Formação continuada em matemática: o apoio funciona, mas o ponto de partida também conta
Estudos recentes mostram diferentes formas de apoiar professores de matemática, da colaboração ao uso de materiais e tecnologia. Os resultados variam conforme o modelo de formação e as competências iniciais dos docentes.
A formação continuada com andaimagem apoia o professor com recursos graduais, como exemplos, modelagem, materiais orientadores e reflexão colaborativa. Estudos recentes relatam melhorias em práticas docentes e mostram que os efeitos variam conforme o modelo de formação e as competências iniciais dos professores. Na sala de aula, esses apoios podem ajudar a planejar tarefas e ajustar a participação dos estudantes.
Como uma formação continuada pode ajudar você a oferecer apoio sem tirar do aluno a oportunidade de pensar em matemática? A pesquisa aponta caminhos concretos. Também mostra que o resultado depende do tipo de apoio e do ponto de partida de cada professor.
Andaimagem é uma palavra para apoios que ajudam alguém a avançar em uma tarefa que ainda não consegue realizar sozinho, sem substituir sua participação. Neste artigo, reunimos estudos recentes sobre formação docente, materiais, colaboração, participação e apoios usados durante a aprendizagem matemática, sempre distinguindo o que foi pesquisado das sugestões para a sala de aula.
O que é formação continuada de professores para o ensino de matemática com andaimagem e por que importa para o professor?
É um processo de aprendizagem profissional que oferece suportes planejados para o professor compreender, experimentar e aperfeiçoar práticas de ensino matemático. Na rotina, pode aparecer como planejamento compartilhado, análise de aulas, exemplos resolvidos, materiais curriculares que explicitam uma estratégia ou acompanhamento remoto. O apoio não precisa ser uma receita: pode organizar a experimentação, abrir espaço para reflexão e, ao mesmo tempo, preservar a autonomia docente.
A palavra andaimagem também aparece em estudos sobre apoios oferecidos diretamente aos estudantes, como pistas visuais, exemplos resolvidos e retorno sobre respostas. Esses suportes podem facilitar uma tarefa, mas não são equivalentes a uma formação de professores. A relação entre os dois níveis está na pergunta comum: que ajuda torna possível avançar e como saber se ela está apoiando a aprendizagem, em vez de apenas facilitar a resposta?
Isso importa porque a formação não acontece em condições abstratas. Professores têm conhecimentos, crenças, experiências e necessidades diferentes; trabalham com turmas diversas e enfrentam limites de tempo e de materiais. Uma proposta útil precisa dialogar com essa realidade. Os estudos reunidos aqui investigam modelos variados, não uma fórmula única, e incluem desde a educação infantil até os anos finais e o ensino médio.
O que a pesquisa recente mostra sobre formação continuada e andaimagem em matemática?
Formação com prática, colaboração e reflexão pode mudar o que o professor faz
Uma linha de estudos examina formações que não se limitam à exposição de ideias: os professores planejam, experimentam, observam ou refletem sobre a própria prática. No Chile, uma intervenção remota e colaborativa para educadores da pré-escola trabalhou o conhecimento matemático e pedagógico do conteúdo, com atenção também ao desenvolvimento socioemocional. O grupo experimental apresentou melhorias estatisticamente significativas nas habilidades matemáticas e socioemocionais das crianças; no pós-teste, porém, a diferença entre grupos apareceu somente no domínio socioemocional. Os autores consideram que a associação foi mais expressiva nesse domínio, e pedem cautela na interpretação das análises (Vergara-Gómez, 2026).
Outro estudo chileno comparou três programas de desenvolvimento profissional para professores de matemática e um grupo de controle. Em vez de tratar competência docente como uma coisa só, examinou conhecimentos, aspectos afetivos e habilidades situacionais, incluindo a percepção profissional do que acontece no ensino. Os resultados indicaram melhorias em várias dimensões, com padrões alinhados às ênfases dos programas. Os ganhos variaram: alguns programas se associaram a crescimento no conhecimento matemático, outros a habilidades de percepção profissional. As competências e crenças iniciais dos docentes tiveram papel central na magnitude e direção das mudanças (Saadati, 2026).
