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Aconselhamento em grupo para meninos negros: forças, vínculo e menos encaminhamentos disciplinares

Estudos recentes relatam benefícios de intervenções em grupo baseadas em forças, incluindo habilidades socioemocionais e menos encaminhamentos disciplinares. Também destacam vínculos, identidade e acesso a oportunidades acadêmicas.

Aconselhamento em grupo para meninos negros: forças, vínculo e menos encaminhamentos disciplinares

A pesquisa recente sugere que o aconselhamento em grupo para meninos negros pode apoiar habilidades socioemocionais e reduzir encaminhamentos disciplinares quando adota uma abordagem culturalmente afirmativa e baseada em forças. Outros estudos destacam o valor de vínculos de confiança, identidade positiva e apoio às oportunidades acadêmicas. Os resultados vêm de contextos específicos e devem ser adaptados à realidade de cada escola.

É comum ouvir que um grupo de aconselhamento para meninos negros serve principalmente para corrigir comportamentos ou evitar problemas disciplinares. Os estudos recentes apresentam um quadro mais amplo: intervenções em grupo também podem afirmar identidades, desenvolver habilidades socioemocionais, fortalecer relações e ampliar a conversa sobre oportunidades acadêmicas e profissionais.

Isso não significa que qualquer atividade coletiva produza esses efeitos, nem que o aconselhamento substitua mudanças nas práticas escolares. A pesquisa reunida aqui aponta para a importância de abordagens baseadas em forças e culturalmente afirmativas, ao mesmo tempo que chama atenção para barreiras institucionais e percepções racializadas. Para o professor, a questão prática é como acolher, ensinar e encaminhar sem reduzir estudantes a um problema a ser administrado.

O que é aconselhamento em grupo para meninos negros estudantes e por que importa para o professor?

Aconselhamento em grupo, neste contexto, é uma intervenção conduzida por profissionais de orientação ou aconselhamento escolar que reúne estudantes para trabalhar necessidades de desenvolvimento, relações, identidade e trajetória acadêmica. Não é apenas uma conversa improvisada entre colegas: os estudos descrevem modelos e programas com objetivos definidos, como fortalecer habilidades socioemocionais, desenvolver identidade racial e matemática ou apoiar o acesso a percursos acadêmicos.

O assunto importa ao professor porque muitas dessas metas atravessam a rotina da sala. A maneira como um estudante é percebido após um conflito, quem recebe incentivo para cursar uma disciplina mais avançada e a possibilidade de se sentir pertencente à escola influenciam o ambiente de aprendizagem. Isso não transforma o docente em conselheiro: mostra, antes, por que a colaboração entre sala de aula, orientação escolar e comunidade pode ser relevante.

Os estudos também ajudam a separar duas ideias que às vezes são confundidas. Apoiar meninos negros não é presumir que todos tenham as mesmas necessidades ou dificuldades; é reconhecer que pesquisas relatam disparidades e experiências específicas, e criar espaços em que os estudantes sejam vistos por suas capacidades, interesses e perspectivas. A participação precisa fazer sentido para eles, com objetivos claros, respeito à privacidade e atenção às diferenças individuais.

O que a pesquisa recente mostra sobre aconselhamento e apoio em grupo?

Grupos baseados em forças podem apoiar habilidades e reduzir encaminhamentos

Uma pesquisa prática sobre aconselhamento em grupo para estudantes negros do sexo masculino descreve uma intervenção de Nível 2, apresentada no contexto de sistemas de apoio em múltiplos níveis. Os autores defendem grupos culturalmente afirmativos e baseados em forças como uma possibilidade para enfrentar questões de equidade e favorecer o desenvolvimento. A pesquisa relata redução de encaminhamentos disciplinares dos participantes e aprimoramento de habilidades socioemocionais (Gibson, 2024).

Esse resultado é relevante para a escola porque desloca o foco de uma abordagem centrada apenas em corrigir o estudante. Uma intervenção baseada em forças procura reconhecer recursos, competências e possibilidades de desenvolvimento. O resumo não autoriza concluir que todo grupo produzirá os mesmos efeitos ou que a redução de encaminhamentos, por si só, explica uma mudança na experiência escolar. O achado relatado diz respeito aos participantes da intervenção descrita.

