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Cooperação entre universidade e escola: por que a parceria exige negociar papéis

Parcerias entre pesquisadores e escolas podem aproximar investigação e prática, mas não eliminam diferenças de objetivos, linguagem e poder. Estudos recentes mostram por que negociar papéis e considerar o contexto é essencial.

Cooperação entre universidade e escola: por que a parceria exige negociar papéis

A cooperação entre universidade e escola aproxima a pesquisa das decisões e dos desafios concretos da educação. Para funcionar, precisa considerar o contexto escolar, ouvir os profissionais e negociar objetivos, papéis e formas de usar evidências. Estudos recentes mostram que a parceria pode apoiar mudanças, mas também envolve tensões entre prioridades, diferenças de poder e informações de pesquisa nem sempre ajustadas às necessidades dos educadores.

Nas parcerias recentes entre pesquisadores e escolas, colaborar não significa apenas levar uma pesquisa pronta para ser aplicada: os estudos descrevem negociações sobre objetivos, responsabilidades, dados e escolhas pedagógicas. Essa mudança de foco importa para o professor porque uma proposta de fora pode parecer clara no papel e, ainda assim, exigir adaptações quando encontra estudantes, rotinas e prioridades reais.

As pesquisas também mostram que aproximar teoria e prática não apaga diferenças de linguagem nem de poder entre universidade e escola. Em alguns casos, professores podem ser tratados como implementadores; em outros, participam como copesquisadores. A diferença entre essas posições afeta o tipo de conhecimento produzido e o quanto a colaboração consegue responder às necessidades da escola.

O que é cooperação entre universidade e escola na relação teoria e prática e por que importa para o professor?

Cooperação entre universidade e escola é um trabalho conjunto em que profissionais da educação e pesquisadores investigam questões da prática, interpretam evidências e decidem como agir. Não é simplesmente receber uma recomendação acadêmica: envolve combinar o que se sabe sobre um problema com as condições concretas da escola e reconhecer que cada participante traz conhecimentos e responsabilidades próprios.

Na rotina, essa relação aparece quando uma equipe escolhe como avaliar uma intervenção, conversa sobre quais estudantes ela atende, acompanha sua implementação ou revê uma atividade diante de dificuldades inesperadas. Também aparece na formação profissional, na análise de dados e nas decisões de gestão. Os estudos reunidos aqui abordam parcerias em escalas diferentes: desde uma conversa de codesign até uma colaboração entre universidade e rede de ensino.

Para o professor, a questão central não é escolher entre teoria e experiência. É criar condições para que uma ajude a examinar a outra. A teoria pode oferecer conceitos e perguntas; a experiência docente ajuda a perceber se uma proposta é pertinente, viável e sensível ao contexto. Os estudos indicam, porém, que essa combinação depende de negociação: quem define o problema, quem interpreta os dados e quem pode alterar o plano não são detalhes administrativos.

O que a pesquisa recente mostra sobre a parceria entre pesquisadores e escolas?

Os estudos recentes retratam a cooperação como uma possibilidade de aprendizagem mútua, mas também como uma prática que precisa lidar com hierarquias, diferenças de propósito e decisões que não são neutras. Em vez de prometer uma fórmula única, as pesquisas ajudam a identificar condições e tensões que professores e gestores podem observar.

Colaborar também é negociar quem decide e quem aprende

Uma parceria de grande escala analisada por Sjölund reuniu pesquisadores e profissionais da educação. A análise de 45 horas de interações gravadas identificou dois discursos: um orientado a resultados, associado a posições e divisões de trabalho mais tradicionais, e outro orientado a processos, ligado a posições colaborativas e menos hierárquicas. A negociação entre esses discursos pode ser necessária para evitar que um deles domine, mas também pode produzir identidades ambíguas para os participantes (Sjölund, 2025).

