Falta de professores da educação infantil ao ensino médio: por que contratar não basta
Estudos recentes relacionam a falta de professores a formação, condições de trabalho e permanência na carreira. Veja o que as pesquisas apontam e como transformar esses sinais em decisões possíveis na escola.
A falta de professores da educação infantil ao ensino médio importa porque uma vaga sem profissional preparado e com condições de permanecer não é, de fato, um problema resolvido. Este texto responde a três perguntas: por que a escassez aparece mesmo quando há caminhos de contratação, o que pesquisas recentes dizem sobre formação e permanência e que ações cabem à escola enquanto respostas mais amplas são construídas?
Os estudos reunidos vêm de contextos diferentes e não oferecem uma fórmula única para escolas brasileiras. Ainda assim, ajudam a olhar para além da urgência de preencher horários: mostram que recrutamento, formação, apoio e reconhecimento profissional estão ligados. Para quem ensina, isso tem efeito direto na organização das turmas, na continuidade do trabalho pedagógico e na divisão das tarefas do cotidiano.
O que é falta de professores na educação infantil e no ensino fundamental e médio e por que importa para o professor?
Falta de professores é a dificuldade de contar com profissionais em número suficiente e preparados para atender às necessidades das escolas. Na rotina, pode aparecer como vaga não preenchida, contratação emergencial, dificuldade de encontrar alguém com formação adequada ou saída frequente de docentes. Não é apenas uma contagem de pessoas: também importa quem consegue entrar na profissão, em que condições começa e se encontra razões e apoio para continuar.
Essa definição ajuda a separar dois problemas que costumam ser tratados como se fossem um só. Uma escola pode preencher uma vaga e, mesmo assim, ter dificuldade de garantir estabilidade, formação e acompanhamento ao profissional que chega. Os estudos sobre o Texas, por exemplo, descrevem caminhos de ingresso com diferentes cargas de formação e apontam relações entre essas diferenças e conhecimentos, habilidades, eficácia e permanência dos professores (Bland, 2023).
Na educação infantil e nas demais etapas da educação básica, os efeitos concretos variam conforme o contexto. Mas, para o professor, a questão aparece no planejamento compartilhado, na distribuição de turmas, na substituição de colegas e na possibilidade de manter projetos ao longo do tempo. Esses exemplos ajudam a compreender o problema; não são resultados medidos pelos estudos citados.
O que a pesquisa recente mostra sobre a falta de professores?
As pesquisas apontam que a escassez não se explica apenas por falta de candidatos. Formação inicial, condições de trabalho, apoio da gestão, reconhecimento e permanência aparecem como partes relacionadas do desafio. Os estudos a seguir investigam dimensões distintas: alguns analisam políticas e caminhos de ingresso; outros observam como os profissionais vivem a transição para a docência ou como se pode mensurar o apoio recebido no local de trabalho.
Recrutar é importante, mas a qualidade da entrada na carreira também conta
O caso português mostra a interação entre fatores de oferta e condições profissionais. Com base em dados oficiais, Flores e colegas examinam a renovação do quadro docente, a aposentadoria em massa e a diminuição de candidatos à carreira. O resumo também relaciona o declínio do prestígio docente à representação negativa dos professores na mídia, à intensificação do trabalho e a políticas reativas de recrutamento e formação. A discussão central é que respostas emergenciais, sozinhas, não substituem uma estratégia de longo prazo que considere quantidade e qualidade na formação e no recrutamento (Flores, 2025).
O contexto é Portugal, não o Brasil. Ainda assim, a relação proposta entre condições de trabalho, prestígio e atração pela carreira permite uma pergunta útil para equipes escolares e gestores brasileiros: estamos tratando a falta como uma vaga a preencher ou também observando o que torna a profissão sustentável e valorizada? A pesquisa não autoriza transportar uma política portuguesa diretamente para cá; oferece elementos para formular essa pergunta.
Dois trabalhos sobre o Texas descrevem uma tensão semelhante entre preencher vagas e preparar profissionais. A síntese de pesquisa relata grande demanda anual por novos professores e abandono crescente. Nesse cenário, a maioria dos novos docentes é contratada antes de concluir a formação. O resumo afirma que esses profissionais, distribuídos desproporcionalmente em escolas que atendem estudantes de famílias de baixa renda e estudantes negros e de outras minorias raciais, apresentam menor eficácia comprovada e menor probabilidade de permanecer do que professores com formação completa (Bland, 2023).
