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Atitudes de alunos do ensino médio em relação à matemática: interesse, confiança e pertencimento

Pesquisas recentes relacionam as atitudes em matemática a interesse, confiança, relações entre pares, acessibilidade e práticas de ensino. Veja o que os estudos encontraram e como transformar esses sinais em decisões de sala de aula.

Atitudes de alunos do ensino médio em relação à matemática: interesse, confiança e pertencimento

O interesse por matemática voltou ao centro das discussões recentes porque estudantes dos Estados Unidos ainda não haviam recuperado níveis anteriores à pandemia, e muitos relatavam tédio nas aulas. Para o professor, esse sinal pode aparecer na rotina como pouca disposição para começar uma tarefa, participação irregular ou a impressão de que o conteúdo não conversa com a vida dos alunos. Uma pesquisa de opinião sobre estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio investigou justamente essas percepções (Schwartz, 2025).

Mas tédio não explica tudo, e “rejeitar matemática” não é uma característica fixa de um aluno. Estudos recentes observam dimensões diferentes: como o estudante entende um conceito, sente que pertence ao grupo, reage à competição, percebe o próprio professor e consegue acessar ferramentas digitais. Em vez de buscar uma causa única, vale olhar para essas condições e perguntar o que, na experiência concreta da turma, pode estar alimentando afastamento ou interesse.

O que são atitudes de alunos do ensino médio em relação à matemática e por que importam para o professor?

Atitudes em relação à matemática são as maneiras como os estudantes se posicionam diante da disciplina: seu interesse, motivação, confiança, disposição para tentar, sensação de pertencimento e resposta às experiências de aprendizagem. Na rotina escolar, elas aparecem quando alguém se arrisca a explicar um raciocínio, desiste ao encontrar um erro, pergunta se pode resolver de outro jeito ou considera a atividade relevante. Não se resumem a gostar ou não gostar da matéria.

Isso importa porque uma atitude observada pode ter relação com mais de um aspecto da experiência. Um aluno pode executar um procedimento e ainda não saber justificar por que funciona; outro pode evitar falar por receio de errar diante dos colegas. A pesquisa sobre desigualdades, por exemplo, encontrou estudantes capazes de seguir certas regras, mas com dificuldades para explicitar o raciocínio e interpretar representações (Siagian, 2026). Já estudos sobre pares associaram abordagens de aprendizagem à resiliência acadêmica em matemática (Chen, 2026).

Para o professor, a utilidade dessa lente é prática: em vez de concluir que alguém “não tem jeito para matemática”, observar em que situação a participação muda. A atitude não é um diagnóstico clínico nem uma medida isolada de aprendizagem. É um conjunto de sinais que ajuda a formular perguntas melhores sobre as tarefas, as interações, as explicações e as condições de acesso oferecidas na aula.

O que a pesquisa recente mostra sobre as atitudes em matemática?

Os estudos não apontam uma explicação única para o interesse ou o afastamento. Em conjunto, investigam experiências distintas — desde tédio e relações entre pares até práticas docentes, tecnologia e compreensão conceitual. Os resultados ajudam a separar dimensões que podem ser confundidas na conversa cotidiana, sem transformar uma associação ou um estudo de contexto específico em regra para todas as turmas.

Interesse e motivação podem ser influenciados pela experiência de aula

O relatório do American Youth Panel, nos Estados Unidos, parte de uma preocupação com a recuperação dos resultados em matemática após a pandemia. O resumo relata que estudantes frequentemente se sentem entediados com a matemática e apresenta dados de opinião sobre experiências nas aulas de estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio. O tédio surge como uma possível explicação para a lenta recuperação, não como a única causa, nem como prova de que todos os estudantes vivenciam a disciplina da mesma forma (Schwartz, 2025).

Em outro contexto norte-americano, cinco estudos investigaram se professores que expressam humildade intelectual — admitindo confusão, desconhecimento ou erros — podem favorecer motivação e engajamento. No estudo com estudantes do ensino médio, perceber os professores como mais humildes intelectualmente esteve associado a maior interesse e engajamento; longitudinalmente, modelar essa postura previu mudanças nas notas por meio da disposição dos estudantes para expressar humildade intelectual. Os estudos também relataram mecanismos como maior sensação de aceitação pelo professor e de pertencimento ao grupo, além de menor crença de que o fracasso prejudica a aprendizagem (Porter, 2026).

