Avaliações nacionais de matemática no 8º ano: a nota também depende de como se faz a prova
Estudos sobre o NAEP mostram que resultados de matemática refletem tanto o conhecimento quanto as condições e estratégias usadas na prova. Veja o que isso pode ensinar ao professor brasileiro, sem confundir avaliação nacional dos EUA com a realidade daqui.
Uma avaliação nacional de matemática no 8º ano mede mais do que respostas certas: o modo como o estudante acessa, interpreta e administra a prova também pode estar ligado ao resultado.
Essa ideia aparece em pesquisas sobre o NAEP, uma avaliação dos Estados Unidos que inclui matemática nessa etapa escolar. Os estudos analisados observam desde diferenças entre padrões estaduais até o uso de áudio, o tempo dedicado aos itens e a forma como contextos culturais aparecem nas questões. Para professores brasileiros, o valor está em usar esses achados como lentes para pensar avaliações — não em tratar resultados ou regras norte-americanas como se descrevessem nossas escolas.
O que são avaliações nacionais de matemática no 8º ano e por que importam para o professor?
São avaliações aplicadas em larga escala para produzir informações sobre o desempenho de estudantes de uma etapa escolar, frequentemente com itens comuns e procedimentos padronizados. No conjunto de estudos aqui tratado, o exemplo central é o NAEP, aplicado nos Estados Unidos a estudantes do 8º ano. A prova avalia conhecimentos e habilidades matemáticas e, conforme a descrição da edição de 2024, inclui resolução de problemas em contextos matemáticos e do mundo real (National Assessment of Educational Progress, 2025).
Esse tipo de avaliação não é a mesma coisa que uma prova preparada pelo professor para acompanhar uma unidade. A avaliação nacional busca produzir uma leitura mais ampla, capaz de apoiar comparações e análises do sistema. Já a avaliação da turma pode servir para identificar o que precisa ser retomado amanhã, observar estratégias e ajustar o ensino a estudantes específicos. As duas podem dialogar, mas respondem a perguntas diferentes.
Na rotina escolar, o tema aparece quando o professor decide o que uma nota realmente permite concluir. Um resultado baixo pode apontar dificuldade com o conteúdo, mas também pode estar associado à leitura do enunciado, à gestão do tempo ou às condições de acesso ao item. Isso não significa que toda nota seja inconclusiva; significa que interpretar uma resposta exige atenção ao que a tarefa pediu e às condições em que foi feita.
O que a pesquisa recente mostra sobre as avaliações de matemática?
Uma escala comum ajuda a comparar padrões, mas não torna os sistemas iguais
Um relatório do NCES mapeou os padrões de proficiência definidos pelos estados norte-americanos para uma escala comum do NAEP, usando avaliações estaduais de 2021–22 e a aplicação do NAEP de 2022. O estudo incluiu matemática do 4º e do 8º ano. A finalidade era expressar os padrões estaduais em pontuações equivalentes do NAEP, permitindo compará-los apesar de as avaliações estaduais não terem padrões idênticos (Yee, 2026).
O resultado mais importante para interpretar esses números é que, em 2022, os padrões estaduais de proficiência corresponderam ao nível Básico do NAEP na maioria dos estados, nas duas etapas e disciplinas examinadas. Além disso, entre os estados com dados disponíveis nos três anos comparados, a distância entre a maior e a menor pontuação equivalente aumentou de 2019 para 2022 na matemática do 8º ano. Isso mostra que uma mesma expressão, como “proficiente”, não garante que os estados estejam usando um patamar equivalente.
O relatório não compara diretamente o desempenho de alunos brasileiros nem fornece uma escala que possa ser transferida para nossas provas. Sua contribuição é metodológica: ao comparar resultados, é preciso perguntar se os padrões e as medidas são comparáveis. Uma média isolada não explica o que foi considerado domínio nem como esse critério se relaciona com o ensino cotidiano.
Acesso à questão e estratégia de uso do áudio podem estar associados à precisão
Dois estudos investigaram a conversão de texto em fala, conhecida pela sigla TTS, em itens de matemática do NAEP. Um deles analisou dados de resposta e registros de uso de 28.090 estudantes do 8º ano em um item de 2017. O uso da ferramenta foi mais frequente entre estudantes de menor proficiência. Entre aqueles classificados como Abaixo do Básico, ouvir o enunciado associou-se a maior precisão, mas a associação diminuiu depois de 25 segundos de escuta (Wei, 2026).
