Atitudes de crianças pré-escolares sobre outros países: o que as pesquisas ainda não respondem
Os estudos disponíveis investigam pertencimento, participação e desenvolvimento infantil, mas não medem diretamente atitudes de pré-escolares sobre outros países. Veja o que é possível aproveitar sem transformar evidências indiretas em conclusões.
Entender como crianças pré-escolares formam ideias sobre outros países importa porque essas ideias podem aparecer cedo em conversas, brincadeiras e histórias da escola. Mas há uma questão decisiva antes de tirar conclusões: os estudos reunidos para este texto não investigam diretamente o que crianças pequenas pensam sobre países estrangeiros. O que podemos afirmar sobre o tema, o que pesquisas próximas ajudam a compreender e como levar essa distinção para a prática docente?
A resposta exige separar evidência direta de pista indireta. A seguir, reunimos estudos sobre pertencimento, participação, escuta infantil e desenvolvimento na primeira infância, explicamos o que eles realmente encontraram e propomos formas de explorar o assunto em sala sem atribuir às pesquisas resultados que elas não tiveram.
O que são atitudes de crianças pré-escolares em relação a outros países e por que importam para o professor?
Atitudes sobre outros países são ideias, sentimentos, avaliações ou expectativas que uma criança associa a lugares e às pessoas que vivem neles. Na rotina escolar, podem aparecer quando ela comenta uma história ambientada em outro lugar, pergunta de onde veio uma palavra ou compara alimentos, casas, brincadeiras e modos de viver. Essas falas, por si só, não permitem concluir que a criança tenha uma opinião consolidada sobre um país: podem refletir uma experiência pontual, uma imagem vista, uma conversa familiar ou uma interpretação própria.
Para o professor, a distinção é importante. Uma criança pode conhecer o nome de um país sem saber como é a vida cotidiana ali; pode gostar de um personagem sem estar expressando uma atitude sobre toda a população daquele lugar. Da mesma forma, uma comparação entre costumes não é automaticamente preconceito, embora possa ser uma oportunidade para conversar sobre diferenças sem hierarquizá-las. Essas são distinções pedagógicas úteis, não resultados dos estudos apresentados nesta fonte.
O tema também envolve como as crianças participam e como os adultos interpretam o que elas dizem. Algumas pesquisas incluídas aqui examinam perspectivas infantis em contextos específicos, mas não perguntam sobre países estrangeiros. Elas podem ajudar a pensar em escuta e participação; não podem ser tratadas como evidência direta sobre atitudes internacionais.
O que a pesquisa recente mostra sobre crianças pequenas e perspectivas sociais?
Os estudos disponíveis não medem diretamente atitudes sobre outros países
Este é o ponto central para ler a evidência com rigor: nenhum dos dez resumos fornecidos descreve uma investigação direta sobre atitudes de crianças pré-escolares em relação a países estrangeiros. Não há, nesse conjunto, um resultado que permita afirmar que crianças dessa idade gostam mais de determinado país, associam um lugar a uma característica específica ou formam suas opiniões de uma maneira particular.
Isso não torna os estudos inúteis. Eles abordam dimensões próximas, como pertencimento, participação, experiências na educação infantil, resolução de problemas sociais e compreensão de histórias. O valor está em usá-los para formular boas perguntas sobre escuta e contexto, mantendo explícito que são evidências relacionadas, não respostas diretas ao assunto do título.
Escutar as crianças exige considerar como e quando elas se expressam
Uma pesquisa com crianças de três a seis anos na Finlândia, na Islândia e na Suécia refletiu sobre desafios metodológicos e éticos ao estudar pertencimento na educação e no cuidado da primeira infância. Os autores discutem elicitação por fotografias, entrevistas durante caminhadas e observações participativas. Nas reflexões sobre o assentimento das crianças, destacam familiaridade, sensibilidade e momento oportuno; para abordar perspectivas infantis, apontam a escolha deliberada do método, a seleção criteriosa das crianças e a interpretação consciente do que elas comunicam (Juutinen, 2025).
