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Acesso a computadores e celulares na escola: quando mais tecnologia não significa melhor aprendizagem

Estudos recentes apontam benefícios do acesso a computadores e à internet, mas resultados diferentes para smartphones. Entenda o que isso pode significar na prática escolar e como planejar o uso dos dispositivos.

Acesso a computadores e celulares na escola: quando mais tecnologia não significa melhor aprendizagem

O acesso a computadores, tablets e internet pode estar associado a melhores resultados acadêmicos, enquanto o uso de smartphones apresenta relações diferentes conforme o estudo e o contexto. Para o professor, isso significa considerar não só se há dispositivos, mas também como são usados, se a conexão funciona e se estudantes e docentes têm apoio e formação para integrá-los às atividades.

Ter computador ou internet disponível pode estar associado a melhores resultados escolares; já a ausência de smartphone aparece ligada a notas mais altas em outro estudo. E, quando a escola passa ao ensino remoto, um celular nem sempre substitui um computador compartilhado. Esses resultados parecem se contradizer, mas investigam dispositivos, contextos e perguntas diferentes.

Para o professor, a questão não é simplesmente escolher entre liberar ou evitar telas. É entender a diferença entre ter acesso e conseguir usar um recurso de modo adequado à atividade, sem ignorar as condições de conexão, a formação e a supervisão. A seguir, separamos o que cada pesquisa relata e o que pode ser aplicado com cautela na rotina escolar.

O que é acesso a computadores, dispositivos móveis e telecomunicações na escola e por que importa para o professor?

Acesso a computadores, dispositivos móveis e telecomunicações é a possibilidade concreta de estudantes e professores usarem equipamentos — como computadores, tablets e smartphones — e serviços de conexão, como internet e redes de telefonia, para ensinar, aprender e se comunicar. Na rotina escolar, isso inclui desde consultar um recurso digital em aula até depender de um dispositivo e de conexão para acompanhar atividades a distância.

A palavra “acesso” pode esconder situações bem diferentes. Um estudante pode ter um smartphone em casa, mas não um computador; pode dividir o aparelho com familiares; ou pode contar com conexão instável. Ter um dispositivo, portanto, não garante que ele esteja disponível no momento necessário, que sirva para toda tarefa ou que a atividade tenha sido planejada para aquele recurso.

Para o professor, essa diferença importa ao decidir o formato de uma tarefa, organizar grupos, propor uma avaliação e interpretar a participação. Se parte da turma não consegue entrar em uma plataforma ou produzir uma resposta no aparelho disponível, o problema pode não ser falta de empenho. Os estudos reunidos aqui tratam tanto das condições de acesso quanto das formas de uso e de seus possíveis efeitos.

O que a pesquisa recente mostra sobre computadores, celulares e internet na escola?

Computador e internet não são a mesma coisa que qualquer dispositivo

Uma análise com dados do TIMSS da Arábia Saudita examinou 5.453 estudantes do quarto ano e estimou como o acesso à internet, a celular e a tablet se relacionava com o desempenho em matemática e ciências. O estudo encontrou associação entre não ter computador ou tablet e notas mais baixas, e também entre não ter internet e notas mais baixas. Em contraste, não ter smartphone apareceu associado a notas mais altas, em conjunto com outras variáveis de desempenho (Alsayer, 2025).

Esse resultado não autoriza concluir que smartphone prejudica a aprendizagem, nem que computador, por si só, eleva notas. O estudo analisou associações em um conjunto de dados e incluiu outros fatores de desempenho. Sua contribuição para a conversa docente é mostrar que “tecnologia” não deve ser tratada como uma coisa só: computador, tablet, internet e smartphone podem se relacionar de maneiras diferentes com o desempenho observado.

Outra pesquisa, com dados de países africanos, analisou matrículas no ensino primário, gastos com educação, acesso à eletricidade e indicadores de telecomunicação. Os autores relatam impactos significativos de assinaturas de banda larga fixa, telefonia móvel, uso da internet e acesso à eletricidade sobre as matrículas escolares. Também identificam relações de causalidade entre matrículas e alguns desses fatores, com direções distintas conforme o indicador analisado (Elom, 2024).

