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COVID-19, satisfação e esgotamento docente: apoio escolar fez diferença

Estudos recentes mostram que apoio organizacional e satisfação com decisões escolares estiveram associados a maior satisfação e menor esgotamento. Mas a experiência docente variou conforme contexto, demandas e relações de trabalho.

COVID-19, satisfação e esgotamento docente: apoio escolar fez diferença

Na pesquisa com professores da educação básica dos Estados Unidos, apoio organizacional e satisfação com as decisões da escola estiveram associados a maior satisfação pessoal e menor esgotamento durante a pandemia (Trinidad, 2025). O resultado aponta para algo concreto: mesmo em uma crise ampla, a forma como a escola organiza o trabalho pode estar ligada à experiência de quem ensina.

A COVID-19 não produziu uma vivência única para todos os docentes. O ensino remoto, o aumento de demandas, as dificuldades de comunicação e as interrupções escolares aparecem nos estudos ao lado de diferenças de satisfação, estresse e capacidade de adaptação. Olhar para esse conjunto ajuda a entender por que o esgotamento não pode ser tratado apenas como uma questão individual — e por que também não basta dizer que todos viveram a pandemia da mesma maneira.

O que é o impacto da COVID-19 na satisfação e no esgotamento de professores e por que importa?

É o conjunto de mudanças associadas à pandemia que afetaram como professores percebiam o próprio trabalho, seu bem-estar e sua disposição para continuar na profissão. Na rotina escolar, isso pode aparecer como dificuldade de se desconectar, aumento de tarefas, adaptação a formas novas de ensinar, tensão entre trabalho e vida familiar ou menor sensação de eficácia. Satisfação e esgotamento são aspectos relacionados, mas não são simplesmente extremos de uma mesma medida.

Os estudos tratam de dimensões distintas. Alguns investigaram satisfação no trabalho ou com o ensino online; outros observaram exaustão emocional, estresse, cinismo, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, bem-estar ou intenção de deixar a profissão. Essa diferença importa: um professor pode, por exemplo, estar relativamente satisfeito com um aspecto do trabalho e ainda enfrentar exaustão em outro.

Para quem está em sala, o tema aparece em decisões muito cotidianas: como distribuir tarefas, como manter contato com estudantes, que apoio existe quando o planejamento muda e até que ponto a escola escuta quem executa as decisões. Pesquisas realizadas em outros países não dão uma resposta automática para a realidade brasileira, mas ajudam a formular perguntas úteis sobre organização, carga de trabalho e suporte.

O que a pesquisa recente mostra sobre satisfação e esgotamento docente?

Os estudos recentes mostram um quadro variado: apoio organizacional aparece associado a experiências mais favoráveis, enquanto sobrecarga, conflitos entre trabalho e família e interrupções escolares se relacionam a dimensões de desgaste. Ao mesmo tempo, pesquisas também registram adaptação e trajetórias de confiança, em vez de uma história uniforme de declínio.

A organização da escola pode fazer diferença em tempos de crise

O estudo de professores da educação básica dos Estados Unidos encontrou associação entre apoio organizacional e satisfação pessoal mais alta, assim como entre satisfação com as decisões escolares e maior satisfação e menor esgotamento. Os autores também relatam associação entre ensino presencial, maior motivação docente e maior satisfação com as decisões da escola. O achado não significa que uma modalidade seja adequada para qualquer situação: trata-se de relações observadas naquele contexto pandêmico, não de uma regra universal sobre presencialidade (Trinidad, 2025).

Essa pesquisa destaca que as decisões institucionais não desaparecem como fator relevante quando há uma crise externa. Para o professor, apoio pode ser entendido de forma prática: comunicação clara, decisões compreensíveis e atenção às condições de trabalho. O estudo não transforma essas medidas em receita pronta, mas mostra que fatores organizacionais estiveram associados a resultados importantes para a satisfação e o esgotamento.