O relatório mais extenso sobre o Texas examina caminhos de ingresso com tipos e cargas de formação diferentes e sintetiza pesquisas que associam essas diferenças a conhecimentos, habilidades, eficácia e taxas de entrada e saída. Também chama atenção para implicações na aprendizagem, na gestão escolar e na equidade: os distritos com mais dificuldade para contratar profissionais plenamente preparados são justamente os que atendem mais estudantes negros, de outras minorias raciais e de famílias de baixa renda. Entre as recomendações discutidas estão formação de qualidade, redução de barreiras financeiras para entrar na docência, aumento da remuneração, apoio à indução e melhoria das condições de trabalho (Bland, 2023).
Essas recomendações são apresentadas em estudos sobre um estado norte-americano, e não como medidas já comprovadas para todas as redes brasileiras. O ponto que pode ser aproveitado com cautela é a necessidade de avaliar simultaneamente acesso à profissão e condições para que a formação e a permanência não sejam sacrificadas na urgência de contratar.
Incentivar novos candidatos exige conhecer o que as iniciativas conseguem fazer
Uma estratégia de recrutamento investigada por Kissau e colegas foi um evento de dois dias para estudantes do ensino médio nos Estados Unidos. Os pesquisadores utilizaram questionários e entrevistas com participantes para investigar mudanças em conhecimentos e atitudes sobre a docência. Os resultados relatados indicaram influência positiva sobre esses dois aspectos e o estudo apresentou recomendações para orientar futuras iniciativas de recrutamento (Kissau, 2024).
O trabalho parte de uma preocupação com o declínio de matrículas em programas de formação docente e com a necessidade de atrair futuros professores. É relevante porque trata o recrutamento não apenas como divulgação de vagas: a experiência oferecida aos jovens pode contribuir para que conheçam melhor a profissão e desenvolvam atitudes positivas em relação a ela. Mas o resumo não permite concluir que a participação leve, por si só, à matrícula em um curso, à conclusão da formação ou à permanência na carreira.
Para escolas brasileiras, a ideia pode inspirar aproximações cuidadosas com estudantes interessados em educação, desde que não se confunda uma ação de orientação com solução para a escassez. O estudo investigou um evento específico nos Estados Unidos. Não estabelece que o mesmo formato funcionará igual em redes brasileiras, nem informa no resumo resultados de longo prazo sobre a trajetória dos participantes.
A permanência depende também do apoio e das relações na escola
Em uma pesquisa com 1.101 professores da educação especial e do ensino regular de um estado do sudeste dos Estados Unidos, Watson e colegas desenvolveram e avaliaram preliminarmente uma medida de apoio administrativo. O estudo investigou o apoio recebido dos gestores em dimensões como apoio emocional, avaliativo, instrumental e informacional. Os resultados indicaram que um modelo de dois fatores, chamados Valor e Logística, se ajustava melhor aos dados; os fatores foram semelhantes entre os dois grupos examinados. A escala DASI, com 26 itens, foi apresentada como uma medida válida e confiável para quantificar apoio e orientar mudanças no ambiente escolar (Watson, 2026).
O estudo parte de pesquisas anteriores que relacionam apoio administrativo à satisfação no trabalho e à redução da evasão docente. Seu resultado principal, porém, é a construção e validação preliminar de uma medida, não uma demonstração de que aplicar a escala reduza a saída de professores em qualquer escola. Para a gestão, a contribuição é pensar o apoio como algo que pode ser percebido em dimensões concretas, e não apenas como uma intenção genérica de ajudar.
Outro olhar sobre permanência vem de escolas rurais australianas. Cuervo investiga professores que mudaram de carreira e suas trajetórias por meio de entrevistas de história de vida. Os participantes consideraram difícil a transição para a docência nos primeiros anos. O estudo argumenta que o reconhecimento positivo do trabalho por integrantes da escola e da comunidade contrabalança esses desafios e contribui para a identidade profissional, o sentimento de pertencimento e a satisfação (Cuervo, 2026).
A pesquisa não transforma reconhecimento em substituto para remuneração, formação ou condições adequadas. Ela ajuda a perceber, contudo, que a permanência também se constrói nas relações: estudantes, colegas e comunidade podem contribuir para que um profissional recém-chegado se sinta parte da escola. Como o cenário investigado é rural e australiano, a aplicação a outros contextos precisa considerar diferenças locais, inclusive no modo como comunidades e escolas se organizam.