O modelo Achieving Success Everyday, ou ASE, aparece em outro trabalho como uma proposta para articular desenvolvimento racial e matemático. Os autores examinam literatura sobre intervenções escolares com meninos negros, incluindo iniciativas de orientação e programas voltados a habilidades matemáticas. A análise usa a teoria racial crítica para pensar como experiências raciais na escola devem ser consideradas na reconceituação do modelo e nas práticas futuras (Steen, 2023).

Esse capítulo não apresenta no resumo um resultado de eficácia de um grupo específico. Seu valor, para esta conversa, está em reunir questões que podem orientar a concepção de intervenções: desenvolvimento acadêmico, social e emocional, identidade racial, identidade profissional e acesso a trajetórias futuras. Portanto, é mais preciso tratá-lo como análise de literatura e proposta de orientação para pesquisa, política e prática, não como prova de que um formato único funciona em qualquer escola.

Vínculo, confiança e camaradagem aparecem como processos importantes

Uma pesquisa de mentoria em grupo entrevistou retrospectivamente 13 meninos negros e pardos que haviam participado de um programa. A análise temática identificou dois temas abrangentes como mecanismos de mudança: o comprometimento do mentor e a transição do grupo de pares. Também apontou quatro processos centrais: identificação com outras pessoas, confiança, investimento e estímulo ao potencial, e camaradagem (Mushonga, 2026).

O estudo investiga como relações positivas com mentores e pares se desenvolvem; não é uma avaliação de aconselhamento escolar idêntica à intervenção descrita por Gibson. Ainda assim, os processos observados ajudam a pensar o que sustenta um espaço coletivo. Um grupo não se resume a colocar estudantes juntos: a consistência do adulto, a possibilidade de se reconhecer nas experiências compartilhadas e a construção gradual de confiança podem fazer parte da experiência.

Os autores apresentam implicações para recrutamento, formação e desenvolvimento curricular de mentores. Para a escola, isso oferece uma pergunta prática: quem conduz o espaço e como essa pessoa é preparada para escutar, criar vínculo e apoiar o potencial dos participantes? Uma aplicação cuidadosa não exige que um professor assuma uma função para a qual não foi formado; pode significar colaborar com orientação, coordenação ou parceiros comunitários adequados.

Outro capítulo discute parcerias entre orientadores escolares e comunidade e apresenta a paternagem social e a mentoria de fraternidades negras como estratégias possíveis para apoiar identidade positiva e enfrentar disparidades acadêmicas e disciplinares. O texto situa o orientador como líder, defensor, colaborador e agente de mudança sistêmica, mas o resumo não fornece uma avaliação de impacto com números ou comparação entre grupos (Reese, 2026). A contribuição, portanto, é a discussão de caminhos de colaboração, não uma medida quantificada de eficácia.

Identidade acadêmica e oportunidades precisam fazer parte da conversa

O aconselhamento em grupo também pode se conectar a decisões concretas de percurso acadêmico. Um capítulo explora um programa para estudantes do ensino fundamental II que busca incentivar uma trajetória de matemática avançada, incluindo Álgebra 1 no 8º ano. Os autores apresentam o aconselhamento em grupo como porta de entrada para esse objetivo e relacionam a escolha a oportunidades futuras em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) (Steen, 2026).

O resumo descreve a finalidade e as implicações que os autores propõem considerar, mas não informa uma avaliação de resultados do programa. Assim, não cabe afirmar que a participação elevou notas, matrícula em cursos superiores ou ingresso em uma carreira. O ponto que o estudo coloca em discussão é a possibilidade de ligar aconselhamento, matemática e planejamento de oportunidades desde a escola.

Em estudo com professores negros de STEM do ensino médio, 31 docentes relataram barreiras enfrentadas por estudantes negros do sexo masculino. Entre elas estavam marcas acadêmicas associadas a avaliações de alto impacto, mecanismos escolares de filtragem, sobretudo por orientadores, e práticas institucionais inadequadas. Os professores disseram que a representatividade favorecia pertencimento e aspiração; também consideravam que aprendizagem prática e aplicada em matemática e uso de andaimes pedagógicos ajudavam no engajamento e na confiança (Fletcher, 2026).