O foco desse trabalho é a educação e as matrículas em escala ampla, não o resultado de uma atividade específica dentro de uma sala. Ainda assim, amplia o olhar: a conectividade depende de condições materiais, incluindo eletricidade, e não apenas da decisão individual de um professor de usar uma ferramenta. O estudo conclui que as TIC contribuem para a educação na África; não oferece, porém, uma receita direta para uma aula ou para o contexto brasileiro.

Um celular pode apoiar a aula, mas acesso sem suporte não resolve tudo

Em escolas públicas de ensino médio de Botsuana, uma pesquisa investigou a integração da aprendizagem móvel com questionários, entrevistas, grupos focais e observações de aula. Os resultados apontaram uma implementação limitada e inconsistente, associada principalmente à formação insuficiente de professores e estudantes, à infraestrutura inadequada e à falta de orientações políticas apropriadas. Com base nos resultados, os autores elaboraram um marco estratégico para a aprendizagem móvel naquele contexto (Mabalane, 2026).

O achado não é que celulares sejam inúteis. É que adotar aprendizagem móvel exige mais do que disponibilizar aparelhos: é preciso considerar preparação, infraestrutura e orientações de implementação. O marco elaborado pelos autores se destina a Botsuana e a outros contextos em desenvolvimento que integrem tecnologia em larga escala; sua existência não significa que a mesma solução possa ser transplantada sem adaptação.

Uma pesquisa qualitativa em três escolas secundárias suburbanas com poucos recursos no Nepal examinou como doze professores usavam dispositivos móveis. Entrevistas e observações indicaram usos produtivos para criar conteúdos digitais, acessar recursos da internet e conduzir aulas. Os professores recorriam, entre outras possibilidades, a jogos de linguagem, dicionários e aplicativos de aprendizagem. Na ausência de computadores de mesa e laptops, os dispositivos móveis ajudavam a desenvolver atividades de ensino e aprendizagem (Parajuli, 2024).

Os autores também relatam que a forma de uso refletia o conhecimento tecnológico, pedagógico e de conteúdo dos professores. Apontam que formação e apoio administrativo poderiam ampliar a proficiência docente. Lido junto ao estudo de Botsuana, esse resultado ajuda a evitar dois extremos: dizer que o celular substitui todas as ferramentas ou presumir que não serve para ensinar. O que se consegue fazer depende do equipamento disponível, do propósito da atividade e do apoio ao professor.

O planejamento docente pode transformar dispositivos em participação

Um estudo qualitativo sobre diferenciação pedagógica acompanhou a experiência de 26 professores de diferentes áreas. No contexto de um projeto Erasmus+, eles elaboraram atividades com dispositivos móveis de forma colaborativa e as implementaram em sala. Os professores ressaltaram a importância da infraestrutura e dos recursos, além de aspectos afetivos, como uma atitude positiva em relação às tecnologias móveis. Também destacaram a necessidade de formação e apoio (Simsek, 2025).

Os resultados relatam que as atividades diferenciadas com dispositivos móveis aumentaram motivação, participação, interação e cooperação nos processos de ensino e aprendizagem. Os autores também descrevem aprendizagem entre pares e colaboração entre professores. É um estudo qualitativo de experiências docentes: ele oferece exemplos de possibilidades percebidas pelos participantes, não uma medida universal de efeito para qualquer turma, aparelho ou conteúdo.

O estudo nepalês reforça a importância do repertório do professor ao descrever usos concretos, enquanto a pesquisa sobre diferenciação põe em destaque o planejamento colaborativo e a participação. Em conjunto, os trabalhos sugerem uma pergunta prática mais útil do que “qual aparelho é melhor?”: que tarefa o dispositivo permite realizar e que apoio é necessário para que a turma participe?