O estudo não investigou outros países como tema das opiniões infantis. Sua contribuição para este assunto é metodológica: se o professor quiser saber o que as crianças pensam sobre um lugar, não deve presumir que uma pergunta direta, feita uma única vez, revele uma opinião completa. A forma de perguntar, o ambiente e a disponibilidade da criança para participar fazem parte da conversa.
Em Victoria, na Austrália, um estudo explorou as perspectivas de 14 crianças de três anos durante as etapas iniciais de uma reforma da educação infantil. Os dados foram reunidos por meio de entrevistas, desenhos, narração e fotografia. As crianças expressaram experiências ligadas a brincadeiras, espaços físicos e materiais e relações sociais. Os autores defendem que as crianças são atores sociais capazes e que suas perspectivas são fundamentais para compreender os programas de educação infantil (McFarland, 2026).
Também aqui, não se perguntou o que as crianças pensavam sobre países estrangeiros. O estudo reforça que experiências infantis podem ser exploradas por mais de um meio de expressão. Para o tema deste texto, isso sugere uma possibilidade de aplicação: combinar conversa, brincadeira e produções das crianças, sem tratar uma resposta isolada como retrato definitivo do que elas pensam.
Participação e percepção podem mudar conforme quem observa
Durante o confinamento da COVID-19 em Portugal, uma pesquisa investigou a participação de crianças da educação infantil e do ensino fundamental. Participaram 175 cuidadores, que responderam a um questionário on-line, e foram realizados três estudos de caso com crianças. Os resultados indicaram bons níveis de participação nas atividades cotidianas; crianças em idade escolar participaram mais, em frequência e envolvimento, do que as pré-escolares, e meninas apresentaram maior envolvimento do que meninos. Cuidadores e crianças também deram explicações diferentes: cuidadores enfatizaram características das crianças, enquanto elas ressaltaram a importância do ambiente (Grande, 2025).
Esse resultado diz respeito à participação durante um contexto excepcional em Portugal, não a opiniões sobre outros países. Ainda assim, oferece uma cautela útil: adultos e crianças podem interpretar uma mesma situação de maneiras diferentes. Ao conversar sobre um lugar, o professor não deve substituir a perspectiva infantil pela própria explicação do que a criança quis dizer. Vale perguntar, escutar e conferir se a interpretação adulta corresponde ao sentido que ela atribui à fala.
Outra pesquisa comparou opiniões de pais e professores sobre resolução de problemas sociais de crianças pré-escolares na Hungria e na Voivodina. Em ambas as amostras, pais percebiam as crianças como mais pró-sociais do que os professores, e professores avaliavam de forma mais negativa as atitudes de resolução de problemas do que os pais. O estudo também encontrou diferenças entre avaliações de mães, pais e professores (Teodóra, 2025).
Mais uma vez, o foco não eram outros países nem atitudes infantis sobre eles. O estudo lembra, porém, que avaliações dependem do ponto de vista de quem observa. Em uma conversa pedagógica sobre diversidade, isso recomenda distinguir o que a criança efetivamente disse, o que o adulto entendeu e o que pode ser uma interpretação baseada em expectativas próprias.
Histórias e contextos podem abrir oportunidades, sem provar mudança de atitude
Uma pesquisa realizada em pré-escolas independentes de Buca, em İzmir, na Turquia, comparou drama criativo e narração direta na compreensão de “Os Músicos de Bremen” por 96 crianças de 60 a 72 meses. As crianças que vivenciaram a história por meio do drama criativo obtiveram pontuações mais altas no pós-teste do que aquelas que ouviram a narração direta. Nas opiniões sobre a experiência, apareceram temas como encenação, aprendizagens, emoções e mudanças na história (Gü, 2026).