Esse estudo dá voz a professores negros de STEM e examina barreiras e estratégias percebidas por eles. Ele não testa um grupo de aconselhamento, mas amplia a leitura do que pode estar em jogo quando se fala em oportunidade. Um programa de apoio corre o risco de ser incompleto se fortalece a motivação do estudante sem examinar como a escola distribui acesso a disciplinas, apoios e percursos mais rigorosos.

Um estudo sobre um programa de acesso à universidade com foco em justiça social relata que a participação de meninos negros promoveu aspirações e preparo para a universidade desde o 9º ano, além de afirmação cultural, empoderamento e pertencimento. O trabalho descreve experiências em um programa específico, sem permitir generalizar automaticamente seus resultados a toda iniciativa escolar (Tunstall, 2026). Ele reforça, contudo, que apoio e desenvolvimento podem começar antes da etapa final da educação básica.

O contexto disciplinar e as percepções adultas também contam

Uma pesquisa com 225 professores identificou quatro perfis de crenças sobre desigualdade racial: orientado pelo déficit ou negação, inclinado ao antirracismo, ambivalente em relação ao racismo e individualista. Os perfis se associaram a diferenças nas avaliações de comportamentos de meninos negros como hostis e agressivos; também previram diferenças nas avaliações de empatia e seriedade para meninos negros e brancos. As diferenças descritas para hostilidade e agressividade se referiam aos meninos negros, não aos brancos (Legette, 2026).

Esse achado não é um estudo de aconselhamento em grupo, mas ajuda a compreender por que uma intervenção voltada somente ao estudante pode não bastar. A forma como adultos interpretam comportamentos pode influenciar decisões disciplinares. Os autores indicam que identificar crenças pode contribuir para intervenções direcionadas a vieses raciais e disparidades disciplinares. Para o professor, uma pergunta útil antes de encaminhar é se a mesma atitude seria interpretada da mesma maneira em outro estudante.

Um artigo teórico sobre ódio antinegro analisa implicações para estudantes negros do sexo masculino em escolas de educação básica nos Estados Unidos. Os autores descrevem como a racialização e a identificação de gênero podem levar a que sejam vistos como menos merecedores de proteção e apresentam recomendações para pesquisa, política e prática (Howard, 2026). Como se trata de uma análise teórica, não devemos atribuir a ela um resultado experimental de uma intervenção; ela oferece um enquadramento para examinar condições escolares e formas de proteção.

Outro estudo analisou dados de 1.099 adolescentes do sexo masculino, sendo 803 negros e 296 brancos, no estudo Future of Families & Child Wellbeing Study. Foram identificados quatro subgrupos relacionados a policiamento escolar, disciplina e sintomas depressivos. O resumo relata que adolescentes negros foram mais submetidos a policiamento e disciplina e apresentaram mais sintomas depressivos do que adolescentes brancos, e que ambientes educacionais semelhantes podem ser vividos de maneiras distintas (Perryman, 2026). Esse estudo não avalia aconselhamento em grupo, mas evidencia por que disciplina e bem-estar não devem ser tratados como assuntos separados.

Quais estudos ajudam a entender o tema lado a lado?

