Ansiedade em alunos do fundamental: por que tende a aumentar com a idade
Estudos recentes apontam que a ansiedade acadêmica tende a crescer com a idade, mas seus efeitos variam conforme a etapa, a tarefa e o contexto. Veja o que isso sugere para a sala de aula.
A ansiedade não muda do mesmo modo para todos os alunos do ensino fundamental. Um estudo encontrou tendência de aumento da ansiedade acadêmica com a idade, enquanto outros apontaram diferenças ligadas à tarefa, como leitura, compreensão oral e habilidades espaciais. Para o professor, isso reforça a importância de observar cada estudante e o contexto, sem presumir que idade, gênero ou desempenho expliquem tudo.
Na ansiedade escolar, a idade parece empurrar em duas direções: um estudo encontrou aumento da ansiedade acadêmica conforme crianças e adolescentes ficam mais velhos, enquanto outras pesquisas identificaram efeitos que aparecem apenas em certas etapas ou tarefas. Isso pode soar contraditório, mas os estudos não medem exatamente a mesma experiência: há ansiedade ligada ao desempenho escolar, à leitura em outra língua, a tarefas espaciais e a situações de avaliação.
Para o professor, a diferença importa. Não há uma idade em que todos os alunos passem a sentir ansiedade do mesmo jeito, nem uma resposta única para toda a turma. A seguir, separamos o que cada pesquisa investigou e encontrou, distinguimos tendências gerais de resultados específicos e traduzimos essas pistas em possibilidades cuidadosas para a rotina da sala.
O que é ansiedade em alunos do fundamental e por que importa para o professor?
Ansiedade, no contexto escolar, é uma experiência de preocupação ou tensão que pode estar ligada a situações como aprender, demonstrar o que se sabe, ler, resolver uma tarefa ou enfrentar uma avaliação. Ela não é sinônimo de falta de vontade nem permite, por si só, concluir que um aluno tenha um transtorno. Para o professor, importa observar como a preocupação pode se relacionar à participação, à percepção de competência e às tarefas concretas da escola.
Os estudos reunidos aqui mostram por que vale falar de “ansiedades” no plural. Uma pesquisa examinou a ansiedade acadêmica em relação à educação e às expectativas de desempenho; outra tratou da ansiedade durante a compreensão oral e a leitura em uma língua-alvo. Há também pesquisas sobre ansiedade espacial, ansiedade relacionada à competência motora e problemas internalizantes associados à timidez, à solidão e ao retraimento social. Esses conceitos se aproximam, mas não são medidas intercambiáveis.
Na rotina escolar, o tema pode aparecer antes de uma prova, diante de uma atividade em que o aluno teme errar, numa leitura em voz alta ou quando ele interpreta uma dificuldade como sinal de que não é capaz. Isso não significa que todo silêncio ou hesitação seja ansiedade. A tarefa do professor não é diagnosticar, mas notar padrões, criar condições para aprender e conversar com a equipe da escola e a família quando a preocupação parecer persistente ou prejudicial.
O que a pesquisa recente mostra sobre ansiedade e idade?
A ansiedade acadêmica tende a crescer, mas as expectativas mudam em cada etapa
Um estudo com 1.337 crianças e adolescentes de diferentes etapas, junto com seus pais, examinou ansiedade educacional dos pais, ansiedade acadêmica dos filhos, expectativas das crianças sobre o próprio desempenho e autoculpabilização dos pais. Os resultados indicaram que os níveis de ansiedade acadêmica tendiam a aumentar à medida que os participantes ficavam mais velhos. A pesquisa também encontrou diferenças nas expectativas: estudantes dos anos finais do ensino fundamental tinham expectativas mais elevadas sobre o próprio desempenho do que os dos anos iniciais; no ensino médio, as expectativas eram mais baixas (Zhang, 2025).
O estudo relata ainda que a ansiedade educacional dos pais foi um preditor significativo da ansiedade acadêmica dos filhos. As expectativas das crianças mediaram essa transmissão nos anos finais do fundamental e no ensino médio, mas não nos anos iniciais. Já a autoculpabilização dos pais teve papel mediador nos anos iniciais e finais; o segundo trecho dessa via não foi significativo no ensino médio. Portanto, a relação entre ansiedade familiar e ansiedade acadêmica não apareceu como um caminho idêntico em todas as etapas (Zhang, 2025).