O estudo investigou compreensão de um conto, não atitudes sobre a Alemanha ou sobre outros países. A narrativa e seu título podem remeter a um lugar, mas isso não transforma o resultado em pesquisa sobre percepções nacionais. A conclusão pertinente é mais restrita: naquela investigação, o drama criativo esteve associado a pontuações mais altas de compreensão da história do que a narração direta. Usar dramatização para conversar sobre cenários culturais é uma aplicação possível, não um achado sobre atitudes internacionais.
Em Portugal, uma pesquisa entrevistou crianças da pré-escola e do ensino fundamental sobre concepções de escolha e realização de carreira. Os estudantes do ensino fundamental apresentaram níveis significativamente mais altos de raciocínio sobre escolha e realização de carreira do que as crianças da pré-escola (Í, 2026). O resultado é específico ao raciocínio sobre carreira e não informa como crianças pequenas avaliam outros países. Ele serve para lembrar que não devemos transportar conclusões de um domínio para outro: habilidades ou ideias investigadas sobre carreira não são automaticamente medidas de opinião cultural.
O que os estudos sobre perspectivas infantis investigaram lado a lado?
Os estudos abaixo foram selecionados porque ajudam a discutir escuta, participação ou interpretação de perspectivas de crianças. Nenhum deles mede diretamente atitudes pré-escolares sobre países estrangeiros; a coluna de resultados resume apenas aquilo que os resumos relatam.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Juutinen, 2025 | Desafios metodológicos e éticos para estudar pertencimento na primeira infância. | Destaca familiaridade, sensibilidade e momento oportuno no assentimento; ressalta método, seleção e interpretação consciente. | Crianças de 3 a 6 anos; Finlândia, Islândia e Suécia. |
| McFarland, 2026 | Perspectivas de crianças de 3 anos sobre educação infantil durante a implementação de uma reforma. | As experiências expressas envolveram brincadeiras, espaços e materiais e relações sociais; defende a relevância das perspectivas infantis. | Victoria, Austrália; 14 crianças de 3 anos. |
| Grande, 2025 | Participação de crianças durante o confinamento da COVID-19. | Relata diferenças de participação por etapa e gênero e percepções distintas entre cuidadores e crianças. | Portugal; 175 cuidadores e três estudos de caso com crianças. |
| Teodóra, 2025 | Opiniões de pais e professores sobre resolução de problemas sociais. | Encontra diferenças entre avaliações de pais e professores e entre percepções de mães e pais. | Hungria e Voivodina; crianças em idade pré-escolar. |
| Gü, 2026 | Drama criativo e narração direta na compreensão de um conto de fadas. | O grupo de drama criativo obteve pontuações mais altas no pós-teste de compreensão da história. | Buca, İzmir, Turquia; 96 crianças de 60 a 72 meses. |
| Í, 2026 | Concepções de escolha e realização de carreira na infância. | Crianças do ensino fundamental apresentaram níveis mais altos de raciocínio sobre carreira do que as pré-escolares. | Portugal; 101 crianças da pré-escola e do ensino fundamental. |
O que há em comum e o que ainda diverge entre os estudos?
O ponto em comum mais útil para a prática não é um achado sobre países; é a importância de considerar perspectivas, contexto e forma de observação. Juutinen e colegas refletem sobre como métodos e condições de participação interferem na pesquisa com crianças pequenas. McFarland e colegas mostram como crianças de três anos expressaram experiências por diferentes meios. Grande e colegas relatam que crianças e cuidadores explicaram a participação de maneiras distintas. Em conjunto, essas pesquisas tornam prudente ouvir a criança sem supor que o adulto já conhece o significado da resposta.
Os estudos também diferem bastante no que perguntam e em como recolhem informações. Um trata de pertencimento e desafios éticos; outro de experiências na educação infantil; outro de participação durante o confinamento; outro de avaliações de resolução de problemas sociais; e outro de compreensão narrativa. Portanto, eles não formam uma medida comum de atitudes sobre outros países. Compará-los como se todos respondessem à mesma pergunta produziria uma conclusão enganosa.