A tabela resume o que cada trabalho citado investigou e o que o respectivo resumo relata. Os estudos variam bastante: alguns descrevem intervenções ou programas, outros analisam literatura, crenças docentes, experiências de mentoria ou condições disciplinares. Por isso, seus achados não devem ser tratados como se viessem de uma única avaliação comparável.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Gibson (2024)Intervenção de aconselhamento em grupo baseada em forças.Redução de encaminhamentos disciplinares e aprimoramento de habilidades socioemocionais entre participantes.Orientação escolar; local não informado no resumo.
Steen (2023)Literatura de orientação e matemática e modelo ASE para desenvolvimento racial e matemático.Discute como a teoria racial crítica pode orientar pesquisa, prática e políticas futuras.Intervenções escolares; local não informado no resumo.
Mushonga (2026)Experiências de mentoria em grupo de 13 meninos negros e pardos.Identifica comprometimento do mentor, transição do grupo, identificação, confiança, estímulo ao potencial e camaradagem.Programa de mentoria; país e etapa escolar não informados.
Reese (2026)Parcerias de orientadores escolares com comunidade, paternagem social e mentoria de fraternidades negras.Discute estratégias para apoiar identidade positiva e enfrentar disparidades acadêmicas e disciplinares.Educação básica; local não informado no resumo.
Steen (2026)Programa de aconselhamento em grupo ligado à trajetória de matemática avançada.Apresenta o objetivo de incentivar Álgebra 1 no 8º ano e relaciona essa trajetória a oportunidades futuras em STEM.Ensino fundamental II; país não informado no resumo.
Fletcher (2026)Percepções de 31 professores negros de STEM sobre barreiras e estratégias para estudantes negros do sexo masculino.Relata barreiras institucionais e destaca representatividade, matemática aplicada e andaimes pedagógicos.Professores de STEM do ensino médio; distribuídos por todo o país, conforme o resumo.
Tunstall (2026)Experiências em programa de acesso à universidade com foco em justiça social.Relata aspirações, preparo para a universidade, afirmação cultural, empoderamento e pertencimento.Programa com foco na universidade; etapa a partir do 9º ano; país não indicado.
Legette (2026)Perfis de crenças de 225 professores sobre desigualdade racial e percepções de comportamento.Identifica quatro perfis associados a avaliações racializadas de comportamento e empatia.Professores; país e etapa não informados no resumo.
Howard (2026)Análise teórica do ódio antinegro dirigido a meninos nas escolas.Apresenta implicações e recomendações para pesquisa, política e prática.Educação básica nos Estados Unidos.
Perryman (2026)Subgrupos de adolescentes negros e brancos quanto a policiamento, disciplina e sintomas depressivos.Relata maior exposição de adolescentes negros a policiamento e disciplina e mais sintomas depressivos.Adolescentes do estudo FFCWS; país não explicitado no resumo.

Onde os estudos concordam e onde ainda divergem?

Em conjunto, os trabalhos apontam que apoiar meninos negros exige olhar para mais de uma dimensão: relações, identidade, desenvolvimento socioemocional, oportunidade acadêmica e práticas institucionais. Gibson relata ganhos associados a uma intervenção em grupo; Mushonga identifica processos relacionais em mentoria; e os estudos sobre STEM e acesso universitário mostram que pertencimento e oportunidades acadêmicas também aparecem na discussão. Não são resultados equivalentes, mas convergem na ideia de que o estudante não pode ser compreendido apenas a partir de episódios disciplinares.

Uma segunda convergência é a importância do contexto adulto e institucional. Legette associa perfis de crenças docentes a avaliações racializadas; Fletcher relata mecanismos de filtragem e práticas institucionais inadequadas como barreiras; Perryman descreve desigualdades em policiamento e disciplina. Esses estudos sugerem que práticas de apoio precisam conviver com a reflexão sobre decisões escolares. Um grupo pode oferecer espaço de desenvolvimento, mas não deve funcionar como substituto para examinar encaminhamentos, critérios de acesso e tratamento cotidiano.

As diferenças entre os trabalhos são importantes. Há uma pesquisa prática com resultado relatado sobre encaminhamentos e habilidades socioemocionais; há entrevistas retrospectivas com participantes de mentoria; há análises de literatura e capítulos conceituais; há estudos sobre professores e disciplina. Cada desenho responde a perguntas diferentes. Por exemplo, uma entrevista sobre experiências de vínculo não mede redução de encaminhamentos, e uma análise de crenças docentes não informa como um programa de aconselhamento se comporta ao longo do tempo.

Também ficam questões em aberto: quais elementos de um grupo são essenciais para que os estudantes confiem nele? Como adaptar os modelos a escolas com recursos e equipes diferentes? Como garantir que um convite ao aconselhamento seja percebido como oportunidade e não como punição? E como avaliar, ao mesmo tempo, o bem-estar dos participantes, suas oportunidades acadêmicas e as práticas institucionais? Os resumos disponíveis não respondem a todas essas perguntas.