Em outro estudo da mesma parceria, quatro pesquisadores e 300 profissionais participaram de reuniões gravadas. A pesquisa caracterizou sete fronteiras relacionadas às condições prévias da colaboração, às práticas colaborativas e ao conteúdo discutido. Essas fronteiras não são apenas diferenças abstratas: conforme a situação, professores podem ser posicionados como implementadores que falharam ou como copesquisadores. Esse posicionamento pode afetar o potencial de aprendizagem da parceria (Sjölund, 2024).

Os dois trabalhos ajudam a entender por que uma reunião chamada “colaborativa” não garante, por si só, participação equilibrada. Uma equipe pode pedir contribuições aos professores e ainda manter as decisões principais em outro lugar. Para a parceria se aproximar da prática, os participantes precisam negociar não apenas o tema, mas também o que conta como evidência, quem tem autoridade para interpretá-la e como as decisões serão tomadas.

Uma mudança planejada pode criar novos desafios pedagógicos

Robillard e colegas examinaram um episódio de codesign em Ciência da Computação. Durante a conversa, educadores perceberam que uma decisão de design poderia prejudicar estudantes historicamente marginalizados do distrito. A equipe fez uma mudança para tornar o design mais culturalmente responsivo, mas essa mudança trouxe desafios pedagógicos novos e inesperados (Robillard, 2025).

O caso destaca uma tensão importante para qualquer trabalho conjunto: corrigir um problema de representação ou relevância não encerra o processo de decisão. Uma adaptação pode tornar o material mais atento às necessidades de determinados estudantes e, ao mesmo tempo, exigir que os educadores revejam como ensinar o conteúdo. Os autores também lembram que tecnologias educacionais não são neutras em relação à raça (Robillard, 2025).

O estudo não oferece uma receita pronta para resolver essas tensões. Seu valor está em mostrar a necessidade de examiná-las durante o codesign, em vez de presumir que uma solução inicialmente bem-intencionada funcionará sem ajustes. Para professores, isso reforça a importância de poder apontar consequências que talvez não apareçam quando um material é desenvolvido longe da turma.

Dados e apoio estruturado podem orientar melhorias na escola

Em uma parceria entre pesquisa e prática voltada ao apoio comportamental positivo em Maryland, nos Estados Unidos, pesquisadores e profissionais ajustaram ao longo do tempo um sistema de dados sobre fidelidade de implementação. O estudo examinou duas ferramentas de avaliação e como seus resultados se relacionavam com indicadores acadêmicos e comportamentais em escolas de diferentes etapas. O TFI esteve associado a menos faltas às aulas, enquanto o IPI esteve associado à melhora das pontuações em matemática (Budavari, 2026).

O trabalho é um exemplo de como uma parceria pode responder a uma necessidade prática — nesse caso, simplificar a mensuração — sem tratar a ferramenta como algo imutável. Os parceiros examinaram aspectos conceituais distintos e sobrepostos das medidas e usaram dados para aperfeiçoar o acompanhamento da implementação. As associações relatadas não significam que uma medida, por si só, cause determinado resultado; o resumo descreve relações entre indicadores no contexto estudado (Budavari, 2026).

Outra pesquisa investigou a formação de uma diretora de ensino médio dentro de uma parceria, com apoio de um coach e participação em uma comunidade de coaching de liderança. A diretora aprendeu a definir um problema da prática com conceitos e ferramentas de melhoria, a selecionar ideias de mudança de alto potencial e a liderar uma mudança sistêmica na escola. O estudo ilustra uma modalidade personalizada de desenvolvimento profissional conectada à parceria (Paufler, 2026).

Na Educação Infantil, um estudo de caso acompanhou 26 diretores durante um programa de desenvolvimento profissional de 12 semanas baseado no estudo da própria prática. A análise de diários, mentorias e entrevistas identificou mudanças como sair do isolamento para a investigação colaborativa e trocar uma liderança mais diretiva por uma facilitadora. A maioria elaborou planos de continuidade e implementou mudanças, mas a sustentabilidade permaneceu uma preocupação. Os autores também relatam que contratempos pareceram acompanhar mudanças mais profundas do que um percurso sem grandes dificuldades (Dewhirst, 2026).