O trabalho colaborativo situado também aparece em uma formação para professores de matemática do ensino médio que atendiam estudantes bilíngues em processo de aquisição da língua. O programa envolveu planejamento conjunto, coconduta de aulas e reflexão coletiva, conectando o rigor acadêmico às experiências de vida dos estudantes. A análise qualitativa identificou aprofundamento da percepção docente sobre os conhecimentos culturais e linguísticos dos alunos, além de aprimoramento das práticas pedagógicas. O estudo destaca o valor de uma formação que ajude a construir um ensino inclusivo e rico em linguagem (Yi, 2026).
Em conjunto, esses trabalhos sugerem que formação e prática podem caminhar lado a lado, mas não avaliam a mesma coisa nem têm o mesmo público. Um investiga resultados de crianças na pré-escola; outro compara dimensões de competência profissional; outro analisa mudanças na percepção e nas práticas de professores do ensino médio. A mensagem não é que toda colaboração terá o mesmo efeito: é que o desenho da formação e as condições iniciais ajudam a explicar por que os resultados diferem.
Materiais e suportes podem orientar a inovação sem substituir o julgamento docente
Uma pergunta importante para quem participa de formação é como transformar uma abordagem nova em decisões de aula. Um estudo qualitativo com vídeos acompanhou professores que fizeram formação sobre ensino explícito de estratégias para compreender problemas matemáticos com enunciado. Os pesquisadores compararam materiais que explicitavam os componentes da prática com materiais que ofereciam apenas a sequência de problemas. Na condição de apoio fraco, um professor ofereceu oportunidades limitadas e pouco direcionadas, com ganhos mensuráveis restritos na aprendizagem estratégica. Outra professora, na mesma condição, conduziu um ensino explícito e direcionado, criando oportunidades produtivas. Com apoio forte dos materiais, as oportunidades de aprendizagem foram asseguradas mesmo quando a atuação foi parcialmente não direcionada, e houve ganhos mensuráveis altos em aprendizagem estratégica (Dröse, 2025).
Esse contraste é instrutivo: os materiais podem tornar visíveis os passos de uma inovação e dar sustentação à implementação, mas não eliminam a importância das escolhas do professor. O estudo não afirma que todo material mais detalhado seja automaticamente melhor em qualquer contexto. Mostra, em quatro casos analisados, diferentes relações entre a formação, o apoio curricular, a atuação em aula e as oportunidades de aprendizagem. A questão prática é se o material ajuda a tornar explícita a estratégia que se quer ensinar.
Em um estudo de caso com quatro professores, uma ação de desenvolvimento profissional em Geometria usou suportes para ajudar os docentes a elaborar tarefas. Ao longo de dez encontros, eles primeiro resolveram uma tarefa bem elaborada como aprendizes e depois produziram novas tarefas para seus alunos. O educador matemático ofereceu modelagem, reflexão, articulação e exemplos resolvidos. A análise indica que esses suportes foram úteis e, ao mesmo tempo, preservaram a autonomia dos professores como elaboradores (Rachamim, 2024).
O desenho da formação é relevante aqui: os docentes não receberam simplesmente uma tarefa pronta para reproduzir. Experimentaram a tarefa, observaram recursos de elaboração e criaram suas próprias propostas com apoio. Para um professor que deseja criar atividades, esse exemplo coloca em evidência uma possibilidade: apoiar o processo de criação não precisa significar controlar o resultado final.
O apoio tecnológico pode ajudar, mas é preciso olhar para o tipo de aprendizagem
Um estudo com quatro professores do ensino fundamental examinou o desenvolvimento profissional por podcasts de aquisição de conteúdo, voltado ao ensino explícito do vocabulário matemático. Os professores foram observados antes, durante e depois da intervenção. Os resultados indicaram uma relação funcional entre o processo e a melhora na implementação das práticas de ensino do vocabulário, com manutenção expressiva após a retirada do acompanhamento. Todos melhoraram ao longo do tempo, embora os ganhos variassem entre participantes. Os professores consideraram a proposta eficaz, eficiente e fácil de integrar às rotinas (Welker, 2026).