Ter um aparelho pessoal também envolve rotina, equidade e segurança

Um estudo com estudantes espanhóis de 11 a 12 anos investigou o ecossistema digital inicial e os riscos associados a essa idade de transição. Entre os resultados, dois em cada três estudantes que possuíam smartphone usavam o aparelho para se comunicar com familiares e amigos. O estudo relata que celulares favorecem a entrada em redes sociais desde cedo e que, nessa faixa, os estudantes usavam essas redes principalmente para consumir conteúdo audiovisual, mais do que para compartilhar informações pessoais sensíveis (Tejada-Garitano, 2024).

Os autores caracterizam essa etapa como uma idade-limite: estudantes começam a usar smartphones regularmente e a tomar decisões com autonomia, sem supervisão suficiente quanto a riscos digitais. Esse achado situa o celular para além da sala de aula: o aparelho pode fazer parte dos hábitos de comunicação e consumo de conteúdo dos estudantes. Não descreve, por si só, como cada escola deve regular o uso, mas chama atenção para a importância de pensar em orientação e supervisão.

Uma pesquisa com 3.247 estudantes italianos do 10º ano examinou fatores associados à idade do primeiro acesso a smartphone e possíveis relações com resultados de vida. Os resultados sugerem que meninas e estudantes de famílias com menor escolaridade tinham maior probabilidade de receber smartphones mais cedo. O acesso precoce apareceu associado negativamente ao bem-estar adolescente; os autores também relatam que adiar o acesso reduz desigualdades entre gêneros em proficiência linguística, habilidades digitais e satisfação com a vida (Gerosa, 2024).

O trabalho trata de associações ao longo do tempo, não de uma regra simples para decidir a idade ideal de uso em todas as famílias ou escolas. É relevante, contudo, para lembrar que o acesso não se distribui de forma neutra e que o tema envolve bem-estar e desigualdades, além de conveniência pedagógica. A pesquisa não permite concluir que retirar celulares da escola produza os mesmos resultados observados sobre idade de primeiro acesso.

Dispositivo compartilhado pode ser acesso insuficiente

Durante o fechamento das escolas na pandemia, um estudo entrevistou 15 professores de uma escola católica de Hull, no Reino Unido. No ano letivo de 2020–2021, a escola distribuiu 300 laptops a estudantes sem dispositivo digital para aprendizagem. As entrevistas indicaram que o acesso limitado a dispositivos teve impactos negativos no desempenho, inclusive entre estudantes que tinham um aparelho móvel e, por isso, não receberam laptop. Compartilhar um dispositivo com outro membro da família também apareceu ligado a mais faltas e queda no rendimento (Wright, 2024).

Os professores entrevistados ainda relataram efeitos associados à baixa participação de responsáveis, particularmente entre crianças de contextos socioeconômicos desfavorecidos. O estudo também descreve isolamento em relação aos colegas e redução de habilidades sociais entre estudantes mais pobres durante os períodos de confinamento, em relação à falta de acesso a ferramentas digitais. Como a investigação se refere à transição para o ensino remoto em uma escola britânica durante a COVID-19, não se deve transportar seus resultados automaticamente para uma aula presencial brasileira.

A pesquisa comparativa sobre estudantes turcos de 6 a 10 anos também examinou acesso às TIC e educação a distância. Para o ano letivo de 2019–2020, o estudo relata que, entre 5.328.391 estudantes do ensino fundamental considerados, cerca de 3,6 milhões não tinham acesso regular ao sistema turco EBA. Considerando todos os níveis de ensino, 11 milhões não conseguiram acessar o sistema. Os autores defendem ambientes on-line acessíveis a todos e com funcionamento adequado (Gö, 2024).

Esses números descrevem a Turquia e uma plataforma específica; não representam estudantes brasileiros. Mas, ao lado das entrevistas britânicas, tornam visível um ponto para o planejamento: acesso nominal não equivale a acesso regular. Uma atividade digital precisa considerar se cada estudante dispõe do aparelho no horário necessário, se consegue se conectar e se a ferramenta é utilizável nas condições reais da turma.

