Ensino de história no currículo nacional: quando avaliar também define o que se ensina
Pesquisas em dez países mostram como currículos de História articulam conhecimento, avaliação, democracia e identidade. A tensão entre competências, conteúdos e provas ajuda a pensar escolhas possíveis na escola brasileira.
O que deve pesar mais no currículo de História: os conteúdos que a turma precisa conhecer ou as competências que precisa desenvolver? A pesquisa recente mostra que essa escolha não fica só no documento curricular. Ela aparece também nas avaliações, nas narrativas históricas e nas oportunidades de relacionar passado e presente.
Estudos de diferentes países oferecem pistas úteis, sem uma receita pronta para o Brasil. A seguir, organizamos o que investigaram e relataram, destacando tanto os pontos de aproximação quanto as diferenças que ajudam a pensar o planejamento docente.
O que é ensino de História e currículo nacional em países estrangeiros e por que importa para o professor
O currículo nacional é o conjunto de orientações que um país estabelece para organizar objetivos, conteúdos e expectativas de aprendizagem. No ensino de História, isso pode definir quais processos e grupos aparecem, quais capacidades são valorizadas e que papel a disciplina desempenha na formação dos estudantes. Na rotina escolar, o currículo não chega à sala de aula sozinho: o professor o interpreta ao escolher fontes, propor atividades, organizar sequências e avaliar a aprendizagem.
Os estudos reunidos aqui tratam currículo de maneiras diferentes. Alguns analisam documentos oficiais; outros examinam livros didáticos, práticas avaliativas ou o modo como professores integram referências locais. Em comum, colocam uma questão concreta para quem ensina: o que acontece com as intenções curriculares quando elas encontram a avaliação, o tempo disponível e as escolhas pedagógicas?
Olhar para outros países não significa importar suas regras. Serve para enxergar decisões que, às vezes, parecem naturais — como privilegiar determinados conteúdos, tratar a democracia como objetivo explícito ou deixar a história local à margem — e perguntar que efeitos elas podem ter. Para o professor brasileiro, a comparação é uma ferramenta de reflexão, não um modelo a copiar.
O que a pesquisa recente mostra
Os estudos recentes não oferecem uma única resposta sobre o currículo de História. Em conjunto, mostram que as prioridades curriculares dependem da relação entre o que se pretende ensinar, o que se avalia e as narrativas que ganham espaço.
A avaliação não apenas mede: também influencia o currículo que se ensina
Na Noruega, uma pesquisa qualitativa com entrevistas a 18 professores de História do ensino médio investigou como a avaliação condiciona a construção curricular docente. Os professores relataram uma tensão no currículo nacional LK20: desenvolver habilidades e capacidades dos estudantes sem separar essas capacidades dos conhecimentos específicos da disciplina. O exame também aparece como influência dominante, afetando a seleção de conteúdos e as estratégias de avaliação ao longo do ano (Grø, 2026).
Esse achado aproxima currículo planejado e currículo vivido. Quando uma prova é percebida como decisiva, ela pode orientar com antecedência o que recebe mais tempo e atenção. Os professores noruegueses também descrevem o exame como um momento em que limites disciplinares são negociados com examinadores externos. O estudo destaca o diálogo e a colaboração como importantes para alinhar expectativas e preservar a integridade da avaliação.
Em outro contexto, estudantes do 9º ano foram comparados em tarefas de avaliação de fontes históricas e de fontes da internet. O desempenho médio foi semelhante, mas a distribuição das notas diferiu; houve correlação moderada entre os resultados. A maioria dos professores considerou importante transferir essa habilidade para o uso da internet, mas nenhum dos estudantes entrevistados a mencionou espontaneamente. Os autores sugerem explicitar a relação entre os dois tipos de fonte (Eem, 2025).
A conexão é útil: avaliar não é apenas atribuir nota, e ensinar a avaliar fontes não garante, por si só, que os estudantes reconheçam onde mais podem usar essa aprendizagem. A transferência precisa virar objeto de conversa e atividade.
Currículos podem ampliar vozes — mas a implementação não vem garantida
Na Indonésia, uma análise qualitativa de documentos curriculares e livros didáticos comparou o Currículo de 2013 e o Currículo Merdeka pelo modo como incorporam gênero. Os dois enfatizam a identidade nacional, mas o Merdeka apresenta uma postura mais progressista, integrando historiografia feminista e narrativas multidimensionais. A análise identifica maior visibilidade das contribuições das mulheres e uma mudança em direção ao reconhecimento e à justiça redistributiva (Abdilla, 2025).