O mesmo estudo encontrou uma relação diferente para estudantes no nível Básico: alternar frequentemente entre opções de áudio e outras ações associou-se negativamente à precisão. Para os níveis Proficiente e Avançado, não apareceu uma relação consistente. O resumo descreve relações observadas, não um experimento que prove que o áudio causou os resultados. A leitura cuidadosa é que o recurso pode se relacionar de formas distintas com o desempenho, conforme o nível e o padrão de uso.
Uma pesquisa exploratória baseada nos testes de matemática do NAEP de 2019 examinou fatores associados ao uso de TTS entre grupos de estudantes do 4º e do 8º ano, incluindo estudantes com deficiência, estudantes que aprendem inglês e grupos definidos por outras características. Também investigou a associação entre uso da ferramenta e tempo gasto nos itens. O resumo apresenta os objetivos, mas não descreve resultados; portanto, é possível afirmar o que foi investigado, não quais grupos usaram mais a ferramenta ou quanto tempo ela acrescentou (Edeh, 2025).
Há ainda uma análise de dados de processo que propõe um método para investigar como padrões de ações durante uma prova podem ajudar a explicar diferenças de desempenho entre grupos. A aplicação descrita envolve a avaliação de matemática do NAEP e compara estudantes com dificuldades de aprendizagem e pares com desenvolvimento típico. O estudo valida o procedimento por simulações e ilustra sua aplicação em uma avaliação em larga escala, sem que o resumo informe uma conclusão substantiva sobre a origem das diferenças observadas (Kwon, 2025).
O tempo de prova não funciona do mesmo modo para todos
Uma pesquisa sobre estudantes norte-americanos do 8º ano com dificuldades de aprendizagem identificou quatro perfis de uso do tempo em avaliações digitais. Os “Focalizadores Iniciais” gastavam mais tempo nos itens iniciais, descritos como mais simples, e menos nos posteriores, com mais omissões e baixo desempenho. Os “Progressistas Rápidos” terminavam depressa, mas mostravam envolvimento superficial ao longo da prova e também tinham baixo desempenho (Wei, 2026).
Os “Maximizadores Diligentes do Tempo” distribuíam o tempo de maneira esforçada, mas, quando não recebiam tempo estendido, frequentemente ficavam sem tempo nos dois últimos itens. Ainda assim, alcançavam a segunda maior pontuação. Já os “Priorizadores Eficientes” administravam o tempo de modo estratégico, obtinham a maior pontuação e relatavam forte persistência e interesse por matemática. Os nomes descrevem perfis identificados naquela pesquisa, não categorias para rotular estudantes em qualquer turma.
O estudo relata que o tempo estendido apoiou estudantes com estratégias meticulosas, como os Maximizadores Diligentes, mas não resolveu de forma universal as dificuldades dos demais perfis. A consequência prática não é concluir que mais tempo não ajuda, nem que todos precisam da mesma adaptação. É perceber que tempo disponível e estratégia de uso são dimensões diferentes. A pesquisa analisou estudantes com dificuldades de aprendizagem em contexto norte-americano; a aplicação em outras redes exige cautela.
O contexto cultural das questões também merece exame
Um estudo exploratório adaptou itens de matemática do 8º ano do NAEP com vocabulário, cenários e contextos que se esperava serem mais familiares a estudantes hispânicos nos Estados Unidos, com foco em referências porto-riquenhas, dominicanas e mexicanas. A amostra reuniu quase mil estudantes do 8º ano de diferentes estados norte-americanos (Sinharay, 2025).
Os itens adaptados reduziram em 25% a diferença média equalizada de pontuação entre estudantes brancos e hispânicos. O estudo encontrou pouca ou nenhuma diferença em comportamentos dos participantes que indicariam motivação e engajamento. Esse resultado é específico das adaptações estudadas e do contexto norte-americano: não permite prever que qualquer troca de cenário, em qualquer prova, reduzirá diferenças de desempenho.
O achado abre uma pergunta útil para quem escreve avaliações: um enunciado está medindo o raciocínio matemático pretendido ou também exige familiaridade com um contexto particular? No Brasil, os contextos culturais, linguísticos e regionais não são os mesmos. A pesquisa pode inspirar uma revisão crítica das questões, mas não fornece uma lista pronta de referências brasileiras nem uma fórmula para adaptar itens.