Esse resultado oferece uma tendência geral, não uma previsão individual. Ele não diz que cada aluno ficará mais ansioso a cada ano, nem que a idade, sozinha, explique o que acontece. Para interpretar a diferença, é útil separar o nível de ansiedade das expectativas: uma turma pode demonstrar preocupações diferentes conforme a etapa, e a maneira como o estudante avalia o próprio desempenho pode participar dessa relação em alguns momentos do percurso escolar.
O ano escolar pode mudar a relação entre ansiedade e uma tarefa específica
Em crianças dos Estados Unidos do primeiro ao quarto ano, uma pesquisa investigou ansiedade espacial, memória de trabalho visuoespacial e duas habilidades: transformação mental e rotação mental. O achado não foi que a ansiedade prejudicava todas as habilidades espaciais de todas as crianças. A relação significativa entre ansiedade espacial e menor desempenho em transformação mental apareceu apenas entre alunos do quarto ano com memória de trabalho visuoespacial alta. Não foi encontrada entre os alunos do primeiro ao terceiro ano nem entre os alunos do quarto com memória de trabalho visuoespacial baixa (Zhang, 2025).
Para a tarefa de rotação mental, a interação não foi significativa. Os autores discutem que diferenças relacionadas à idade na memória de trabalho visuoespacial e no uso de estratégias podem ajudar a compreender o resultado, assim como a diferença entre as duas tarefas. A pesquisa, portanto, aponta que idade, tipo de habilidade e recursos cognitivos podem se combinar de modo particular; não sustenta a ideia de que qualquer atividade espacial será mais difícil para toda criança mais velha (Zhang, 2025).
Essa distinção ajuda a ler a afirmação de que a ansiedade acadêmica tende a crescer com a idade sem transformá-la numa regra universal. Uma tendência observada numa medida ampla pode coexistir com efeitos específicos que só aparecem numa faixa escolar, numa tarefa e sob certas condições. Para o professor, o cuidado é observar em que situação a tensão surge, em vez de classificar o aluno como “ansioso” de forma geral.
Em situações de leitura e escuta, o contexto e a habilidade avaliada contam
Uma pesquisa realizada com estudantes imigrantes do ensino fundamental na Turquia examinou ansiedade ao compreender a língua-alvo oralmente e ao ler nessa língua. Além de adaptar instrumentos para alunos do ensino fundamental, investigou diferenças por gênero, ano escolar e alfabeto da língua materna, bem como a relação entre ansiedade de compreensão oral e ansiedade de leitura. Os participantes apresentaram níveis de moderados a altos de ansiedade nas duas habilidades (Özel, 2025).
O estudo não encontrou diferenças significativas na ansiedade de compreensão oral segundo gênero, ano escolar ou alfabeto da língua materna. A ansiedade de leitura foi semelhante entre anos escolares e alfabetos, mas diferiu em função do gênero. A ansiedade de compreensão oral também foi um preditor significativo da ansiedade de leitura. Esse conjunto não confirma um aumento simples da ansiedade com a progressão escolar; destaca uma relação entre habilidades e diferenças que dependem da medida analisada (Özel, 2025).
O contexto é específico: estudantes imigrantes em escolas públicas e privadas turcas, aprendendo uma língua-alvo. O resultado não pode ser generalizado automaticamente para todo aluno brasileiro ou para leitura na língua materna. Ainda assim, ele chama atenção para uma questão pedagógica útil: uma dificuldade de compreensão oral e uma dificuldade de leitura podem se relacionar, e vale evitar tratar todas as situações de linguagem como se provocassem a mesma experiência.
