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Desenvolvimento curricular e atitudes docentes: autonomia com limites

Estudos recentes mostram que as atitudes docentes influenciam como reformas curriculares chegam à sala de aula. Autonomia, apoio, condições de trabalho e alinhamento com os estudantes podem favorecer ou limitar mudanças.

Desenvolvimento curricular e atitudes docentes: autonomia com limites

As atitudes dos professores influenciam como uma reforma curricular é interpretada e aplicada, mas não agem sozinhas. Estudos recentes mostram que autonomia, formação, recursos e condições de trabalho também pesam: podem abrir espaço para novas práticas ou limitar mudanças. Por isso, compreender as percepções docentes ajuda a planejar reformas mais próximas da realidade da escola.

Por que uma reforma curricular pode parecer clara no documento e, ainda assim, chegar de formas diferentes às salas de aula? A resposta passa pelas interpretações, pelas condições de trabalho e pela autonomia real dos professores. Pesquisas recentes mostram que mudar o currículo não é apenas substituir conteúdos: também é negociar objetivos, práticas e relações dentro da escola.

Os estudos aqui reunidos ajudam a entender essa distância entre o que uma reforma propõe e o que acontece no cotidiano. Eles trazem um ponto importante para a prática: a atitude docente importa, mas não age isolada de apoios, recursos, avaliações e expectativas dos estudantes.

O que é desenvolvimento curricular, mudança educacional e atitudes docentes e por que importa para o professor?

Desenvolvimento curricular é o processo de definir, organizar, adaptar e colocar em prática aquilo que se espera que os estudantes aprendam. Mudança educacional é a transformação de prioridades, métodos ou formas de avaliar. Atitudes docentes são as percepções, convicções e disposições dos professores diante dessas propostas. Na escola, os três aspectos se encontram quando a equipe interpreta uma orientação, planeja uma unidade, escolhe atividades e observa o que os alunos conseguem fazer.

Isso importa porque currículo prescrito e currículo vivido não são automaticamente iguais. Uma orientação pode propor aprendizagem centrada no estudante, mas sua implementação depende de como o professor compreende essa ideia, do que considera viável e dos recursos disponíveis. Também depende de como os estudantes entendem seus papéis e os objetivos das aulas. Portanto, atitude não significa simplesmente “ser a favor” ou “ser contra” uma reforma: envolve interpretar, adaptar, testar e, às vezes, questionar uma proposta.

Os estudos recentes mostram situações variadas: autonomia que existe, mas é limitada por exigências de avaliação; professores que percebem valor numa abordagem, embora enfrentem falta de materiais; e mudanças de prática que se tornam possíveis quando há espaço coletivo para aprender. Em conjunto, ajudam a olhar para a reforma sem reduzir seus resultados à vontade individual de cada professor.

O que a pesquisa recente mostra?

A autonomia docente existe, mas pode ter fronteiras institucionais

Uma pesquisa qualitativa em três escolas públicas de ensino fundamental no Vietnã investigou como professores, diretores e coordenadores interpretavam e exerciam a autonomia curricular, pedagógica e avaliativa durante a reforma educacional de 2018. Os resultados relatam que os professores adaptavam conteúdos, selecionavam métodos e utilizavam avaliações formativas. Essa margem de decisão, porém, não era igual em todos os domínios: as exigências de avaliação somativa e as pressões por responsabilização continuavam a orientar decisões importantes (Truong, 2026).

Os autores descrevem essa condição como uma “liberdade delimitada”. A autonomia era negociada conforme o contexto e também influenciada por uma implementação assimétrica da reforma e por normas de hierarquia e conformidade coletiva. O estudo sugere que a autonomia significativa requer apoios estruturais, profissionais e culturais, não apenas uma declaração de que o professor tem liberdade para decidir.

