Atividades sobre Estratégias de solução de problemas com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69CO06)
Quando recebo a EF69CO06 no planejamento, minha primeira reação é pensar: como transformar uma habilidade com cara de programação em uma aula que faça sentido para turmas tão diferentes, do 6º ao 9º ano? Na prática, eu preciso sair da definição da BNCC e criar situações em que os estudantes comparem casos, percebam padrões e entendam por que uma solução única pode atender a vários problemas parecidos.
Também preciso avaliar mais do que a memorização de uma fórmula ou de um comando. Quero ver se a turma reconhece o que muda em cada caso, o que permanece igual e quais dados precisam virar variáveis. Abaixo, reuni caminhos possíveis para a sala e questões prontas que ajudam a observar essa aprendizagem.
O que a habilidade EF69CO06 pede, de verdade?
A EF69CO06 pede que o estudante olhe para versões parecidas de um problema, compare o que elas têm em comum e o que muda, e use essa análise para criar uma solução que não sirva apenas para um exemplo. Em linguagem de sala, não basta resolver “a área deste retângulo” ou somar “estes dois números”: a turma precisa perceber que base e altura podem variar, que a quantidade de números pode mudar e que uma função pode receber informações diferentes por meio de parâmetros. O foco é desenvolver o raciocínio de generalização: em vez de repetir vários algoritmos quase iguais, criar um procedimento que se adapte aos casos. Isso vale com programação em blocos, pseudocódigo, planilhas, situações matemáticas e até regras do cotidiano. O estudante deve justificar quais características são comuns, identificar as variáveis necessárias e explicar como elas permitem tratar todos os casos de forma organizada.
“Comparar diferentes casos particulares (instâncias) de um mesmo problema, identificando as semelhanças e diferenças entre eles, e criar um algoritmo para resolver todos, fazendo uso de variáveis (parâmetros) para permitir o tratamento de todos os casos de forma genérica.”
Essa habilidade pertence à unidade temática Pensamento Computacional, no objeto de conhecimento Estratégias de solução de problemas, e pode ser retomada do 6º ao 9º ano. Para conferir o texto e mais atividades, uso a consulta completa do código EF69CO06.
Como trabalhar EF69CO06 em sala?
1. Comparar cartões de problemas. Eu entrego pares de situações: calcular a área de dois retângulos, calcular o valor de duas compras ou organizar notas de estudantes. Em duplas, eles marcam o que é igual, o que muda e quais informações precisam entrar na solução.
2. Do caso concreto à regra. No quadro, resolvemos a área de um retângulo de 5 por 3. Depois troco as medidas. Pergunto: “O que não mudou no procedimento?” A turma chega à regra área = base × altura e identifica base e altura como variáveis.
3. Algoritmo de escolha. Posso propor uma escolha de lanche, livro, trajeto ou arma de jogo fictícia. Os grupos criam critérios, organizam uma tabela e escrevem passos para comparar as opções. O importante é usar dados, não decidir por palpite.
4. Programação sem computador. Em papel, os estudantes escrevem uma função como “calcular(operação, número1, número2)”. Depois testam soma, subtração e multiplicação. Assim, o parâmetro deixa de ser uma palavra abstrata e vira uma informação que muda o comportamento do algoritmo.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF69CO06 deve apresentar casos particulares relacionados e pedir comparação, identificação de variáveis ou criação de uma solução genérica. Vale cobrar que o estudante perceba limites de uma regra fixa: uma fórmula para quadrado não resolve todo tipo de figura, e uma tela única não atende todos os dispositivos.
Eu evito avaliações que peçam somente a definição de “algoritmo” ou que tragam um código pronto para o estudante copiar. Outro erro comum é considerar correta uma resposta que apenas lista exemplos, sem indicar o padrão entre eles. Na correção, observo se o aluno nomeia os dados que variam, mantém o procedimento essencial e explica por que os parâmetros ampliam o uso da solução.
Questões prontas de EF69CO06 (com gabarito comentado)
1. Lia está criando um programa para calcular a área de várias formas geométricas, como quadrados, retângulos e triângulos. Ela quer usar uma função chamada calcularArea para fazer esses cálculos. Qual estratégia deve ser usada?
- ❌ A) Receber somente a medida da base da forma. A base sozinha não basta para todos os cálculos; algumas formas exigem altura, comprimento ou raio.