Em uma investigação com professores peruanos de áreas urbanas, da educação básica e superior, a sobrecarga de estresse mediou a relação entre conflito trabalho-família e satisfação no trabalho entre os que ensinaram remotamente. O estudo também relata que nem o conflito trabalho-família nem a autoeficácia tiveram efeito indireto sobre a satisfação por meio da sobrecarga de estresse. É uma distinção importante: os resultados não indicam que todas as variáveis estudadas atuaram pelo mesmo caminho (Chávez-Ventura, 2025).

O ensino remoto e as interrupções trouxeram demandas diferentes

Durante o ensino remoto na pandemia, professores peruanos enfrentaram um cenário descrito pelos autores como marcado por falta de preparo prévio, isolamento, dificuldade de desconexão digital, altas demandas e incerteza. Nesse contexto, o resultado sobre a mediação da sobrecarga de estresse ajuda a pensar na ligação entre exigências profissionais e satisfação, sem reduzir a experiência a uma simples questão de organização pessoal (Chávez-Ventura, 2025).

Um estudo com professores do Cazaquistão registrou desafios tecnológicos para a grande maioria dos participantes e dificuldades de comunicação com estudantes para pouco mais da metade. O aumento da carga de trabalho também foi relatado por muitos; professores mais velhos e com mais experiência foram particularmente afetados. Menos de um terço manifestou disposição para continuar com a aprendizagem online após a pandemia. A satisfação no trabalho influenciou indiretamente essa disposição por meio dos desafios de comunicação com colegas e estudantes (Nurgaliyeva, 2026).

Esses resultados mostram que a modalidade digital não depende apenas de equipamento ou conexão. A comunicação com a turma e com a equipe aparece como parte da experiência e da disposição para seguir usando o formato. No entanto, o estudo se refere ao Cazaquistão e à aprendizagem online naquele contexto; não permite concluir qual proporção de professores brasileiros desejaria manter aulas remotas.

Em outro recorte, dados de alunos do ensino fundamental e de seus professores foram coletados antes dos confinamentos, em 2020, e depois da reabertura das escolas, no verão de 2021. Os professores relataram níveis mais altos de esgotamento e bem-estar reduzido após a interrupção escolar. Nas turmas com a maior proporção de estudantes que praticavam bullying, os professores apresentaram os níveis mais baixos de eficácia profissional (Badger, 2026). O resultado aproxima o bem-estar docente das condições vividas na turma e da retomada escolar.

Satisfação não é igual para todos, e experiência profissional também importa

Entre professores do ensino fundamental e médio na China, a pesquisa identificou quatro padrões de satisfação com a vida pessoal e o ensino online: baixa satisfação; alta satisfação com a vida e baixa satisfação com o ensino; baixa satisfação com a vida e satisfação média com o ensino; e alta satisfação nos dois aspectos. Ou seja, a avaliação da vida pessoal e a avaliação do ensino online podiam se combinar de maneiras distintas, em vez de formar uma única escala de experiência positiva ou negativa (Chen, 2023).

O senso de controle esteve mais associado ao grupo com alta satisfação com a vida e baixa satisfação com o ensino. Autoeficácia docente e interferência da família no trabalho estiveram mais associadas ao grupo de alta satisfação. Já o esgotamento e a interferência do trabalho na família estiveram mais associados aos grupos de baixa satisfação e de baixa satisfação com a vida e satisfação média com o ensino. São associações, não prova de que um fator isolado cause determinado perfil (Chen, 2023).

Um estudo sobre a mudança repentina para o ensino remoto na primavera de 2020 encontrou diferenças relacionadas à experiência profissional. Professores em meio de carreira e experientes relataram níveis significativamente mais elevados de exaustão emocional do que professores iniciantes. Nesse estudo, anos de experiência foram um preditor significativo dessa dimensão do esgotamento; os iniciantes vivenciaram menos esgotamento durante a mudança para o ensino remoto (Durr, 2026).