Esse achado diz respeito à implementação docente, não prova, por si só, efeitos na aprendizagem dos estudantes. Os próprios autores indicam a necessidade de pesquisas futuras voltadas aos resultados no nível dos alunos. Ainda assim, o estudo sugere que uma formação apoiada por tecnologia pode caber em rotinas profissionais e apoiar professores em diferentes pontos de partida, quando o foco é uma prática específica, como ensinar vocabulário matemático de modo explícito.
Já uma intervenção on-line sobre ordem das operações investigou apoios visuais oferecidos aos estudantes, e não uma formação docente. Foram analisados dados de 688 estudantes dos anos finais do ensino fundamental nos Estados Unidos. Pistas perceptuais congruentes, como cores ou espaçamentos que destacavam as suboperações de ordem superior, favoreceram o desempenho imediato. Em contrapartida, pistas de cor incongruentes se associaram a menor taxa de acerto por chute, maior taxa de aprendizagem e menor taxa de esquecimento, apontando uma tensão entre facilidade imediata e aprendizagem de longo prazo (Zhang, 2026).
O resultado impede uma conclusão simplista de que mais ajuda visual é sempre melhor. O estudo analisou condições específicas em uma intervenção digital, com retorno imediato e exemplos resolvidos; não autoriza transpor diretamente uma pista enganosa para qualquer atividade presencial. Mas ajuda a formular uma pergunta docente valiosa: o suporte está apenas tornando a resposta mais fácil agora ou está ajudando o estudante a aprender algo que poderá recuperar depois?
Diagnóstico e participação ajudam a decidir onde apoiar
Na Indonésia, uma pesquisa com estudantes do 8º ano, observações de aulas e entrevistas com professores examinou dificuldades conceituais e condições pedagógicas. As avaliações diagnósticas apontaram déficits expressivos, sobretudo em frações e expressões algébricas; as respostas revelaram equívocos sistemáticos e compreensão frágil, em vez de erros aleatórios. As observações registraram aulas predominantemente centradas no professor e em ritmo acelerado, com poucas oportunidades para perguntas, raciocínio e reflexão. Os docentes relataram compromisso com a aprendizagem, mas também limites de tempo, carga de trabalho e pressão de exames (Fitriati, 2026).
O estudo articula esses achados a uma parceria entre escola e universidade, mediada pelo estudo de aula e orientada por princípios de pedagogia lenta. Apresenta essas abordagens como resposta sensível ao contexto e base para ações de desenvolvimento profissional orientadas por diagnósticos. Para o professor, a contribuição central é olhar para os padrões nos erros: se vários alunos interpretam uma ideia da mesma maneira equivocada, talvez a próxima intervenção precise retomar o conceito, em vez de apenas oferecer mais exercícios.
Uma formação orientada à equidade também pode começar pela observação da participação. Um modelo desenvolvido com professores líderes e formadores de professores em um distrito bilíngue latine usou uma plataforma que permite visualizar os discursos em sala. A análise identificou reflexão baseada na identidade, ajustes estruturais, ampliação da participação e percepção da utilidade dos dados. Entre as estratégias descritas estão mudar a disposição dos lugares, estabelecer rotinas de solicitação da participação e oferecer estruturas de frases. Os autores apresentam os dados como ferramenta de reflexão, não de avaliação do professor (Thanheiser, 2026).
Em outro estudo, um programa de desenvolvimento profissional levou educadores dos anos iniciais a observar o ensino de matemática em tempo real e a examinar tensões entre política, teoria e mecanismos de ensino e aprendizagem. A análise encontrou transformações nas visões dos participantes sobre participação equitativa e distribuição de oportunidades de aprendizagem, construídas no contato com as interpretações de outras pessoas (Sı, 2026). Esse estudo amplia a conversa: a andaimagem não é somente um recurso colocado diante do aluno; pode ser também uma estrutura de investigação coletiva que ajuda professores a perceber quem participa e de que maneiras.
Os estudos lado a lado: o que cada pesquisa investigou?
