Ensino médio e superior: por que a formação profissional abre caminhos diferentes
Estudos de diferentes países mostram que a passagem do ensino secundário ao pós-secundário não segue um único caminho. Veja o que a pesquisa revela sobre formação profissional, escolhas, interesses e bem-estar — e como levar essas ideias à sala de aula.
Em alguns estudos, a formação profissional aparece como uma qualificação capaz de trazer retornos comparáveis aos da formação acadêmica; em outros, ela é descrita como uma opção desvalorizada, escolhida por estudantes que não conseguiram seguir o percurso considerado mais prestigiado. Essas afirmações parecem se contradizer, mas tratam de países, períodos e perguntas diferentes.
A comparação ajuda a separar o que cada pesquisa realmente mostra: não existe uma única maneira de ligar o ensino secundário ao ensino superior ou ao trabalho. O percurso depende de como as oportunidades são organizadas, de como a sociedade valoriza cada escolha e de como os estudantes vivem a transição. Para quem ensina, entender essas diferenças ajuda a conversar sobre futuro sem apresentar uma rota como destino obrigatório.
O que é Educação secundária e superior em outros países e por que importa para o professor?
Educação secundária e superior, neste tema, são etapas que podem se conectar por caminhos acadêmicos, profissionais ou por combinações entre estudo e trabalho. A pesquisa compara como diferentes países organizam essas passagens, que valor atribuem às qualificações e que fatores influenciam as decisões dos estudantes. Na rotina escolar, o assunto aparece quando a turma conversa sobre continuar estudando, escolher uma formação técnica, buscar uma profissão ou entender o que vem depois da etapa atual.
Os termos variam conforme o sistema educacional. “Pós-secundário”, por exemplo, pode designar estudos realizados depois da educação secundária, sem significar necessariamente uma universidade. Educação profissional também não é uma experiência idêntica em todos os lugares: pode ocorrer em instituições formais, em programas ligados ao trabalho ou em cursos específicos. Por isso, comparar países exige olhar para o que cada estudo chama de formação e para a etapa que está analisando.
Para o professor da educação básica brasileira, não se trata de importar regras estrangeiras. O valor da comparação está em perceber que as escolhas dos estudantes são influenciadas tanto pelas opções disponíveis quanto pelo prestígio social atribuído a elas. Esse olhar pode tornar conversas de orientação mais abertas e ajudar a evitar a mensagem de que existe apenas um caminho legítimo depois do ensino médio.
O que a pesquisa recente mostra sobre a passagem entre etapas?
Formação profissional pode ter retorno, mas o prestígio e o contexto fazem diferença
Uma análise sobre a União Europeia comparou rendimentos e satisfação no trabalho de pessoas formadas em educação e formação profissional com os de pessoas com qualificações acadêmicas. O estudo encontrou retornos comparáveis entre qualificações profissionais e acadêmicas nos níveis médio, pós-secundário e superior. Ao mesmo tempo, os prêmios salariais variavam entre países: a formação profissional apresentava retornos mais elevados em pouco menos de um terço dos países da UE-28. Pessoas com formação profissional de nível superior também registravam maior satisfação no trabalho (McGuinness, 2026).
Há um detalhe importante: os resultados mudavam conforme a definição usada para classificar a educação profissional. Quando se adotava uma definição mais rigorosa, que incorporava aprendizagem baseada no trabalho, a proporção de formação profissional de nível superior caía de 73% para 32%. Isso mostra que até a categoria comparada depende de critérios. Para quem lê a pesquisa, “formação profissional” não deve ser tratada como uma experiência única e uniforme.
O quadro é diferente na análise histórica da China. O estudo descreve três períodos de escolhas educacionais. Entre 1978 e 1991, a educação profissional era tratada como primeira opção para concluintes. De 1992 a 2000, houve polarização durante a transição econômica, e mais estudantes passaram a escolher o ensino médio acadêmico, embora as escolas profissionais ainda tivessem vantagens para atrair estudantes com melhor desempenho. A partir de 2001, a formação profissional passou a ser vista como “última opção”, enquanto os concluintes do ensino fundamental preferiam o ensino médio acadêmico (Hao, 2025).