Outra pesquisa, também no Vietnã, acompanhou longitudinalmente como professores do ensino médio construíam sentidos sobre competências e adaptavam suas práticas. Os participantes foram ambivalentes diante das competências do novo currículo e do alinhamento de suas práticas à reforma. Ao mesmo tempo, associaram competências a conhecimentos e habilidades fundamentais, atitudes, caráter e moralidade; com o passar dos anos, deram mais ênfase à aplicação em situações da vida real e ao desenvolvimento integral (Duong, 2025). A mudança, nesse caso, aparece como interpretação em evolução, não como simples execução de instruções.

A reforma depende de apoio, formação e condições de trabalho

Em Gana, entrevistas com professores de educação infantil sobre STEAM — integração de ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática — encontraram percepções positivas sobre o potencial da abordagem para criatividade, resolução de problemas e trabalho em grupo. Os professores também relataram formação limitada, turmas numerosas e falta de materiais. O estudo conclui que o potencial da proposta depende de apoio, desenvolvimento profissional e recursos (Buabeng, 2026).

Esse contraste é útil: reconhecer valor pedagógico numa ideia não garante que seja possível realizá-la nas condições disponíveis. Uma atitude favorável pode conviver com obstáculos concretos. Por isso, quando uma estratégia não aparece na rotina, não é suficiente concluir que faltou disposição individual; vale perguntar se houve tempo, materiais, formação e apoio para experimentar.

Também em Gana, um estudo qualitativo sobre aprendizagem profissional de professores de ciências acompanhou uma intervenção em seis escolas de ensino fundamental II. Um professor de cada escola participou de seis sessões de Laboratório de Mudança ao longo de três meses, com entrevistas e observações de aulas. As práticas se alteraram em quatro áreas: uso de perguntas, avaliação, ensino para além da sala e planejamento de atividades variadas. A pesquisa relata que práticas antes vistas pelos participantes como impossíveis se tornaram viáveis ao explorarem novas formas de implementar o currículo, apesar de condições desafiadoras (Coffie, 2025).

O resultado não significa que uma mesma intervenção funcione automaticamente em qualquer escola. Mostra, naquele contexto, que a aprendizagem profissional organizada em torno de problemas reais da prática pode ajudar professores a experimentar mudanças factíveis. O suporte não substitui a agência docente; pode ampliá-la.

Percepções positivas não são garantia de impacto ou de alinhamento

No País de Gales, uma pesquisa de métodos mistos avaliou uma reforma para os primeiros anos chamada Fase de Fundação, implementada em 2008 e centrada na criança. O estudo examinou especialmente estudantes de contextos desfavorecidos. Encontrou uma divergência: as percepções docentes sobre os benefícios do programa para crianças em situação de pobreza eram positivas, mas o impacto medido no desempenho foi mais modesto (Jones, 2025).

Essa diferença não torna inúteis as percepções dos professores nem permite concluir que a reforma não tenha valor. Ela lembra que satisfação, intenção pedagógica e resultados aferidos são dimensões distintas. Uma avaliação cuidadosa precisa perguntar o que mudou, para quem e em que medida, sem tomar uma impressão favorável como prova suficiente de impacto.

Um estudo de caso em uma turma de ciências do oitavo ano investigou desafios de implementação de um currículo orientado por reformas. A professora relatava resistência dos estudantes; a análise encontrou que alunos e professora construíam ideias diferentes sobre os objetivos da aula e sobre os papéis de cada um. Havia desalinhamento quanto à finalidade da agência e da colaboração estudantil e a como deveriam interagir (Alzen, 2025).

Esse achado ajuda a compreender por que uma proposta participativa pode não ser recebida como o professor espera. Se o docente entende a colaboração como parte central da aprendizagem, mas os alunos esperam outra dinâmica, a mudança precisa ser tornada compreensível na própria aula. O estudo propõe que compreender esses “mundos figurados” diferentes pode apoiar ambientes mais colaborativos e produtivos.

As convicções dos professores são diversas e mudam ao longo do tempo

Na Coreia do Sul, uma pesquisa explorou as trajetórias profissionais de dois professores ao longo de três décadas de reformas curriculares. Um deles buscava alinhar os métodos às reformas; o outro compreendia o ensino como ato político e destacava a agência interpretativa do professor para contestar fronteiras rígidas entre política e prática. Ao justapor as trajetórias, os autores defendem uma história curricular que reconheça experiências docentes diversas, inclusive vozes frequentemente marginalizadas (So, 2025).