Esses achados aproximam interesse e clima de aprendizagem, mas não autorizam concluir que uma frase do professor resolverá o desinteresse. A pesquisa de Porter abrangeu diferentes estudos e participantes, incluindo adolescentes e universitários; seu resumo descreve resultados, não uma receita universal. A contribuição prática é considerar que a maneira como o adulto reage à dúvida e ao erro pode fazer parte da experiência que os alunos têm da matemática.

Relações entre colegas podem se ligar à persistência, mas cooperação não é uma solução automática

Uma pesquisa com 861 estudantes chineses do primeiro ano do ensino médio examinou interação percebida com pares, abordagens de aprendizagem e resiliência acadêmica em matemática. A percepção de competição entre colegas associou-se negativamente a abordagens profundas e à resiliência, e positivamente a abordagens superficiais. Abordagens profundas, por sua vez, associaram-se positivamente à resiliência, enquanto abordagens superficiais se associaram negativamente (Chen, 2026).

A cooperação percebida associou-se positivamente a abordagens profundas e negativamente a abordagens superficiais, mas não apresentou relação significativa direta com a resiliência. As abordagens de aprendizagem mediaram a relação entre a interação percebida e a resiliência. A distinção é importante: não basta organizar alunos em grupos e presumir que a colaboração, por si só, aumentará a persistência. O que os estudantes percebem na interação e como se envolvem com a aprendizagem também entram no quadro investigado.

Um estudo de aprendizagem informal explorou, pela perspectiva de oito mentores universitários próximos em idade, as características e os papéis que ajudam a envolver estudantes do ensino médio. Os dados dos grupos focais indicaram que as características mais influentes eram as que apoiavam o funcionamento psicossocial dos mentorados (Galarza, 2026). Como o resumo se concentra nas perspectivas dos mentores, ele não mede diretamente um efeito sobre atitudes ou desempenho dos estudantes. Ainda assim, chama atenção para o componente relacional do acompanhamento.

Desafios conceituais podem coexistir com procedimentos corretos

O estudo sobre desigualdades investigou como estudantes do ensino médio compreendem regras, conjuntos solução e representações simbólicas. Os autores relatam que muitos conseguiam realizar procedimentos, como inverter o sinal da desigualdade ao multiplicar ou dividir por um número negativo, mas tinham dificuldade para explicitar o raciocínio. Entre as dificuldades descritas estavam a notação de intervalos, a generalização excessiva de regras e a visualização das soluções na reta numérica (Siagian, 2026).

O estudo também encontrou diferentes níveis de precisão ao traduzir situações do mundo real para a notação de desigualdade: alguns estudantes eram simbolicamente precisos sem conseguir justificar conceitualmente a resposta. Os autores recomendam articular compreensão procedimental e conceitual, usar visualizações e direcionar intervenções a concepções equivocadas. Para a discussão sobre atitudes, isso é relevante porque um aluno que parece seguro ao aplicar uma regra pode ainda estar com dúvidas sobre o significado do que faz; observar apenas a resposta final oferece uma imagem incompleta.

Ensino ambicioso, relevância e oportunidades de participação

Uma análise das respostas de 184 estudantes do ensino fundamental II e do ensino médio a um questionário de 2021 investigou ensino ambicioso, ensino antirracista, engajamento, autoeficácia e participação em ações sociopolíticas e comunitárias. Os resultados sugerem que os estudantes relataram altos níveis de ensino ambicioso, enquanto os professores raramente empregavam ensino antirracista, apesar de os estudantes estarem prontos para promover mudanças sociais. Os autores concluem que práticas antirracistas combinadas com ensino ambicioso criam experiências eficazes de matemática (Bell, 2026).