Esses estudos não se anulam. Um investiga resultados de pessoas formadas em diferentes qualificações na União Europeia; o outro acompanha historicamente a reputação e as escolhas na China. Ter retornos comparáveis não garante, por si só, que um percurso seja igualmente valorizado ou escolhido. A comparação convida a distinguir resultados no trabalho, prestígio social e decisões educacionais — dimensões relacionadas, mas não equivalentes.
As transições também envolvem saúde mental e experiências pessoais
No Canadá, uma pesquisa investigou fatores ligados à passagem de instituições secundárias para instituições pós-secundárias. Os autores analisaram traços de resiliência, ansiedade, depressão e mudanças na média de notas de 139 estudantes. Autoeficácia mais alta e locus de controle interno prediziam pontuações maiores de resiliência acadêmica, mas não as mudanças na média de notas. Ansiedade e depressão foram as únicas variáveis significativamente relacionadas a todas as variáveis do modelo, incluindo resiliência acadêmica e pontuações de mudança na média (Badal, 2025).
O resumo situa a investigação em um debate sobre a queda de notas percebida por estudantes no primeiro ano universitário, mas o achado apresentado não permite reduzir a transição a uma queda automática nem atribuí-la a uma causa única. A contribuição mais útil para a escola é lembrar que adaptação acadêmica, confiança e saúde mental podem estar conectadas. O desempenho não é uma medida isolada de capacidade, especialmente em períodos de mudança.
Outra pesquisa, com adolescentes neerlandeses de 14 a 25 anos, estudou como vários interesses se desenvolvem ao longo do tempo. As entrevistas identificaram três processos: um interesse pode nascer de outro; interesses podem ser vividos simultaneamente ou compartilhar habilidades e conhecimentos; e diferentes interesses podem construir sentido em relação uns aos outros. Em vez de descrever o interesse como aprofundamento de um único tema, o estudo mostra que ele também pode se ampliar e se conectar a outros (Draijer, 2026).
Esse resultado não é uma comparação de currículos ou de regras de ingresso. Ainda assim, ajuda a pensar a orientação: os interesses dos jovens podem se combinar, mudar e ganhar significado em conjunto. Uma conversa sobre futuro que exija uma escolha definitiva muito cedo talvez não acompanhe bem essa complexidade. O estudo investigou adolescentes nos Países Baixos; sua contribuição para o Brasil é uma lente sobre interesses, não uma recomendação para copiar um sistema escolar.
O vínculo com o trabalho pode ser organizado por diferentes instituições
Uma investigação sobre programas para a indústria do vestuário em Bangladesh, Camboja e Sri Lanka analisou como essas formações surgiram e quais fatores influenciaram seu desenvolvimento. Em geral, os programas considerados relevantes para a indústria eram oferecidos fora da educação profissional formal de nível médio, sobretudo nos níveis pós-secundário e superior e, em muitos casos, por provedores privados. O caso do Sri Lanka indicou que o investimento público na formação de trabalhadores com diferentes níveis de qualificação pode contribuir para desenvolver um regime de formação de mão de obra altamente qualificada, desde que ocorra no momento adequado (Maurer, 2025).
O estudo não descreve uma receita universal. Ele mostra que os limites entre educação formal, formação posterior e preparação para um setor de trabalho podem ser organizados de maneiras distintas. O papel do setor público, das instituições privadas e da indústria também muda conforme a história e as condições locais. Para professores brasileiros, a pergunta produtiva não é “qual modelo devemos copiar?”, mas “quem oferece as oportunidades e como elas se conectam às necessidades dos estudantes e do território?”.