O estudo não apresenta essas duas posições como uma disputa que precisa ser resolvida escolhendo um lado. Em vez disso, evidencia que professores se relacionam de modos diferentes com o sistema curricular e que sua agência pode incluir alinhamento, interpretação ou contestação. Para compreender uma mudança, portanto, é útil escutar como os próprios docentes explicam suas escolhas.

Na República da Irlanda, uma pesquisa quantitativa examinou as perspectivas de professores do ensino primário sobre currículos de educação religiosa, ética, multirreligiosa e para valores vinculados a diferentes mantenedores escolares. O estudo relata variação significativa no quanto os professores se sentiam capacitados para implementar os currículos, desejo de escolha entre professores de escolas confessionais e desafios em turmas com diferentes crenças (Mullally, 2025). O contexto específico é irlandês, mas a pesquisa chama atenção para a relação entre convicções, composição da turma e sensação de preparo.

O que professores consideram difícil também influencia o currículo vivido

Uma replicação realizada vinte anos depois de uma pesquisa sobre cursos introdutórios de ciência da computação reuniu respostas de 178 educadores. O estudo encontrou uso predominante de Python e continuidade no ensino de conceitos básicos de programação, mas também identificou mudanças: os educadores ensinavam menos alguns conceitos, como herança e polimorfismo, e davam atenção limitada a ética e profissionalismo. Recursão continuava sendo considerada difícil; a maioria dos educadores do ensino médio avaliava que ela não deveria fazer parte do curso introdutório. Os participantes também apontaram dificuldades para ensinar estratégias de reflexão e planejamento (Garcia, 2025).

Esse estudo se refere à educação em computação, não ao currículo geral da educação básica. Ainda assim, mostra como concepções sobre dificuldade e relevância podem influenciar o que entra ou sai do currículo efetivamente ensinado. Também evidencia que a ambiguidade em diretrizes curriculares pode dificultar decisões docentes e que os autores apontam a necessidade de apoio para conteúdos desafiadores e de diretrizes mais claras.

Os estudos lado a lado

A tabela resume o foco e os relatos dos estudos citados. Os contextos são importantes: as pesquisas ocorreram em países, etapas e áreas diferentes, portanto seus resultados não devem ser tratados como uma receita única para toda escola.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Truong, 2026Autonomia curricular, pedagógica e avaliativa na reforma.Autonomia desigual e delimitada por avaliação e responsabilização.Vietnã; ensino fundamental; três escolas públicas.
Pé, 2026Currículo experimental de inferência estatística e seminários docentes.Materiais e abordagem considerados viáveis com suporte técnico e tarefas práticas.Hungria; ensino médio; projeto de 2019 a 2023.
Buabeng, 2026Percepções e uso de STEAM no currículo baseado em competências.Potencial percebido, junto a desafios de formação, tamanho das turmas e materiais.Gana; educação infantil, KG2; município de Abuakwa North.
Jones, 2025Percepções docentes e impacto de reforma para os primeiros anos.Percepções positivas contrastaram com impacto mais modesto no desempenho medido.País de Gales; primeiros anos; Fase de Fundação.
Mullally, 2025Perspectivas sobre currículo de educação religiosa, ética e valores.Capacitação percebida variável, desejo de escolha e desafios em turmas diversas.República da Irlanda; ensino primário.
So, 2025Trajetórias de dois professores diante de reformas curriculares.Relações diferentes com a reforma: alinhamento e agência crítica.Coreia do Sul; trajetórias ao longo de três décadas.
Garcia, 2025Replicação sobre conceitos ensinados em cursos introdutórios de computação.Persistência de dificuldades e mudanças na seleção de conceitos.Educadores de CS1; 178 respostas; inclui ensino médio.
Duong, 2025Interpretações e práticas docentes ligadas à educação por competências.Ambivalência e sentidos que evoluem para incluir aplicação na vida real.Vietnã; professores do ensino médio; estudo longitudinal.
Alzen, 2025Desafios de currículo de ciências orientado por reformas.Desalinhamento entre professora e alunos sobre objetivos, agência e colaboração.Uma turma de ciências do oitavo ano; estudo de caso.
Coffie, 2025Aprendizagem profissional e mudança de práticas docentes.Mudanças em perguntas, avaliação, ensino além da sala e variedade de atividades.Gana; seis escolas de ensino fundamental II.