O contexto de leitura mostra que evidências precisam conversar com as necessidades locais

Uma parceria de dois anos em um distrito urbano reformulou práticas de intervenção de leitura de Nível II no ensino médio. O artigo de discussão explorou três questões: como usar dados e teorias de leitura para atender às necessidades do sistema e dos estudantes; como selecionar um currículo e avaliar sua eficácia; e como o inglês afro-americano dos estudantes pode ter se relacionado à implementação e ao desenvolvimento de habilidades fundamentais. Os autores apresentam as tensões vividas no processo para apoiar profissionais e pesquisadores que buscam aprimorar práticas em redes escolares (Reynolds, 2025).

O estudo não deve ser lido como uma conclusão universal sobre intervenções de leitura. Seu foco é justamente a tomada de decisões em contexto, incluindo a relação entre uma proposta, os dados disponíveis e as características linguísticas dos estudantes. Essa ênfase se conecta a uma pesquisa realizada nos Estados Unidos que entrevistou atores educacionais e comparou suas expectativas com as informações disponíveis numa revisão sistemática com metanálise sobre programas escolares de prevenção da depressão.

Na pesquisa de Day e colegas, educadores queriam informações sobre características demográficas de estudantes e escolas, sensibilidade cultural dos programas, fidelidade e implementação, além de facilitadores e custos. Os autores identificaram desalinhamento entre as informações desejadas e as que a metanálise conseguia fornecer; o maior alinhamento apareceu para fidelidade e implementação. A conclusão recomenda relatórios mais detalhados sobre estudantes, escolas e programas, ou o armazenamento dessas informações em repositórios acessíveis (Day, 2025).

Em conjunto, esses estudos indicam que não basta perguntar se uma intervenção “funciona” em termos gerais. Para decidir sobre seu uso, educadores também precisam saber para quem foi estudada, em que condições foi implementada e que recursos exige. A parceria pode ajudar a fazer essas perguntas, desde que a informação produzida seja compreensível e útil para quem toma decisões na escola.

Os estudos lado a lado

A tabela reúne os estudos citados e diferencia o que cada um investigou do que seu resumo relata. Quando o contexto geográfico ou a etapa não aparecem no resumo, isso não é completado por suposição.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Sjölund, 2025Discursos e posições de participantes em parceria pesquisa-prática.Identifica discursos orientados a resultados e a processos; negociar entre eles pode evitar hegemonia, mas produzir identidades ambíguas.Parceria de grande escala com 300 participantes; país e etapa não informados no resumo.
Sjölund, 2024Fronteiras numa parceria de pesquisa e prática educacional.Caracteriza sete fronteiras em três temas e mostra posições diferentes para professores, de implementadores a copesquisadores.Quatro pesquisadores, 300 profissionais; país e etapa não informados no resumo.
Robillard, 2025Conversa de codesign em Ciência da Computação e relevância cultural.Uma mudança culturalmente responsiva trouxe novos desafios pedagógicos; tecnologias não são neutras em relação à raça.Educadores e estudantes de um distrito escolar; país e etapa não informados no resumo.
Budavari, 2026Dados e avaliação da fidelidade na ampliação do apoio comportamental positivo.Relata associação do TFI com menos faltas e do IPI com melhora em matemática.Maryland, EUA; escolas de ensino fundamental, fundamental II e médio.
Paufler, 2026Uso da ciência da melhoria por uma diretora numa parceria com coaching.A diretora aprendeu a definir problemas, selecionar mudanças e liderar mudança sistêmica.Diretora de ensino médio; país não informado no resumo.
Dewhirst, 2026Estudo da própria prática em desenvolvimento profissional de diretores.Identifica cinco padrões de transformação e aponta preocupação com sustentabilidade.26 diretores de Educação Infantil; programa de 12 semanas; país não informado.
Reynolds, 2025Intervenção de leitura de Nível II e decisões numa parceria de dois anos.Discute avaliação, escolha curricular e possível relação entre inglês afro-americano e implementação.Distrito urbano que atende majoritariamente estudantes afro-americanos; ensino médio.
Day, 2025Expectativas de educadores frente às informações de sínteses de evidências.Encontra desalinhamento em quatro temas; maior alinhamento em fidelidade e implementação.Entrevistas nos EUA e revisão sobre prevenção escolar da depressão.