Uma fotografia nacional pode esconder movimentos diferentes
O resumo da avaliação de matemática do NAEP de 2024 informa que a pontuação média do 8º ano não apresentou mudança significativa em relação à edição anterior e que havia diferenças de desempenho entre estudantes de melhor e pior desempenho. Para o 4º ano, a média foi dois pontos maior do que em 2022 e três pontos abaixo da pontuação pré-pandemia de 2019; esses dados ajudam a lembrar que tendências podem diferir por etapa (National Assessment of Educational Progress, 2025).
Para o professor, a observação mais prudente é não tratar uma média estável como prova de que todos os estudantes avançaram ou estagnaram igualmente. O próprio resumo aponta a existência de diferenças entre os grupos de melhor e pior desempenho no 8º ano. Uma medida agregada sintetiza resultados, mas não substitui a leitura das necessidades específicas de uma turma nem permite atribuir, por si só, causas a essas diferenças.
Quais estudos ajudam a entender avaliações nacionais no 8º ano?
A tabela reúne os estudos citados e separa o que cada resumo efetivamente relata. O foco está em avaliações do NAEP e em análises relacionadas, realizadas nos Estados Unidos; os contextos não devem ser confundidos com avaliações brasileiras.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Yee, 2026 | Mapeamento de padrões estaduais para a escala NAEP. | Na maioria dos estados, o padrão estadual de proficiência correspondeu ao nível Básico do NAEP em 2022; a dispersão na matemática do 8º ano aumentou frente a 2019. | Estados Unidos; 4º e 8º anos; dados estaduais de 2021–22 e NAEP 2022. |
| Wei, 2026 | Uso de TTS em um item de matemática e precisão. | Entre estudantes Abaixo do Básico, ouvir o enunciado associou-se a maior precisão, com redução do benefício após 25 segundos; alternância frequente associou-se negativamente no nível Básico. | NAEP de 2017; 8º ano; análise de registros de uso. |
| Edeh, 2025 | Fatores associados ao uso de TTS e tempo nos itens. | O resumo descreve objetivos e grupos analisados, sem apresentar resultados. | NAEP de 2019; 4º e 8º anos; Estados Unidos. |
| Kwon, 2025 | Método para relacionar dados de processo e diferenças de desempenho. | Apresenta validação por simulações e aplicação a uma avaliação NAEP; o resumo não informa uma conclusão substantiva sobre as diferenças. | Avaliação de matemática em larga escala; estudantes com dificuldades de aprendizagem e pares. |
| Wei, 2026 | Perfis de uso do tempo e tempo estendido. | Identifica quatro perfis; o tempo estendido apoia um perfil meticuloso, mas não resolve universalmente os desafios. | Estudantes norte-americanos do 8º ano com dificuldades de aprendizagem; avaliação digital. |
| Sinharay, 2025 | Adaptação cultural de itens de matemática. | Os itens adaptados reduziram em 25% a diferença média equalizada entre estudantes brancos e hispânicos; houve pouca ou nenhuma mudança em indicadores comportamentais de engajamento. | Quase mil estudantes do 8º ano em diversos estados dos EUA; contextos hispânicos especificados no estudo. |
| National Assessment of Educational Progress, 2025 | Resultados da avaliação de matemática de 2024. | A média do 8º ano não mudou significativamente; havia diferença entre estudantes de melhor e pior desempenho. | Estados Unidos; 4º e 8º anos; edição de 2024. |
O registro de Wei, 2026 aparece em dois trabalhos distintos, um sobre TTS e outro sobre perfis de tempo; a referência abaixo identifica cada publicação pelo título e link para evitar confusão.
O que os estudos têm em comum e onde divergem?
Em conjunto, os estudos indicam que a interpretação de uma avaliação não se esgota na pontuação final. Os padrões usados para definir proficiência podem variar; ferramentas de acessibilidade e estratégias de tempo se relacionam de maneiras diferentes com o desempenho; e a formulação cultural dos itens pode estar associada a diferenças nas pontuações. Essa convergência não quer dizer que os estudos tenham medido o mesmo fenômeno. Cada um observa uma peça distinta da avaliação.
Também há diferenças importantes. O mapeamento de Yee compara padrões entre estados e anos, enquanto os estudos de TTS e tempo examinam comportamentos durante avaliações digitais. Sinharay testa alterações em itens e compara resultados de grupos. Já Edeh descreve uma investigação exploratória sem resultados apresentados no resumo, e Kwon propõe um procedimento analítico. Não seria correto colocar todos no mesmo nível de evidência ou resumir o conjunto com uma afirmação causal única.