O que os estudos têm em comum e onde divergem?

O ponto comum mais forte é que a reforma não se implementa sozinha. A prática depende de interpretação e de condições concretas. Formação, recursos, avaliações, normas institucionais e expectativas dos alunos aparecem, de formas diferentes, como elementos que podem abrir ou estreitar o espaço de ação docente. Os estudos também sugerem que professores não são apenas receptores de uma política: interpretam, adaptam e, em alguns casos, contestam seus limites.

As pesquisas divergem porque estudam problemas e métodos distintos. Há estudos sobre percepções, trajetórias profissionais, intervenções formativas, resultados medidos e práticas de sala de aula. Por isso, não é possível comparar diretamente, por exemplo, o relato de uma turma de ciências com um levantamento de professores sobre currículos de educação religiosa. Tampouco os achados permitem afirmar que uma única abordagem de formação ou reforma seja superior em todos os contextos.

Uma tensão recorrente está entre intenção e resultado. Professores podem valorizar uma reforma, sem que isso se traduza automaticamente em resultados medidos mais altos. Podem também considerar uma prática inviável e, com apoio coletivo, encontrar maneiras de experimentá-la. Outra pergunta em aberto é como equilibrar orientação curricular e autonomia: liberdade sem apoio pode virar responsabilidade solitária, enquanto controle excessivo pode reduzir a capacidade de adaptar o ensino às turmas.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não oferecem um roteiro universal para professores brasileiros. As ideias abaixo são aplicações possíveis, inspiradas nos problemas que as pesquisas levantam; não são resultados testados por esses estudos em todas as escolas.

1. Traduza a proposta em decisões observáveis

Como aplicação, escolha uma orientação curricular e transforme-a em duas ou três decisões concretas: o que os estudantes farão, que evidência de aprendizagem será observada e qual apoio será necessário. Imagine uma turma de 7º ano trabalhando em grupo: em vez de registrar apenas “promover colaboração”, combine como os grupos vão dividir tarefas e como cada estudante poderá explicar uma ideia. Isso torna a intenção discutível e ajustável, em vez de deixá-la como uma expressão abstrata.

2. Separe autonomia de improviso sem suporte

Como aplicação, antes de adaptar uma atividade, identifique o que pode ser decidido pelo professor e o que depende de materiais, tempo ou autorização da equipe. Por exemplo, numa proposta de investigação científica, você pode variar as perguntas dos grupos, mas precisar combinar com colegas o acesso a materiais. Essa distinção ajuda a reconhecer limites reais sem abandonar a possibilidade de escolha pedagógica, tema especialmente visível no estudo sobre autonomia delimitada.

3. Faça da formação um espaço para resolver problemas da prática

Como aplicação, leve para a reunião pedagógica uma dificuldade específica, como alunos que não participam numa atividade colaborativa, e analise possibilidades com colegas. Imagine que a turma não sabe como distribuir funções: a equipe pode propor papéis simples, testar a estratégia e voltar a conversar sobre o que ocorreu. A experiência de Gana com Laboratórios de Mudança sugere, naquele contexto, que discutir formas concretas de implementar o currículo pode tornar viáveis práticas antes consideradas impossíveis.

4. Explique aos estudantes o sentido da mudança

Como aplicação, apresente por que uma aula terá mais investigação, diálogo ou trabalho em grupo, e combine o que se espera de cada participante. Numa turma hipotética de ciências, o professor pode explicar que a colaboração não significa apenas sentar junto: cada estudante precisa contribuir com uma observação ou pergunta. Essa conversa pode reduzir desencontros entre a ideia de participação do professor e as expectativas dos alunos, aspecto apontado pelo estudo de caso do oitavo ano.