O resumo não detalha quais ações específicas foram observadas em cada aula, portanto não cabe transformar a conclusão em uma lista fechada de atividades. O achado, porém, coloca em pauta a relação entre as práticas docentes, a autoeficácia e a participação dos estudantes. Para um professor, uma pergunta útil é se a tarefa permite que os alunos mobilizem ideias, façam conexões e reconheçam sua capacidade de contribuir, em vez de apenas repetir um caminho apresentado.

Na Albânia, uma pesquisa com 188 estudantes de duas escolas de ensino médio trabalhou transformações geométricas por meio de problemas abertos e tecnologia. O estudo investigou aquisição de conhecimento, criatividade, motivação para participar e confiança nas habilidades matemáticas, usando avaliação final, entrevistas e questionários. O resumo descreve o objetivo e os procedimentos de análise das atitudes, mas não apresenta um resultado específico sobre o nível de motivação ou confiança encontrado. Por isso, é possível dizer o que foi investigado, não afirmar que a abordagem aumentou essas dimensões (Sila, 2026).

Tecnologia pode apoiar o envolvimento quando é acessível e viável

Uma pesquisa com 30 estudantes do 9º ano em uma escola de ensino médio no sudeste da Türkiye examinou uma intervenção de três semanas com GeoGebra. Os autores relatam que o recurso contribuiu para concretizar conceitos, ampliar a compreensão conceitual e a motivação, estruturar o processo de aprendizagem e promover atitudes positivas em relação à matemática. Também observaram que competências digitais insuficientes e limitações de infraestrutura dificultaram parcialmente a implementação (Aslan, 2026).

O resultado é promissor no contexto estudado, mas não significa que qualquer ferramenta digital motive qualquer turma. O próprio resumo aponta condições que podem limitar o uso. No caso de estudantes cegos ou com baixa visão, grupos focais realizados na primavera de 2024 reuniram 11 estudantes do ensino médio e 10 do ensino superior. Os participantes relataram uso ativo de tecnologias digitais e assistivas e estratégias para enfrentar obstáculos de acesso a conteúdos, atividades e provas. Os temas incluíram competências tecnológicas, preferências de mídia, comunicação, autodefesa e soluções para desafios de acessibilidade (Herzberg, 2026).

Os autores defendem que equipes escolares colaborem para selecionar ferramentas acessíveis e utilizáveis por todos e que estudantes tenham oportunidades de experimentar combinações de tecnologias. O ponto para a atitude é direto: uma atividade digital não será uma oportunidade de participação se o aluno não puder acessar seu conteúdo. A experiência com tecnologia precisa ser pensada tanto em termos pedagógicos quanto de acessibilidade.

Modelos, representatividade e confiança merecem atenção

Um experimento com 422 estudantes do 9º ano que cursavam Álgebra 1 examinou a correspondência de gênero entre tutores e alunas nos Estados Unidos. Meninas designadas a tutoras relataram maior interesse em STEM e tiveram maior probabilidade de aprovação na disciplina com conceito C- ou superior do que as meninas designadas a tutores homens. Não foi encontrado impacto na frequência, e os efeitos foram mais fortes entre as estudantes que trabalharam presencialmente do que entre as que participaram virtualmente (Bleiberg, 2026).

Esse resultado se refere a meninas, tutoria, Álgebra 1 e a um contexto específico; não permite concluir que toda aluna precisa de tutora mulher ou que correspondência de gênero será igualmente importante em qualquer escola. Ele amplia, contudo, a discussão sobre quem ocupa papéis de referência na matemática e como as condições da relação — inclusive presencial ou virtual — podem se relacionar com interesse e resultados.

Como os estudos sobre atitudes em matemática se comparam?