Ansiedade, competência percebida e relações sociais também se conectam
Um estudo longitudinal com alunos na Espanha examinou se coordenação, ansiedade e autoestima aos nove anos ajudavam a prever a competência motora autopercebida entre 11 e 12 anos. Os resultados indicaram que as três variáveis iniciais previram essa percepção posterior. As relações também diferiram por gênero: entre meninas, idade, coordenação e ansiedade explicaram a variância da competência motora autopercebida; entre meninos, idade, coordenação e autoestima tiveram esse papel (Segura-Berges, 2025).
O resultado não equivale a dizer que a ansiedade determina a habilidade motora real. O foco foi a competência que o estudante percebe em si, e o estudo encontrou diferenças nas variáveis associadas a essa percepção. Para a escola, é uma distinção importante: sentir-se pouco capaz e executar uma tarefa são aspectos relacionados, mas não idênticos. Uma percepção negativa pode merecer atenção mesmo quando não há evidência, no resumo, de que a capacidade objetiva esteja reduzida.
Outra pesquisa, com estudantes de 8 a 14 anos, investigou como timidez e não sociabilidade se relacionavam a problemas internalizantes, incluindo ansiedade social e depressão, considerando solidão e insatisfação com o estar só. A timidez esteve associada à ansiedade social e à depressão por meio da solidão. A não sociabilidade se relacionou a ambas por meio da solidão e também à depressão por meio da insatisfação com o estar só. Os resultados sugeriram ainda alguns efeitos moderadores da idade (Brunetti, 2024).
Esse estudo não trata de ansiedade acadêmica causada por uma prova. Ele amplia o olhar para as experiências sociais que podem acompanhar problemas internalizantes na infância tardia e no início da adolescência. Timidez, preferência por ficar só e solidão não devem ser confundidas entre si. Para o professor, a contribuição é lembrar que o bem-estar emocional pode estar relacionado tanto à situação de aprendizagem quanto às relações e à vivência social da criança.
As avaliações podem pesar, mas os resultados dependem do tipo de exame
Em escolas de música elementares da Croácia, pesquisadores investigaram atitudes de 143 estudantes do terceiro ao sexto ano diante do exame instrumental anual. O estudo encontrou níveis altos de estresse antes da prova, especialmente entre meninas e alunos de piano. Os estudantes mais jovens relataram emoções mais positivas antes do exame, enquanto os mais velhos se mostraram mais calmos depois da prova. A tradição musical familiar teve influência limitada (Begic, 2025).
Esse resultado é um bom exemplo de por que não se deve resumir diferenças etárias a “mais velhos ficam sempre mais ansiosos”. Os estudantes mais jovens relataram emoções pré-exame mais positivas, mas os mais velhos ficaram mais calmos após a prova: momento e indicador fazem diferença. Os autores destacam ambiente de apoio, preparação psicológica, inteligência emocional e consideração de métodos alternativos de avaliação como implicações para o contexto de escolas de música (Begic, 2025).
Como o estudo ocorreu em escolas de música croatas e tratou de exames instrumentais, ele não prova que uma prova comum no ensino fundamental brasileiro produza os mesmos níveis de estresse. Ajuda, porém, a formular perguntas práticas sobre o antes e o depois da avaliação, os formatos de desempenho e quais grupos podem estar enfrentando maior tensão.
Os estudos lado a lado: o que cada pesquisa investigou?