Como levar esses achados para a sala de aula sem transformar a pesquisa em receita?

As propostas abaixo são aplicações possíveis para a rotina escolar, não resultados testados pelos estudos. O professor pode usá-las para colaborar com a orientação e para observar melhor suas próprias práticas, sem assumir que uma atividade isolada reproduzirá os efeitos de um programa formal.

1. Apresente o apoio como espaço de desenvolvimento, não como castigo

Aplicação: ao conversar com um estudante sobre um grupo oferecido pela escola, explique o objetivo com clareza e evite associá-lo automaticamente a uma infração. Por exemplo, em uma situação hipotética, um aluno do 8º ano recebe um convite para participar de um grupo sobre vínculos, metas acadêmicas e convivência. A apresentação poderia ressaltar que o espaço existe para desenvolver recursos e conversar sobre interesses, em vez de dizer que ele foi escolhido porque “precisa se comportar”. Essa distinção combina com a abordagem baseada em forças descrita por Gibson, mas a maneira de comunicar o convite é uma sugestão prática.

2. Observe suas interpretações antes de encaminhar

Aplicação: antes de registrar um comportamento como agressivo, desafiador ou desrespeitoso, descreva o que aconteceu de forma observável e confira se está separando o fato da interpretação. Imagine dois estudantes que interrompem uma atividade de modo parecido: o professor pode rever se atribuiu intenção diferente a cada um. O estudo de Legette não oferece um roteiro pronto para a sala, mas mostra que crenças docentes se relacionam a diferenças nas avaliações de comportamento. Uma pausa reflexiva pode ajudar a tornar decisões mais consistentes.

3. Combine apoio individual com uma rede de adultos

Aplicação: se uma situação exige acompanhamento, converse com a equipe de orientação sobre quem pode apoiar o estudante e como manter comunicação respeitosa. Uma turma hipotética pode ter um aluno interessado em matemática, mas inseguro sobre sua capacidade. O professor pode compartilhar observações concretas de participação e dificuldades com o profissional responsável, sem expor o estudante diante dos colegas. Mushonga e Reese destacam, em contextos distintos, a relevância de relações e parcerias. Isso não significa que qualquer adulto possa substituir o orientador ou o mentor preparado.

4. Torne as oportunidades acadêmicas visíveis

Aplicação: quando apresentar uma atividade mais exigente, explicite quais apoios existem e convide os estudantes a explorar possibilidades sem presumir quem está ou não preparado. Imagine um projeto de matemática aplicada em que a turma calcula materiais para uma construção simples. O professor pode oferecer etapas de apoio e explicar como desafios desse tipo se conectam a diferentes usos da matemática. Fletcher relata que professores negros de STEM valorizavam tarefas práticas e andaimes pedagógicos; Steen discute a relação entre aconselhamento e percurso matemático avançado. A escolha da atividade e sua adaptação são decisões pedagógicas locais.

5. Crie espaço para pertencimento sem exigir que alguém represente um grupo inteiro

Aplicação: em uma conversa sobre trajetórias profissionais, use exemplos diversos e permita que cada estudante fale de seus interesses, mas não coloque um aluno negro na posição de explicar “a experiência dos meninos negros”. Em uma cena hipotética, estudantes podem investigar profissões ligadas a ciência e tecnologia, escolhendo caminhos que despertem curiosidade. Os trabalhos sobre representatividade e afirmação cultural tornam o pertencimento uma dimensão relevante. A sugestão é ampliar referências e possibilidades sem transformar a identidade de um estudante em tarefa pública.

6. Pergunte aos estudantes o que torna o grupo confiável

Aplicação: se a escola oferece um grupo, a equipe pode explicar regras de participação e perguntar aos estudantes que condições os ajudam a falar com segurança. Uma situação hipotética seria combinar, no início, que ninguém será pressionado a compartilhar algo pessoal e que os participantes podem sugerir temas. Mushonga identificou confiança, identificação e camaradagem entre processos de grupo em mentoria. Essas ideias podem orientar perguntas de planejamento, mas não são uma garantia de que um acordo específico produza os mesmos resultados em outro contexto.