Como os estudos sobre acesso digital se comparam?

Os estudos variam em pergunta, escala e contexto: alguns observam práticas docentes, outros modelam associações entre acesso e desempenho ou analisam acesso em sistemas de educação a distância. A tabela resume somente o que os resumos relatam e ajuda a não confundir resultados sobre uma turma com conclusões sobre redes ou países inteiros.

EstudoO que investigouO que relataContexto
Alsayer, 2025Acesso a internet, celular e tablet e desempenhoAusência de computador/tablet ou internet associada a notas menores; ausência de smartphone, a notas maiores, junto a outras variáveisArábia Saudita; quarto ano; matemática e ciências
Elom, 2024TIC, eletricidade e educaçãoIndicadores de telecomunicação e eletricidade tiveram impactos significativos sobre matrículasÁfrica; ensino primário; dados agregados
Mabalane, 2026Implementação da aprendizagem móvelIntegração limitada e inconsistente; aponta formação, infraestrutura e orientações como desafiosEscolas públicas de ensino médio de Botsuana
Parajuli, 2024Uso docente de dispositivos móveisRelata usos para conteúdo digital, internet e aulas; aponta necessidade de formação e apoioTrês escolas secundárias com poucos recursos, Nepal
Simsek, 2025Diferenciação pedagógica com dispositivos móveisProfessores relataram motivação, participação, interação e cooperação26 professores; projeto Erasmus+
Tejada-Garitano, 2024Ecossistema digital e riscos na pré-adolescênciaDescreve comunicação por smartphone, uso de redes e autonomia com supervisão insuficienteEspanha; estudantes de 11 a 12 anos
Gerosa, 2024Idade do primeiro smartphone e resultados de vidaAcesso precoce associado negativamente ao bem-estar; diferenças sociodemográficasItália; 3.247 estudantes do 10º ano
Wright, 2024Acesso desigual no ensino remotoEntrevistas relatam impactos de acesso limitado e compartilhamento de dispositivosEscola católica em Hull, Reino Unido; COVID-19
Gö, 2024Acesso às TIC e educação a distânciaRelata falta de acesso regular ao EBA para milhões de estudantesTurquia; estudantes de 6 a 10 anos e dados de 2019–2020

Quais são os pontos em comum e as divergências entre os estudos?

O ponto comum mais forte é que acesso não se resume a possuir um aparelho. Conexão, eletricidade, disponibilidade do dispositivo, infraestrutura e apoio aparecem de maneiras diferentes em pesquisas sobre desempenho, matrícula, ensino remoto e prática docente. Os estudos de Botsuana, Nepal e diferenciação pedagógica também convergem ao destacar formação e suporte como partes importantes da integração de tecnologia (Mabalane, 2026; Parajuli, 2024; Simsek, 2025).

A divergência mais visível está nos resultados associados a diferentes dispositivos. A falta de computador ou tablet e de internet se relacionou a notas mais baixas no estudo saudita, enquanto a falta de smartphone se associou a notas mais altas (Alsayer, 2025). Isso não contradiz diretamente os relatos de usos produtivos de dispositivos móveis por professores no Nepal (Parajuli, 2024) ou de atividades com participação e cooperação (Simsek, 2025): as pesquisas não mediram a mesma coisa nem responderam à mesma pergunta.

Também diferem as escalas. Um estudo com dados agregados sobre matrículas na África não permite prever o resultado de uma atividade individual, enquanto entrevistas com professores de uma escola britânica descrevem experiências específicas no ensino remoto. Já estudos sobre idade de acesso e redes sociais tratam de hábitos, bem-estar e riscos, não de comparar métodos de ensino (Elom, 2024; Wright, 2024; Tejada-Garitano, 2024; Gerosa, 2024).

Permanece em aberto qual combinação de dispositivo, conexão, tarefa e apoio funciona melhor para cada contexto escolar. Os resumos não estabelecem uma regra universal para uso de celulares nem permitem afirmar que um equipamento cause determinado resultado em qualquer turma. A leitura mais segura é distinguir a disponibilidade do recurso de sua integração pedagógica e avaliar o que cada estudo efetivamente investigou.