Ficam em aberto questões que importam para a prática: como esses padrões se comportariam em outras avaliações, com outros itens e em contextos escolares diferentes? Como distinguir uma dificuldade matemática de uma barreira de leitura ou de navegação? E quais adaptações funcionam para cada estudante sem alterar o conhecimento que a questão pretende avaliar? Os resumos oferecem pistas, mas não fecham essas perguntas.
O que isso significa para a sala de aula?
Os estudos não prescrevem um método de ensino brasileiro. As propostas a seguir são aplicações possíveis inspiradas nas perguntas que as pesquisas levantam, e não resultados testados por elas em turmas brasileiras.
1. Separe o erro de conteúdo do obstáculo de acesso
Aplicação possível: ao revisar uma prova, observe se a resposta errada decorreu do conceito matemático ou se o estudante não conseguiu interpretar uma frase, compreender uma condição ou identificar o que precisava responder. Por exemplo, imagine um item com várias informações: em uma conversa de devolutiva, peça ao estudante que explique o enunciado com suas palavras antes de refazer o cálculo. Isso não prova automaticamente a causa do erro, mas ajuda o professor a fazer perguntas melhores antes de planejar a retomada.
2. Ensine a usar recursos de áudio como estratégia, não como botão automático
Aplicação possível: se a plataforma da escola oferece leitura em voz alta, reserve uma atividade para experimentar como ouvir o enunciado, pausar e voltar a uma parte específica. Em uma situação hipotética, uma turma pode comparar o que acontece ao escutar uma vez com atenção e ao alternar repetidamente entre opções sem um objetivo claro. A pesquisa sobre o NAEP associa padrões distintos de uso a resultados diferentes em alguns níveis, mas não autoriza concluir que a ferramenta seja boa ou ruim para todo estudante.
3. Observe como cada estudante distribui o tempo
Aplicação possível: em uma atividade formativa, peça que os alunos anotem quais itens resolveram primeiro, onde demoraram e se deixaram algo em branco. Imagine um estudante que gasta quase todo o tempo nos primeiros exercícios e não chega aos últimos. Em vez de interpretar o resultado apenas como falta de domínio, investigue também a estratégia de percurso. Os perfis identificados no estudo não devem virar rótulos: servem como lembrete de que respostas iguais podem ter sido produzidas por processos diferentes.
4. Teste formas de revisão sem transformar velocidade em objetivo
Aplicação possível: ensine uma rotina de revisão que inclua conferir a pergunta, verificar a operação e decidir se vale seguir adiante antes de voltar a um item difícil. Por exemplo, uma atividade pode ter uma etapa curta de planejamento do tempo, seguida de uma conversa sobre as escolhas feitas. A intenção não é fazer todos terminarem rápido, mas tornar visíveis decisões que às vezes ficam escondidas na nota final. O estudo sobre tempo encontrou tanto conclusão rápida com engajamento superficial quanto estratégias eficientes, portanto rapidez isolada não define qualidade.
5. Revise o contexto dos enunciados
Aplicação possível: ao elaborar uma prova, pergunte se o cenário é familiar o bastante para que a matemática seja o foco, sem exigir conhecimentos laterais desnecessários. Imagine uma questão cuja situação depende de uma prática que parte da turma desconhece. Uma alternativa é verificar se o contexto pode ser explicado sem entregar o raciocínio matemático. O resultado de Sinharay sobre itens adaptados nos EUA encoraja essa revisão, mas não garante que trocar cenários produza o mesmo efeito em uma turma brasileira.
6. Use adaptações com acompanhamento individual
Aplicação possível: se um estudante recebe tempo adicional ou outro recurso de acesso, observe qual barreira a adaptação pretende reduzir e se está ajudando naquela tarefa. Uma forma de acompanhar é comparar, em diferentes atividades, omissões, conclusão dos itens e explicações do estudante, sem reduzir a análise a uma nota. O estudo com alunos com dificuldades de aprendizagem sugere que o tempo estendido não resolve todos os perfis da mesma maneira. A decisão concreta deve seguir as necessidades do estudante e os procedimentos da escola, não uma generalização do estudo norte-americano.