Os estudos não medem um único efeito comum. A tabela resume o foco e os resultados relatados, para facilitar a comparação entre formação de professores, apoios curriculares e intervenções de aprendizagem. Os contextos são os informados nos resumos; quando o país ou a etapa não foram especificados, isso é indicado sem inferência.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Welker, 2026 | Formação por podcasts para ensino explícito de vocabulário matemático. | Melhora na implementação docente e manutenção após o acompanhamento; ganhos variaram. | Quatro professores do ensino fundamental; país não informado. |
| Vergara-Gómez, 2026 | Apoio remoto e colaborativo para educadores da pré-escola. | Melhorias significativas no grupo experimental em habilidades matemáticas e socioemocionais; diferença entre grupos no pós-teste apenas no domínio socioemocional. | Chile; 24 educadores e 120 crianças da pré-escola. |
| Dröse, 2025 | Materiais curriculares em formação sobre ensino explícito de estratégias. | Apoio forte assegurou oportunidades de aprendizagem; os casos com apoio fraco diferiram na atuação e nos ganhos. | Quatro casos de professores; país e etapa não informados. |
| Rachamim, 2024 | Suportes para professores elaborarem tarefas de Geometria. | Modelagem, reflexão, articulação e exemplos resolvidos foram úteis e preservaram autonomia. | Quatro professores; dez encontros; país e etapa não informados. |
| Fitriati, 2026 | Diagnóstico de dificuldades, práticas de aula e necessidades de formação. | Déficits conceituais e ensino acelerado foram identificados; propõe resposta contextualizada por estudo de aula e pedagogia lenta. | Indonésia; 336 estudantes do 8º ano, 12 aulas e seis professores. |
| Yi, 2026 | Formação colaborativa para ensinar matemática a estudantes bilíngues em aquisição da língua. | Professores aprofundaram a percepção dos conhecimentos dos estudantes e aprimoraram práticas pedagógicas. | Ensino médio; país não informado. |
| Sı, 2026 | Formação sobre participação equitativa em aulas de matemática. | A observação e a investigação coletiva se associaram à transformação das visões dos participantes. | Anos iniciais; país e tamanho do grupo não informados. |
| Zhang, 2026 | Pistas visuais em intervenção on-line sobre ordem das operações. | Pistas congruentes favoreceram desempenho imediato; pistas de cor incongruentes se associaram a maior aprendizagem e menor esquecimento. | Estados Unidos; 688 estudantes dos anos finais do ensino fundamental. |
| Saadati, 2026 | Três modelos de desenvolvimento profissional e mudanças em competências docentes. | Houve melhorias em dimensões diferentes; mudanças variaram conforme o programa e o ponto de partida. | Chile; professores de matemática; etapa não informada. |
| Thanheiser, 2026 | Modelo de formação sobre equidade apoiado por dados de participação. | Dados apoiaram reflexão e estratégias para ampliar a participação, sem serem tratados como avaliação docente. | Distrito bilíngue latine; educação básica; país não informado no resumo. |
O que os estudos têm em comum e onde divergem?
Um ponto comum é a importância de tornar a prática observável e passível de reflexão. Isso aparece no planejamento e na coconduta de aulas, na análise de vídeos, na observação de discursos, no diagnóstico de respostas dos estudantes e na experimentação de tarefas. Em vez de falar de “melhoria” de forma abstrata, os estudos analisam práticas identificáveis: ensinar vocabulário explicitamente, orientar estratégias, elaborar tarefas ou ampliar oportunidades de participação.
Também há convergência na ideia de que o apoio precisa conversar com quem o recebe. Em uma pesquisa, os conhecimentos e crenças iniciais se relacionaram à mudança profissional; em outra, os resultados variaram entre professores mesmo com apoio fraco de materiais. O ponto de partida não é uma falha a corrigir: é informação útil para escolher o suporte e interpretar o percurso.
As diferenças são importantes. Alguns estudos acompanham professores e suas práticas; outros medem resultados de crianças ou analisam apoios usados pelos próprios estudantes. Os desenhos e os contextos variam, e não é adequado comparar diretamente os efeitos como se todos tivessem aplicado a mesma intervenção. Há resultados positivos em dimensões específicas, mas também tensões: no estudo chileno com pré-escola, os grupos diferiram no pós-teste somente no socioemocional; no estudo de pistas visuais, o que facilita a resposta imediata não coincide necessariamente com maior aprendizagem posterior.