O que os estudos significam para a sala de aula?

Para a prática docente, os estudos oferecem pistas para planejar atividades com alternativas, objetivos claros e atenção às condições de acesso. As sugestões abaixo são aplicações possíveis, não resultados testados diretamente por todos os estudos citados.

1. Planeje a tarefa antes de escolher o aparelho

Aplicação: defina o que os estudantes devem fazer e só então escolha se um computador, tablet ou celular atende ao objetivo. Imagine uma turma que precisa comparar fontes: se a atividade exige digitar longas respostas, pode ser necessário prever outro formato para quem só dispõe de um aparelho pequeno. A diferença observada entre tipos de acesso no estudo saudita reforça a utilidade de não agrupar todos os equipamentos sob o rótulo genérico de “tecnologia” (Alsayer, 2025).

2. Confira se o acesso é individual, regular e suficiente

Aplicação: antes de propor uma tarefa digital para casa, pergunte de forma simples se cada estudante tem aparelho disponível no horário previsto e conexão para realizar a atividade. Imagine que dois irmãos dividam um único dispositivo: um prazo flexível ou uma alternativa presencial pode evitar que o acesso aparente se transforme em barreira. A pesquisa britânica sobre ensino remoto descreve dificuldades relacionadas ao compartilhamento, enquanto o estudo turco mostra a relevância do acesso regular a uma plataforma (Wright, 2024; Gö, 2024).

3. Ofereça uma alternativa quando a conexão falhar

Aplicação: prepare um caminho equivalente para participar quando a internet ou a plataforma não funcionar, como realizar a mesma etapa em sala ou entregar a resposta em outro momento. Imagine uma atividade de consulta on-line: estudantes que não conseguem acessar a rede podem trabalhar com materiais disponíveis na escola. Essa alternativa é uma recomendação de planejamento inspirada nos problemas de acesso relatados, não uma intervenção cuja eficácia esses resumos tenham medido (Mabalane, 2026; Gö, 2024).

4. Use o celular para uma função definida

Aplicação: proponha usos curtos e orientados, como consultar um dicionário digital ou acessar um recurso específico, em vez de deixar indefinido o que fazer com o aparelho. Imagine que grupos usem dispositivos para buscar significados e depois expliquem as escolhas à turma. Professores no Nepal relataram usos de dicionários, jogos de linguagem e aplicativos de aprendizagem; isso não significa que todo celular ou aplicativo sirva para qualquer objetivo (Parajuli, 2024).

5. Planeje colaboração e diferenciação

Aplicação: organize tarefas em que estudantes possam contribuir de formas diferentes, por exemplo, um grupo consulta conteúdos e outro prepara uma explicação oral. Se os aparelhos disponíveis forem poucos, combine papéis e tempos de uso para que a participação não dependa de cada estudante ter um dispositivo próprio. Professores que planejaram atividades diferenciadas com dispositivos móveis relataram mais participação, interação e cooperação; uma forma de experimentar essa ideia é observar quem participa e ajustar a organização (Simsek, 2025).

6. Ensine também como participar com segurança

Aplicação: antes de uma atividade que envolva conteúdo on-line, explicite quais fontes ou espaços digitais devem ser usados e como pedir ajuda diante de algo inadequado ou desconfortável. Imagine uma turma de pré-adolescentes fazendo uma pesquisa orientada: uma conversa breve sobre comunicação e supervisão pode integrar a tarefa. A pesquisa espanhola descreve uso de redes e autonomia crescente nessa idade; ela não avalia um roteiro específico de educação digital (Tejada-Garitano, 2024).

7. Trate formação e apoio como parte do planejamento

Aplicação: experimente a ferramenta antes da aula, compartilhe atividades com colegas e registre o que funcionou ou dificultou a participação. Imagine uma equipe que cria em conjunto uma atividade curta para testar em diferentes turmas. Estudos em Botsuana, no Nepal e sobre diferenciação pedagógica apontam formação e apoio como necessidades, embora em contextos distintos (Mabalane, 2026; Parajuli, 2024; Simsek, 2025).