7. Explique aos estudantes o que a prova consegue e não consegue dizer
Aplicação possível: depois de uma avaliação, converse sobre o tipo de habilidade que o item solicitava e sobre o que uma resposta isolada permite inferir. Por exemplo, uma turma pode analisar por que um resultado final não mostra sozinho se houve dificuldade de leitura, cálculo, escolha de estratégia ou administração do tempo. Isso não diminui a importância da prova; torna seu uso mais formativo. O princípio acompanha a diversidade de medidas e processos observados nas pesquisas, mas é uma proposta de prática, não uma intervenção testada nesses estudos.
O que muda ao trazer essas pesquisas para o contexto brasileiro?
Os estudos descritos são ligados ao sistema dos Estados Unidos e, em sua maioria, ao NAEP. Seus níveis de proficiência, amostras, formatos de aplicação e adaptações não são equivalentes, por definição, aos usados no Brasil. O mapeamento de padrões estaduais, por exemplo, responde a uma questão de comparabilidade entre estados norte-americanos; não fornece uma régua pronta para classificar escolas ou estudantes brasileiros.
Há, ainda assim, perguntas transferíveis. Ao elaborar uma avaliação, podemos examinar se o critério de acerto está claro, se o enunciado mede matemática ou introduz uma barreira não pretendida, e se a forma de aplicar a prova dá ao estudante condições de mostrar o que sabe. Essas são perguntas de reflexão profissional, não conclusões específicas dos estudos sobre a rede brasileira.
Também é preciso adaptar os exemplos culturais com responsabilidade. O estudo de Sinharay trabalhou com referências a comunidades hispânicas nos Estados Unidos; isso não indica quais contextos são familiares a estudantes brasileiros. Uma aplicação local pede atenção às experiências diversas dentro da própria turma, sem presumir que uma região, identidade ou grupo seja homogêneo. Do mesmo modo, achados sobre TTS e tempo estendido não substituem decisões pedagógicas e de acessibilidade orientadas pelas necessidades de cada estudante.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes fornecidos para a leitura, e não na consulta integral aos trabalhos. Alguns resumos apresentam resultados específicos; outros informam principalmente o objetivo e o método. Por isso, foram relatados apenas os achados explicitados e, quando o resumo não traz resultado, a descrição se limita ao que a pesquisa investigou.
As perguntas em aberto incluem detalhes sobre os instrumentos, as características completas das amostras, a interpretação das medidas e os limites de generalização de cada resultado. Também seria importante entender como os procedimentos foram implementados e quais análises adicionais sustentam as conclusões, especialmente antes de adotar uma adaptação em larga escala ou fazer uma afirmação causal. A leitura do estudo completo faz sentido quando a decisão escolar depende de um resultado específico, quando se pretende replicar uma estratégia ou quando é necessário avaliar se as condições da pesquisa se parecem com as da própria escola.
Como o GeraProva ajuda com avaliações de matemática?
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Perguntas frequentes sobre avaliações nacionais de matemática no 8º ano
O que o NAEP avalia em matemática no 8º ano?
O NAEP é uma avaliação dos Estados Unidos. A descrição da edição de 2024 informa que a prova mede conhecimentos e habilidades matemáticas e a capacidade de resolver problemas em contextos matemáticos e do mundo real. Os estudantes também respondem a questionários sobre oportunidades de aprender e de se envolver com matemática dentro e fora da escola. Essa descrição ajuda a entender o escopo da avaliação, mas não significa que o NAEP seja uma prova brasileira nem que seus resultados possam ser comparados diretamente com os de uma avaliação local.
Uma nota de avaliação nacional mostra exatamente o que cada estudante sabe?
Uma pontuação resume o desempenho observado em uma avaliação, mas os estudos discutidos mostram por que vale olhar além dela. Pesquisas analisaram padrões diferentes de uso do tempo, uso de leitura em voz alta e efeitos de alterações nos contextos dos itens. Isso não torna a nota inútil; indica que ela deve ser interpretada considerando o que a prova mediu e as condições em que o estudante respondeu. Para o acompanhamento de uma turma, o professor pode combinar resultados com observação, explicações dos alunos e outras atividades.
O tempo estendido ajuda todos os estudantes?
O estudo sobre estudantes norte-americanos do 8º ano com dificuldades de aprendizagem relata que o tempo estendido apoiou um perfil de estudantes que distribuía o tempo de forma meticulosa, mas não resolveu universalmente os desafios dos demais perfis. Os resultados não permitem concluir que a adaptação seja inútil ou que funcione da mesma maneira em qualquer contexto. Eles sugerem que o tempo disponível e a estratégia de uso podem interagir. Na prática, decisões de adaptação precisam considerar as necessidades do estudante e as regras aplicáveis na escola.