O que ainda não está resolvido é como combinar duração, acompanhamento, materiais e condições de trabalho para sustentar mudanças em diferentes escolas. Também permanece a pergunta sobre quando os ganhos observados na prática docente se traduzem em aprendizagem dos alunos. Algumas pesquisas tratam essa ligação diretamente; outras concentram-se na competência profissional ou nas oportunidades de aprendizagem. Essa distinção é essencial para não prometer mais do que os resultados permitem.
O que isso significa para a sala de aula?
Os estudos não entregam um roteiro único para toda turma. As ideias abaixo são aplicações possíveis inspiradas nas pesquisas, não resultados testados em conjunto. O professor pode adaptá-las à etapa, ao conteúdo e ao tempo disponível.
1. Escolha uma prática específica para experimentar
Uma forma de usar isso em sala é selecionar um alvo pequeno para algumas aulas, como explicitar o vocabulário de uma unidade ou ensinar os passos de leitura de um problema com enunciado. Prepare uma explicação curta, um exemplo resolvido e uma oportunidade para o aluno tentar uma questão semelhante. Depois, observe se os estudantes conseguem usar a palavra ou estratégia sem que você a forneça. Essa aplicação conversa com estudos que analisaram práticas delimitadas, mas a escolha do alvo e o modo de acompanhar são decisões suas, não uma receita comprovada por todos eles.
2. Planeje o apoio antes de entregar a tarefa
Uma aplicação possível é perguntar, ao preparar um exercício: qual parte pode criar dificuldade e que suporte ajudará sem resolver pelo estudante? Imagine uma turma que trabalha com problemas de várias etapas. Você pode prever um exemplo resolvido, uma pergunta-guia ou uma representação visual e decidir em que momento retirar esse apoio. A pesquisa sobre pistas visuais mostra que facilitação imediata e aprendizagem posterior podem não caminhar juntas. Por isso, vale observar não apenas se a turma acerta com a pista, mas também o que consegue fazer quando ela deixa de estar disponível.
3. Use os erros como pista para o próximo passo
Como aplicação, reúna respostas incorretas de uma atividade curta e procure padrões. Imagine que vários alunos operem frações como se numeradores e denominadores pudessem ser somados diretamente. Em vez de concluir que todos precisam de mais exercícios iguais, investigue que ideia está sustentando o procedimento e planeje uma discussão ou representação que confronte esse raciocínio. Essa proposta se inspira no diagnóstico de equívocos sistemáticos relatado na Indonésia; não significa que os mesmos erros aparecerão em sua turma nem que uma estratégia específica produzirá o mesmo resultado.
4. Peça a um colega para observar uma pergunta delimitada
Uma forma prática de adaptar a reflexão coletiva é combinar uma observação entre pares com uma pergunta concreta: quem teve oportunidade de explicar uma estratégia? Que tipos de resposta foram acolhidos? Imagine uma aula em que poucas vozes respondem às perguntas abertas. Um colega pode registrar formas de participação sem classificar o professor ou os alunos. Depois, vocês podem escolher um ajuste pequeno, como oferecer tempo de conversa em dupla antes da resposta coletiva. A aplicação dialoga com estudos de observação e investigação conjunta, mas não requer uma plataforma específica.
5. Crie materiais que tornem a estratégia visível
Ao preparar uma sequência, uma aplicação possível é escrever no material o que o aluno deve fazer além de resolver os exercícios: identificar dados, escolher uma estratégia, verificar se a resposta faz sentido ou explicar o raciocínio. Imagine uma folha com problemas de Geometria: junto às tarefas, você pode incluir um exemplo de pergunta que ajude a comparar figuras, sem fornecer a conclusão. O estudo sobre materiais curriculares indica que apoios explícitos podem sustentar oportunidades de aprendizagem. Ainda assim, mantenha espaço para adaptar a sequência e perceber o que sua turma precisa.
6. Apoie a criação de atividades sem padronizar todas as propostas
Uma forma de aplicar a experiência da formação em Geometria é começar por uma tarefa que você considera bem construída, resolver como aprendiz e depois identificar o que a torna produtiva: que decisão exige, que justificativas permite e que variações cabem? Em seguida, crie uma nova tarefa para seu contexto. Você pode pedir a um colega que faça perguntas de revisão em vez de simplesmente aprovar ou corrigir. O estudo com professores descreve suportes que preservaram a autonomia; a adaptação sugerida aqui transforma essa ideia em uma rotina possível de planejamento.