Esse resultado não deve ser convertido em uma ideia de que professores iniciantes, em geral, estão protegidos ou que a experiência é um problema. Ele se refere à exaustão emocional durante uma transição específica. A pesquisa reforça que o tempo de carreira pode ser relevante para compreender diferenças entre docentes, mas não explica sozinho o que cada pessoa viveu.

A pandemia também trouxe adaptação, e nem toda iniciativa atuou em todas as dimensões

Entrevistas com 25 docentes de pré-escola pública de Michigan acompanharam as experiências em dois momentos do primeiro ano da pandemia, abril de 2020 e abril de 2021. Os autores descrevem uma passagem do “modo de sobrevivência” para “#Vencendo”, relacionada à confiança dos docentes em sua capacidade de enfrentar desafios profissionais novos e em transformação. O estudo acrescenta nuances às narrativas centradas apenas em exaustão e destaca que os professores também encontraram maneiras de enfrentar circunstâncias sem precedentes (Wilinski, 2026).

Essa trajetória não apaga o desgaste. Ela mostra que experiências de dificuldade e de adaptação podem coexistir ao longo do tempo, e que a confiança para enfrentar desafios não deve ser confundida com ausência de demandas ou necessidade de apoio. Como a pesquisa ouviu docentes de pré-escola de uma região dos Estados Unidos, não é possível presumir que a mesma trajetória tenha ocorrido da mesma forma em outras etapas ou países.

Em Portugal, um estudo quase experimental avaliou um programa de formação para professores da educação infantil durante a pandemia. A participação não melhorou de forma estatisticamente significativa os fatores psicológicos avaliados — autoeficácia, estresse e esgotamento — em comparação com o grupo de controle. Ainda assim, o grupo participante relatou maior uso e percepção de utilidade de práticas positivas de gestão da sala e maior uso das estratégias do programa. Isso mostra por que é importante observar separadamente resultados psicológicos e práticas pedagógicas (Major, 2026).

Já uma pesquisa com mais de três mil professores da educação básica na Croácia encontrou satisfação no trabalho relativamente alta, baixos níveis de estresse e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal moderado. As contribuições das características sociodemográficas e das mudanças percebidas nas demandas e recursos de trabalho para explicar o bem-estar foram modestas. Os autores interpretam os resultados como sinal de resiliência diante de circunstâncias desafiadoras, sem sugerir que a adaptação torne dispensável o apoio continuado (Maruš, 2026).

Quais estudos foram comparados lado a lado?

A tabela reúne os estudos citados e resume o que cada um investigou, seus principais relatos e o contexto informado nos resumos. As diferenças de país, etapa e método ajudam a evitar que resultados de uma pesquisa sejam tratados como retrato de todos os professores.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Trinidad (2025)Fatores organizacionais, satisfação e esgotamentoApoio organizacional e satisfação com decisões escolares associados a maior satisfação; também houve associação com menor esgotamento.Estados Unidos; educação básica; professores de estudantes de 5 a 18 anos.
Chávez-Ventura (2025)Modelo explicativo da satisfação no trabalho durante o ensino remotoA sobrecarga de estresse mediou a relação entre conflito trabalho-família e satisfação; não houve os efeitos indiretos indicados para autoeficácia e conflito trabalho-família.Peru; áreas urbanas; educação básica e superior.
Chen (2023)Padrões de satisfação com vida pessoal e ensino onlineIdentificou quatro perfis; esgotamento e interferência do trabalho na família estiveram associados a grupos de menor satisfação.China; professores do ensino fundamental e médio.
Nurgaliyeva (2026)Satisfação no trabalho e disposição para continuar a aprendizagem onlineRelata desafios tecnológicos, de comunicação e de carga; menos de um terço queria continuar com aprendizagem online.Cazaquistão; educação básica; coleta em maio de 2021.
Durr (2026)Experiência docente e esgotamento no ensino remotoProfessores em meio de carreira e experientes relataram mais exaustão emocional do que iniciantes.Ensino remoto na primavera de 2020; educação básica.
Major (2026)Formação de gestão de sala e fatores psicológicosSem melhora estatisticamente significativa nos fatores psicológicos; maior uso e percepção de utilidade das práticas positivas.Portugal; educação infantil; programa realizado durante a pandemia.
Wilinski (2026)Experiências e confiança de docentes de pré-escolaDescreve mudança do “modo de sobrevivência” para “#Vencendo” no primeiro ano da pandemia.Michigan, Estados Unidos; 25 docentes de pré-escola pública.
Badger (2026)Interrupção escolar, clima da turma, esgotamento e bem-estarApós a interrupção, professores relataram maior esgotamento e menor bem-estar; bullying se relacionou a menor eficácia profissional.Contexto escolar do estudo; ensino fundamental; dados de 2020 e 2021.
Maruš (2026)Mudanças percebidas em demandas, recursos e bem-estarRelata satisfação relativamente alta, baixo estresse e equilíbrio moderado; contribuições explicativas modestas.Croácia; mais de três mil professores da educação básica.