A tabela reúne os estudos citados e separa o que cada um investigou do que o resumo relata. Os contextos e as etapas variam, então os achados não devem ser lidos como se viessem de uma única população ou de uma intervenção comum.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Schwartz, 2025Percepções de estudantes sobre experiências em matemática e interesse.Estudantes frequentemente se sentem entediados; o relatório apresenta isso como possível explicação para a lenta recuperação.Estados Unidos; ensino fundamental II e médio; dados do American Youth Panel.
Porter, 2026Humildade intelectual dos professores e motivação, interesse e aprendizagem.Maior interesse e engajamento entre estudantes do ensino médio que percebiam professores mais humildes; relata relações longitudinais com notas mediadas pela disposição para expressar humildade.Estados Unidos; inclui adolescentes, estudantes do ensino médio e universitários em estudos distintos.
Chen, 2026Interação entre pares, abordagens de aprendizagem e resiliência acadêmica.Competição associou-se a abordagens superficiais e menor resiliência; cooperação associou-se a abordagens profundas, sem relação direta significativa com resiliência.China; 861 estudantes do primeiro ano do ensino médio.
Galarza, 2026Características e papéis de mentores próximos em idade em aprendizagem informal de matemática.Mentores apontaram como mais influentes características que apoiavam o funcionamento psicossocial dos mentorados.Oito mentores universitários; projeto de aprendizagem informal com estudantes do ensino médio.
Siagian, 2026Compreensão de desigualdades, procedimentos e representações.Estudantes podiam executar procedimentos, mas tinham dificuldades para justificar e interpretar algumas representações.Estudantes do ensino médio; o resumo não informa o país.
Bell, 2026Ensino ambicioso e antirracista, engajamento e autoeficácia.Relata altos níveis de ensino ambicioso, uso raro de ensino antirracista e experiências eficazes quando as práticas são combinadas.184 estudantes do ensino fundamental II e médio; questionário de 2021; o resumo não informa o país.
Sila, 2026Problemas abertos e tecnologia em transformações geométricas; conhecimento, criatividade, motivação e confiança.O resumo descreve a investigação, sem apresentar um resultado específico sobre motivação ou confiança.Albânia; 188 estudantes de duas escolas de ensino médio.
Aslan, 2026GeoGebra, aprendizagem conceitual e atitudes.Relata contribuições para compreensão, motivação e atitudes positivas; infraestrutura e competências digitais dificultaram parcialmente a implementação.Sudeste da Türkiye; 30 estudantes do 9º ano; intervenção de três semanas.
Herzberg, 2026Experiências digitais de estudantes cegos ou com baixa visão.Relata tecnologias usadas, desafios de acesso e estratégias de enfrentamento; recomenda colaboração e oportunidades de desenvolver competências.Grupos focais em 2024; estudantes do ensino médio e superior; país não informado no resumo.
Bleiberg, 2026Correspondência de gênero entre tutores e alunas e resultados em STEM.Meninas com tutoras relataram maior interesse em STEM e tiveram maior probabilidade de aprovação; sem impacto na frequência.Estados Unidos; 422 estudantes do 9º ano em Álgebra 1.

Quais pontos em comum e divergências aparecem nas pesquisas?

Um ponto em comum é que a atitude não aparece isolada do ambiente de aprendizagem. Os estudos relacionam interesse, engajamento ou resiliência a aspectos como interação entre colegas, postura do professor, acessibilidade, tecnologia e possibilidade de compreender conceitos. Isso não quer dizer que todos tenham medido a mesma coisa: alguns analisaram percepções, outros resultados de intervenção, associações entre variáveis ou compreensão matemática.

Há também uma tensão produtiva entre as pesquisas sobre colaboração. A cooperação percebida associou-se a abordagens profundas no estudo chinês, mas não mostrou relação significativa direta com resiliência (Chen, 2026). A pesquisa sobre mentores, por sua vez, destaca características psicossociais na perspectiva dos próprios mentores, sem medir um efeito equivalente sobre estudantes (Galarza, 2026). Juntas, elas sugerem que “trabalhar em grupo” não é uma intervenção com resultado garantido: importa o tipo de interação e o que exatamente se está avaliando.

A tecnologia também aparece com duas faces. O GeoGebra foi associado a motivação e atitudes positivas na intervenção estudada, mas limitações técnicas dificultaram a aplicação (Aslan, 2026). Já estudantes cegos ou com baixa visão relataram barreiras de acessibilidade em recursos digitais e descreveram soluções próprias (Herzberg, 2026). Portanto, a presença de tecnologia não basta para caracterizar uma experiência inclusiva ou envolvente.