Quais são os pontos em comum e as divergências entre os estudos?

O ponto em comum é que aproximar pesquisa e prática exige mais do que compartilhar resultados. Os estudos sobre parcerias mostram disputas em torno de papéis e decisões; os trabalhos sobre melhoria, leitura e comportamento mostram que dados, ferramentas e intervenções precisam ser interpretados à luz de prioridades escolares. Em todos esses casos, o contexto não é um detalhe que se acrescenta no fim: influencia o que se pergunta e como se age.

Há diferenças no foco. Sjölund analisa como os participantes se posicionam e como as fronteiras organizam a colaboração. Robillard acompanha uma tensão surgida numa conversa específica de codesign. Budavari descreve o uso de medidas em um programa de abrangência estadual, enquanto Paufler e Dewhirst examinam aprendizagem e desenvolvimento profissional de lideranças. Reynolds e Day enfatizam as informações necessárias para decidir sobre programas em contextos concretos.

Também variam os tipos de conclusão. Alguns resumos relatam resultados observados, como associações entre medidas e indicadores ou padrões de aprendizagem de diretores. Outros descrevem questões e tensões investigadas, sem oferecer uma conclusão geral sobre a eficácia de uma abordagem. Não é possível concluir, com esse conjunto, que um formato de parceria seja superior para todas as escolas. Tampouco fica resolvido como distribuir tempo, recursos e autoridade de modo sustentável, nem como garantir que as evidências tragam detalhes suficientes para diferentes comunidades escolares.

O que isso significa para a sala de aula?

Os estudos não testaram as propostas abaixo como um pacote de estratégias para todas as turmas. São aplicações possíveis das questões que eles levantam; cada professor pode adaptá-las ao problema e aos recursos da própria escola.

1. Comece por uma pergunta de prática que possa ser investigada

Como aplicação, em vez de iniciar uma conversa com “qual programa devemos adotar?”, uma equipe pode formular uma pergunta observável: em que momentos os estudantes participam menos de uma atividade? Imagine uma turma de 7º ano em que parte dos alunos quase não contribui numa discussão. O grupo pode combinar o que observar, por quanto tempo e quais explicações considerar, sem presumir de antemão que a causa está nos estudantes. Essa forma de começar conversa com o trabalho de definição de problemas descrito por Paufler (Paufler, 2026).

2. Combine os papéis antes de coletar dados

Como aplicação, uma equipe pode registrar quem propõe a pergunta, quem reúne informações, quem interpreta os resultados e quem decide os próximos passos. Imagine uma parceria em que pesquisadores apoiam a análise, mas professores conhecem as condições de aplicação e podem questionar uma leitura que não combina com a experiência da turma. Tornar essas responsabilidades explícitas ajuda a evitar que a colaboração se reduza a pedir aos docentes que executem um plano definido por outros, uma tensão observada nos estudos de posições e fronteiras (Sjölund, 2024; Sjölund, 2025).

3. Pergunte para quais estudantes uma proposta foi pensada

Como aplicação, antes de usar uma atividade ou recurso, a equipe pode conversar sobre quem está representado, quem pode encontrar barreiras e que ajustes seriam necessários. Imagine uma proposta de programação cuja narrativa não considera a experiência cultural de parte da turma. O episódio de codesign analisado por Robillard lembra que identificar e corrigir um problema de relevância pode abrir novas questões pedagógicas. Por isso, vale prever espaço para testar e revisar a adaptação, não apenas aprová-la na primeira reunião (Robillard, 2025).