O que os estudos sobre falta de professores mostram lado a lado?
A tabela resume os seis estudos citados e distingue o que cada pesquisa investigou do que seus resumos relatam. Os dois trabalhos de Bland têm a mesma citação autor-data porque são publicações diferentes do mesmo ano e dos mesmos autores; por isso, aparecem em linhas separadas, com seus títulos e links próprios.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Flores (2025) | Escassez docente, renovação do quadro e formação. | Aposentadoria em massa, menos candidatos, intensificação do trabalho e perda de prestígio; defende estratégia de longo prazo. | Portugal; cenário da docência e formação docente. |
| Kissau (2024) | Influência de evento de recrutamento de dois dias nas atitudes e conhecimentos de estudantes do ensino médio. | O evento influenciou positivamente conhecimentos e atitudes dos participantes. | Estados Unidos; estudantes do ensino médio. |
| Bland (2023), síntese | Desafios da força de trabalho e intervenções para estabilidade. | Relata contratação antes da conclusão da formação e recomenda formação de qualidade, apoio, remuneração e melhores condições. | Texas, Estados Unidos; professores e redes escolares. |
| Bland (2023), relatório | Caminhos de ingresso, formação, estabilidade e iniciativas estaduais. | Associa diferenças nos percursos a conhecimentos, eficácia e permanência; aponta implicações para equidade. | Texas, Estados Unidos; força de trabalho docente. |
| Watson (2026) | Desenvolvimento e validação preliminar de medida de apoio administrativo. | O modelo Valor e Logística foi o mais adequado; a DASI tem 26 itens. | Estado do sudeste dos Estados Unidos; educação especial e ensino regular. |
| Cuervo (2026) | Trajetórias de professores que mudaram de carreira em escolas rurais. | Transição inicial difícil; reconhecimento da escola e da comunidade contribui para pertencimento e permanência. | Austrália; escolas rurais. |
Quais são os pontos em comum e as divergências entre os estudos?
O ponto comum mais forte é que a escassez não se reduz ao recrutamento. Portugal e Texas destacam que a entrada na carreira e as condições da profissão interferem no quadro docente. As pesquisas sobre apoio administrativo e reconhecimento, por sua vez, voltam a atenção para elementos da experiência cotidiana que podem estar ligados à satisfação e à permanência. Em conjunto, os estudos convidam a acompanhar não só quantas vagas são preenchidas, mas também o percurso de quem chega.
Há uma diferença importante entre os tipos de evidência. Flores analisa dados oficiais e discute tendências e políticas; os trabalhos de Bland sintetizam desafios e evidências sobre formação e intervenções; Kissau investiga uma iniciativa de recrutamento por meio de questionários e entrevistas; Watson desenvolve uma medida; Cuervo analisa trajetórias por entrevistas de história de vida. Portanto, os resultados não podem ser colocados como se todos medissem o mesmo fenômeno ou permitissem comparações diretas.
Também variam os contextos: Portugal, Texas, um estado do sudeste dos Estados Unidos e escolas rurais da Austrália. Os estudos não estabelecem uma resposta universal sobre qual medida reduz a falta de professores em cada etapa, nem identificam uma solução específica para a educação infantil brasileira. Fica em aberto como combinar formação, remuneração, apoio, reconhecimento e recrutamento em redes com realidades distintas. A pergunta prática não é escolher um único fator, mas descobrir quais aspectos têm maior peso em cada escola e em cada território.
O que a falta de professores significa para a sala de aula?
Os estudos não testaram as sugestões abaixo como intervenções de sala de aula. São aplicações possíveis para organizar o trabalho pedagógico e a conversa com a equipe, sem atribuir a elas resultados de pesquisa que não foram avaliados. A falta de professores é uma questão sistêmica; o professor individual não deve ser responsabilizado por resolver sozinho problemas de contratação, formação ou condições de trabalho.
1. Diferencie uma vaga preenchida de uma equipe estável
Como aplicação, a equipe pode acompanhar não apenas se todas as turmas têm docente, mas também se mudanças de profissionais estão interrompendo rotinas e planejamentos. Imagine uma turma de 7º ano que recebe substituições frequentes: registrar os impactos observados, sem atribuir automaticamente a dificuldade dos estudantes a uma única causa, ajuda a levar informações concretas à coordenação. Essa prática não substitui a gestão de pessoal; torna visível o que a instabilidade produz no cotidiano.