7. Observe quem participa e como participa
Uma aplicação possível é ampliar a noção de participação para incluir explicações em dupla, gestos, desenhos ou contribuições em uma língua familiar, quando isso fizer sentido para seus alunos. Imagine uma discussão matemática em que alguns estudantes não respondem em voz alta, mas representam uma relação com objetos ou explicam a um colega. Você pode criar mais de uma forma de compartilhar o raciocínio e observar quem passa a contribuir. Essa sugestão se relaciona às pesquisas sobre equidade e estudantes bilíngues, sem pressupor que uma estratégia isolada resolva diferenças de acesso.
O que muda no contexto brasileiro?
Os estudos vêm de contextos diversos: há pesquisas do Chile, da Indonésia e dos Estados Unidos, além de estudos cujos resumos não informam país. Os programas, a organização escolar, os recursos e as línguas presentes nas turmas podem diferir das condições brasileiras. Portanto, os resultados não devem ser tratados como uma previsão automática para escolas daqui. O valor está em examinar os mecanismos investigados — colaboração, diagnóstico, apoio explícito, reflexão e atenção à participação — e decidir se fazem sentido nas condições locais.
O estudo chileno com educadores da pré-escola é particularmente próximo em língua e região, mas ainda se refere a escolas e participantes daquele país. Sua intervenção foi remota e colaborativa, e os resultados variaram entre os domínios matemático e socioemocional. Isso recomenda cautela ao transportar o modelo: antes de adotá-lo, seria preciso considerar a etapa, a formação disponível, as condições de conectividade e o tipo de acompanhamento que sua rede consegue oferecer.
Os estudos sobre bilinguismo e equidade também pedem adaptação cuidadosa. As línguas familiares e as experiências culturais dos estudantes brasileiros são diversas; não se deve presumir que uma estratégia desenvolvida em um distrito bilíngue latine se aplique sem ajustes. Uma alternativa é partir do que os próprios alunos trazem e observar quem tem oportunidades de falar, representar ideias e explicar o raciocínio. Isso é uma sugestão de aplicação, não uma conclusão direta sobre escolas brasileiras.
Há ainda a questão do tempo. O estudo indonésio relata que carga de trabalho, tempo de ensino e pressão de exames são limitações enfrentadas por professores naquele contexto. Esses fatores podem ser relevantes em outros lugares, mas o resumo não estabelece que sejam idênticos no Brasil. Na prática, qualquer proposta precisa caber na jornada de trabalho, considerar recursos disponíveis e não transformar a reflexão sobre participação em instrumento de cobrança individual.
Quais são os limites desta leitura dos estudos?
Este artigo se baseia nos resumos de dez estudos recentes, e não na leitura integral dos trabalhos. Os resumos permitem identificar perguntas, contextos gerais e resultados relatados, mas não dão acesso a todos os detalhes de instrumentos, análises, condições de implementação ou limitações metodológicas. Por isso, as conclusões aqui são proporcionais ao que está descrito: não tratamos estudos de caso como prova de um efeito universal nem comparamos diretamente intervenções diferentes.
Ficam em aberto perguntas como: que apoios se mantêm ao longo de períodos maiores? Como as mudanças nas práticas docentes se relacionam com a aprendizagem de diferentes grupos de alunos? Que formação é viável em escolas com menos tempo para planejamento conjunto? Como adaptar materiais e dados de participação sem transformá-los em controle? Para responder a essas questões, seria necessário consultar os estudos completos e, em alguns casos, pesquisas adicionais feitas em redes brasileiras. A leitura integral é especialmente útil antes de adotar um programa, interpretar os resultados estatísticos ou recomendar uma intervenção em escala.
Como o GeraProva pode ajudar com este assunto?
O GeraProva pode apoiar a criação de provas e atividades que ajudem você a verificar o raciocínio dos alunos, e não apenas a resposta final. Uma forma de usar a avaliação é incluir questões que peçam explicação, aplicação de uma estratégia ou análise de um erro, ajustando o nível de apoio ao objetivo da atividade. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a preparar materiais para revisar e adaptar; para experimentar a plataforma, acesse o cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre formação continuada e andaimagem em matemática
O que significa andaimagem no ensino de matemática?