Uma divergência relevante está entre as percepções dos participantes: no estudo de Portugal, cuidadores e crianças enfatizaram fatores diferentes para explicar a participação; nas pesquisas de Hungria e Voivodina, pais e professores avaliaram de forma diferente aspectos da resolução de problemas sociais. Isso não prova que as crianças sempre discordem dos adultos, nem que uma perspectiva seja universalmente mais correta. Mostra apenas que, nesses contextos e nessas investigações, as avaliações não foram idênticas.
O que continua sem resposta é justamente o assunto principal: que ideias sobre países estrangeiros aparecem entre pré-escolares, de onde vêm, como variam conforme as experiências das crianças e como se transformam ao longo do tempo. Também falta, nesta seleção, uma investigação que compare diretamente contextos nacionais ou examine como as próprias crianças explicam suas associações. Essas perguntas exigiriam estudos concebidos para medi-las, e não inferências a partir de pesquisas sobre temas vizinhos.
Como levar esse cuidado para a sala de aula?
Uma aplicação pedagógica possível é abordar lugares e culturas com curiosidade, sem apresentar as sugestões abaixo como resultados comprovados pelos estudos. A meta é criar oportunidades para que as crianças expressem o que sabem, perguntem e revisem ideias, em vez de atribuir a elas opiniões que não foram investigadas.
1. Pergunte primeiro o que a criança quer dizer
Como aplicação, quando uma criança associa um país a uma comida ou personagem, o professor pode perguntar: “O que fez você pensar nisso?” ou “Onde você viu isso?”. Imagine uma criança mencionar um país depois de ouvir uma história: em vez de corrigir ou completar imediatamente, o adulto escuta a origem daquela associação. A pesquisa sobre pertencimento ressalta a importância de escolher métodos e interpretar conscientemente as perspectivas infantis (Juutinen, 2025); a pergunta sugerida é uma forma prática de aplicar essa cautela, não uma técnica testada ali para opiniões sobre países.
2. Use mais de um meio para a expressão
Como aplicação, proponha que as crianças mostrem suas ideias por conversa, desenho, brincadeira ou narração, sem exigir que todas respondam da mesma maneira. Imagine uma turma que escuta um conto ambientado em outro lugar: algumas crianças podem querer representar uma cena, outras podem preferir contar o que chamou sua atenção. A pesquisa australiana reuniu perspectivas por entrevista, desenho, narração e fotografia, e identificou experiências relacionadas a brincadeiras, espaços, materiais e relações sociais (McFarland, 2026). Isso sustenta a relevância de escutar por diferentes vias em pesquisa; a proposta para uma atividade sobre países é uma aplicação docente.
3. Separe o comentário da interpretação adulta
Como aplicação, registre com clareza a fala da criança e, em separado, sua interpretação. Imagine que uma criança diga que gostaria de visitar um lugar porque “tem animais”. O registro pode conservar as palavras dela, enquanto a hipótese do professor sobre o que a criança sabe fica identificada como hipótese. Grande e colegas encontraram diferenças entre as explicações de cuidadores e crianças sobre participação em atividades (Grande, 2025). Esse resultado não trata de países, mas ajuda a justificar cuidado ao não confundir a perspectiva infantil com a explicação adulta.
4. Convide a comparar sem transformar diferença em escala de valor
Como aplicação, ao apresentar histórias, brincadeiras ou comidas associadas a lugares diferentes, o professor pode perguntar o que parece familiar e o que desperta curiosidade. Imagine duas histórias com famílias que organizam uma refeição de modos distintos: a conversa pode explorar diferenças sem concluir que um jeito é melhor. Essa proposta é uma escolha pedagógica; não é um efeito encontrado nos estudos selecionados. Para manter a conversa aberta, vale reconhecer que um exemplo não representa todas as pessoas de um país.