Na China, estudantes de educação profissional também buscam microcredenciais por motivos variados. A análise de relatos de 21.849 estudantes identificou cinco temas: desmotivação; aproximação e evitação com foco na sobrevivência; orientação para a realização; feedback emocional; e desenvolvimento humanístico. O modelo proposto interpreta a motivação como algo que combina objetivos instrumentais — ligados a demandas externas — e buscas relacionadas a valores e sentido pessoal (Gao, 2025).
Microcredenciais não equivalem automaticamente a uma etapa escolar brasileira nem substituem, por definição, uma formação mais ampla. O estudo ajuda a enxergar que até uma qualificação curta pode ser procurada por razões diferentes. Perguntar apenas “isso dá emprego?” deixa de fora outras motivações que os estudantes podem atribuir à aprendizagem.
O caso brasileiro evidencia o papel das instituições e da percepção pública
Uma pesquisa sobre os Institutos Federais do Brasil analisou perspectivas de docentes e técnicos administrativos sobre o papel social dessas instituições na educação profissional. Os resultados destacam o envolvimento com comunidades, as parcerias com indústrias locais e a ampliação do acesso para grupos marginalizados. Também apontam desafios: percepção pública, restrições financeiras e concorrência com trajetórias acadêmicas afetam a visibilidade e a atratividade da educação profissional e tecnológica (Annen, 2025).
Esse estudo torna a comparação mais próxima do trabalho de quem ensina no país. A valorização de uma trajetória não depende apenas do conteúdo de um curso ou de seus resultados no emprego; envolve também acesso, reconhecimento e relações com a comunidade. Os autores destacam a necessidade de combater o estigma associado à educação profissional e de fortalecer o apoio institucional e a conscientização. Como a pesquisa é exploratória e qualitativa, suas conclusões devem ser lidas como análise de percepções, não como medida nacional de todas as escolhas dos estudantes.
Em conjunto, os estudos sugerem que a ligação entre ensino secundário, formação profissional e educação superior é feita de mais de uma peça: opções concretas, reconhecimento social, vínculos com o trabalho, interesses em transformação e condições pessoais durante a transição. Nenhuma dessas dimensões, isoladamente, explica todos os percursos.
O que os estudos mostram lado a lado?
A tabela reúne os estudos citados e diferencia o foco de cada um. “Pós-secundário” é mantido quando essa é a etapa indicada no resumo; não deve ser lido como sinônimo automático de universidade.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| McGuinness (2026) | Rendimentos e satisfação no trabalho de pessoas com formação profissional. | Retornos profissionais e acadêmicos comparáveis nos níveis estudados; variação salarial por país; maior satisfação entre formados em EFP superior. | União Europeia; níveis médio, pós-secundário e superior. |
| Hao (2025) | História das escolhas e da reputação da educação profissional. | Descreve três períodos, com mudança da formação profissional de primeira opção para última opção. | China; 1978–2023, com períodos destacados no resumo. |
| Badal (2025) | Resiliência, saúde mental e mudança nas notas durante a transição. | Autoeficácia e locus interno se relacionaram com resiliência acadêmica; ansiedade e depressão se relacionaram com todas as variáveis do modelo. | Canadá; passagem do secundário ao pós-secundário. |
| Draijer (2026) | Desenvolvimento de múltiplos interesses de adolescentes. | Identifica gênese do interesse, engajamento híbrido e construção conjunta de sentido. | Países Baixos; participantes de 14 a 25 anos. |
| Maurer (2025) | Origem de programas de formação para a indústria do vestuário. | Programas frequentemente fora da formação profissional formal média; o Sri Lanka ilustra a contribuição possível do investimento público, condicionado ao momento. | Bangladesh, Camboja e Sri Lanka; níveis pós-secundário e superior em muitos casos. |
| Gao (2025) | Motivações de estudantes de educação profissional para obter microcredenciais. | Identifica cinco temas motivacionais e combina objetivos instrumentais e buscas orientadas pelo sentido. | China; educação profissional. |
| Annen (2025) | O papel social dos Institutos Federais na educação profissional brasileira. | Destaca acesso, comunidade e parcerias, junto a desafios de percepção pública, financiamento e concorrência com trajetórias acadêmicas. | Brasil; Institutos Federais. |
Quais são os pontos em comum e as divergências entre os estudos?