O estudo, porém, distingue mudança no currículo de mudança comprovada na sala de aula: a extensão da implementação não foi testada. Os autores apontam preocupações com a preparação docente e destacam a formação de professores e a continuidade da reforma como pontos importantes. A inclusão de novas vozes, portanto, não depende só de inserir uma orientação no documento; envolve interpretação e condições de ensino.
Uma questão semelhante aparece em Ciamis, também na Indonésia, onde o estudo sobre valores de Kagaluhan investiga como conhecimentos locais podem se integrar ao ensino médio. Os achados relatam que aprendizagem conectada, aprendizagem baseada em problemas e aprendizagem baseada em projetos favoreceram a consciência histórica e o desenvolvimento do caráter naquele caso. Políticas curriculares, recursos de aprendizagem e compreensão docente foram desafios significativos (Wijayanti, 2025).
Esse estudo enfatiza uma lacuna entre história local e currículo nacional. A proposta não é tratar qualquer referência local como automaticamente adequada, mas reconhecer que a relação entre escalas — comunidade, região, país e mundo — pode ser objeto de planejamento. O contexto é específico: valores de Kagaluhan ligados a uma tradição da região de Ciamis não são conteúdos transferíveis literalmente para o Brasil.
Democracia pode estar no currículo de História de forma explícita ou indireta
Na Finlândia, a cidadania democrática não aparece como objetivo explícito do ensino de História no currículo básico analisado, embora os objetivos da disciplina se relacionem a competências cívicas. O artigo argumenta que a ênfase em construir, analisar e avaliar interpretações históricas pode ofuscar objetivos sociais e políticos mais diretos. Também sugere que conceitos de terceira ordem, voltados aos significados pessoais que a História tem para o estudante, poderiam contribuir para a cidadania democrática (Löfström, 2025).
Na Espanha, por outro lado, a análise do currículo mais recente encontrou uma ampliação da presença da “consciência democrática”. Competências e critérios de avaliação são vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a uma democracia multicultural e constitucional. O novo decreto inclui temas como minorias, escravidão, vítimas da ditadura, memória, direitos das pessoas LGBTIQ+ e igualdade de gênero (Moreno-Vera, 2025).
Já a análise dos documentos curriculares de Gana identifica consciência histórica e democrática expressa por conceitos como cidadania e comunidade, além de valores como honestidade, respeito e tolerância à diversidade cultural e religiosa. O currículo analisado relaciona História à formação de cidadãos nacionais e globais responsáveis, capazes de conectar passado, presente e futuro (Boadu, 2025).
Os casos não são equivalentes: um estudo ressalta objetivos implícitos e possíveis lacunas; outro descreve a ampliação de temas e vínculos curriculares; o terceiro analisa discursos presentes em documentos. Mas juntos levantam uma pergunta prática: quando a História contribui para a cidadania, essa finalidade está visível no planejamento ou fica apenas presumida?
O que fica de fora também faz parte da narrativa curricular
Na Austrália, História é obrigatória do ensino primário até o 10º ano, segundo o estudo sobre documentos curriculares nacionais. A análise examina como formas de governo são apresentadas em perspectivas históricas e atuais. Os autores identificam oportunidades perdidas para trabalhar temas contemporâneos de cidadania, democracia e funções do governo, em favor de conteúdos que permanecem concentrados no passado e em seu contexto cronológico (Nally, 2025).
Na Suécia, a análise do currículo de 2022 descreve uma diferença entre a concepção de democracia que atravessa as disciplinas e a que aparece no programa de História. O currículo geral enfatiza continuidade e aprimoramento de uma ordem estabelecida; o programa de História é descrito como mais radical, destacando transformação e resistência com base em argumentos de equidade. Nele, conceitos ligados à democracia crítica ganham destaque, enquanto o nacionalismo é atenuado em favor de termos como “local-global” (Edling, 2025).
O estudo comparativo de Gana e Paquistão examina como os currículos abordam colonialismo e seus efeitos. A análise relata que o currículo de História não problematiza a colonização e o período colonial na história de Gana e que, no contexto paquistanês, os efeitos da colonização são apagados quando o processo é apresentado como fatos e números, sem abordagem crítica (Bonney, 2025).