Andaimagem é um apoio temporário ou estruturado que ajuda o estudante a avançar em uma tarefa matemática sem substituir sua atividade de pensar. Pode envolver um exemplo resolvido, uma pergunta-guia, uma pista visual ou uma estratégia ensinada explicitamente. Os estudos reunidos mostram apoios em níveis diferentes: alguns ajudam professores a implementar práticas e outros são recursos presentes em intervenções para estudantes. O apoio precisa ser analisado pelo que permite aprender, não apenas por facilitar uma resposta imediata. A pesquisa sobre pistas visuais encontrou justamente uma tensão entre desempenho na hora e aprendizagem posterior.
Formação continuada em matemática precisa acontecer presencialmente?
Não necessariamente. Um estudo no Chile examinou um programa remoto baseado em colaboração on-line para educadores da pré-escola, enquanto outro avaliou podcasts de desenvolvimento profissional para apoiar o ensino do vocabulário matemático no ensino fundamental. Os resumos relatam resultados promissores nesses contextos, mas não comparam diretamente formatos presenciais e remotos. Portanto, não é possível concluir que um formato seja melhor para todos. Uma decisão prática pode considerar o objetivo da formação, a possibilidade de acompanhar a aplicação em aula, o acesso à tecnologia e o tempo disponível para colaboração.
Materiais mais detalhados ajudam sempre o professor?
Os materiais podem ajudar a explicitar componentes importantes de uma prática, mas não garantem que todos os professores os utilizem da mesma maneira. No estudo sobre ensino de estratégias para problemas com enunciado, o apoio forte dos materiais assegurou oportunidades de aprendizagem em casos analisados. Na condição de apoio fraco, houve tanto uma atuação pouco direcionada quanto uma prática explícita e produtiva. Isso mostra que materiais, formação e decisões docentes se relacionam. Uma aplicação prudente é verificar se o recurso explica a estratégia que se quer ensinar e se deixa espaço para adaptar a tarefa à turma.
Como saber se uma formação está funcionando?
Depende do que a formação pretende mudar. Os estudos avaliaram dimensões distintas: implementação de práticas docentes, conhecimentos e habilidades profissionais, participação em aula e resultados de crianças. O estudo de Saadati e colegas encontrou mudanças diferentes entre programas e dimensões, associadas também às competências e crenças iniciais dos professores. Por isso, é útil definir previamente um foco observável: por exemplo, se o professor explicita uma estratégia ou se mais alunos têm oportunidade de justificar uma resposta. Se o objetivo for aprendizagem dos estudantes, também será necessário observar evidências de aprendizagem, não apenas satisfação com a formação.
Como oferecer apoio sem tirar a autonomia do aluno ou do professor?
Para o aluno, o apoio pode orientar a atenção e deixar espaço para que ele escolha, explique e teste uma estratégia. O estudo de Zhang e colegas mostra que sinais visuais congruentes podem favorecer o desempenho imediato, enquanto sinais de cor incongruentes se associaram a maior aprendizagem e menor esquecimento; isso não significa que pistas enganosas devam ser usadas indiscriminadamente. Para o professor, o estudo de elaboração de tarefas em Geometria relata que modelagem, reflexão, articulação e exemplos resolvidos foram úteis sem eliminar a autonomia. Em ambos os casos, vale pensar no apoio como estrutura para agir, não como substituto da ação.
Os resultados desses estudos podem ser aplicados diretamente às escolas brasileiras?
Não de modo automático. Os trabalhos foram realizados em contextos diversos, incluindo Chile, Indonésia e Estados Unidos, e alguns resumos não informam o país. As condições de escola, os materiais, as línguas e a organização da formação podem ser diferentes das brasileiras. Os estudos podem inspirar perguntas e possibilidades — como diagnosticar equívocos, planejar em colaboração e observar oportunidades de participação —, mas a aplicação precisa considerar a realidade da turma e da rede. Para implementar um programa específico ou interpretar detalhes de seus resultados, faz sentido consultar o estudo completo e buscar evidências no contexto em que se pretende atuar.