5. Observe a diferença entre percepção e evidência

Como aplicação, ao experimentar uma proposta, registre tanto a resposta dos estudantes quanto evidências relacionadas ao objetivo da aula. Se uma atividade pareceu envolvente, pergunte também o que os alunos conseguiram explicar, produzir ou revisar. Isso não transforma toda aula em pesquisa formal; é uma maneira de evitar que uma impressão positiva seja confundida com prova de aprendizagem. A divergência encontrada no estudo galês mostra por que essas dimensões merecem ser observadas separadamente.

6. Planeje adaptações para condições reais

Como aplicação, antes de adotar uma atividade, pense em alternativas para falta de materiais, turmas numerosas ou conhecimentos prévios variados. Imagine uma atividade STEAM em que não há kits para todos: grupos podem compartilhar materiais ou trabalhar com etapas diferentes, desde que a adaptação mantenha um objetivo claro. Essa sugestão não é uma solução comprovada pelos estudos; responde à importância que professores ganeses atribuíram a recursos, formação e condições de implementação.

7. Reveja a compreensão de conceitos difíceis

Como aplicação, escolha um conceito que os estudantes ou você considerem difícil e decomponha o percurso em pequenas tarefas, verificando o que já conseguem fazer. Pode ser útil alternar explicação, exemplo e exercício de aplicação antes de avançar. A pesquisa sobre cursos introdutórios de computação encontrou conceitos considerados difíceis e desafios no ensino de estratégias de reflexão e planejamento. Para outras disciplinas, a ideia é apenas uma possibilidade de planejamento, não uma conclusão direta daquele estudo.

O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?

Os estudos foram realizados no Vietnã, Hungria, Gana, País de Gales, República da Irlanda e Coreia do Sul, além de uma pesquisa sobre cursos de computação. Eles não descrevem a realidade brasileira e não devem ser usados como evidência direta sobre uma rede ou escola do Brasil. O que oferecem são perguntas úteis para examinar localmente: que autonomia os professores têm, quais apoios recebem, como a avaliação influencia escolhas e se os estudantes entendem a finalidade das propostas.

As condições variam entre escolas brasileiras e também dentro de uma mesma rede. Uma atividade que exige materiais ou tempo de planejamento pode ser viável num contexto e difícil em outro. Por isso, ao adaptar uma ideia, é importante verificar infraestrutura, tamanho das turmas, formação disponível, organização do trabalho e características da comunidade escolar. Os estudos de Gana, por exemplo, apontam desafios de turmas numerosas e falta de materiais, mas não provam que esses fatores tenham a mesma expressão em cada escola brasileira.

Também convém evitar importar programas ou regras de outros países como se fossem normas daqui. A Fase de Fundação é uma reforma do País de Gales; o currículo dos mantenedores estudado na Irlanda faz parte de uma estrutura específica; a reforma de 2018 analisada no Vietnã pertence àquele sistema. Para o professor brasileiro, o valor está em comparar mecanismos e formular perguntas, não em copiar políticas sem considerar contexto. Uma equipe pode usar essas pesquisas como ponto de partida para uma conversa local, identificando o que é transferível e o que depende de condições próprias.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis como fonte, não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem apresentar os objetivos e os principais resultados relatados, mas não sustentam uma avaliação detalhada de todos os instrumentos, procedimentos, limitações ou debates teóricos de cada pesquisa. Além disso, os estudos diferem em país, etapa, disciplina, participantes e método, e alguns investigam contextos bem específicos, como uma turma ou um grupo de professores.