Essas pesquisas chamam atenção para escolhas de enquadramento: um tema pode aparecer, mas ser apresentado sem debate sobre consequências; uma história pode conectar-se ao presente ou permanecer isolada numa cronologia; certos grupos podem receber maior visibilidade. Não é necessário transformar toda aula em discussão política. É possível, porém, observar quais perguntas e perspectivas os materiais permitem formular.
Os estudos lado a lado
A tabela resume o foco e os achados descritos nos resumos. Países, etapas e objetos variam, portanto as linhas não devem ser lidas como uma comparação direta de desempenho entre sistemas escolares.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Grø, 2026 | Como avaliação molda a construção curricular docente. | Tensão entre competências e conhecimentos; exame influencia conteúdos e avaliação. | Noruega; 18 professores de História do ensino médio. |
| Eem, 2025 | Desempenho ao avaliar fontes históricas e da internet; perspectivas de estudantes e professores. | Desempenho médio semelhante, distribuição diferente e correlação moderada; estudantes não fizeram espontaneamente a conexão. | 9º ano; 112 estudantes na comparação e entrevistas com 8 estudantes e 8 professores; país não indicado no resumo. |
| Abdilla, 2025 | Representação de gênero em dois currículos e livros didáticos. | Merdeka integra historiografia feminista e narrativas multidimensionais; implementação não testada. | Indonésia; Currículo de 2013 e Currículo Merdeka. |
| Wijayanti, 2025 | Integração de valores locais de Kagaluhan ao ensino de História. | Relata contribuição para consciência histórica e caráter, com desafios de política, recursos e compreensão docente. | Ciamis, Indonésia; ensino médio. |
| Löfström, 2025 | Como currículo de História se relaciona à cidadania democrática. | Objetivo não é explícito na disciplina; competências cívicas são relacionadas aos objetivos e há proposta de valorizar significados pessoais da História. | Finlândia; anos finais do ensino fundamental. |
| Moreno-Vera, 2025 | Discursos de valores democráticos no currículo recente. | Ampliação da consciência democrática, com temas de memória, direitos, minorias e igualdade. | Espanha; currículo de História. |
| Boadu, 2025 | Interseções entre consciência histórica e democrática em documentos curriculares. | Destaca cidadania, comunidade, respeito e tolerância, relacionando passado, presente e futuro. | Gana; estrutura pré-terciária e currículo primário. |
| Nally, 2025 | Valores democráticos e formas de governo em documentos curriculares. | Aponta oportunidades perdidas de conectar conteúdos históricos a temas atuais de cidadania e governo. | Austrália; História obrigatória até o 10º ano. |
| Edling, 2025 | Discursos democráticos no currículo e programa de História. | Descreve ênfase geral na continuidade e programa de História mais ligado à transformação, resistência e equidade. | Suécia; currículo e programa de 2022. |
| Bonney, 2025 | Abordagem curricular do colonialismo e seus efeitos. | Relata falta de problematização em Gana e apagamento de efeitos no Paquistão. | Gana e Paquistão; currículos de História. |
Quais pontos em comum e divergências aparecem nos estudos?
Um ponto comum é que o currículo não se reduz a uma lista de temas. Avaliação, critérios, materiais, discursos de cidadania e práticas docentes influenciam o sentido do que é ensinado. A pesquisa norueguesa mostra a força das avaliações sobre prioridades; os estudos sobre gênero, democracia e colonialismo mostram que a seleção e o enquadramento dos conteúdos também comunicam posições.
Outra aproximação é a preocupação com conexões: entre competências e conhecimentos disciplinares, entre fontes históricas e digitais, entre história local e nacional, ou entre passado e presente. Em vários resumos, o problema não é simplesmente a ausência de conteúdo, mas a dificuldade de tornar explícita uma relação que poderia orientar a aprendizagem.
As diferenças são importantes. Há estudos sobre documentos curriculares, outros sobre professores, estudantes ou uma experiência localizada. Alguns relatam uma ampliação de temas democráticos ou de gênero; outros apontam objetivos implícitos, oportunidades perdidas ou lacunas críticas. Não se pode concluir que um país ensina melhor História que outro, nem que uma mesma estratégia produziria os mesmos resultados em todos os contextos.
Também permanece em aberto como as orientações curriculares se realizam no cotidiano. No caso indonésio sobre gênero, a implementação não foi testada; no estudo de Ciamis, desafios práticos são relatados; na Noruega, professores descrevem a influência do exame. As fontes mostram ângulos diferentes, mas não resolvem sozinhas como equilibrar profundidade de conteúdo, avaliação e objetivos formativos em cada escola.