A leitura em voz alta melhora o desempenho em matemática?
Os estudos não sustentam uma resposta universal. Em uma análise de um item do NAEP de 2017, ouvir o enunciado associou-se a maior precisão entre estudantes classificados como Abaixo do Básico, com redução dessa associação depois de 25 segundos. Entre estudantes do nível Básico, alternar frequentemente o uso do áudio associou-se a menor precisão. Para os níveis Proficiente e Avançado, não apareceu uma relação consistente. Como a pesquisa observou dados de uso e um item específico, não prova que o áudio cause o mesmo resultado em toda prova.
Os resultados do NAEP podem ser aplicados diretamente às escolas brasileiras?
Não. Os estudos apresentados se referem ao contexto dos Estados Unidos e a uma avaliação específica. As escalas, os padrões estaduais, os grupos estudados e os contextos culturais não equivalem automaticamente aos do Brasil. O que pode ser aproveitado são perguntas para orientar a análise da própria prática: o critério de proficiência está claro? O enunciado permite avaliar o conhecimento pretendido? O tempo e os recursos de acesso são adequados? Para transferir uma conclusão específica, é preciso verificar se as condições da pesquisa correspondem às da realidade brasileira.
Por que revisar o contexto cultural de uma questão de matemática?
Porque um contexto pouco familiar pode acrescentar uma exigência que não é o raciocínio matemático que o professor pretende observar. Em um estudo exploratório do NAEP, itens adaptados com vocabulário e cenários mais familiares a estudantes hispânicos nos Estados Unidos reduziram em 25% a diferença média equalizada de pontuação entre estudantes brancos e hispânicos, embora houvesse pouca ou nenhuma diferença em indicadores de motivação e engajamento. Esse resultado é específico daquele estudo. No Brasil, revisar os contextos é uma aplicação possível, não uma garantia de que diferenças de desempenho diminuirão.
Referências
- Yee, Darrick Shen-Wei; Cramer, Brian (2026). Mapeamento dos padrões de proficiência estaduais nas escalas do NAEP: resultados das avaliações de leitura e matemática do NAEP de 2022 (Mapping State Proficiency Standards onto the NAEP Scales: Results from the 2022 NAEP Reading and Mathematics Assessments). National Center for Education Statistics. Link.
- Wei, Xin (2026). Análise do uso de Texto-para-Fala em avaliações de matemática: implicações e percepções específicas por nível de proficiência (Analyzing Text-to-Speech Usage in Math Assessments: Proficiency-Specific Implication and Insights). Grantee Submission. Link.
- Edeh, Ejike J.; Buzick, Heather M.; Wood, Sarah G. (2025). Explorando o uso universal de conversão de texto em fala em avaliações entre subpopulações de estudantes (Exploring Universal Text-to-Speech Use in Assessment among Student Sub-Populations). Applied Measurement in Education. Link.
- Kwon, Sunbeom; Zhang, Susu (2025). Explicando as diferenças de desempenho com dados de processo da resolução de problemas por meio de análise de mediação em classes latentes (Explaining Performance Gaps with Problem-Solving Process Data via Latent Class Mediation Analysis). Grantee Submission. Link.
- Wei, Xin (2026). Explorando perfis de uso do tempo em avaliações digitais de matemática para estudantes com dificuldades de aprendizagem (Exploring Time-Use Profiles in Digital Mathematics Assessments for Students with Learning Disabilities). Journal of Learning Disabilities. Link.
- Sinharay, Sandip; Johnson, Matthew S.; Bennett, Randy E.; Lopez, Rita M.; Sparks, Jesse R.; Pillarisetti, Srinivasa (2025). Investigando elementos de avaliações culturalmente responsivas no contexto do National Assessment of Educational Progress (NAEP): uma exploração inicial (Investigating Elements of Culturally Responsive Assessments in the Context of the National Assessment of Educational Progress: An Initial Exploration). Educational Measurement: Issues and Practice. Link.
- National Assessment of Educational Progress (2025). NAEP 2024 Matemática: 4º e 8º anos (NAEP 2024 Mathematics: Grades 4 & 8). National Assessment of Educational Progress. Link.
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