4. Use dados para orientar perguntas, não para encerrar a conversa

Como aplicação, uma equipe pode acompanhar um indicador simples — por exemplo, participação numa atividade — e relacioná-lo a observações sobre como a atividade foi conduzida. Imagine que os registros apontem muitas ausências numa intervenção: antes de atribuir o resultado a uma causa, a equipe pode verificar se a intervenção foi aplicada como planejado e se a medida escolhida responde à pergunta. O estudo de Budavari mostra um uso de dados para acompanhar fidelidade e ajustar uma abordagem; não transforma uma medida isolada em explicação completa (Budavari, 2026).

5. Registre o contexto junto com o resultado

Como aplicação, ao testar uma mudança, anote também características relevantes da turma, condições de implementação, recursos e adaptações realizadas. Imagine duas turmas que usam a mesma atividade, mas têm tempos, apoios e necessidades diferentes. Um resultado sem esse contexto pode ser difícil de interpretar ou transferir. A pesquisa sobre as expectativas dos educadores em relação às sínteses de evidências mostra a importância de informações sobre estudantes, escolas, sensibilidade cultural, implementação e custos (Day, 2025).

6. Trate contratempos como informação para revisar a proposta

Como aplicação, se uma estratégia não produzir o efeito esperado, a equipe pode examinar o que ocorreu antes de abandoná-la ou insistir nela sem mudanças. Imagine que uma atividade de leitura prevista para um grupo não se encaixe na linguagem usada pelos estudantes. O estudo de Reynolds descreve a necessidade de ponderar, em contexto, a avaliação, o currículo e a possível relação entre o inglês afro-americano e a implementação. Isso sugere uma conversa cuidadosa sobre adequação, sem transformar uma característica linguística em déficit do aluno (Reynolds, 2025).

7. Planeje como manter a aprendizagem depois da formação

Como aplicação, ao encerrar um projeto ou uma formação, a equipe pode combinar quem continuará acompanhando a mudança e quando haverá uma revisão. Imagine que uma escola conclua um ciclo de desenvolvimento profissional, mas não reserve tempo para rever as práticas adotadas. O estudo com diretores da Educação Infantil relata elaboração de planos de continuidade e implementação de mudanças, mas também aponta a sustentabilidade como preocupação. Planejar continuidade desde o início pode ajudar a evitar que a aprendizagem fique restrita ao período de formação (Dewhirst, 2026).

O que muda no contexto brasileiro?

Os estudos citados vêm de contextos internacionais e não autorizam transportar diretamente programas, ferramentas ou resultados para as escolas brasileiras. O estudo de Budavari descreve a parceria PBIS Maryland, em Maryland, nos Estados Unidos, com instrumentos de fidelidade e uma experiência de implementação em escala estadual. Essas ferramentas e os indicadores mencionados pertencem àquele caso; uma escola brasileira não deve presumir que os mesmos critérios ou associações se aplicam sem análise local.

Day e colegas também realizaram entrevistas nos Estados Unidos. Reynolds e colegas tratam de uma rede que atende majoritariamente estudantes afro-americanos e discutem a relação possível entre inglês afro-americano e implementação de uma intervenção. Esse debate específico não pode ser equiparado automaticamente às realidades linguísticas, raciais e regionais brasileiras. Ainda assim, a pergunta geral é pertinente: uma recomendação considera as formas de comunicação, as experiências e as condições dos estudantes a quem se destina?

Já os resumos dos estudos de Sjölund não especificam o país da parceria. Por isso, é mais seguro aproveitar suas análises de papéis e fronteiras como perguntas para reflexão, não como descrição de uma política brasileira ou de um modelo nacional. O mesmo cuidado vale para os estudos de codesign e liderança: eles iluminam questões possíveis, mas não demonstram que todas as escolas disponham de pesquisadores, coaches ou tempo protegido para colaborar.

Uma adaptação possível no Brasil é começar em pequena escala: escolher uma questão relevante para a escola, combinar o papel dos participantes, registrar as condições de aplicação e revisar o que os dados permitem concluir. Isso é uma sugestão de aplicação, não um resultado testado por estes estudos no país. A parceria também precisa considerar os recursos disponíveis, a organização da rede e o conhecimento profissional dos docentes. Sem essa atenção, a expressão “baseado em evidências” pode virar uma recomendação pouco utilizável para a turma concreta.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem identificar objetivos, métodos gerais e resultados relatados, mas nem sempre trazem detalhes suficientes para avaliar instrumentos, procedimentos, limitações ou a força das conclusões. Também reúnem pesquisas com perguntas, participantes e contextos diferentes; não formam uma comparação controlada entre modelos de parceria.