O que os estudos têm em comum e onde divergem?

Em conjunto, as pesquisas mostram que satisfação e esgotamento variaram conforme as condições de trabalho, as relações entre trabalho e vida pessoal e os contextos de ensino. A organização escolar aparece em um estudo associada a maior satisfação e menor esgotamento; em outros, sobrecarga, dificuldades de comunicação, interferência entre trabalho e família e interrupção escolar ajudam a descrever experiências de desgaste.

Também há diferenças importantes. A pesquisa croata registra satisfação relativamente alta e baixo estresse, enquanto os estudos sobre interrupção escolar e ensino remoto relatam sinais de desgaste. Isso não precisa ser uma contradição: os trabalhos observaram populações, momentos, dimensões e condições diferentes. Uma média geral de satisfação não apaga casos de exaustão, assim como um resultado de esgotamento em um recorte não descreve todos os professores.

Os estudos também não apontam uma solução única. A formação avaliada em Portugal se relacionou a práticas de sala, mas não a uma melhora estatisticamente significativa nos fatores psicológicos examinados. Já o estudo de Trinidad identifica associações organizacionais, sem demonstrar que uma medida isolada seja suficiente para prevenir esgotamento. Permanece em aberto como combinar apoio institucional, condições de trabalho, formação e atenção à saúde de forma adequada a cada escola.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não testaram as sugestões abaixo como um pacote para escolas brasileiras. São aplicações possíveis dos achados para ajudar o professor e a equipe a transformar evidências sobre carga, comunicação e apoio em perguntas concretas sobre a rotina.

1. Tornar explícitas as decisões que afetam o trabalho

Aplicação possível: se a escola mudar prazos, formatos de atividade ou regras de comunicação, combinar quem comunica a decisão, com que antecedência e onde ficam as orientações. Imagine uma turma de 7º ano que terá parte das atividades reorganizadas: uma explicação comum para a equipe reduz mensagens desencontradas. Isso não garante satisfação, mas aproxima a prática da importância atribuída às decisões escolares no estudo de Trinidad (2025).

2. Mapear tarefas antes de acrescentar novas

Aplicação possível: numa reunião de equipe, listar quais tarefas são indispensáveis naquela semana e quais podem ser adiadas ou simplificadas. Por exemplo, antes de criar mais um registro para acompanhar uma turma, verificar se outro instrumento já reúne a mesma informação. A ideia responde às pesquisas que descrevem aumento de carga e sobrecarga de estresse; não é um resultado experimental comprovado por elas.