8. Observe mais do que a entrega final

Aplicação: acompanhe se os estudantes conseguiram acessar o recurso, participar e concluir as etapas, além de olhar a resposta entregue. Se uma turma apresenta muitas tarefas incompletas, vale verificar se houve dificuldade de conexão ou de disponibilidade do aparelho antes de interpretar o resultado como falta de estudo. As pesquisas sobre acesso desigual e dispositivos compartilhados mostram por que as condições de participação merecem atenção, sobretudo em atividades a distância (Wright, 2024; Gö, 2024).

O que muda ao aplicar esses estudos no contexto brasileiro?

Os estudos vêm de Botsuana, Arábia Saudita, países africanos, Nepal, Espanha, Itália, Reino Unido e Turquia. Cada um observa realidades próprias: os participantes, os equipamentos, as plataformas, o período estudado e a organização escolar variam. Por isso, resultados e números relatados nesses contextos não descrevem automaticamente escolas brasileiras nem permitem estimar quantos estudantes daqui enfrentam as mesmas barreiras.

Há, ainda assim, perguntas transferíveis ao planejamento local: o equipamento está disponível quando a atividade acontece? A conexão funciona? O aparelho serve para o tipo de produção esperado? O estudante divide o dispositivo? A escola oferece apoio ao professor? Essas perguntas não exigem supor que as condições sejam iguais; ajudam a investigar a realidade da própria turma antes de depender de uma ferramenta digital.

Também é importante evitar importar recomendações institucionais como se fossem políticas brasileiras. O marco de aprendizagem móvel citado no estudo de Botsuana foi elaborado para aquele contexto. A plataforma EBA e os números de acesso pertencem à Turquia. Já os achados sobre estudantes italianos e espanhóis se relacionam a populações e faixas etárias específicas. Para aplicação no Brasil, o mais prudente é aproveitar os problemas levantados — acesso, formação, supervisão e equidade — e verificar como aparecem na escola e na comunidade atendida.

Por fim, a escola pode separar duas conversas que às vezes se misturam: como o celular pode apoiar uma atividade pedagógica e como lidar com bem-estar, redes sociais e segurança. Os estudos sobre adolescentes e pré-adolescentes tratam de aspectos relevantes do ambiente digital, mas não fornecem uma norma brasileira sobre permitir ou proibir aparelhos. A decisão pedagógica precisa considerar o objetivo da aula, as condições reais e as orientações aplicáveis à instituição.

Quais são os limites desta leitura dos estudos?

Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados na fonte de pesquisa, não na leitura integral de cada trabalho. Os resumos permitem identificar perguntas, contextos e resultados principais, mas nem sempre apresentam todos os detalhes necessários para avaliar como as análises foram conduzidas ou o alcance exato de cada conclusão. Por isso, os resultados foram descritos sem acrescentar informações não relatadas.

As pesquisas também usam métodos e escalas diferentes: há análise de dados de desempenho, estudo qualitativo com entrevistas e observações, análise documental, levantamento com estudantes e dados agregados sobre países. Um resultado associado a notas em um conjunto de dados não equivale a uma demonstração de causa, e relatos de professores não estimam necessariamente o efeito médio de uma prática em outras escolas.

Ficam abertas perguntas importantes para o trabalho docente: que tipos de atividade se beneficiam mais de cada dispositivo? Como comparar alternativas de acesso na mesma turma? Que forma de formação e apoio é viável em diferentes redes? Como acompanhar efeitos sobre participação, aprendizagem e bem-estar ao longo do tempo? Para responder a essas questões ou fundamentar uma política escolar, faz sentido consultar os estudos completos, conferir seus métodos e verificar se os participantes e o contexto se aproximam da realidade em análise.

Como o GeraProva ajuda com o acesso digital e a avaliação?