O que ainda não está resolvido é como esses achados se combinam em turmas brasileiras diversas e quais práticas produzem efeitos sustentados em diferentes conteúdos, etapas e condições de escola. Também não se deve comparar diretamente números de estudos que mediram desfechos diferentes. Interesse, aprovação, desempenho, resiliência e compreensão conceitual se relacionam, mas não são sinônimos.

O que o professor pode fazer na sala de aula?

As pesquisas oferecem pistas, não um roteiro universal. As propostas abaixo são aplicações possíveis para testar e ajustar à realidade da turma; quando extrapolam o que os estudos avaliaram diretamente, são apresentadas como sugestões de prática, não como resultados comprovados por essas pesquisas.

1. Investigue o tédio antes de trocar toda a sequência

Aplicação: em vez de interpretar uma participação baixa como falta de capacidade, pergunte qual parte da tarefa parece repetitiva, confusa ou distante. Imagine uma turma de 1º ano do ensino médio que resolve exercícios sem conversar: o professor pode comparar uma questão mecânica com outra que peça explicar uma estratégia ou criar um exemplo. Essa comparação não reproduz um resultado de Schwartz, mas ajuda a transformar o sinal de tédio em uma pergunta observável sobre a experiência de aula.

2. Torne o erro intelectualmente seguro

Aplicação: modele como revisar uma afirmação, mostrando que uma tentativa pode ser corrigida sem constrangimento. Por exemplo, ao errar um passo no cálculo, o professor pode dizer o que percebeu e como verificará a ideia, em vez de esconder o erro ou tratá-lo como falha pessoal. Porter investigou a expressão de humildade intelectual e encontrou relações com interesse, engajamento e disposição para expressá-la; a forma concreta de conduzir uma correção precisa ser adaptada à turma.

3. Estruture a interação entre pares

Aplicação: se os estudantes trabalham em duplas, peça que cada um explique uma decisão e que a dupla compare razões, não apenas respostas. Imagine dois colegas resolvendo uma desigualdade: um identifica o conjunto solução e o outro representa na reta numérica; depois trocam papéis. É uma maneira possível de orientar a colaboração, não uma atividade testada especificamente por Chen. O estudo torna relevante observar se a interação está sendo percebida como cooperação ou competição e se favorece abordagens mais profundas.

4. Peça justificativas além do resultado final

Aplicação: numa tarefa sobre desigualdades, inclua perguntas como “por que o sinal mudou?” e “como você sabe quais valores pertencem à solução?”. Uma turma hipotética pode resolver corretamente um procedimento e, ainda assim, ter dificuldade para explicar sua lógica. Esse cenário acompanha a distinção relatada por Siagian entre proficiência procedimental e compreensão conceitual. Use as respostas para decidir qual representação ou explicação retomar, em vez de considerar apenas a quantidade de acertos.

5. Ofereça problemas com mais de um caminho, com propósito claro

Aplicação: ao trabalhar um conteúdo, proponha uma questão aberta em que os alunos possam representar ou justificar uma solução de maneiras distintas. Por exemplo, a turma pode comparar estratégias para descrever uma transformação geométrica e explicar por que cada uma funciona. Sila investigou problemas abertos e tecnologia em transformações geométricas, além de motivação e confiança, mas o resumo não informa resultados específicos dessas duas últimas dimensões. Trate a proposta como uma possibilidade pedagógica a observar, não como garantia de aumento de confiança.

6. Use tecnologia depois de verificar acesso e condições

Aplicação: antes de planejar uma atividade digital, confira se todos conseguem acessar e operar o recurso e se há alternativa viável quando a infraestrutura falha. Imagine uma turma explorando uma figura dinâmica: o professor pode oferecer uma representação alternativa e combinar o recurso com explicações orais. Aslan relata benefícios do GeoGebra na intervenção estudada, mas também barreiras técnicas; Herzberg destaca acessibilidade e colaboração na seleção de ferramentas. A escolha deve partir da tarefa e dos estudantes, não da novidade do aplicativo.