O que isso significa para a sala de aula?
Os estudos não prescrevem um roteiro único para professores brasileiros. As ideias abaixo são aplicações possíveis inspiradas nos problemas que eles levantam, não resultados testados por essas pesquisas em escolas do Brasil.
1. Planeje o que a avaliação realmente valoriza
Aplicação: antes de fechar uma prova, confira se as questões exigem apenas recordar informações ou também mobilizar conhecimento histórico para interpretar evidências. Imagine uma turma de 8º ano estudando mudanças políticas: uma questão pode pedir que os estudantes comparem duas fontes e justifiquem o que cada uma permite afirmar. O objetivo não é abandonar a verificação de conteúdos, mas fazer com que a avaliação não premie uma coisa enquanto o planejamento anuncia outra.
2. Ensine explicitamente a passagem da fonte histórica à informação digital
Aplicação: escolha uma fonte histórica e uma publicação digital sobre um tema próximo, e peça que a turma compare autoria, propósito, evidências e contexto. Imagine estudantes analisando um relato de época e uma postagem contemporânea que o cita. Reserve um momento para perguntar como os critérios usados na aula podem ajudar numa busca na internet. Essa conversa responde à distância observada entre a percepção dos professores e a dos estudantes no estudo comparativo.
3. Pergunte quem aparece e quem falta nas narrativas
Aplicação: ao trabalhar um tema, proponha que os estudantes identifiquem quais grupos aparecem nas fontes e quais perspectivas parecem menos visíveis. Imagine uma sequência sobre transformações sociais em que a turma compara personagens, experiências e pontos de vista presentes nos materiais disponíveis. A intenção não é acrescentar nomes de forma decorativa, mas discutir como a seleção de narrativas molda a compreensão do processo histórico.
4. Conecte história local a processos mais amplos
Aplicação: comece por uma prática, lugar ou memória da comunidade e pergunte como ela se relaciona a mudanças regionais, nacionais ou globais. Imagine uma turma investigando a origem de uma atividade econômica local e comparando fontes familiares, comunitárias e institucionais. O caso de Kagaluhan não pode ser transplantado, mas oferece uma pergunta de planejamento: que conhecimentos locais têm significado para esta comunidade e como podem ser ensinados com contexto e fontes?
5. Torne visíveis as ligações entre História e cidadania
Aplicação: ao final de uma unidade, peça que os estudantes relacionem um processo do passado a uma questão pública atual, sem tratar o passado como cópia do presente. Imagine uma aula sobre formas de governo em que a turma distingue o contexto histórico estudado das instituições atuais e discute quais continuidades ou diferenças consegue justificar. Isso pode deixar explícita uma finalidade cívica que, como mostra o caso finlandês, nem sempre aparece como objetivo direto da disciplina.
6. Discuta consequências, não apenas acontecimentos
Aplicação: ao abordar colonialismo, migrações, conflitos ou mudanças sociais, verifique se as atividades tratam somente de datas e eventos ou também das consequências e das interpretações. Imagine estudantes organizando uma linha de argumentos a partir de fontes, distinguindo o que cada evidência sustenta. Essa proposta não determina uma conclusão política; ajuda a evitar que processos complexos sejam apresentados como uma sequência de fatos sem análise.
7. Combine expectativas de aprendizagem entre docentes
Aplicação: se mais de um professor participa do planejamento ou da avaliação, conversem sobre o que conta como uma boa interpretação histórica. Imaginem uma equipe que alinha critérios para avaliar uso de evidências e explicação de contexto, mantendo espaço para diferenças de abordagem. A pesquisa norueguesa aponta o valor do diálogo e da colaboração diante de expectativas de avaliação que podem moldar o currículo na prática.
O que muda no contexto brasileiro?
Os estudos descrevem países e políticas diferentes: Noruega, Indonésia, Finlândia, Espanha, Gana, Austrália, Suécia, Paquistão e, no estudo sobre fontes digitais, um contexto nacional que o resumo não identifica. Nenhum desses documentos é uma regra brasileira. A comparação serve para formular perguntas, não para afirmar que os mesmos problemas ou soluções se aplicam automaticamente às escolas daqui.