O acesso desigual pode afetar como os estudantes recebem uma atividade, mas não elimina a necessidade de avaliar o que aprenderam. Uma forma de organizar esse trabalho é planejar provas e atividades com objetivos claros e formatos que façam sentido para a turma. O gerador de provas do GeraProva usa IA para apoiar a criação de avaliações, e o cadastro grátis permite conhecer a plataforma. A ferramenta não substitui a decisão pedagógica nem resolve barreiras de conexão ou de equipamento.

Perguntas frequentes sobre computadores e celulares na escola

Ter acesso a um smartphone é suficiente para acompanhar atividades escolares?

Não necessariamente. O estudo britânico sobre ensino remoto relata impactos negativos do acesso limitado a dispositivos inclusive entre estudantes que tinham aparelho móvel e, por isso, não receberam laptop. Também descreve dificuldades quando um dispositivo era compartilhado com outra pessoa da família (Wright, 2024). Isso não prova que smartphones sejam inadequados para qualquer atividade, mas indica que possuir um celular não garante acesso suficiente a todas as tarefas. O formato, a disponibilidade do aparelho e a conexão precisam ser considerados antes de depender de uma atividade digital.

Os estudos mostram que computadores ajudam mais do que celulares?

Os resumos não permitem estabelecer uma hierarquia universal. Na pesquisa com dados de estudantes sauditas, não ter computador ou tablet e não ter internet se associou a notas mais baixas, enquanto não ter smartphone se associou a notas mais altas, junto a outras variáveis (Alsayer, 2025). Já professores no Nepal relataram usos produtivos de dispositivos móveis para acessar recursos, desenvolver conteúdos e conduzir aulas (Parajuli, 2024). Os estudos investigam contextos e resultados diferentes. Na prática, é mais seguro escolher o equipamento de acordo com a tarefa e as condições de acesso da turma.

O celular pode aumentar a participação dos estudantes?

Um estudo qualitativo sobre atividades de diferenciação pedagógica com dispositivos móveis relata que os professores perceberam aumento de motivação, participação, interação e cooperação (Simsek, 2025). Esse resultado é um relato das experiências de docentes que planejaram e implementaram atividades em um projeto; não garante que qualquer uso do celular produza os mesmos efeitos. Para experimentar essa possibilidade, uma aplicação seria definir uma tarefa colaborativa e observar quem participa, como os estudantes interagem e se o recurso contribui para o objetivo. A participação também depende da infraestrutura, dos recursos e de apoio.

A falta de internet pode afetar o desempenho escolar?

Em um estudo que usou dados do TIMSS da Arábia Saudita, não ter acesso à internet apareceu associado a notas mais baixas em matemática e ciências (Alsayer, 2025). O estudo sobre ensino remoto em uma escola britânica também relata impactos negativos do acesso limitado a ferramentas digitais no desempenho durante a pandemia (Wright, 2024). Esses resultados apontam que a conexão pode ser uma barreira importante, mas vêm de contextos específicos e não demonstram que toda diferença de nota seja causada pela falta de internet. Ao planejar uma tarefa, vale prever como estudantes sem conexão poderão participar.

Como posso usar celulares sem transformar a aula em tempo de tela sem objetivo?

Uma aplicação possível é começar pela finalidade: decidir se o aparelho ajuda a consultar um recurso, produzir um conteúdo ou colaborar em uma atividade. No Nepal, professores relataram usos de dispositivos móveis para acessar a internet, criar conteúdos digitais e recorrer a dicionários, jogos de linguagem e aplicativos específicos (Parajuli, 2024). Esse relato não define uma fórmula para outras turmas. O professor pode apresentar uma instrução delimitada, combinar o que será produzido e acompanhar a participação. Também pode oferecer uma alternativa equivalente para quem não tiver um aparelho disponível.

Os resultados de outros países servem para escolas brasileiras?