Os estudos abaixo não medem uma única forma de ansiedade. Colocá-los lado a lado permite perceber tanto a tendência de aumento da ansiedade acadêmica quanto os resultados mais delimitados por tarefa, etapa, grupo e contexto.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Zhang, 2025 | Ansiedade educacional de pais e ansiedade acadêmica de crianças e adolescentes, expectativas e autoculpabilização. | A ansiedade acadêmica tende a aumentar com a idade; a ansiedade dos pais foi preditora, com mediações que variaram por etapa. | 1.337 crianças e adolescentes de diferentes etapas e seus pais; país não indicado no resumo. |
| Zhang, 2025 | Ansiedade espacial, memória de trabalho visuoespacial e habilidades de transformação e rotação mental. | Na transformação mental, a relação entre ansiedade espacial e menor habilidade apareceu apenas em alunos do quarto ano com memória de trabalho visuoespacial alta; não foi significativa para rotação mental. | Estados Unidos; crianças do primeiro ao quarto ano. |
| Özel, 2025 | Ansiedade de compreensão oral e leitura na língua-alvo entre alunos imigrantes. | Níveis moderados a altos; ansiedade oral previu ansiedade de leitura; diferenças variaram conforme habilidade e variável analisada. | Turquia; alunos imigrantes do ensino fundamental; dados coletados entre 2022 e 2024. |
| Segura-Berges, 2025 | Coordenação, ansiedade e autoestima aos nove anos como preditores de competência motora autopercebida aos 11–12. | As variáveis iniciais previram a percepção posterior, com padrões diferentes por gênero. | Espanha; 224 alunos acompanhados do quarto ao sexto ano. |
| Brunetti, 2024 | Retraimento social, solidão, insatisfação com estar só e problemas internalizantes. | A solidão e, em uma relação, a insatisfação com estar só participaram das associações; houve alguns efeitos moderadores da idade. | 459 estudantes de 8 a 14 anos; país não indicado no resumo. |
| Begic, 2025 | Atitudes e ansiedade de desempenho em exames instrumentais anuais. | Estresse pré-exame alto, especialmente entre meninas e alunos de piano; emoções e calma após a prova variaram com a idade. | Croácia; escolas elementares de música, terceiro ao sexto ano. |
Quais pontos os estudos têm em comum e onde divergem?
Em comum, as pesquisas sugerem que a ansiedade escolar não deve ser separada do contexto em que é observada. A etapa escolar, o tipo de tarefa, o momento da avaliação, as relações sociais e a percepção que o aluno tem de si aparecem como elementos relevantes em diferentes estudos. Também há resultados que relacionam experiências emocionais a aspectos distintos do cotidiano: expectativas acadêmicas, leitura, desempenho espacial, competência motora percebida e convivência social.
A divergência mais importante está na forma como a idade se relaciona com o fenômeno. A pesquisa sobre ansiedade acadêmica observou tendência de aumento conforme os participantes ficavam mais velhos. Já a pesquisa de ansiedade espacial encontrou uma relação localizada no quarto ano, em uma habilidade específica e num grupo com memória de trabalho visuoespacial alta. No exame musical, alunos mais velhos ficaram mais calmos depois da prova, apesar de os mais jovens relatarem emoções mais positivas antes dela.
Esses resultados não se anulam. Eles se referem a medidas, populações e situações diferentes. Uma tendência média em ansiedade acadêmica pode coexistir com padrões que não aumentam linearmente em tarefas específicas. Também não está resolvido como essas relações apareceriam em diferentes redes brasileiras, em diferentes condições escolares ou em tarefas cotidianas que não sejam as estudadas. Não é possível converter os achados em uma tabela universal de “idade e ansiedade”.
O que isso significa para a sala de aula? Sete aplicações cuidadosas
Os estudos oferecem pistas, mas não testaram todas as práticas abaixo. As sugestões a seguir são aplicações pedagógicas possíveis, não resultados comprovados pelas pesquisas citadas. A ideia é transformar a atenção às diferenças em ações de baixo risco, sem rotular estudantes ou presumir que todos vivenciam a mesma coisa.
1. Observe em que situação a preocupação aparece
Uma forma de usar isso em sala é registrar, de maneira simples, se a dificuldade aparece em avaliações, na leitura em voz alta, em tarefas espaciais, em apresentações ou em atividades coletivas. Imagine um aluno que participa bem de exercícios em dupla, mas hesita quando precisa explicar uma resposta diante da turma. Essa observação não autoriza um diagnóstico, mas ajuda a distinguir uma dificuldade ligada a uma tarefa da ideia vaga de que o estudante “é ansioso”.
2. Não use a idade como previsão individual
Uma forma de aplicar os achados é planejar atenção para mudanças de etapa sem pressupor que todo aluno mais velho estará mais ansioso. Imagine duas turmas do mesmo ano: uma pode demonstrar preocupação com notas; outra, com leitura ou exposição pública. Em vez de atribuir uma reação à idade, o professor pode perguntar qual aspecto da atividade parece difícil e ajustar instruções, tempo de preparação ou oportunidade de praticar.