7. Acompanhe o que muda sem reduzir avaliação a punições

Aplicação: em parceria com a equipe responsável, a escola pode acompanhar diferentes sinais de experiência, como participação, acesso a atividades e percepção de pertencimento, respeitando a privacidade e as regras locais. Imagine um grupo que se reúne ao longo do período: além de registrar encaminhamentos, a equipe pode perguntar aos participantes o que lhes foi útil e o que precisa mudar. Gibson relata redução de encaminhamentos e aprimoramento socioemocional, mas os estudos aqui reunidos não estabelecem um conjunto universal de indicadores. A escolha de como avaliar é uma decisão a ser feita com cuidado.

O que muda quando pensamos no contexto brasileiro?

Os estudos citados não devem ser lidos como retrato direto das escolas brasileiras. Parte dos trabalhos trata de contextos dos Estados Unidos, como a análise teórica de Howard, e usa termos, estruturas de orientação e programas próprios daquele cenário. Outros resumos não informam o país. A pesquisa de Fletcher menciona professores distribuídos por todo o país, mas o resumo não nomeia esse país; por isso, não é adequado usar esse dado para afirmar uma localização específica.

Também há diferenças entre as formas de organização escolar, os serviços de orientação, as políticas disciplinares e os percursos acadêmicos. A referência a Álgebra 1 no 8º ano, por exemplo, pertence à proposta descrita por Steen e não deve ser convertida automaticamente em recomendação curricular brasileira. Do mesmo modo, os formatos de mentoria de fraternidades negras discutidos por Reese dependem de organizações e tradições comunitárias específicas; a ideia de parceria com a comunidade pode ser considerada, mas o modelo concreto não deve ser transplantado sem análise local.

O cuidado central é adaptar princípios, e não copiar estruturas. Uma escola brasileira pode refletir sobre como oferece apoio sem estigmatizar, como distribui oportunidades e como interpreta comportamentos de estudantes negros. Pode ainda avaliar se os espaços de escuta são culturalmente respeitosos e se as vozes dos estudantes participam do planejamento. Essas são possibilidades de aplicação inspiradas pelas perguntas da pesquisa, não conclusões comprovadas sobre escolas brasileiras.

É importante também não tratar “meninos negros” como um grupo uniforme. Idade, trajetória, território, relações familiares, interesses e experiências escolares variam. Uma intervenção responsável precisa ouvir os estudantes e não pressupor que a identidade racial determine necessidades ou respostas. Ao mesmo tempo, reconhecer diferenças de tratamento e de acesso não é atribuir dificuldades individuais a uma característica do aluno: é abrir espaço para investigar as condições em que a aprendizagem e a participação acontecem.

Quais são os limites desta leitura?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, e não na leitura integral dos trabalhos. Os resumos permitem identificar perguntas, contextos e resultados apresentados pelos autores, mas não oferecem em todos os casos detalhes suficientes para comparar métodos, duração das intervenções, instrumentos de avaliação, características completas dos participantes ou limites específicos. Por isso, o texto distingue entre resultados relatados, análises conceituais e propostas de aplicação.

Os trabalhos também não formam um conjunto uniforme de avaliações de aconselhamento em grupo. Alguns investigam mentoria, orientação acadêmica, crenças docentes, acesso a oportunidades ou disciplina. Há estudos que relatam resultados concretos, como a pesquisa prática de Gibson, e há capítulos que apresentam modelos, revisão de literatura ou implicações sem um resultado de eficácia no resumo. Não é possível concluir, a partir deste conjunto, que um programa específico funciona para todos os estudantes ou escolas.

Ficam em aberto perguntas sobre como cada intervenção foi organizada, quais condições favoreceram seus resultados e como eles se mantêm ao longo do tempo. Também seria importante compreender como os próprios estudantes avaliam a experiência, como a escola protege sua privacidade e como mudanças na prática adulta se articulam ao apoio em grupo. Ler os estudos completos faz sentido quando a escola pretende adaptar um programa, selecionar uma abordagem, formar profissionais ou avaliar uma iniciativa própria com responsabilidade.