7. Organize apoio que inclua vínculo, não apenas resposta

Aplicação: se estudantes mais experientes apoiam colegas, estabeleça combinados para ouvir, fazer perguntas e encorajar tentativas, em vez de simplesmente entregar o procedimento correto. Uma cena hipotética seria um estudante mais velho acompanhando uma dupla que se prepara para uma atividade, perguntando qual passo parece difícil e ajudando a explicitar a dúvida. Galarza relata, a partir de mentores universitários, a importância de características ligadas ao funcionamento psicossocial. Isso não substitui formação nem demonstra por si só que a tutoria melhora resultados.

8. Examine quem se vê capaz de participar

Aplicação: observe quem explica estratégias, quem assume papéis de referência e quem quase nunca se oferece. Em uma turma hipotética, o professor pode distribuir oportunidades de apresentação sem presumir que confiança se distribui igualmente. Bell discute ensino ambicioso e antirracista, enquanto Bleiberg encontrou resultados específicos para meninas designadas a tutoras em Álgebra 1. Esses estudos não autorizam copiar programas sem contexto, mas ajudam a formular perguntas sobre participação, autoeficácia e modelos que os alunos encontram.

O que muda ao aplicar esses achados no contexto brasileiro?

Os estudos citados foram realizados em contextos de países diferentes, entre eles Estados Unidos, China, Albânia e Türkiye; em alguns resumos, o país não é informado. Por isso, seus resultados não descrevem automaticamente a realidade de uma escola brasileira. A organização escolar, os recursos disponíveis, a composição das turmas e as experiências dos estudantes podem variar. O mais prudente é usar os achados como perguntas para observar a própria sala, não como previsão de que uma mesma ação produzirá o mesmo efeito aqui.

O estudo norte-americano sobre o período pós-pandemia registra resultados e percepções referentes aos Estados Unidos, inclusive uma comparação com níveis anteriores à pandemia naquele país (Schwartz, 2025). Não é apropriado transportar esses números para o Brasil. Da mesma forma, os resultados de tutoria por correspondência de gênero vieram de estudantes do 9º ano em Álgebra 1 nos Estados Unidos, e o estudo de interação entre pares reuniu estudantes chineses do primeiro ano do ensino médio. Eles informam questões relevantes, mas não estabelecem a magnitude de efeitos em escolas brasileiras.

Uma adaptação responsável começa com condições locais. Se a escola tem acesso limitado à tecnologia, uma prática não precisa depender de aplicativo; se usa ferramentas digitais, deve conferir acessibilidade, especialmente para estudantes cegos ou com baixa visão. Se organiza trabalho em grupo, vale observar a qualidade da interação, não só a disposição das carteiras. Se pretende usar problemas abertos, é importante prever como os alunos explicarão estratégias e como o professor acompanhará diferentes caminhos.

Também é importante evitar a ideia de que desinteresse pertence exclusivamente ao estudante. Os estudos investigam relações com práticas docentes, relações entre pares, acesso, compreensão e experiências da aula. No Brasil, essas dimensões podem ser examinadas em diálogo com o conhecimento que o professor tem da turma e com os recursos reais da escola, sem atribuir aos estudos políticas ou programas que os resumos não mencionam.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de dez estudos recentes, não na leitura integral dos artigos ou relatórios. Os resumos permitem identificar perguntas de pesquisa, alguns contextos e resultados principais, mas nem sempre oferecem detalhes suficientes para avaliar instrumentos, duração de efeitos, critérios de análise ou todas as limitações. Por isso, as conclusões foram mantidas no nível que cada resumo sustenta; quando um resumo descrevia a investigação sem apresentar resultado, o texto não atribuiu um achado.

Os estudos são heterogêneos: incluem grupos focais, questionários, análises de relações entre variáveis, intervenções, experimentos e pesquisas sobre compreensão conceitual. Seus participantes e desfechos também diferem. Interesse, engajamento, motivação, atitude, aprovação e resiliência não são medidas intercambiáveis. Uma associação entre variáveis não deve ser lida automaticamente como prova de causa, e uma experiência localizada não garante o mesmo resultado em outra escola.

Ficam abertas perguntas importantes para a prática: quais estratégias sustentam o interesse ao longo do tempo; como os resultados se manifestam em escolas brasileiras; que formas de trabalho em grupo funcionam para diferentes turmas; e como garantir que recursos digitais sejam acessíveis sem depender de infraestrutura que a escola não possui? Também seria necessário consultar os estudos completos para compreender os detalhes metodológicos e avaliar com mais precisão o alcance de cada conclusão.