Ficam em aberto questões importantes: como os resultados se comportariam em outras redes e etapas; quais apoios têm efeito duradouro; como diferentes formas de avaliação afetam a autonomia; e em que condições uma percepção favorável se converte em aprendizagem mensurável. Para decidir sobre uma política, uma formação ou uma mudança ampla na escola, faz sentido ler os estudos completos, examinar seus métodos e buscar pesquisas realizadas em contextos mais próximos do brasileiro. Para uma conversa inicial sobre currículo e prática, os resumos já ajudam a mapear tensões e perguntas.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Uma reforma curricular também pede atividades e avaliações coerentes com os objetivos de aprendizagem que a equipe definiu. O GeraProva pode ajudar o professor a criar provas com apoio de IA, como ponto de partida para revisar, adaptar e alinhar questões ao que foi trabalhado com a turma. Conheça o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre currículo e atitudes docentes

As atitudes dos professores determinam se uma reforma curricular dá certo?

As pesquisas não sustentam que as atitudes docentes, sozinhas, determinem o sucesso de uma reforma. Elas mostram que professores interpretam e adaptam propostas, mas também enfrentam condições institucionais, exigências avaliativas, necessidades de formação e disponibilidade de recursos. Em Gana, por exemplo, professores reconheceram potencial na abordagem STEAM e relataram obstáculos concretos. Em estudos do Vietnã, a autonomia apareceu condicionada por pressões e normas do contexto. É mais adequado entender a atitude como parte de um conjunto de fatores, não como causa única.

O que significa autonomia docente “com limites”?

Significa que o professor pode ter espaço para escolher conteúdos, métodos ou formas de avaliação, mas que esse espaço não é igual em todas as áreas nem independente das regras e pressões da escola. No estudo de escolas primárias do Vietnã, os professores exerciam autonomia para adaptar conteúdos e selecionar métodos, enquanto avaliações somativas e responsabilização influenciavam decisões importantes. Os autores chamaram essa situação de liberdade delimitada. A ideia ajuda a distinguir uma autonomia declarada de uma autonomia que pode ser exercida com apoio e condições reais.

Como envolver os alunos numa mudança de abordagem?

Uma aplicação possível é explicitar o propósito da nova dinâmica e combinar os papéis esperados. No estudo de caso de uma turma de ciências do oitavo ano, professora e alunos tinham compreensões diferentes sobre os objetivos da aula e sobre agência e colaboração. Isso sugere que não basta introduzir trabalho em grupo e esperar que todos entendam seu sentido da mesma forma. O professor pode apresentar a finalidade da atividade, discutir como será a participação e observar se as interações correspondem ao que foi planejado.

Uma formação de professores pode mudar práticas consideradas inviáveis?

Um estudo em seis escolas de ensino fundamental II de Gana relata que práticas inicialmente vistas pelos participantes como impossíveis se tornaram viáveis durante um Laboratório de Mudança. Foram observadas alterações no uso de perguntas, na avaliação, no ensino para além da sala e no planejamento de atividades variadas. O resultado é promissor naquele contexto, mas não prova que qualquer formato de formação produza os mesmos efeitos. Como aplicação, vale buscar formações conectadas a problemas reais da prática, com oportunidade de discutir, experimentar e rever estratégias.

Percepções positivas sobre uma reforma comprovam que ela melhora a aprendizagem?

Não necessariamente. Percepções dos professores e resultados medidos são informações diferentes. No estudo da Fase de Fundação, no País de Gales, os professores tinham percepções positivas sobre o programa para estudantes em situação de pobreza, enquanto o impacto medido no desempenho foi mais modesto. Isso não invalida a experiência docente, mas mostra que avaliações precisam observar mais de uma dimensão. Na prática, uma equipe pode combinar a análise da participação e das percepções com evidências de aprendizagem ligadas aos objetivos que foram ensinados.

Posso aplicar diretamente no Brasil os resultados de pesquisas feitas em outros países?

Não é prudente aplicar diretamente políticas ou conclusões sem considerar diferenças de contexto. Os estudos abordam sistemas educacionais, etapas, disciplinas e condições variadas, e não investigam especificamente escolas brasileiras. Eles podem ajudar a formular perguntas sobre autonomia, formação, recursos, avaliação e alinhamento com os alunos, mas não provam que uma mesma solução funcione aqui. Para adaptar uma proposta, considere a realidade da escola, converse com a equipe e, quando a decisão for ampla, consulte os estudos completos e pesquisas mais próximas do contexto em que a mudança será feita.