2. Faça do acolhimento profissional uma responsabilidade compartilhada
O estudo de Cuervo ajuda a pensar no valor das relações de reconhecimento. Como aplicação, uma escola pode combinar que um professor recém-chegado tenha um colega de referência para dúvidas sobre rotinas, materiais e comunicação com famílias. Imagine uma professora que mudou de carreira e precisa compreender, nos primeiros meses, como a equipe organiza as atividades. Um espaço regular de conversa pode favorecer pertencimento, embora não substitua formação estruturada, tempo de planejamento ou condições adequadas.
3. Transforme “apoio” em ações observáveis
O trabalho de Watson distingue dimensões de apoio e oferece uma escala para mensurá-las. Sem reproduzir a medida como se fosse um instrumento validado para qualquer rede brasileira, uma equipe pode, como aplicação, perguntar que apoios práticos estão disponíveis: a quem recorrer, como receber orientações e de que modo os combinados são comunicados. Um professor de educação infantil, por exemplo, pode precisar de apoio logístico para reorganizar uma rotina quando há uma mudança na equipe. O objetivo é identificar necessidades, não avaliar individualmente quem pede ajuda.
4. Apresente a docência sem esconder seus desafios
O estudo de Kissau indica que um evento de recrutamento pode influenciar positivamente conhecimentos e atitudes de estudantes do ensino médio. Como aplicação, uma escola pode convidar jovens interessados a conhecer diferentes aspectos da profissão em conversas planejadas com docentes, sem prometer uma carreira sem dificuldades. Uma atividade hipotética poderia explorar como se planeja uma aula ou como professores trabalham em equipe. Isso pode ampliar a compreensão sobre a docência, mas não deve ser apresentado como garantia de futuros candidatos ou como solução para vagas atuais.
5. Planeje a entrada de novos profissionais para além do primeiro dia
Os estudos do Texas destacam a importância da formação, da indução e das condições de trabalho. Como aplicação, a gestão pode organizar momentos de acompanhamento para quem chega, com espaço para esclarecer expectativas e localizar materiais e interlocutores. Imagine um professor contratado próximo ao início do período letivo: entregar horários resolve uma parte da necessidade, mas a equipe também pode combinar uma conversa sobre rotinas pedagógicas e formas de colaboração. A sugestão não substitui políticas de indução, nem garante permanência por si só.
6. Identifique tarefas que podem ser combinadas sem reduzir a qualidade do ensino
Flores chama atenção para a intensificação do trabalho docente; os estudos não especificam uma lista de tarefas a eliminar em cada escola. Como aplicação, a equipe pode mapear atividades que se repetem e verificar se há formas de compartilhar materiais e organizar prazos com mais clareza. Imagine docentes de turmas próximas que precisam preparar avaliações em semanas consecutivas: alinhar cronogramas pode evitar acúmulo desnecessário. A decisão precisa preservar as necessidades pedagógicas e não transferir mais trabalho invisível a um grupo de professores.
7. Leve a conversa sobre escassez para o coletivo, não para o professor isolado
Como aplicação, professores podem registrar padrões observados — por exemplo, quando faltam oportunidades de planejamento ou quando a troca frequente de profissionais afeta uma rotina — e discutir esses pontos com coordenação e gestão. Os estudos abordam dimensões sistêmicas, como recrutamento, formação e condições de trabalho; por isso, não seria adequado tratar a solução como uma questão de resiliência individual. Uma conversa coletiva pode ajudar a distinguir o que a escola consegue organizar do que depende de decisões da rede.
O que muda quando pensamos na falta de professores no contexto brasileiro?
Os estudos descritos não foram realizados no Brasil. Portugal, Texas e Austrália têm organizações, políticas de formação e condições de trabalho próprias; as recomendações voltadas ao Texas não podem ser tratadas como regras brasileiras. O mesmo cuidado vale para a medida de apoio administrativo estudada nos Estados Unidos e para iniciativas de recrutamento desenvolvidas naquele país.
