Erros de concordância verbal: como ensinar e avaliar
Eu já corrigi muitas produções em que o aluno sabia exatamente o que queria dizer, mas escrevia “os alunos chegou” ou “a turma chegaram”. Quando encontro esse tipo de erro, procuro não tratá-lo como simples falta de atenção. Para mim, ele costuma mostrar que o estudante ainda não localiza com segurança o núcleo do sujeito ou que aplica uma regra decorada sem analisar a frase inteira.
Na minha prática, o melhor resultado veio quando parei de ensinar concordância apenas com listas de regras e passei a pedir que a turma justificasse cada escolha. É uma mudança pequena, mas poderosa: antes de marcar a alternativa, o aluno precisa perguntar “quem pratica a ação?” e “esse núcleo está no singular ou no plural?”.
O que são erros de concordância verbal?
Erros de concordância verbal acontecem quando o verbo não apresenta a flexão adequada ao sujeito da oração, principalmente em número e pessoa. Em “Os alunos chegou cedo”, por exemplo, o núcleo do sujeito é “alunos”, que está no plural; portanto, o correto é “Os alunos chegaram cedo”. Para ensinar isso com consistência, eu começo pela identificação do sujeito e de seu núcleo, evitando que a turma concorde o verbo com a palavra mais próxima. Casos como “A turma de alunos chegou” são decisivos: embora “alunos” esteja no plural, o núcleo é “turma”, no singular. No GeraProva, consigo selecionar questões por habilidade, dificuldade e nível cognitivo, o que ajuda a separar uma revisão inicial de uma avaliação que realmente investigue se o estudante analisa estruturas mais complexas.
Eu costumo resumir o procedimento em três perguntas que deixo visíveis durante a correção:
- Qual é o verbo? Localize a ação, o estado ou o fenômeno expresso.
- Quem é o sujeito? Pergunte quem realiza ou de quem se declara algo.
- Qual é o núcleo do sujeito? É essa palavra que normalmente orienta a flexão verbal.
Vale reforçar que concordância verbal não é concordância nominal. Em “as meninas dedicadas chegaram”, artigos e adjetivo concordam com “meninas”; já “chegaram” concorda com o sujeito cujo núcleo também é “meninas”.
Como ensinar concordância verbal sem transformar a aula em decoreba?
Para ensinar concordância verbal sem depender de decoreba, eu apresento a regra como consequência da leitura da estrutura: o verbo precisa acompanhar o núcleo do sujeito, salvo construções especiais que devem ser compreendidas em contexto. Começo com frases curtas, como “A criança brinca” e “As crianças brincam”, e depois acrescento termos que confundem: “A turma de crianças brinca”, “Pedro e Ana brincam”, “Havia muitas pessoas”. Em cada etapa, peço que os alunos circulem o verbo, sublinhem o sujeito e destaquem apenas seu núcleo. Essa rotina de 5 minutos torna visível o raciocínio e reduz os chutes. Depois, proponho pares de frases corretas e incorretas para que eles corrijam e expliquem oralmente a mudança, porque explicar a escolha consolida mais do que apenas assinalar uma letra.
Uma sequência que funciona na prática
- Apresente 4 frases e peça que a turma encontre o verbo.
- Peça a identificação do sujeito e do núcleo em cores diferentes.
- Inclua um distrator: “A caixa de materiais sumiu”.
- Solicite a reescrita de uma frase inadequada e uma justificativa completa.
Eu também separo os casos regulares dos casos especiais. Primeiro trabalho sujeito simples e composto; depois entram os verbos impessoais, como haver com sentido de existir e fazer indicando tempo. Essa ordem evita que exceções apareçam antes de a base estar firme.
Quais casos de concordância verbal mais confundem os alunos?
Os casos que mais confundem meus alunos são o sujeito composto, os coletivos acompanhados de complementos no plural e os verbos impessoais. No sujeito composto, duas ou mais palavras nucleares geralmente pedem verbo no plural: “A menina e os amigos brincaram”. Nos coletivos, o verbo concorda com o núcleo singular: “A turma de alunos chegou”. Já em “Havia muitas pessoas” e “Faz dois anos”, os verbos haver, no sentido de existir, e fazer, ao indicar tempo decorrido, permanecem no singular por serem impessoais. Eu não apresento esses exemplos como armadilhas: comparo frases lado a lado e peço que os estudantes expliquem por que cada verbo foi flexionado. Assim, a regra deixa de ser uma lista e vira uma decisão linguística justificável.