Referências

  1. Truong, Thang Dinh; Dinh, Hong-Van Thi; Ha, Xuan V.; Pham, Kien The; Nguyen, Tram-Anh Thi; Nguyen, Dung Viet (2026). Autonomia de professores do ensino fundamental no Vietnã no contexto da reforma educacional (Vietnamese Primary Teachers' Autonomy in the Context of Educational Reform). European Journal of Education. Link.
  2. Fejes-Tóth, Péter; Borovcnik, Manfred; Vancsó, Ödön (2026). Avançando na inferência estatística: uma exploração abrangente do desenvolvimento curricular, de seminários para professores e das percepções docentes nas escolas de ensino médio da Hungria (Advancing Statistical Inference: A Comprehensive Exploration of Curriculum Development, Teacher Seminars, and Teacher Perceptions in Hungarian Secondary Schools). Canadian Journal of Science, Mathematics and Technology Education. Link.
  3. Buabeng, Isaac; Amo-Darko, Bridget (2026). Percepções de professores sobre a educação STEAM no contexto da reforma curricular em Gana: contribuições para agendas globais de educação (Teachers' Perceptions of STEAM Education within Curriculum Reform in Ghana, Insights for Global Education Agendas). Discover Education. Link.
  4. Jones, Nikki (2025). Explorando as percepções dos professores e os impactos mensurados de uma reforma curricular progressista para estudantes de contextos desfavorecidos (Exploring Teacher Perceptions and the Measured Impacts of a Progressive Curriculum Reform for Learners from Disadvantaged Backgrounds). British Educational Research Journal. Link.
  5. Mullally, Aiveen; Kieran, Patricia (2025). Escolha, desafio e convicção: perspectivas de professores sobre o ensino do currículo dos mantenedores em escolas primárias na República da Irlanda (Choice, Challenge and Conviction: Teacher Perspectives on Teaching the Patrons' Curriculum in Primary Schools in the Republic of Ireland). Journal of Religious Education. Link.
  6. So, Kyunghee; Lee, Sun Young (2025). Humanizando a história do currículo: práticas reflexivas e difrativas de professores na reforma educacional sul-coreana (Humanizing Curriculum History: Reflective and Diffractive Practices of Teachers in South Korean Education Reform). Educational Philosophy and Theory. Link.
  7. Garcia, Rita; Craig, Michelle (2025). 20 anos depois: um estudo de replicação sobre o ensino de conceitos de CS1 (20 Years Later: A Replication Study on Teaching CS1 Concepts). ACM Transactions on Computing Education. Link.
  8. Duong, Bich-Hang; Dao, Vu; DeJaeghere, Joan (2025). Complexidades no ensino de competências: uma análise longitudinal da construção de sentidos e das práticas de professores vietnamitas (Complexities in Teaching Competencies: A Longitudinal Analysis of Vietnamese Teachers' Sensemaking and Practices). Pedagogy, Culture and Society. Link.
  9. Alzen, Jessica L.; Buell, Jason Y.; Edwards, Kelsey; Reiser, Brian J.; Passmore, Cynthia; Penuel, William R.; Griesemer, Chris D.; Zhang, Yang (2025). Caracterizando as variações nos mundos figurados de professores e alunos na aula de ciências (Characterizing Variations in the Figured Worlds of Teachers and Students in Science Class). Journal of Research in Science Teaching. Link.
  10. Coffie, Isaac Sonful; Hopwood, Nick; Lai, Mun Yee (2025). Aprendizagem Profissional de Professores de Ciências e Mudanças nas Práticas no Contexto da Reforma Curricular em Gana (Science Teachers' Professional Learning and Changing Practices in the Context of Curriculum Reform in Ghana). African Journal of Research in Mathematics, Science and Technology Education. Link.

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