Como o GeraProva ajuda com este assunto?

O GeraProva pode ajudar a preparar questões e atividades para trabalhar temas relacionados a convivência, equidade, leitura crítica e trajetórias acadêmicas, desde que o professor revise o material e o adapte à idade e ao contexto da turma. Uma prova, sozinha, não substitui aconselhamento, escuta ou ações institucionais de equidade; pode, porém, apoiar atividades pedagógicas bem planejadas. Conheça o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.

O que professores costumam perguntar sobre aconselhamento em grupo?

O que a pesquisa relata como benefício do aconselhamento em grupo?

Uma pesquisa prática descreve uma intervenção baseada em forças para estudantes negros do sexo masculino e relata redução de encaminhamentos disciplinares e aprimoramento de habilidades socioemocionais entre os participantes (Gibson, 2024). Outros estudos abordam processos relacionados, como confiança e camaradagem em mentoria, ou discutem identidade racial, matemática e acesso a oportunidades. Esses trabalhos não medem todos o mesmo resultado. Portanto, é mais correto falar de benefícios relatados em contextos específicos do que afirmar que qualquer grupo terá os mesmos efeitos.

O grupo deve ser usado para corrigir comportamento?

Os estudos não sustentam a ideia de que aconselhamento em grupo deva ser tratado apenas como correção disciplinar. Gibson descreve uma abordagem baseada em forças, enquanto trabalhos sobre mentoria destacam confiança, identificação e estímulo ao potencial. Isso não impede que uma escola dialogue sobre convivência e encaminhamentos, mas o espaço não deve reduzir o estudante a uma infração. Como aplicação, a equipe pode comunicar objetivos de desenvolvimento com clareza e evitar que participar do grupo seja apresentado como punição ou marca de problema.

Quais características podem ajudar a construir confiança entre participantes?

Em entrevistas retrospectivas com 13 meninos negros e pardos que participaram de mentoria em grupo, o estudo de Mushonga identificou comprometimento do mentor, transição do grupo de pares, identificação, confiança, investimento no potencial e camaradagem. Esses achados dizem respeito à experiência investigada e não constituem uma fórmula universal. Ainda assim, são pistas para quem planeja um espaço coletivo: considerar a consistência de quem conduz, criar condições para que os jovens se reconheçam e não pressionar participantes a compartilhar experiências pessoais.

Como o professor pode apoiar sem assumir o papel de orientador?

O professor pode observar, acolher e colaborar com os profissionais responsáveis, sem substituir a formação e as atribuições da orientação escolar. Uma aplicação possível é compartilhar com a equipe exemplos concretos de participação, interesses e apoios que funcionam para o estudante, preservando sua privacidade. Reese discute o papel de orientadores como colaboradores e agentes de mudança, além de parcerias comunitárias; Fletcher relata a importância atribuída por professores de STEM à representatividade e à aprendizagem aplicada. Esses estudos reforçam a possibilidade de colaboração, não uma transferência de função.

Os estudos provam que o aconselhamento em grupo melhora o desempenho em matemática?

Não. Steen (2023) analisa literatura e apresenta o modelo ASE para desenvolvimento racial e matemático; Steen (2026) descreve um programa que busca incentivar uma trajetória de matemática avançada ligada a Álgebra 1 no 8º ano. Os resumos não apresentam evidência de que a participação tenha elevado notas ou causado melhoria de desempenho. Fletcher (2026) relata percepções de professores sobre matemática aplicada, andaimes e confiança, mas não avalia uma intervenção de aconselhamento. É importante distinguir propostas e percepções de resultados medidos.

Posso aplicar esses modelos diretamente em uma escola brasileira?

