e de trocar de escola. Isso sugere que a complexidade pode importar além da duração, mas o achado vem de uma reformulação do transporte público em uma cidade norte-americana. Para uma escola brasileira, a questão útil é perguntar se conexões, horários ou mudanças de rota coincidem com padrões de ausência, sem afirmar previamente que o transporte é a causa. (Burdick-Will, 2026)

Atividades extracurriculares aumentam a presença?

Um estudo com estudantes do ensino médio no Chile encontrou associação entre participação em atividades extracurriculares e ganhos na frequência. Também observou maiores ganhos de frequência e linguagem entre participantes de artes do que entre participantes de esportes, e relação entre maior amplitude de participação e melhor frequência. Como se trata de associações, não é possível concluir que oferecer uma atividade específica vá necessariamente reduzir faltas. A aplicação possível é investigar se os estudantes encontram oportunidades de participação significativas e se conseguem acessá-las. A decisão deve considerar os interesses e as condições locais. (Sandoval, 2026)

Uma intervenção que melhora o interesse também pode melhorar a frequência?

Não necessariamente. Em um experimento com estudantes do nono ano em Álgebra 1, meninas designadas a tutoras relataram maior interesse em STEM e tiveram maior probabilidade de aprovação do que meninas designadas a tutores, mas os pesquisadores não encontraram impacto na frequência. Esse contraste é um lembrete para acompanhar resultados diferentes separadamente: interesse, aprovação e presença podem responder de maneiras distintas à mesma ação. Para o professor, uma estratégia que favoreça o engajamento pode ser valiosa, mesmo que as faltas não mudem. Ela não deve ser apresentada como solução comprovada para o absenteísmo. (Bleiberg, 2026)

O que o professor pode fazer diante de faltas recorrentes?

Os estudos não oferecem um protocolo único para professores no Brasil. Uma resposta razoável, como aplicação, é observar o padrão de ausências, conversar de modo reservado, perguntar sobre barreiras e compartilhar informações com a equipe escolar conforme os procedimentos locais. As pesquisas analisadas apontam possíveis dimensões a investigar, como comunicação com responsáveis, vínculo e segurança, deslocamento e oportunidades de participação. Nenhuma delas autoriza atribuir automaticamente a falta a desinteresse ou a uma única causa. Se a situação exigir medidas além da atuação docente, é importante recorrer à gestão e aos profissionais responsáveis.

Referências

  1. Musaddiq, Tareena; Prettyman, Alexa; Smith, Jonathan (2024). Usando plataformas de mensagens escolares existentes para informar os pais sobre a frequência escolar de seus filhos (Using Existing School Messaging Platforms to Inform Parents about Their Child's Attendance). Journal of Research on Educational Effectiveness. Link.
  2. Graham, Jerome; Chiang, Yi-Chih; Choi, Su Yon (2026). Criando Escolas Acolhedoras: O Papel dos Climas Positivos na Redução do Absenteísmo (Creating Welcoming Schools: The Role of Positive Climates in Reducing Absenteeism). American Educational Research Journal. Link.
  3. Ünlü, Ali; Skrzypek, Candra; Bradshaw, Catherine P. (2026). Aproveitando o Aprendizado de Máquina para Compreender a Relação entre o Clima Escolar e o Uso de Substâncias por Jovens: Foco no Uso de Cannabis e Álcool (Leveraging Machine Learning to Understand the Link between School Climate and Youth Substance Use: A Focus on Cannabis and Alcohol Use). Prevention Science. Link.
  4. Burdick-Will, Julia; Stein, Marc L. (2026). Trocando de ônibus: complexidade do deslocamento e resultados acadêmicos (Changing Buses: Commute Complexity and Academic Outcomes). Grantee Submission. Link.
  5. Sandoval, Alexandra; Muschkin, Clara G.; Arrau-Garcia, Matias (2026). Participação em Atividades Extracurriculares e Desempenho Acadêmico no Ensino Médio: A Amplitude e o Tipo de Atividade Importam? (Participation in Extracurricular Activities and High School Academic Performance: Does Breadth and Type of Activity Matter?). International Journal of Research in Education and Science. Link.
  6. Dee, Thomas S.; Huffaker, Elizabeth (2026). Acelerando Oportunidades: Os Efeitos do Desagrupamento (Detracking) com Apoio Instrucional (Accelerating Opportunity: The Effects of Instructionally Supported Detracking). American Educational Research Journal. Link.
  7. Brunner, Eric J.; Dougherty, Shaun M.; Ross, Stephen L. (2023). Os Efeitos da Educação Profissional e Técnica: Evidências do Sistema de Escolas Técnicas de Ensino Médio de Connecticut (The Effects of Career and Technical Education: Evidence from the Connecticut Technical High School System). Grantee Submission. Link.
  8. Bleiberg, Joshua; Robinson, Carly D.; Bennett, Evan; Loeb, Susanna (2026). O Impacto da Correspondência de Gênero entre Tutor e Aluna no Interesse, no Engajamento e no Desempenho de Meninas em STEM (The Impact of Tutor Gender Match on Girls' STEM Interest, Engagement, and Performance). American Educational Research Journal. Link.
  9. Izumi, Jared T.; Walczak, Bethany; Elizalde, Jamie K.; Hayes, Matthew (2026). Avaliação Preliminar de uma Turma de Treinamento de Habilidades Baseada na Terapia Comportamental Dialética para Estudantes do Ensino Médio (Preliminary Evaluation of a Dialectical Behavior Therapy-Based Skills Training Class for High School Students). Contemporary School Psychology. Link.

Se uma ausência recorrente está pedindo atenção na sua turma, comece pela escuta e pela observação cuidadosa. Compartilhe com a equipe o que você percebeu e construa, junto com a escola, o próximo passo possível.

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