Faz sentido ler o estudo integral quando a decisão envolve adotar um programa, comprar uma ferramenta, desenhar uma intervenção de longo prazo ou apresentar um resultado como evidência forte. Para uma reflexão inicial sobre a própria aula, os resumos já ajudam a formular hipóteses úteis — desde que se mantenha a diferença entre o que os pesquisadores encontraram e o que o professor está propondo experimentar.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

Uma avaliação bem planejada pode ajudar o professor a observar não só se o estudante chegou à resposta, mas também como justificou o raciocínio e que tipo de dificuldade apareceu. O gerador de provas do GeraProva pode apoiar a criação de provas e atividades; cabe ao professor revisar as questões, adaptá-las ao conteúdo trabalhado e considerar acessibilidade e objetivos da turma. Para conhecer a plataforma, faça o cadastro grátis.

Perguntas frequentes sobre atitudes em matemática

Por que alguns alunos do ensino médio perdem o interesse por matemática?

Os estudos apresentados não apontam uma causa única. Um relatório de estudantes dos Estados Unidos relata que muitos se sentiam entediados com matemática e sugere isso como possível explicação para a lenta recuperação pós-pandemia naquele contexto (Schwartz, 2025). Outras pesquisas investigam relações entre interação com colegas, abordagens de aprendizagem, postura docente, compreensão conceitual e acesso a recursos. Esses fatores podem ajudar o professor a formular perguntas sobre a experiência da turma, mas não permitem atribuir todo desinteresse a uma única prática ou característica do aluno.

Como posso perceber se um estudante entende matemática ou apenas aplica uma regra?

Observe se ele consegue explicar por que escolheu um procedimento, interpretar a representação usada e relacionar a resposta ao problema. No estudo sobre desigualdades, muitos estudantes realizavam procedimentos, mas tinham dificuldade para explicitar o raciocínio, interpretar notação de intervalos ou visualizar soluções na reta numérica (Siagian, 2026). Uma aplicação possível é pedir justificativas, exemplos e representações além da resposta final. Isso não substitui uma avaliação mais ampla, mas pode revelar diferenças entre execução procedural e compreensão conceitual.

Trabalhar em grupo aumenta a resiliência em matemática?

Não há base nos estudos apresentados para prometer esse efeito em qualquer grupo. Na pesquisa com estudantes chineses, a cooperação percebida esteve associada a abordagens profundas e menos superficiais, mas não mostrou relação direta significativa com a resiliência acadêmica. As abordagens de aprendizagem, por sua vez, relacionaram-se à resiliência (Chen, 2026). Assim, a organização em grupos pode ser uma oportunidade, mas vale observar como os alunos interagem e o que fazem intelectualmente. Dividir uma tarefa sem orientar a conversa não garante colaboração produtiva.

Usar tecnologia torna a matemática mais interessante?

Depende da atividade e das condições de uso. Uma intervenção com GeoGebra em uma escola no sudeste da Türkiye relatou contribuições para compreensão conceitual, motivação e atitudes positivas, mas também apontou dificuldades ligadas a competências digitais e infraestrutura (Aslan, 2026). Estudantes cegos ou com baixa visão relataram desafios de acessibilidade em conteúdos e atividades digitais (Herzberg, 2026). Portanto, tecnologia não é garantia de engajamento: é preciso verificar se a ferramenta serve ao objetivo, se funciona na escola e se todos conseguem acessá-la.

O professor pode admitir que não sabe ou que errou?

Os estudos de Porter investigaram a expressão de humildade intelectual, como admitir publicamente confusão, desconhecimento ou erros. Estudantes do ensino médio que percebiam professores mais humildes intelectualmente demonstraram mais interesse e engajamento; a pesquisa também relacionou a modelagem dessa postura a mudanças nas notas por meio da disposição dos estudantes para expressá-la (Porter, 2026). Isso não significa que qualquer confissão produza o mesmo resultado. Como aplicação, o professor pode tornar visível como verifica uma ideia e corrige um erro, mantendo o foco na aprendizagem.