3. Torne os critérios e os passos da tarefa mais claros
Uma aplicação possível, não testada diretamente pelos estudos citados, é dividir atividades avaliativas em etapas compreensíveis. Antes de uma resolução espacial ou de uma atividade nova, o professor pode mostrar como começar, propor uma tentativa sem nota e esclarecer o que será observado. Isso não garante que a ansiedade desapareça. Pode, porém, reduzir a incerteza sobre a tarefa e permitir que o estudante concentre a atenção no que precisa fazer.
4. Ofereça mais de uma oportunidade de demonstrar aprendizagem
O estudo sobre exames instrumentais destaca a consideração de métodos alternativos de avaliação no contexto específico das escolas de música. Uma forma de adaptar essa ideia em sala é combinar, quando o objetivo permitir, uma produção individual com explicação oral, atividade prática ou revisão posterior. Imagine um estudante que trava numa apresentação única, mas consegue demonstrar o que sabe em uma tarefa preparada. A alternativa precisa continuar avaliando o objetivo de aprendizagem, não simplesmente retirar todo desafio.
5. Cuide do momento anterior e posterior à avaliação
Uma aplicação possível é observar não só o resultado final, mas também como os alunos chegam à avaliação e como ficam depois dela. O estudo croata encontrou diferenças entre emoções antes e depois do exame. Em uma turma hipotética, o professor pode antecipar o formato, reservar alguns minutos para organizar os materiais e depois explicar os próximos passos sem transformar o resultado numa avaliação do valor pessoal do aluno. Essas medidas são sugestões, não uma intervenção testada pelo estudo.
6. Fale de erro e esforço sem reforçar rótulos
Como pesquisas abordam expectativas e percepção de competência, uma aplicação prudente é evitar comentários que apresentem capacidade como característica fixa. O professor pode descrever estratégias observáveis: “você conferiu as etapas” ou “a segunda tentativa ficou mais clara”, em vez de chamar alguém de naturalmente bom ou ruim. Imagine uma aluna que diz precisar se esforçar mais que os colegas: uma conversa sobre o que ela já consegue fazer e quais passos pode tentar é mais útil do que confirmar a comparação.
7. Considere família, relações e encaminhamento quando necessário
O estudo sobre ansiedade educacional encontrou associação preditiva entre ansiedade dos pais e ansiedade acadêmica dos filhos, e o estudo sobre retraimento examinou a participação da solidão em problemas internalizantes. Uma aplicação possível é manter comunicação respeitosa com a família e com a equipe escolar quando houver preocupação persistente, sem responsabilizar os responsáveis ou interpretar isolamento como prova de sofrimento. O professor pode compartilhar observações concretas e combinar apoio conforme os procedimentos da escola.
O que muda quando levamos esses estudos para o contexto brasileiro?
A primeira adaptação é reconhecer que os contextos de pesquisa são variados. Há dados de escolas de música na Croácia, de alunos imigrantes na Turquia, de crianças dos Estados Unidos e de uma pesquisa longitudinal realizada na Espanha. O estudo que examinou ansiedade acadêmica em diferentes etapas não identifica o país no resumo. Nenhum desses resultados deve ser apresentado como retrato direto dos estudantes brasileiros.
Também é preciso notar que “ensino fundamental” não significa exatamente a mesma organização em todos os contextos. Os estudos usam etapas e anos escolares próprios de seus países, além de tarefas específicas. No Brasil, práticas de avaliação, idiomas ensinados, condições de turma, recursos disponíveis e formas de comunicação com as famílias podem ser diferentes. Por isso, o mais seguro é aproveitar as perguntas que as pesquisas levantam — quando a ansiedade aparece, em qual tarefa e para quem — sem importar automaticamente uma conclusão sobre uma escola ou política estrangeira.