Não sem adaptação. Os estudos vêm de contextos diversos, e alguns tratam explicitamente de escolas nos Estados Unidos ou de programas com estruturas próprias daquele país. Os resumos não permitem afirmar que todos os trabalhos sejam brasileiros nem que suas políticas e formatos existam aqui. Uma aplicação responsável pode partir de princípios a investigar — acolhimento, vínculo, acesso a oportunidades e revisão de práticas disciplinares — e conversar com estudantes e equipes locais. Para escolher ou reproduzir um programa concreto, é adequado consultar o estudo completo e verificar sua pertinência ao contexto escolar.

Quais estudos foram citados neste artigo?

As referências abaixo correspondem aos estudos citados no texto. Os títulos em português acompanham os títulos fornecidos, seguidos dos títulos originais.

  1. Gibson et al. (2024). Aconselhamento em Grupo para Estudantes Negros do Sexo Masculino: Uma Abordagem Baseada em Forças (Group Counseling for Black Male Students: A Strengths-Based Approach). Professional School Counseling. link
  2. Steen e Bethea (2023). Explorando intervenções de aconselhamento em grupo para meninos negros no ensino fundamental II: utilizando o modelo de grupo Achieving Success Everyday (ASE) para o desenvolvimento da identidade racial e matemática (Exploring Group Counseling Interventions for Black Boys in Middle School: Using the Achieving Success Everyday (ASE) Group Model for Racial and Mathematical Identity Development). Advances in Race and Ethnicity in Education. link
  3. Mushonga e Henneberger (2026). Group Mentoring Magic: a construção de relações positivas com mentores e pares entre meninos negros e pardos (Group Mentoring Magic: The Cultivation of Positive Relationships with Mentors and Peers among Boys of Color). Mentoring & Tutoring: Partnership in Learning. link
  4. Reese (2026). Excelência na orientação educacional: mobilizando a paternagem social para promover o sucesso acadêmico e o bem-estar de jovens negros por meio de parcerias entre orientadores educacionais e a comunidade (Counseling Excellence: Leveraging Otherfathering to Address the Academic Success and Well-Being of Young Black Males through School Counselor-Community Collaborations). Advances in Race and Ethnicity in Education. link
  5. Steen et al. (2026). Uso do Aconselhamento em Grupo como Porta de Entrada para Melhorar o Desenvolvimento de Carreira por meio da Matemática para Meninos Negros (Using Group Counseling as a Gateway to Improve Career Development through Mathematics for Black Males). Advances in Race and Ethnicity in Education. link
  6. Fletcher et al. (2026). Percepções de professores negros de STEM do ensino médio sobre estudantes negros do sexo masculino e os obstáculos do percurso em STEM (Insights from Black Male High School STEM Teachers on Black Male Students Having to Navigate the STEM Gauntlet). Urban Review: Issues and Ideas in Public Education. link
  7. Tunstall et al. (2026). Desde o primeiro dia: cultivando o potencial de meninos negros por meio de programas de acesso à universidade com foco na justiça social (Starting from Day One: Cultivating Black Boy Promise through Social Justice College Access Programming). Taboo: The Journal of Culture and Education. link
  8. Legette, Supple e Beauplan (2026). Perfis das crenças de professores sobre desigualdade racial: associações com percepções racializadas dos comportamentos de crianças negras e brancas (Profiles of Teachers' Racial Inequity Beliefs: Associations with Racialized Perceptions of Black and White Children's Behaviors). Journal of Educational Psychology. link
  9. Howard, McAdoo e Howard (2026). Em risco e um risco: interrompendo o ódio antinegro contra estudantes negros do sexo masculino nas escolas de educação básica (At Risk and a Risk: Disrupting Anti-Black Hate toward Black Males in K-12 Schools). Urban Education. link
  10. Perryman (2026). Identificação dos subgrupos de adolescentes negros e brancos do sexo masculino que foram submetidos ao policiamento e à disciplina escolar e apresentam sintomas depressivos (Identifying the Depressive Subgroups among Adolescent Black Boys and Adolescent White Boys Who Have Been School Policed and School Disciplined). Journal of Urban Learning, Teaching, and Research. link

Se este tema faz parte das conversas da sua escola, vale levar estas perguntas para a equipe e ouvir também os próprios estudantes: que tipo de apoio os ajuda a aprender, participar e se sentir respeitados?

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