Uma adaptação responsável começa por olhar para as condições concretas da escola: tempo para planejar, materiais disponíveis, conhecimentos da turma e objetivos de aprendizagem adotados localmente. A história de uma comunidade brasileira não equivale à tradição de Kagaluhan, assim como a discussão curricular sobre colonialismo em Gana ou Paquistão não descreve diretamente o Brasil. Ainda assim, as pesquisas ajudam a pensar como abordar histórias locais, relações coloniais e grupos pouco visibilizados com fontes e contexto.
Também vale separar intenção curricular e efeito comprovado. Um documento pode incluir temas de gênero ou democracia sem que isso demonstre como cada professor os desenvolve ou como os estudantes os compreendem. Do mesmo modo, uma avaliação pode ser importante sem ser o único fator que determina o ensino. Para o professor, a questão útil é observar alinhamento: as atividades, os conteúdos e os critérios de avaliação sustentam as finalidades que a escola pretende alcançar?
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, não na leitura integral dos textos. Por isso, apresenta os objetivos e resultados descritos nesses resumos e não detalha procedimentos além do que eles informam. Os trabalhos também diferem em método, escala e objeto: há análises de documentos, entrevistas, comparação de tarefas e estudo de caso. Seus resultados não podem ser somados como se viessem de uma única investigação.
Ficam em aberto perguntas importantes: como estudantes interpretam, na prática, currículos com novos temas? Que estratégias ajudam professores a integrar história local sem perder relações mais amplas? Como diferentes formatos de avaliação influenciam o que se ensina durante o ano? E que efeitos têm as propostas de aproximar História, democracia e avaliação de fontes digitais em contextos escolares distintos?
Faz sentido consultar o estudo completo quando você precisar conhecer detalhes metodológicos, compreender melhor os conceitos usados, examinar instrumentos e exemplos ou apoiar uma decisão de formação e planejamento com evidências mais aprofundadas. Em especial, propostas para mudar currículo, avaliação ou materiais exigem conhecer o contexto e os limites de cada investigação.
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Perguntas frequentes sobre ensino de História e currículo nacional
O que os estudos querem dizer com currículo de História?
Nos estudos reunidos, currículo pode ser um documento que define objetivos e temas, mas também o que ganha espaço na prática. Alguns trabalhos analisam documentos nacionais; outros consideram livros didáticos, avaliação e escolhas de professores. A pesquisa norueguesa, por exemplo, mostra que exames podem influenciar seleção de conteúdos e estratégias avaliativas. Já as análises de gênero e democracia observam como determinados temas aparecem nos documentos. Para o professor, currículo é tanto orientação quanto interpretação: o modo como se transforma em atividade, sequência e avaliação importa.
É possível ensinar avaliação de fontes históricas e de fontes da internet na mesma aula?
O estudo comparativo com estudantes do 9º ano investigou as duas tarefas e encontrou desempenho médio semelhante, embora a distribuição das notas fosse diferente e houvesse correlação moderada entre as pontuações. Os autores sugerem que aulas de História são um espaço apropriado para trabalhar também fontes da internet, desde que a relação entre elas seja explicitada. Isso não significa que a pesquisa tenha testado uma sequência didática única. Uma aplicação possível é comparar autoria, propósito, evidência e contexto em uma fonte histórica e numa publicação digital.
Os currículos estrangeiros provam que a História deve priorizar democracia?
Não. Os estudos analisam como diferentes currículos tratam cidadania e democracia, e chegam a descrições distintas. Na Finlândia, a cidadania democrática não aparece como objetivo explícito da disciplina, embora haja competências relacionadas; na Espanha, o estudo relata ampliação da consciência democrática e presença de temas como memória, minorias e igualdade. Gana também associa História, cidadania e valores democráticos. Esses resultados ajudam a discutir finalidades da disciplina, mas não estabelecem uma regra universal nem determinam como o currículo brasileiro deve ser organizado.
Como incluir história local sem perder o currículo mais amplo?
Uma possibilidade é conectar uma questão da comunidade a processos de outras escalas, em vez de tratar a história local como um bloco isolado. O estudo de Ciamis analisou valores de Kagaluhan em um contexto específico da Indonésia e relatou desafios de política curricular, recursos e compreensão docente. Ele não oferece uma receita transferível ao Brasil, mas evidencia a importância de condições para integrar conhecimentos locais. Na prática, o professor pode selecionar uma memória, atividade ou lugar da comunidade e investigar como se relaciona a mudanças regionais ou nacionais, utilizando fontes e explicando limites das comparações.