3. Criar acordos de comunicação com estudantes e famílias

Aplicação possível: combinar canais, horários e expectativas de resposta. Em uma turma que usa ambiente digital para tarefas, a equipe pode dizer quando publica atividades e como o estudante deve pedir ajuda. O estudo do Cazaquistão associou desafios de comunicação à disposição para continuar a aprendizagem online, mas não testou esse acordo específico (Nurgaliyeva, 2026).

4. Verificar como a carga atravessa a vida fora da escola

Aplicação possível: em vez de pressupor que todo professor consegue responder mensagens à noite, a equipe pode discutir horários de contato e divisão de demandas. Imagine uma professora que planeja aulas em casa enquanto cuida de familiares: combinar limites de resposta pode tornar visível um conflito trabalho-família. Essa é uma aplicação reflexiva dos estudos peruanos e chineses, não uma garantia de redução de estresse (Chávez-Ventura, 2025; Chen, 2023).

5. Observar sinais diferentes, não apenas uma impressão geral

Aplicação possível: uma escola pode abrir espaço para conversar separadamente sobre satisfação com o trabalho, exaustão, sensação de eficácia e equilíbrio pessoal, sem tratar tudo como “estar bem” ou “estar mal”. Uma equipe pode estar satisfeita com uma iniciativa e ainda sentir cansaço. Essa distinção acompanha a variedade de dimensões examinadas nas pesquisas.

6. Oferecer apoio entre pares em mudanças de rotina

Aplicação possível: quando uma ferramenta ou formato muda, organizar uma troca curta entre colegas para compartilhar procedimentos úteis e dúvidas. Imagine docentes experientes e iniciantes planejando juntos uma sequência de aulas: a parceria pode facilitar a circulação de estratégias, sem presumir que um grupo tenha todas as respostas. O estudo sobre experiência e exaustão identifica diferenças entre grupos, mas não avaliou essa intervenção (Durr, 2026).

7. Tratar a retomada como trabalho pedagógico e também relacional

Aplicação possível: depois de uma interrupção, uma equipe pode observar como estão participação, conflitos e convivência, além de retomar conteúdos. Em uma turma hipotética com conflitos recorrentes, combinar formas de registrar situações e pedir apoio pode evitar que o professor enfrente o problema isoladamente. A conexão entre bullying e menor eficácia profissional observada por Badger (2026) sustenta a relevância de olhar para o clima da sala, não uma solução pronta.

O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?

Os estudos apresentados vêm dos Estados Unidos, Peru, China, Cazaquistão, Portugal, Croácia e Michigan. Não são uma amostra da educação básica brasileira, e seus resultados não devem ser apresentados como medidas da experiência dos docentes daqui. Regras de ensino presencial, organização escolar, condições de conectividade e redes de apoio variam entre países e também entre redes e escolas brasileiras.

O que pode ser aproveitado é a formulação das perguntas. Professores e gestores no Brasil podem observar se as decisões são comunicadas com clareza, se a carga de trabalho cabe no tempo disponível, se há apoio para dificuldades de comunicação e se as demandas escolares invadem o período de descanso. Essas perguntas são úteis sem afirmar que a resposta será igual à encontrada no Peru, nos Estados Unidos ou no Cazaquistão.

Também convém evitar duas leituras apressadas. A primeira é concluir que o ensino presencial sempre aumenta a motivação, com base na associação encontrada em um estudo dos Estados Unidos. A segunda é usar a resiliência observada em professores croatas para sugerir que docentes devem simplesmente suportar condições difíceis. Adaptação não elimina a necessidade de organização e suporte; resultados de outros países ajudam a pensar, não a substituir a escuta local.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, e não na leitura integral de cada publicação. Os resumos permitem reunir objetivos e resultados principais, mas não respondem a todas as perguntas sobre instrumentos, detalhes das análises, limites de cada amostra ou diferenças internas entre participantes.