Para a prática brasileira, a sugestão é observar a própria turma com discrição e evitar comparações públicas entre alunos. As pesquisas citadas não oferecem uma escala brasileira universal nem indicam uma intervenção única para reduzir a ansiedade. Se a preocupação for intensa, persistente ou afetar participação e aprendizagem, faz sentido buscar a equipe de apoio da escola e conversar com a família pelos canais adequados. O professor não precisa resolver sozinho uma questão de saúde emocional.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponíveis na fonte consultada, não na leitura integral dos artigos. Os resumos permitem identificar objetivos e resultados relatados, mas não oferecem sempre todos os detalhes necessários para avaliar a qualidade das medidas, as características completas das amostras ou as condições de aplicação. Por isso, as conclusões foram mantidas no alcance descrito e não transformadas em recomendações clínicas.
Ficam em aberto perguntas importantes: como essas tendências se manifestam em diferentes redes e regiões do Brasil? Que práticas de sala ajudam a diminuir a ansiedade sem reduzir oportunidades de aprendizagem? Como separar ansiedade ligada a uma tarefa específica de um padrão mais amplo de sofrimento? E que instrumentos são adequados para identificar essas experiências em crianças brasileiras, sem confundir diferenças culturais ou linguísticas com sintomas?
Vale ler os estudos completos quando a escola ou um grupo de pesquisa quiser adotar uma medida de avaliação, desenhar uma intervenção, comparar resultados por idade ou usar os achados para orientar uma decisão institucional. Nesses casos, é importante verificar métodos, participantes, instrumentos e limites com mais profundidade. Para a reflexão pedagógica cotidiana, os resumos já permitem uma mensagem útil: observe o contexto e não trate a idade como explicação suficiente.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
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Perguntas frequentes sobre ansiedade em alunos do fundamental
A ansiedade aumenta mesmo conforme os alunos ficam mais velhos?
Um estudo com crianças e adolescentes de diferentes etapas encontrou tendência de aumento da ansiedade acadêmica conforme os participantes ficavam mais velhos (Zhang, 2025). Isso não significa que cada aluno fique necessariamente mais ansioso a cada ano, nem que a idade explique sozinha uma dificuldade. Outras pesquisas encontraram resultados ligados a tarefas e contextos específicos: a ansiedade espacial se relacionou a uma habilidade apenas em certas condições, e estudantes mais velhos de escolas de música ficaram mais calmos após o exame. A melhor leitura é tratar o aumento como uma tendência encontrada em um estudo, não como regra individual.
Alunos mais novos sentem menos ansiedade que os mais velhos?
Não é possível responder de forma geral. Na pesquisa sobre ansiedade acadêmica, os níveis tenderam a aumentar com a idade. Em escolas de música croatas, porém, os alunos mais jovens relataram emoções mais positivas antes do exame, enquanto os mais velhos se mostraram mais calmos depois da prova (Begic, 2025). São medidas e momentos diferentes. O estudo sobre ansiedade espacial também encontrou uma relação específica apenas entre alunos do quarto ano com memória de trabalho visuoespacial alta (Zhang, 2025). Portanto, idade pode ser relevante, mas não permite prever a reação de cada estudante.
Como diferenciar timidez de ansiedade social ou solidão?
Os conceitos não são iguais, e o estudo disponível não fornece um instrumento para professores fazerem diagnóstico. A pesquisa com estudantes de 8 a 14 anos examinou timidez, não sociabilidade, solidão, insatisfação com estar só, ansiedade social e depressão. Encontrou associações que passavam pela solidão em algumas relações e por insatisfação com estar só em outra (Brunetti, 2024). Para a sala, isso recomenda cautela: uma criança quieta ou que prefere ficar só não deve ser rotulada automaticamente. Observe mudanças, sofrimento e impacto na participação; se houver preocupação persistente, converse com a equipe escolar.
A ansiedade dos pais pode influenciar a ansiedade acadêmica dos filhos?
Em um estudo com crianças, adolescentes e seus pais, a ansiedade educacional dos pais foi um preditor significativo da ansiedade acadêmica dos filhos. As expectativas das crianças sobre o próprio desempenho e a autoculpabilização dos pais participaram de mediações que variaram conforme a etapa escolar (Zhang, 2025). Isso não significa que a família seja culpada pela ansiedade da criança, nem que o resultado permita explicar um caso individual. Para o professor, a implicação é manter uma comunicação respeitosa, compartilhar observações concretas e evitar atribuir a dificuldade do aluno a uma causa familiar sem avaliação adequada.