Um ponto comum é que os percursos educacionais não podem ser compreendidos apenas olhando para a existência de um curso. A pesquisa europeia mostra variação entre países nos retornos salariais; a análise chinesa descreve uma mudança de prestígio ao longo do tempo; e o estudo brasileiro aponta que percepção pública, financiamento e concorrência entre trajetórias afetam a atratividade da educação profissional. Em cada caso, o valor social e institucional da opção faz parte do cenário.
Também há convergência na importância de considerar mais do que o resultado acadêmico imediato. A pesquisa canadense inclui saúde mental e resiliência na análise da transição. O estudo neerlandês chama atenção para interesses múltiplos e mutáveis. A investigação sobre microcredenciais, por sua vez, identifica motivações que vão além de uma finalidade instrumental. Esses trabalhos não estudam a mesma população nem a mesma etapa, mas ampliam o que pode ser considerado relevante ao pensar escolhas.
As diferenças são igualmente importantes. A comparação europeia discute retornos e satisfação no trabalho, enquanto a pesquisa chinesa examina escolhas e reputação em perspectiva histórica. A investigação canadense acompanha fatores relacionados à passagem ao pós-secundário, e a pesquisa sobre vestuário analisa programas de formação para um setor específico. Não se deve transformar esses resultados em uma classificação dos países ou em prova de que uma estrutura funciona melhor em qualquer contexto.
Ficam abertas questões práticas: quais condições tornam uma trajetória profissional socialmente valorizada? Como estudantes e famílias conhecem as opções disponíveis? Que apoio ajuda na transição entre etapas? Como se combinam formação geral, experiência de trabalho e qualificações posteriores? Os resumos analisados não respondem a todas essas perguntas, mas mostram por que vale investigá-las com dados locais e escuta dos estudantes.
Como levar essas ideias para a sala de aula?
Os estudos não prescrevem atividades específicas para professores brasileiros. As propostas abaixo são aplicações pedagógicas possíveis, inspiradas nas perguntas e nos achados descritos, e devem ser adaptadas à idade da turma e ao contexto da escola.
1. Apresente caminhos diferentes sem hierarquizar os estudantes
Aplicação: uma forma de usar isso em sala é propor uma conversa estruturada sobre diferentes percursos de formação, sem tratar o acadêmico como superior e o profissional como plano de reserva. Por exemplo, uma turma pode comparar perguntas sobre o que cada trajetória ensina, que possibilidades oferece e que informações ainda precisaria conhecer. O objetivo não é escolher pelo aluno, mas ampliar o vocabulário para conversar sobre opções. Essa abordagem dialoga com os estudos que mostram como prestígio e escolhas podem mudar conforme o contexto.
2. Separe “retorno” de “prestígio” numa análise de informação
Aplicação: convide a turma a distinguir conceitos que às vezes aparecem misturados: salário, satisfação no trabalho, reconhecimento social e acesso. Uma situação hipotética pode apresentar duas opções de formação sem dizer que uma é melhor e pedir que os estudantes indiquem quais informações seriam necessárias para compará-las. A pesquisa europeia mostra variação entre países e entre definições de formação profissional; portanto, a atividade pode reforçar que uma conclusão exige saber o que está sendo comparado.
3. Mapeie interesses que se cruzam
Aplicação: peça aos estudantes que identifiquem interesses que compartilham habilidades ou se relacionam entre si. Imagine um estudante interessado em desenho e também em construir objetos: em vez de exigir uma escolha imediata, a conversa pode explorar o que esses interesses têm em comum e como poderiam evoluir. É uma maneira de aplicar, com cuidado, a ideia de que interesses podem nascer uns dos outros, coexistir ou construir sentido em conjunto. Não se trata de prever uma carreira a partir de uma preferência.