Ficam em aberto perguntas importantes: como se distribuíram os efeitos entre diferentes grupos de estudantes; que condições sustentam uma parceria ao longo do tempo; quais adaptações são necessárias em redes brasileiras; e que recursos e custos estão envolvidos em cada abordagem. Quando uma decisão escolar depender da adoção de um programa, da escolha de uma ferramenta ou da interpretação de um resultado, faz sentido consultar o estudo completo e verificar seus métodos, contexto e limites. Para adaptar uma prática, também é importante reunir informações da própria escola, sem tomar uma associação ou um caso como garantia de resultado local.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Uma parceria de pesquisa e prática pode levantar perguntas sobre objetivos, compreensão e avaliação; o GeraProva pode apoiar a elaboração de provas e atividades para organizar uma verificação de aprendizagem, mas não substitui a análise do contexto nem a conversa entre professores e pesquisadores. Você pode conhecer o gerador de provas do GeraProva e fazer seu cadastro grátis para explorar a ferramenta.

Perguntas frequentes sobre cooperação entre universidade e escola

Uma parceria entre universidade e escola garante que a pesquisa será aplicada?

Não. Os estudos mostram que uma parceria pode aproximar pesquisa e prática, mas também enfrenta diferenças de objetivos, linguagem, responsabilidades e poder. Sjölund identificou discursos orientados a resultados e a processos, além de posições variadas para os participantes. Esses desafios indicam que a colaboração precisa ser organizada e negociada. Uma pesquisa pode orientar perguntas e decisões, mas sua aplicação depende de como a proposta se relaciona com a turma, os recursos e as prioridades da escola. A parceria não elimina a necessidade de adaptação e avaliação local.

O professor precisa ser pesquisador para participar de uma parceria?

Não é necessário presumir que o professor tenha formação acadêmica em pesquisa. Os estudos apontam, porém, que profissionais da educação podem contribuir para definir problemas, interpretar informações e decidir como uma proposta funciona no contexto escolar. Sjölund mostra que professores podem ser posicionados como implementadores ou como copesquisadores, e essa diferença pode afetar o potencial de aprendizagem da parceria. Participar de uma investigação colaborativa pode envolver observar a prática e refletir sobre ela com apoio, sem exigir que o docente substitua o pesquisador ou assuma sozinho tarefas de pesquisa.

Como saber se uma intervenção funciona para a minha turma?

Os estudos não oferecem uma resposta universal para qualquer turma. Eles sugerem perguntas úteis antes de adotar uma intervenção: para quais estudantes foi pensada, que informações existem sobre o contexto, quais são os requisitos de implementação e que recursos serão necessários? Day e colegas encontraram desalinhamento entre várias informações que educadores desejavam e as disponíveis em uma metanálise. Reynolds também descreve decisões sobre leitura que precisaram considerar dados, teoria, currículo e contexto linguístico. Como aplicação, examine a evidência disponível e acompanhe a implementação na escola antes de generalizar resultados.

O que fazer quando uma adaptação cria um problema novo?

Uma dificuldade nova não significa automaticamente que a adaptação foi errada. No estudo de codesign de Robillard, educadores mudaram uma decisão para tornar o design mais culturalmente responsivo, mas encontraram desafios pedagógicos inesperados. O caso sugere que adaptações podem exigir novas decisões e que tecnologias educacionais não são neutras em relação à raça. Como aplicação, a equipe pode descrever o problema observado, ouvir os profissionais envolvidos e rever tanto o material quanto a forma de usá-lo. Os estudos não apresentam uma solução única: a revisão precisa considerar os estudantes e as condições da escola.

Que tipo de dado pode ajudar numa parceria de pesquisa e prática?