Referências
- Welker, N. P., Aigotti, S. M., Fudge Coleman, O., Waterfield, D. A., Corr, F., & Kennedy, M. J. (2026). Apoio ao ensino do vocabulário matemático para professores do ensino fundamental por meio do processo de desenvolvimento profissional com podcasts de aquisição de conteúdo (Supporting Mathematics Vocabulary Instruction for Elementary School Teachers Using the Content Acquisition Podcast Professional Development Process). Journal of Special Education Technology. Link.
- Vergara-Gómez, A., Olfos, R., & Estrella, S. (2026). Sistema remoto de apoio para auxiliar professores da pré-escola no desenvolvimento de habilidades matemáticas e socioemocionais (Remote Scaffolding System to Support Preschool Teachers in Developing Mathematical and Socioemotional Skills). Discover Education. Link.
- Dröse, J., Ahlemeyer, L., & Prediger, S. (2025). Como os materiais curriculares podem contribuir para a implementação de inovações didáticas: o caso da aplicação do ensino explícito de estratégias (How Curriculum Materials Can Contribute to Implementing Instructional Innovations: The Case of Enactment of Strategy Instruction). ZDM: Mathematics Education. Link.
- Rachamim, M., Berman, A., & Koichu, B. (2024). Uso de suportes para apoiar professores como elaboradores de tarefas em Geometria: um estudo de caso (Using Scaffolds in Support of Teachers as Task Designers in Geometry: A Case Study). International Journal of Mathematical Education in Science and Technology. Link.
- Fitriati, F., Novita, R., Hidayat, A., & Khairunnisak, C. (2026). Revelando a pobreza de aprendizagem em matemática nas salas de aula: articulando lacunas de aprendizagem, práticas pedagógicas e desenvolvimento profissional docente por meio do programa SUPER-LS e da pedagogia lenta (Uncovering Learning Poverty in Mathematics Classrooms: Linking Learning Gaps, Instructional Practices, and Teacher Professional Learning through SUPER-LS Program and Slow Pedagogy). Journal on Mathematics Education. Link.
- Yi, J., Sourwine, J., & Shrestha, S. (2026). Capacitando professores de matemática para apoiar estudantes bilíngues em processo de aquisição da língua: uma abordagem colaborativa para a integração dos fundos de conhecimento (Empowering Mathematics Teachers to Support Emergent Bilinguals: A Collaborative Approach to Integrating Funds of Knowledge). Mathematics Teacher Educator. Link.
- Goldin, S., Robinson, D. D., Shaughnessy, M., García, N. M., Blunk, M., Pynes, D., & Mortimer, J. P. (2026). Além das soluções técnicas: repensando estereótipos de equidade e ampliando as noções de ensino equitativo (Beyond Technical Fixes: Rethinking Equity Sticks and Expanding Notions of Equitable Teaching). Urban Education. Link.
- Zhang, P., Pradhan, S., Lee, M., Pei, Y., Sales, A. C., & Ottmar, E. (2026). Uso do rastreamento bayesiano de conhecimento para avaliar o andaime perceptual e as dificuldades desejáveis em uma intervenção em matemática (Using Bayesian Knowledge Tracing to Evaluate Perceptual Scaffolding and Desirable Difficulties in a Math Intervention). Journal of Educational Data Mining. Link.
- Saadati, F., Bastian, A., & Kaiser, G. (2026). Crescimento da competência profissional docente por meio de programas de desenvolvimento profissional: um estudo com professores de matemática no Chile (Growth of Teacher Professional Competence through Professional Development Programs: A Study of Mathematics Teachers in Chile). Educational Studies in Mathematics. Link.
- Thanheiser, E., Roman, K., & Heaton, R. (2026). Ampliando a participação na matemática com o uso de dados sobre equidade (orientado pelo EQUIP): um modelo de formação continuada de professores com foco na equidade (Broadening Participation in Mathematics with Equity Analytics (EQUIP-Informed): A Teacher Professional Development Model for Centering Equity). Mathematics Teacher Educator. Link.
Que apoio faria diferença na sua próxima aula de matemática? Escolha uma ideia, adapte ao seu contexto e, se puder, converse sobre o que observou com um colega. Cada pequeno teste pode ajudar a tornar mais visível o caminho que seus alunos estão construindo.
Encontrou um erro neste conteúdo? Veja nossa política editorial e avise a gente.
O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.