O que pode ser útil no Brasil é o conjunto de perguntas, não a importação automática das respostas: as vagas são preenchidas com profissionais preparados? Que apoio recebem ao ingressar? Como a escola acompanha a carga de trabalho e as oportunidades de formação? Que fatores locais tornam mais difícil permanecer? As respostas podem variar entre educação infantil, ensino fundamental e médio, entre redes e também entre regiões urbanas e rurais. Os estudos fornecidos não apresentam comparações brasileiras que permitam afirmar qual etapa ou região enfrenta maior escassez.
Há também uma cautela de equidade. O trabalho sobre o Texas relaciona dificuldades de contratar professores plenamente preparados a distritos que atendem mais estudantes negros, de outras minorias raciais e de famílias de baixa renda. Isso não demonstra que a mesma distribuição ocorra no Brasil. Serve, porém, como motivo para que redes brasileiras examinem seus próprios dados e verifiquem se determinadas escolas ou comunidades recebem menos estabilidade ou menos acesso a profissionais com formação adequada.
Para a escola, uma resposta responsável combina registro e diálogo: entender os tipos de dificuldade que se repetem, levar evidências locais à gestão e evitar conclusões baseadas apenas em experiências isoladas. A pesquisa internacional pode orientar perguntas e hipóteses; decisões sobre políticas brasileiras precisam considerar dados e estudos do país, além das condições concretas da rede.
Quais são os limites desta leitura?
Esta leitura se baseia nos resumos de estudos recentes fornecidos, não na análise integral dos artigos e relatórios. Os resumos permitem identificar objetivos, contextos e resultados centrais, mas não oferecem todas as informações necessárias para avaliar instrumentos, detalhes de análise ou a força de cada conclusão. Também reúnem pesquisas de países e tipos diferentes, de modo que seus achados não podem ser tratados como uma comparação direta nem generalizados automaticamente para escolas brasileiras.
Ficam em aberto questões importantes: como a escassez se distribui entre etapas e regiões do Brasil; que políticas de formação e permanência funcionam em diferentes redes brasileiras; e quais medidas de apoio são mais efetivas em contextos específicos. Os resumos também não permitem concluir que um evento de recrutamento leve alguém a ingressar e permanecer na carreira, ou que uma escala de apoio, isoladamente, reduza a evasão.
Vale consultar os estudos completos quando a decisão exigir conhecer com precisão o método, as características dos participantes, os limites das análises e as recomendações desenvolvidas pelos autores. Para decisões de política pública no Brasil, a leitura deve ser complementada por pesquisas nacionais e dados locais. O propósito aqui é oferecer um mapa inicial de temas, não substituir esse aprofundamento.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
A falta de professores pode tornar mais difícil organizar atividades e avaliações com o tempo disponível, mas uma ferramenta não resolve a escassez nem substitui o trabalho docente. Se você precisa preparar uma avaliação ou atividade e quer agilizar uma parte do processo, pode conhecer o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis. A decisão sobre objetivos, conteúdos e adequação à turma continua com você.
Perguntas frequentes sobre falta de professores
A falta de professores se resolve apenas contratando mais pessoas?
Os estudos sugerem que não basta olhar para o número de contratações. O caso português relaciona a escassez a aposentadorias, redução de candidatos, intensificação do trabalho e perda de prestígio, além de defender uma estratégia de longo prazo. As pesquisas sobre o Texas destacam diferenças entre percursos de formação e relacionam formação, condições de trabalho e permanência. Isso não significa que contratar seja dispensável: significa que a contratação precisa ser pensada junto com preparação profissional e condições para continuar na carreira.
O que pode ajudar um professor novo a permanecer na escola?
Os estudos citados apontam elementos que merecem atenção, sem oferecer uma fórmula garantida. A pesquisa com professores que mudaram de carreira em escolas rurais australianas relata que os primeiros anos foram difíceis e associa o reconhecimento positivo por colegas, estudantes e comunidade a pertencimento e satisfação. O estudo sobre apoio administrativo desenvolveu uma medida para observar dimensões do suporte recebido dos gestores. Como aplicação, acolhimento, orientação e apoio prático podem ser discutidos pela equipe; não devem ser tratados como substitutos de formação e condições adequadas.
Formas alternativas de ingresso podem piorar a escassez?