O dado depende da pergunta. Budavari descreve o uso de medidas de fidelidade para acompanhar a implementação de apoio comportamental positivo e relata associações específicas com faltas e pontuações em matemática. Isso não significa que uma única medida explique todos os resultados. Day e colegas mostram que educadores também precisam de informações sobre estudantes, escolas, sensibilidade cultural, implementação, facilitadores e custos. Como aplicação, a equipe pode selecionar indicadores ligados ao problema e registrar as condições em que foram obtidos. Dados úteis são aqueles que ajudam a decidir e podem ser interpretados junto com o contexto.

Os resultados desses estudos podem ser usados diretamente nas escolas brasileiras?

Não sem análise. Parte das pesquisas foi realizada em contextos dos Estados Unidos, como o trabalho sobre a parceria de Maryland e o estudo de Day; outros resumos não especificam o país. Programas, ferramentas e condições de implementação podem não corresponder às redes brasileiras. Ainda assim, questões como participação docente, adequação cultural, clareza dos dados e continuidade podem orientar conversas locais. É mais prudente tratar os estudos como fontes de perguntas e possibilidades, consultar os textos completos quando a decisão exigir detalhe e verificar se a proposta faz sentido para a comunidade escolar brasileira.

Referências

  1. Sjölund (2025). Discursos de colaboração e posicionamento dos participantes em parcerias entre pesquisa e prática (Discourses of Collaboration and Participant Positioning in Research-Practice Partnerships). Scandinavian Journal of Educational Research. Link.
  2. Sjölund e Lindvall (2024). Examinando fronteiras em uma parceria de grande escala entre pesquisa e prática educacional (Examining Boundaries in a Large-Scale Educational Research-Practice Partnership). Journal of Educational Change. Link.
  3. Robillard, Lee, Clarke-Midura e Shumway (2025). Uma análise da interação em uma conversa de codesign em Ciência da Computação sobre relevância cultural e suas implicações para o design (An Interaction Analysis of a Computer Science Co-Design Conversation on Cultural Relevance and Its Implications for Design). Journal of Research on Technology in Education. Link.
  4. Budavari, Bradshaw, Somerville, Francis, Jeffrey-Pearsall e Pas (2026). Uma parceria entre pesquisa e prática para ampliar a escala do apoio comportamental positivo: tomada de decisão baseada em dados para orientar a avaliação da fidelidade da implementação (A Research-Practice Partnership to Scale Positive Behavior Support: Data-Based Decision Making to Inform the Assessment of Implementation Fidelity). Grantee Submission; previsto para publicação em Prevention Science. Link.
  5. Paufler, Klar e Carter (2026). Construindo uma cultura escolar positiva por meio da melhoria contínua: desenvolvimento da liderança em uma parceria entre pesquisa e prática (Building a Positive School Culture Using Continuous Improvement: Leadership Development in a Research-Practice Partnership). Journal of Educational Administration. Link.
  6. Dewhirst (2026). Explorando o estudo da própria prática como desenvolvimento profissional: experiências de aprendizagem de diretores da Educação Infantil (Exploring Self-Study as Professional Development: Early Childhood Directors' Learning Experiences). Early Childhood Education Journal. Link.
  7. Reynolds, Kemper e Collette (2025). Intervenção em habilidades fundamentais no ensino médio em contexto: aprendizados de uma parceria entre pesquisa e prática em um distrito urbano (High School Foundational Skills Intervention in Context: Lessons from a Research-Practice Partnership in an Urban District). Journal of Adolescent & Adult Literacy. Link.
  8. Day, Steinka-Fry, Schweer-Collins, Grant, Trevino e Tanner-Smith (2025). Falando com propósitos divergentes? Explorando o (des)alinhamento entre pesquisa e prática (Talking at Cross Purposes? Exploring (Mis)Alignment between Research and Practice). Educational Research. Link.

Se esse tema conversa com um desafio da sua escola, escolha uma pergunta concreta para discutir com a equipe e comece por ela: boas parcerias também se constroem passo a passo.

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