5. Trate as histórias como histórias, não como retratos completos de um país
Como aplicação, se uma narrativa infantil tem lugar de origem identificável, o professor pode dizer que ela conta uma história situada, não que descreve toda a vida daquele país. Imagine uma dramatização em que a turma representa personagens e depois conversa sobre o que pertence ao enredo e o que gostaria de saber sobre o lugar. O estudo de “Os Músicos de Bremen” encontrou pontuações mais altas de compreensão entre as crianças que vivenciaram a história por drama criativo do que entre as que ouviram narração direta (Gü, 2026). Isso não comprova que a dramatização altere atitudes sobre países; usar a atividade para abrir perguntas é uma aplicação.
6. Observe o ambiente e o momento da conversa
Como aplicação, escolha um momento em que a turma esteja disponível e um espaço em que as crianças consigam participar sem pressão. Imagine uma conversa que começa durante uma brincadeira espontânea: o professor pode ouvir primeiro, em vez de transformar a fala em interrogatório coletivo. Juutinen e colegas destacam familiaridade, sensibilidade e momento oportuno ao refletir sobre assentimento infantil (Juutinen, 2025). O estudo aborda pesquisa sobre pertencimento, mas esses cuidados podem inspirar a organização de uma atividade; não são uma receita universal para qualquer turma.
7. Confira suas impressões com outras perspectivas
Como aplicação, quando uma opinião parecer importante para planejar uma intervenção, o professor pode observar em mais de uma situação e conversar com a equipe ou com a família, sem presumir que todos terão a mesma leitura. Imagine que uma criança fique em silêncio numa atividade sobre outro país: isso não permite concluir, sozinho, que ela não tenha interesse. O estudo de Teodóra e colegas encontrou diferenças entre avaliações de pais e professores sobre resolução de problemas sociais (Teodóra, 2025). Ele não investigou atitudes culturais; o uso aqui é uma cautela geral contra tomar uma única avaliação como descrição completa da criança.
O que muda ao pensar esse tema no contexto brasileiro?
Os estudos citados foram realizados em contextos fora do Brasil: Austrália, Portugal, Finlândia, Islândia, Suécia, Hungria, Voivodina e Turquia, conforme cada resumo. As perguntas, os contextos institucionais e as experiências das crianças nesses lugares não podem ser transferidos automaticamente para turmas brasileiras. Além disso, nenhum dos estudos selecionados mede diretamente atitudes de pré-escolares brasileiros sobre países estrangeiros.
Na prática, isso pede atenção a quem compõe cada turma e ao repertório que as próprias crianças trazem. Uma aplicação possível é começar por perguntas abertas sobre histórias, lugares e experiências que elas mencionem, sem supor que toda criança tenha tido contato com as mesmas referências. A proposta não depende de afirmar que uma cultura é homogênea ou que uma atividade terá o mesmo efeito em todas as escolas.
Também é importante evitar transformar uma pesquisa feita em outro país em regra de desenvolvimento universal. O estudo português sobre participação ocorreu durante o confinamento da COVID-19, um contexto específico (Grande, 2025). A investigação australiana acompanhou experiências de crianças de três anos durante uma reforma da educação infantil em Victoria (McFarland, 2026). Esses recortes ajudam a entender o que foi estudado, mas não descrevem por si só as condições de uma escola brasileira.
Para responder especificamente como crianças brasileiras constroem atitudes sobre outros países, seriam necessárias pesquisas conduzidas com essa pergunta, em contextos brasileiros e com métodos apropriados à idade. Até lá, professores podem desenvolver conversas cuidadosas como escolha pedagógica, sem apresentar essa prática como comprovação de um efeito ou como resultado da evidência reunida aqui.
Quais são os limites desta leitura?