O que fazer se um aluno demonstra ansiedade durante provas?
Os estudos não testaram uma receita universal para provas escolares brasileiras. Uma possibilidade de aplicação é observar quando a preocupação surge, explicar com antecedência os passos da atividade e, se o objetivo permitir, oferecer mais de uma forma de demonstrar a aprendizagem. O estudo sobre exames instrumentais destaca a importância de um ambiente de apoio e considera métodos alternativos de avaliação naquele contexto (Begic, 2025). Isso não significa retirar toda avaliação nem assegurar que uma mudança elimine ansiedade. Se o sofrimento for persistente ou afetar o aluno de modo importante, busque a equipe escolar e os canais de apoio adequados.
Esses estudos podem ser aplicados diretamente às escolas brasileiras?
Não de forma automática. As pesquisas incluem contextos de outros países, como Turquia, Croácia, Estados Unidos e Espanha, além de diferentes grupos e tarefas. Um estudo investigou alunos imigrantes aprendendo uma língua-alvo; outro, exames instrumentais em escolas de música. Esses resultados não representam necessariamente a realidade das escolas brasileiras. Eles podem orientar perguntas e observações, mas não substituem a análise do contexto local. Antes de adotar um instrumento ou uma intervenção, é importante verificar se foi estudado para a população e a finalidade desejadas e, quando necessário, consultar o trabalho completo e profissionais especializados.
Referências
- Zhang, Ke; Ding, Kezhu; Yu, Zhanyu (2025). Transmissão intergeracional e diferenças etárias da ansiedade educacional entre crianças e adolescentes (Intergenerational Transmission and Age Differences of Education Anxiety among Children and Adolescents). Psychology in the Schools. Link.
- Zhang, Xinhe; Gunderson, Elizabeth A. (2025). A relação entre ansiedade espacial e habilidades espaciais é moderada pela memória de trabalho visuoespacial e pelo ano escolar (The Relation between Spatial Anxiety and Spatial Skills Is Moderated by Visuospatial Working Memory and Grade Level). Journal of Numerical Cognition. Link.
- Özel, Gizem; Kutluca Canbula, Ayse Nur (2025). Um exame da ansiedade de alunos imigrantes do ensino fundamental em relação à compreensão oral e à leitura na língua-alvo (An Examination of Immigrant Primary School Students' Target Language Listening and Reading Anxiety). International Electronic Journal of Elementary Education. Link.
- Segura-Berges, Manuel; Peñarrubia-Lozano, Carlos; Bustamante, Juan Carlos (2025). Análise do valor preditivo da coordenação motora, da ansiedade e dos níveis de autoestima sobre a competência motora autopercebida em estudantes do ensino fundamental (Analysis of the Predictive Value of Motor Coordination, Anxiety and Self-Esteem Levels on Self-Perceived Motor Competence in Primary Students). Psychology in the Schools. Link.
- Brunetti, Matilde; Sette, Stefania; Longobardi, Emiddia; Laghi, Fiorenzo; Coplan, Robert J. (2024). Solidão e insatisfação com o estar só como mediadoras das associações entre retraimento social e problemas internalizantes na infância tardia e no início da adolescência (Loneliness and Aloneliness as Mediators of the Associations between Social Withdrawal and Internalizing Problems in Late Childhood and Early Adolescence). Journal of Early Adolescence. Link.
- Begic, Jasna Šulentic; Begic, Amir; Sabolek, Ivana (2025). Atitudes dos alunos em relação ao exame instrumental anual nas escolas de música elementares croatas (Students' Attitudes toward the Annual Instrumental Exam in Croatian Elementary Music Schools). Journal on Efficiency and Responsibility in Education and Science. Link.
Se este tema apareceu na sua turma, comece observando em quais situações a preocupação surge e converse com a equipe da escola. Pequenas observações cuidadosas podem abrir caminhos importantes de apoio.
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