Os resumos sobre o Texas descrevem caminhos de ingresso com diferentes tipos e cargas de formação e relatam associações entre essas diferenças, conhecimentos, habilidades, eficácia e taxas de permanência. A síntese afirma que muitos novos professores eram contratados antes de concluir a formação e que professores menos preparados apresentavam menor eficácia e menor probabilidade de permanecer. Esses resultados vêm do Texas e não demonstram que todo caminho alternativo tenha o mesmo efeito no Brasil. A pergunta relevante é como garantir preparação e apoio, qualquer que seja o percurso de ingresso.
Eventos para estudantes podem atrair futuros professores?
Um estudo investigou um evento de recrutamento de dois dias com estudantes do ensino médio e encontrou influência positiva nos conhecimentos e nas atitudes dos participantes em relação à docência. Os autores também apresentaram recomendações para iniciativas futuras. O resultado diz respeito a essas dimensões investigadas: não prova que os participantes se matricularam em cursos de formação, concluíram a graduação ou permaneceram na profissão. Para escolas brasileiras, uma aproximação com jovens pode ser uma ação de orientação, desde que não seja apresentada como resposta suficiente à falta atual de docentes.
Como o reconhecimento da comunidade se relaciona com a permanência docente?
Em entrevistas de história de vida com professores que mudaram de carreira e trabalham em escolas rurais australianas, o estudo de Cuervo relata que a transição inicial foi difícil. O autor argumenta que o reconhecimento positivo do trabalho por integrantes da escola e da comunidade contrabalança desafios e contribui para identidade profissional, solidariedade, satisfação e pertencimento ao lugar. É um achado situado nesse grupo e contexto, não uma prova de que reconhecimento, sozinho, impeça a saída de professores. Ainda assim, ajuda a considerar a qualidade das relações como parte da experiência profissional.
Essas pesquisas mostram qual é a situação da falta de professores no Brasil?
Não. Os estudos reunidos abordam Portugal, Texas e outros contextos dos Estados Unidos, além de escolas rurais australianas. Eles ajudam a compreender fatores que pesquisadores investigaram — como formação, recrutamento, apoio e reconhecimento —, mas não medem a distribuição da escassez nas redes brasileiras. Para saber quais etapas, regiões ou escolas do Brasil enfrentam maior dificuldade, é necessário consultar dados e pesquisas nacionais. As conclusões internacionais servem como referência para formular perguntas e orientar análises locais, não como diagnóstico direto do país.
Referências
- Flores, Maria Assunção; Oliveira, Hélia; Ponte, João Pedro (2025). Do excedente à escassez de professores e seus efeitos na formação docente: o caso português (From Teacher Surplus to Teacher Shortage and Its Effects on Teacher Education: The Portuguese Case). European Journal of Teacher Education. Link.
- Kissau, Scott; Petty, Teresa; Giersch, Jason; Gathings, Nicholas (2024). Chamado a todos os futuros educadores: investigação sobre a influência de um evento de recrutamento de professores (Calling All Future Educators: Investigating the Influence of a Teacher Recruitment Event). Action in Teacher Education. Link.
- Bland, Jennifer A.; Wojcikiewicz, Steven K.; Darling-Hammond, Linda; Wei, Wesley (2023). Fortalecendo os caminhos para a profissão docente no Texas: desafios e oportunidades. Síntese de pesquisa (Strengthening Pathways into the Teaching Profession in Texas: Challenges and Opportunities. Research Brief). Learning Policy Institute. Link.
- Bland, Jennifer A.; Wojcikiewicz, Steven K.; Darling-Hammond, Linda; Wei, Wesley (2023). Fortalecendo os caminhos de ingresso na profissão docente no Texas: desafios e oportunidades (Strengthening Pathways into the Teaching Profession in Texas: Challenges and Opportunities). Learning Policy Institute. Link.
- Watson, Jennifer H.; Drasgow, Erik; Liu, Jin; Chezan, Laura C. (2026). Desenvolvimento e validação preliminar de uma medida de apoio administrativo com base no referencial teórico de House (Development and Preliminary Validation of Administrative Support Using House's Theoretical Framework). Journal of Education Human Resources. Link.
- Cuervo, Hernan (2026). Professores que mudaram de carreira em escolas rurais: uma abordagem pela teoria do reconhecimento para compreender a permanência docente (Career Change Teachers in Rural Schools: A Recognition Theory Approach to Understanding Teacher Retention). Asia-Pacific Journal of Teacher Education. Link.
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