Servem como referência para formular perguntas, não como retrato automático do Brasil. Os estudos reunidos analisam contextos nacionais, plataformas, faixas etárias e condições escolares diferentes. Os números sobre acesso ao EBA, por exemplo, descrevem uma plataforma turca, enquanto os relatos sobre laptops se referem a uma escola britânica durante a pandemia (Gö, 2024; Wright, 2024). Para aplicar as pistas no Brasil, é importante verificar a disponibilidade de dispositivos e conexão na própria comunidade, além das orientações da escola. Quando uma decisão tiver consequências amplas, consultar os estudos completos e fontes brasileiras pertinentes pode ser necessário.

Referências

  1. Alsayer, Ahmed (2025). Fatores que afetam o desempenho dos estudantes: uma revisão e um estudo de modelagem bayesiana sobre fatores tecnológicos (Factors Affecting Students' Achievement: A Review and Bayesian Modeling Study on Technology Factors). International Journal of Web-Based Learning and Teaching Technologies. Link.
  2. Elom, Chinyere Ori; Onyeneke, Robert Ugochukwu; Ayerakwa, Hayford Mensah; Atta-Ankomah, Richmond; Deffor, Eric Worlanyo; Uwaleke, Chidebe Chijioke (2024). O papel das tecnologias da informação e comunicação e do acesso à eletricidade na educação na África (The Role of Information and Communication Technologies and Access to Electricity on Education in Africa). Education and Information Technologies. Link.
  3. Gözde Özenç Ira; Nejat İra; Şevket Güngörc; Pınar Çakır; Ali Aksu (2024). Acesso de estudantes do ensino fundamental às tecnologias da informação e comunicação na Turquia (Access of Primary School Students to Information and Communication Technologies in Turkey). Research on Education and Media. Link.
  4. Gerosa, Tiziano; Losi, Lucilla; Gui, Marco (2024). A era do smartphone: uma análise dos fatores sociais que predizem a idade de acesso das crianças e de suas possíveis consequências ao longo do tempo (The Age of the Smartphone: An Analysis of Social Predictors of Children's Age of Access and Potential Consequences over Time). Youth & Society. Link.
  5. Mabalane, Dennis Kealeboga; Batane, Tshepo (2026). Investigação da implementação da aprendizagem móvel em escolas de ensino médio de Botsuana para melhorar o desempenho acadêmico e a alfabetização digital (Investigation of Mobile Learning Implementation in Botswana Secondary Schools for Improved Academic and Digital Literacy Outcomes). Discover Education. Link.
  6. Parajuli, Krishna Prasad; Rana, Karna; Laudari, Suman (2024). Uso de dispositivos móveis por professores em escolas secundárias suburbanas com poucos recursos no Nepal (Teachers' Use of Mobile Devices in Suburban Under-Resourced Secondary Schools in Nepal). Distance Education. Link.
  7. Simsek, Irfan; Can, Tuncer; Kucuk, Sevda (2025). A experiência dos professores como designers e implementadores de atividades de diferenciação pedagógica com dispositivos móveis em diferentes anos escolares e componentes curriculares (Teachers' Experience as Designers and Practitioners of Differentiation Activities Using Mobile Devices across Grades and Subjects). Culture and Education - Cultura y Educacion. Link.
  8. Tejada-Garitano, Eneko; Garay Ruiz, Urtza; Portillo Berasaluce, Javier; Arce Alonso, Ander (2024). Estudantes espanhóis de 12 anos e seu ecossistema digital: a cibercultura do coletivo de fronteira (12-Year-Old Students of Spain and Their Digital Ecosystem: The Cyberculture of the Frontier Collective). Journal of New Approaches in Educational Research. Link.
  9. Wright, Samuel; Park, Yun Soo; Saadé, Ahmed (2024). Aprendizados sobre a transição de uma escola católica para o ensino remoto durante a COVID-19 (Insights from a Catholic School's Transition to Distance Learning during COVID-19). Open Learning. Link.

Se a tecnologia faz parte da sua rotina, comece por uma atividade pequena e observe o que ajuda — e o que ainda dificulta — a participação da turma. Cada contexto merece um planejamento próprio.

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