Ficam em aberto, por exemplo, como os resultados se comparam a redes brasileiras, quais medidas de apoio funcionam melhor em diferentes etapas e por quanto tempo as associações observadas persistiram depois das fases mais intensas da pandemia. Também não é possível transformar associações em relações de causa e efeito sem considerar o desenho de cada estudo. A pesquisa com formação em Portugal, por exemplo, relata resultados distintos para fatores psicológicos e práticas de sala; não basta para dizer que qualquer programa de formação produzirá os mesmos efeitos.

Ler o estudo completo faz sentido quando uma escola, secretaria ou pesquisador precisa avaliar a qualidade da evidência para uma decisão concreta, entender como as variáveis foram medidas ou verificar se uma intervenção pode ser adaptada a determinado contexto. Para uma conversa inicial sobre condições de trabalho docente, os resumos já ajudam a identificar temas que merecem atenção; para escolher uma política ou programa, é necessário examinar mais do que os resultados resumidos aqui.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

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Perguntas frequentes sobre COVID-19, satisfação e esgotamento docente

A pandemia aumentou o esgotamento de todos os professores?

Os estudos não sustentam a ideia de que todos viveram a pandemia da mesma maneira. A pesquisa sobre interrupção escolar registrou aumento do esgotamento e redução do bem-estar após a interrupção, enquanto um estudo croata relatou satisfação relativamente alta e baixo estresse. Pesquisas também encontraram diferenças conforme experiência profissional e padrões de satisfação. Esses resultados vêm de contextos distintos e não permitem afirmar que cada docente, em qualquer país ou etapa, teve a mesma experiência.

O que esteve associado a maior satisfação dos professores?

Em uma pesquisa com professores da educação básica dos Estados Unidos, apoio organizacional e satisfação com decisões escolares estiveram associados a maior satisfação pessoal; satisfação com decisões também esteve associada a menor esgotamento. No Peru, a sobrecarga de estresse mediou a relação entre conflito trabalho-família e satisfação entre professores que trabalharam remotamente. São resultados de estudos específicos e associações observadas, não uma garantia de que uma medida única aumente a satisfação em todas as escolas.

O ensino remoto foi a principal causa do esgotamento?

Os resumos não permitem apontar o ensino remoto como causa única. Eles descrevem vários elementos: aumento de demandas, dificuldade de desconexão digital, desafios tecnológicos, problemas de comunicação, conflito entre trabalho e família e interrupções escolares. A pesquisa sobre experiência docente encontrou diferenças na exaustão emocional durante a mudança para o remoto, enquanto outros estudos analisaram perfis de satisfação ou condições organizacionais. Em conjunto, os trabalhos mostram uma combinação de fatores e experiências, não uma explicação única.

Professores mais experientes tiveram mais esgotamento?

Em um estudo sobre a passagem para o ensino remoto na primavera de 2020, professores em meio de carreira e experientes relataram exaustão emocional significativamente mais elevada do que professores iniciantes. Esse achado se refere a uma dimensão específica do esgotamento e a uma mudança repentina de modalidade. Não significa que professores experientes sejam sempre mais vulneráveis ou que iniciantes não precisem de suporte. O resultado sugere que tempo de carreira pode ser uma característica relevante a considerar ao investigar como docentes atravessam mudanças profissionais intensas.

Formação de professores reduziu estresse e esgotamento na pandemia?

Um estudo realizado em Portugal avaliou um programa de formação para professores da educação infantil durante a pandemia. Em comparação com o grupo de controle, a participação não melhorou de forma estatisticamente significativa os fatores psicológicos avaliados: autoeficácia, estresse e esgotamento. Por outro lado, o grupo participante relatou maior uso e percepção de utilidade de práticas positivas de gestão da sala. Portanto, naquele estudo, os resultados pedagógicos e psicológicos não foram iguais. Não é possível concluir que toda formação terá esses mesmos efeitos.

Como uma escola pode usar esses achados sem copiar outros países?