4. Trate a transição como uma mudança que pede apoio
Aplicação: ao conversar sobre etapas futuras, pergunte que tipos de apoio podem facilitar uma mudança de rotina, de instituição ou de exigência acadêmica. Em uma atividade hipotética, grupos podem montar uma lista de dúvidas que um estudante poderia levar a uma conversa de orientação: como pedir ajuda, como organizar o estudo, com quem falar diante de dificuldades. O estudo canadense relaciona saúde mental a variáveis da transição; isso não autoriza diagnosticar estudantes, mas reforça a importância de escuta e encaminhamento adequado.
5. Investigue o que uma qualificação curta pode significar
Aplicação: proponha que os estudantes analisem, em termos gerais, por que alguém poderia buscar uma formação curta: aprender uma habilidade, aproximar-se de uma área, cumprir uma exigência ou encontrar sentido em um tema. O modelo estudado na China reuniu motivações instrumentais e orientadas por valores. Uma discussão hipotética pode mostrar que duas pessoas podem frequentar o mesmo curso por razões diferentes, sem que uma delas seja menos legítima.
6. Relacione formação e território sem prometer emprego
Aplicação: uma atividade pode pedir à turma que observe quais setores, instituições formativas e necessidades comunitárias existem na região, sempre separando informação confirmada de suposição. O estudo sobre Bangladesh, Camboja e Sri Lanka e a pesquisa sobre os Institutos Federais brasileiros ajudam a formular perguntas sobre parcerias, acesso e responsabilidade pública. A aplicação não deve afirmar que determinado curso garante trabalho; pode, isso sim, ensinar a investigar as relações entre formação, comunidade e oportunidades.
7. Use uma avaliação que mostre o raciocínio, não só a escolha final
Aplicação: em vez de pedir aos estudantes que declarem qual carreira seguirão, avalie se conseguem justificar uma comparação, reconhecer informações ausentes e considerar mais de um fator. Por exemplo, uma resposta pode explicar por que salário e satisfação no trabalho não são a mesma coisa, ou por que prestígio social não prova a qualidade de uma formação. Essa proposta é uma escolha didática, não um resultado testado pelos estudos citados.
O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?
O ponto de partida brasileiro não é igual ao europeu, ao chinês, ao canadense ou aos contextos do setor de vestuário analisados na Ásia. A pesquisa sobre os Institutos Federais oferece uma referência situada no país: destaca o papel social dessas instituições, o envolvimento com comunidades, as parcerias locais e a ampliação de acesso, mas também registra desafios de percepção, recursos e concorrência com trajetórias acadêmicas (Annen, 2025). Isso permite uma conversa mais próxima, sem concluir que todos os territórios ou instituições enfrentam as mesmas condições.
Os resultados europeus sobre rendimentos não devem ser apresentados como previsão salarial para o Brasil. A análise chinesa sobre a reputação da formação profissional tampouco descreve automaticamente as escolhas de estudantes brasileiros. O estudo canadense trata de uma transição em instituições daquele país; seus achados convidam a considerar saúde mental, mas não estabelecem que a relação entre variáveis será idêntica em todas as escolas daqui. As pesquisas sobre interesses e microcredenciais também não substituem o conhecimento das oportunidades locais.
Na escola brasileira, uma adaptação cuidadosa começa por perguntar o que existe de fato no entorno: quais instituições oferecem formação, que informações são acessíveis às famílias, quais barreiras dificultam a continuidade dos estudos e como os próprios estudantes descrevem suas expectativas. O professor pode ajudar a investigar sem vender uma rota como solução garantida. É importante separar dados de opinião, reconhecer diferenças entre municípios e não reduzir uma escolha a “vocação” ou a desempenho escolar.