- ❌ B) Aplicar a mesma fórmula para todas as formas. Cada forma pode exigir uma fórmula diferente.
- ✅ C) Receber a forma e suas medidas, escolhendo a fórmula correspondente. Assim, a função identifica o caso e usa os parâmetros adequados.
- ❌ D) Usar sempre a fórmula da área do quadrado. Essa fórmula não resolve retângulos e triângulos.
- ❌ E) Escolher a fórmula apenas pelo número de lados. O número de lados não informa as medidas necessárias.
2. Em um jogo, o jogador pode escolher uma arma para atacar. Cada arma tem força, alcance e velocidade. Qual ação ajuda a criar um algoritmo para facilitar a escolha?
- ❌ A) Usar apenas os nomes das armas na escolha. Nomes não permitem comparar características relevantes.
- ❌ B) Escolher uma arma fixa para todos os jogadores. Não há comparação nem adaptação à necessidade.
- ✅ C) Criar uma lista de armas com suas características. A lista organiza os dados para o algoritmo comparar opções.
- ❌ D) Deixar cada jogador inventar uma arma durante o jogo. Isso não organiza as opções existentes.
- ❌ E) Escolher uma arma ao acaso para cada jogador. A escolha aleatória ignora os critérios.
3. Na aula, Pedro criou dois algoritmos. Um soma dois números, e o outro soma três números. Qual é a diferença entre eles?
- ❌ A) Um soma dois números; outro, quatro. O segundo algoritmo soma três números, não quatro.
- ✅ B) Um soma dois números; outro, três. A diferença está na quantidade de valores recebidos.
- ❌ C) Um soma três números; outro, três. Os dois algoritmos não recebem a mesma quantidade.
- ❌ D) Um soma dois números; outro, dois. Isso ignora a diferença apresentada.
- ❌ E) Um soma um número; outro, dois. As quantidades foram reduzidas incorretamente.
4. Dado um algoritmo que multiplica dois números, como criar uma versão genérica que funciona para qualquer operação matemática?
- ❌ A) Adicionar todos os operadores na mesma função separadamente. Isso torna o código extenso e pouco generalizado.
- ✅ B) Utilizar uma função que aceite a operação como um parâmetro. O parâmetro permite mudar a operação sem criar uma solução para cada caso.
- ❌ C) Criar funções específicas para cada operação. Isso contraria a ideia de generalização.
- ❌ D) Converter todos os números em texto antes de calcular. Texto não resolve a escolha da operação matemática.
- ❌ E) Multiplicar os números e depois somá-los. A proposta não atende a todas as operações.
5. Identifique a semelhança entre duas instâncias do problema de calcular a área de um retângulo. Quais variáveis podem generalizar essa solução?
- ❌ A) Base e altura são constantes em qualquer caso. Elas variam de um retângulo para outro.
- ❌ B) Cálculo da área é sempre o mesmo para qualquer forma. A regra discutida é específica do retângulo.
- ✅ C) Pode-se usar base e altura como variáveis. Esses dados permitem aplicar a mesma regra a vários retângulos.
- ❌ D) A área não pode ser generalizada. Ela pode ser generalizada com variáveis.
- ❌ E) O cálculo depende de fatores externos. Ele depende das dimensões do retângulo.
6. Ao desenvolver um aplicativo, um programador precisa lidar com diferentes tamanhos de tela. Como generalizar suas funções?
- ❌ A) Definir tamanhos fixos para todos os elementos. Medidas fixas não se adaptam às telas.
- ✅ B) Usar parâmetros que ajustem os elementos conforme a tela. Isso permite adaptar a interface a diferentes dimensões.
- ❌ C) Criar versões específicas do aplicativo para cada tela. É uma solução ineficiente e pouco genérica.
- ❌ D) Ignorar as variações de tela e manter o design padrão. Isso prejudica a usabilidade.
- ❌ E) Utilizar somente porcentagens para definir tamanhos dos elementos. Porcentagens ajudam, mas não substituem parâmetros adaptáveis.
Próximos passos
Eu começaria com dois casos simples, pediria a comparação e só então apresentaria a ideia de variável. Para montar uma lista, atividade ou avaliação alinhada à habilidade, vale explorar o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis.
Use as questões como ponto de partida, adapte os exemplos à sua turma e valorize sempre a explicação do raciocínio: é nela que a generalização aparece.