Uma escola brasileira pode usar as pesquisas para formular perguntas locais: as decisões são comunicadas com clareza? As tarefas cabem no tempo disponível? A equipe tem canais de comunicação combinados? Há apoio diante de conflitos e interrupções? Os estudos foram realizados em diferentes países e não descrevem automaticamente a realidade brasileira. Por isso, a aplicação mais prudente é usar os temas como pontos de partida para escuta e análise da rotina, em vez de importar uma política ou concluir que uma solução observada fora do Brasil funcionará sem adaptação.

Referências

  1. Trinidad, Jose Eos (2025). Satisfação docente e esgotamento profissional durante a COVID-19: quais fatores organizacionais ajudam? (Teacher Satisfaction and Burnout during COVID-19: What Organizational Factors Help?). International Journal of Leadership in Education. Link.
  2. Chávez-Ventura, Gina; Osorio-Guzmán, Maricela; Santa-Cruz-Espinoza, Henry; Merino-Soto, César (2025). Modelo explicativo da satisfação no trabalho de professores durante a pandemia de COVID-19 (Explanatory Model of Job Satisfaction in Teachers during the COVID-19 Pandemic). SAGE Open. Link.
  3. Chen, Bo; Li, Qian; Li, Tianchang; Wu, Xinyue; Shen, Lingyan; Zhen, Rui (2023). Padrões de Satisfação com a Vida Pessoal e com o Ensino Online entre Professores dos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental durante a Pandemia de COVID-19 (Patterns of Satisfaction with Personal Lives and Online Teaching among Primary and Middle School Teachers during the COVID-19 Pandemic). Educational Psychology. Link.
  4. Nurgaliyeva, Saniya; Zhumabayeva, Aziya; Zhorokpayeva, Meiramgul; Yessenova, Kalbike; Zeinolla, Saule; Bolatov, Aidos (2026). Determinantes da satisfação no trabalho e da continuidade da aprendizagem on-line: um estudo com educadores do Cazaquistão durante a COVID-19 (Determinants of Job Satisfaction and Online Learning Continuation: A Study of Kazakhstani Educators during COVID-19). Online Learning. Link.
  5. Durr, Tony; Graves, Nicole A.; Hales, Patrick D. (2026). Experiência docente e esgotamento profissional durante o ensino remoto (Teaching Experience and Burnout during Remote Learning). Mid-Western Educational Researcher. Link.
  6. Major, Sofia O.; Santos, Ana I.; Pereira, Marco D.; Silva, Osvaldo; Gaspar, Maria F. (2026). Fatores psicológicos e práticas de gestão da sala de aula de professores da educação infantil: a eficácia de um programa de formação realizado durante a pandemia de COVID-19 (Psychological Factors and Classroom Management Practices of Preschool Teachers: The Effectiveness of a Teaching Program Delivered during the COVID-19 Pandemic). International Journal of Child Care and Education Policy. Link.
  7. Wilinski, Bethany; Morley, Alyssa; Wu, Jamie Heng-Chieh (2026). Do “modo de sobrevivência” ao “#Vencendo”: experiências de docentes da pré-escola de Michigan durante o primeiro ano da COVID-19 (From “Survival Mode” to “#Winning”: Michigan Pre-K Teachers' Experiences during the First Year of COVID-19). Early Childhood Education Journal. Link.
  8. Badger, Julia R.; Maile, Andrew J.; Thompson, Paul; Bowes, Lucy; Hutchings, Judy; Broome, Matthew R. (2026). Interrupção escolar e clima da sala de aula: efeitos sobre o esgotamento profissional e o bem-estar dos professores (School Disruption and Classroom Climate on Teachers' Burnout and Wellbeing). Psychology in the Schools. Link.
  9. Marušić, Iris; Šabić, Josip; Matić Bojić, Jelena (2026). Mudanças percebidas nas demandas e nos recursos do trabalho e bem-estar docente durante a pandemia (Perceived Change in Job Demands and Resources and Teacher Well-Being during the Pandemic). Center for Educational Policy Studies Journal. Link.

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