O que fazer quando os resultados de pesquisas de outros países parecem distantes da minha escola?

Use-os como referência para perguntas, não como previsão automática. Os estudos apresentados foram realizados em contextos variados, e os resumos não permitem afirmar que os resultados se repetirão em escolas brasileiras. Observe aspectos concretos da sua turma: quem participa, quais tarefas geram conversa, onde aparecem dúvidas e se os recursos são acessíveis. Depois, teste uma adaptação pequena e acompanhe o que acontece. Se a decisão envolver uma intervenção ampla ou investimento, consulte o estudo integral e avalie sua adequação às condições locais.

Referências

  1. Schwartz, H. L.; Bozick, R.; Diliberti, M. K.; Ohls, S. (2025). Estudantes perdem o interesse por matemática: resultados do American Youth Panel (Students Lose Interest in Math: Findings from the American Youth Panel). RAND Corporation. link.
  2. Porter, T.; Leary, M. R.; Cimpian, A. (2026). A humildade intelectual dos professores beneficia o interesse e a aprendizagem dos adolescentes (Teachers' Intellectual Humility Benefits Adolescents' Interest and Learning). Developmental Psychology. link.
  3. Chen, M.; Guo, M. (2026). A relação entre a interação percebida com os pares e a resiliência acadêmica na aprendizagem de matemática: o papel mediador das abordagens de aprendizagem (The Relationship between Perceived Peer Interaction and Academic Buoyancy in Mathematics Learning: The Mediating Role of Learning Approaches). European Journal of Psychology of Education. link.
  4. Galarza, M. L. O.; Wilson, A. T.; Grigorian, S.; Wang, X. (2026). Características e papéis importantes de mentores próximos em idade para envolver estudantes na aprendizagem informal de matemática (Important Characteristics and Roles of Near-Peer Mentors for Engaging Students in Informal Mathematics Learning). International Journal of Mentoring and Coaching in Education. link.
  5. Siagian, M. D.; Dewi, I. (2026). Explorando o conceito de desigualdade pela perspectiva das imagens conceituais dos estudantes (Exploring the Concept of Inequality through the Lens of Concept Image Students). Mathematics Teaching Research Journal. link.
  6. Bell, N. S.; Desimone, L. M.; Carey, R. L.; Polanco, C. (2026). Ensino antirracista e ambicioso nas salas de aula de matemática: uma análise QuantCrit das perspectivas dos estudantes (Anti-Racist and Ambitious Teaching in Math Classrooms: A QuantCrit Analysis of Students' Perspectives). Urban Education. link.
  7. Sila, E.; Hoxha, E.; Vecaj, V. (2026). Melhorando a eficácia do ensino de matemática com problemas abertos e integração tecnológica (Improving the Efficacy of Mathematics Education with Open-Ended Problems and Technological Integration). International Electronic Journal of Mathematics Education. link.
  8. Aslan, B. Y.; Doğan, Y.; Ö zmusul, B.; Batdı, V. (2026). GeoGebra na educação matemática: aproximando teoria e prática para uma aprendizagem digital sustentável (GeoGebra in Mathematics Education: Bridging Theory and Practice for Sustainable Digital Learning). SAGE Open. link.
  9. Herzberg, T. S.; Tuttle, M.; Rosenblum, L. P. (2026). Experiências e perspectivas digitais em matemática de estudantes do ensino médio e superior cegos ou com baixa visão (Digital Mathematics Experiences and Perspectives of High School and College Students Who Are Blind or Have Low Vision). Journal of Visual Impairment & Blindness. link.
  10. Bleiberg, J.; Robinson, C. D.; Bennett, E.; Loeb, S. (2026). O impacto da correspondência de gênero entre tutor e aluna no interesse, no engajamento e no desempenho de meninas em STEM (The Impact of Tutor Gender Match on Girls' STEM Interest, Engagement, and Performance). American Educational Research Journal. link.

Se alguma dessas pistas conversa com o que você observa nas suas aulas, escolha uma para testar com atenção e compartilhe o que funcionou — ou o que ainda precisa mudar — com seus colegas.

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