Outro cuidado é evitar frases isoladas demais. Eu uso contextos próximos à experiência dos estudantes, mas insisto que a correção depende da estrutura, não do tema. Um mapa rápido de revisão fica assim:
- Sujeito simples: “As crianças jogam”.
- Sujeito composto: “Pedro e Ana chegaram”.
- Coletivo: “A turma participou”.
- Haver existencial: “Há três livros”.
- Fazer temporal: “Faz duas semanas”.
Como avaliar erros de concordância verbal na prática?
Para avaliar erros de concordância verbal na prática, eu combino questões objetivas, reescrita de frases e uma produção curta, porque cada formato revela uma parte diferente da aprendizagem. Em uma prova de 10 itens, costumo reservar 4 para sujeito simples e composto, 3 para coletivos e 3 para verbos impessoais, variando a dificuldade. Nas objetivas, não olho apenas o acerto: observo quais distratores atraem a turma e retomo exatamente a regra envolvida. Na reescrita, peço que o aluno corrija e explique em uma frase; isso diferencia quem acertou por reconhecimento de quem compreendeu. Com o GeraProva, eu consigo montar versões com BNCC, Bloom e gabarito comentado, economizando o tempo de diagramação e preservando minha decisão pedagógica sobre o que avaliar.
Depois da aplicação, eu organizo a devolutiva por padrão de erro, e não somente por nota. Se muitos estudantes marcam uma forma plural depois de “turma”, planejo uma retomada sobre núcleo do sujeito. Se o problema aparece em “fazem dois anos”, reviso impessoalidade. Esse diagnóstico deixa a recuperação mais objetiva.
Questões prontas com gabarito comentado
As seis questões abaixo permitem avaliar desde o reconhecimento inicial até a análise de sujeito composto, coletivo e verbos impessoais. Eu as usaria em blocos curtos, alternando dificuldade, e aproveitaria o comentário de cada alternativa na correção coletiva. Os dados pedagógicos do GeraProva ajudam a fazer isso com intenção: há questões de nível Lembrar, Analisar e Avaliar, alinhadas à BNCC. Antes de revelar o gabarito, eu pediria que os alunos indicassem o verbo, o sujeito e seu núcleo; só então discutiria cada distrator. Dessa forma, a questão não serve apenas para medir um acerto, mas também para tornar o raciocínio linguístico observável e orientar a próxima intervenção.
1. Qual frase apresenta erro de concordância verbal?
BNCC: EF05LP06 | Bloom: Lembrar | Conceito central: concordância verbal.
- ✅ A) Os alunos foi à aula. Há erro: o sujeito “Os alunos” está no plural e pede “foram”.
- ❌ B) As meninas foram à festa. Está correta: sujeito e verbo estão no plural.
- ❌ C) A casa e o carro estão limpos. Está correta: o sujeito composto pede verbo plural.
- ❌ D) Ele e ela são amigos. Está correta: dois núcleos formam sujeito composto plural.
- ❌ E) As crianças brincam no parque. Está correta: “crianças” e “brincam” estão no plural.
Dica de resolução: Analise as frases e verifique a concordância verbal. Conceito para revisão: Revisar as regras de concordância verbal.
2. Identifique a frase que apresenta erro de concordância verbal.
BNCC: EF06LP06 | Bloom: Analisar | Conceito central: concordância verbal.
- ❌ A) Ela e a amiga chegaram cedo. Correta: sujeito composto no plural e verbo plural.
- ❌ B) A turma de alunos foi ao parque. Correta: “turma” é o núcleo singular.
- ❌ C) Chegaram cedo a professora e os alunos. Correta: o sujeito composto posposto admite o verbo plural.
- ❌ D) As crianças brincam no parque. Correta: sujeito e verbo estão no plural.
- ✅ E) Os meninos e a menina foi ao parque. Há erro: o sujeito composto exige “foram ao parque”.
Dica de resolução: Leia atentamente as opções e verifique a concordância. Conceito para revisão: Revisar as regras de concordância verbal.
3. Assinale a alternativa que contém erro de concordância verbal.
BNCC: EF06LP06 | Bloom: Avaliar | Conceito central: concordância verbal.