Também vale observar o vocabulário usado em sala. Se a formação profissional aparece apenas como alternativa para quem “não consegue” seguir um percurso acadêmico, a escola pode reforçar justamente o estigma identificado no estudo brasileiro. Em sentido inverso, promover uma trajetória profissional não exige desvalorizar a formação acadêmica. A comparação internacional sugere que a discussão mais produtiva é sobre opções, qualidade, acesso, reconhecimento e possibilidade de continuidade.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na fonte indicada, e não na leitura integral de cada publicação. Os trabalhos têm objetivos, métodos, populações e contextos diferentes; por isso, a síntese não permite fazer uma comparação direta de eficácia entre sistemas nacionais nem concluir que uma política específica causará determinado resultado no Brasil.
Ficam em aberto perguntas sobre como as trajetórias são vividas por estudantes de diferentes grupos, que condições institucionais explicam variações entre países e quais práticas de orientação têm efeitos duradouros. Para tomar decisões de política pública, desenhar um programa ou fundamentar uma intervenção, faz sentido consultar os estudos completos, verificar seus métodos e limitações e procurar pesquisas realizadas no contexto brasileiro. A leitura dos resumos é útil para localizar questões e tendências, não para substituir essa investigação.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
O tema pode render questões de leitura, debates e atividades de comparação: por exemplo, pedir que a turma diferencie um achado de uma recomendação ou compare formação profissional, prestígio e acesso sem confundir esses conceitos. O gerador de provas do GeraProva pode ajudar a criar avaliações e atividades a partir dos conteúdos trabalhados em aula; você também pode fazer o cadastro grátis para conhecer a plataforma. A ferramenta apoia a preparação, mas a escolha dos objetivos e a revisão das questões continuam com o professor.
Perguntas frequentes sobre ensino secundário e superior em outros países
O que significa educação pós-secundária nos estudos?
Educação pós-secundária é a formação realizada depois da etapa secundária, mas o termo não significa necessariamente universidade. Nos estudos analisados, ele aparece ligado a contextos diferentes: a transição para instituições pós-secundárias no Canadá, qualificações profissionais em níveis pós-secundários e superiores na União Europeia e programas de formação em países asiáticos. Por isso, é importante observar a etapa e o tipo de instituição descritos em cada pesquisa. Para conversar com a turma, vale explicar que “depois do ensino médio” pode incluir caminhos diversos, conforme o sistema educacional.
A formação profissional garante melhores salários que a acadêmica?
Não é isso que o estudo europeu permite concluir. A pesquisa encontrou retornos comparáveis entre qualificações profissionais e acadêmicas nos níveis médio, pós-secundário e superior, mas os prêmios salariais variavam entre países. A educação profissional apresentou retornos mais elevados em pouco menos de um terço dos países da UE-28. Além disso, pessoas com formação profissional de nível superior relataram maior satisfação no trabalho. Esses resultados pertencem ao contexto europeu analisado e não devem ser transformados em previsão de salário para o Brasil nem em garantia individual de emprego.
Por que a formação profissional pode ser desvalorizada?
Os estudos não apontam uma explicação única válida para todos os países. A análise histórica da China descreve mudanças na reputação e nas escolhas ao longo de diferentes períodos: a formação profissional passou de primeira opção a última opção na avaliação social apresentada pelo estudo. No Brasil, a pesquisa sobre os Institutos Federais registra desafios de percepção pública, restrições financeiras e concorrência com trajetórias acadêmicas. Em sala, é possível discutir como o prestígio atribuído a um caminho influencia decisões, sem concluir que todos os estudantes ou regiões pensam do mesmo modo.
Interesses dos adolescentes precisam se transformar em uma carreira definida?
Os achados sobre adolescentes neerlandeses sugerem cautela com a ideia de que cada jovem precisa aprofundar um único interesse de forma linear. O estudo identificou processos em que um interesse nasce de outro, interesses diferentes são vividos ao mesmo tempo ou ganham significado em conjunto. Isso não significa que todo interesse se converterá em carreira, nem que a pesquisa prescreva uma orientação escolar específica. Uma aplicação possível é ajudar o estudante a reconhecer conexões entre temas de que gosta, sem exigir uma decisão definitiva ou prometer que um interesse determinará seu futuro profissional.