Este texto se baseia nos resumos de estudos recentes fornecidos, não na leitura dos artigos completos. Além disso, os estudos selecionados tratam de assuntos próximos, mas não investigam diretamente atitudes de crianças pré-escolares em relação a outros países. Por isso, não é possível atribuir a eles conclusões sobre quais países as crianças preferem, que imagens associam a cada lugar ou como essas atitudes se formam.
Ficam abertas perguntas importantes: como as próprias crianças descrevem suas ideias sobre outros países? Que experiências e conversas influenciam essas ideias? Como distinguir curiosidade, conhecimento de uma história e uma opinião mais geral? As respostas poderiam variar conforme a idade, o contexto e a forma de perguntar? Para avançar, faria sentido consultar estudos completos quando o objetivo for compreender detalhes de método e resultados ou buscar pesquisas desenhadas diretamente para essas questões.
Também seria importante ler o estudo completo antes de usar um instrumento, reproduzir uma intervenção ou tomar uma decisão baseada em aspectos metodológicos que o resumo não detalha. As recomendações de sala de aula neste texto são aplicações propostas a partir de temas próximos; não devem ser confundidas com intervenções avaliadas pelos estudos citados.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
O GeraProva pode ajudar o professor a criar questões e atividades para acompanhar o que as crianças compreenderam depois de uma história ou conversa sobre lugares, desde que a avaliação seja adequada à etapa e não trate respostas infantis como medida validada de atitude cultural. Você pode conhecer o gerador de provas do GeraProva e fazer o cadastro grátis para explorar a plataforma.
Perguntas frequentes sobre atitudes de crianças pequenas em relação a outros países
Os estudos reunidos mostram o que pré-escolares pensam sobre países estrangeiros?
Não. Nenhum dos resumos fornecidos descreve uma investigação direta sobre atitudes de crianças pré-escolares em relação a outros países. Os estudos abordam temas próximos, como pertencimento, participação, experiências na educação infantil, resolução de problemas sociais e compreensão de histórias. Eles ajudam a pensar em como ouvir crianças e interpretar suas perspectivas, mas não permitem concluir que crianças dessa idade prefiram determinados países, associem um lugar a características específicas ou formem suas opiniões de uma maneira particular.
Posso usar uma história ambientada em outro país para conversar sobre culturas?
Sim, como escolha de aplicação pedagógica, desde que a história não seja apresentada como retrato completo de um país ou de todas as pessoas que vivem nele. O estudo sobre “Os Músicos de Bremen” investigou compreensão da narrativa: crianças que vivenciaram a história por drama criativo tiveram pontuações mais altas no pós-teste do que aquelas que ouviram narração direta (Gü, 2026). Esse resultado não mede atitudes sobre a Alemanha nem prova que dramatizar mude opiniões sobre países. A conversa cultural é uma possibilidade docente, não a conclusão da pesquisa.
Como posso descobrir o que uma criança quis dizer com um comentário?
Uma aplicação razoável é perguntar com curiosidade, escutar sem completar a resposta pela criança e considerar diferentes formas de expressão. O estudo sobre pertencimento na Finlândia, Islândia e Suécia refletiu sobre familiaridade, sensibilidade e momento oportuno no assentimento, além da escolha do método e da interpretação consciente das perspectivas infantis (Juutinen, 2025). Ele não testou perguntas sobre países, mas torna pertinente pensar em como e quando se escuta. Um comentário isolado não deve ser tratado automaticamente como opinião consolidada.
As crianças e os adultos podem interpretar uma situação de formas diferentes?
Sim, há exemplos disso nos estudos reunidos, embora nenhum se refira a atitudes sobre países. Durante o confinamento em Portugal, crianças e cuidadores deram ênfases diferentes ao explicar a participação em atividades: crianças destacaram a importância do ambiente, enquanto cuidadores se apoiaram sobretudo em características das crianças (Grande, 2025). Em Hungria e Voivodina, pais e professores também apresentaram avaliações diferentes sobre resolução de problemas sociais (Teodóra, 2025). Esses resultados recomendam cuidado ao presumir que a interpretação adulta corresponda exatamente à perspectiva infantil.