- ❌ A) As crianças e a professora chegaram cedo. Correta: sujeito composto e verbo no plural.
- ❌ B) A mãe e o filho voltaram da escola. Correta: há duas pessoas no sujeito.
- ❌ C) O menino e a irmã brincaram no parque. Correta: “brincaram” concorda com o sujeito composto.
- ✅ D) A menina e os amigos brincou no pátio. Há erro: o correto é “brincaram”, pois o sujeito é composto.
- ❌ E) Os alunos e a professora estudaram juntos. Correta: “estudaram” está no plural.
Dica de resolução: Leia atentamente as alternativas antes de escolher. Conceito para revisão: Revisar as regras de concordância verbal.
4. Leia as frases e assinale aquela que apresenta erro de concordância verbal.
BNCC: EF06LP06 | Bloom: Analisar | Conceito central: concordância verbal.
- ❌ A) Havia muitas pessoas na festa. Correta: “haver”, com sentido de existir, é impessoal e fica no singular.
- ❌ B) Faz três anos que não nos vemos. Correta: “fazer” indicando tempo é impessoal.
- ❌ C) As meninas e o professor chegaram cedo. Correta: sujeito composto pede plural.
- ❌ D) A turma de alunos participou da atividade. Correta: o núcleo “turma” está no singular.
- ✅ E) Os alunos chegou cedo. Há erro: o correto é “Os alunos chegaram cedo”.
Dica de resolução: Analise as frases e verifique a concordância verbal. Conceito para revisão: Revisar as regras de concordância verbal.
5. Em qual frase a concordância verbal está incorreta?
BNCC: EF35LP07 | Bloom: Analisar | Conceito central: concordância verbal.
- ❌ A) Fui eu quem pagou a conta. A concordância está correta.
- ❌ B) Havia muitas pessoas na festa. Correta: “havia” é impessoal nesse sentido.
- ✅ C) Fazem duas semanas que não a vejo. Há erro: o correto é “Faz duas semanas”, pois “fazer” temporal fica no singular.
- ❌ D) Aqui estão os livros que pedi. Correta: “estão” concorda com “os livros”.
- ❌ E) Meu amigo e eu estamos felizes. Correta: sujeito composto exige plural.
Dica de resolução: Analise as frases e verifique a concordância dos verbos. Conceito para revisão: Revisar as regras de concordância verbal.
6. Leia as frases da escola. Qual frase tem erro na concordância verbal?
BNCC: EF35LP07 | Bloom: Lembrar | Conceito central: concordância verbal.
- ✅ A) A turma de alunos chegaram cedo. Há erro: “turma” é singular; o correto é “A turma de alunos chegou cedo”.
- ❌ B) Há três livros na mesa. Correta: “há” indica existência e fica no singular.
- ❌ C) As crianças jogam bola no pátio. Correta: sujeito e verbo estão no plural.
- ❌ D) Pedro e Ana chegaram cedo. Correta: sujeito composto plural.
- ❌ E) Faz dois dias que chove. Correta: “faz” indica tempo passado e fica no singular.
Dica de resolução: Leia atentamente as frases antes de escolher. Conceito para revisão: Revisar as regras de concordância verbal.
Quando retomar a concordância verbal com a turma?
Eu retomo concordância verbal sempre que o erro aparece com frequência em produções, leituras em voz alta ou avaliações, mas não espero uma “semana de gramática” para agir. Uma intervenção de 10 a 15 minutos, baseada em três frases reais anonimizadas da turma, costuma ser mais eficiente do que uma longa lista de exercícios desconectados. Se o problema é sujeito composto, trabalho apenas esse foco; se é “haver” e “fazer”, comparo usos impessoais com usos pessoais. Depois aplico 3 itens de saída para verificar se houve avanço. Para criar esse acompanhamento sem sobrecarregar meu planejamento, vale fazer um cadastro grátis e testar a montagem de questões por habilidade e dificuldade. O recurso não substitui minha mediação, mas me devolve tempo para ler respostas e conversar sobre os erros.
Eu uso questões e regras como ponto de partida, nunca como rótulo para o aluno. Se quiser experimentar uma seleção pronta, com gabarito comentado e dados pedagógicos para adaptar à sua turma, teste o GeraProva e mantenha no centro aquilo que mais importa: entender como cada estudante está pensando.