O que significa dizer que um currículo apaga ou deixa de problematizar uma história?
Significa que a narrativa pode mencionar um processo sem examinar suas consequências, perspectivas ou relações de poder, ou pode deixar aspectos relevantes pouco visíveis. A análise curricular de Gana e Paquistão relata que a colonização não é problematizada no currículo ganês e que os efeitos da colonização são apagados no paquistanês quando o tema aparece como fatos e números, sem abordagem crítica. Esse resultado se refere aos currículos analisados nesses contextos. Como aplicação, professores podem perguntar que evidências sustentam uma narrativa, que consequências ela apresenta e que perspectivas estão ausentes.
As pesquisas mostram que uma nova orientação curricular muda a prática automaticamente?
Não. O estudo indonésio sobre gênero compara documentos curriculares e livros didáticos e registra maior presença de narrativas feministas no Currículo Merdeka, mas informa que a extensão da implementação não foi testada. Os autores apontam formação docente e condições de implementação como questões importantes. Em Ciamis, o estudo sobre história local relata desafios ligados a políticas, recursos e compreensão dos professores. Esses casos indicam que mudança documental e mudança em sala são dimensões diferentes. Para avaliar uma proposta, é necessário observar como professores a interpretam e que condições têm para aplicá-la.
Referências
- Grǿnset, Thomas Leming; Eide, Liv; Kvam, Edel Karin (2026). O papel da avaliação na construção curricular dos professores: perspectivas de professores de História noruegueses (The Role of Assessment in Teachers' Curriculum Making: Insights from Norwegian History Teachers). Curriculum Journal. Link.
- van der Eem, Maartje; van Drie, Jannet; Brand-Gruwel, Saskia; van Boxtel, Carla (2025). Estudantes avaliando a confiabilidade de fontes históricas e de fontes da internet: uma comparação (Students Evaluating the Trustworthiness of Historical Sources and Internet Sources: A Comparison). British Educational Research Journal. Link.
- Abdilla, Ardeti Jeni; Sariyatun; Drajati, Nur Arifah (2025). Um Caminho para a Equidade: Desvelando o Discurso de Gênero no Paradigma do Currículo de Ensino de História da Indonésia (A Pathway to Reach Equity: Unearthing Gender Discourse in the Paradigm of Indonesian History Education Curriculum). Education as Change. Link.
- Wijayanti, Yeni; Warto; Wasino; Djono (2025). Fortalecimento da identidade cultural dos estudantes por meio do ensino de História baseado nos valores da sabedoria local de Kagaluhan (Enhancing Students' Cultural Identity through History Education Based on Local Wisdom of Kagaluhan Values). Educational Process: International Journal. Link.
- Löfström, Jan (2025). Lendo nas entrelinhas: cidadania democrática no currículo de História dos anos finais do ensino fundamental na Finlândia (Reading between the Lines: Democratic Citizenship in the History Curriculum in Lower Secondary Education in Finland). Citizenship, Social and Economics Education. Link.
- Moreno-Vera, Juan Ramón (2025). Discursos sobre a consciência democrática no ensino de História: o currículo espanhol (Democratic Consciousness' Discourses in History Education: The Spanish Curriculum). Citizenship, Social and Economics Education. Link.
- Boadu, Gideon (2025). Discursos da consciência histórica e democrática em documentos curriculares de Gana (Discourses of Historical and Democratic Consciousness in Ghanaian Curriculum Documents). Citizenship, Social and Economics Education. Link.
- Nally, David; Sharp, Heather (2025). Discursos da consciência democrática em documentos fundamentais do currículo australiano (Discourses of Democratic Consciousness in Key Australian Curriculum Documents). Citizenship, Social and Economics Education. Link.
- Edling, Silvia (2025). A educação histórica como força para uma democracia disruptiva? Um estudo crítico do discurso do currículo e do programa curricular de História da Suécia de 2022 (History Education as a Force for Interruptive Democracy? A Critical Discourse Study of the Swedish History Curriculum and Syllabus from 2022). Citizenship, Social and Economics Education. Link.
- Bonney, Edwin Nii; Shad, Sadia (2025). Apagamento da história, colonialismo e seus efeitos: uma análise crítica do discurso dos currículos de História de Gana e do Paquistão (Erasure of History, Colonialism, and Its Effects: A Critical Discourse Analysis of the Ghanaian and Pakistani History Curricula). Journal of Curriculum and Pedagogy. Link.
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