Os resultados de estudos feitos fora do Brasil podem ser aplicados diretamente?
Não devem ser transferidos automaticamente. Os estudos citados ocorreram em contextos específicos de países e regiões como Austrália, Portugal, Finlândia, Islândia, Suécia, Hungria, Voivodina e Turquia. As pesquisas investigaram perguntas distintas e não mediram diretamente atitudes de pré-escolares brasileiros sobre outros países. Para a sala de aula, o professor pode aproveitar ideias gerais de escuta e participação como aplicações próprias, mas deve evitar apresentar essas propostas como resultados comprovados ou como regras universais de desenvolvimento.
Que pesquisa ainda seria necessária para responder à pergunta do título?
Seria necessária uma investigação que perguntasse diretamente às crianças pré-escolares o que pensam sobre outros países, como explicam essas ideias e em que experiências se apoiam. A pesquisa precisaria considerar métodos apropriados à idade, o contexto em que as crianças vivem e a interpretação cuidadosa das respostas. Os estudos disponíveis aqui não respondem a essas questões. Consultar pesquisas completas pode ser importante para avaliar métodos específicos; para responder ao tema central, porém, o essencial é localizar estudos desenhados para investigar diretamente essas atitudes.
Referências
- Grande, Catarina; Vilar, Joana; Coelho, Vera (2025). O novo (anormal): a participação de crianças que frequentam a educação infantil e o ensino fundamental durante o confinamento (The New (Ab)Normal: The Participation of Children Attending Preschool and Elementary School during Confinement). International Journal of Early Years Education. Link.
- Günseli Yıldırım; Cemil Türk; Endam Düzyol-Türk (2026). O efeito do método de drama criativo na compreensão de contos de fadas por crianças da pré-escola: o caso de “Os Músicos de Bremen” (The Effect of the Creative Drama Method on Preschool Children's Fairy Tale Comprehension: The Case of "The Bremen Town Musicians"). Journal of Early Childhood Literacy. Link.
- Juutinen, Jaana; Einarsdottir, Johanna; Emilson, Anette (2025). Aproximando-se das perspectivas das crianças sobre o pertencimento: desafios metodológicos e éticos (Approaching Children's Perspectives on Belonging: Methodological and Ethical Challenges). European Early Childhood Education Research Journal. Link.
- McFarland, Laura; Page, Jane; Baker, Lisa M.; Young, Sarah; Caburnay, Eunice Gabrielle; Levickis, Penny; Eadie, Patricia (2026). “Precisamos continuar desenhando tudo de que gosto!”: perspectivas de crianças de três anos sobre suas experiências na educação infantil durante uma reforma educacional ("We Need to Keep Picturing All of the Stuff I Like!": Three-Year-Old Children's Perspectives of Their Kindergarten Experiences during Educational Reform). International Journal of Early Childhood. Link.
- Szitás Teodóra; Gál Zita; Kasik László (2025). Resolução de problemas sociais por crianças em idade pré-escolar na Hungria e na Voivodina, com base nas opiniões de pais e professores (Preschool Children's Social Problem-Solving in Hungary and Vojvodina Based on Parents' and Teachers' Opinions). European Journal of Education. Link.
- Íris M. Oliveira; Kimberly A. S. Howard; Cátia Marques; Ana Daniela Silva; Maria do Céu Taveira (2026). Concepções de Escolha e Realização de Carreira em Crianças Portuguesas da Pré-Escola e do Ensino Fundamental (Conceptions of Career Choice and Attainment in Portuguese Preschool and Elementary-School Children). International Journal for Educational and Vocational Guidance. Link.
Se este tema aparece nas conversas da sua turma, vale começar pela curiosidade e pela escuta: as perguntas das crianças também podem ajudar a orientar o próximo passo.
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