O que os estudos dizem sobre saúde mental na transição para o ensino superior?
Na pesquisa canadense, ansiedade e depressão foram as variáveis significativamente relacionadas a todas as variáveis do modelo analisado, incluindo resiliência acadêmica e pontuações de mudança nas notas. Autoeficácia mais alta e locus de controle interno se relacionaram a maior resiliência acadêmica, mas não a mudanças na média de notas. O estudo indica que a transição envolve fatores além da preparação acadêmica, mas não autoriza diagnosticar estudantes a partir do desempenho. Na escola, uma aplicação responsável é valorizar a escuta e encaminhar preocupações pelos canais adequados.
Como comparar sistemas de outros países sem copiar suas políticas?
Comece identificando a pergunta de cada estudo, o país, a etapa educacional e o resultado analisado. Retorno salarial, prestígio social, saúde mental e organização de programas de formação são dimensões diferentes. Depois, pergunte o que existe de semelhante ou diferente no contexto brasileiro e quais informações locais faltam. A pesquisa sobre os Institutos Federais oferece um ponto de referência nacional, enquanto os demais estudos ajudam a ampliar as perguntas. Comparar não significa importar uma regra: significa reconhecer alternativas e avaliar com cuidado se uma ideia faz sentido para a realidade da escola e da comunidade.
Referências dos estudos citados
- McGuinness, Seamus; Kelly, Lorcan; Devlin, Anne; Whelan, Adele (2026). Educação Profissional, Rendimentos e Satisfação no Trabalho na Europa (Vocational Education, Earnings and Job Satisfaction in Europe). Education Economics. Link.
- Hao, Tiancong; Wang, Weiping; Wang, Geng; Yang, Qiuyue; Ma, Kang (2025). De “escolhidos” a “sobras”: uma análise histórica do sistema de educação e formação profissional da China, 1949-2023 (From “Chosen Ones” to “Leftovers”: A Historical Analysis of China's Vocational Education and Training System, 1949-2023). Education & Training. Link.
- Badal, Ana; Wanstall, Elizabeth; Proulx, Guy (2025). A influência de traços de resiliência e de sintomas internalizantes de saúde mental na transição do ensino secundário para o pós-secundário no Canadá (The Influence of Traits of Resilience and Internalising Symptoms of Mental Health on the Transition from Secondary to Post-Secondary in Canada). European Journal of Education. Link.
- Draijer, Jael; Bronkhorst, Larike; Akkerman, Sanne (2026). Desenvolvimento entrelaçado dos interesses dos adolescentes (Intertwined Development of Adolescents' Interest Pursuits). Journal of Adolescent Research. Link.
- Maurer, Markus; Shimu, Sheikh Shahana; Veung, Naron (2025). O surgimento de programas de formação para a indústria do vestuário: análise dos casos de Bangladesh, Camboja e Sri Lanka sob uma perspectiva histórico-institucional (The Emergence of Training Programmes for the Garment Industry: Analysing the Cases of Bangladesh, Cambodia and Sri Lanka from a Historical-Institutionalist Perspective). International Journal of Training and Development. Link.
- Gao, Tingting (2025). Motivação para obter microcredenciais: modelo teórico e estratégias de expansão (Motivation for Obtaining Micro-Credentials: Theoretical Model and Growth Strategies). Education & Training. Link.
- Annen, Silvia; Sailer-Frank, Sabrina; Schiedeck, Claudia (2025). Superando as desigualdades: o papel social dos Institutos Federais no sistema de educação profissional do Brasil (Overcoming Inequalities: The Social Role of the Federal Institutes in Brazil's Vocational Education System). Education & Training. Link.
Se esse tema aparece nas conversas da sua turma, escolha uma pergunta para começar e investigue com os estudantes quais caminhos de formação existem de verdade no território de vocês.
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